quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Por todos...
os que vão viver esta quarta feira em cinzas, cobertos delas, com elas na boca e no suor.
Por todos...
os que habitam terras queimadas e destruídas, onde o pó não se acumula nas louças mas, na alma.
Por todos... 
os que foram roubados a ponto de a vida toda que interessa lhes caber num saco de pano que se põe ao ombro. 
Por todos ... 
os que terraplanamos diariamente por interesses financeiros ou por pura maldade. 
Por todos ... 
os que em toda a história foram queimados, vivos, como castigo ou exorcismo de diabos que estavam, afinal, no coração de quem ditava as sentenças. 
Por todos ... 
os que ainda hoje, de outras maneiras, tantas, queimamos, como fósforos de uso rápido e secundário. 
Por todos ... 
os que se sentem a viver abaixo do chão, tapados até aos olhos, com o pó a tomar-lhes conta do corpo e a transformá-los em nada, em chão apenas, que pisamos sem darmos conta. 
Por todos ... 
os que sentem as mãos cheias de nada, lugares vazios, gastos, como a lareira depois de arder a lenha toda, naquele silêncio cada vez mais gelado de coisa abandonada. 
Por todos... 
os que perderam o fogo da alegria e da esperança, e se desencantam como uma braseira mortiça em fim de serão, mais cinza que brasa. 
Por todos...
os que não precisam celebrar conosco a quarta feira de cinzas para estarem cobertos delas, queremos pelo menos pedir ao Bom Deus de todos nós que esmigalhe a dureza do nosso coração. Que se torne cinza também a pedra que deixamos crescer dentro de nós e nos insensibiliza, nos blinda à dor dos outros. Os outros que, afinal, são como nós!

Amém! 

(Pe. Rui Santiago Cssr)

Que nosso coração se sensibilize à dor do outro, que essa dor, também seja a nossa!

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