terça-feira, 15 de maio de 2018

ATÉ QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS!



E nesta semana que o Espírito Santo, "arde em fogo" nos nossos corações... Bom a gente falar um pouco sobre isso. Sobre esse "fogo que arde sem cessar" e o quanto algumas linguagens bíblicas nos deixam desassossegados aos pensarmos o que nos espera lá pra frente...
Por isso, trago aqui para vocês um texto de um padre redentorista de quem gosto muito (vocês já perceberam, acho... rsrsrs): Rui Santiago do Centro de Espiritualidade Redentorista de Portugal.
Vamos lá, vamos ler com carinho e depois dizer, realmente, o que significa este "fogo" para nós. Mete medo ou nos deixa em expectativa gloriosa?

ATÉ QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS!

Entre Fogo, Chamas e Labaredas, há muita linguagem a arder na escritura bíblica da nossa Fé. “E a terra será consumida num fogo e os elementos serão consumidos nas chamas, quando o Senhor cumprir a Sua Promessa…” Ou, então, o próprio Jesus que diz “Eu vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse ateado”… E João Batista que diz de Jesus que é aquele que não virá batizar em água, mas, “no Espírito Santo e no fogo”…
E séculos de pregações transformaram a beleza da linguagem bíblica num instrumento de terror, muitas vezes… E daí ao inferno como um lugar de fogo foi um pulinho, até aos pequeninos de Fátima que, na simplicidade e pureza do seu coração de crianças, até viram o que ouviam.

Partilho umas ideias muito simples para entender bem esta linguagem do fogo na bíblia. Evidentemente, não é o fogo das nossas lareiras, mas uma linguagem simbólica para nos aproximarmos da maneira como Deus atua na Criação e em nós. O anúncio de toda a realidade a ser dissolvida no fogo ou a ser absorvida nas chamas que vêm da parte de Deus, não são coisas para nos assustar, mas, para nos apontarem o alcance máximo da Esperança Bíblica: “Deus será tudo em todos”, como diz o Apóstolo Paulo. A linguagem do fogo é a simbologia bíblica para dizer isto mesmo que Paulo anuncia desta maneira: a Criação inteira está em gênese, em mudança, e nós mesmos estamos dentro deste processo divino de transfiguração de toda a realidade até que Deus, que já é tudo em Cristo, seja tudo em todos.

No tempo de que falamos, muitas filosofias e tradições religiosas se estruturavam – como hoje – a partir dos quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Porque é que a ação de Deus é simbolizada tantas vezes por meio do fogo? Porque é o único elemento que tudo transfigura em si mesmo, transforma o que toca naquilo que ele mesmo é. Se você enterrar alguma coisa, ela fica escondida, mas não se torna terra. Pode desenterrá-la e recuperá-la. O ar passa pelas coisas e não as vaporiza, a água corre continuamente sobre os seixos, mas, não os liquidifica. Mas, o fogo… o que toca, transfigura em si, absorve, consome. A terra, o ar e a água desgastam os elementos; o fogo não os desgasta, mas, consome-os em si mesmo, torna-os fogo.

Eis como Deus atua conosco… não como algo que se justapõe à realidade, mas como Alguém que nos quer transfigurar em Si. Deus quer-nos inteiramente participantes do Seu Mistério Pessoal, transfigurados na Sua própria maneira de Ser. Para usar uma palavra das origens da Fé cristã e que, entretanto, caiu em desuso: por Amor, o Projeto de Deus é DIVINIZAR-NOS. Não nos tornar “deuses”…, mas tornar-nos Deus, uma só coisa conSigo, convivas da Sua Alegria e da Sua Festa. Já Camões dizia que "Amor é Fogo que arde sem se ver"… não nos admiremos tanto de a escritura associar o Amor de Deus por nós à ação do Fogo. O Fim do Mundo, isto é, a Finalidade da Criação, é a plena assunção divinizante de toda a realidade no Mistério Familiar de Deus.

Quando os Apóstolos testemunham que o Espírito Santo desceu sobre eles como “línguas de fogo”, não consta que tivessem ficado todos com a careca queimada… porque o fogo é o símbolo da maneira como experimentaram Deus a atuar neles. O Espírito de Deus, que é Fogo, Chama, Labareda Viva, não passa pela nossa vida como ar que faz festinhas no rosto nem como água que só nos limpa por fora, nem como terra que nos esconde, mas, como fogo que quer transfigurar inteiramente a nossa existência.

E não apenas nós, mas toda a Criação está convocada para esta metamorfose do Espírito de Deus que já está em marcha, esta Transfiguração Pascal que se insinua a nós no sinal de Jesus Cristo Vivo.

No Fim do Mundo estará tudo a arder”! Ah, empolgadas pregações que criaram tantos fantasmas…, Mas sim, quando a Criação inteira chegar ao seu Fim, à sua Culminação, ao ponto Ômega que Deus nos promete que é o próprio Cristo ResSuscitado, então, tudo estará definitivamente envolvido no Fogo do Amor de Deus, na temperatura e energia do Seu Projeto que, finalmente, será tudo em todos! E veremos, com olhos novos, a realização da oração de Jesus: “Oh Pai, assim como eu e tu somos Um, que eles sejam todos apenas Um conosco”!

Vem, Fogo de Deus, labareda da Sarça Ardente de Moisés que está viva sem se gastar, que arde sem consumir, e traz histórias de Futuro que apontam a Liberdade dos Novos Céus e da Nova Terra onde habita a Justiça. Ou não fosse essa a Terra Prometida a toda a humanidade...
(Pe. Rui Santiago, cssr)

* * * *
Então? A partir deste texto podemos colocar nossas crianças a arder no fogo de Deus, sem necessariamente levá-las ao "inferno", não podemos? O verdadeiro "anúncio" fala das alegrias da Salvação e não das tristezas da perdição...  Como é o "seu" anúncio?

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO