quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Misericórdia de Deus!

Catequese do Papa sobre a misericórdia de Deus - 24/02/16


brasão do Papa Francisco
CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
24 de fevereiro de 2016
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
Prosseguimos as catequeses sobre misericórdia na Sagrada Escritura. Em diversos trechos, fala-se dos poderosos, dos reis, dos homens que estão “no alto”, e também da sua arrogância e de seus abusos. A riqueza e o poder são realidades que podem ser boas e úteis ao bem comum, se colocadas a serviço dos pobres e de todos, com justiça e caridade. Mas quando, como muitas vezes acontece, são vividas como privilégio, com egoísmo e prepotência, transformam-se em instrumentos de corrupção e morte. É o que acontece no episódio da vinha de Nabot, descrito no Primeiro Livro dos Reis, no capítulo 21, sobre o qual nos concentramos hoje.
Neste texto, conta-se que o rei de Israel, Acab, quer comprar a vinha de um homem de nome Nabot, porque esta vinha fica ao lado do palácio real. A proposta parece legítima, até mesmo generosa, mas em Israel as propriedades terrenas eram consideradas quase inalienáveis. De fato, o livro do Levítico prescreve: “A terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha e vós estais em minha casa como estrangeiros ou hóspedes” (lv 25, 23). A terra é sagrada, é um dom do Senhor, que como tal deve ser protegido e conservado, enquanto sinal da benção divina que passa de geração em geração e garantia de dignidade para todos. Compreende-se, então, a resposta negativa de Nabot ao rei: “Deus me livre de ceder-te a herança de meus pais!” (1 Re 21, 3).
O rei Acab reage a esta recusa com amargura e desdenho. Sente-se ofendido – ele é o rei, o poderoso – diminuído na sua autoridade de soberano, e frustrado na possibilidade de satisfazer o seu desejo de posse. Vendo-o tão abatido, sua mulher Jezabel, uma rainha pagã, que tinha incrementado os cultos idólatras e fazia matar os profetas do Senhor (cfr 1 Re 18, 4), – não era bruta, era má! – decide intervir. As palavras com que se dirige ao rei são muito significativas. Sintam a maldade que está por trás dessa mulher: “Não és tu, porventura, o rei de Israel? Vamos! Come, não te incomodes. Eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael” (v. 7). Ela coloca ênfase sobre o prestígio e sobre o poder do rei que, segundo o seu modo de ver, é questionado pela recusa de Nabot. Um poder que ela, em vez disso, considera absoluto, e pelo qual todo desejo do rei poderoso se torna ordem. O grande Santo Ambrósio escreveu um pequeno livro sobre este episódio. Chama-se “Nabot”. Fará bem a nós lê-lo neste tempo de Quaresma. É muito belo, é muito concreto.
Jesus, recordando essas coisas, nos diz: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça escravo vosso. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo” (Mt 20, 25-27). Se se perde a dimensão do serviço, o poder se transforma em arrogância e se torna domínio e opressão. É justamente isso que acontece no episódio da vinha de Nabot. Jezabel, a rainha, de modo não convencional, decide eliminar Nabot e coloca em ação o seu plano. Serve-se da aparência enganadora de uma lei perversa: envia, em nome do rei, cartas aos anciãos e aos notáveis da cidade ordenando que pelos falsos testemunhos acusem publicamente Nabot de ter maldito Deus e o rei, um crime a punir com a morte. Assim, morto Nabot, o rei pode tomar posse de sua vinha. E esta não é uma história de outros tempos, é também história de hoje, dos poderosos que, para ter mais dinheiro, exploram os pobres, exploram as pessoas. É a história do tráfico de pessoas, do trabalho escravo, das pessoas que trabalham na informalidade e com o salário mínimo para enriquecer os poderosos. É a história dos políticos corruptos, que querem mais e mais! Por isso dizia que nos fará bem hoje ler aquele livro de Santo Ambrósio sobre Nabot, porque é um livro da atualidade.
Eis onde leva o exercício de uma autoridade sem respeito pela vida, sem justiça, sem misericórdia. E eis a que coisa leva a sede de poder: torna-se ganância que quer possuir tudo. Um texto do profeta Isaías é particularmente iluminante a respeito. Nesso, o Senhor adverte contra a ganância dos ricos latifundiários que querem possuir sempre mais casas e terrenos. E diz o profeta Isaías:
“Ai de vós que ajuntai casa a casa,
e que acrescentai campo a campo,
até que não haja mais lugar
e que sejais os únicos proprietários da terra” (Is 5, 8).
E o profeta Isaías não era comunista! Deus, porém, é maior que a maldade e que os jogos sujos feitos pelos seres humanos. Na sua misericórdia envia o profeta Elias para ajudar Acab a se converter. Agora voltemos a página, e como segue a história? Deus vê este crime e bate ao coração de Acab e o rei, colocado diante do seu pecado, entende, se humilha e pede perdão. Que belo seria se os poderosos exploradores de hoje fizessem o mesmo! O Senhor aceita o seu arrependimento; todavia, um inocente foi morto e a culpa cometida terá consequências inevitáveis. O mal realizado deixa traços dolorosos e a história dos homens carrega feridas.
A misericórdia mostra também neste caso o caminho mestre que deve ser percorrido. A misericórdia pode curar as feridas e pode mudar a história. Abra o teu coração à misericórdia! A misericórdia divina é mais forte que o pecado dos homens. É mais forte, este é o exemplo de Acab! Nós conhecemos seu poder, quando recordamos a vinda do Inocente Filho de Deus que se fez homem para destruir o mal com o seu perdão. Jesus Cristo é o verdadeiro rei, mas o seu poder é completamente diferente. O seu trono é a cruz. Ele não é um rei que mata, mas, ao contrário, dá a vida. O seu andar em direção a todos, sobretudo aos mais frágeis, derrota a solidão e o destino de morte a que conduz o pecado. Jesus Cristo, com a sua proximidade e ternura, leva os pecadores no espaço da graça e do perdão. E essa é a misericórdia de Deus.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Refletindo 2º Domingo da Quaresma!

ANO C
Lc 9, 28b-35

O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Filho amado do Pai, cujo êxodo (a morte na cruz) concretiza a nossa libertação. O projeto libertador de Deus em Jesus não se realiza através de esquemas de poder e de triunfo, mas através da entrega da vida e do amor que se dá até à morte. 

É esse o caminho que nos conduz, a nós também, à transfiguração em Homens Novos!

O relato da transfiguração de Jesus,  é uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que através da cruz concretiza um projeto de vida.

O episódio está cheio de referências ao Antigo Testamento. O “monte” situa-nos num contexto de revelação (é “no monte” que Deus Se revela e que faz aliança com o seu Povo); a “mudança” do rosto e as vestes de brancura resplandecente recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29); a nuvem indica a presença de Deus conduzindo o seu Povo através do deserto (cf. Ex 40,35; Nm 9,18.22;10,34).

Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus); além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva (cf. Dt 18,15-18; Mal 3,22-23).  Eles falam com Jesus sobre a sua “morte” que ia dar-se em Jerusalém. A palavra usada por Lucas situa-nos no contexto do “êxodo”: a morte próxima de Jesus é, pois, vista por Lucas como uma morte libertadora, que trará o Povo de Deus da terra da escravidão para a terra da liberdade.

A mensagem fundamental é, portanto, esta: Jesus é o Filho amado de Deus, através de quem o Pai oferece aos homens uma proposta de aliança e de libertação.
O Antigo Testamento (Lei e Profetas) e as figuras de Moisés e Elias apontam para Jesus e anunciam a salvação definitiva que, n’Ele, irá acontecer. Essa libertação definitiva dar-se-á na cruz, quando Jesus cumprir integralmente o seu destino de entrega, de dom, de amor total. É esse o “novo êxodo”, o dia da libertação definitiva do Povo de Deus.

E o “sono” dos discípulos e as “tendas”? O “sono” é simbólico: os discípulos “dormem” porque não querem entender que a “glória” do Messias tenha de passar pela experiência da cruz e da entrega da vida; a construção das “tendas,  parece significar que os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, de festa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus.

 O fato fundamental deste episódio reside na revelação de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o plano salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de Si próprio por amor. É dessa forma que se realiza a nossa passagem da escravidão do egoísmo para a liberdade do amor. A “transfiguração” anuncia a vida nova que daí nasce, a ressurreição.

Os três discípulos que partilham a experiência da transfiguração recusam-se a aceitar que o triunfo do projeto libertador do Pai passe pelo sofrimento e pela cruz. Eles só concebem um Deus que Se manifesta no poder, nas honras, nos triunfos; e não entendem um Deus que Se manifesta no serviço, no amor que se dá.

Qual é o caminho da Igreja de Jesus (e de cada um de nós, em particular): um caminho de busca de honras, de busca de influências, de promiscuidade com o poder, ou um caminho de serviço aos mais pobres, de luta pela justiça e pela verdade, de amor que se faz dom? É no amor e no dom da vida que buscamos a vida nova aqui anunciada?


Os discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem também não ter muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, mas alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, a experiência de Jesus obriga a continuar a obra que Ele começou e a “regressar ao mundo” para fazer da vida um dom e uma entrega aos homens nossos irmãos. A religião não é um “ópio” que nos adormece, mas um compromisso com Deus que Se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

VOCÊ SABE O QUE É UMA "BULA"?

Não é só aquele papel que vem na caixa de remédios não! Mas, de qualquer forma, não deixa de ser um "remédio" para nossa fé.

Na nossa Igreja, as definições sobre fé e à Moral (dogmas) são geralmente publicadas sob forma de "Bula", ou seja, de um documento papal. A partir do século VI os Papas empregaram a bula a fim de autenticar os seus documentos; Bulla conseqüentemente passou a designar o selo ou sinete do Papa. 

A partir do século XIII Bula designa não apenas o globo de metal que contem a mensagem, mas a própria carta à qual ele se prende. Por Bula o Papa geralmente exprime algo de muito solene, tal foi o caso da Bula Ineffabilis Deus, que em 1854 formulou a definição do dogma da Imaculada Conceição. 

Por Bula o Papa convoca os participantes de um Concílio geral, cria ou desmembra uma diocese. As Bulas de grande importância têm, pendentes de cordões coloridos, um globo de chumbo no qual está gravada a imagem das cabeças de São Pedro e São Paulo. 

A última Bula publicada pelo Papa Francisco foi a Misericordiae Vultus - Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórida em 11 de abril de 2015.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Catequese Quaresmal

(...) O tempo da Quaresma facilita maior familiaridade e intimidade com Jesus de Nazaré. Conquistados e cativados por Ele, cheios de admiração, assumimos seu estilo de vida, seus pensamentos e afetos, seus critérios e valores. Mais ainda, nos propomos a acolher o destino de Jesus, a morte de cruz. O bom ladrão, o centurião romano, o Cireneu, a Verônica, as filhas de Jerusalém deixaram-se tocar e transformar vendo o jeito sereno, filial, obediencial de Jesus. Sempre fiel ao Pai e sempre compassivo e solidário com os outros. Jesus é a vitima que vai vencer, é o perdedor que vai ganhar, é a pedra rejeitada que se torna a pedra angular. Ele é o último que se tornou o primeiro.
Eis algumas questões que podem facilitar a nossa meditação: o que acolhi da mensagem de Jesus? Como manifestei a misericórdia concretamente em minha casa, em minha família, no meu bairro, na minha comunidade, na minha paróquia? Sou um entusiasmado da misericórdia de Deus manifestada no rosto de Jesus?
A conversão é um processo de mudança de mentalidade, de afetividade, de vontade e de personalidade. Todo convertido atesta: “Eu sou outro, não sou mais aquele que eu era”. Estamos tão perdidos nos pecados que chegamos a criar o “princípio de nossa autodestruição”. Pensemos na ecologia, na fome, na AIDS, na pobreza, na miséria, na violência e guerra, no fracasso familiar. Só nos resta dizer: “ou mudamos, ou perecemos”.
Jesus, rico em misericórdia, deu à Igreja, através dos apóstolos, o dom e o poder de perdoar pecados. Esta é uma das grandes revelações do Novo Testamento; é uma das maravilhas da salvação; é uma boa notícia, mais ainda; uma grande notícia da Boa Nova de Jesus, que é o Evangelho. Quanta gratidão, alegria e exultação por este dom inestimável que é o perdão dos pecados e o sacramento da confissão, do desabafo, de verbalização das emoções e sentimentos íntimos, dos pecados mais recônditos que até médicos e psicológicos recomendam a prática. 
A Quaresma é o tempo propício para a conversão. Convertei-vos e vivereis. Os frutos da conversão são a alegria, a paz, a saúde e a felicidade. Quem faz a experiência do amor de Deus percebe logo onde se manifesta o pecado. Portanto, se o pecado é um fascínio, só um fascínio maior vencerá o veneno do pecado. Este fascínio maior é o amor de Deus. Deixemo-nos, porquanto, surpreender sempre de novo por Jesus de Nazaré e teremos mais razões para lutar pela justiça, para usar de compaixão com os fracos e viver com alegria.
Desejo vivamente que a Quaresma seja para os fiéis cristãos um período propício para propagar e testemunhar o Evangelho da misericórdia em todo lugar, pois a misericórdia constitui o âmago de uma autêntica evangelização. Com razão, confio à intercessão de Maria, Mãe da Igreja. Seja Ela quem nos acompanhe no itinerário quaresmal. Com tais sentimentos, de coração abençoo a todos com afeto.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Publicado:10 Fevereiro 2016
CNBB


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ATIVIDADES PARA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2016


ROTEIRO 01: Explicação do Cartaz da CFE 2016


“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24)

EXPLICAÇÃO DO CARTAZ:

Todas as Campanhas da Fraternidade, que acontecem todo ano no Brasil, tem um tema e um lema que a inspiram. Este ano o versículo que inspirou o processo de criação do cartaz dessa Campanha da Fraternidade Ecumênica foi tirado no Livro do Profeta Amós, que viveu numa época anterior ao nascimento de Jesus e onde existia muita injustiça para com os menos favorecidos. Tal como hoje, quando vemos tantas pessoas sofrendo por falta de condições de habitação e saneamento básico.
O saneamento básico compreende o abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo dos resíduos sólidos, o controle de meios de transmissão de doença e a drenagem de águas pluviais.

O tema da CFE, é “Casa Comum, nossa responsabilidade”. Isso porque vivemos num lugar que pertence a todos: a terra. E é responsabilidade de todos nós, cuidar desta casa. Por isso o segundo objetivo é motivar a vivência ecumênica (independente da religião e da Igreja que frequenta). Todas as pessoas que assumem a fé em Jesus Cristo são chamadas a trabalhar juntas no cuidado da Casa Comum.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica segue a linha de raciocínio da encíclica Laudato Sì, escrita pelo Papa Francisco. Ele apresenta a preocupação com a degradação ambiental, as mudanças climáticas e a pobreza no mundo e aponta o ser humano como o principal responsável pelo aquecimento do planeta, além de alertar para os riscos da privatização da água.

E nem sempre estamos atentos para atitudes simples, por exemplo, o descarte correto do lixo, ligar nossas casas às redes de esgoto, cuidar da água, entre outras. A falta desses cuidados fere a Criação, de forma que, no lugar de flores, jardins e frutos diversos, vemos esgoto a céu aberto, rios poluídos, sujeira por toda parte. E vão desaparecendo muitos animais e plantas e o homem vai ficando doente. 

A terra alegre fica triste. No entanto, a fé em Jesus Cristo nos anima a assumirmos o cuidado com a Casa Comum como resposta ao amor incondicional que Deus oferece a cada um e cada uma de nós. Assumir esse compromisso reacende a esperança de um novo céu e uma nova terra onde habitam a justiça e o direito. 

É isso que expressa o rosto da mulher em destaque no cartaz. Ela reflete um semblante de esperança. Queremos que as mudanças dos valores que nos orientam nessa sociedade de consumo transformem o rio poluído em água cristalina e habitado por muitos peixes, a terra seca em uma terra renovada e abundante. Com essa transformação, poderemos dançar e celebrar a esperança de que o projeto da Casa Comum não terá fim, mas continuará por gerações e gerações. Por isso vemos o esboço de várias pessoas, dançando e segurando uma redoma que simboliza o planeta terra e tudo que tem nele: plantas, frutas, flores, água e um pássaro que significa além dos animais, o Espírito Santo que nos anima nessa mudança. Na imagem também vemos um fundo onde mostra uma área rural e uma urbana. E é isso que o cartaz nos diz: que juntos, podemos efetuar mudanças para o bem da nossa Casa Comum.

Fonte de pesquisa: 


SUGESTÃO DE ATIVIDADES:

01 - Depois de apresentar os objetivos da Campanha e o cartaz, peça aos catequizandos que criem o seu cartaz. Como eles desenhariam esta Campanha? Discuta com a turma os desenhos que eles fizeram.

02 – Peça aos catequizandos para colorir o cartaz, usando ou não as cores originais. Peça que usem sua criatividade:


03 – Encerre o encontro com a Oração da Campanha.


Ângela Rocha
catequistas em Formação

De Catequista para Catequista na Quaresma





sábado, 13 de fevereiro de 2016

Sobre os 15 simples atos de caridade para a Quaresma

Nas proximidades da Quaresma e pensando nas palavras do Papa Francisco em suas inúmeras mensagens para este tempo litúrgico, o site Aleteia.org, reuniu em fevereiro de 2015, uma série de “atos simples de caridade que nós muitas vezes esquecemos”, mas, que em sua simplicidade são manifestações concretas do amor de Deus.

Esta lista, junto com uma lista de “Jejuns”, está sendo divulgada este ano, como uma lista feita pelo “Papa”, no entanto, por mais que ele tenha esta simplicidade de coração e, acreditamos, estas intenções, a lista mesmo, foi feita pela equipe do site italiano Aleteia.

Vamos a eles:

 15 Atos simples da caridade que nos esquecemos muitas vezes

1.  SORRISO: Um cristão é sempre alegre!


Um cristão sempre é alegre. Às vezes podemos nem perceber, mas, ao sorrir, aliviamos a carga dos que estão ao nosso redor: na rua, no trabalho, em casa, na faculdade. A felicidade do cristão é uma bênção para os outros e para si mesmo.

2. Agradecer sempre (mesmo numa situação em que você não é obrigado a fazê-lo)


Nunca se acostume a receber as coisas, mesmo “porque você precisa” ou “porque tem direito” a elas. Receba tudo como um presente, mesmo se estiver pagando por isso. Agradeça sempre. A pessoa agradecida é mais feliz.

3. Escutar a história das pessoas sem preconceito
O que pode nos tornar mais humanos que saber escutar? Cada história que lhe contam o unem mais aos outros: seus filhos, seu cônjuge, seu chefe, o professor, suas preocupações e alegrias. Você sabe que não são só palavras, mas partes da sua vida que precisam ser compartilhadas.

4. Motivar as pessoas


Sabe aquele amigo que não anda muito bem? Tente arrancar um sorriso dele, para aliviar seu desânimo e ver que nem tudo na vida é ruim. É sempre bom saber que existe alguém que nos ama e que está ao nosso lado.

5. Parar para ajudar


Não interessa se é um problema de matemática, uma simples pergunta ou alguém com fome na rua. Ajuda nunca é demais. Todos nós precisamos uns dos outros.

6. Recordar às pessoas o quanto você as ama


Você sabe que os ama. Mas… e eles? Carinho, abraços e palavras nunca são demais. Se Jesus não tivesse se feito carne, nós jamais teríamos entendido que Deus é amor.

7. Comemorar as qualidades e conquistas dos outros


Nunca deixe de celebrar as alegrias das pessoas que convivem com você, suas qualidades, conquistas, boas ações. Simples frases como “Parabéns!”, “Fico feliz por você”, “Você fica bem com essa cor”, podem alegrar o dia de uma pessoa.

8. Cumprimentar essas pessoas que você vê diariamente


O porteiro, a faxineira, a recepcionista, o vizinho. Ao cumprimentá-los, você lhes recorda o quanto são importantes e o quanto você os valoriza.

9. Corrigir com amor

Corrigir é uma arte. Muitas vezes nos encontramos em situações com as quais não sabemos lidar. O melhor método é o amor. O amor não somente sabe corrigir, mas também perdoar, aceitar e seguir em frente. Não tenha medo de corrigir e ser corrigido, isso é uma demonstração de que os outros gostam de você e querem que você seja melhor.

10. Ajudar para que outra pessoa descanse


Isso pode ser vivido especialmente nas famílias. Você pode começar a fazer a tarefa de outra pessoa para que ela possa descansar, ou antes de que ela lhe peça ajuda. A vida fica mais leve quando nos ajudamos mutuamente nas responsabilidades cotidianas.

11. Doar as coisas que você não usa

Vale a pena fazer uma faxina no armário e separar algumas coisas para a doação. Isso ajuda a valorizar o que temos, engrandece nosso coração e pode fazer outras pessoas felizes.

12 Pequenas atenções para com aqueles que nos rodeiam


Se você sabe do que aquela pessoa gosta, por que não aproveitar isso para fazê-la feliz? Tudo o que é dado com amor é melhor. Sair de si mesmo e pensar nos outros é maravilhoso e alegra o coração.

13. Limpar o que você usa em casa


Na vida familiar, isso é essencial para não sobrecarregar ninguém. Faça a sua parte, e faça com carinho. Você se sentirá alegre e em paz com isso.

14. Ajudar os outros em suas dificuldades


Carregar uma sacola, ajudar uma pessoa a atravessar a rua, pagar o almoço para alguém… São muitos detalhes ao seu alcance, e as pessoas não vão se esquecer o bem que você fez a elas. Demonstre que você ainda acredita na humanidade.

15. Ligar para os seus pais


Talvez você more sozinho ou já tenha sua própria família. No entanto, seus pais ainda se emocionam ao ver que você se lembra deles. Estar atento ao que eles precisam ou simplesmente ligar para saber como estão é algo que não custa muito e é um gesto de gratidão enorme.

(Publicado em 15 de fevereiro de 2015 na seção "Estilo de Vida", do site Aleteia: http://it.aleteia.org/2015/02/12/15-semplici-atti-di-carita-che-dimentichiamo-spesso/).


Quanto ao "Melhor jejum" também colocado no final da lista, não encontramos fonte definida para creditarmos:

O MELHOR JEJUM

• Jejum de palavras negativas e dizer palavras bondosas.
• Jejum de descontentamento e encher-se de gratidão.
• Jejum de raiva e encher-se com mansidão e paciência.
• Jejum de pessimismo e encher-se de esperança e otimismo.
• Jejum de preocupações e encher-se de confiança em Deus.
• Jejum de queixas e encher-se com as coisas simples da vida.
• Jejum de tensões e encher-se com orações.
• Jejum de amargura e tristeza e encher o coração de alegria.
• Jejum de egoísmo e encher-se com compaixão pelos outros.
• Jejum de falta de perdão e encher-se de reconciliação.
• Jejum de palavras e encher-se de silêncio para ouvir os outros. 


(Tradução livre do italiano)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO DO EVANGELHO - 1º Domingo da Quaresma - Ano C

Vamos refletir e viver bem no deserto?


No início da Quaresma, a Palavra de Deus apela a repensar as nossas opções de vida e a tomar consciência dessas “tentações” que nos impedem de renascer para a vida nova, para a vida de Deus.


Evangelho (Lc 4,1-13)

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espetaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido aos que seguem Jesus.

AMBIENTE

Estamos no começo da atividade pública de Jesus. Ele acabou de ser baptizado por João Batista e recebeu o Espírito para a missão (cf. Lc 3,21-22). Agora, confronta-Se com uma proposta de atuação messiânica que pretende subverter a proposta do Pai.


Também aqui não estamos diante de uma reportagem histórica, feita por um jornalista que presenciou o desafio entre Jesus e o diabo, algures no deserto… Estamos, sim, diante de uma página de catequese, cujo objetivo é ensinar-nos que Jesus, como nós, sentiu a mordedura das tentações. Ele também sentiu a tentação de prescindir de Deus e de seguir um caminho humano de êxitos, de aplausos, de poder e de riqueza; no entanto, Ele soube dizer não a todas essas propostas que O afastavam do plano do Pai.


Vamos refletir sobre as seguintes coordenadas:  

Jesus não escolhe partir para o deserto. É conduzido pelo Espírito Santo. E aí, é afrontado pelo espírito do mal.    

Também nós não escolhemos viver no coração deste mundo em que Deus Se tornou desinteressante. Deserto para as nossas vidas de crentes… para a nossa Igreja… com todas as tentações ligadas às nossas faltas: lassidão, desencorajamento, desejo de nos retirarmos de uma Igreja que nos desconcerta e de abandonarmos Deus… 

Por causa de Jesus sabemos que a travessia do deserto é possível. O seu Espírito acompanha-nos e apoia as nossas escolhas de crentes. “Acredita no teu coração…”, diz-nos Paulo na Carta aos Romanos. A Quaresma, travessia do deserto… A Quaresma, convite a reavivar a nossa esperança!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Campanha da Fraternidade: Mensagem do Papa aos brasileiros

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Em sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde 1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).

É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Mas, desta vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com a Misereor, iniciativa dos católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental.

Na encíclica Laudato si, recordei que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos” (n. 30) e que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres (cf. ibid.). E, numa perspectiva de ecologia integral, procurei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que “a deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta” (n. 48).

Aprofundemos a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Ela “deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático” (Laudato si’, 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos «a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» e descobrimos que Jesus quer “que toquemos a carne sofredora dos outros” (Evangelii gaudium, 270), dedicando-nos ao “cuidado generoso e cheio de ternura” (Laudato si’, 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.

Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: “ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz” (Laudato si’, 246).

Aproveito a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedindo que, por favor, não deixem de rezar por mim!

Vaticano, 22 de janeiro de 2016.


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO