segunda-feira, 28 de maio de 2018

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Ela está bombando!!
"Feche os olhos e ouça Deus dizer..." Venha para mim, Não há amor além do Meu amor. Na presença do meu amor, tudo o que não for amor desaparecerá."
Bom dia Catequistas em Formação...grande é o amor de Deus!




domingo, 27 de maio de 2018

TESTE O QUANTO “TRINITARIZADA” ESTÁ A SUA VIDA


As redes sociais e outros ambientes online oferecem uma infinidade de testes, a maioria deles para entretenimento, mas com a intenção, quase nunca revelada, de levantar e armazenar dados e informações de quem cede a provocações do tipo: “Com personagem do Chaves você se identifica? ” Ou “Que cantor famoso tem a personalidade parecida com a sua? ”, entre muitas outras.

Chegando à Solenidade da Santíssima Trindade, a Festa que celebra Deus-Comunidade de Amor, desejamos também propor um teste. Fique tranquilo, pois não temos a intenção de investigar sua vida nem levantar seus dados. Nosso desejo é apenas provocar uma reflexão pessoal que pode ajudá-lo a viver melhor os ensinamentos que a Trindade oferece. 

Na Trindade, as três Pessoas Divinas (Pai, Filho e Espírito Santo), diferentes, mas indissoluvelmente unidas, vêm nos mostrar que a diversidade não é impedimento para caminharmos juntos, mas um convite permanente para construirmos comunhão. 

Mistério de acolhida e doação que ocorre com absoluta generosidade e transparência, a unidade da Trindade torna-se excelente critério para que nós, apesar de nossos limites, façamos uma análise honesta e criteriosa dos relacionamentos que compõem nossa vida. 

Em tempos de ânimos acirrados na política, na religião e em outras áreas, precisamos fazer o exercício de olhar atentamente para alguns sinais que podem nos ajudar a perceber a qualidade dos relacionamentos que estamos cultivando. Para nos auxiliar neste despretensioso teste, algumas perguntas que podemos nos fazer a partir da contemplação de Deus Uno e Trino:

  • O que tem me motivado a me aproximar das pessoas? Percebo naqueles que me cercam verdadeiros irmãos e irmãs? Estou disposto a ajudá-los sem preocupação em receber algo em troca?
  • Como tenho convivido com quem pensa e age diferente de mim? Busco um diálogo sincero e desarmado? Sou capaz de ouvir e considerar opiniões diferentes da minha?
  • Percebo no outro como um dom, um presente de Deus? Tenho maturidade para perceber que as pessoas têm sua liberdade e não são posse minha
  • Faço-me disponível e acessível para quem vem ao meu encontro? Busco tratar a todos com respeito e cortesia? Procuro praticar a humildade ou tenho a tentação a me julgar superior?
  • Como me comporto nas redes sociais? Excluo com facilidade quem não confirma minhas ideias? Utilizo palavras ofensivas e grosseiras para me dirigir a quem pensa diferente de mim? Divulgo material que incita ódio, o preconceito e a exclusão?

Faça o teste! Não precisa divulgar o resultado. E lembre-se! Quando referencial é Deus, sempre temos algo a aprender e melhorar. Boa sorte e procure, com empenho, “trinitarizar” sua vida!

Frei Gustavo Medella


sexta-feira, 25 de maio de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: DEUS TRINO, EXPERIÊNCIA DE AMOR

                                                                                                                                               
HOMILIA DA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE 

Deus não é fechado em si mesmo. A Trindade não fica cultivando o carinho mútuo, no egoísmo narcisista. Pelo contrário, Deus é vida que se abre à nossa história. Nós cristãos cremos e experimentamos Deus que vem até nós e participa da nossa história: “Reconhece, pois, hoje e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima do céu e cá embaixo da terra, que não há outro além dEle” (Dt 4, 39). Deus habita o mundo com presença trinitária. E se Deus não se ausenta, não importam as trevas que possam assaltar, o Senhor está no meio de nós, caminhando ao nosso lado: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20).

A nossa história, portanto, estende-se como autocomunicação de Deus, que livremente age na história da salvação. A experiência da graça é comunicada no Filho; o Espírito Santo nos diviniza e nos faz experimentarmos a filiação do Pai, enquanto irmãos de Jesus Cristo e assumimos em nossa própria existência a vida divina: “De fato, vós não recebestes o Espírito de escravidão, para recairdes no medo, mas recebestes o Espírito que, por adoção, vos torna filhos, e no qual clamamos: Abba, Pai” (Rom 8,15).

A experiência de Deus Trino é uma experiência de amor. Deus vem habitar a história porque nos ama, porque nos quer para Ele. Ser habitado pela Trindade é viver esta experiência de amor. Portanto, o mistério trinitário não é reservado para os sábios e teólogos, mas para todo ser humano que fizer a experiência do amor. Quem não ama não pode entender o mistério da Trindade.

Diante do Deus da Trindade, primeiramente silenciamos e contemplamos o seu mistério. Num segundo momento, percebemos o dom trinitário em nós. Nossa relação com cada uma das pessoas é importante. O Pai nos lembra que Deus está acima de nós, dando a sua lei, manifestando a sua vontade. O Filho nos lembra que Deus está ao nosso lado, caminha conosco, dá a sua vida, ensina quem é o ser humano. O Espírito nos lembra que Deus está no meio de nós, é a voz divina no interior de nossos corações, a experiência de intimidade.


No encontro com o Deus Trindade, aceitamos livremente o dom de Deus e nos tonamos colaboradores de sua ação no mundo. Por isso no Evangelho deste domingo, Jesus nos convida à missão. A Trindade realiza a Missio Dei, vindo até nós e revelando seu plano de amor. De nossa parte, cabe-nos acolher o Deus Trinitário e anuncia-lo ao mundo: “Ide por todo o mundo...”  (Mt 28, 19). Nossa missão é fazer discípulos em nome da Trindade. O desejo de Deus é que todos sejamos seus discípulos.

Nossa alegria é a filiação divina, a graça do Espírito que habita em nós, o amor do Pai que reside em nosso coração, o seguimento ao Senhor Jesus, a vida de graça que acolhemos pelo olhar da fé, a nossa vida configurada à morte e ressurreição de Cristo. Esta alegria deve ser anunciada ao mundo. Queremos que todos descubram esta graça e participem desta vida nova no Senhor. Não faremos proselitismo aos não crentes, mas testemunharemos esta graça. Que todos possam descobrir a graça da vida trinitária, experimentando dentro de si o amor de Deus derramado em nossos corações. Vivamos o amor que sai de nós e seremos verdadeiramente imagem e semelhança da Trindade Santa.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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Palavras sobre o Reino na vida a partir dos Evangelhos. São três livros: Ano Litúrgico A, B e C. Cada livro tem o valor de R$ 15,00. Kit com os três livros: R$ 30,00 + frete

sexta-feira, 18 de maio de 2018

MINHA MELHOR RECEITA - PARTE II – ROTEIRO DE ENCONTRO


Uma proposta para encontro com a família (mães)...

Sou catequista da paróquia São José Operário da cidade de Maringá no Paraná. Há algum tempo, eu e Regina Auada, convidamos as mães para participar do encontro de catequese em que trabalhamos o Ano do Laicato (sobre ser sal da terra e luz do mundo). Este roteiro de encontro foi publicado com o nome “Minha melhor receita”. Nesta oportunidade, pedimos que cada catequizando trouxesse escrito a sua melhor receita de bolo e as guardamos. Essas receitas foram fundamentais para refletirmos sobre o “colocar a mão na massa” e assumir a missão.

Aqui na paróquia, estamos quase encerrando o ano catequético e, as vésperas do dia das mães, nos pareceu uma boa oportunidade para nos reunirmos novamente. Convidamos então, as mães para um encontro.

Iniciamos o encontro de forma bem natural. Fizemos a acolhida. Depois a leitura do Evangelho do próximo domingo (Ascensão do Senhor). Cada mãe leu um versículo. Fizemos a reflexão, tentamos uma partilha.

Depois de encerrado esse momento, propusemos uma atividade diferente: Artesanato.

Preparamos o ambiente com mesas (utilizamos o salão da igreja para esta atividade) e as convidamos para se acomodarem ao redor. Algumas mães ficaram em pânico, outras acharam divertido e tudo foi se ajeitando.

Cada mãe recebeu o seu kit de trabalho: um caderno encapado com tecido, recortes em feltro, agulha, linha, pluma, cola, canetinha. A Regina conduziu toda essa atividade.

A proposta era construir um caderno de receitas, mas, a intenção principal mesmo era interagir mãe com mãe, mãe com filho, catequizando com catequizando, família com catequista. E foi aquela bagunça: filhos e mães tentando fazer algo novo e tentando se ajudar de todas as formas. Foi uma tal de “me passa a cola, a canetinha, a linha…”.

Neste caderno foram coladas todas as receitas de bolo que foram guardadas daquele outro encontro. Eu as digitei e imprimi uma cópia para cada mãe. Criamos daí um tesouro, pois reunimos em um mesmo caderno, um pouco de cada família e um pouco de nós.

Silvana Chavenco Santini
Regina Celia Fregadolli Auada
Paróquia São Jose Operário – Maringá – PR

* O primeiro encontro da Silvana e da Regina foi publicado em 20 de fevereiro de 2018 e pode ser encontrado AQUI .







 Fotos: Silvana e Regina

quinta-feira, 17 de maio de 2018

CHAMADO À SANTIDADE...

O Papa Francisco sobre o chamado à santidade no mundo atual...

Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco indica, entre outros, as características "indispensáveis" para entender o estilo de vida da santidade: "perseverança, paciência e mansidão", "alegria e senso de humor", "audácia e fervor". O caminho da santidade vivido como caminho "em comunidade" e "em constante oração".

Assista...



És daqueles que não se contentam com uma existência medíocre?

O Papa Francisco escreveu-te uma carta de muitas páginas.

É uma mensagem para quem, como tu, vive os riscos, desafios e oportunidades de hoje.

Para quem cria os seus filhos com amor, quem trabalha a fim de trazer o pão para casa,

as pessoas idosas, as pessoas consagradas, quem se prepara para o futuro.

Porque todos somos chamados a ser santos. Tu também, sabias?

O que não significa pensar que és melhor do que os outros porque sabes ou fazes mais.

Nem também o cumprimento cego de regras sem amor.

Mas significa confiar na graça para poder alcançar a santidade.

Jesus mostra-te o caminho. Jesus é o caminho.

Segui-lo, hoje, é andar em contracorrente.

É não ignorar os sofrimentos e as injustiças deste mundo.

É ser audaz, lutador, humilde e ter sentido de humor.


Gaudete et Exsultate - Exortação Papa Francisco: BAIXE AQUI o documento completo.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

QUAL É A SUA MISSÃO E SEU PROPÓSITO?



Desde ontem estou aqui me debatendo com um assunto deveras preocupante: Um amigo me pediu sugestões de formação para que conseguisse tocar numa "ferida" bem aberta nossa: a falta de comprometimento e engajamento de muitos catequistas com a missão. E isso vem de encontro a missão e propósito. Que nada mais são do que o que quero fazer e como vou fazer para chegar onde quero.

E acho que nem preciso me aprofundar muito no que seria isso: o catequista não engajado e não comprometido é aquele que está lá, na catequese. “LÁ” mesmo: na sala. Sair, nem pensar! Está só na hora do encontro e quando muito, na missa do final de semana (fica feio não ir!). Além disso ele está acima da necessidade de formação e de comparecer em reuniões: sabe tudo! E não precisa saber de recado nenhum e nem planejamento nenhum, porque é ele com ele mesmo e só.

Como sei disso? Ora, o que acham do grupo de catequistas que gerimos no Facebook com mais de 3.500 pessoas, todas envolvidas diretamente na catequese, cujos participantes ativos, "ativos" mesmo, que curtem, comentam, aparecem, questionam, discutem... não passam de 200? Toda semana recebemos de 100 a 150 pedidos... E tem gente que faz parte de mais de 200 outros grupos!!! Bom, nem preciso dizer que estes nem são notificados de que precisam preencher um cadastro. É pura e completa perda de tempo e energia. Para estes, os grupos de catequese na internet são "páginas amarelas" onde se busca roteiro de encontro. De preferência descrito em suas minúcias e com molde e desenho até da disposição das cadeiras no encontro.

Enfim... O que será que poderíamos fazer e falar para estes catequistas? Isso se eles fossem numa formação...

Pela minha experiência de palestras por aí eu diria que "falar", palestrar ou discorrer um tema, seja ele qual for; é perder o verbo, o substantivo, o pronome e tudo que diga respeito a linguagem. Quando a pessoa que nos escuta NÃO ESTÁ CONVERTIDA, pode se falar à vontade! Entrará por um ouvido e sairá pelo outro.

COMO??? Tem catequista não convertido?? Isso mesmo gente! Existem as pencas! Não temos “católicos de ocasião” de punhado? Podem acreditar que temos catequistas também! As (os) coordenadoras (es) vão ratificar isso, tenho certeza. Algumas pessoas se engajam numa religião por questões puramente "sociais". A Igreja meio que vira um lugar onde o "pessoal frequenta". E participar de uma pastoral se transformar numa forma de aparecer à sociedade.

É como frequentar um clube. É meio chato não ir ao clube com as amigas ou amigos, não é? Ah! E tem no meu grupo de amigas, algumas que se reúnem toda semana para jogar canastra (buraco, pontinho, tênis, sei lá...). Não posso deixar de participar disso também! E como é um "clube", que frequento socialmente, se aparecer um passeio mais interessante ou uma viagem para o dia do jogo, posso muito bem cancelar o desta semana, não posso?
Nada ver com o encontro semana de catequese, né?

E assim, meus queridos, nos aparecem catequistas às vezes. Cujo entendimento da catequese é esse: um evento social onde compareço porque fica "bem para minha imagem" e não vou se meu "horário do salão" coincide com ele. Estes são os (as) não engajados e não comprometidos.

Devemos excluir de vez estes catequistas? Claro que não! Alguma formação eles (elas) têm, algum preceito católico, mesmo que seja lá no fundo, estas pessoas possuem. Falta "provocar" isso, trazer para fora. Mostrar que há um mundo "novo" a se conhecer. São pessoas para s "evangelizar"!

Vamos a solução! Qual? Vamos fazer INICIAÇÃO CRISTÃ com nossos catequistas não comprometidos. Simples, muito simples! Vamos mostrar que existe uma "pessoa" que está doida para encontrá-la: JESUS! E para trabalhar pela "causa do Reino", é preciso conhecer o "Rei". Como se faz isso? Isso vamos deixar para a próxima...

Se não fosse tão complicado. "Justo quando tenho aniversário da prima do cunhado da minha irmã para ir!?"

E tem outra questão mais grave ainda: Quando são os líderes que não são comprometidos! E por líderes, me refiro aos coordenadores (as) e padres. Aí é complicado. Catequistas engajados e comprometidos veem seus esforços podados antes mesmo de brotar. E o catequista quer fazer e acontecer e são os líderes que não querem nada, são os coordenadores e padres que não animam.

Mas, por que EU não posso liderar? Em minha opinião, qualquer pessoa pode ser um líder. Claro que algumas já nascem com esse dom e essa característica em suas personalidades, mas, isso também pode ser construído. Se eu vejo que alguma coisa pode ser mudada e eu sei como mudar, por que não posso tomar a iniciativa e "provocar" essa mudança? Um líder não precisa estar num “cargo” para ser "líder" e influenciar as pessoas. Uma das características da liderança é saber “convencer”, além de ser, é claro, o que se faz na evangelização.

Em minha trajetória na catequese, já estive em várias paróquias e dioceses. Em algumas, minha capacidade de “convencimento” não foi lá muito bem e confesso que não tive sucesso. Tudo isso porque eu não me contentei em "aceitar" as coisas como elas são quando estão ERRADAS. Eu cobro, eu luto, eu brigo para mudar as coisas... e se não consigo, sigo o conselho que Jesus deu aos seus discípulos quando os mandou sair a evangelizar: Quando não querem mesmo me ouvir, bato o pó das sandálias e parto para outro lugar. Existem muitos lugares que precisam de catequistas, que precisam de evangelizadores. E evangelizar não é "sofrer" e "padecer". Evangelizar é ser feliz. Não abracei esta missão para ser crucificada; Jesus já fez isso por mim, para que eu tivesse liberdade de sair pelo mundo espalhando a sua Palavra. Ninguém aguenta ser catequista e viver eternamente contrariada, triste, frustrada... A gente vai servir para se completar, não para se diminuir. E também não concordo com aquilo de que estou lá "para Jesus"... Eu estou lá para as pessoas! Jesus quer que eu mude AS PESSOAS e se as pessoas não me querem e não me escutam, tem quem me quer e quem vai me escutar, com certeza!

Ângela Rocha
Catequista em Formação



terça-feira, 15 de maio de 2018

ATÉ QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS!



E nesta semana que o Espírito Santo, "arde em fogo" nos nossos corações... Bom a gente falar um pouco sobre isso. Sobre esse "fogo que arde sem cessar" e o quanto algumas linguagens bíblicas nos deixam desassossegados aos pensarmos o que nos espera lá pra frente...
Por isso, trago aqui para vocês um texto de um padre redentorista de quem gosto muito (vocês já perceberam, acho... rsrsrs): Rui Santiago do Centro de Espiritualidade Redentorista de Portugal.
Vamos lá, vamos ler com carinho e depois dizer, realmente, o que significa este "fogo" para nós. Mete medo ou nos deixa em expectativa gloriosa?

ATÉ QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS!

Entre Fogo, Chamas e Labaredas, há muita linguagem a arder na escritura bíblica da nossa Fé. “E a terra será consumida num fogo e os elementos serão consumidos nas chamas, quando o Senhor cumprir a Sua Promessa…” Ou, então, o próprio Jesus que diz “Eu vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse ateado”… E João Batista que diz de Jesus que é aquele que não virá batizar em água, mas, “no Espírito Santo e no fogo”…
E séculos de pregações transformaram a beleza da linguagem bíblica num instrumento de terror, muitas vezes… E daí ao inferno como um lugar de fogo foi um pulinho, até aos pequeninos de Fátima que, na simplicidade e pureza do seu coração de crianças, até viram o que ouviam.

Partilho umas ideias muito simples para entender bem esta linguagem do fogo na bíblia. Evidentemente, não é o fogo das nossas lareiras, mas uma linguagem simbólica para nos aproximarmos da maneira como Deus atua na Criação e em nós. O anúncio de toda a realidade a ser dissolvida no fogo ou a ser absorvida nas chamas que vêm da parte de Deus, não são coisas para nos assustar, mas, para nos apontarem o alcance máximo da Esperança Bíblica: “Deus será tudo em todos”, como diz o Apóstolo Paulo. A linguagem do fogo é a simbologia bíblica para dizer isto mesmo que Paulo anuncia desta maneira: a Criação inteira está em gênese, em mudança, e nós mesmos estamos dentro deste processo divino de transfiguração de toda a realidade até que Deus, que já é tudo em Cristo, seja tudo em todos.

No tempo de que falamos, muitas filosofias e tradições religiosas se estruturavam – como hoje – a partir dos quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Porque é que a ação de Deus é simbolizada tantas vezes por meio do fogo? Porque é o único elemento que tudo transfigura em si mesmo, transforma o que toca naquilo que ele mesmo é. Se você enterrar alguma coisa, ela fica escondida, mas não se torna terra. Pode desenterrá-la e recuperá-la. O ar passa pelas coisas e não as vaporiza, a água corre continuamente sobre os seixos, mas, não os liquidifica. Mas, o fogo… o que toca, transfigura em si, absorve, consome. A terra, o ar e a água desgastam os elementos; o fogo não os desgasta, mas, consome-os em si mesmo, torna-os fogo.

Eis como Deus atua conosco… não como algo que se justapõe à realidade, mas como Alguém que nos quer transfigurar em Si. Deus quer-nos inteiramente participantes do Seu Mistério Pessoal, transfigurados na Sua própria maneira de Ser. Para usar uma palavra das origens da Fé cristã e que, entretanto, caiu em desuso: por Amor, o Projeto de Deus é DIVINIZAR-NOS. Não nos tornar “deuses”…, mas tornar-nos Deus, uma só coisa conSigo, convivas da Sua Alegria e da Sua Festa. Já Camões dizia que "Amor é Fogo que arde sem se ver"… não nos admiremos tanto de a escritura associar o Amor de Deus por nós à ação do Fogo. O Fim do Mundo, isto é, a Finalidade da Criação, é a plena assunção divinizante de toda a realidade no Mistério Familiar de Deus.

Quando os Apóstolos testemunham que o Espírito Santo desceu sobre eles como “línguas de fogo”, não consta que tivessem ficado todos com a careca queimada… porque o fogo é o símbolo da maneira como experimentaram Deus a atuar neles. O Espírito de Deus, que é Fogo, Chama, Labareda Viva, não passa pela nossa vida como ar que faz festinhas no rosto nem como água que só nos limpa por fora, nem como terra que nos esconde, mas, como fogo que quer transfigurar inteiramente a nossa existência.

E não apenas nós, mas toda a Criação está convocada para esta metamorfose do Espírito de Deus que já está em marcha, esta Transfiguração Pascal que se insinua a nós no sinal de Jesus Cristo Vivo.

No Fim do Mundo estará tudo a arder”! Ah, empolgadas pregações que criaram tantos fantasmas…, Mas sim, quando a Criação inteira chegar ao seu Fim, à sua Culminação, ao ponto Ômega que Deus nos promete que é o próprio Cristo ResSuscitado, então, tudo estará definitivamente envolvido no Fogo do Amor de Deus, na temperatura e energia do Seu Projeto que, finalmente, será tudo em todos! E veremos, com olhos novos, a realização da oração de Jesus: “Oh Pai, assim como eu e tu somos Um, que eles sejam todos apenas Um conosco”!

Vem, Fogo de Deus, labareda da Sarça Ardente de Moisés que está viva sem se gastar, que arde sem consumir, e traz histórias de Futuro que apontam a Liberdade dos Novos Céus e da Nova Terra onde habita a Justiça. Ou não fosse essa a Terra Prometida a toda a humanidade...
(Pe. Rui Santiago, cssr)

* * * *
Então? A partir deste texto podemos colocar nossas crianças a arder no fogo de Deus, sem necessariamente levá-las ao "inferno", não podemos? O verdadeiro "anúncio" fala das alegrias da Salvação e não das tristezas da perdição...  Como é o "seu" anúncio?

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

sexta-feira, 11 de maio de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A MISSÃO NÃO ACABOU, COMEÇA AGORA!


                    SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR - ANO B

Senhor Jesus apareceu aos seus discípulos durante 40 dias. O Ressuscitado já havia prevenido a comunidade nas palavras dirigidas à Madalena sobre sua nova maneira de estar presente: “Não me toque (Não me detenha)” (Jo 20,27). Ou seja, não é possível impedir que o filho retorne ao Pai. Portanto, a ascensão é uma espécie de rito de passagem, marca a transição para uma nova forma de ser presente até volte outra vez. 

As aparições do ressuscitado têm um sentido pedagógico. Os 40 dias são importante par que os discípulos compreendam o mistério que terá sua culminância em Pentecostes. Porém, a ressurreição não é uma retorno à vida plena. O modo de o Senhor estar presente será agora repetido seu Espírito, seu destino. “é estar a direita de Deus Pai” (Mc 16, 19).

Havia certamente nos discípulos uma acomodação à presença mais visível. Talvez, por isso, houve uma estupefação diante da ascensão, de modo que eles ficam olhando para o céu: “Homens da Galileia, por que ficais a olhar para o céu?” (At 1, 11). O questionamento do anjos é uma chamada de atenção aos discípulos que agora precisam ir e anunciar a Boa-Nova até os confins do mundo, não podendo penas ficar olhando para cima.


Hoje existem grandes desafios para o anúncio do Evangelho. A Igreja é vista como uma sonegadora da liberdade, diante da dificuldade de responder às perguntas surgidas a partir da mudança de costumes e do avanço da ciência. Como a confrontação e a abertura são fardos pesados, alguns cristãos preferem ficar olhando para o Céu, numa postura reacionária e vertical que reforça a espera de respostas prontas, vindas de cima ou do passado. É mais fácil esperar que Deus faça tudo e que nossa religião se resuma há algumas práticas rituais do que dialogar com o mundo sedento da Palavra de Deus.

A ascensão marca o tempo da Igreja e do início da missão: “Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). A Igreja é, por fé, a continuadora da presença do Senhor no mundo. Esta graça é realizada pelos Sacramentos, pela Palavra, pelas obras. Precisamos crer que o Senhor não foi embora, mas está aqui conosco. Ele não nos abandonou. Devemos alimentar a certeza que o Espírito atua e deseja o Reino, portanto, não nos deixará órfãos, perdidos e desalentados. Sua presença é garantia de que a Boa-Nova de vida e salvação sempre será atual, independentes dos questionamentos e barreiras dos tempos. Por isso tudo, não podemos nos dar ao luxo de ficarmos olhando para o Céu, esperando passivamente o retorno do Senhor.

Há por fim, um aspecto positivo do olhar para o Céu, pois o Céu também é parte integrante de nossa vida de fé. Na verdade, temos saudade de Deus. Desejamos a plenitude inscrita em nós. A vida não é plena aqui, mas prepara para algo muito maior. A vida em plenitude é uma esperança, uma consciência de que fomos chamados, como afirma São Paulo na segunda leitura, à “herança dos santos” (Ef 1, 15). Por vezes, desejamos que essa plenitude aconteça aqui e agora, pois a cultura pós moderna nos acostumou ao imediatismo e ao presente. É preciso que tenhamos consciência de que a vida eterna começa aqui, mas neste mundo não teremos a completude tão almejada. A Ascensão de Jesus é a manifestação de nossa ida ao Céu e de nossa ressurreição. Que esta solenidade aumente nosso desejo de eternidade.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.




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quarta-feira, 9 de maio de 2018

ASCENSÃO DO SENHOR



Ao final do Tempo Pascal nos deparamos com a solenidade da Ascensão do Senhor. Essa celebração marca o final desse período de particular alegria por celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e, com ela, a nossa reconciliação com Deus. Mas se a ascensão é a subida de Jesus ao Pai, podemos nos alegrar? Parece que Jesus está nos deixando, qual é então o motivo da celebração?
Essas são perguntas que, de alguma forma, podemos refleti-las na meditação do Evangelho de Lucas 24, 51-52, onde percebe-se a reação dos discípulos mediante o fato de Jesus elevar-se ao céu. A reação deles é de alegria, o que nos deixa muito intrigados. Como assim os discípulos puderam se alegrar com isso? Mas efetivamente se alegraram como podemos ver no final do evangelho de Lucas: “Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.” (Lc 24, 51-52)
Se, à primeira vista, não conseguimos uma explicação na bíblia para isso, pelo menos a leitura deve fazer-nos pensar que alguma coisa está escapando a nossa compreensão. O que fica evidente é que os discípulos não se sentem abandonados, não acreditam que Jesus tenha partido para um céu inacessível e distante.... Se olharmos a comunidade primitiva e o seu anuncio, perceberemos que se bem eles anunciam a vinda de Cristo novamente, o que eles fizeram foi, sobretudo, dar testemunho de uma presença viva de Jesus. Testemunho de que ele está vivo, que é a Vida mesma.
O catecismo da Igreja Católica no número 664 nos diz que essa figura na qual Cristo aparece sentado à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias, realização da visão do profeta Daniel: “A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído.”(Dn 7, 14).
O papa Bento XVI, em seu livro “Jesus de Nazaré” explica que o “sentar-se à direita”, não faz referência a um local concreto, porque Deus é espírito puro. Deus não está no espaço, Ele é aquele que sustenta o espaço sem estar nele. Jesus retorna ao Pai e por isso retorna a essa condição na qual não está limitado pelo espaço e justamente por isso pode estar presente de uma forma distinta no mundo inteiro. Diz Bento XVI: “Seu ir é precisamente uma vinda, um novo modo de proximidade, de presença permanente”. E é essa presença a causa da alegria dos discípulos no Evangelho de Lucas que vimos acima.
Um bom exercício é se perguntar se realmente conseguimos nos alegrar com a presença permanente de Cristo no mundo e em nossas vidas dessa maneira distinta. As vezes gostaríamos que essas realidades fossem mais concretas, que pudéssemos ver com esses olhos materiais aquilo que, atualmente, apenas os olhos da fé nos permitem ver. Lembremos que Jesus chamou de felizes aqueles que conseguem acreditar sem ver e peçamos a Ele que aumente cada vez mais a nossa fé. Que essa presença viva seja a força da nossa própria vida. E que consigamos, com a alegria que advém dessa presença viva, anunciar a todas as pessoas que Jesus não nos abandonou e que estará sempre ao nosso lado, guiando-nos até a comunhão plena com Deus por meio do Espírito Santo...
“Jesus Cristo Cabeça da Igreja, nos precede no reino Glorioso do Pai para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele” (Cic n. 666).
Fonte:
em 6/5/2018 às 16 h. Catecismo da Igreja Católica


                                                                                                            Adaptação
                                                                                                     Abigail Martins
                                                                        Catequista de Ribeirão Preto-SP


AVE MARIA: A ORAÇÃO DA MÃE

Maio, mês de Maria: Vamos falar um pouco da oração em homenagem a ela, de um jeito simples e bonito. As crianças vão adorar!
           
Uma das primeiras orações que aprendemos a rezar é sempre a Ave Maria. "Ave" é uma palavra que significa, na linguagem de hoje, um "Como vai?" ou um "Alô!". Pois foi com essa palavra que Maria, a mãe de Jesus - que também chamamos de Nossa Senhora –, foi cumprimentada por um anjo. Deus havia mandado o anjo Gabriel à casa de Maria para levar-lhe uma importante mensagem: que ela seria a mãe do Filho de Deus.
"Ave, Maria, cheia de graça!"

Esta primeira frase da oração é formada pelas palavras que o anjo Gabriel disse à Nossa Senhora, ao chegar à sua casa, saudando-a. "Cheia de graça" significa que Maria tinha recebido as graças de Deus, os benefícios do Senhor; ela tinha sido escolhida por Deus. 

"O Senhor é convosco!"

O anjo Gabriel cumprimentou Maria e continuou falando com ela. Ao dizer a frase "O Senhor é convosco!", ele queria falar que Deus, o Senhor, estava sempre ao lado dela, pois Maria seria a mãe de seu Filho.

A PRIMA ISABEL

Maria tinha uma prima que se chamava Isabel. Alguns meses depois da visita do anjo Gabriel, Maria foi à casa dela. Isabel estava esperando um filho que, ao nascer, recebeu o nome de João: era João Batista. A oração da ave-maria continua com duas frases ditas por Isabel, ao receber sua prima, Maria.

“Bendita sois vós entre as mulheres”

Foi a frase dita por Isabel à sua prima, Maria, quando Maria chegou à sua casa. Ela disse estas palavras porque percebeu que Maria seria a mãe do Filho de Deus, escolhida e abençoada entre todas as mulheres.
"E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!",

Isabel diz esta bela frase. É que Maria trazia em sua barriga o menino Jesus, o Filho abençoado de Deus, assim como todas as mães carregam seus filhos antes de eles nascerem.
A SEGUNDA PARTE DA AVE MARIA

Você viu que, na primeira parte da oração da avemaria, todas as frases foram ditas por alguém: as duas primeiras pelo anjo Gabriel e as duas últimas por Isabel, prima de Nossa Senhora. A segunda parte da ave-maria é formada por uma bonita oração: todos nós, como povo cristão, que constituímos a Igreja, rezamos a Maria, pedindo-lhe sua proteção.

Santa Maria, mãe de Deus,

Com esta frase, estamos chamando Maria para que ela ouça o que temos a lhe pedir. Ela que é mãe de Jesus, que é Deus!

Rogai por nós, pecadores,

Continuando a oração, pedimos a Nossa Senhora que ela interceda a Deus por nós, pois somos pecadores. Isto quer dizer que não somos perfeitos. De um modo ou de outro, sempre podemos cometer erros. Apenas Deus é perfeito e Maria, como mãe nos ajuda a sermos filhos melhores.
... agora e na hora de nossa morte.

Nesta última frase da oração da ave-maria, pedimos que Nossa Senhora nos proteja e nos ajude agora, enquanto estamos vivos, e também na hora em que tivermos de morrer.

Amém.

"Amém" é uma palavra usada no final de quase todas as orações e quer dizer "assim seja".

Como é bonita a oração da ave-maria! Com ela nós prestamos uma homenagem à Nossa Senhora, a mãe de Jesus. E também pedimos que ela esteja sempre conosco, em todos os momentos de nossa vida e na hora de nossa morte. Como já dissemos, a primeira parte da ave-maria é composta pelas palavras ditas pelo anjo Gabriel e por Isabel, prima de Maria.

Você poderá encontrar na Bíblia, no Evangelho de Lucas (uma das histórias da vida de Jesus), capítulo 1, versículos 26 a 45, a mensagem completa do anjo Gabriel, a resposta que Maria deu a Deus e a história da visita que Nossa Senhora fez à sua prima Isabel

Foi somente no século XV que se acrescentou a segunda parte da Ave Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém”. E foi nesta época também que se acrescentou o nome “Jesus” no final da primeira parte. Esta segunda parte é de origem popular-eclesial e também foi surgindo aos poucos.

São Bernardino de Senna, que viveu no século XV, em um sermão, ao comentar a Ave-Maria, disse que ao final desta se poderia acrescentar “Santa Maria, rogai por nós pecadores”. A súplica a Maria começa com o adjetivo santa, porque Maria é a primeira entre todos os santos venerados pela Igreja, pois somente Ela é “cheia de graça”. A fórmula atual da Ave Maria, que se difundiu lentamente, foi divulgada no breviário publicado em 1568, por ordem do papa Pio V.

PARA AS CRIANÇAS:

Complete as frases que seguem com as palavras da Ave Maria:

Ave, Maria, cheia de ___________________, o Senhor é convosco, _________________ sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, _________________. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, __________________, agora e na hora de nossa morte.
Amém.

Adaptação: Ângela Rocha


terça-feira, 1 de maio de 2018

1° DE MAIO: DIA DO TRABALHADOR


“O trabalhador merece o seu salário”. 
(Dt 25,4; Mt, 10,19; Lc 10,7)

Primeiro (1º) de maio, é o DIA DO TRABALHADOR em homenagem à luta dos trabalhadores que reivindicaram melhores condições trabalhistas. Graças à coragem e persistência desses trabalhadores ao longo da história, os direitos e benefícios atuais, dos quais usufruímos, foram conquistados.

Essa data tem origem na primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886. Até então a jornada de trabalho era de mais de 15 horas. Os americanos organizaram uma gigantesca campanha por melhores condições de trabalho, fazendo mais de 1.500 greves em todo o país. Houve muita opressão, tanto por parte do governo quanto por parte da mídia burguesa da época. Os líderes do movimento foram julgados e condenados à morte, sem ter cometido crime algum. Muitas pessoas foram feridas e mortas pela violência policial.

Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, na França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial. Ao escolher 1º de maio como Dia do Trabalho, os participantes desse encontro prestaram uma homenagem aos operários dos Estados Unidos. Uma das principais reivindicações era a garantia da jornada de oito horas diárias.

Foram estes e outros fatos históricos que transformaram o 1º de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam. Somente em 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e uns anos depois a Rússia fez o mesmo. Em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, também foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.

DIA DO TRABALHO NO BRASIL

No Brasil, o Dia do Trabalhador só foi reconhecido a partir de 1925, através de um decreto assinado pelo então presidente Artur Bernardes.

A criação da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) foi instituída através do Decreto-Lei nº 5.452, em 1º de Maio de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas. Durante o governo Vargas realizavam-se grandes manifestações que incluíam música, desfiles e normalmente o anúncio de alguma nova lei trabalhista. Alguns governos seguem a tradição e comunicam o aumento do salário mínimo nesta data.

O dia é comemorado com manifestações convocadas pelas principais centrais sindicais do Brasil para reivindicar melhores condições de trabalho.


No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário, considerado o santo padroeiro dos trabalhadores. Esta celebração litúrgica foi instituída em 1955 pelo Papa Pio XII, diante de um grupo de trabalhadores reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano. Naquela ocasião, o Santo Padre pediu que “o humilde operário de Nazaré, além de encarnar diante de Deus e da Igreja a dignidade do trabalho manual, seja também o providente guardião de vocês e suas famílias”. 

O Papa Pio XII desejou que o Santo protetor das famílias: “seja para todos os trabalhadores do mundo, especial protetor diante de Deus e escudo para proteger e defender nas penalidades e nos riscos de trabalho”.

Por sua vez, João Paulo II, em sua encíclica “Laborem Exercens”, sublinhou que, “mediante o trabalho, o homem não somente transforma a natureza, adaptando-a às suas próprias necessidades, mas também realiza a si mesmo como homem e até, num certo sentido, ‘se torna mais homem’”. 

No Jubileu dos Trabalhadores, em 2000, o Papa novamente se manifestou: “Queridos trabalhadores, empresários, cooperadores, homens da economia: uni os vossos braços, as vossas mentes e os vossos corações a fim de contribuir para a construção de uma sociedade que respeite o homem e o seu trabalho. O homem vale pelo que é e não pelo que possui. Tudo o que se realiza ao serviço de uma justiça maior, de uma fraternidade mais ampla e de uma ordem mais humana nas relações sociais conta muito mais do que qualquer progresso no âmbito técnico”.

O que deve ficar deste dia para nós, como foco principal, não é só comemorar o Santo e esquecer a luta do trabalhador pelos seus direitos e sim, pensar que São José foi escolhido como intercessor e protetor do trabalhador nesta luta e que, a prática religiosa, está intimamente ligada à prática do amor e da justiça, às ações sociais fraternas e a dignidade com que cada trabalhador e trabalhadora merecem da nossa sociedade.


Ângela Rocha
Catequistas em Formação

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO