sexta-feira, 19 de outubro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A GRANDE AMBIÇÃO – SERVIR E DAR A VIDA


                     HOMILIA DO 29° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

O evangelho de hoje é provocador. Os melhores alunos de Jesus solicitam uma coisa totalmente contrária ao que ele tentou ensinar. Pedem para sentar nos lugares de honra no seu reino, à sua direita e à sua esquerda. Não compreenderam nem a pessoa, nem o modo de agir de Jesus. Seu pedido era tão vergonhoso que o evangelista
Mateus, quando contou mais tarde a mesma história, disse que foi a mãe deles que pediu (MT 20,20).

Devemos situar esse episódio no seu contexto. Mc 8,31-10,45 é a grande instrução de Jesus a caminho, balizada pelos três anúncios da Paixão. O evangelho de hoje é a continuação do 3° anúncio da Paixão: estamos no fim da instrução, e parece que até os melhores alunos ainda não aprenderam nada. De fato, só aprenderão depois da morte e ressurreição de Jesus. Por enquanto, em contraste com a incompreensão dos alunos, eleva-se a grandeza da lição final: o dom da própria vida.

A 1ª leitura prepara-nos para compreender melhor o evangelho. É o 4° cântico do Servo Sofredor. No seu sofrimento ele assumiu a culpa de muitos. Por isso, Deus o ama duplamente: porque ele é justo e porque seu sangue leva os outros a serem justos. Infelizmente, a humanidade precisa de vítimas da injustiça para reencontrar o caminho da justiça. A recente história da América Latina está cheia disso: os mártires que com seu sangue testemunharam o caminho da fraternidade. E ao lado desses mártires de sangue temos ainda os mártires do dia-a-dia, que não são poucos: pessoas que sacrificam sua juventude para cuidar de pais idosos, que sacrificam carreira lucrativa para se dedicar à educação dos pobres … São estes que santificam nosso mundo cruel.

O justo que dá sua vida pelos outros é chamado “servo”, porque serve. Ele é o antipoder. O povo diz: “Quem pode mais, chora menos”. O Servo diria: “Quem pode mais, serve menos”. Jesus diria: “Quem ama mais, sofre mais”. Jesus é a plena realização do “servo”. Aos apóstolos ambiciosos que desejam ter os primeiros lugares no Reino ele opõe seu próprio exemplo: “Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos. O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

Casualmente, este evangelho coincide com o trecho de Hb lido na 2ª leitura. Aí o servo de Deus é chamado de sacerdote. Não no sentido do Antigo Testamento – pois aí os sacerdotes eram muitos e deviam ser descendentes de Aarão, o que Jesus não era. Mas no sentido de oferecer a Deus, por todos nós, a própria vida. Aliás, ele é o único sacerdote conforme o Novo Testamento. Aqueles a quem chamamos de sacerdotes são na realidade “ministros”, servos do sacrifício exercido por Jesus. Eles ministram no altar o sacrifício de Jesus, exercendo o sacerdócio ministerial. E os fiéis unem-se ao dom da vida Jesus exercendo na vida cotidiana o sacerdócio batismal do povo de Deus.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: franciscanos.org

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