quarta-feira, 9 de maio de 2018

ASCENSÃO DO SENHOR



Ao final do Tempo Pascal nos deparamos com a solenidade da Ascensão do Senhor. Essa celebração marca o final desse período de particular alegria por celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e, com ela, a nossa reconciliação com Deus. Mas se a ascensão é a subida de Jesus ao Pai, podemos nos alegrar? Parece que Jesus está nos deixando, qual é então o motivo da celebração?
Essas são perguntas que, de alguma forma, podemos refleti-las na meditação do Evangelho de Lucas 24, 51-52, onde percebe-se a reação dos discípulos mediante o fato de Jesus elevar-se ao céu. A reação deles é de alegria, o que nos deixa muito intrigados. Como assim os discípulos puderam se alegrar com isso? Mas efetivamente se alegraram como podemos ver no final do evangelho de Lucas: “Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.” (Lc 24, 51-52)
Se, à primeira vista, não conseguimos uma explicação na bíblia para isso, pelo menos a leitura deve fazer-nos pensar que alguma coisa está escapando a nossa compreensão. O que fica evidente é que os discípulos não se sentem abandonados, não acreditam que Jesus tenha partido para um céu inacessível e distante.... Se olharmos a comunidade primitiva e o seu anuncio, perceberemos que se bem eles anunciam a vinda de Cristo novamente, o que eles fizeram foi, sobretudo, dar testemunho de uma presença viva de Jesus. Testemunho de que ele está vivo, que é a Vida mesma.
O catecismo da Igreja Católica no número 664 nos diz que essa figura na qual Cristo aparece sentado à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias, realização da visão do profeta Daniel: “A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído.”(Dn 7, 14).
O papa Bento XVI, em seu livro “Jesus de Nazaré” explica que o “sentar-se à direita”, não faz referência a um local concreto, porque Deus é espírito puro. Deus não está no espaço, Ele é aquele que sustenta o espaço sem estar nele. Jesus retorna ao Pai e por isso retorna a essa condição na qual não está limitado pelo espaço e justamente por isso pode estar presente de uma forma distinta no mundo inteiro. Diz Bento XVI: “Seu ir é precisamente uma vinda, um novo modo de proximidade, de presença permanente”. E é essa presença a causa da alegria dos discípulos no Evangelho de Lucas que vimos acima.
Um bom exercício é se perguntar se realmente conseguimos nos alegrar com a presença permanente de Cristo no mundo e em nossas vidas dessa maneira distinta. As vezes gostaríamos que essas realidades fossem mais concretas, que pudéssemos ver com esses olhos materiais aquilo que, atualmente, apenas os olhos da fé nos permitem ver. Lembremos que Jesus chamou de felizes aqueles que conseguem acreditar sem ver e peçamos a Ele que aumente cada vez mais a nossa fé. Que essa presença viva seja a força da nossa própria vida. E que consigamos, com a alegria que advém dessa presença viva, anunciar a todas as pessoas que Jesus não nos abandonou e que estará sempre ao nosso lado, guiando-nos até a comunhão plena com Deus por meio do Espírito Santo...
“Jesus Cristo Cabeça da Igreja, nos precede no reino Glorioso do Pai para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele” (Cic n. 666).
Fonte:
em 6/5/2018 às 16 h. Catecismo da Igreja Católica


                                                                                                            Adaptação
                                                                                                     Abigail Martins
                                                                        Catequista de Ribeirão Preto-SP


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO