sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: SEDE MISERICORDIOSOS COMO O VOSSO PAI DO CÉU É

                    HOMILIA DO 7° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Solidários ao “primeiro Adão” (2ª leitura), de algum modo somos seres divididos, devedores de alguma coisa. Sempre existe dentro de nós algo que clama por ser melhorado, integrado, reconciliado. E diante deste drama temos um Deus rico em misericórdia que vem sempre ao nosso encontro e nos oferece o perdão. A misericórdia de Deus é infinita: Deus perdoa sempre, perdoa qualquer coisa, perdoa de modo gratuito, ama de modo gratuito, não pede nada em troca.

Jesus nos pedirá o mesmo coração do Pai: “Sede misericordiosos como o vosso Pai do Céu é misericordioso” (Evangelho). Diante do amor gratuito de Deus, exige-se a nossa gratuidade: dar sem receber nada em troca, amar e rezar pelos inimigos. É o que faz Davi (1ª Leitura). Ele poderia se vingar do rei que o perseguia, tinha diante dele seu inimigo indefeso, é tentado por Abisai para dar o golpe de morte, mas prefere o perdão, prefere guardar a espada e deixa-lo viver.

Estamos na sociedade da troca, do consumo, do lucro, da luta pelo sucesso, da vingança. Neste mundo, existem muitas oportunidades de destruir o outro, de crescer em troca do insucesso alheio. Ainda existem vozes que gritam pela pena de morte, pelo castigo aos culpados (sobretudo assassinos) ... Não perguntamos as razões da violência, fazemos pouco pela promoção da concórdia. Estamos dispostos a fazer o bem aos que não podem recompensar? Existe a oportunidade de oferecer o perdão a alguém que nos prejudicou?

O ódio nos destrói por dentro, prejudica até a nossa saúde. Não é possível amar a Deus sem amar o irmão. Precisamos evoluir nossa consciência sobre o que é pecado e sobre a reconciliação. Parece que boa parte das pessoas deseja uma consciência tranquila diante da confissão de alguns pecados como falta de oração, pensamentos impuros; quando se fala do amor ao próximo, pensa-se logo nos que estão na nossa família. É preciso uma maior atenção no amor aos irmãos, que passa necessariamente pelo perdão. Se existe algum perdão para oferecer, este é o dia, pois estamos celebrando “o sacrifício da perfeita reconciliação”. A missa, o sacramento da reconciliação, as celebrações penitenciais e os gestos concretos de caridade são caminhos de reconciliação. Não devem, contudo, ser atos vazios de sentido, mas meios para uma verdadeira reconciliação.

Podemos ainda falar de outras reconciliações. Além da reconciliação com Deus e com os irmãos, é preciso se reconciliar consigo mesmo. Existe dentro de nós muita coisa que não aceitamos. Posso me destruir por não aceitar os meus limites, a minha história com tanta sombras, o meu comportamento. É preciso se amar, para amar a Deus e amar a todos!

Como diz São Paulo: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5, 20). Abramos o coração para receber e dar o perdão. Perdão que vem de perdonare (per = através de; donare = dar, dom), significa ser atravessado pelo dom de Deus. Quem é atravessado por este amor é capaz de ser reconciliado cada vez mais até chegar à eternidade, o Reino dos reconciliados!

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR



FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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