sábado, 25 de julho de 2020

“AMAZONIZA-TE”: SOLIDARIEDADE COM A FLORESTA E SEUS POVOS

Para o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, a campanha “Amazoniza-te” é um convite, uma convocação e uma oportunidade para se viver a solidariedade com a floresta e com os povos da região

Será lançada na próxima segunda-feira, dia 27 de julho, às 16h de Brasília, por meio de uma live, a Campanha Amazoniza-te. Organizada pela Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com outras organizações eclesiais e da sociedade civil, a iniciativa surge atenta ao contexto onde as violências contra os povos tradicionais são agravadas pela pandemia da Covid-19. Enfrenta-se uma conjuntura onde o desmatamento e a grilagem, as queimadas, a mineração e garimpo se intensificam, tornando-se agentes de proliferação do coronavírus nas comunidades da região amazônica.

"Amazoniza-te"

A campanha levanta o chamado a “Amazonizar-te”, em um convite de ações que articulem as lideranças dos povos e comunidades tradicionais, a Igreja na Amazônia, os diferentes organismos eclesiais, artistas e formadores de opinião, pesquisadores e cientistas. A convocatória “Amazonizar” propõe a participação ativa de todo o povo em defesa da Amazônia, seu bioma e seus povos ameaçados em seus territórios. São vozes que se somam diante uma realidade de muitas vidas injustiçadas, expulsas de suas terras, torturadas e assassinadas nos conflitos agrários e socioambientais, vítimas de uma política norteada pelo agronegócio e por grandes projetos econômicos desenvolvimentistas que não respeitam os limites da natureza nem a sua preservação.

Papa Francisco

A iniciativa une-se a caminhada realizada ao longo dos últimos anos em vista do Sínodo para a Amazônia, realizado em outubro de 2019, em Roma. Com o Papa Francisco, a região Amazônica e a vida dos povos que habitam a região ganham o centro dos debates na Igreja. “Na Amazônia aparece todo tipo de injustiça, destruição de pessoas, exploração de pessoas em todos os níveis. E destruição da identidade cultural”, ponderou Francisco no encerramento do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia.

De acordo com o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, a campanha “Amazoniza-te” é um convite, uma convocação e uma oportunidade para se viver a solidariedade com a floresta e com os povos da região. “Nós queremos, nesse convite a ‘amazonizar’, superar a violação sistemática da legislação de proteção ambiental e o desmonte dos órgãos públicos com atuação do governo para desregulamentar e ampliar de forma ilegal a atuação das mineradoras, agronegócio, madeireiras e pecuaristas na região”, destacou dom Walmor.

Orientados pela escuta dos clamores e esperanças, a campanha é culminância das diferentes ações e mobilizações realizadas pelas organizações eclesiais e sociais que atuam na Amazônia ou na defesa dela, como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), Mídia Ninja e Movimento Humanos Direitos (MHuD).

Na live de lançamento que acontecerá na próxima segunda-feira (27) às 16h, será divulgado o hotsite da campanha com materiais de apoio, manifestos políticos das organizações e um compilado de estudos sobre a realidade da Amazônia para fundamentar ações e posicionamentos. A campanha traz uma série de vídeos com depoimentos das populações tradicionais da Amazônia que dialogam com o alerta assumido também por artistas de expressão nacional e internacional. O grupo de organizações proporá uma lista de ações concretas a serem assumidas de forma pessoal ou coletiva na perspectiva de “Amazonizar-se”.

A Campanha

A campanha “Amazoniza-te” nasceu do diálogo entre as organizações eclesiais e da necessidade de sensibilizar a opinião pública brasileira e internacional sobre o perigo ao qual está sendo exposta a vida na Amazônia, com os territórios e as populações. O desmonte dos órgãos públicos de proteção ambiental, o desrespeito contínuo da legislação, bem como ausência da participação da sociedade civil nos espaços de regulação e controle das políticas públicas também fomentaram a criação da campanha.

Para tanto, a campanha Amazoniza-te se estrutura a partir de três eixos:

1. Vulnerabilidade dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais à contaminação pelo novo coronavírus, com destaque para a debilidade no atendimento e estrutura dos equipamentos públicos de saúde nos estados e municípios da região, aquém das condições de outras regiões do país;

2. Aceleração da destruição do Bioma pelo aumento descontrolado do desmatamento, das queimadas, a invasão de territórios indígenas e das Comunidades Tradicionais pela grilagem, mineração, garimpo, pecuária e plantio de monoculturas, e pelos efeitos das hidrelétricas sobre as populações ribeirinhas;
3. Violação sistemática da legislação de proteção ambiental e desmonte dos órgãos públicos, com atuação intencional do governo para desregulamentar e ampliar – de forma ilegal – a atuação das mineradoras, agronegócio, madeireiras e pecuaristas na região.

Palavra usada no Sínodo

O neologismo ‘amazonizar’ foi usado pela primeira vez em 1986 em uma carta pastoral do então bispo da diocese de Rio Branco, no Acre, Dom Moacyr Grechi. Na ocasião o bispo convocava o povo a assumir a causa da Amazônia e a defesa de seus povos. O verbo tem sido utilizado amplamente quando se pretende tratar da defesa da Amazônia. Durante o processo do Sínodo para a Amazônia a expressão Amazonizar também foi muito utilizada e popularizada. É esse o sentido que a campanha propõe, mais do que conjugar o verbo amazonizar, torná-lo uma expressão pessoal, um chamado a todas as pessoas a se amazonizarem.

 

Fonte: site da CNBB/ Vatican News

 


sexta-feira, 24 de julho de 2020

DEBATE: QUE TAL MUDARMOS A ORDEM DOS SACRAMENTOS DA EUCARISTIA E CRISMA?


O QUE VOCÊ ACHA DA MUDANÇA NA ORDEM DOS SACRAMENTOS, PROPOSTA DO NOVO DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE?

O novo Diretório para a Catequese, publicado recentemente pelo Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização, traz uma questão há muito discutida pelas comissões de catequese: a restauração do sacramento da Crisma ao seu lugar, ou seja, depois do Batismo e antes da Eucaristia, voltando assim ao seu caráter originário de confirmação do batismo. Num debate com o grupo de catequistas do Catequistas em Formação, perguntamos a opinião destes a respeito do assunto.

VAMOS AO...


Eis o texto do diretório:

“70. Os sacramentos da iniciação cristã constituem uma unidade porque “põem os alicerces da vida cristã: os fiéis, renascidos pelo Batismo, são fortalecidos pela Confirmação e alimentados pela Eucaristia” (Comp. CIC, n. 251). É importante reiterar que, de fato, “somos batizados e crismados em ordem à Eucaristia. Esse dado implica o compromisso de favorecer na ação pastoral uma compreensão mais unitária do percurso de iniciação cristã” (SC, n. 17).49 É oportuno, portanto, avaliar e considerar a ordem teológica dos sacramentos – Batismo, Confirmação, Eucaristia – para “verificar qual é a prática que melhor pode, efetivamente, ajudar os fiéis a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para qual tende toda a iniciação” (SC, n. 18). É desejável que, onde se realizam experimentos, estes não sejam casos isolados, mas o fruto de uma reflexão de toda a Conferência Episcopal que confirma as escolhas operacionais para todo o território de sua competência”. (DC, 70).

Comentários

Juliana Bellozo Acho muito benéfica o batismo o banho o crisma o perfume e a Eucaristia a refeição então banhamos no espiro santo se perfumados com perfume (odor) do espiro santo e vamos para o basquete da vida a Eucaristia e vamos firmando a pessoa a se encontrar trará com Jesus na Eucaristia Para não ficar só na primeira Eucaristia

Nilva Mazzer Acho perfeita, aliás, como você já sabe é meu sonho de consumo rsrsrsrs...Mas falando sério realmente essa é a ordem certa pois as crianças teriam um pouco mais de maturidade para receber o sacramento da Eucaristia.🙂

Iolanda Thomasine  Nilva, exatamente minha opinião. Falta muita maturidade nas crianças, o que dificulta a perseverança na Igreja já que ainda dependem muito da família.

Rita Barboza Concordo, as crianças são imaturas para receber o sacramento da Eucaristia e algumas até abandonam a catequese depois de receber o sacramento, achando que não é necessário receber o sacramento da Crisma.

Rosa Azevedo  Acho perfeito. Põe-se tudo na sua devida ordem.

Miracy Mota Queiroz Concordo pois teriam mais maturidade cristã para o sacramento.

Mauricio Fernandes Também concordo com esta mudança pois, como foi dito, também acho que as crianças são imaturas para receber o Sacramento da Eucaristia. Um outro ponto de vista, quando o Sacramento da Crisma é o terceiro a se receber, pode parecer que ele é o "ápice" da vida da Igreja. E por se receber uma única vez, fica-se a impressão de que o jovem recebeu o "sacramento ápice de sua fé". E abandona a participação da Igreja porque não se receberá nunca mais aquele Sacramento. Agora, deixando o Sacramento da Eucaristia para o terceiro sacramento da Iniciação Cristã, aí sim este é a "fonte e ápice da vida da Igreja". Assim, o jovem terá maior maturidade na fé para recebê-lo e maior motivação para permanecer na comunidade.

Rosana Pavani Concordo, volta tudo a sua ordem.

Maria Sandra Também concordo plenamente. É urgente voltarmos um pouco atrás na história da igreja, pois o modelo que aí está infelizmente não está evangelizando o suficiente para que os iniciados à vida cristã sejam verdadeiros discípulos missionários de Cristo. 😪

Glória Santos  Bravíssimo Ângela! CIC 1322: A sagrada Eucaristia completa a iniciação cristã. Aqueles que foram elevados à dignidade do sacerdócio real pelo Baptismo e configurados mais profundamente com Cristo pela Confirmação, esses, por meio da Eucaristia, participam, com toda a comunidade, no próprio sacrifício do Senhor. O Batismo é a porta de entrada para o cristão, a Confirmação complementa a configuração do batizado a Cristo, e a Eucaristia, abri- se o caminho para a participação do alimento, são nutridos para a vida eterna, ou seja a Eucaristia é a culminância , um sinal de plena e definitiva inserção na Igreja.

Roseli Miranda Eu aprovo! Já era assim antes. Antes da Igreja separar essa unidade do Batismo Crisma, assim como houve o "divórcio" da catequese com a liturgia. Para quem ainda acredita, por falta de formação e conhecimento, que o objetivo, a finalidade da catequese seja preparar pessoas para os sacramentos, será difícil mudar as estruturas catequéticas forjadas nessa mentalidade. Eu creio que catequizandos, crismandos e seus familiares só podem conceber o sentido dos sacramentos a partir da experiência do encontro com Jesus Cristo e adesão ao seu projeto de vida.

Silvana De Lima Godoi Concordo. Mas, não entendi por que foi mudado ,pois antigamente era certo.

Catequistas em Formação Silvana, leia AQUI, um texto sobre a "Crisma e a sua história". 

Neuma Dias Também concordo, afinal a catequese para a iniciação cristã nem sempre é vista como importante e necessária para muito ainda infelizmente, é complicado quando a família coloca suas crianças para se preparar para receber a eucaristia como uma tradição familiar.

Nilva Mazzer  Neuma, sim, pois não assumem mais o seu papel de primeiros catequistas (pais).

Meire Joca  Nilva, levam a criança para receber a eucaristia, em busca só do sacramento. Depois esperam que elas busquem os outros sacramentos se sentirem necessidade (matrimônio).

Nilva Mazzer Uma terceirização, né? 🙄

Maria Jesus Gonçalves Fazer lembrar que no momento do batismo de Jesus, ele foi batizado por João Batista e logo após, o Espírito Santo desceu em forma de pomba reafirmando que Ele é o filho de Deus (Crisma). E mais tarde o próprio Jesus fez a iniciação dos seguidores, a formação dos seus discípulos e finalizando o compromisso com o sinal da partilha do pão e a vida com o seu sangue (eucaristia). Os sacramentos não é um só acontecimento e sim um compromisso de fé com Deus e o próximo.

Jin Hee Kim Maria Jesus Gonçalves, muito bem explicado e escrito!

Suzana Lossurdo Nilva, é mais um "diploma". É o que as famílias esperaram. Ainda não veem os Sacramentos como dons de Deus.

Marcia Rosania Concordo, pois como disse Susana muitas família veem o sacramento da eucaristia como um diploma de conclusão da catequese e só voltam que querem receber o sacramento da crisma.

Aparecida Pires E importante as mudanças. Concordo só assim teremos novos missionários.

Rosani Dalsenter Acho que seria ótimo assim vão receber a comunhão estarão mais responsáveis.

Vera Lúcia Beltrami de Oliveira Eu acredito que a mudança na ordem não importa e sim a participação, o engajamento das pessoas na vida cristã. Algumas crianças são imaturas para receberem a eucaristia assim como alguns jovens são para a confirmação. O importante é a caminhada destas crianças, adolescentes e jovens na vida cristã.

Ângela Rocha  Já eu acredito que a “ordem” em que são dados os sacramentos, é de suma importância nos dias de hoje. O fato de a crisma ser o "último" sacramento, fez com que a Eucaristia perdesse a sua importância na vida do cristão.

Nilva Mazzer Ângela, sim, esperam a Crisma como ponto máximo da catequese!🙄

Andrea Saggioro Barbosa Mudanças são necessárias!

Elenir Melo Se não acontecer a MISTAGOGIA na santa EUCARISTIA, a ordem não vai alterar em nada.

Ângela Rocha E como é que acontece a "Mistagogia"? Senão com maturidade? As crianças estão recebendo os sacramentos muito cedo. E o fato da Crisma ter sido deixada coo sacramento da maturidade, deixou a Eucaristia para trás, sem que se desse conta de que ela É o ápice da iniciação cristã.

Elenir Melo  Muitas mudanças serão necessárias, comecemos por:

1 – Nos aprofundar nos documentos da Igreja, que sempre tem as respostas, somos imediatistas, queremos as coisas “pra ontem”;

2 - Calma na Alma, espírito em oração em sintonia com Deus;

3- Reconhecer-se humilde, aprendiz no que faz na catequese, somos setas, indicamos o caminho, quem brilha é JESUS;

4 – Sejamos criativos, capazes de nos adaptar as mudanças;

5 – E se não tivermos conhecido a experiencia do mistério eucarístico em nossas vidas, não seremos capazes de evangelizar. E por aí vai.

Ângela Rocha  As mudanças devem ser encaradas como desafios, com calma e docilidade, não com resistência. Quando resistimos elas são mais "doloridas".

Bianca Jose Willian Concordo.

Gloria Silveira Eu aprovo a mudança. Se formos olhar os primórdios das primeiras comunidades crista era assim. Eu mesma fui crismada antes da eucaristia. É o certo a se fazer.

Aparecida Aparecida  A ordem dos fatores não altera seu valor....

Ângela Rocha Eu acredito que alteram, ainda mais se a eucaristia vier com mais maturidade.

Ivone Medeiros Do Amaral O correto é a comunhão depois da crisma. Por que receber a comunhão antes da livre opção por Jesus?

Nelita Onilia Pegoraro Schneider Acho que deveria ser assim mesmo o Batismo após a Crisma e depois a Primeira Eucaristia, mas para colhermos bons frutos dessa mudança devemos começar por nós catequistas em estarmos preparados para tais mudanças. Não simplesmente mudar a ordem dos sacramentos.

Ângela Rocha Vamos pensar que, obviamente, não se está fazendo esta proposta de mudança levianamente, sem que o projeto catequético seja todo repensado. O Diretório aqui "sinaliza" esta mudança como algo que pode ser feito para "ajudar os fiéis a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para qual tende toda a iniciação". Não basta, mesmo, simplesmente "trocar de lugar" sem que se faça uma reflexão também, sobre a unidade dos 3 sacramentos, já vemos muitas famílias que pensam em não batizar os filhos até que estes "escolham" ser batizados. Na verdade, todos os sacramentos deveriam vir com a maturidade cristã e não "empurrados" a crianças que não entendem o que estão fazendo.

Elano Luís Ótimo. Concordo com a mudança

Rose Olipe Quando haverá essa mudança e quem propôs?? Com que idade as crianças receberiam o sacramento da Eucaristia. Sei lá acho meio confuso e quando será aplicada essa mudança?? Preciso de mais elementos para ter uma resposta, não sei ao certo.

Jin Hee Kim  Rosa Olipe, ainda não haverá mudança nenhuma, esse documento é da Santa Sé para o mundo. Um novo diretório para catequese mundial se orientar como um todo. E uma das orientações é esta: que está no nº 70 que estamos discutindo aqui.😁 Que o nosso grupo CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO sempre fomenta a pensar partilhar! A confusão eu acho é que muitos pensam é que a CONFIRMAÇÃO seria da eucaristia e na verdade seria confirmar o nosso BATISMO que é a porta de entrada a nossa Igreja.. E só depois receber a eucaristia. Por isso essa mudança na ordem dos recebimentos dos sacramentos se houver seria muito bem vindo a IVC para principalmente facilitar a adesão dos que realmente querem ser seguidores discípulos missionários. E não somente como a Suzana disse lá em cima, recebedores de mais um diplominha. Nós catequistas e muitos padres estamos preocupados em ter números grandes dentro da igreja mas isso não significa que são verdadeiros convertidos. Muitas vezes ouvi dizer que a criança recebendo a hóstia sentem mais participativos na missa por exemplo. e isso é acolhimento inclusão talvez seja por isso que tem tanta pressa em fazer a 1ª eucaristia...

Adriana Bragion Será de grande valia essa mudança, pois a Eucaristia teria seu devido valor, por assim dizer. Todos os sacramentos são importantes sinais de Deus ,porém a Eucaristia é o Deus Vivo que quer estar conosco. Quem sabe assim toda pessoa, realmente convertida, estaria na igreja para um verdadeiro seguimento e adesão a Jesus. Não importa números e sim seguidores e fervorosos cristãos.

Fatima Nunes de Lima Concordo plenamente, muitas crianças recebem a primeira eucaristia sem maturidade alguma, inverter a ordem, acho que será bom para os catequizandos terem mais consciência sobre a importância da eucaristia.

Arlete Cândido Maia Preciso estudar também ainda este novo Diretório. Mais com que idade seria a Crisma, e a Eucaristia? Eu também não concordo, com esta mudança, muitos jovens vão a Crisma como se fosse uma obrigação, um preceito, já a Eucaristia, não falta crianças, claro que tem umas que vão porque a mãe empurra. Mas é caso de estudar, discutir, sempre é bom mudanças, novidades ... quem sabe né. Aqui no Ceará a procura é grande na Catequese de adulto( Catecumenato), quem sabe, é uma nova mudança que estamos precisamos.

Clenildes Santos Pereira Santos Eu sempre desejei essa mudança: batismo, crisma e eucaristia nessa ordem pois vai trazer mais amadurecimento ao que vão receber pela primeira vez a eucaristia

Gorete Aquino Eu fico a pensar: Crisma não é o Sacramento da Maturidade Cristã? Embora seja, na realidade os nossos meninos de 14 a 15 anos raramente têm maturidade suficiente para discernir se querem ou não se crismado. A ordem de aplicação talvez favoreça às famílias, após uma boa formação, a optarem ou não pelos sacramentos. Na verdade até mesmo a Eucaristia muitas vezes torna-se fruto da tradição e não da opção por Jesus.

Sandra De Souza Schuincki Eu gostei da mudança pois muitas vezes os adolescentes de 12 anos recebem a eucaristia e por mais que participaram da catequese, muitos ainda não entenderam esse sacramento com maturidade de fé. Ah, quem sabe recebendo depois da crisma. Há estarão mais preparados.

Wagner Campos Galeto É um retorno a ordem correta, muito bom.

Catequistas em Formação Vamos pensar que concordando com a mudança, temos um longo caminho a percorrer: Como e quando se dará o sacramento? Na idade da razão (7anos)? Durante o processo de iniciação (catequese)? Se a crisma tomar o lugar da eucaristia, em muitos lugares, ela ainda não passará dos 12, 13 anos... será esta a idade ideal da Eucaristia? O que vocês pensam a respeito?

Sonia Lima Eu concordo plenamente com a mudança

Arlete Cândido Maia Temos que pensar e repensar, estudar muito, mesmo esse novo Diretório da Catequese, e as mães , o que elas vão achar dessa mudança, pois devemos pensar principalmente nelas também, umas vão aceitar outras não. Tanto os jovens como as crianças, muitos deles não entendem nada dos Sacramentos, vão porque são obrigados a ir, as crianças aprendem muito mais que os jovens. Vamos ver, quem sabe, como disse antes. Será que sendo crismandos, eles vão querer se preparar a Eucaristia? Vamos pensar bem.

Andreia Duarte Adorei essa ideia! Mas, para mim está bem confuso. Na teoria a gente percebe que essa é a ordem mais correta. Mas, para essa implementação será necessária uma mudança radical, novas formações, novo pensar, e vamos ouvir muitas reclamações das famílias, de catequistas, padres..... ( faz parte... Kkkkk). Realmente assim a fé será mesmo compromisso assumido. Vai dar muita dor de cabeça, muitas coisas serão mudadas e novas formas de pensar virão, acho que nossa realidade está pedindo isso.

Catequistas em Formação Sobre a ordem dos sacramentos: onde foi feita a mudança, a crisma é um processo feito "durante" a catequese, como um rito ou uma benção. Assim, a Eucaristia ficaria na idade onde eles recebem a crisma, 13, 14 anos.

Rosangela Tamaoki Aqui na arquidiocese de Londrina essa mudança já é realidade. Os catequizandos que ingressaram na Catequese o ano passado, com 9 anos, farão 2 anos de Catequese para o Sacramento da Crisma e depois mais 2 anos para o Sacramento da Eucaristia. Para isso a Arquidiocese elaborou um material (livros) e os catequistas participaram de oficinas para conhecerem o material e o método Leitura Orange da Bíblia.

Nilva Mazzer Para nossa realidade aqui de Maringá que são 7 anos de catequese e a criança entra com 8 anos? receberiam o sacramento da Eucaristia com 15 anos. Claro que se continuasse nesse molde que está! Nossa catequese atualmente é : 1 ano de QUERIGMA, 3 anos para receber a Eucaristia e 3 anos para Crisma. 🙏

Adriana Bragion E se os sacramentos Crisma e Eucaristia fossem a partir dos 13 ou 14 anos. O adolescente estaria ,mais maduro ,quem sabe mais ciente da importância de tais. Antes disso percorriria o "Processo Catecumenal" voltado para sua faixa etária. E que sonho esses jovens viveriam a fé , a adesão a Jesus colocando a sua vida a serviço de um mundo mais humanizado e feliz.

Andrea Saggioro Barbosa  Eu me simpatizei com essa mudança, iremos seguir o caminho que Jesus fez entre nós! Algumas dioceses já são assim, gostaria da opinião da realidade dessas pessoas.

Rita Fernandes Interessante, todas as paróquias tem que aderir ao novo método? Pois vejo que têm paróquias que já trabalham assim, outras estão caminhando a passos lentos e agora com essa pandemia está complicado evangelizar on-line. Essa mudança requer preparação, material de estudo e orientação aos pais.

Catequistas em Formação Rita Fernandes, não é um "método" novo. É uma sugestão da Santa Sé para as Igrejas particulares (dioceses). Qualquer mudança sempre dependerá do Bispo, ele é a autoridade na nossa Igreja. Mudanças nas paróquias dependem sempre de mudanças nos diretórios diocesanos de catequese, que são feitos por comissões nomeadas pelos bispos. Não há uma "previsão" de mudança por enquanto, apenas estudos e discussões. Onde já teve mudança, é porque os Bispos destas dioceses ou arquidioceses assim o fizeram.

Catequistas em Formação Rosangela Tamaoki, a mudança na arquidiocese de Londrina não mudou as idades então? A Eucaristia ainda será por volta dos 12 anos pelo que se percebe. Aliás, agora nem serão mais 5 anos de catequese e sim 4?

Rosangela Tamaoki  exatamente!

Vívian Leite Eu acho muito válida a mudança, mas fiquei pensando principalmente na preparação dos catequistas, afinal a linguagem, métodos usados para jovens nos encontros de Crisma são muito diferentes daquela que usamos para os catequizandos de Primeira Eucaristia, que pela idade são mais abertos para viverem o querigma, nesta fase dos nove, dez anos a criança é maleável, interessada, ouve, participa, quer saber e conhecer, já fase da Crisma, os adolescentes tem um outro perfil, teremos que antes de tudo nos adaptarmos ao novo conceito.

Dalila Caram Eu tenho quase 30 anos de catequese. E o Diretório traz a luz uma questão muito importante? Por que? Por que agora? O que temos aprendido ao longo da caminhada com as crianças fazendo a 1 eucaristia na infância? Qual o valor que elas realmente aprendem deste importantíssimo Sacramento? Temos que trazer para o cerne da questão a importância da primeira eucaristia!


* Debate realizado no Grupo de partilha do Facebook entre os dias 18 e 24/07/2020


Grupo Catequistas em Formação

Formação, partilha, discussão e estudo de Catequese


 



quinta-feira, 23 de julho de 2020

O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO: HISTÓRIA E COSTUMES


 Que os sacramentos da Igreja foram instituídos por Jesus, nós já sabemos. Mas onde eles estão descritos na bíblia e em quais momentos históricos eles são revelados, poucos sabem responder.

 

A origem dos sacramentos também pode ser vista de outra maneira, como mostram os documentos dos Santos Padres da Igreja e como o Concílio Vaticano II, que também a esse respeito voltou às fontes, reafirmou. Conforme eles, os sacramentos não têm sua origem num ato jurídico de Jesus, mas no seu próprio ser. Como Ele é sacramento do Pai e a Igreja é sacramento de Jesus Cristo, assim a Igreja, o sacramento universal, se desdobra nos sete sacramentos. Eles têm, portanto, sua origem em Jesus, como a própria Igreja. O Vaticano II diz em sua Constituição sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium), citando Santo Agostinho: “Do lado aberto de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja” (SC, 5). A origem da Igreja e, com ela, dos sacramentos, é, portanto, não um mandato jurídico, e sim um ato vivencial.

 

Nos Evangelhos temos relatos claros no que se refere aos sacramentos do Batismo e da Eucaristia, e ainda sobre o sacramento da Penitência, que hoje chamamos Reconciliação. Este último é observado quando Jesus aparece aos apóstolos na tarde do dia da ressurreição e lhes sopra o Espírito Santo. “Recebei o Espírito Santo! A quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aos quais retiverdes, ser-lhes-ão retidos”, (Jo 20, 22).

 

Já com relação ao sacramento da Confirmação, já não é tão fácil encontrar justificativa nas Escrituras Sagradas. E muito se tem discutido a respeito disso.

Assim, desde os primórdios da Igreja, este sacramento tem sido “deslocado” no tempo, com relação às idades e a “ordem” dos ritos. Com relação ao Batismo, sempre esteve junto ou depois. Mas, com relação à Eucaristia, já esteve antes, depois, antes novamente, depois outra vez... Já foi em idade tenra, na idade da razão, na adolescência, na maturidade, indo e voltando várias vezes.

 

Atualmente, nas maioria das dioceses católicas, o Batismo é concedido aos recém-nascidos, a Eucaristia por volta dos 10 ou 12 anos e a Confirmação na adolescência ou juventude, sendo considerado hoje, o sacramento da “maturidade”. O CIC aponta como idade ideal os 14 anos. Esta última mudança foi gradualmente implantada após o Concílio Vaticano II. Apesar de que, pessoas nascidas em 1966, como eu, na diocese de Apucarana no Paraná, conseguiam ser crismadas aos 2 anos. Nesta época ainda imperava o costume de aproveitar a visita do Bispo para fazer a confirmação de todas as crianças que haviam sido batizadas e ainda não confirmadas.

