sábado, 30 de novembro de 2013

ADVENTO: UM TEMPO FAVORÁVEL

Mais um artigo muito bom de D. Orlando Brandes - Arcebispo de Londrina Pr.

Este é o momento favorável. Deus está no nosso agora, no nosso cotidiano, no nosso minuto. Nossa hora é sempre “hora de Deus”. O advento de Deus acontece em nossas circunstâncias, em nossa história, nossa existência. Senhor, em Vós respiramos e por Vós suspiramos. Tu conheces nossos pensamentos, sentimentos e as batidas dos nossos corações.. Todo dia é dia de Deus. Ele está em nós e no meio de nós. Deus faz o nosso caminho.

Celebrar, porém, o tempo do Advento é reviver a história da encarnação de Jesus, portanto, a plenitude dos tempos. É o tempo de preparar os caminhos, tempo de dar tempo para Deus e para os irmãos. Nestes tempos de consumismo, os esposos não tem tempo pra si e pais não encontram tempo para seus filhos. A grande maioria das pessoas não tem tempo para Deus. Tempo é questão de preferência. Muitos preferem dar tempo para o shopping, para time de futebol, para a correria estressante da vida.

O tempo do Advento é tempo da realização das promessas de Deus sobre a vinda do Messias. Quanto tempo Deus dedica a nós e como temos pouco tempo para as coisas de Deus. Sofremos fadiga, esgotamento, cansaço, stress, vazio, frustração por não respeitar o tempo do silêncio, do lazer, da oração, nem o tempo para diálogo, a visita, a amizade.

O Advento é tempo para a gente parar, meditar, silenciar. Assim poderemos recuperar a saúde, a paz, a alegria, a bússola da verdade. Advento é hora de reencontro e reencantamento. Estamos celebrando um tempo de renovação da fé: o Ano da Fé.  Do grau da fé depende o tipo de cristianismo que vivemos. Da intensidade ou da superficialidade da fé, depende a vivencia do tempo do Advento e do Natal. A fé é o impulso que rompe com nossa rotina e mesmice que são entraves e amarras à  dedicação do nosso tempo  para a evangelização. A fé é couraça e escudo que nos defende do mal, e nos ajuda a viver de modo adequado o tempo que nos é dado, inclusive a não perder tempo à toa.

A fé nos livra das preocupações que nos enganam, estressam e deprimem tomando o maior tempo da nossa vida. A fé destrói nossos apegos que são a raiz de todo sofrimento emocional e psíquico. A fé nos impele a sair do comodismo e da omissão que atrofiam a missão, fracassam a Igreja e deixam espaços para os ídolos. A fé é a vitória sobre nossa mediocridade tão nociva, porque prejudica a credibilidade do evangelho.  Não podemos ter uma fé morna. Eis o tempo favorável do Advento que nos conduz ao deserto para reavivarmos a força da fé. Eis o tempo para retornar ao poço, à fonte, a exemplo da samaritana, que abandonou a vida errada e tornou-se anunciadora da fé.

Há um tempo para tudo (cf Ecl 3,1-8). Sim, há tempo para perder a fé e tempo para reencontrá-la. Tempo para tudo abandonar e tempo para voltar. Tempo para a incredulidade e tempo para a conversão. Tempo para naufragar na fé e tempo para recuperar o tesouro perdido.

O Advento é um tempo que nos interpela á decisão, opção, resolução para nossa conversão. Não podemos subsistir sem a necessária conversão. Jesus veio, vem e virá. Os que o recebem se tornam filhos de Deus. Entremos neste Advento pela porta da fé, prossigamos no caminho de Jesus até chegarmos à porta do céu, do fim que não terá fim, da luz sem ocaso, onde seremos coroados pelo bem que realizamos no tempo de nossa existência. No tempo preparamos a eternidade. A experiência nos faz perceber que tudo passa, que o crepúsculo da vida vem. “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (S. João da Cruz). Sejamos gratos ao Criador que na sua sabedoria nos chamou viver nestes tempos da história da humanidade.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 1º de dezembro de 2012.




* Colaboração da  Ir. Zuleides Andrade, ASCJ. Curitiba – Pr.

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