sábado, 21 de abril de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: O BOM PASTOR


                          HOMILIA DO 4º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO  B


O pastor é uma imagem muito forte na Bíblia, pois ele resume tudo aquilo que um líder deve ser. Os reis, os sacerdotes e os profetas (figuras fortes do Antigo Testamento) deveriam se inspirar nesta figura: cuidar do seu rebanho, não deixar as ovelhas se extraviarem, curar as feridas, proteger, dar comida, gastar a vida por elas. Esta é a imagem do Novo Testamento que manifesta o que deve ser o líder. No Evangelho deste domingo, temos três personagens: o bom pastor, o mercenário e as ovelhas. Cada um de nós assume uma dessas figuras.


Um padre, um coordenador, um catequista, um pai ou uma mãe assumem a função de pastor. Todas as lideranças devem seguir o modelo de pastor que é o Cristo. O segredo é desejar o bem das ovelhas, pastoreando-as: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor da a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Santo Agostinho alerta que existem pastores que se apascentam a si mesmos; Aquele que pastoreia precisa sair de si mesmo, sair do egoísmo, e procurar sua alegria na felicidade da ovelha.


O mercenário não se preocupa com as ovelhas, mas consigo mesmo. É preciso estar alerta para verificar se estamos sendo verdadeiros pastores, ou se nos comportamos como mercenários. Devemos cuidar para não nos apegarmos às nossas funções, impedindo que outros tenham o seu espaço e tragam novas ideias. Por vezes, existem os que não querem sair do comodismo e, por isso, tomam posse dos cargos, até mesmo na igreja, por muitos e muitos anos. O mercenário é a imagem daquele que se aproveita das circunstâncias, que usurpa de sua oposição.


O terceiro personagem desta alegoria é a ovelha. Todos assumimos a função de ovelhas. Por isso, devemos reconhecer quem é o nosso pastor e escutar a sua voz, deixar-se guiar. Uma ovelha teimosa ou autossuficiente vai tomar seu próprio caminho, distanciar-se do rebanho ou irá influenciar de modo negativo as outras ovelhas.


Jesus diz que existem ovelhas que não são deste redil. Aqui se expressa o caráter missionário da Igreja, convidada a ser uma Igreja Samaritana, pois não se limita ao anúncio da Boa Nova apenas às pessoas que participam de nossas comunidades. Toda a humanidade pode entrar no redil do Cristo, e mesmo que não entre pelas portas tradicionais (os sacramentos e a participação na comunidade) também poderão receber nossa dedicação. Não são alvos da conversão proselitista, mas são caminhos para que os cristãos testemunhem a alegria de viver a Boa-Nova do Senhor Ressuscitado.


A segunda leitura nos fala que somos um rebanho de irmãos, filhos do mesmo Pai. Somos um rebanho que, embora já se alegre com esta graça, peregrina até que se manifeste a grandeza do que seremos. Então, seremos semelhantes a Ele, ou seja, ressuscitados e portadores da vida plena. Por enquanto, caminhamos seguindo o Bom Pastor, encontrando mercenários, decepcionando-nos com as ovelhas, reconhecendo-nos insuficientes. Muitas vezes tentados a desistir de lutar, mas a esperança da eternidade nos anima a edificarmos a vida no mundo, sem nos deixarmos abater, até que vejamos o Senhor tal como Ele é (cf 1Jo 3,2).

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.




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