 

Como dissemos, gradualmente, a Crisma passou a ser um sacramento para a adolescência, dado seu status de sacramento da iniciação e o fato de que é necessário fazer uma certa preparação (catequese) para que o candidato entenda os efeitos do sacramento. Os bispos, em sua maioria, escolheram colocá-lo após a Primeira Eucaristia com um tempo maior de catequese.


O Catecismo da Igreja Católica (CIC), que ensina: “A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o Sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada das obras.” (CIC §1316).

A Igreja afirma que a celebração deste sacramento resulta em uma ação especial do Espírito Santo, como aquele antigamente dado aos apóstolos no Pentecostes. Seria um aprofundamento e crescimento da graça batismal e do sentido de filiação divina que o batismo trouxe, que une o crismando mais solidamente a Cristo. Aqui o fiel recebe os dons do Espírito Santo, tornando mais perfeita a sua vinculação com a Igreja; e concede uma especial graça para testemunhar a fé. A doutrinas da Igreja também se refere ao sacramento como um “selo”, uma marca de Cristo.

Aqui convém uma explicação: afirma-se em geral que a Crisma é o Sacramento da maturidade cristã e confirma o Batismo recebido quando crianças, sem saber o que queríamos. Porém, não se trata de uma maturidade psicológica, mas de uma maturidade espiritual. Em outras palavras: se uma criança pequena for batizada e crismada, seu “organismo espiritual”, sua estrutura cristã, por assim dizer, já recebeu a maturidade. Resumindo: a Confirmação nos concede uma graça distinta do Batismo. Sem este Sacramento não há maturidade na vida cristã. Por isso que, todo aquele que assume qualquer trabalho pastoral na Comunidade deve ser crismado.

Segundo o CIC (1290), nos primeiros séculos da Igreja a Confirmação e o batismo constituíam uma única celebração. No entanto, a multiplicação dos batismos de crianças, em qualquer época do ano, e a multiplicação das paróquias (rurais), ampliando as dioceses, deixou de permitir a presença do bispo em todas as celebrações batismais. No Ocidente, porque o sacramento da confirmação era reservado ao Bispo, fez-se a separação, no tempo, dos dois sacramentos. O Oriente conservou unidos os dois sacramentos, sendo o sacerdote que batiza o mesmo que crisma, mas, sempre com o Myron (óleo sagrado) consagrado por um bispo.

Outro costume que facilitou a prática foi graças a unção com o santo crisma, depois do batismo: ao sair do “banho batismal” o neófito recebe a unção com o santo crisma no peito. Esta unção ficou ligada ao rito batismal e significa a participação do batizado nas funções profética, sacerdotal e real de Cristo. Se o Batismo é conferido a um adulto, há apenas uma unção pós-batismal: a da Confirmação (CIC 1291). A prática ocidental busca a comunhão do novo cristão com o seu bispo, sua catolicidade e a sua apostolicidade; e assim, a ligação com as origens apostólicas da Igreja de Cristo.

Agora, novamente, o novo Diretório para a Catequese 2020, publicado recentemente pelo Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização, traz em seu parágrafo 70, uma nova possibilidade de inversão, uma questão há muito discutida pelas comissões de catequese: a restauração do sacramento da Crisma ao seu lugar, ou seja, depois do Batismo e antes da Eucaristia, voltando assim ao seu caráter originário de confirmação do batismo e a Eucaristia ao seu lugar de destaque, ou seja, o ápice da Iniciação.

Eis o texto do diretório:

“70. Os sacramentos da iniciação cristã constituem uma unidade porque “põem os alicerces da vida cristã: os fiéis, renascidos pelo Batismo, são fortalecidos pela Confirmação e alimentados pela Eucaristia” (Comp. CIC, n. 251). É importante reiterar que, de fato, “somos batizados e crismados em ordem à Eucaristia. Esse dado implica o compromisso de favorecer na ação pastoral uma compreensão mais unitária do percurso de iniciação cristã” (SC, n. 17).49 É oportuno, portanto, avaliar e considerar a ordem teológica dos sacramentos – Batismo, Confirmação, Eucaristia – para “verificar qual é a prática que melhor pode, efetivamente, ajudar os fiéis a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para qual tende toda a iniciação” (SC, n. 18). É desejável que, onde se realizam experimentos, estes não sejam casos isolados, mas o fruto de uma reflexão de toda a Conferência Episcopal que confirma as escolhas operacionais para todo o território de sua competência”. (DC, 70). 


História do Rito de confirmação na Igreja do Ocidente

 

A principal razão pela qual a Igreja do Ocidente separou o Sacramento da Confirmação do Batismo, foi reestabelecer o contacto direto entre a pessoa a ser iniciada, com os bispos.

 

Na igreja primitiva, o bispo administrava todos os três sacramentos da iniciação (batismo, confirmação e eucaristia), assistido pelos sacerdotes e diáconos e, onde existiam, por diaconisas para o batismo das mulheres.

 

O rito pós batismal da Crisma, em particular, era reservado ao bispo. Quando os adultos passaram a não formar a maioria daqueles que seriam batizados, o sacramento da crisma era adiado até que o Bispo pudesse conferi-lo. Até o século XII, os padres muitas vezes, esperavam a confirmação antes de dar a Comunhão às crianças.

 

Após o Concílio de Latrão, a Comunhão, que continuou a ser dada somente após a confirmação, era administrada apenas ao atingir a idade da razão. Algum tempo depois, no século XIII, a idade da confirmação e Comunhão começou a ser adiada, de sete anos, para doze e quinze. No século XVIII, na França, a sequência dos sacramentos da iniciação foi alterada. Bispos passaram a fazer a confirmação somente após a primeira comunhão eucarística.

 

A razão não era mais o calendário ocupado do bispo, mas a vontade do bispo para dar instrução adequada aos jovens. A prática durou até o Papa Leão XII, em 1897, pediu para restaurar a ordem primária e para a confirmação voltar à idade da razão. Isso não durou muito tempo.

 

Em 1910, seu sucessor, o Papa Pio X , mostrando preocupação com o fácil acesso à Eucaristia para as crianças, em sua Carta Quam Singulari, baixou a idade da primeira comunhão para os sete anos. Essa foi a origem do costume generalizado nas paróquias para organizar a Primeira Comunhão para crianças por volta da 2ª infância e a confirmação na adolescência ou juventude.

 

Em 1917, o Código de Direito Canônico, mesmo recomendando que a confirmação fosse adiada até cerca de sete anos de idade, permitiu que fosse dada mais cedo.

 

Só em 30 de junho de 1932, foi dada permissão oficial para alterar a ordem tradicional dos três sacramentos da iniciação cristã. A Sagrada Congregação para os Sacramentos, em seguida, permitiu que, se necessário, a confirmação fosse administrada após a primeira comunhão. Esta novidade, inicialmente visto como excepcional, tornou-se cada vez mais, uma prática comum. Assim, em meados do século 20, a confirmação começou a ser vista como uma ocasião para professar compromisso pessoal com a fé, por parte de alguém mais próximo da idade adulta.

 

No entanto, o Catecismo da Igreja Católica (1308) adverte: "Apesar do sacramento da Confirmação ser às vezes chamado de 'sacramento da maturidade cristã,' não devemos confundir fé adulta com a idade adulta do crescimento natural, nem esquecer que a graça batismal é uma graça de livre, eleição imerecida e não precisa de 'ratificação' para se tornar eficaz."

 

O Código de Direito Canônico, de 1983, mantém inalterada a regra do Código de 1917, e estabelece que o sacramento deve ser conferido aos fiéis por volta da idade de discrição (geralmente considerado como sendo cerca de 7 anos), a menos que a Conferência Episcopal decida uma idade diferente, ou se houver um perigo de morte ou, na opinião do ministro, um grave motivo que sugira o contrário. O Código estabelece a idade da razão também para os sacramentos da Reconciliação e primeira comunhão.

 

Em alguns lugares, a fixação de uma idade mais avançada, por exemplo meados da adolescência, como Estados Unidos, adolescentes adiantados na Irlanda e na Grã-Bretanha, foi abandonada nas últimas décadas em favor da restauração da ordem tradicional dos três sacramentos da iniciação cristã.

 

Mesmo quando uma idade mais avançada tenha sido determinada, um bispo não pode recusar o sacramento a crianças mais jovens que o solicitem, desde que sejam batizados, tenham o uso da razão, sejam devidamente instruídos e estejam devidamente dispostos e capazes de renovar as promessas batismais (carta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, páginas 537-540).

 

Efeitos de confirmação

 

A Igreja Católica Romana e algumas anglo-católicas ensinam que, como o batismo, a confirmação marca o destinatário de forma permanente, o que torna impossível receber o sacramento duas vezes. O sacramento da confirmação tem validade na Igreja Ortodoxa oriental, cujas ordens sagradas veem como válida pela sucessão apostólica dos seus bispos. Mas considera que é necessário administrar o sacramento da confirmação aos protestantes que são admitidos à plena comunhão com a Igreja Católica.

 

Um dos efeitos do sacramento é que "ele nos dá a força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo, confessar o nome de Cristo com ousadia, e nunca para se envergonhar Cruz"(CIC, 1303). Este efeito foi descrito pelo Concílio de Trento como confirmar a pessoa como um “soldado de Cristo".

 

A mesma passagem do Catecismo da Igreja Católica também menciona, como um efeito da confirmação: "torna a nossa ligação com a Igreja mais perfeita". Esta menção salienta a importância da participação na comunidade cristã.

 

O termo "soldado de Cristo" foi usado em 350, por São Cirilo de Jerusalém. Neste contexto, o toque na bochecha que o bispo dava ao dizer "Pax tecum" (A paz esteja convosco) para a pessoa que ele tinha confirmado, foi interpretado no pontificado romano como um tapa, um lembrete para ser corajoso na divulgação e defender a fé: "deinde Leviter eum na maxila caedit, dicens: tecum Pax" (Então ele ataca-lo de leve no rosto, dizendo: a paz esteja com você).

 

Quando, no Concílio Vaticano II, na Constituição  sobre a Sagrada Liturgia, o rito de confirmação foi pedido para ser revisto e em 1971, o Papa Paulo VI publicou uma instrução, a menção a esse gesto foi omitido. No entanto, as traduções francesas e italianas, ainda indicam que o bispo deve acompanhar as palavras "A paz esteja com você", com "um gesto amigável" (texto em francês) ou "o sinal da paz" (texto em italiano), permitindo explicitamente um gesto como o toque na bochecha, para restaurar o seu significado original. Isso está de acordo com a Introdução ao rito da confirmação, o que indica que a conferência episcopal pode decidir "para introduzir uma forma diferente para o ministro para dar o sinal de paz depois da unção, seja para cada indivíduo ou para todos juntos."

 

Igrejas orientais

A Igreja Ortodoxa Oriental refere-se a este sacramento (ou, mais corretamente, Sagrado Mistério) como Crisma , um termo que os católicos romanos também usam. Cristãos orientais colocam a Crisma em estreita colaboração com o mistério sagrado do batismo, conferindo-lhe imediatamente após o batismo, que é normalmente em crianças.

A Sagrada Tradição da Igreja Ortodoxa ensina que os Apóstolos estabeleceram a prática da unção com o óleo do crisma no lugar da imposição de mãos quando dando o sacramento.

 

Como o número de convertidos cresceu, tornou-se fisicamente impossível para os apóstolos  impor as mãos sobre cada um dos recém-batizados. Então os Apóstolos impuseram as mãos sobre um vaso de azeite, concedendo a benção ao óleo e o Espírito Santo sobre ele, que foi então distribuída a todos os presbíteros (sacerdotes) para seu uso quando fizessem o batismo. Este mesmo costume está em uso até hoje na Missa dos Santos Óleos, na Semana Santa, onde o bispo abençoa o Óleo do Crisma, que será usado nos batizados e celebrações de crisma no ano litúrgico.

 

O rito ortodoxo, seja no batismo ou crisma, muitas vezes pede o nome de um santo, como nome do meio, que se tornará o seu santo padroeiro. Daí em diante, o dia de festa daquele santo será comemorado como o dia da conversão, ou Dia do Nome, que em culturas ortodoxos tradicionais é comemorado em vez de seu aniversário.

 

O rito se dá da seguinte forma: o sacerdote faz o sinal da cruz com o óleo do crisma na testa, olhos, narinas, lábios, ambas as orelhas, peito, mãos e pés do recém-iluminado, dizendo a cada unção: "Receba o selo do dom do Espírito Santo. Amém". Em seguida, o sacerdote coloca sua estola sobre o recém-iluminado e leva-o a seus padrinhos em uma procissão, circulando três vezes em torno do livro do Evangelho (Evangeliário), enquanto os cânticos do coro repetem a cada vez: "A todos quantos fomos batizados em Cristo vos revestistes em Cristo. Aleluia". (Gálatas 3, 27).

 

A razão das Igrejas Orientais realizarem a Crisma imediatamente após o batismo é para que o recém-batizado possa receber a Sagrada Comunhão, que é comumente dada às crianças, assim como aos adultos.

 

A Igreja Católica Romana confirma convertidos ao catolicismo que foram crismados em uma igreja oriental, considerando que o sacramento foi validamente conferido e não pode ser repetido.

 

Algumas Igrejas Ortodoxas praticam o que é visto por outros cristãos como "re-Crisma", na medida em que geralmente crismar/confirmar - e às vezes rebatizar - um convertido, mesmo um confirmado anteriormente em outras igrejas. A justificativa é que o novo Crisma (ou batismo) é o único válido, porque o anterior foi administrado fora da Igreja e, portanto, sendo somente um símbolo. Também se crisma um apóstata da Igreja Ortodoxa que se arrepende e volta a entrar comunhão. De acordo com algumas interpretações, as igrejas orientais, portanto, veem confirmação/Crisma como um sacramento repetível. Segundo outros, o rito é entendido como "parte de um processo de reconciliação, e não como uma reiteração de pós-batismal crisma".

A validade da Confirmação

 

A Igreja Católica vê a confirmação como um dos três sacramentos que ninguém pode receber mais de uma vez. Ela reconhece como já confirmados aqueles que entram na Igreja Católica depois de receber o sacramento, enquanto ainda bebês, nas igrejas cristãs orientais, mas, confere o sacramento (na sua opinião, pela primeira e única vez) sobre aqueles que entram na Católica Igreja depois de serem confirmados nas igrejas protestantes ou anglicanas, já que não o foram por ministros ordenados.


Fórmulas da Confirmação

Três passos são necessários à administração da Crisma: a imposição das mãos sobre a cabeça do crismando; a unção com o óleo na fronte; as palavra do Bispo: “Recebe por este sinal o Espírito Santo, Dom de Deus”, ao que o crismando responde: “Amém”.

Durante a celebração, o Bispo suplica os Dons do Espírito Santo na seguinte oração:

“Deus Todo-Poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, pela água e pelo Espírito Santo destes uma vida nova a estes vossos servos, libertando-os do pecado, enviai sobre eles o Espírito Santo Paráclito; dai-lhes, Senhor, o Espírito de sabedoria e de inteligência, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de ciência e de piedade, e enchei-os do Espírito do vosso temor.”

Uma curiosidade sobre o “nome de Confirmação”:

Um costume antigo em muitos países, é uma pessoa que está sendo confirmada adotar um novo nome, geralmente o nome de um personagem bíblico ou santo, como nome do “meio”, garantindo assim um “padroeiro(a)” como protetor e guia. Esta prática não é mencionada nos livros litúrgicos oficiais do rito da confirmação e não está em uso. Embora alguns insistam no costume, ele é desencorajado por outros e em qualquer caso, é de apenas um aspecto secundário da confirmação.

 

FONTES DE PESQUISA:

 

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 3ª. ed. Petrópolis: Vozes.


JOÃO PAULO II. Código de Direito Canônico. Promulgado pela Constituição Apostólica Sacrae Disciplinae Leges de 25 de janeiro de 1983. em vigor a partir de 27 de novembro de 1983.  Atualizado com a Carta Apostólica sob a forma de Motu Próprio Ad Tuendam Fidem de 18 de maio de 1998.

PAULO VI. Divinae Consortium Naturae. Constituição Apostólica sobre o sacramento da Confirmação. Roma, 1971. Encontrado em http://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-vi_apc_19710815_divina-consortium.html .