sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

SOBRE A "PERMANÊNCIA" DOS NOSSOS ADOLESCENTES E JOVENS NA IGREJA...


E não é de hoje que ouço falar nisso como um "problema" quase que geral das nossas comunidades.

É certo que a grande maioria dos adolescentes "debanda" da Igreja após o sacramento da Crisma. E isso acontece pelo simples fato de que a evangelização destes, não está completa. E nem poderia estar pelo fato de que eles ainda são muito jovens e ainda não tem maturidade para pensar ou se envolver no "seguimento" que a Igreja pede. Nem mesmo um adulto está preparado para viver o "vem e segue-me", que dirá uma criança!

Mesmo em dioceses onde os bispos colocaram a catequese de crisma um pouco mais tarde, aos 15, 16 anos; vemos que a adesão não é completa e muito menos leva a um seguimento 100%. Esporádico e tardio, muitas vezes.

Onde vemos iniciativas bem-sucedidas de grupos de jovens e adolescentes, percebemos que, muitas vezes, ela depende de lideranças comprometidas, que se esforçam para que os grupos perseverem... Mas, estas lideranças "crescem", deixam de ser adolescentes e jovens e passam a ser adultos um dia. Se não há uma preocupação para que outros jovens substituam estas lideranças, os grupos "morrem".

Outra coisa que se pode perceber, é que os crismandos que aderem a estes grupos são, na verdade, filhos de famílias que estão na Igreja: ministros, catequistas, agentes de pastoral, paroquianos fiéis. Ou seja, há um suporte familiar e uma certa "tradição" por trás disso. Sem o apoio da família, a cumplicidade de amigos com as mesmas afinidades, os jovens acabam procurando outras atividades mais ao "gosto" do mundo secularizado.

O que não podemos fazer é nos achar "fracassados" se nossos adolescentes simplesmente somem da Igreja. A evangelização não é só "responsabilidade" do catequista. Ela precisa de vários fatores conjuntos: Um anúncio e uma pré-evangelização dada pela família ou grupo onde vivem; um apoio irrestrito de lideranças eclesiais e; a oportunidade de "serviço" para que o seguimento a Cristo aconteça.

Em nossa falácia de "sumiram após o sacramento", muitas vezes não pensamos que para "ficar", é necessário ter um "aonde". E esse lugar, não é em grupos e pastorais que trabalham exclusivamente em seus "quadrados", não é em grupos formados por "panelinhas" sem abertura para o novo, para aquele que chega e nem sempre faz parte da "gangue".

Não considero difícil fazer com que um adolescente permanecer na Igreja. Difícil é fazer dele um adulto "comprometido" com a sua fé, uma pessoa de fé "madura", que não balance ao sabor de ventos contrários.

Ângela Rocha



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