sábado, 21 de abril de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: O BOM PASTOR


                          HOMILIA DO 4º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO  B


O pastor é uma imagem muito forte na Bíblia, pois ele resume tudo aquilo que um líder deve ser. Os reis, os sacerdotes e os profetas (figuras fortes do Antigo Testamento) deveriam se inspirar nesta figura: cuidar do seu rebanho, não deixar as ovelhas se extraviarem, curar as feridas, proteger, dar comida, gastar a vida por elas. Esta é a imagem do Novo Testamento que manifesta o que deve ser o líder. No Evangelho deste domingo, temos três personagens: o bom pastor, o mercenário e as ovelhas. Cada um de nós assume uma dessas figuras.


Um padre, um coordenador, um catequista, um pai ou uma mãe assumem a função de pastor. Todas as lideranças devem seguir o modelo de pastor que é o Cristo. O segredo é desejar o bem das ovelhas, pastoreando-as: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor da a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Santo Agostinho alerta que existem pastores que se apascentam a si mesmos; Aquele que pastoreia precisa sair de si mesmo, sair do egoísmo, e procurar sua alegria na felicidade da ovelha.


O mercenário não se preocupa com as ovelhas, mas consigo mesmo. É preciso estar alerta para verificar se estamos sendo verdadeiros pastores, ou se nos comportamos como mercenários. Devemos cuidar para não nos apegarmos às nossas funções, impedindo que outros tenham o seu espaço e tragam novas ideias. Por vezes, existem os que não querem sair do comodismo e, por isso, tomam posse dos cargos, até mesmo na igreja, por muitos e muitos anos. O mercenário é a imagem daquele que se aproveita das circunstâncias, que usurpa de sua oposição.


O terceiro personagem desta alegoria é a ovelha. Todos assumimos a função de ovelhas. Por isso, devemos reconhecer quem é o nosso pastor e escutar a sua voz, deixar-se guiar. Uma ovelha teimosa ou autossuficiente vai tomar seu próprio caminho, distanciar-se do rebanho ou irá influenciar de modo negativo as outras ovelhas.


Jesus diz que existem ovelhas que não são deste redil. Aqui se expressa o caráter missionário da Igreja, convidada a ser uma Igreja Samaritana, pois não se limita ao anúncio da Boa Nova apenas às pessoas que participam de nossas comunidades. Toda a humanidade pode entrar no redil do Cristo, e mesmo que não entre pelas portas tradicionais (os sacramentos e a participação na comunidade) também poderão receber nossa dedicação. Não são alvos da conversão proselitista, mas são caminhos para que os cristãos testemunhem a alegria de viver a Boa-Nova do Senhor Ressuscitado.


A segunda leitura nos fala que somos um rebanho de irmãos, filhos do mesmo Pai. Somos um rebanho que, embora já se alegre com esta graça, peregrina até que se manifeste a grandeza do que seremos. Então, seremos semelhantes a Ele, ou seja, ressuscitados e portadores da vida plena. Por enquanto, caminhamos seguindo o Bom Pastor, encontrando mercenários, decepcionando-nos com as ovelhas, reconhecendo-nos insuficientes. Muitas vezes tentados a desistir de lutar, mas a esperança da eternidade nos anima a edificarmos a vida no mundo, sem nos deixarmos abater, até que vejamos o Senhor tal como Ele é (cf 1Jo 3,2).

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.




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quarta-feira, 18 de abril de 2018

GAUDETE ET EXSULTATE: NOVA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO



Uma Exortação Apostólica é um documento pastoral por meio do qual o Santo Padre se dirige a comunidade católica. Em geral, ela fornece indicações ou orientações sobre algum aspeto específico da vida da Igreja. 

Gaudete et exsultate (Alegrai-vos e exultai) é a nova exortação apostólica do Papa Francisco. Apresentado pelo Vaticano no dia 9 de abril, o documento sobre a chamada à santidade no mundo atual, repete as palavras de Jesus aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele (Mt 5, 12).

Desta vez, o Papa toca o coração de cada pessoa, as donas de casa, os trabalhadores liberais, os trabalhadores manuais, os estudantes, os cientistas, os agricultores, os esportistas, os professores: “somos convidados a reconhecer-nos ‘circundados de tal nuvem de testemunhas’, que incitam a não nos deter no caminho, que nos estimulam a continuar a correr para a meta. E, entre tais testemunhas, podem estar a nossa própria mãe, uma avó ou outras pessoas próximas de nós”.

