sexta-feira, 12 de maio de 2017

HOMILIA: 5º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO A


                                 EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

O centro do Evangelho deste domingo é a partida de Jesus. O Senhor vai, enquanto os discípulos ficam. Isso pode causar tristeza e medo. Como será a vida dos discípulos a partir de agora? Por isso, o Senhor deixa o seu testamento: Jesus deixa suas garantias, fazendo os seus discípulos entenderem que não ficarão desamparados.


“Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também” (Jo 14,1). Jesus nos deixou uma palavra de esperança. Nossa garantia é que Ele não nos abandona, ou seja, não irá para o Céu nos deixando sem sua presença. Ele continua no amor, no dom do Espírito, na oração, na paz (são temas deste capítulo do Evangelho). Deus não nos abandona. Hoje Ele parte o pão e é alimento verdadeiro. É preciso que tenhamos esta fé, esta certeza, esta esperança.


O nosso coração se angustia quando esquecemos de que Deus é a nossa segurança. Enquanto Ele não for a pedra angular de nossa vida, não podemos ser felizes (2ª. Leitura). Há muitas pedras que são ilusões: coisas, atividades, vícios... Não podemos viver tropeçando. Ao menos, precisamos aprender com as quedas. Jesus pode ser pedra de tropeço para aqueles que não desejam comprometer a vida com o projeto do Pai. Que seja Ele a pedra principal da vida de todos nós.


“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais também vós” (Jo 14, 2-3). Os judeus não tinham grandes casas, por isso, são significativas as palavras que informam sobre a quantidade de moradas. Significa para os interlocutores de Jesus que haverá, no futuro escatológico, lugares para todos. A esperança ultrapassa a certeza desta vida, ainda que ela seja cheia da presença do Senhor. A esperança segue para a vida futura, para a morada do Reino definitivo.


Tomé quer saber qual é o caminho. Que frustração para Jesus... Há quanto tempo eles estavam com Ele, e ainda não tinham entendido sua proposta, não tinham assimilado que Ele é o caminho para o Pai, que aquele que vê o Senhor Jesus vê também o Pai. Hoje, os que se dizem seguidores do Cristo continuam cheios de incompreensões: são muitos os que não entendem que Jesus é o Caminho, ou seja, que é preciso seguir os seus passos, colocar-se a caminho, ser discípulo. Frequentemente, vemos o cristianismo ser confundido com práticas mercadológicas, ou ainda com formas que oferecem só o bem estar físico e mental, ou ainda com ritualismos arcaicos e fórmulas burocráticas. Não é raro verificar as pessoas e as instituições sendo colocadas no lugar do Cristo. O convite de Jesus nos faz rever a nossa prática religiosa.


O que Ele deseja? Ele gosta de gente caminhando, por isso fez o seu Povo peregrino, além de caminhar para Jerusalém. Lá Ele oferece a sua vida; seu caminho é a Páscoa. Por isso, reconhecer o Pai no Filho Jesus é descobrir que Deus habita em cada um dos homens e mulheres. Ele tem pressa pra ir, e vai para morte (o grão precisa morrer para gerar a vida!). Se quisermos seguir o seu caminho precisamos ser “hóstias vivas”, um “sacerdócio santo”: somos comunidade que realiza a continuidade da missão do Senhor (2ª. Leitura). Viver a Páscoa é saber morrer a cada dia...


Jesus é o caminho que nos leva ao Pai. Quem vê Jesus, vê o Pai. Sua verdade não são conceitos vazios, sua vida não vem das normas decoradas. Jesus é o caminho! Compreendamos sua vida, sua mensagem, seus gestos, suas palavras... Eis o centro da nossa pregação. Quem vê tudo isso, vê a Deus. Quem segue tudo isso encontra o próprio Deus e já vive em sua morada.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO