sábado, 7 de julho de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: REJEIÇÃO E DESCRENÇA


                   HOMILIA DO 14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

As leituras deste domingo nos mostram que Ezequiel e mesmo Jesus não foram aceitos. Sim, o próprio Filho de Deus foi rejeitado em sua terra, pelos seus vizinhos e até mesmo  pelos seu parentes. Os profetas não são escutados, são motivos de zombarias, são perseguidos e até mortos. Ou porque não se acredita naqueles que são muito próximos, ou porque a palavra é dura, uma verdade que dilacera a alma. 


Não precisamos ir muito longe para encontrar profetas (apesar da sua escassez). Certamente, não muito distante de nós há alguém que grita com sua palavra ou com seu silêncio. Porém, é ainda mais fácil se render ao que causa menos impacto.


A reflexão deste domingo gira em torno da escolha ou da rejeição. E por que escolhemos certas coisas ou não? Nós fazemos opções e nos dedicamos pelo que escolhemos. São essas escolhas certas, e também não tão certas. Por que somos capazes de não escolher o Cristo e seus profetas, para aceitar outras vozes que ecoam ao nosso redor? Certamente o mal nos engana muitas vezes.


Um caminho para melhorar nossas escolhas seria fugir de nossos egos, tentar evitar as escolhas definitivamente más. Mas há outro caminho mais interessante: procurar aplicar energia no que realmente tem valor. Colocar energia no bem, ao invés de gastá-la evitando o mal. As opções concretas da nossa vida, aquilo que escolhemos e daquilo que rejeitamos dependem do nosso desejo.  O que mexe com o centro volitivo de nosso ser, o que é feito por paixão tem mais chance de dar certo, enquanto que as coisas que não mexem com nosso desejo ficam pelo caminho.


Precisamos, portanto, encontrar onde está o nosso desejo e aplica-lo bem. Precisamos mudar a energia de direção, de vez em quando. Enquanto vivermos a esperança de São Paulo, queria fazer o bem e não conseguia, enquanto formos como os galileus que rejeitaram o filho do carpinteiro, precisamos pensar sobre o nosso desejo. A voz do homem velho ainda fala em nós.


São Paulo tinha paixão, tinha desejo. Desejava Deus e brigava pelas suas convicções. Mas em certos momentos, não suportava suas dores e, suas cruzes. Então ele pedia: “Senhor, tira o meu sofrimento” (2Cor 12,8). E Deus respondia “Basta-te a minha graça” (2Cor 12,9). E São Paulo entendia que seu desejo ainda não estava totalmente direcionado para o Senhor, compreendia que era um homem  fraco. Mas na sua fraqueza se manifestava a força de Deus. E veja que ele clamou por três vezes. E quem vai dizer que São Paulo não tinha fé para alcançar uma graça? E, certamente, alcançou a graça, segundo o desígnio de Deus.


Na nossa fraqueza, no nosso pecado, no nosso desejo ainda tão egoísta, na nossa rejeição pelo verdadeiro Deus, na nossa cruz, no nosso medo se manifesta a força de Deus. Por isso, aceitamos nossas fraquezas, não a ignoremos. As sombras são em certa medida o que nos faz ver a luz. Tenhamos consciência de nossos desejos, pois isso nos faz humanos. Mas tenhamos a certeza que a fraqueza humana está a força Daquele que se fez fraqueza por nós. Tornou-se fraco para, na nossa fraqueza, fazer-nos fortes.

 Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR
FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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