domingo, 2 de outubro de 2016

HOMILIA DO DOMINGO - 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer.”  Lc 17, 10
Uma vez eu estava participando em uma paróquia de uma homenagem a um sacerdote ancião que havia trabalhado ali toda a sua vida, com uma dedicação total e muita generosidade. As pessoas diziam que era um homem que não sabia dizer não, sempre muito disponível e acolhedor com todos os que lhe pediam algo.

Depois de todos os discursos, lhe entregaram uma placa comemorativa. No momento dos agradecimentos, ele começou dizendo: “Não entendo porque vocês fazem tudo isso: eu sou somente um servo inútil e não fiz nada além daquilo que deveria ter feito”. Na época eu era ainda muito jovem, não sabia que esta era uma citação bíblica e confesso que aquelas palavras me chocaram um pouco. Me pareciam muito ásperas.

Com o passar do tempo, novamente encontrei esta citação, e aos poucos estas palavras foram adquirindo um sentido muito forte também em minha vida.
Toda pessoa tem uma vocação. Todos são chamados a ser felizes fazendo o bem. Cada um deve descobrir na vida qual é o bem que deve realizar, e realizá-lo será uma fonte de alegria, de gozo e de paz. Alguns são chamados à vida consagrada, e isto os deixa felizes. Outros à vida matrimonial, a fazer feliz o próprio cônjuge, e a gerar filhos e os servir, e isto os fará felizes. Também podemos pensar a outras atividades mais especificas como ser médico, professor, catequista, advogado, motorista, arquiteto, etc... E se não somos mercenários (isto é, se não trabalhamos somente por dinheiro), podemos nos realizar com nosso trabalho. O pagamento por fazer bem o que é nossa missão é a felicidade, a paz interior e a realização pessoal.

Tudo aquilo que fazemos dentro de nossa própria vocação, não deve estar na dependência dos aplausos ou do reconhecimento. Fazemos porque é nossa missão, é nosso caminho de felicidade. Isto temos que ter muito claramente. Devemos ser humildes e dizer: “esta é minha obrigação, eu a faço porque me faz feliz”. E não devemos estar dependendo de elogios e quando estes não chegam começar a pensar de deixar tudo de lado. Tampouco devemos ser muito delicados com as críticas más que nos podem fazer. A crítica que nos fazem deve ser acolhida com serenidade. Devemos nos perguntar: é verdade isto que me estão dizendo? E se for verdade, devemos tentar melhorar, para que nosso serviço seja ainda melhor e nossa felicidade será mais completa. Mas se a crítica não corresponde à realidade, sendo apenas fruto de inveja, ou de ciúmes, então, não há porque fazer caso. Basta que se tenha pena de quem me criticou, pois seus sentimentos demonstram que ainda não é feliz, que ainda não encontrou sua missão interior, que ainda não se sente realizado.

Para compreender melhor isto, eu sempre penso em uma flor. Ela pode florescer em um jardim onde todos a podem ver, mas igualmente pode florescer em uma montanha onde ninguém jamais a contemplará. Contudo, ela será igualmente bela, igualmente perfumada, pois ela não depende do público. E se eu fizer muitos elogios para esta flor, dizendo o quanto é bela e delicada, ela permanecerá igual, não mudará seu modo de ser por causa das minhas palavras. Nem tampouco se eu a critico desonestamente e lhe digo que é muito feia, que tem uma cor horrível... Ela permanecerá igual. Pois ela é o que é, ela realiza sua força interior, e não depende do que os outros possam dizer, sejam elogios ou críticas.

Nós também deveríamos descobrir nossa vocação, nossa motivação interior, e realizá-la sem estar dependendo do que nos possam dizer.
E ao final de cada dia, com muita humildade e sem presunção, deveríamos agradecer ao Senhor por conservar nossas vidas, e poder dizer “estou contente, porque fiz o que deveria ter feito.”

Acredito que isso seria o máximo para nossas vidas.
 
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
 

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