Organizado em cinco capítulos, o documento junta-se às outras duas Exortações que o Papa publicou em anos anteriores: Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), em 2013; e Amoris Laetitia (A Alegria do Amor), em 2016.

No entanto, esta última tem três particularidades: está diretamente dirigida a cada leitor, por meio do uso da expressão informal “tu”; utiliza uma linguagem direta; e tem uma estrutura simples e prática. Nesta ocasião, também se decidiu acompanhar o lançamento com um vídeo que destaca os principais aspectos do documento [veja ao final do texto]. “Meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades”, diz o Papa Francisco nas primeiras linhas da Gaudete et Exsultate.

O documento começa com uma revisão e um lembrete sobre o que significa a chamada à santidade e, nesses parágrafos iniciais, enfatiza que não é um caminho apenas para pessoas religiosas ou consagradas, mas para todos. Nos demais capítulos, centra-se nos modos de viver a santidade e assegura que Jesus dá os pontos-chave, por meio das bem-aventuranças. Além disso, destaca diferentes virtudes humanas, como a paciência, a mansidão, a alegria, a luta interior e o sentido de humor.

O Papa também se refere a outros perigos que surgem: “é também uma luta constante contra o demônio, que é o príncipe do mal”. No entanto, o seu olhar é positivo e esperançoso: “neste caminho, o progresso no bem, o amadurecimento espiritual e o crescimento do amor são o melhor contrapeso ao mal. O caminho da santidade é uma fonte de paz e alegria que o Espírito nos dá”.


Faça download da Exortação Apostólica Gaudete et exsultate

Assista o vídeo sobre o documento produzido pelo Vatican Media:




sexta-feira, 13 de abril de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: POR QUE AINDA DUVIDAS?


                                HOMILIA DO 3º DOMINGO DA PÁSCOA


Os discípulos de Emaús e voltaram para a comunidade e contaram a experiência que tiveram no caminho. Aqueles que tiveram o coração abrasado pela Palavra e que reconheceram o Senhor no partir do Pão estavam tão maravilhado, que não podiam deixar de contar aos amigos sua experiência. A Igreja faz isso há séculos: conta a história do passado, transmite seu legado marcado pela experiência de fé de homens e mulheres. Mais do que isso: faz a memória do passado, atualiza a história da salvação, a presença do Cristo Ressuscitado.


Porém, o anúncio dos discípulos não foi o suficiente. Mesmo a aparição do próprio Cristo não tirou todas as dúvidas do coração da comunidade reunida. O texto do Evangelho nos diz que estavam tão alegres que ainda não foram capazes de acreditar no que viam. No dizer popular: era bom demais para ser verdade! Jesus deseja dissipar o medo, mas ainda encontra discípulos vacilantes, que tardam em acreditar. Mesmo diante dos sinais da vitória do Senhor, somos ainda tantas vezes tardos em crer.


A aparição de Jesus tem um aspecto pedagógico importante. O Senhor insiste sobre sua presença real: os discípulos podem O tocar e verificar que Ele tem carne e osso, que pode comer peixe assado. Portanto, não é uma aparição fantamasgórica.
Esta insistência de Jesus mostra a continuidade entre o Ressuscitado e o Jesus humano. A ressurreição é uma nova realidade – Jesus não está condicionado ao tempo e ao espaço, mas o Ressuscitado é o mesmo Jesus que comia, bebia e conversava com sua comunidade de discípulos, o mesmo que morreu na cruz. Por isso, traz nas mãos e pés as marcas da crucificação. Os pés surrados que calçavam rudes sandálias e que o levaram pelas estradas empoeiradas da Palestina. As mãos que tanto acolheram e mostraram amor. Mãos e pés agora feridos por chagas estão presentes no corpo do Ressuscitado. Também nossas mãos deveriam ter as marcas do amor, e nossos pés os instrumentos dos passos de entrega.


A Páscoa é a junção da vida, morte e ressurreição de Jesus. Este é o anúncio querigmático dos apóstolos: “Este Jesus que viveu entre nós, por nós condenado e morto, ressuscitou, está vivo!” A Igreja iria proclamar a totalidade do mistério. Seria um erro enfatizar apenas uma destas duas etapas da vida de Cristo. Por um lado, os discípulos poderiam ficar com saudade do Jesus que vivia com eles (em um dos relatos Jesus pede que Maria Madalena não o detenha  no seu retorno ao Pai). Por outro, poderiam ficar com a felicidade da ressurreição e esquecer de todas as ações e palavras de Jesus de Nazaré. Hoje se corre o risco de uma visão unilateral sobre Jesus. Muitos têm apenas o Cristo da Glória e vivem uma fé vertical ou que se limita a uma experiência religiosa sem consequências na vida. Outros têm Jesus como um mestre, mas perderam a dimensão da fé Naquele que venceu a morte e está conosco presente até o fim dos tempos.


Sem isolar alguma dimensão de Cristo, acreditamos que a vida de Deus encarnado se dá no cotidiano, na nossa inserção no mundo e no enfrentamento das cruzes do dia a dia. Por outro lado, temos a certeza que a vida com suas contingências será superada pela vida nova oferecida pelo Senhor ressuscitado. Mas somente chegaremos à glória pela cruz. Assim, não existe vida e morte sem ressurreição, como não existe ressurreição sem a nossa história. A Palavra nos convida a viver a totalidade do mistério cristão, oferecendo nossa vida, enfrentando as lágrimas da existência, enquanto esperamos a vitória de toda dor e sofrimento.


Diante do mistério da cruz e ressurreição, não podemos ficar de braços cruzados. No final do discurso de Pedro, há um convite à conversão. A segunda leitura nos convida a romper com o pecado.  Jesus, o Cristo, convida-nos a não termos medo. Que o Tempo da Páscoa nos traga vida nova de ressuscitados. Que vençamos as mortes diárias e enchamos o mundo  com a Ressurreição, com a vida de Deus.


Pe. Roberto Nentwuig
Arquidiocese de Curitiba - PR

    
    FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.




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sexta-feira, 6 de abril de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: MEU SENHOR E MEU DEUS...



                                  HOMILIA DO 2° DOMINGO DA PÁSCOA

A Carta de João nos faz um convite: crer que Jesus nasceu de Deus. A fé é um dom e também uma jornada. Ao longo da nossa vida, esta graça será aprimorada. Muitas vezes, caímos na noite escura da fé quando Deus parece estar longe. Mesmo vendo os sinais da vitória do Senhor, podendo às vezes perceber apenas o sepulcro vazio como o fez Maria Madalena ao chegar diante dos panos de linho jogados no chão. O desafio da vida de fé é deixar-se provar, é acreditar diante da aparente derrota, é ter a coragem de ousar crer de um modo diferente. Não que devamos abraçar novas verdades, mas crer nas mesmas verdades com o espírito renovado e com nova visão. Nossa relação com Deus amadurece com o passar dos nossos anos.


Tomé quis ter acesso às provas. Não ousou acreditar sem colocar os dedos nas chagas. Hoje é tão difícil falar das realidades que não podem ser vistas nem comprovadas pela razão científica. Ainda hoje procuramos provas: milagres, fatos extraordinários, declarações científicas sobre o sudário, entre outras. Nossa relação com Deus não pode depender de nada disso. A fé um salto no escuro, é uma ousadia que nos merecer uma bem-aventurança: “Felizes os que acreditam sem terem visto.” (Jo 20, ]29)


Tomé é o símbolo da comunidade que não viu o Jesus histórico, nem o Cristo ressuscitado. Talvez houvesse disputas entre aqueles que foram testemunhas da vida de Jesus e aqueles que entraram na comunidade muito tempo depois. Por isso, há uma grande preocupação da pregação apostólica em mostrar que o que estava sendo anunciado não era um fato do passado, mas que o Cristo continuava vivo e realizando sinais (primeira leitura) e que todos poderiam fazer a mesma experiência dos apóstolos. Assim, há um significado especial na única bem-aventurança do Evangelho de João que proclama a felicidade dos que são capazes de ver a presença do Ressuscitado na Palavra que é proclamada, no Pão e Vinho consagrados, na comunidade reunida.


Tomé não estava com a comunidade. Isto é significativo, pois só se pode fazer a experiência do Ressuscitado estando na comunidade. Os Atos dos Apóstolos nos testemunha que a comunidade cristã, pela obra do Espírito, anunciava, curava, vivia a caridade e a partilha. A comunidade é mediadora dos sinais da ressurreição. Nela o Senhor está presente.


O presidente da celebração convoca: “O Senhor esteja convosco!” A comunidade responde: “Ele está no meio de nós!” Ele realmente está em nosso meio. Cada um de nós pode fazer a experiência do primeiro dia da Semana: receber o Espírito e o perdão dos pecados, o shalom do Cristo, pode celebrar e alimentar a vida com os dons eucarísticos e com a Palavra.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.




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terça-feira, 27 de março de 2018

TRANSPARÊNCIA TOTAL COM OS RECURSOS DA IGREJA



A prisão de um bispo e de vários padres, na Diocese de Formosa em Goiás, por suspeita de desvio de dinheiro, mostra o quão frágil é a administração e a gestão de muitas comunidades.

A suspeita que recai sobre eles é do desvio do dinheiro do dízimo e das contribuições dos fiéis. Algo em torno de R$ 1,5 milhões. Um escândalo. Imagine ao ver uma notícia dessas em programas de grande audiência como o Fantástico, ou Jornal Nacional, como é que as pessoas se "empolgam" para fazer uma doação no dia nacional da coleta, como foi o pedido da Igreja em todo o Brasil no último domingo, em pleno dia de Ramos? Um constrangimento dos maiores. 

No caso específico da Diocese de Formosa em Goiás, a denúncia foi feita por 30 leigos da comunidade. Pelo que fiquei sabendo, primeiro eles fizeram a denúncia para a própria Igreja, que não fez nada. Depois, cansados de ver as falcatruas e ninguém fazer nada, foram até o Ministério Público onde fizeram denuncia oficial. E o resultado final, foi esse: o Bispo e cinco padres tiveram prisão preventiva decretada e ainda estão presos.

Há quem ainda se incomode quando alguém sugere a criação de conselhos financeiros dentro de paróquias, ou até mesmo conselhos fiscais, daqueles que fiscalizam mesmo as contas e toda e qualquer movimentação financeira. É bom lembrar, que os padres não são formados para gestão de negócios, mas sim, para a gestão de pessoas. A Igreja não é um negócio. E nem um padre ou um bispo, ninguém é o dono de uma comunidade. Mas acontece que ser gestor de uma comunidade, é também saber gerir recursos, orçamentos e prestação de contas. Lidar com o dinheiro de todos, é algo muito sério e isso não vale apenas para o setor público. Quando a gente fala da gestão do dinheiro, mesmo dentro da Igreja, é preciso transparência total, em qualquer lugar. Por isso, desde que eu me conheço como liderança pastoral, volta e meia o assunto é esse: "Onde foi parar o dinheiro da festa?" "Onde foi parar o dinheiro do dízimo?".

Não podem existir dúvidas, precisamos falar às claras sobre o dinheiro do dízimo, das festas, das rifas, das ações que a comunidade faz em busca de recursos para fazer frente as suas despesas. Isso é gestão. Uma paróquia é formada por várias pessoas, que trabalham de forma anônima, gratuita, para fazer com que as coisas andem. E a gente precisa deste "bendito" dinheiro para sobreviver. Por causa de dúvidas, de falta de esclarecimento e transparência, muitas pessoas desistem da caminhada de evangelização, se incompatilizam com a própria comunidade. A Igreja mesmo, vendo que precisa melhorar este aspecto, tem publicado documentos onde se fala muito de gestão e da responsabilidade com os recursos da comunidade.

Assim como nos inúmeros conselhos, pastorais, encontros, retiros, reuniões falamos de tantas coisas, de tantos caminhos que podemos ou não seguir, acredito que precisamos falar às claras sobre questões financeiras da comunidade. Qual é o caixa? Que total de recursos temos? Quais as nossas necessidades materiais? Onde é investido o dinheiro da comunidade? Onde está a prestação de contas? Quem fiscaliza? Quem presta contas disso? Como podemos ter acesso a estas informações? Quais são as responsabilidades de cada um? E acontece de não se abrir as contas para ninguém... Não pode ser assim. O caixa de uma comunidade, não pode ficar apenas nas mãos de alguns "donos", que chamam para si todas as responsabilidades e decisões.

Hoje eu sou presidente da Câmara de vereadores de Caxias do Sul. O orçamento por aqui é de quase R$ 40 milhões por ano. Tudo precisa ser feito de forma clara. Eu não assino um documento ou cheque sem saber exatamente o que é, qual a necessidade daquele gasto. Somos auditados pelo tribunal de contas, pela controladoria interna, enfim, precisamos fazer as coisas certas. Mas isso só não basta: precisamos deixa transparente nossas ações para que todos possam ter acesso, afinal de contas, lidamos com dinheiro público. Por isso, continuo defendendo que existam conselhos econômicos em cada comunidade, que sejam idôneos, neutros, que fiscalizem com olhar caridoso tudo aquilo que é da comunidade.

Uma comunidade não pode ser apenas de um padre, de um bispo, de um ecônomo. Precisamos de uma vez por todas, falar sobre estas questões com tranquilidade. Transparência no trato de recursos de uma comunidade, deve ser um assunto rotineiro e não um bicho de sete cabeças. Cuidar disso, é cuidar das pessoas. Fiscalizar, zelar pelo que é da comunidade, é também um ato cristão, evangelizador.

Alberto Meneguzzi
Catequista e Jornalista
Vereador em Caxias do Sul – RS.

segunda-feira, 26 de março de 2018

SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO


Você escreve a lápis ou a caneta?
Estamos nestas últimas semanas da Quaresma, vivendo com intensidade os sacramentos da Iniciação. Isso porque, pelo processo catecumenal, é o tempo ideal para os sacramentos. Assim, teremos a nossa Crisma no dia 31 de março, Sábado Santo.
E neste último sábado (24/03), que precede esta data tão importante para os crismandos, tivemos uma pequena celebração penitencial com Frei Alexandre, pároco da nossa comunidade, preparando mentes e corações para a confissão. E tal como nossas crianças, me vi "maravilhada", ouvindo e sentindo, o que é estar próximo de receber mais essa graça e este sinal de fé da Igreja Católica.
E entre tanta sabedoria que ali ouvi, destaco uma reflexão:
Frei Alexandre comentou que muita gente continua vivendo o sacramento da reconciliação como "quem ainda escreve a lápis"... 
E ele perguntou se a gente lembrava de quando trocou o lápis pela caneta na escola. 
Qual foi a sensação?
Era bom escrever a lápis, né?
E que medo de começar a escrever com a caneta!
Por que? Porque quando escrevemos a lápis, sabemos que tem borracha para apagar os erros rapidinho. 

Já a caneta, exige segurança, maturidade. Não se apaga facilmente uma escrita de caneta... no mínimo a gente acaba mesmo, rasgando a folha ou borrando tudo.

E é assim que muitas pessoas encaram o sacramento da confissão/reconciliação. Pensam e vivem "escrevendo a lápis", errando e refazendo, às vezes, até os mesmos erros. Afinal, dá pra apagar mesmo! E lá vamos nós pensando que podemos errar sempre que Deus perdoa sempre, é só ir ao confessionário. E continuamos a escrever nossa vida “a lápis”...
Não seria melhor "escrever de caneta"? Tentando fazer tudo certo, nos esforçando para não errar? E é assim, tem muito adulto ainda escrevendo de lápis a vida, vivendo uma fé infantil, imatura, achando que pode errar, é só apagar... E o confessionário vira borracha...


Ângela Rocha
Catequista 




sexta-feira, 23 de março de 2018

LANÇAMENTO!!! APOSTILA ITINERÁRIO CATEQUÉTICO

OLHA A NOVIDADE!!!




FORMAÇÃO BÁSICA PARA CATEQUISTAS - MODULO III: “Itinerário Catequético”

CONTEÚDO:
Apresentação
01 – Itinerário Catequético: o que é?
TEXTO DE APOIO - Lugares privilegiados de catequese
02 – Orientações sobre o itinerário Catequético
TEXTO DE APOIO - Um processo de inspiração catecumenal
TEXTO DE APOIO - Lugares e organização da Catequese – Cap. 8º DNC.
04 – IVC - Iniciação à Vida Cristã
TEXTO DE APOIO - Documento de Aparecida - itens 286 a 300
04A – Começando a “desenhar” o mapa
04B – Preparando-se para caminhar - Métodos
TEXTO DE APOIO – As sete pedras fundamentais da Catequese
05 – Destinatários/Interlocutores da catequese
06 – Catequese com jovens, adolescentes e crianças
07 – A Família no DAp e no DNC
08 - A catequese e a comunidade
TEXTO DE APOIO – O Itinerário no DNC
09 – Formação de Catequistas
10 – Construção dos conteúdos da catequese

ANEXOS (opcional):

Nós construímos para você conforme a organização da sua catequese...

- Roteiros temáticos para a Catequese de Eucaristia
- Roteiros temáticos para catequese de Crisma
- Roteiros temáticos para catequese de perseverança
- Roteiros temáticos para pré-catequese (antes dos 9 anos)
- Roteiros temáticos para catequese de adultos

OBS. Os roteiros são apenas de TEMAS (leituras bíblicas sugeridas, doutrina, liturgia), não acompanha o desenvolvimento do encontro. 

* Para que seja construído o temário é necessário informar a quantidade de etapas e de encontros de cada etapa: Eucaristia, crisma, pré-catequese e perseverança, adultos.


Consulte os valores pelo e-mail:





MÍDIAS DIGITAIS: NOVOS SUJEITOS, NOVOS CATEQUISTAS



Comunicação significa “com – múnus”, aquilo que é compartilhado, ou seja, um dom pessoal ofertado a outro ou um dever de todos para com todos. A comunicação, na sua essência, tem o objetivo de criar comunhão, estabelecer vínculos de relações, promover o bem comum, o serviço e o diálogo. Já aprendemos que o “encontro suscita o anúncio”. Santo Agostinho nos disse: “Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. ”

Eu é isso que eu vejo no Grupo Catequistas em Formação, que atua hoje nas redes sociais e no Blog Catequistas em Formação. Vejo a Igreja agindo por intermédio de leigos catequistas, atingindo pessoas nos cantos mais remotos do país. E é um trabalho feito exclusivamente por LEIGOS, catequistas e agentes de pastoral que assumiram esta missão na Igreja.

Primeiro, teve o encontro, mesmo que virtual. Antes, porém, um objetivo comum, ou seja, a evangelização, porque a Igreja existe para evangelizar. Depois do encontro, o anúncio. Às vezes, pode até parecer que o anúncio não está acontecendo. Mas está, e de forma concreta ele acontece entre nós por aqui. De que forma? Em cada curtida, em cada postagem que é compartilhada, cada comentário, um vídeo que seja visualizado, uma foto, uma frase, um texto, uma provocação, uma reflexão a respeito da nossa missão, a nossa interação uns com os outros, tudo isso transforma o encontro em anúncio. A nossa manifestação, mesmo que tímida - às vezes nem aparece - é, ao mesmo tempo, um recado ao mundo de que nesta imensidão de coisas, de fatos, informações, nesta “loucurada” que se transformou a internet, há também gente disposta a fazer as coisas diferentes.

No marketing se diz: onde existe uma necessidade, existe também uma oportunidade. E esta oportunidade se mostra quando olhamos os números alcançados pelo blog. Mais de QUATRO milhões de visualizações, num blog voltado aos catequistas, é a prova da necessidade de Deus, de uma mensagem mais humana, de caminhos diferentes, de palavras que tocam mais o coração, de transformação da sociedade. Estes quatro milhões de visualizações num blog evangelizador, direcionado para catequistas, organizado por leigos, atualizado por colaboradores; é raro, impensável, é quase para não se acreditar.

A cultura digital que está estabelecida nos dias de hoje, nos desafia a reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Isso significa favorecer a comunhão e a cooperação entre as pessoas. E a Igreja nos pede, que tenhamos uma atenção especial às crianças e aos jovens. Então, estamos no caminho certo, e isso é ótimo. Estamos, também, e isso é louvável, fugindo daquilo que os especialistas em comunicação chamam de “lógica do mercado”, ou seja, tudo aquilo que a gente vê nos veículos de comunicação de massa: monopólio, lucro, modelos distorcidos, busca obsessiva por ouvintes, telespectadores e leitores e com isso, uma despreocupação com a qualidade da programação, com uma comunicação social vulgar e banalizada. Não é isso que temos aqui, não é isso que queremos ao propagar o projeto de Deus através de um blog. Aliás, o que queremos aqui é justamente o contrário da lógica do mercado: formar cristãos capazes de anunciar a palavra e dar voz aos que dela são privados.

Por isso, um número como esse de visualizações, num blog voltado aos catequistas, é um feito a ser comemorado e, ao mesmo tempo, nos desafia a pensar além. Existe uma necessidade bem clara, e a oportunidade de evangelizar, de tocar corações e transformar o mundo, é agora, não pode ser amanhã, não podemos postergar. Somos comunicadores por excelência. A catequese hoje não nos pede que sejamos discípulos, missionários, apóstolos, evangelizadores?  Então, o catequista deve ser um facilitador neste processo, um mediador, um facilitador da comunicação e não um dificultador. O dom do discipulado, é ser comunicador. Estamos imersos num mundo digital, isso não tem volta, não adianta lutar contra. Mas é bom que saibamos e lembremos algo: o anúncio de uma mensagem, seja ela em qual plataforma for, está intimamente ligado e vinculado a um testemunho coerente por parte que de quem anuncia.

Os meios de comunicação, devem servir ao ser humano e isso significa, conhecê-lo e principalmente amá-lo. Com isso, sejamos cada vez mais, novos sujeitos também por intermédio das mídias digitais. Dá sim, para construir amizades autênticas por aqui e transformar este mundo em algo melhor. O nosso grupo, dos Catequistas em Formação, é prova disso.

Alberto Meneguzzi*
Jornalista e Vereador em Caxias do Sul – RS.
* Catequista e Jornalista – Membro do Grupo Catequistas em Formação (www.catequistaemformacao.com)

HOMILIA: DOMINGO DE RAMOS



                   
                        HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS – ANO B


A celebração do Domingo de Ramos nos traz duas ideias antagônicas que estão ao mesmo tempo unidas: a exaltação e a humilhação. São duas realidades humanas experimentadas em várias ocasiões da vida.


Jesus, como qualquer ser humano, passou por estes dois extremos e as consequências foram decisivas para a sua vida terrena. O mesmo povo que exaltou o Senhor em sua entrada triunfante em Jerusalém, abandonou-O  no seu momento derradeiro, e até mesmo O condenou. O final da vida de Jesus nos mostra que o aplauso fácil não nos garante absolutamente nada.


Aqueles que fazem algum feito extraordinário, os que manifestam competência são aplaudidos. Mas nem todo aplauso denota verdadeiro reconhecimento. Em muitos casos, os aplausos significam bajulação, adulação interesseira. Assim, também os incompetentes são ovacionados, se possuem algum poder. Ao carregar ramos nas mãos, podemos refletir sobre as ocasiões que elogiamos de modo fácil os outros e quando recebemos aplausos vazios.


Por outro lado, existe a humilhação. Os mesmos lábios que elogiam podem insultar, as mesmas mãos que aplaudem podem bater, a mesma presença alegre pode se transformar na tristeza da solidão. Em muitas ocasiões nos sentimos derrotados, oprimidos, humilhados.


Como Jesus encarou estas realidades? Jesus não escolheu o poder, não escolheu a fama, nem o elogio, não assumiu uma atitude triunfalista. Seu desejo não era encabeçar uma revolta, mas sim uma reforma radical. Jesus não tinha a intenção de mudar a realidade por meio da violência: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas Ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de um escravo”(Fl 2, 6-7). Se a exaltação do povo foi o caminho para a humilhação de Jesus, o esvaziamento humilde do Senhor foi o caminho para a sua exaltação: “Por isso, Deus o exaltou sobremaneira” (Fl 2,9).


As escolhas de Jesus nos levam a refletir sobre nossas escolhas. Também podemos escolher estar em evidência, escolher o reconhecimento. Podemos aplaudir indevidamente ou sermos aplaudidos. Podemos escolher uma atitude religiosa de êxtase, de gratificação fácil. Podemos também projetar nossas esperanças em algum líder revolucionário ou em um pregador. Outra possibilidade é escolher aquilo que não aparece e que não tem valor. Podemos escolher a discrição, o serviço simples sem reconhecimento. Podemos escolher o caminho doloroso da cruz para que o Senhor nos exalte. As escolhas constituem um paradoxo: o triunfo fácil nos destrói, enquanto o caminho da cruz nos leva à vida.


Jesus assume nossa vida e nossa dor. Seu coração chagado não apenas sentiu a lança, mas o abandono. Sentiu-se abandonado pela multidão, pelos discípulos, pelo próprio Deus. No seu abandono tornou-se solidário nos maiores dramas do ser humano: o abandono da morte. No total abandono do Senhor, no seu silêncio, alguém reconhece que Ele é o filho de Deus. O Evangelho de Marcos narrou várias vezes Jesus se opondo àqueles que reconheciam que que era Ele o Messias, pois o faziam de modo indevido, sem entender o que realmente é o messianismo. Sua verdadeira messianeidade se revela na cruz, na sua humildade, na sua kenosis, no seu rebaixamento total, no enfrentamento da violência com o silêncio do amor, na sua doação total. O Rei-Jesus verdadeiro não é reconhecido em uma entrada triunfal sob aplausos da multidão, mas na sua capacidade de amar revelada na Santa Cruz.


Hoje podemos continuar aplaudindo o Senhor, enquanto somos passivos diante da dor humana, diante dos crucificados que surgem diante de nós pedindo uma palavra, um consolo, um gesto de amor. Também poderemos tentar encontrar o Filho de Deus sem cruz, sem o verdadeiro significado de sua existência e missão. Os ostensórios dos altares correm o risco de tornar a imagem de um Jesus aplaudido por uma multidão inconsciente sobre a verdade mais profunda do Filho de Deus.


A atitude do filho de Deus continua sendo desconcertante. O Senhor nos revela que as luzes do prestígio e da fama são efêmeras, secundárias. Só pode montar num jumentinho quem é muito consciente de sua grandeza interior, aquele que não se importa com as aparências.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR  
   


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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segunda-feira, 19 de março de 2018

SÃO JOSE: FIEL À VONTADE DE DEUS


Neste dia 19 de março, a Igreja celebra solenemente São José, esposo da Virgem Maria. “A admiração silenciosa e o culto firmado a São José têm as suas fundamentações, que devem ser como que garimpadas em meio às alternâncias da história e das vicissitudes do povo de Deus”, diz Frei Hugo D. Baggio. E, segundo o frade, como a Abraão, dele também foi exigida uma carga de fé quando se viu diante do inexplicável mistério. “E ele suportou a prova, venceu o teste. Ficou firme na sua posição, enfrentou o futuro, e a partir daí entrou em cheio na vida de Cristo e de Maria. Exige-se uma sensibilidade muito afinada com a vontade de Deus para perceber suas ordens através de sinais. E José o fará muitas vezes, sempre no silêncio”.

É esse silencioso “sim” que aborda Leonardo Boff, autor de um belo livro sobre São José, publicado pela Editora Vozes. “Esse silêncio não é mutismo de quem não tem nada a dizer. José teria muitíssimo a dizer. Ele, sendo justo, no sentido que aclaramos acima, certamente irradiou ao seu redor mais pelo exemplo que pelas palavras. Entretanto, quando as coisas são grandes demais, simplesmente calamos”, diz o teólogo.

Frei José Ariovaldo da Silva faz uma introdução detalhada de como nasceu a devoção ao esposo de Maria no Oriente e no Ocidente até se espalhar por todos os recantos do mundo cristão. “É muito bom sermos profundamente humanos em nossa vida espiritual. Pensar e viver a vida espiritual também com o coração! E quem assim fizer, sem dúvida encontrará em São José a figura de um pai extraordinariamente bom, inspirador de confiança, animador da esperança, e, sobretudo, criador de serenidade decidida. Parece que a história da devoção a São José nos ensina isso”, diz Frei José, refletindo também liturgicamente a solenidade.

Pe. Pe. Johan Konings, SJ, também comenta a liturgia do dia: “São José aparece como o homem responsável, fiel e prudente, a quem Deus confiou seu Filho. Nós temos o costume de achar que responsabilidade só diz respeito ao que nós mesmos fazemos. Mas muito maior é a participação quando nos tomamos responsáveis por aquilo que não tem em nós a sua origem”, observa.

Na sua reflexão, Frei Almir Guimarães destaca José como aquele a quem foram confiados os mistérios da salvação: “A criança que nasce de Maria, que precisa de leite, de pão, de atenções, de cuidados será objeto das atenções de José que chamamos de Pai nutrício do Filho de Deus feito carne. José será o homem da ação de todos os dias e da ininterrupta contemplação dos adoráveis mistérios de Deus”, observa Frei Almir.

Citada pelos articulistas deste Especial, não poderíamos deixar de apresentar a bela exortação apostólica de São João Paulo II, sobre a figura e a missão de São José: Redemptoris Custos.

Encerramos o Especial com uma oração a São José e a música “Meu Bom José” de Rita Lee. Boa leitura!


Oração a São José

Anuncia, ó José, ao teu antepassado Davi 
as maravilhas: tu que viste a Virgem dar à luz, 
tu que adoraste com os reis magos,
tu que glorificaste com os pastores,
tu que foste instruído pelo anjo suplica a Cristo-Deus,
para que salve as nossas almas!

(da Liturgia Bizantina)


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FONTE: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

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