sexta-feira, 31 de julho de 2015

DIA DE CATEQUESE: RECOMEÇO...

Hoje foi mais uma quarta-feira especial na minha vida. Dia de catequese...

Acordei hoje já com a expectativa de ir encontrar os meus catequizandos. Parecia criança que sabia que ia ganhar doce. Planejei e refiz o encontro várias vezes. Pensei em cada detalhe e em cada coisinha que eu ia fazer. Olhei a lista, li e reli os nomes. Hum... Apenas sete, pensei. Que diferença do ano passado: eram trinta e cinco! E lá fui eu, com meu Kit Catequista, com meia hora de antecedência. Naquela sala pequena só com uma mesa e poucas carteiras surradas, que em nada parece um lugar de encontro, eu revivi a magia de “ser catequista”.

Nosso encontro já começou lá fora no pátio, com as crianças perguntando para a coordenadora quem seria a catequista deles. “É a Ângela, olha ela aqui! ”. E brinquei com eles: “Sou tudo isso aqui! ”. E apertei solenemente a mão do Rodrigo, que já tem treze anos e merece respeito. E dei as boas-vindas aos mais quietinhos, sem esquecer nenhum. Já na sala fui tirando das minhas sacolas o meu “Kit”. Sim, eu tenho um “Kit Catequista” que sempre carrego comigo: Uma toalha branca, uma vela num castiçal, uma cruz de mesa em madeira, um vasinho de flores, minha Bíblia.

Quando pus a toalha de renda branca na mesa eles já foram perguntando: Que é isso, Catequista? Eu querendo brincar falei:
- Hoje trouxe a toalha do piquenique, no próximo encontro, trago a comida. Aí perguntei para eles porque a gente coloca uma toalha sobre a mesa.
- Pra comer! Responderam.
- Sim, vamos comer, essa é a nossa mesa do banquete e aqui está o nosso alimento: a Bíblia!

E assim já comecei um assunto que nem era aquilo que eu ia falar. O bonito nas crianças é isso: Elas suscitam ideias na gente que nem em sonhos teríamos por conta própria! Excelente oportunidade para falar da mesa do pão e da mesa da palavra.

Num pequeno círculo fomos nos ajeitando e chegou a última criança. Veio acompanhada da mãe, que já se prontificou a ajudar no que fosse preciso. Maravilha! Já conheci uma mãe.

E lá fomos nós nos apresentar.
- Sou Ângela, sou catequista e quero que me chamem de Ângela ou Tia, ou Tia Ângela... Nunca professora, “Prof” ou Catequista.
Ali parecia, mas não era escola e, se me chamam de catequista simplesmente, como é que eu saberia que sou eu que sou chamada, se ali tem mais de quinze catequistas! Trato feito e uns dez “Professora!” depois... Combinamos então o que eu queria que não tivesse na nossa catequese: chiclete na boca, celular ligado, “soneca”, todo mundo falando ao mesmo tempo, gente falando junto comigo... Queria respeito pelo outro, incluindo aí a vez de falar.

E eles? O que queriam que tivesse e não tivesse na catequese? As respostas foram mais ou menos essas: tem que ter brincadeira, comida; não pode ter dever de casa e eu não posso ser “brava”. Ah, e também não pode ter “catequese” porque é muito chato. Ha ha ha... nem pensar!
 
Então fizemos um trato: brincadeira vai ter sempre, no momento certo; comida pode ter de vez em quando, desde que não seja sempre eu que traga; dever de casa nunca, afinal não estamos na escola; e, só serei brava quando todo mundo estiver falando ao mesmo tempo, não estiver me escutando ou dormindo. E catequese também tem que ter, senão o “chefão” me demite!  E eles me prometeram não ter chiclete, nem celular, pedir licença para falar, fazer bastante pergunta e me contar quando eu for chata.
- Mas a gente pode falar, Prof? Digo, Tia?
- Claro! Senão como vou saber que estou sendo chata!

E prometemos também sempre falar a verdade. E queria que eles me dissessem, de verdade, se estavam ali porque queriam ou porque eram obrigados. Cinco estavam ali porque queriam. Dois porque eram obrigados. A esses dois eu prometi que, se até o final do ano, eles ainda não gostassem da catequese, eu me “demitiria”. Mas que eles precisavam estar ali sempre para eu poder fazê-los mudar de ideia. Não vir ao encontro, simplesmente não valia.

E então, assinamos nosso “contrato” chupando balas.



Minha filha Maria Paula, é minha catequizanda esse ano. Na volta para casa ela me disse: “Nossa, Mãe, que catequista legal você é! ” E ela já teve duas antes de mim... rsrsrsr. Meu Deus, eu mereço tanto? Isso não é muito melhor que ganhar um doce?

Ângela Rocha

Catequista 

* Sou catequista, ou melhor, comecei a me envolver com a Catequese na Igreja há cerca de 10 anos. Nos primeiros tempos eu apenas acompanhava a Coordenadora da Catequese,  Irmã Francisca, carinhosamente chamada de Ir.Chica, ajudando-a com a organização da catequese, dos encontros, eventos. E ali comecei a aprender... Depois me inseri diretamente "na lida", com uma turminha de 1ª Etapa, em 2006. Ao longo do tempo, fui descrevendo meu encontros de catequese numa espécie de "diário de bordo" e publicando em meu blog. São quase 10 anos de "aventuras" e desafios, alguns até alguém já pode ter lido em "algum lugar", mas vou republicar aqui aos poucos. Espero que gostem!

Ângela Rocha
angprr@gmail.com

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO