segunda-feira, 26 de junho de 2017

COMO DIZER "NÃO" A UM CHAMADO DESTES?

PARÓQUIA SENHOR BOM JESUS DOS PERDÕES
PRAÇA RUI BARBOSA - CURITIBA PR

Os fardos precisam ser divididos...


Na última terça-feira, a coordenadora de catequese da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões, mandou um recadinho no whatsapp: se eu podia ir até lá, no Centro de Pastoral, falar com ela. Como me dispus a ajudar a catequese da paróquia no que fosse preciso, lá fui eu.

A Paróquia Bom Jesus dos Perdões fica na Praça Rui Barbosa, um dos centros mais movimentados de Curitiba por ser, também, terminal de ônibus urbano. No passado, esta praça se chamava Largo da Misericórdia. Um nome bem apropriado para abrigar a Igreja Franciscana de Bom Jesus dos Perdões e a devoção à Santo Antônio com a distribuição de pão aos pobres.

Quando cheguei, entrei pela porta da Rua 24 de maio. A tarde estava bem fria e havia várias pessoas na porta, no corredor e nas escadas. Pela aparência, pedintes, mendigos, moradores de rua. E eu ali na minha “visão de mundo”, fui ficando com medo, protegendo a bolsa, o celular... Ah! Que atitude preconceituosa a minha!

Subindo as escadas, no topo, me deparei com uma cena inusitada: Um homem deitado no corredor, mal embrulhado num cobertor, enregelado de frio. E junto dele, uma outra pessoa trocando suas roupas, tentando reanimá-lo e aquecê-lo. Uma moça providenciando mais blusas, agasalho, meias, sapatos para que a pessoa se reanimasse.

Depois eu descobri que aquele morador de rua foi trazido pelos outros que encontrei lá embaixo. Estava “congelando” na rua, com pouco agasalho, somente enrolado num cobertor úmido. E as pessoas que o estavam ajudando ali, era um dos freis da paróquia e a assistente social que colabora nas obras sociais. Obras estas que oferecem, de segunda a sexta-feira, todas as semanas, o “café da tarde” para moradores de rua. A paróquia tem um espaço para isso, onde, além do café, eles proporcionam atendimento de assistentes sociais e uma psicóloga para conversar. E, se precisam de médico, remédio, de uma instituição, ajuda para encontrar a família, eles são encaminhados e atendidos. Não se pode fazer tudo, mas, se faz muita coisa.

Confesso que foi uma cena “chocante” para mim. Diferente daquilo que tenho visto nas paróquias por onde andei.

E eu, que vinha subindo as escadas, carregada com o fardo dos meus “preconceitos”, me deparei com a mais pura “misericórdia” que é possível se ter por outro ser humano. Não poderia ser diferente numa paróquia com o carisma franciscano, mas, mesmo assim, foi algo que não se vê todos os dias. E, depois, fiquei pensando que era o que Deus queria que eu visse naquela hora, naquele momento. Que eu sentisse que os fardos que carrego são muito mais de indiferença, do que “peso pelo sofrimento” dos meus irmãos. Nunca me sento tão... inútil, essa é a palavra, como naquele momento!

Na sequência, fui conversar com a coordenadora. E o assunto que ela queria tratar comigo, ia muito além do que uma simples “ajudinha”. Ela precisa cuidar da mãe doente e faz viagens frequentes por isso, então me pediu para assumir a coordenação da catequese na paróquia. E mais espantada ainda fiquei, quando ela me disse que não seria somente pelos dois meses em que estaria viajando: Era “para sempre”! Ou pelo tempo que dura o “mandato” de uma coordenadora. E, enquanto conversávamos, o Frei, que é também o pároco, ligou para ela... “Sim, frei, ela está aqui comigo, já vamos descer para conversar com o senhor...”.

Bom, além de me parecer uma certa “doideira” da parte dos dois, chamando uma pessoa que mal conhecem para assumir tamanha responsabilidade, aquilo me pareceu também um “complô” contra mim (risos) ... Tinham “armado” para mim!

Conversando com o Frei, eu fui pensando: Que loucura, meu Deus! Que desafio! Assumir a coordenação de catequese de uma paróquia que frequento há seis meses só! Enfrentar a coordenação de uma catequese onde me engajei só “para ajudar”, tem menos de 2 meses! A garantia de apoio da coordenadora atual, mesmo estando afastada; a garantia de apoio irrestrito do Frei e da paróquia; liberdade para coordenar e proporcionar mudanças e melhorias; a garantia de que as demais catequistas estão de acordo e apoiam isso... pesou na decisão. Mas, não foi o que me “ganhou” e me fez dizer SIM. Foi outra coisa...

O que “me ganhou” e ganhou meu coração, foi aquele Frei e aquela moça ajudando aquele morador de rua que vi, logo que cheguei ali.

Como dizer não para uma paróquia assim? Como dizer não a um chamado destes?

Então, Frei Alexandre, não foram às suas “propostas” tentadoras e nem o apoio e confiança que a Iandaira demonstrou, que me fizeram dizer sim. Foi um morador de rua. E vocês não sabem o tamanho da “encrenca” que arranjaram me chamando! Rsrsrsrrsrs...

E, pensando no que vi quando cheguei e numa fala sua, ao dizer que a Iandaira até parecia mais “leve” depois que eu aceitei... lembrei de uma música....

ELE NÃO PESA... ELE É MEU IRMÃO!

Ele não pesa, ele é meu irmão! A estrada é longa com muitas voltas sinuosas. Isso nos conduz a quem sabe onde. Quem sabe onde? Mas, eu sou forte, forte o bastante para carregá-lo, ele não pesa, ele é meu irmão. Assim nós vamos.
O bem-estar dele é a minha preocupação. Ele não é nenhum fardo para aguentar.
Nós chegaremos lá, porque eu sei, ele não me atrapalha. Ele não pesa, ele é meu irmão. 
Se eu estou carregando tudo, eu estou carregando tristeza também.
Pois, os corações não estão cheios com a alegria do amor de um para com o outro, como deveria ser. 
É uma estrada longa, longa, da qual não há nenhum retorno.
Enquanto nós estamos a caminho de lá, por que não dividirmos? 
E a carga, não me pesa em nada. Ele não pesa, ele é meu irmão. Ele é meu irmão.
Ele não pesa, ele é meu irmão.


* Esta música foi composta em 1969. Fez sucesso com o Grupo The Hollies, na década de 70. Dizem que o que inspirou essa canção foi o seguinte: certa noite, em uma forte nevasca, na sede de um orfanato em Washington DC, um padre plantonista ouviu alguém bater na porta. Ao abri-la ele deparou-se com um menino coberto de neve, com poucas roupas, trazendo em suas costas, um outro menino mais novo. A fome estampada no rosto, o frio e a miséria dos dois comoveram o padre. O sacerdote mandou-os entrar e exclamou: “Ele deve ser muito pesado”. O que o que carregava disse: “ele não pesa, ele é meu irmão. (He ain’t heavy, he is my brother). Mas, eles não eram irmãos de sangue realmente. Eram irmãos de rua. O autor da música soube do caso e se inspirou para compô-la. E da frase fez-se o refrão. Esses dois meninos, foram adotados pela instituição ”Missão dos Órfãos”, em Washington, DC.

(Fonte: https://pt.aleteia.org/2017/01/11/a-historia-por-tras-da-musica-he-aint-heavy-hes-my-brother/)
 


Ângela Rocha
Catequista em Formação.

Frei Alexandre, escrevi este texto do fundo do meu coração, e sou assim, metade gente racional e outra metade, pura emoção. Mesmo que as coisas não deem certo, saiba que, eu VI, vi mesmo, como Jesus é “Bom” em sua paróquia! Deus os abençoe infinitamente!


Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões - Praça Rui Barbosa Curitiba PR
Ao fundo: Colégio Bom Jesus e FAE - Centro Universitário  Grupo Educacional Bom Jesus

Velário da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões
Tradicional Bolo de Santo Antonio oferecido durante a Festa de Santo Antonio na Paróquia.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

HOMILIA DO DOMINGO: O MEDO É QUE NOS "LIXA" A VIDA



"PORTANTO, NÃO TENHAIS MEDO!"

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


Estamos num território cheio de nomes. É o capítulo 10 do evangelho de Mateus, um capítulo todo discipular. A abertura é uma lista de discípulos nomeados pessoalmente, alguns com direito a alcunha, outros com alusão ao nome do pai, outros ainda com a referência ao lugar de origem. É assim que o capítulo 10 deste evangelho começa, delimitando a familiaridade em que os nomes todos são conhecidos e aparecem na boca de Jesus. Mais as alcunhas e as origens, repito, que nisto de sublinhar a tensão verdadeiramente relacional do evangelho, acho que nunca seremos exagerados.
Depois de lhes dizer os nomes como quem sabe de cor as linhas da mão de cada um, começa Jesus a falar-lhes da missão em termos de “cordeiros no meio de lobos”. O Reinado de Deus vai sofrer violência, avisa o Mestre, vai ser rejeitado até às últimas consequências. Então, percebemos que a nomeação dos Doze é uma cena de “inscrição”: inscritos na luta do Reinado de Deus, é suposto saberem de que lado estão e que uma das originalidades mais específicas do Reinado de Deus, segundo Jesus, é a não-violência radical.
Então, é preciso meter-lhes espírito no corpo, salgar-lhes as carnes. É aqui que chegamos, e a mensagem não podia ser mais clara: não tenhais medo! Três vezes repetido. Temos que levar a sério aquilo que Jesus se dá ao trabalho de repetir três vezes em tão poucas linhas…
É claro que esta valentia não pode vir deles mesmos. O segredo é uma confiança desmedida no Pai. Jesus era assim. As coisas são tão assombrosamente claras e críticas como isto!
Peço desculpa por meter aqui o grego, mas há uma palavrinha no original que não está traduzida no texto em português. Onde lemos simplesmente “Não tenhais medo” ou “Não temais”, o que está lá em grego é “Mê oun fobêtete”.
"Mê" é a partícula negativa, o nosso “não”. “Fobêtete” soa ao ouvido, por causa da palavra “fobia” que daí derivou para o português: medo.
Daqui se forma o “Não temais” ou “Não tenhais medo”. Mas está lá também aquele “oun”, que é uma palavra chave. Significa “Por isso” ou “Portanto” ou “Então”. É um artigo que implica sequência, consequência, resposta a algo prévio. Quer dizer: o motivo da valentia é outro, é doutro, iniciativa recebida.
POR ISSO, não tenhais medo.
PORTANTO, não temais.
ENTÃO, não entreis em "paniqueis".      

Este artigo “oun” mostra-nos que a coragem que Jesus pede aos seus nasce de um “Por isso”, de um “Portanto”, de um “Então”.
É Jesus quem nos diz coisas no segredo da noite em que ninguém nos vê…
POR ISSO, anunciemos em plena luz, ou até ser luz.
É Jesus quem nos conta ao ouvido os detalhes do Reino…
PORTANTO, apregoemos no cimo dos telhados.
A sua vida está homologada por Deus, a sua Palavra está homologada pelo Pai…
ENTÃO, entremos nessa homologação, digamos com ele e vivamos como ele.
Já podes desfranzir o sobrolho. Não foi por acaso que usei esta palavra, tão pouco costumeira nos assuntos da Fé: homologação. Mas é isto mesmo que está lá no texto grego: o verbo “homologeô”. Homologar, em português. “Então, cada um que me homologar diante dos homens, também eu o homologarei diante do Pai dos Céus”. Literalmente, é isto. Homologar é dizer a mesma palavra (logos), ter uma palavra comum. Palavra não é som, mas comunicação! Por isso é da palavra “logos” que se faz “lógica” também… Homologar é sintonizar na mesma palavra (logos), pactuar na mesma lógica (logikê).
Relembro, para quem já tenha esquecido: isto começa tudo com nomes, e alcunhas trocadas entre amigos íntimos, e nomes de pais e lugares de origem e tudo! Quer dizer: estamos no território da relação, da amizade, do pacto. E o que Jesus pede é seriedade absoluta nesta relação. Não há neutralidade possível! Só há duas possibilidades: homologá-lo ou rejeitá-lo; confirmá-lo ou desmenti-lo; aceitá-lo ou recusá-lo; sim ou não. Não há “via do meio”. E as consequências são relacionais. É verdade que uma relação só pode construir-se com a colaboração dos dois lados, mas basta um deles para se quebrar. O lado pelo qual o nosso pacto com Jesus pode quebrar é sempre. e só, o nosso. Mas, é bastante. É essa crueldade real que está colocada na boca de Jesus em forma de consequência 2+2=4. Quem confirmar o meu testemunho, será confirmado pelo meu testemunho. Quem desdisser o meu testemunho, será desdito pelo meu testemunho. Jesus é sempre um Sim. O seu Sim confirmará os nossos sins; o seu Sim desmascarará os nossos nãos. Recuso-me a falar dos nins (aqueles que não são nem sim e nem não), desgraça ainda maior.
Uma última palavrinha sobre a consolação que nos vem desta Palavra assegurada por Jesus: “Então, não tenhais medo!” Porque, pelos visto, é o medo que nos “lixa”! O medo lixa-nos a vida. Foi Jesus que disse, não fui eu! A Geena como sabemos, é o vale a sudoeste de Jerusalém onde, no tempo de Jesus, estava a lixeira da cidade. É disso que Jesus fala quando diz que a vida pode acabar na lixeira… Lixada (jogada fora), portanto. O aviso é forte e claro, a metáfora dispensa explicações. É o único medo permitido por Jesus, aquele que nos põe vigilantes em relação ao que nos pode lixar a vida, o que nos pode arrastar para a lixeira, umas vezes puxando-nos pelos cabelos e outras vezes (a maior parte) seduzindo-nos com encantos e promessas feitas ao ouvido do “Homem Velho” que ainda existe em nós…
Olha: a Fé de Jesus no carinho de Deus era tal que a maneira que arranjou para dizer que O Pai está conosco foi afirmar que nem um cabelo da nossa cabeça cai sem que Ele consinta (a ser verdade, pressinto que Deus tem uma obsessão por mim nos últimos anos…).
Jesus, que até nos disse que não se consegue entrar no Reinado de Deus sem apreciar os lírios dos campos e a atividade dos pássaros, voltou a falar dos passarinhos para nos contar estas coisas importantes do carinho paternal de Deus: somos mais importantes que os passarinhos! Aliás, para citar mesmo o evangelho: “Vós excedeis todos os passarinhos!” Na boca de Jesus, que gostava de passarinhos, isto é enorme.
POR ISSO, POR TANTO, ENTÃO... não tenhais medo!
Porque, por mais exigente que seja a confiança, é o medo que nos "lixa".

Pe. Rui Santiago, cssr

Redentorista - Porto Portugal

quinta-feira, 22 de junho de 2017

CATEQUESE DO PAPA

PODEMOS SER SANTOS NA VIDA DE CADA DIA

Audiência com Papa Francisco na Praça de S. Pedro, na última quarta-feira. Partindo da Carta aos Hebreus, caps 11 e 12, Francisco prosseguiu o ciclo das suas catequeses sobre a esperança cristã.

Os santos são, para nós – sublinhou Francisco - testemunhas e companheiros de esperança mostrando-nos que a vida cristã não é um ideal inatingível; são companheiros da nossa peregrinação nesta vida; partilharam as nossas lutas e fortalecem a nossa esperança de que o ódio e a morte não têm a última palavra na existência humana.

Por isso, invocamos o auxílio dos santos nos sacramentos, disse o Papa, primeiro no dia do nosso Batismo, quando pouco antes da unção com o óleo dos catecúmenos, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar pelos batizandos invocando a intercessão dos santos:

“Essa era a primeira vez que, no curso da nossa vida, nos era doada esta companhia de irmãos e irmãs "mais velhos", que passaram pela mesma estrada, que conheceram as mesmas canseiras e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus chama esta companhia que nos rodeia com a expressão "multidão de testemunhas”.

Os cristãos, prosseguiu Francisco, não se desesperam na luta contra o mal, porque cultivam uma incurável confiança: que as forças negativas e destrutivas não podem prevalecer, a última palavra na história do homem não é ódio, não é a morte, não é guerra, pois em cada momento da vida, nos assiste a mão de Deus e a presença discreta daqueles que nos precederam com o sinal da fé e que, pela ação do Espírito Santo, estão envolvidos nas questões dos que ainda vivem aqui.

E o Pontífice citou também o caso do matrimônio, quando dois namorados consagram o seu amor e é novamente invocada para eles a intercessão dos santos. Uma invocação, reiterou o Papa, que é fonte de confiança para os jovens que partem para a "viagem" da vida conjugal. Na verdade, para ter a coragem de dizer "para sempre", o cristão sabe que precisa da graça de Cristo e da ajuda dos santos.

“E nos momentos difíceis, devemos ter a coragem de elevar os olhos para o céu, pensando em muitos cristãos que passaram pela tribulação, e conservaram brancas as suas vestes baptismais, lavando-as no sangue do Cordeiro”.

Deus nunca nos abandona, sublinhou ainda o Papa, sempre que precisarmos virá o seu anjo para nos levantar e infundir consolação. Também os sacerdotes conservam a memórias de uma invocação dos santos pronunciada sobre eles no momento da ordenação, quando toda a assembleia, guiada pelo Bispo, invoca a intercessão dos santos.

O candidato sabe que conta com a ajuda de todos os que estão no Paraíso para poder suportar o peso da missão que lhe é confiada, disse Francisco, acrescentando que não estamos sozinhos, e que os santos nos lembram que, apesar das nossas fraquezas, a graça de Deus é maior nas nossas vidas.
Por isso, devemos manter sempre viva a esperança de ser santos, pois este é
o maior presente que podemos dar ao mundo.

“Que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos. É o grande presente que cada um de nós pode fazer ao mundo”.

O Papa Francisco, como habitualmente, também se dirigiu aos fiéis de língua portuguesa, tendo saudado em particular os provenientes de Jundiaí, São Carlos e Santo André, convidando a todos a não ter medo mas, com a ajuda dos que já estão no céu, a deixar-se transformar pela graça misericordiosa de Deus:

“Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Jundiaí, São Carlos e Santo André. Queridos amigos, o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Não tenhamos medo! Com a ajuda daqueles que já estão no céu, deixemo-nos transformar pela graça misericordiosa de Deus que é mais forte do que qualquer pecado. E que Ele sempre vos abençoe!”

Nas saudações ao grupo de língua italiana o Papa acolheu cordialmente os diáconos do Pontifício Colégio Urbano da Propaganda Fide, as Clarissas Franciscanas Missionárias do SS. Sacramento e os missionários de Scheut, por ocasião dos respectivos Capítulos gerais, exortando-os a viver a missão com os olhos atentos às periferias humanas e existenciais.

Uma cordial saudação também para a comunidade Amor e Liberdade, que o Papa encorajou a apoiar pelos seus esforços em favor da educação dos jovens na República Democrática do Congo. E sobre o Dia do Refugiado que ontem se celebrou o Papa acrescentou:

“Por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, que a comunidade internacional comemorou ontem, na segunda-feira passada eu quis encontrar uma representação de refugiados que são hospedados pelas paróquias e instituições religiosas de Roma. Queria aproveitar esta ocasião do Dia de ontem para exprimir o meu sincero apreço pela campanha para a nova lei migratória: "Eu era estrangeiro – A Humanidade que faz bom", que conta com o apoio oficial da Caritas italiana, a Fundação Migrantes e de outras organizações católica”

E por último, uma cordial saudação aos jovens, os doentes e os recém-casados, a quem o Papa convidou a participar na Eucaristia para que, alimentados por Cristo, sejam famílias cristãs tocadas pelo amor do Coração divino de Cristo. E a concluir o Papa recordou próxima sexta-feira é a Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, o dia em que a Igreja apoia com a oração e afeto todos os sacerdotes.

Pai Nosso …
O Papa Francisco a todos deu a sua bênção.

RADIOVATICANA.VA


terça-feira, 20 de junho de 2017

A CATEQUESE É O NOSSO “NEGÓCIO”!

Matéria de Capa da Revista digital SOU CATEQUISTA, Junho/2017, 19ª edição

Catequistas em Formação, divulgando conteúdo de nossos grupos de estudo. 

Partindo de uma ideia do catequista Wagner Campos, de Curitiba PR, nasceu a iniciativa de se criar uma "ferramenta" de análise do cenário catequético em nossas paróquias.

Conforme preceitua o nosso DNC – Diretório Nacional de catequese, precisamos incorporar as várias ciências na nossa prática catequética, no sentido de trazer mais força à evangelização:

 “O catequista necessita de algum conhecimento de ciências humanas que possa oferecer boas indicações para o seu trabalho educativo. A filosofia, a psicologia, a sociologia, a biologia, ajudam a compreender as pessoas e seus relacionamentos, nas diversas situações em que se encontram." (DNC 151).


E, apesar do DNC não citar, uma ciência que pode nos ajudar muito na condução do processo catequético, é a Administração. Pensando nisso, trazemos aqui uma ferramenta de análise de cenário, bastante usada por empresas e que pode ser adaptada a coordenação pastoral. É a SWOT (FOFA), é uma sigla do inglês que dizer Strenghts (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). No português, ela é chamada de análise FOFA, Forças, Oportunidades, Fraquezas e ameaças.


Como funciona esta ferramenta?

A análise SWOT é criada a partir uma matriz em que se analisa o ambiente interno, que são as forças e fraquezas, e o ambiente externo, que são as oportunidades e ameaças. Após preencher os dados, é feito um gráfico que ajuda a visualizar e analisar os vários ambientais da empresa. No nosso caso aqui, estamos analisando a CATEQUESE como ambiente pastoral de evangelização.




1. Ambiente interno

1.1. Forças

Se a Pastoral Catequética, ou seja, a sua “Catequese”, funciona muito bem na paróquia e você recebe bons feedbacks a respeito, isso é uma força na sua comunidade. E são elementos que podem ser mudados no dia a dia do seu “negócio”. São fatores que podem ser controlados, mudados, expandidos ou retraídos.

É importante, ao desenvolver essa parte da matriz, que você considere:

OBS: Numa análise empresarial, observa-se o diferencial em relação aos concorrentes. No nosso caso aqui vamos pensar no concorrente como a diversidade religiosa e a não-religião ou ateísmo.
  •  Qual o diferencial da sua catequese?
  •  O que você faz de melhor (diferencial que te destaca das outras)?
  •  Em quais pontos você é melhor que as outras denominações religiosas ou ser ateu, agnóstico, etc.?
  • Por quais motivos as pessoas procuram a catequese da nossa Igreja, da nossa comunidade?

     Alguns exemplos são:
  •         Sua equipe de catequistas e seu desempenho;
  •          Acolhida e relacionamento com as pessoas.


1.2. Fraquezas

Todos os elementos que atrapalham de alguma maneira a atingir seus objetivos são considerados fraquezas. É um elemento sobre o qual você tem controle, assim como a força. Esse é um ponto em que é muito importante ter sinceridade e, muitas vezes, vale escutar os outros, pois é difícil avaliar pontos negativos de sua própria ação.

Pontos a serem considerados:
  •         Seus catequistas são preparados?
  •         Há problemas nas formações, no preparo dos encontros?
  •         Quais motivos levam as pessoas a abandonar a catequese/comunidade?
  •         O que tem tornado sua “propaganda” ineficaz?
  •         Seus catequizandos abandonam a Igreja depois que recebem os sacramentos? Por quê?

Alguns exemplos são:
  •         Faltam qualificações na equipe de agentes;
  •         Falta de comprometimento e sentido de pertença;
  •         Falhas na comunicação interna entre lideranças e agentes;
  •         Conflitos entre catequistas;
  •         Baixa adesão e seguimento à religião.

Após identificar as fraquezas da pastoral, é importante que sejam tomadas algumas medidas para que seu impacto seja reduzido ou sanado em um período de tempo. Se for possível corrigir ou reduzir o impacto de algum desses fatores em curto prazo, é interessante priorizar essa tarefa.

2. Ambiente externo

2.1. Oportunidades

As oportunidades são fatores sobre os quais você não tem controle, porém, impactam de forma positiva na evangelização. Assim como nas empresas essas variáveis são muitas vezes de cunho econômico, na religião, o impacto é com relação ao comportamento em sociedade e as tendências relacionais do mundo em constante mudança.  

2.2. Ameaças

Em contraponto às oportunidades, estão as ameaças. Elas são fatores sobre os quais você não tem controle, porém, impactam de forma negativa naquilo que você faz. Deve haver um grande cuidado com esses cenários, pois eles têm grande influência no planejamento estratégico e também nos resultados que se pretende alcançar. É importante estar atento todo o tempo para as ameaças, pois elas podem tornar a evangelização ineficaz.

MODELO DE MATRIZ

MATRIZ DE ANÁLISE PARA PLANEJAMENTO
F.O. F. A (SWOT) – CATEQUESE


FATORES INTERNOS
(Controláveis) 
Organização Pastoral
(Pastoral catequética)
FATORES EXTERNOS
(Incontroláveis)
 Ambiente: Sociedade, Igreja no mundo, família
Pontos Fortes
AJUDA
FORÇAS

OPORTUNIDADES

Pontos Fracos
ATRAPALHA
FRAQUEZAS


AMEAÇAS



Quais as dicas a respeito da Análise SWOT?

1. Estudo da concorrência (O mundo, a sociedade e os “atrativos” do prazer imediato)

O mundo em que vivemos e a sociedade onde estamos inseridos pode dizer muito a respeito do alcance da evangelização. Faça uma análise em ações, estratégias e todos os diferenciais que eles oferecem têm com relação à religião e ao seguimento. No cenário negocial, muitas empresas optam por fazer uma análise SWOT dos concorrentes, para entendê-los melhor e definir ações que podem tornar a empresa mais competitiva. Da mesma forma, ao analisarmos os vários fatores presentes na sociedade e seus segmentos, podem nos ajudar a entender o comportamento das pessoas com relação ao seguimento à uma religião.

2. Separação do momento atual e do futuro

Essa matriz ajuda na tomada de decisões. Porém, quando se mistura o que vem ocorrendo ao longo do tempo com elementos que vão ou podem vir a acontecer, cria-se um cenário muito otimista ou muito pessimista.
Analise separadamente o presente e o futuro, pois isso ajudará nas decisões de curto e longo prazo. Não se pode considerar que sucessos do passado, podem ter o mesmo resultado hoje.

3. Ferramenta simples e fácil de entender

A análise SWOT é uma ferramenta poderosa, mesmo parecendo simples. Mas, é preciso manter os quadros mais limpos possíveis. Depois, compile os dados da maneira que achar mais útil, para que as informações sejam melhor aproveitadas.
Uma solução que é adotada por muitas empresas, é a criação de quadros com essas análises, para que todos possam visualizar tanto o que deve ser mantido quanto o que deve ser melhorado. As ideias muitas vezes vêm da própria equipe.

Como trabalhar as informações obtidas?

Com as informações obtidas, é possível fazer vários tipos de análises mais complexas, até mesmo planejamentos de melhoria e de manutenção.

A análise SWOT traz uma avaliação ampla de seus ambientes, possibilitando um melhor entendimento dos cenários internos e externos. Essa simples ferramenta é indicada para qualquer instituição que quer fazer uma análise de sua atuação visando melhorias em seus processos.

Depois de levantadas as 4 partes da matriz, o ideal é construir, para cada fator a ser melhorado, um plano de ação. Assim como se pense na preservação das forças e no aproveitamento de oportunidades.

Isso pode ser feito de modo simples, numa simples “lista”, até em complexas tabelas e quadros. Aqui, em nosso “negócio” vamos fazer uma lista com “pistas” que podem ser aprofundadas e melhor exploradas por cada comunidade em sua realidade.



A convite da administração do grupo, uma equipe de 10 catequistas, oriundos de diversas paróquias, reuniram-se para fazer uma análise da ação catequética em suas comunidades como um exemplo a ser expandido para realidades diversas. 

Deste estudo, que durou cerca de 2 meses, trazemos os seguintes resultados:

AMBIENTE INTERNO – FORÇAS E FRAQUEZAS

Primeiro é preciso situar a equipe sobre o que se espera dela no uso da ferramenta, incentivar que botem as “caraminholas” para funcionar e vão "despejando" tudo que pensarem, fazendo uma "Brainstorm" (mais um termo administrativo), que é literalmente, “tempestade cerebral” em inglês. Na prática, é isso que se faz mesmo: uma tempestade de ideias. Essas ideias partem do grupo envolvido na avaliação do ambiente e no planejamento das ações futuras. Os participantes podem expor até as coisas mais esdrúxulas, sem medo de falar besteira, pois, à medida que se conversa vai se corrigindo os rumos e a linhas a serem seguidas.

Em resumo é dividir a catequese em QUADRANTES. Quatro ao todo e identificar as forças e fraquezas INTERNAS e as OPORTUNIDADES e ameaças EXTERNAS.
O que seriam os fatores internos? É a ORGANIZAÇÃO DA CATEQUESE, não é? Quais as forças que temos em nossa comunidade e na Igreja como um todo? O que nos ajuda na evangelização?


Primeiro focamos os fatores INTERNOS, ou seja, a "organização" da pastoral e o que ela tem de forte e fraco, coisas que podemos resolver (controlar). Depois vamos para o ambiente externo, que não é CONTROLÁVEL, no entanto, afeta a ação evangelizadora até mais que os fatores internos.

E então faríamos um plano de ação para DEPOIS da matriz SWOT! Esta matriz serve para levantar o que ajuda e atrapalha, para então se fazer o planejamento das ações.

VAMOS LÁ ENTÃO!

Quais são as nossas FORÇAS? O que nos destaca no cenário em que a evangelização está inserida?


FATORES INTERNOS
(Controláveis) 
Organização Pastoral
Pontos Fortes
AJUDA
FORÇAS
- Experiência histórica da Igreja Católica na catequese de crianças
- A catequese funciona praticamente em todas as paróquias e comunidades
- Equipes de catequese com coordenadores em cada comunidade
- A igreja buscando abertura e adequação aos novos tempos
- Tradição da Igreja e Documentos norteadores (DGC, DNC, Diretórios Diocesanos)
- Material de estudo com fácil acesso hoje (internet, mídias sociais)
- Muita informação e conteúdo disponível digital e impresso (Livros, manuais)
- Instituição de Comissões de Animação Bíblico Catequéticas, setoriais, diocesanas.
- Instituição de Escolas Catequéticas
- Encontros de formação para catequistas mais acessíveis;
- Formações e encontros de pastoral mais frequentes nas comunidades;
- Assembleias de Catequistas;
- Etapas bem definidas (organização escolar)
- Tempo de preparação maior em comparação ao passado
- Apoio do padre
- Participação e apoio dos catequistas na pastoral
- Catequistas conscientes do seu papel
- Catequistas com formação e conhecimento
- Catequistas mais abertos aos novos métodos de evangelização.
- Relacionamento e afetividade por parte dos catequistas
- Testemunho de vida.
- Valorização do Catecumenato de Adultos como opção metodológica de evangelização;
- Maior conscientização dos catequistas com relação à catequese domiciliar e visitas às famílias.
- Visão ecumênica da Igreja católica a partir do Concílio vaticano II.
- ............

Feito o 1º QUADRANTE, podemos ver que o 2º, referente às FRAQUEZAS, fica bem mais fácil, já que, normalmente elas são a ausência das forças que fazem a evangelização eficaz.

Quais são as nossas FRAQUEZAS? O que nos deixa “fracos” na evangelização?

Vamos ao 2º quadrante...

F.O. F. A (SWOT) – 2º QUADRANTE - FRAQUEZAS


FATORES INTERNOS
(Controláveis) 
Organização Pastoral
Pontos Fortes
AJUDA
Fraquezas
- Catequese fragmentada, sem gradualidade e continuidade
- Catequese sacramentalista
- Falta de conhecimento psicológico de crianças e adolescentes
- Exposição do conteúdo sem metodologia (adequada)
- Falta de Escola Catequética para formação de catequistas de adultos
- Falta de material tecnológico
- Pouca disponibilidade de pessoas (catequistas)
- Número grande de catequizandos por sala
- Falta de assiduidade por parte dos catequistas
- Falta de infraestrutura nas paróquias e comunidades
- Falta de preparação para a Catequese inclusiva/necessidades especiais.
- Desunião nas equipes de catequese, individualidade, trabalhar sozinho, competição.
- Não aceitação de direção/coordenação
- Falta de conhecimento básico em mídias sociais
- Faltam subsídios e diretórios diocesanos
- Falta apoio e envolvimentos das demais Pastorais e Movimentos
- Falta formação de qualidade,
- Falta material de apoio, roteiros, cronogramas, espaço físico;
- Uso indiscriminado da internet na coleta de material, sem análise criteriosa (fora da realidade local).
- Falta de espiritualidade e oração;
- Falta de dinheiro para a catequese:  dificuldades financeiras fazem com que os catequistas precisem “bancar” a catequese;
-  Falta de unidade dentro da própria igreja: O tempo de catequese ser diferente na paróquia ao lado, gerando preferência pelo mais rápido;
- Agentes de pastoral com muitos "cargos" e serviços dentro da igreja;
-  Amadorismo em relação à preparação e formação da catequese num todo;
- Falta de formação Bíblica;
- Trocas constantes de sacerdotes nas comunidades e falta de preparo dos mesmo na liderança;
- Ineficiência na evangelização. Comunidades ainda com modelos arcaicos de catequese;
- Disputa entre catequistas para se destacar “socialmente”;
- Falta de comprometimento na ação pastoral;
- Falta de lideranças efetivas que promovam a unidade pastoral e o trabalho em equipe e despreparo de coordenadores na condução da pastoral.
- Falta conhecimento da Doutrina da Igreja, o que gera muitas interpretações e afastamento.
- .................


AMBIENTE EXTERNO: OPORTUNIDADES E AMEAÇAS

Aqui nós estamos falando de fatores EXTERNOS, que fazem parte do AMBIENTE em que a catequese está inserida, ou seja, A SOCIEDADE, a FAMILIA, o MUNDO de maneira geral. Que OPORTUNIDADES isso tudo nos proporciona para evangelizar? E, pensando nisso, nestas oportunidades, também nos ajuda a ver as AMEAÇAS que este ambiente nos traz.

Por exemplo: a religião católica ainda é a mais representativa na sociedade (oportunidade) X cada vez mais diminui o nº de católicos (ameaça); as famílias procuram a catequese (oportunidade) X a família busca o sacramento somente e não a IVC (ameaça); a religião de maneira geral está mais aberta (oportunidade) X existe uma pluralidade religiosa muito grande (ameaça); o ser humano está sedento de "sentido" X o ser humano está cada vez mais individualista; etc.

Então agora nosso pensamento precisa ir PARA FORA da pastoral. Pois, na pastoral, por mais que ás vezes não dependa exatamente da gente, os fatores são controláveis (podemos mudar), já lá fora, não depende da gente e por isso precisamos estar atentos às oportunidades para que elas não se tornem ameaças.


Vamos preencher então, nosso 3º quadrante.

Que OPORTUNIDADES o ambiente em que vivemos nos traz?


F.O. F. A (SWOT) – 3º QUADRANTE - OPORTUNIDADES


FATORES EXTERNOS
(Incontroláveis) 
Ambiente: Sociedade, Igreja no mundo, Família
Pontos Fortes
AJUDA
Oportunidades
- Influência do Papa Francisco no mundo;
- A Igreja católica marca presença em todos os lugares;
- Pais conscientes de que os filhos precisam de catequese;
- Herança religiosa dos avós;
- Apesar do mundo "globalizado", as pessoas estão "carentes" de religiosidade, de “pertença” a um grupo;
- Mídias digitais e sociais como espaço de evangelização, mais facilidade de acesso à tecnologia;
- Diversidade de mídias à disposição da evangelização: Rádios, canais de televisão, internet, redes sociais, aplicativos móveis;
- Pais de catequizandos, que em muitos casos não tem todos os sacramentos ou não tem o sacramento do matrimonio. Temos a força interna do contato com os catequizandos, que nos leva a esta oportunidade;
- O ser humano, como um “ser espiritual” por natureza, temos a busca do sobrenatural, do transcendente, a pessoas buscam esta mística;
- Ambiente de trabalho: divulgação entre os colegas das ações da igreja local;
- Contato com as famílias mais estreito;
- Oportunidade formativa fora da pastoral/Igreja: publicações, livros;
- LEIGOS buscando formação fora da Igreja: formação acadêmica em teologia, sociologia, filosofia;
- Iniciativa de leigos católicos em blogs e sites que dão formação e conhecimento;
- A Igreja Católica é um veículo de comunicação e formadora de opiniões: TVs católicas, Aparecida, Canção Nova, Evangelizar, etc.;
- A vivência de fé de católicos na sociedade;
- A intervenção da igreja em problemas sociais. Ex. A Campanha da Fraternidade, as ações humanitárias;
- Instituições de ensino e colégios católicos, como representação da Igreja na sociedade;
- Cursos oferecidos pelas faculdades e colégios católicos: Teologia Bíblica, Ensino religioso, pós-graduação em catequética, Pedagogia catequética, teologia Bíblica, etc.;
- Imagem e discurso do Papa Francisco para uma “Igreja em saída” e acolhedora;
- Desilusão dos adultos com o vazio das promessas materiais;
- Obrigatoriedade dos Sacramentos da Iniciação Cristã para o matrimônio que leva à procura da catequese;
- Novas comunidades de evangelização com linguajar moderno: grupos e movimentos;
- População carcerária, asilos, casas de detenção e correção: evangelizar pessoas afastadas da sociedade;
- Marginalizados e excluídos: mais do que uma oportunidade, uma ação prioritária da Igreja.
- ..................................

E quais as AMEAÇAS que este ambiente traz à ação evangelizadora da nossa Igreja?

Vamos aos nosso 4º Quadrante:

F.O. F. A (SWOT) – 4º QUADRANTE - AMEAÇAS


FATORES EXTERNOS
(Incontroláveis) 
Ambiente: Sociedade, Igreja no mundo, Família
Pontos Fracos
ATRAPALHA
Ameaças
- Falta envolvimento dos pais na catequese;
- Catequizandos desinteressados e desatentos: a religiosidade fora do seu contexto vivencial;
- Catequizandos que vão a catequese por causa dos avós e não dos pais: tradição familiar;
- Catequizandos com muitas atividades e compromisso além da escola, o que faz com que a catequese não seja prioridade na vida deles;
- Sedução das redes sociais, fazendo com que fiquem sem vontade de ir a catequese;
- Animosidade em interagir com os outros catequizandos, alienação provocada pela excessiva utilização das mídias de comunicação;
- Valorização dos assuntos da moda, cultura do corpo, etc.;
- Indução de "professores" ateus ou céticos, seitas e religiões que oferecem facilidades ou permissões;
- O "choque" que a doutrina da Igreja causa nestes novos tempos: a tradição, doutrinas e dogmas, causam conflito com a "liberdade" que o ser humano tem hoje;
- O surgimento de novas denominações religiosas a cada dia;
- Pobreza, falta de infraestrutura urbana;
- Atrações mundanas, com a consequente dificuldade em conciliar horários para a catequese;
- Imediatismo: desinteresse por uma catequese longa;
- Descrença numa caminhada “de cruz” x “teologia da prosperidade”;
- Preconceito religioso: a religião vista como “fraqueza” ou somente para os “pobres” e incultos;
- Proliferação de informações contrárias à religião;
- Mídias sociais e imprensa, que divulga o que é somente do seu interesse;
- Ciência X Religião: muito embora a Igreja busque aproximação com a ciência, ainda é pensada como “contrária” à religião;
- Ideias pré-concebidas sobre os casamentos de 2º união: que isso afasta os casais;
- Ideia de que a catequese é só infantil, para crianças e adolescentes;
- Avaliar mais a conduta de “quem” vai à Igreja e participa de um movimento, do que o propósito da igreja;
- “Adultizar” as crianças, incentivar a erotização precoce: a indústria de brinquedos, roupas e cosméticos investe pesadamente nisso;
- Famílias que seguem várias religiões: vão à Igreja Católica, aos coentros espíritas, aos terreiros de afro e ensinam várias doutrinas que confundem a si próprios e aos filhos;
- O "apelo" desenfreado da imprensa e demais mídias digitais: festas, bebidas alcoólicas, pornografias, músicas inadequadas, etc.;
- O ateísmo, a intolerância religiosa, a manipulação da fé;
- A cultura do povo sobre: "política e religião não se discute ", isso faz com que a religião não seja levada a sério.
- Secularização, ideologia de gêneros, a agilidade com que as informações chegam às pessoas e a aparente normalidade de tudo;
- Despreparo dos pais na educação dos filhos.
- Pluralidade religiosa na família: Famílias tipo "colcha de retalhos", filhos de uniões anteriores que nem sempre seguem a mesma religião dentro da mesma residência;
- Falta de ação dos poderes públicos, em proporcionar trabalho, saúde, segurança etc.; tem feito com que mais pessoas percam a fé e descabem para a marginalidade aumentando os níveis de criminalidade e violência.
- ......................................

USANDO A FERRAMENTA:

Depois de feita as análises, é necessário traçar planos estratégicos a curto e longo prazo. No ambiente negocial, constantemente à mercê das flutuações do mercado, empresários não perdem tempo e vão à luta para a melhoria de seu negócio.

Aqui, no nosso “negócio” catequético, não deve ser diferente. É preciso olhar com atenção as fraquezas internas da nossa pastoral e fortificá-las. Assim como é preciso ver as oportunidades que o mundo nos apresenta e agarrá-las.

O ideal é que cada comunidade/pastoral, depois de construir a matriz, peça ideias e sugestões aos agentes de pastoral (catequistas e comunidade em geral), pois, como dissemos no começo, as melhores empresas, encontram em seus próprios colaboradores, a ajuda necessária para as mudanças.

Nossa equipe de “analistas” sugere algumas “pistas” para pensar a catequese e a evangelização, no entanto, o ideal é que cada comunidade pense em seu contexto e em sua realidade, para montar seu próprio plano de ação.

ALGUMAS PISTAS DE AÇÃO...

  • Convidar as pessoas do seu círculo social para retornar ou conhecer nossa Igreja;
  • Não descuidar do contato real com as pessoas, evitando que os encontros passem a ser mais “digitais” do que reais. A tecnologia é recurso indispensável e devemos usá-la, mas, o nosso forte é o contato face a face, é o estar atendo as pessoas que nos procuram e assim ajuda-las na sua conversão, no seu encontro com Deus.
  • Formar para o acolhimento na comunidade: cuidado com aquele que chega para ser inserido na comunidade;
  • Acolher sem perder a identidade: Na evolução do mundo, muitos fatores e posicionamentos da sociedade foram mudando, alguns regredindo, outros estão evoluindo, como o papel da mulher na sociedade, na Igreja, a questão racial, o divórcio. As pessoas querem ser aceitas e acolhidas. Temos capacidade de escutá-las e agregar, de enfrentarmos os desafios sem abrir mão do que pede nossa fé.
  • Aproximar-se mais das famílias por meio da Catequese Familiar;
  • Fomentar a convivência entre Catequistas e famílias dos catequizandos;
  • Proporcionar encontro direcionados à família e não só aos catequizandos;
  • Priorizar para que propostas e posturas adotadas cheguem ao conhecimento de todos, pensando na Igreja como um veículo de comunicação e formadora de opinião;
  • Evitar o acúmulo de "cargos" nas lideranças pastorais e também dos agentes;
  • Testemunhar a religiosidade: Quando dermos nosso testemunho, que seja pautado nos valores de Cristo;
  • Evitar julgamentos e repreensões, praticando o perdão e a misericórdia;
  • Proporcionar meios para a formação de agentes de pastoral tanto financeiros como físicos, espaço, tempo;
  • Buscar os adultos afastados da Igreja, catequizados na infância, mas, não evangelizados, oferecendo o catecumenato, os grupos bíblicos de reflexão, adesão aos movimentos e grupos, etc.;
  • Valorizar os sacramentos da Iniciação Cristã, deixando de lado a visão “social” dos mesmos, dando mais sentido à catequese e a preparação;
  • Adequar o horário dos encontros de catequese; algumas vezes esbarramos num excesso de atividades dos catequizandos nos finais de semana e inúmeros compromissos durante a semana;
  • Educar para o uso correto e adequado dos meios de comunicação e mídias sociais.


Grupo de Estudo: “catequistas em Formação”

Organização:
Ângela Rocha e Wagner Campos Galeto – Curitiba PR.

Participação:
Nilva Mazzer – Maringá PR
Suzete Silva – Turvo PR.
Vivian Leite – São Paulo SP.
Janice Santos – São Paulo SP.
Bruna Basílio – Rio de Janeiro RJ.
Lucinete Cassaro – Conceição do Castelo ES.
Cleusa Soler – Catanduva SP.
Leila Lima – Sorriso MT.

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SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO