domingo, 15 de maio de 2016

A PACIÊNCIA DO CONVERTIDO


A palavra conversão significa transformação. E vai, desde a linguagem da internet, que significa “converter” (transformar) um texto ou uma mídia numa linguagem que o computador possa entender; até uma mudança radical de vida, quando isso significa deixar para trás o mal e se converter ao bem.

E nada impede que seja o contrário também... Mas como vamos falar aqui de religião, pensemos somente naquela conversão que seria realmente “abraçar” uma nova causa e uma causa do “bem”. Nestes últimos tempos em nossa Igreja, temos falado muito em “conversão”. Nem sequer usamos “ao que”. Está implícito que essa conversão seria ao cristianismo, à palavra de Deus, a uma vida nova, ao evangelho, enfim...

E temos também, chegado a uma conclusão preocupante: Muitos do que estão na igreja de Jesus Cristo, estão teoricamente “evangelizados” sem estarem “convertidos”. É possível isso? O verdadeiro entendimento do evangelho não preconiza uma verdadeira conversão? Infelizmente não.

E aqui nem estou falando daqueles fiéis que pagam o dízimo para estarem com suas obrigações em dia e ir lá para o céu. Nem daqueles que de vez em quando vão à missa para cumprir uma obrigação social. Estou falando de pessoas que estão na igreja em trabalho pastoral. Sim. Trabalho pastoral. Pessoas que abraçaram o projeto de Jesus e estão trabalhando pela causa. Mas que causa?

Infelizmente o que vemos, e muito, é que essa causa está muito distante do “Amai-vos uns aos outros...”, que tanto pediu Jesus. Não raro, encontramos brigas e divergências entre agentes de uma mesma pastoral, que se dirá quando a pastoral é diferente. Vemos disputa por espaço e a mais completa incompreensão entre os ideais de um e de outro. Parece que o destino é o mesmo, mas, o caminho, não é para se caminhar junto.

Vamos a um exemplo concreto. Muitas vezes algumas pessoas deixam sua pastoral que pode ser a catequese, a familiar ou outra qualquer... por causa do “fulano”. Ou, como já escutei muitas vezes: “Estou aqui por Deus, porque se fosse por “certas” pessoas!” E eu me pergunto aqui, se isso é ser convertido. Estamos na Igreja, comunidade do povo de Deus. E não conseguimos conviver uns com os outros! Estamos aqui por Deus... E para fazer o que? Para quem?

E assim temos passado nossos dias. Ao invés de sairmos em missão para buscar e converter as pessoas que estão fora da Igreja. Ficamos brigando e tendo todo o trabalho de, ainda, nos “convertermos uns aos outros”, aqui dentro. Pior é que nem sequer nos damos conta disso.

A pessoa realmente convertida à Cristo, é como nos versos de São Paulo na carta aos Coríntios: "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Cor 13,7). O convertido é “paciente”, tudo suporta e CRÊ! E não temos paciência de esperar os frutos do nosso trabalho. E não temos paciência para entender ou mesmo, tentar entender, aquele que caminha ao nosso lado. E choramos e deixamos à missão porque somos “incompreendidos”. Queremos aquilo que é certo para “nós”, ou seja, só pensamos no eu, eu, eu... E não tentamos compreender ninguém...

Em resumo, nossa conversão não pode ser só “da boca pra fora”. Tem que ser “do coração pra dentro”. Precisa estar revestida de paciência, diálogo e, sobretudo, amor. É preciso entender que, se quero levar a “palavra” ao outro, ela precisa, antes ter sido entendida e fazer parte "de mim". E não se faz as coisas de uma hora para outra. Precisamos exercer a paciência do convertido.

Ângela Rocha 


"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."


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