terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A QUARESMA E OS CATECÚMENOS



SÉRIE: Catequese de Adultos

Aproximadamente 350 anos d.C., a Igreja começou a organizar uma preparação muito cuidadosa para o Batismo: o catecumenato. Os catecúmenos deviam passar por um longo período de preparação. Durante dois ou três anos deviam frequentar fielmente a catequese, depois, deviam comprometer-se a levar uma vida honesta e fiel à Igreja para mostrar que seu desejo de se tornar cristão era sincero.

Cada comunidade celebrava os batizados somente urna vez durante o ano, na noite da Páscoa. Era a famosa Vigília Sagrada, da qual falava Tertuliano, transcorrida na oração e na meditação da Palavra de Deus e concluída pela manhã, com a celebração eucarística, da qual participavam, pela primeira vez, também os recém-batizados.

Sendo que a celebração do batismo constituía a parte central da cerimônia da noite da Páscoa, a Quaresma assumia uma importância especial para os catecúmenos. Para eles constituía a última etapa antes de receber esse sacramento (Tempo da Iluminação e Purificação no processo catecumenal).

Durante esses 40 dias, eles recebiam a catequese todos os dias. Quem os instruía não era um catequista qualquer, mas o próprio Bispo. Durante esse período participavam também de muitas cerimônias e tinham algumas reuniões, nas quais eram submetidos a “exames” (escrutínios). Verificava-se se tinham assimilado as verdades fundamentais da fé e avaliava-se se a vida deles era coerente com aquilo que professavam.

O encontro mais importante tinha lugar na quarta-feira da quarta semana. Era chamado “o grande exame” ou escrutínio. Nesse dia — dizia-se — “eram abertos os ouvidos”, porque a eles eram ensinados o “Creio” e o “Pai-nosso”, que constituem a síntese de toda a doutrina cristã, (razão do Rito do “Éfeta” ou “abra-se”). Se não tivermos presente que a Quaresma devia servir como preparação aos catecúmenos, não conseguiremos entender plenamente o conteúdo das leituras deste período litúrgico.

Os escrutínios, solenemente celebrados aos domingos, t~em em vista o duplo fim de descobrir o que houver de imperfeito, fraco e mau no coração dos eleitos, para curá-los; e o que houver de bom, forte, santo, para consolidá-lo. Os escrutínios são orientados para libertar do pecado e do demônio e confirma no Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida dos eleitos.

As entregas, pelas quais a Igreja confia aos eleitos os antigos documentos da fé e da oração, isto é, o Símbolo (Credo) e a Oração do Senhor (Pai Nosso), visam a sua iluminação. No símbolo, que recorda as maravilhas realizadas por Deus para a salvação dos homens, o olhar dos catecúmenos se enchem de fé e alegria. Na Oração do Senhor, percebem melhor o novo espírito de filhos pelo qual, sobretudo na reunião eucarística, darão a Deus o nome de Pai.

Os textos bíblicos de fato foram escolhidos sobretudo para aqueles que se preparam para o batismo (falam da água, da luz, da fé, da cegueira, da unção com o óleo, da renúncia ao pecado, da vitória de Cristo sobre a morte...).

Os catecúmenos são como filhos que estão para nascer. A mãe (que é a Igreja, isto é, a comunidade) lhes dedica toda a sua atenção. “Prepara” o alimento da palavra de Deus especialmente para eles, para o seu paladar, para as suas necessidades. E toda a comunidade é convidada a comungar espiritualmente com eles, orando e acompanhado as celebrações. A eles é proporcionada a oportunidade para meditar sobre as verdades fundamentais da própria fé e sobre os compromissos (às vezes um pouco esquecidos) assumidos no dia do próprio batismo.

Ângela Rocha
(Texto adaptado)

RICA - Ritual de Iniciação Cristã de Adultos.

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