domingo, 17 de dezembro de 2017

TESTEMUNHAS DE JESUS: 3º DOMINGO DO ADVENTO


Em meio à escuridão de nossos tempos, necessitamos de “testemunhas” da luz que nos chega a partir de Jesus.

A fé cristã nasceu do encontro surpreendente vivido por um grupo de homens e mulheres com Jesus. Tudo começa quando estes discípulos e discípulas se põem em contato com Ele e experimentam “a proximidade salvadora de Deus”. É essa experiência libertadora, transformadora e humanizadora que eles vivem com Jesus que desencadeou tudo.

Sua fé foi despertada no meio de dúvidas, incertezas e mal-entendidos, enquanto o seguem pelos caminhos da Galileia. Foi ferida pela covardia e negação quando Jesus foi executado na cruz. Reafirma-se e torna-se contagiosa quando o experimentam cheio de vida depois de sua morte.

Se ao longo dos anos esta experiência não se transmite e se contagia de uma geração a outra, introduz-se uma ruptura trágica na história do cristianismo. Os bispos e presbíteros continuam pregando a mensagem cristã. Os teólogos escrevem estudos teológicos. Os pastores administram os sacramentos. Mas, se não há testemunhas capazes de transmitir algo do que se viveu no começo com Jesus, falta o essencial, o único que pode manter viva a fé nele.

Em nossas comunidades precisamos dessas testemunhas de Jesus. A figura do Batista, abrindo-lhe caminho no meio do povo judeu, nos anima a despertar hoje na Igreja esta vocação tão necessária. Em meio à escuridão de nossos tempos, necessitamos de “testemunhas” da luz que nos chega a partir de Jesus.

Crentes que despertam o desejo de Jesus e tornam crível sua mensagem. Cristãos que, com sua experiência pessoal, seu espírito e sua palavra, facilitem o encontro com Ele. Seguidores que o resgatem do esquecimento para torná-lo mais visível entre nós.

Testemunhas humildes que, a exemplo do Batista, não se atribuem nenhuma função que concentre a atenção em sua pessoa, roubando protagonismo a Jesus. Seguidores que não o suplantem nem o eclipsem. Cristãos sustentados e animados por Ele que deixem entrever, por trás de seus gestos e suas palavras, a presença inconfundível de Jesus vivo no meio de nós.

As testemunhas de Jesus não falam de si mesmas. Sua palavra mais importante é sempre aquela que deixam Jesus falar. Na realidade, a testemunha não tem a palavra. É só “uma voz” que anima todos a “aplainar” o caminho que pode levar-nos a Jesus. A fé de nossas comunidades também hoje se sustenta na experiência dessas testemunhas humildes e simples que, no meio de tanto desalento e desconcerto, irradiam luz, pois nos ajudam com sua vida a sentir a proximidade de Jesus.

Jose Antonio Pagola

Trecho do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.
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