domingo, 6 de setembro de 2015

A BIBLIA: UMA PORTA PARA O POVO



Neste mês de Setembro, nós, católicos, celebramos MÊS DA BÍBLIA, e o dia da Bíblia, comemoramos dia 30 de setembro, lembrando São Jerônimo, santo que passou praticamente toda a sua vida em Jerusalém, traduzindo a Bíblia, do hebraico e do grego, para o latim. E mais tarde, a partir dos textos escritos em latim, ela foi traduzida para todas as línguas vernáculas, ou seja, na língua do seu país.

A Bíblia foi escrita por homens e mulheres, por uma grande multidão de pessoas, inspiradas por Deus. Não foi Ele que pegou a caneta na mão e escreveu, mas inspirou muita gente ao longo da história para escrever a sua palavra. Ela nasce no meio popular, nas lutas do dia a dia, em meio a alegrias e tristezas, derrotas e vitórias, perdas e ganhos. Ela reflete a vida de um povo, o povo de Deus, que por vezes era fiel a Deus, mas por tantas vezes, se distanciava do verdadeiro Deus, seguindo tantos outros deuses.

Mas se ela é a história do povo de Deus, porque por tanto tempo ficou distante dele? Foi se difundindo uma ideia de que a Bíblia era muito difícil de ser entendida, e só alguns especialistas poderiam compreendê-la e interpretá-la. Por isso, ela foi distanciada do povo de modo geral, não podendo por vezes nem ser tocada, em sinal de respeito e de reverência. Que pena, mas hoje ela começa a voltar para os seus destinatários: o povo de Deus.

A esse respeito, gosto da história contada por Carlos Mesters sobre a porta, que retrata a Bíblia.

Numa cidade do interior existia uma grande porta que era o acesso principal para todos. Por ali eles entravam, saiam e se encontravam todos os dias. O povo que se encontrava na porta, conversava, falava da sua vida, dos seus problemas, das suas alegrias, partilhando o seu dia a dia. No entanto, o povo não imaginava a preciosidade daquela porta. Para eles era muito comum, por onde passavam diariamente. Uma enorme porta, que abrigava salas, compartimentos, mas ninguém dava muita atenção para isso.

Um dia vieram cientistas de fora para estudar aquela famosa porta, e inclusive se instalaram por ali. As pessoas passavam curiosas, e ficavam observando aqueles estudiosos, descobrindo coisas muito interessantes a respeito dela. Depois de um tempo, vendo aqueles homens sérios a estudar, passavam mais silenciosos, para não atrapalha-los em seus estudos. Lá pelas tantas, começaram inclusive a evitar a passagem por lá, para não distrair os estudiosos e no fim, abandonaram a porta. Deixaram então de se encontrar, pois o local que provocava encontros, conversas, já não era mais deles. Depois de alguns anos, os estudiosos deixaram o local e fizeram belas publicações a respeito daquela porta. Vieram chuvas, ventos, que acabaram fechando a porta. Um dia, alguns mendigos descobriram aquele local e começaram a passar a noite por lá. Foram abrindo a porta aos poucos e o povo que andava distante dela, voltou a passar por lá. A notícia se espalhou na comunidade, dizendo que os estudiosos tinham ido embora, e de repente, as pessoas voltaram a passar por lá, a se encontrar, a conversar e tudo voltou a ser como tinha sido antigamente.

Essa porta é a Bíblia, que sempre foi do povo. Vieram os estudiosos e a tomaram dizendo que só eles poderiam entendê-la, afastando as pessoas do seu contato. Ela fechou-se então para os pobres, os simples e humildes. Um dia, eles começaram a abri-la novamente e perceber que ela era deles, e não dos estudiosos. Voltaram a lê-la e a se encontrar no meio da sua leitura. E guiados por ela, começaram a conversar, a debater, a partilhar as alegrias e tristezas, as dores e os sofrimentos e ela voltou novamente a ser deles. A Bíblia é do povo e a ele deverá voltar, por isso, vamos voltar a abrir a porta, ler a Bíblia e deixar-se guiar por ela.


André Marmilicz

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO