terça-feira, 31 de maio de 2016

ESTE MUNDO AINDA TEM JEITO!


Para fazer um contraste com a imagem, quero contar umas histórias. 

Outro dia discutíamos, aqui entre amigos, se o “mundo de hoje tem jeito”. E hoje de manhã testemunhei alguns acontecimentos que me mostraram que tem sim! De manhã ao voltar para casa depois de cumprir meus afazeres, observei no ônibus uma coisa inusitada.

Primeiro que, num dos pontos de parada havia um cadeirante esperando. O motorista esperou que os demais entrassem e saíssem, e pediu que ele aguardasse um pouco porque ia estacionar mais rente à calçada. E lá foi ele manobrar entre os carros que sempre invadem a faixa de estacionamento do ônibus em busca de vagas, para deixar o ônibus mais perto. Feito isso, desceu como é de praxe, ajustou o elevador da porta e ajudou o cadeirante e a senhora que estava junto a subir. Mas, dentro do ônibus, a acompanhante simplesmente não conseguia ajustar a cadeira de rodas no lugar. Enroscou-se toda e entalou no meio do corredor. E estava impaciente, já, colocando a culpa no lugar que era pequeno, etc. e tal...

Pois o motorista subiu, pediu licença à senhora, ajudou a arrumar a cadeira no lugar, ajustou o cinto e ainda perguntou ao senhor na cadeira de rodas se ele estava confortável. Isso durou mais ou menos uns 10 minutos. Mas o que me espantou de fato foi que o motorista do ônibus, além de cumprir bem mais que o seu dever, fez tudo isso com a maior paciência e com um sorriso no rosto. Até a mal-humorada acompanhante teve que se render às atitudes do motorista e agradecer. E juro, quase bati palmas pra ele ali!

Ah, mas não foi só isso não... Dali a pouco, num ponto mais a frente, entra um senhor já de idade. E uma moça se levanta para dar lugar a ele. Este senhor, todo sorridente, recusou a oferta e disse:

“Olha eu não vivi oitenta anos e passei por tanta coisa, para fazer uma mulher se levantar para dar lugar para mim. Obrigada moça, mas pode ficar sentada".

E disse isso sorrindo! Achei essa atitude simplesmente de uma cortesia e um cavalheirismo extremo. E ele se pôs a contar que no domingo fará uma festa com toda a família pelo seu aniversário.

E eu fiquei ali pensando com meus botões como ainda existem pessoas maravilhosas neste mundo! Que nos conquistam e nos mostram que o mundo tem jeito sim! Mesmo com tantas atitudes egoístas e violentas, a gente ainda vê muita bondade no coração das pessoas.

E como se não bastasse, mais tarde, no caixa do supermercado, havia um senhor idoso também, antes de mim. Que se atrapalhou um bocado com a senha de seus cartões. Pois a moça do caixa o atendeu com a maior paciência, refez as operações várias vezes, ajudou-o a fazer as contas e ainda lhe desejou um “Bom dia e Deus o abençoe!” no final. Eu, por curiosidade, perguntei a ela se o conhecia. E ela me disse que não.

Pois é. Não percamos nunca a fé na humanidade! “Humanidade” ainda existe, basta que a gente olhe um pouco mais adiante, além de nossas preocupações e afazeres diários. E volto a dizer: O mundo tem jeito, sim!”.


Ângela Rocha
Catequista

segunda-feira, 30 de maio de 2016

APENAS COORDENADORES E NÃO “DONOS” DA CATEQUESE

A coordenação é uma ‘cooperação’, uma ação em conjunto, de corresponsabilidade conforme os diversos ministérios.

Coordenadores de catequese não são donos do “campinho”, mas parte integrante de um processo comunitário. Muitos parecem não saber disso e agem como se fossem chefes de uma empresa e não líderes: não discutem, não aceitam sugestões de melhorias, são intolerantes com os mais novos, não exercitam a democracia e se perpetuam na função sem abrir espaço para outras lideranças.

Coordenadores que exercitam sua missão dessa forma impedem o crescimento e o surgimento de outras lideranças. Pior do que isso, acabam afastando as que estão trabalhando.

Em vez de estimuladores, são desmotivadores, pois estão sempre contra as ideias novas e nem se quer estimulam a construção conjunta dos desafios para a catequese.

Observem o que diz o Diretório Nacional de Catequese sobre a importância da coordenação:

“A coordenação é uma ‘cooperação’, uma ação em conjunto, de corresponsabilidade conforme os diversos ministérios. Jesus é a fonte inspiradora da arte de coordenar. Ele não assumiu a missão sozinho. Fez-Se cercar de um grupo e com este grupo foi criando a Sua comunidade. Em Jesus, o ministério da coordenação e animação caracteriza-se pelo amor às pessoas, e pelos vínculos de caridade e amizade. Ele conquista confiança e delega responsabilidades. Coordenar é missão de pastor, que conduz, orienta, encoraja catequistas e catequizandos para a comunhão e participação, para a solidariedade e para a transformação da realidade social. Requer um trabalho de equipe, pois é um serviço representativo da comunidade, dos catequistas e das famílias. Reveste-se de um mística do exercício da função de Cristo Pastor. É gerar vida e criar relações fraternas, abrindo espaço para o diálogo, a partilha da vida, a ajuda aos que necessitam de presença, de incentivo e compreensão. Não é uma função, mas uma missão que brota da vocação batismal, de servir e animar. Através da coordenação, o projeto de catequese avança, cria relações fraternas, promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade. A catequese não pode ser considerada uma empresa que visa à produtividade, ao lucro, a eficiência e à execução fria das leis de mercado. Entretanto poderá incorporar as conquistas das ciências modernas, como maior eficiência no método, no uso do tempo, na qualidade de vida e no aproveitamento dos recursos. A palavra-chave desse ministério é articulação.”

Repetindo alguns tópicos:
  • A coordenação é uma “cooperação”, de corresponsabilidade;
  • A ação inspiradora é Jesus;
  • Requer um trabalho em equipe;
  • Cria relações fraternas;
  • Abre espaço para o diálogo;
  • Não é função, mas uma missão;
  • Promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade;
  • Cerca-se do grupo;
  • Conquista confiança e delega responsabilidades;
  • Não é uma tarefa fácil ser coordenador de catequese;
  • Não podemos pecar pelo excesso de moralismo, centralismo de poder e pela antipatia no relacionamento com as pessoas e com a comunidade;
  • Não somos donos da catequese;
  • O coordenador é parte de um todo e deve procurar exercitar a humildade como qualquer outra pessoa;
  • Também necessita de uma formação adequada, não apenas teológica, mas de conduta e relacionamento com as pessoas;
  • Um coordenador de catequese precisa saber respeitar a opinião dos outros;
  • Um coordenador de catequese não precisa ser um “banana” que aceita tudo, mas apenas basear-se na ação inspiradora de Jesus Cristo;
  • A ação de Jesus não admite soberba e muito menos individualismo;
  • Coordenador de catequese que não consegue viver e partilhar experiências com o grupo não pode coordenar. 

Alberto Meneguzzi
Jornalista, relações públicas e catequista.
Autor dos livros Paixão de anunciar e Missão de anun­ciar, publicados pela Paulinas Editora.


domingo, 29 de maio de 2016

Frases que bloqueiam o bom planejamento da catequese

COM A PALAVRA:
O Catequista!


Frases que bloqueiam o bom planejamento da catequese
 Alberto Meneguzzi*

Tem muita gente que sonha alto na catequese. Que bom! Pessoas que não querem ficar no marasmo de sempre e não se contentam com a mesmice. Vejo e falo com muitos catequistas entusiasmados com a missão que lhes foi confiada. Porém, existem aqueles que desistem facilmente. Acham-se sem condições, sem tempo, limitados, despreparados. Ficam com medo de saber até onde podem chegar como catequistas.

O medo nos paralisa e atrofia, nos impede de sonhar mais alto, de mudar o mundo, atingir as pessoas com o projeto de Deus. O medo é um câncer para a catequese. É ele que nos impede de prosseguir, de alcançar voos mais altos, de lutar por encontros melhores, de entusiasmar jovens, crianças, adultos, pais, padrinhos e até mesmo outros catequistas que conosco caminham.

O medo, quando ataca, vem com tudo, paralisa sonhos, fragiliza ações, desvia caminhos. Precisamos enfrentá-lo com toda a fé e força.

A oração é um antídoto precioso contra este sentimento terrível que é medo.

Muitas comunidades estão iniciando agora o ano catequético. Por este Brasil afora, estão acontecendo encontros, reuniões de formação, palestras, planejamento para o ano inteiro, aprendizado de técnicas, dinâmicas e até mesmo, a busca de conteúdos para os encontros semanais.

Sempre surgem ideias diferentes nestas reuniões. Alguém sempre diz: “Porque a gente não faz diferente desta vez”. O entusiasmo está presente, eu noto isso. Conversando com catequistas de todo o país, sinto que estão dispostos a mudar, a crescer, tornar a catequese algo que realmente toque e indique o projeto de Deus. Mas, o “maldito” medo, busca outros sentimentos para reinar nas ideias de muitos catequistas e coordenadores.
O medo nos apresenta frases que vão de encontro aos nossos ideais e vontades. E aos poucos, muitas lideranças vão se tornando dominadas pela sensação de insegurança, impotência e desânimo. Com isso, a frase que surge, com mais ênfase é “Não podemos fazer. Deixemos tudo como está!”. É uma pena que seja assim.

Resolvi separar algumas outras frases, que no meu entendimento, atrapalham um bom planejamento da catequese impedindo que diversos grupos de catequistas pelo menos tentem fazer coisas diferentes, saindo da mesmice e do marasmo. São elas:

Que ridículo!
Não temos tempo.
Em time que está ganhando não se mexe.
Está bom assim. Por que mudar se está funcionando bem?
Ninguém vai participar. É melhor nem fazer.
Nunca fizemos isso antes. Não vai funcionar.
Não estamos preparados para isso.
Isso é problema deles, não nosso.
Vamos pôr os pés no chão.
O Padre não concordaria com isso.
Não é prático.
Custa muito caro. Não está no orçamento.
Já tentamos assim.
Alguém já tentou antes?
Será que o conselho pastoral aprovaria?
Não é nossa responsabilidade.
Os pais não querem nada com nada. Não adianta convidá-los.

O medo não pode ser o maior sentimento entre nós, lideranças pastorais, catequistas e coordenadores. Quem sabe você se arrisca a enfrentá-lo? Quem sabe você tenta fazer coisas diferentes? Quem sabe você partilha com os demais os seus sonhos, projetos e desejos para a catequese?

Se eu disser “Eu posso, eu quero, eu vou consegui!r” e acreditar nisso, o universo conspira a seu favor. Mas por favor, não desista antes de pelo menos tentar.

Tente um: “Eu posso, eu quero, eu vou conseguir!” E você conseguirá.


* Alberto Meneguzzi - Jornalista e relações públicas formado, Catequista de crisma.

GOTAS DE PAZ - HOMILIA


"Todos comeram até ficarem saciados e se recolheram doze cestos de sobras." Lc 9, 17 
Em muitos países se celebra nestes domingo a solenidade de Corpus Christi, em outros já se celebrou na quinta feira. De qualquer modo, proponho uma singela reflexão sobre este grande mistério. Certamente, a eucaristia é, entre os dons de Deus confiados a Igreja, um dos mais preciosos, e isto nos vem confirmado pelo próprio nome: "Santíssimo Sacramento". Jesus encontrou um modo simples, mas muito forte de permanecer em nosso meio, para poder alimentar-nos durante a nossa caminhada para Deus.

A primeira recordação que nos vem em mente é o "maná" do deserto, que, doado por Deus todos os dias, de modo igual a todos, e não podendo ser acumulado, fez com que o povo mudasse sua mentalidade e aprendesse a partilhar, vencendo o egoísmo e sendo solidário. Também a eucaristia quer ser esta escola divina. Por meio da comunhão freqüente, Deus quer ir transformando nossos valores, nossos projetos, nossas atitudes e nossos sentimentos até que se tornem os mesmos que Jesus pregou e viveu. Comunhão que não é apenas comer, mas também meditar, rezar e sentir-se desafiado a dar um novo passo na direção do Único Bem.

Em segundo lugar, a eucaristia é memorial permanente da paixão, morte e ressurreição de Cristo. "É corpo entregue por vós... é sangue derramado por vós..." Não é um corpo qualquer, é corpo entregue, doado, sacrificado... não é um sangue qualquer, é sangue derramado, oferecido, vertido. Nos faz recordar um projeto de vida. Nos desafia: "Façam isto em memória de mim." Enquanto tantas vezes apenas pensamos em nós mesmos, "como ganhar mais?, onde posso tirar vantagem?, como posso me vingar?", a eucaristia é sacramento da doação completa. É proposta de outra lógica para viver neste mundo.

Em terceiro lugar, a eucaristia e a Igreja participam do mesmo mistério: ambas são corpo de Cristo, ambas fazem presente Jesus em nossas vidas. Estas realidades estão intimamente ligadas, a tal ponto que não se pode fazer eucaristia sem a Igreja, mas também sem a eucaristia, a Igreja não pode sobreviver. Santo Agostinho dizia que, quando comungamos, recebemos aquilo que nós já somos. Não podemos dissociar e crer que se pode adorar o Corpo de Cristo na Hóstia Consagrada e depreciar a presença de seu corpo na Igreja. 
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

domingo, 22 de maio de 2016

A FÁBULA DO PORCO ESPINHO

Um texto para refletir sobre o trabalho em equipe...


Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha: Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.

“O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.”

(sem autoria definida)

SEM MOTIVAÇÃO, O CATEQUISTA É NADA!

Não tem como falhar uma missão que tem um catequista motivado.


A catequese não é algo que podemos mensurar de forma matemática. Não dá para dizer "este ano ela não deu resultados por causa disso, disso e daquilo". Não dá para medir o que é êxito ou fracasso quando o assunto analisado é a catequese.  Ela não tem medida concreta para uma análise deste tipo.

A matemática do êxito do trabalho de um catequista está na medida exata da sua motivação. O coração do catequista é o melhor parâmetro de análise e resultados. A fórmula é simples: catequista desmotivado, catequese com problemas. Catequista motivado, catequese com resultados positivos.

Nem todos os catequistas são "preparadíssimos" ou "afinados" para esta missão com conteúdo, técnicas e dinâmicas das mais diversas. Nem sempre possuem respostas para as inúmeras indagações que são apresentadas durante o período de catequese. Mas motivação é algo que jamais pode faltar. A catequese não pode abrir mão de catequistas motivados e motivação não é algo que se aprende em algum curso de formação, retiros ou em algum curso de especialização em teologia. Motivação está na essência e no encantamento por Jesus, algo que todo catequista precisa ter quando aceita o desafio da catequese.

Não tem como falhar uma missão que tem nela um catequista motivado.
Não tem como não dar certo algo que um catequista faz com alegria.
Não tem como não ter efeito uma tarefa em que o catequista acredita, se empenha, luta e demonstra o encantamento pelo projeto de Jesus.

Motivação é fundamental na catequese. Sem ela, nada flui, as coisas não andam como deveriam andar e os problemas se tornam fardos, barreiras intransponíveis.
O documento de Aparecida pede entre tantas coisas, espírito e impulso missionário e diz: "Não podemos ser acomodados, omissos, negligentes. É hora de converter-nos do comodismo, apatia, sacramentalização e burocracia. A igreja precisa de uma comoção missionária, uma mexida forte".  E como fazer uma mexida forte, deixando o comodismo de lado, se o que existe é desânimo?

Não espere pelo padre. Não espere que o seu coordenador lhe dê a fórmula ou quem algum "teólogo" especialista nisso ou naquilo lhe entregue de "mão beijada" a indicação do caminho exato que deve ser seguido. Não existem fórmulas mágicas para uma catequese ter êxito. O resultado do que plantamos nas nossas ações como catequistas está diretamente ligado a nossa motivação. Se acreditarmos que o projeto de Cristo é o melhor, não tem alternativa a não ser dividir esta descoberta. Se não dividirmos, que sentido isso têm? Uma fé egoísta, individual, guardada a sete chaves, não tem efeito. E se dividimos e nos propomos a fazer com que mais pessoas sintam os efeitos desta descoberta, é preciso fazer isso com motivação!

Não se mede o sucesso da catequese pela quantidade de vezes que os catequizandos frequentam a missa ou pelo que eles sabem ou não dos conteúdos passados ao longo de muitos anos. Isso não significa, necessariamente, êxito nem fracasso.

Terrível, neste contexto, não é ver pais desinteressados ou jovens e crianças querendo ir embora antes do tempo dos encontros de catequese. Horrível e lamentável é enxergar um catequista sem motivação, que só reclama, lamenta, vive aborrecido, triste, sente-se incapaz e não consegue visualizar na sua missão uma luz para os outros.

Sem motivação, o catequista é nada e a catequese é nula.

Alberto Meneguzzi

In Missão de Anunciar, Paulinas, 2010, pg. 11

sábado, 21 de maio de 2016

PASSOS PARA A LEITURA ORANTE DA BÍBLIA

Cartão para ser impresso, frente e verso, e distribuído aos catequizandos.  Pode ser também impresso em tamanho menor como marca página.



PARA BAIXAR A IMAGEM NO TAMANHO ORIGINAL CLIQUE AQUI

OBS: Tamanho ideal  18x8 mais ou menos.

Se Deus fosse uma pessoa sozinha não podia ser feliz : SANTÍSSIMA TRINDADE

Pai Santo,
é bom acreditarmos que Deus não é uma pessoa sozinha e sem companhia para conviver. A nossa fé diz-nos que Deus é uma Família constituída por três pessoas.

Trindade Santa,
como fomos criados à vossa imagem e semelhança, também nós estamos talhados para o encontro e a comunhão com os outros.

É por esta razão que as pessoas só veem de modo direto o rosto dos outros, não o seu. Isto quer dizer que estamos talhados para o face-a-face da comunhão.
Deus moldou-nos para a comunhão familiar.

Glória a Vós por serdes o Deus do encontro e da Festa.
Se Deus fosse uma pessoa sozinha não podia ser a fonte da Comunhão e da Amizade.

Aliás, se Deus fosse uma pessoa sozinha não podia ser feliz, pois a plenitude da pessoa não está em si, mas na comunhão com outras pessoas.

A Santíssima Trindade tem um coração familiar no qual também nós temos um lugar, porque o Filho de Deus se tornou nosso irmão.

São Paulo diz que o Filho de Deus se tornou nosso irmão, a fim de ser o primogênito, isto é, o irmão maior de muitos irmãos (Rm 8, 29).

E com o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo é o sangue da Nova Aliança a alimentar a vida desta Família humano-divina.


Pe. Calmeiro Matias

HOMILIA DO DOMINGO - SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE ANO C


“Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.”
“Tudo aquilo que o Pai possui também é meu.” (Jo 16,15)
 
Estamos celebrando a festa da Santíssima Trindade. Depois de celebrarmos a ascensão de Jesus e a vinda do Espírito Santo, a Igreja nos chama a recordar o mistério da unidade de Deus. Mesmo sendo o nosso Deus três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, nós professamos a fé em um Deus único. Não temos três deuses. Não somos politeístas, como eram, por exemplo, os gregos. Estes tinham muitos deuses que, sendo diferentes entre si, causavam a Zeus um grande transtorno para poder administrar contrastantes conflitos e interesses.

Nós, cristãos, nascemos da fé hebraica e cremos em um só Deus, onipotente e criador de todas as coisas. Mas Jesus nos revelou que este Deus único é também comunidade. Deus não é um ser solitário. Em seu interior estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo, gozando da mesma onipotência, da mesma glória, da mesma vontade, têm também os mesmos interesses, se amam entre si e transbordam o seu amor... Mesmo sendo esta uma realidade de difícil compreensão, ou seja, um mistério impossível de ser compreendido em toda a sua profundidade, somos todos convidados a contempla-lo e a encontrar nele explicações e motivações para as nossas vidas.

Por meio deste mistério constatamos que nós também não fomos feitos para a solidão. Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, quando nos fez à sua imagem e semelhança, já nos fez abertos e em relacionamento profundo com os demais. É inútil pensar que posso viver sozinho, ou que posso encontrar felicidade fechado em meu egoísmo. Não fomos feitos para ser assim. É o pecado que se encarrega de obscurecer nossa semelhança com Deus, nos levando a buscar o isolamento. Desde de o princìpio fomos feitos para a vida em comunidade, para a comunhão, para a fraternidade. Toda a nossa ação tem algum efeito que, indo além de nós mesmos, acaba por atingir toda a comunidade humana. Se faço o bem a uma pessoa, estou fazendo isto a ela, mas também a mim mesmo e a toda a humanidade. De igual modo, ao maltratar uma pessoa, estou ferindo a mim mesmo e estou atingindo a comunidade como um todo. Assim sendo, será sempre inútil pensar que posso crescer pisando sobre os demais.

Que poderei ser melhor por criticar os outros.
Que posso ser mais rico por desprezar a caridade.
Que posso saber mais se não ensinar o que sei.
Que posso ser mais respeitado por humilhar aqueles que acredito estarem abaixo de mim.

Infelizmente o diabo entrou na nossa história. A palavra diabo significa: “aquele que se atravessa e separa”. Sempre que somos motivo de divisão e de contendas, estamos sendo diabólicos, estamos colaborando para obscurecer a imagem de Deus. Não é razoável pensar que eu possa ser imagem de Deus me afastando dos demais. Sozinho, ninguém é imagem de Deus, pois nosso Deus é comunidade, é Trindade. A imagem de Deus é o matrimonio, é a família, é a comunidade, é a amizade, é a fraternidade.

Jesus Cristo veio ao mundo para reunir-nos. Ele queria refazer a imagem de Deus. Toda a sua vida, suas palavras e suas ações queriam nos ensinar o caminho da unidade. Até mesmo a eucaristia, é uma unidade mística com Deus, mas a unidade de todo o gênero humano.

Somos chamados a romper os muros, abrir as portas, fazer estradas, construir pontes, a abraçar, ajudar, estender a mão, perdoar, elogiar.

Que todos sejam um!
 
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A REALIDADE... A DURA REALIDADE!

Estou aqui me debatendo com um assunto deveras preocupante: Um amigo me pediu sugestões de formação para que conseguisse tocar numa "ferida" bem aberta nossa: a falta de comprometimento e engajamento de muitos catequistas com a missão.

E acho que nem preciso me aprofundar muito no que seria isso. O catequista não engajado e não comprometido é aquele que está lá, na catequese - LÁ... mesmo: na sala... sair pra um passeio, uma visita, nem pensar! - só na hora do encontro e quando muito na missa do final de semana (fica feio não ir!). Além disso ele está acima da necessidade de formação e de comparecer em reuniões: Sabe tudo! E não precisa saber de recado nenhum e nem planejamento nenhum, porque é ele com ele mesmo, e basta.

Como sei disso? Ora, o que acham de um grupo na rede social com 2.277 pessoas, todas envolvidas diretamente na catequese, cujos participantes ativos, "ativos" mesmo, que curtem, comentam, aparecem, questionam, discutem... Não passam de 200?

Recebemos muitos pedidos de adesão ao nosso grupo no Facebook. Toda semana são de 100 a 150 pedidos. E tem gente que – pasmem! - faz parte de mais de 200 outros grupos!!! Como interagem, não faço a menor ideia. Para estes, os grupos de catequese na internet são "paginas amarelas" onde se busca roteiro de encontro. De preferência descrito em suas minúcias e com molde e desenho até da disposição das cadeiras no encontro. Será que são catequistas comprometidos? Ou meros "reprodutores" de conteúdo?

Mas, voltando aqui para a nossa discussão sobre falta de comprometimento... O que será que poderíamos fazer e falar para estes catequistas? Isso se eles fossem numa formação...

Pela minha experiência de palestras por aí eu diria que "falar", palestrar ou discorrer um tema, seja ele qual for; é perder o verbo, o substantivo, o pronome e tudo que diga respeito a linguagem. Quando a pessoa que nos escuta, NÃO ESTÁ CONVERTIDA, pode se falar a vontade! Entrará por um ouvido e sairá pelo outro...

MAS, COMO??? Catequista não convertido? Pode? Isso mesmo gente! Existe as pencas! Não temos católicos de ocasião aos punhados? Podem acreditar que temos catequistas também! As coordenadoras e coordenadores dos grupos de catequese vão ratificar isso, tenho certeza.

E como entender isso? Parece que algumas pessoas se engajam na religião por questões puramente "sociais". A Igreja é um lugar que o "pessoal frequenta". É como frequentar um clube. É meio chato não ir ao clube com as amigas ou amigos, não é? Ah! E tem no meu grupo de amigas, algumas que se reúnem toda semana para jogar canastra (buraco, pontinho, tênis, sei lá...). Não posso deixar de participar disso também! E como é um "clube", que frequento socialmente, se aparecer um passeio mais interessante ou uma viagem para o dia do jogo, posso muito bem cancelar o desta semana, não posso?

Nada ver com o encontro semanal de catequese, né gente?

E assim, meus queridos, nos aparecem catequistas às vezes... Cujo entendimento da catequese é esse: um evento social onde comparecem porque fica "bem para a imagem" e onde não vão se o "horário do salão" ou aniversário de alguém, coincidir com o compromisso semanal. Estes são os (as) não engajados e não comprometidos. 

Devemos excluir de vez estes catequistas? Claro que não! Alguma formação eles (elas) tem, algum preceito católico, mesmo que seja lá no fundo, estas pessoas possuem. Falta "provocar" isso, trazer pra fora. Mostrar que há um mundo "novo" a se conhecer. São pessoas pra gente "evangelizar". Somos da Igreja da Esperança!

Vamos a solução? Qual?

Vamos fazer INICIAÇÃO CRISTÃ com nossos catequistas não comprometidos. Simples, muito simples!  Vamos mostrar que existe uma "pessoa" que está doida pra encontrá-la: JESUS! Vamos marcar um encontro? 

Ah, sim... Se não fosse tão complicado... "Justo quando tenho aniversário do primo do cunhado da minha irmã pra ir!"

Ângela Rocha

Catequista

NOSSAS CRENÇAS: A SANTÍSSIMA TRINDADE

A Santíssima Trindade  é um dogma da Igreja, ratificado pelo IV Concílio de Latrão em 1215. Ou seja, é uma “lei” da Igreja, uma convenção, por assim dizer. Está no CIC (Catecismo da Igreja Católica), no número 253 e seguintes.

Alguém me perguntou como eu explicaria a Trindade. É difícil explicar a Trindade. Tarefa enorme e, por vezes, difícil de cumprir. Acho que seria assim...

Tento explicar do "meu jeito", usando aquilo em que acredito. Pode até, nem ser o melhor jeito, ainda estou em busca da “suprema” compreensão. Quem sabe quando eu me encontrar lá com o criador.

Mas eu explico a minha crença da seguinte maneira:

Deus para mim é uma visão de PAI/MÃE, Aqueles que nos protegem, nos afagam, nos amam acima de qualquer coisa e a quem devemos respeito e pedimos socorro nos momentos de perigo. O Pai ou a mãe nunca se eximem de cuidar de seus filhos. E nesse "cuidar" eu diria até mesmo que é deixar que cometamos erros para um aprendizado maior.

Jesus, o Filho, é o lado humano de Deus. Ele se explica pela necessidade desse “Pai” também ser "humano", por isso Ele veio aqui e viveu como nós. Ele nos entende, sentiu fome, frio, sede, dor... teve todos os sentimentos que nós temos. Sofreu na carne chagas horríveis. Por isso nos compreende, nos abraça e chora conosco. É o irmão mais velho que nos orienta no melhor caminho. E provou que, mesmo humanos, somos capazes de dar TUDO pelo outro. 

O Espírito Santo, talvez seja o mais complicado de se explicar. Eu até gosto de chamá-lo só de "Espírito de Deus". Isso me lembra cor, luz, energia, beleza, vontade. Isso está em mim. Não dá para ver, não dá para tocar, nem sequer imaginar a textura que poderia ter. O Espírito de Deus me "envolve" e ao mesmo tempo "mora" em mim. Mora na criação, mora em todas as coisas belas que Deus criou. Somos NÓS o "Espírito de Deus". O Espírito Santo é o nosso lado "divino", que está dentro e fora ao mesmo tempo. Afinal, o que faz com que, um ser humano, sofra a mais profunda dor, como a de perder um filho e, mesmo assim, consiga se levantar da cama o resto dos seus dias? É o "Espírito de Deus" em nós!

E no Espírito está Deus, o Pai, e está o Filho, Jesus, seu lado humano. Assim eles são Três e ao mesmo tempo UM!

 É muito difícil explicar a fé. Tentei várias vezes. E por mais que eu tente parece que não consigo explicar direito. Acabo fracassando no final. Porque a fé é um mistério... não um mistério para ser “desvendado”, mas, um mistério para ser “sentido”, experimentado fora do domínio racional. Talvez seja essa “mistagogia”, esse mistério, que nos faz perseverar. A fé não se explica: Sente-se. Pronto. É uma coisa de "conversão" e de anúncio mesmo. Um "mistério" em toda a magnitude da palavra.

Quando eu fico triste, desanimada, desesperada, com medo... Parece que sinto o afago de Deus em mim. Sinto a ação do seu Espírito, sinto Jesus caminhando do meu lado. Sei que muitas vezes Ele não pode evitar a minha dor, mas meu consolo é que Ele é que enxuga minhas lágrimas, me pede paciência, me pede amor no coração e insiste para que eu não desista.

Não sou perfeita, não passo nem perto disso, aliás! Estou me construindo ainda, aos poucos, sou amadora demais ainda. Mas no que eu posso, eu tento transmitir tudo de bom que Deus tem me sussurrado ao ouvido.

Bem, fiquem com Deus... E estarão com Jesus e repletos do Espírito Santo!como criar blog

Ângela Rocha
Catequista

Aos Catecúmenos de Constantinopla, São Gregório Nazianzeno, denominado também "o Teólogo", confia o seguinte resumo da fé trinitária:


“Antes de todas as coisas, conservai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todo os males e desprezar todos os prazeres; refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu a confio a vós hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu a dou como companheira e dona de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Una nos Três, e que contém os Três de uma maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe... A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em si mesmo é Deus todo inteiro... Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim!”.

(CIC, 256).

domingo, 15 de maio de 2016

ONDE ESTÁ O ESPÍRITO SANTO?


Nesta última semana falamos muito em nosso grupo sobre isso... 

Onde afinal, está o Espírito Santo que tanto chamo: "Vinde Espírito Santo..."

E desta "enquete" surgiram mais de 50 respostas... Todas lindas, profundas, de respeito mesmo. Mesmo as mais simples - pois quem, na sua simplicidade responde "vem de Deus..." - está tão certo quanto aquele que escreve uma dissertação a respeito dos muitos modos, maneiras e lugares onde Ele se manifesta. E meu muito obrigada a quem "perdeu" ganhando um tempo precioso de sua vida a refletir sobre isso!
AH! ESPÍRITO SANTO DE TANTOS NOMES...

Ruah, Pneuma, Spiritus, Espírito...
Tantos nomes para dizer do profundo amor de Deus por nós...
E sou tão somente “eu”, para poder dizer que sei alguma coisa... 
E Deus me livre de querer ensinar a alguém, algo que eu nem sei!

Mas, gosto de Ruah… alento, sopro, brisa do meu Deus na língua materna do meu Jesus.

Ruah é o mistério do poder de Deus, mistério que não posso compreender... tão misterioso como a expectativa de andar pelas veredas de um desconhecido bem maior, ao “susto” daquele “encontro” que me fará jamais ser, de novo, a mesma pessoa que eu sempre conheci...

E Ruah, como disse um autor destes belos versos: “é a ternura maternal de Deus, a presença que nos lê inteiros num olhar só, naquele olhar que só tem quem nos ama muito. E é este Espírito na sua missão maternal, que nos gera continuamente na condição de filhos conduzindo-nos a Deus-Pai, e na condição de irmãos conduzindo-nos a Deus-Filho”.

(Ruah, em hebraico, é uma palavra feminina...)

Ruah, Espírito Santo de tantos nomes...
E eu te procuro... num rosto, num corpo, num jeito, numa imagem… mas, foges de mim, ao mesmo tempo que arrebenta tudo por dentro, extravasando qualquer imagem ou nome… 
Ruah, Brisa leve do meu Deus que escapa a todas as formas e descrições… 
Procuro sempre te dar uma forma, uma origem, um começo...
É pomba, é fogo, é vento, é luz, é chama, é labareda, é brisa...

É, é, é, é.... É fogo sobre gelo!


É beleza, é força, é brilho, é júbilo, é envolvimento, é dom... 
Vem de fora, vem de dentro, vem do céu, vem da terra, vem do meio, vem do lado… 
Mas, se mostra sempre bem maior do que posso descrever! Abraçar dar causa, dar efeito...
E foge... Foge a palavra que Te possa contar...
Foge sempre de novo, e... para dentro de mim!

Ruah, Espírito Santo de tantos nomes... de tantos chamados: 
“Vem... Vem, Espírito vem!”
De onde? De cima, de baixo, do lado, de fora, de dentro...
De Deus, de mim...
Não me importas de onde vem, só que por esta força, posso fechar os olhos em oração e encostar minha vida ao Seu peito para um afago, para o doce abraço da consolação, do perdão...

E são tantos nomes e origens para dizer deste Teu amor que nem precisa de Nome ou de lugar...

Ruah, em hebraico… Pneuma, em grego… Spiritus em latim… Espírito em português…
E continua a ser Aquele a Quem não posso descrever com um simples Nome.

* * * * *
Eu sempre acreditei que, se o Espírito Santo está em algum lugar, só pode estar dentro da gente! Não se manifestaria se assim não fosse...

Porque para entrar em sintonia com Ele, chegar ao “ponto de Deus”, como descreveu o amigo Alberto, para chegar a este lugar de comunhão intensa, extraordinária, é preciso ter este Espírito comigo, pulsando ao ritmo do meu coração...

E assim, o Espírito Santo de Deus, é o Ruah hebraico, soprado no barro do Gênesis...
Deus soprou este Espirito, este Ruah, quando criou ou homem. 
Simbolicamente na Bíblia, o homem foi feito do material de que se fazia todas as coisas, do barro; que vem da terra, do chão. 
A partir do barro, o homem se transformou num ser vivente, num ser com coração!
E nos transformamos em seres viventes quando recebemos este sopro, essa Ruah...
Torná-lo “Santo” ou não, é uma escolha nossa, não um desígnio de Deus ou algo que está escrito...

Por que então, tantas vezes nos sentimos abandonados, sozinhos? 
Porque esquecemos que temos este Espírito “Santo” conosco! 
Nós o aprisionamos em nosso interior, em nossas misérias, não o deixamos sair de nós e assim, não conseguimos chegar ao “ponto de Deus”.

Pai, Filho e Espírito Santo.
O Pai é o Pai, é Deus.
O Filho é Jesus, divino feito carne, próximo o suficiente para me chamar de irmã, para me contar o quão amada eu sou pelo nosso Pai, para me dizer o quanto eu devo amar estes meus outros irmãos...
E o Espírito Santo?
Só pode ser Aquele que mora em nós! 
Senão, nós, filhos e filhas tão amados do Pai, estaríamos excluídos desta Trindade que move o mundo!

Ângela Rocha
Catequista

A PACIÊNCIA DO CONVERTIDO


A palavra conversão significa transformação. E vai, desde a linguagem da internet, que significa “converter” (transformar) um texto ou uma mídia numa linguagem que o computador possa entender; até uma mudança radical de vida, quando isso significa deixar para trás o mal e se converter ao bem.

E nada impede que seja o contrário também... Mas como vamos falar aqui de religião, pensemos somente naquela conversão que seria realmente “abraçar” uma nova causa e uma causa do “bem”. Nestes últimos tempos em nossa Igreja, temos falado muito em “conversão”. Nem sequer usamos “ao que”. Está implícito que essa conversão seria ao cristianismo, à palavra de Deus, a uma vida nova, ao evangelho, enfim...

E temos também, chegado a uma conclusão preocupante: Muitos do que estão na igreja de Jesus Cristo, estão teoricamente “evangelizados” sem estarem “convertidos”. É possível isso? O verdadeiro entendimento do evangelho não preconiza uma verdadeira conversão? Infelizmente não.

E aqui nem estou falando daqueles fiéis que pagam o dízimo para estarem com suas obrigações em dia e ir lá para o céu. Nem daqueles que de vez em quando vão à missa para cumprir uma obrigação social. Estou falando de pessoas que estão na igreja em trabalho pastoral. Sim. Trabalho pastoral. Pessoas que abraçaram o projeto de Jesus e estão trabalhando pela causa. Mas que causa?

Infelizmente o que vemos, e muito, é que essa causa está muito distante do “Amai-vos uns aos outros...”, que tanto pediu Jesus. Não raro, encontramos brigas e divergências entre agentes de uma mesma pastoral, que se dirá quando a pastoral é diferente. Vemos disputa por espaço e a mais completa incompreensão entre os ideais de um e de outro. Parece que o destino é o mesmo, mas, o caminho, não é para se caminhar junto.

Vamos a um exemplo concreto. Muitas vezes algumas pessoas deixam sua pastoral que pode ser a catequese, a familiar ou outra qualquer... por causa do “fulano”. Ou, como já escutei muitas vezes: “Estou aqui por Deus, porque se fosse por “certas” pessoas!” E eu me pergunto aqui, se isso é ser convertido. Estamos na Igreja, comunidade do povo de Deus. E não conseguimos conviver uns com os outros! Estamos aqui por Deus... E para fazer o que? Para quem?

E assim temos passado nossos dias. Ao invés de sairmos em missão para buscar e converter as pessoas que estão fora da Igreja. Ficamos brigando e tendo todo o trabalho de, ainda, nos “convertermos uns aos outros”, aqui dentro. Pior é que nem sequer nos damos conta disso.

A pessoa realmente convertida à Cristo, é como nos versos de São Paulo na carta aos Coríntios: "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Cor 13,7). O convertido é “paciente”, tudo suporta e CRÊ! E não temos paciência de esperar os frutos do nosso trabalho. E não temos paciência para entender ou mesmo, tentar entender, aquele que caminha ao nosso lado. E choramos e deixamos à missão porque somos “incompreendidos”. Queremos aquilo que é certo para “nós”, ou seja, só pensamos no eu, eu, eu... E não tentamos compreender ninguém...

Em resumo, nossa conversão não pode ser só “da boca pra fora”. Tem que ser “do coração pra dentro”. Precisa estar revestida de paciência, diálogo e, sobretudo, amor. É preciso entender que, se quero levar a “palavra” ao outro, ela precisa, antes ter sido entendida e fazer parte "de mim". E não se faz as coisas de uma hora para outra. Precisamos exercer a paciência do convertido.

Ângela Rocha 


"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO