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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2021

 
Imagem: Vatican News

Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) abriram na manhã desta Quarta-feira de Cinzas, 17 de fevereiro, a quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). A abertura foi realizada de forma simbólica e virtual com a divulgação de um vídeo com pronunciamentos de representantes das Igrejas que compõem o Conic.

Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, extraído da carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, versículo 14.

Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs. A CFE 2021 quer convidar os cristãos e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. Tudo isso através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo.

A abertura virtual deve-se à escolha das entidades promotoras da Campanha como forma de prevenção da Covid-19. De acordo com o bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a decisão foi tomada em comum acordo com a diretoria do CONIC, “para evitar aglomeração nesse momento em que a pandemia assume números que nos assustam”. Para dom Joel, “é necessário dar testemunho a respeito da importância das medidas sanitárias” e, para isso, os “recursos informáticos” disponíveis serão utilizados.

O Papa Francisco enviou uma mensagem escrita para o início da Quaresma e da Campanha da Fraternidade 2021.

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas. O Senhor Jesus, que nos convida a caminhar com Ele pelo deserto rumo à vitória pascal sobre o pecado e a morte, faz-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia. Ele nos convoca e convida a orar pelos que morreram, a bendizer pelo serviço abnegado de tantos profissionais da saúde e a estimular a solidariedade entre as pessoas de boa vontade. Convoca-nos a cuidarmos de nós mesmos, de nossa saúde, e a nos preocuparmos uns pelos outros, como nos ensina na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Precisamos vencer a pandemia e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida. Como indiquei na recente Encíclica Fratelli tutti, «passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta» (n. 35). Para que isso não ocorra, a Quaresma nos é de grande auxílio, pois nos chama à conversão através da oração, do jejum e da esmola.

Como é tradição há várias décadas, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, como um auxílio concreto para a vivência deste tempo de preparação para a Páscoa. Neste ano de 2021, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, os fiéis são convidados a «sentar-se a escutar o outro» e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes «um mundo surdo». De fato, quando nos dispomos ao diálogo, estabelecemos «um paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro» (Ibidem, n. 48). E, na base desta renovada cultura do diálogo está Jesus que, como ensina o lema da Campanha deste ano, “é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14).

Por outro lado, ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade lembra que são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico. Certos de que «devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos», no diálogo ecumênico podemos verdadeiramente “abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus” (Exort. Apost. Evangelii gaudium, n. 244). É, pois, motivo de esperança, o fato de que este ano, pela quinta vez, a Campanha da Fraternidade seja realizada com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Desse modo, os cristãos brasileiros, na fidelidade ao único Senhor Jesus que nos deixou o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13,34) e partindo “do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade” (Carta Enc. Fratelli tutti, n. 271). A fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis. Desejando a graça de uma frutuosa Campanha da Fraternidade Ecumênica, envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

 Roma, São João de Latrão, 17 de fevereiro de 2021.

 Franciscus PP.


FONTE: VATICAN NEWS





REFLEXÃO: AS ATITUDES QUE NOS SANTIFICAM NOS RELACIONAMENTOS HUMANOS

Imagem: Silvia Cristiane Santos 

Reflexão: Liturgia da Quarta-feira de Cinzas, ano B – 17/02/2021

A Quarta-feira de Cinzas é a porta de entrada da Quaresma rumo à Páscoa da Ressurreição. No Brasil, também, damos início à Campanha da Fraternidade. Entramos, assim, no grande tempo em que se vive, de maneira mais intensa, o programa que Jesus nos propõe: oração, jejum e caridade.

A cinza na cabeça é usada em sinal de penitência, de conversão, de luto pelo pecado. Ao receber as cinzas, expressamos, com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho. As cinzas simbolizam o nosso nada diante do Criador. Fomos criados do pó da terra e ao pó voltaremos.

A Quarta-feira de Cinzas marca o início dos 40 dias da Quaresma. A Bíblia usa, com frequência, o período de 40 dias ou 40 anos para indicar períodos especiais, que criam um clima adequado para algo que vai acontecer:

- O Dilúvio durou 40 dias e 40 noites para purificar a humanidade corrompida, foi a preparação para uma nova humanidade.

- Durante 40 anos passou Israel no deserto a caminho da Terra Prometida. Foi uma experiência de purificação dos falsos deuses, de adesão aos mandamentos (Aliança) e de solidariedade.

- Durante 40 dias fizeram penitência os habitantes de Nínive antes de receber o perdão de Deus.

- Durante 40 dias e 40 noites, caminhou Elias até chegar à Montanha de Deus.

- Durante 40 dias e 40 noites, Moisés e Jesus jejuaram no início da Missão.

Assim, os 40 dias da Quaresma são também um tempo especial de conversão e renovação interior, em preparação da nossa Páscoa.


A Liturgia nos aponta o espírito que deve animar esse tempo

Na Liturgia desta Quarta-feira de Cinzas, veremos, na 1a Leitura (Jl 2,12-18), que o profeta Joel exorta todo o povo à conversão, ele diz que não basta só o rito externo de penitência, mas é necessário que a pessoa inteira, do mais íntimo de seu ser, se volte para Deus. Somente confiando em sua misericórdia, pode, o pecador, estar certo do perdão. A conversão do próprio coração deve ser o primeiro passo para uma mudança de vida. A Quaresma é esse tempo oportuno de retomar o caminho de se abrir à graça de Deus, que nos ama e nos socorre, não obstante nossas infidelidades, nossas fraquezas, nossas indecisões.

Na 2ª Leitura (2Cor 5,20-6,2), o Apóstolo Paulo nos convida a reconciliar-nos com Deus, com os irmãos e conosco mesmos, pois é este o momento favorável em que a salvação nos é oferecida.

No Evangelho (Mt 6,1-6.16-18), Jesus nos convida à conversão e à prática da justiça e nos apresenta três atitudes importantes que os cristãos são chamados a viver durante a Quaresma: a caridade, a oração e o jejum. Estas três práticas religiosas e sociais devem visar ao agrado de Deus e não, necessariamente, aos aplausos humanos; devem ser realizadas com autenticidade, sem exibicionismo, este é o conselho de Jesus aos seus discípulos e a todos nós: que, se possível, só o Pai veja e saiba o bem que é realizado.

Jesus não nega o valor dessas práticas em relação ao próximo (caridade), a Deus (oração) e a si mesmo (jejum), mas ele mostra como devem ser feitas para que se tornem autênticas.

- A Caridade: deve expressar o compromisso com a vida do outro. Qualquer outra motivação transforma esse gesto em promoção de quem oferece, desvirtuando seu sentido. Deve ser em segredo e não uma ocasião para se exibir, para ser elogiado ou tirar vantagens publicamente. Ela não se reduz à oferta de dinheiro, alimentos, roupas e outros objetos: “Misericórdia, eu quero e não sacrifícios”. Deus espera que tiremos algo de nós mesmos para Lhe oferecer. A oferta exterior precisa simbolizar e significar essa doação interior: tiramos algo de nós, um pedaço mesmo, para oferecer a Deus que vive em nossos irmãos. A caridade deve nos levar a um gesto de doação aos nossos irmãos, no serviço fraterno, na solidariedade e na partilha.

Para a Quaresma, propõe-se 15 simples atos de caridade como manifestações concretas de amor:  

    1. Sorrir, um cristão é sempre alegre!

    2. Agradecer (embora não precise fazê-lo).

    3. Lembrar ao outro o quanto o amamos.

    4. Cumprimentar com alegria as pessoas que você vê todos os dias.

    5. Ouvir a história do outro, sem julgamento, com amor.

    6. Parar para ajudar. Estar atento a quem precisa de você.

    7. Animar a alguém.

    8. Reconhecer os sucessos e qualidades dos outros.

    9. Separar o que você não usa e dar a quem precisa.

    10. Ajudar a alguém para que ele possa descansar.

    11. Corrigir com amor; não calar por medo.

    12. Ter delicadezas com os que estão perto de você.

    13. Limpar o que sujou, em casa.

    14. Ajudar os outros a superar os obstáculos.

    15. Telefonar ou visitar mais seus familiares, parentes e amigos.

- A Oração: deve nos levar a uma experiência pessoal com Deus, não deve ser uma repetição monótona de fórmulas, nem mesmo uma lista de petições. Deve ser um diálogo com Deus para entender e aceitar o seu projeto. Essa oração é escuta e abertura do coração para nos dispor a acolher os planos de Deus em nós. Requer tempo e ambientes adequados.

- O Jejum: vai muito além da abstenção de alimentos, deve nos levar a um gesto concreto de conversão: privar-se de algo para uma maior liberdade interior. Não é expressão de luto e de dor, mas sim expressão de alegria pela presença do Reino de Deus no mundo. Jejuar é criar espaço em nós para que a graça de Deus nos refaça e nos preencha. 

Qual é, então, o melhor jejum? Algumas dicas:

• Jejum de palavras negativas; dizer palavras bondosas.

• Jejum de descontentamento; encher-se de gratidão.

• Jejum de raiva; encher-se com mansidão e paciência.

• Jejum de pessimismo; encher-se de esperança e otimismo.

•Jejum de preocupações; encher-se de confiança em Deus.

• Jejum de queixas; encher-se com as coisas simples da vida.

• Jejum de tensões; encher-se com orações.

• Jejum de amargura e tristeza; encher o coração de alegria.

• Jejum de egoísmo; encher-se com compaixão pelos outros.

• Jejum de falta de perdão; encher-se de reconciliação.

• Jejum de palavras; encher-se de silêncio para ouvir os outros.


Boa reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.

 

Pe. Leomar Antônio Montagna

Presbítero da Arquidiocese de Maringá – PR




CATEQUESE DO PAPA: A LITURGIA É A PRESENÇA, É UM ENCONTRO COM CRISTO

 

"Cristo faz-se presente no Espírito Santo através dos sinais sacramentais: disto, para nós cristãos, deriva a necessidade de participar nos mistérios divinos. Um cristianismo sem liturgia é um cristianismo sem Cristo, totalmente sem Cristo”, disse o Papa na Audiência Geral.

Vatican News

 “Rezar na liturgia” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (03/02), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico.

 O Pontífice recordou que “na história da Igreja verificou-se repetidamente a tentação de praticar um cristianismo intimista, que não reconhece a importância espiritual dos ritos litúrgicos públicos. Muitas vezes, esta tendência reivindicou a presumível maior pureza de uma religiosidade que não dependesse de cerimônias externas, consideradas um fardo inútil ou prejudicial. O foco da crítica não era uma forma ritual particular, nem uma forma particular de celebração, mas a própria liturgia. Era a crítica contra a forma litúrgica de rezar”. 

A ORAÇÃO DOS CRISTÃOS PASSA POR MEDIAÇÕES CONCRETAS 

Francisco disse que “na Igreja é possível encontrar certas formas de espiritualidade que não conseguiram integrar adequadamente o momento litúrgico. Muitos fiéis, embora participassem assiduamente nos ritos, especialmente na Missa dominical, extraiam alimento para a sua fé e a sua vida espiritual sobretudo de outras fontes, de tipo devocional. Nas últimas décadas, houve muito progresso. A Constituição Sacrosanctum concilium, do Concílio Vaticano II, representa o centro deste longo trajeto”. E acrescentou:

Reafirma de maneira completa e orgânica a importância da liturgia divina para a vida dos cristãos, que nela encontram a mediação objetiva exigida pelo fato de Jesus Cristo não ser uma ideia nem um sentimento, mas uma Pessoa viva, e o seu Mistério um acontecimento histórico. A oração dos cristãos passa por mediações concretas: a Sagrada Escritura, os Sacramentos, os ritos litúrgicos. Na vida cristã não prescindimos da esfera corpórea e material, porque em Jesus Cristo ela se tornou o caminho da salvação. Podemos dizer que agora devemos rezar com o corpo. O corpo entra na oração.

“Não existe espiritualidade cristã que não esteja enraizada na celebração dos mistérios sagrados. A liturgia, em si, não é apenas oração espontânea, mas algo cada vez mais original: é um ato que fundamenta toda a experiência cristã e, por conseguinte, também a oração. É acontecimento, é evento, é presença, é um encontro com Cristo.”

 "Cristo faz-se presente no Espírito Santo através dos sinais sacramentais: disto, para nós cristãos, deriva a necessidade de participar nos mistérios divinos. Um cristianismo sem liturgia é um cristianismo sem Cristo, totalmente sem Cristo”, disse ainda o Papa.

A MISSA NÃO PODE SER SOMENTE “OUVIDA.”

 “Cada vez que celebramos um Batismo, ou consagramos o pão e o vinho na Eucaristia, ou ungimos o corpo de um enfermo com o Óleo sagrado, Cristo está ali! Ele está presente como quando curava os membros fracos de um doente ou quando, na Última Ceia, entregou o seu testamento para a salvação do mundo. A oração do cristão faz sua a presença sacramental de Jesus. O que nos é exterior torna-se parte de nós: a liturgia expressa isto também no gesto muito natural de comer.” A seguir, Francisco disse:

A Missa não pode ser somente “ouvida”, não é uma expressão correta. A missa não pode ser apenas ouvida, como se fôssemos apenas espectadores de algo que escorre sem nos envolver. A Missa é sempre celebrada, e não apenas pelo sacerdote que a preside, mas por todos os cristãos que a vivem. O centro é Cristo! Todos nós, na diversidade dos dons e ministérios, nos unimos na sua ação, porque ele é o Protagonista da liturgia.

“Quando os primeiros cristãos começaram a viver o seu culto, fizeram-no atualizando os gestos e a palavras de Jesus, com a luz e a força do Espírito Santo, para que a sua vida, alcançada por esta graça, se tornasse sacrifício espiritual oferecido a Deus. Esta abordagem foi uma verdadeira “revolução”. A vida é chamada a tornar-se culto a Deus, mas isto não pode acontecer sem a oração, especialmente a oração litúrgica. Que este pensamento nos ajude a todos. Quando vamos à missa aos domingos, vou para rezar em comunidade, rezar com Cristo que está presente. Quando vamos a uma celebração do Batismo, Cristo está ali presente que batiza. "Mas, Padre, está é uma ideia, um modo de dizer": isto não é um modo de dizer. Cristo está presente e na liturgia você reza com Cristo que está junto de você", concluiu o Papa.

VATICAN NEWS

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA DE 2021: "DO QUE ERA DIVIDIDO FAZ UMA UNIDADE"

FOTO: reprodução ANEC
Lançada hoje, quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021.

A escolha do tema, lema e demais fases de organização da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2021 foi feita essencialmente de forma remota, a pandemia impediu que os encontros presenciais fossem realizados o que evidenciou ainda mais o valor de podermos nos reunir também durante os dias da Quaresma, para entre outros, falar de Campanha da Fraternidade. O que já é um hábito entre os católicos brasileiros afinal desde 1964 a CNBB propõe temas e lemas a serem refletidos nas comunidades.

Especificamente as Campanhas Ecumênicas tiveram início no ano de 2000, apesar de ter sido sonhada desde a década de 1980. De lá para cá tivemos ao todos quatro Campanhas da Fraternidade Ecumênicas, recordemos quais são os temas e o lema de cada uma:

- Ano 2000: DIGNIDADE HUMANA E PAZ - Por um novo milênio sem exclusões.

- Ano 2005: SOLIDARIEDADE E PAZ - Felizes os que promovem a paz

-  Ano 2010: ECONOMIA E VIDA - Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro

- Ano 2016: CASA COMUM, NOSSA RESPONSABILIDADE - Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca.

A Comissão da CFE 2021 (foto abaixo) é formada por representantes das igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC, além da Igreja Betesda de São Paulo como igreja observadora, e o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e à Educação Popular (CESEEP), como membro fraterno.

                                    Foto: Reprodução Portal CONIC

Foi essa Comissão que em 7 de janeiro de 2020 escolheu para a CFE 2021 o Tema: "Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor" e Lema: "Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade" (Ef 2,14a), após receber inúmeras sugestões nesse sentido oriundas de inúmeras pessoas e grupos. Esta decisão se caracteriza então como uma resposta ao clamor do povo de Deus diante de tudo o que vivemos nesses últimos tempos e que culminou por fracionar ou mesmo inviabilizar o diálogo nos mais diversos setores da sociedade e infelizmente até em alguns lares.

O texto base sempre nos possibilita conhecer o tema e este ano ele trouxe novidades em sua estrutura e método. A mudança reflete a necessidade de um zeloso debate ao redor do tema e inicia com a exposição das causas sociais que nos trouxeram a este atual cenário como a disseminação de conflitos, o aumento da violência e seu uso como forma de solução para conflitos além das desigualdades e preconceitos do racismo e xenofobia.

Para que o Espírito Santo nos mova na direção de possibilidades condizentes com a Boa Nova de Cristo é preciso construir pontes de diálogos de amor e paz. Assim foi estabelecido como objetivo geral deste CFE 2021 através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. Sendo os objetivos específicos:

- Redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas;

- Denunciar as deferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus;

- Comprometer-se com as causas que defendam a casa comum, denunciando a instrumentalização da fé em Jesus Cristo que legitima a exploração e a destruição socioambiental;

- Contribuir para superar desigualdades;

- Animar o engajamento em ações concretas de amor ao próximo;

- Promover a conversão para a cultura de amor como forma de superar a cultura do ódio.

- Fortalecer e celebrar a convivência ecumênica e inter-religiosa;

- Estimular o diálogo e a convivência fraterna como experiências humanas irrenunciáveis, em meio a crenças, ideologias e concepções, em um mundo cada vez mais plural;

- Compartilhar experiências concretas de diálogo e convívio fraterno.

Um importante item da Apresentação do Texto Base é conversão ao diálogo e ao compromisso de amor. A conversão não ocorre de forma instantânea ou mágica pois não é um ato único. A conversão é processo, ou seja, uma sequência de atos diária e permanente. 

Nesse processo somos questionados a todo momento como estamos nos portando na vida e na sociedade, estamos agindo corretamente como discípulos de Cristo diante dos desafios da sociedade atual, seus conflitos e transformações sociais, econômicas, espirituais, individuais ou coletivas?

 As lições de Jesus Cristo são sempre em direção ao diálogo e à igualdade, dentre elas encontramos:

 - Mateus 19, 16-22: Jesus desafia a partilha de todas as nossas riquezas com os mais pobres pois assim Ele nos ensina que a concentração de riqueza gera desigualdade, conflito e segregação;

- João 8, 3-13: Jesus ao propor a autocrítica ensina que ninguém está livre do pecado e que o pecador pode ter a chance de continuar a viver livre de julgamentos e acusações após a opção pelo amor e não pela lei, eis que a lei pode ser manipulada para oprimir e o amor sempre gera compaixão, empatia e convivência.

É nesse sentido que o texto-base procura provocar em nós o real e completo significado do seguimento a Jesus, se relacionamos o seu nome mais ao amor ou à intolerância e se vivemos voltados a uma postura de acolhida e compromisso com os mais pobres, vulneráveis e excluídos.

A Quaresma é tempo propício de reflexão e conversão. O jejum proposto pela CFE é o que agrada à Deus apresentado em Isaías 56, 6-8 “desatar os laços provenientes da maldade, desamarrar as correias do julgo, dar liberdade aos que estavam curvados, em suma, que despedaceis todos os jogos? Não é partilhar o teu pão como faminto? E ainda? Os pobres sem abrigo tu albergarás; se vires alguém nu, cobri-lo-ás: diante daquele que é a tua própria carne, não recusarás. Então a tua luz despontará como a aurora, e o teu restabelecimento se realizará bem depressa. Tua justiça caminhará diante de ti e a glória do Senhor será a tua retaguarda”.

Assim a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) convida para que possamos jejuar em busca de superar a violência, racismo, preconceitos, e todas as mazelas do mundo atual, com o objetivo de estruturar diálogos de amor e compromissos com a paz.

A caminhada quaresmal, comprometida com uma sociedade justa e amorosa, seguirá como os passos dos caminhantes de Emaús como narra Lucas 24, 13-35 e que o Texto Base traz no item redescobrindo cristo no caminho: a paz do ressuscitado que nos une.

A partir deste item, a leitura do texto base traz uma novidade e foi conduzida pela equipe da Campanha para nos levar ao caminho de Emaús e lado a lado com Cristo, esta caminhada foi dividida em quatro momentos denominados e estruturados como a seguir:

1) VER: TROCANDO IMPRESSÕES SOBRE ACONTECIMENTOS RECENTES

 Aqui recebemos o convite de perceber os acontecimentos históricos e atuais em diferentes situações como crises, violência, intolerância religiosa, racismo e a partir dessa identificação vamos questionar se as soluções propostas e/ou as que estão em prática, estão de acordo com a Boa Nova do Evangelho.

2) JULGAR: CARTA PARA PESSOAS DE BOA VONTADE EM UM MUNDO CHEIO DE BARREIRAS E DIVISÕES

 Nesta fase da leitura somos desafiados a não nos distanciarmos da inspiração bíblica eis que é ela que nos guiará para organização de soluções que criem diálogos possíveis, ergam pontes e não muros. Nessa fase o lema será a nossa “lanterna” Efésios 2, 14a "Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade", que nos unirá aos caminhantes de Emaús Lucas 24, 30 “se pôs a mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a benção, partiu-o e lhes deu” e então abrir nossas mentes e corações em busca de uma melhor convivência em sociedade que está dominada pela intolerância e tudo o que surge onde não há paz, respeito e diálogo.

3) AGIR: CRISTO É A NOSSA PAZ: DO QUE ERA DIVIDIDO FEZ UNIDADE

 Momento inspirado no reconhecimento de Jesus Cristo pelos que estavam caminhando com Ele em Emaús e após perceberem que Ele esteve com eles o tempo todo, correram para anunciar a Boa Nova: Cristo ressuscitou! A vida triunfou e não a violência!

4) CELEBRAR: COLETA DA SOLIADRIEDADE E GESTO CONCRETO

Nesta fase que encerra o Texto Base temos à nossa frente o exemplo primoroso de São Paulo que através de sua conversão foi de perseguidor a apóstolo, portanto deixou a violência contra as primeiras comunidades cristãs para buscar o entendimento entre judeus e gentios com a superação de preconceitos, buscou ainda a existência harmoniosa entre as diferentes comunidades cristãs de sua época.

É com a esperança dentro do coração que percebemos a necessária escolha do Tema para a CFE 2021, assunto atual e que pode ser instrumentalizado para, através das igrejas cristãs e trabalho do CONIC, encontrarmos caminhos de diálogo que nos leve à sociedade justa e pacífica que é capaz de responder à Deus e viver o Reino de Deus.

Fontes:

- Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021

- Portal do CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (https://www.conic.org.br/portal/) acesso em 4 de fevereiro de 2021.




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021: NOTA DA CNBB

Imagem: CNBB.ORG

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta terça-feira, 9 de fevereiro, uma nota na qual esclarece pontos referentes à realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, cujo tema é: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade”, (Ef 2,14a).

O documento reafirma a Campanha da Fraternidade como uma marca e, ao mesmo tempo, uma riqueza da Igreja no Brasil que deve ser cuidada e melhorada sempre mais por meio do diálogo. Iluminado pela Encíclica Ut Unum Sint, de 1999, do Papa São João Paulo II, o texto aponta também ser necessário cuidar da causa ecumênica. 

Sobre o texto-base da CFE deste ano, os bispos afirmam que a publicação seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), conselho responsável pela preparação e coordenação da campanha da fraternidade em seu formato ecumênico. “Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado apenas pela comissão da CNBB”, aponta a Nota.

No documento, a presidência da CNBB reafirma que a Igreja Católica tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela. “A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que ‘gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

A nota informa que os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) seguem rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também a preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. “Os recursos só serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”, reforça a nota.

A presidência da CNBB afirma, no parágrafo final, que apesar de nem sempre ser fácil cuidar das dificuldades levantadas pela realização de uma Campanha da Fraternidade e da caminhada ecumênica e de muitos outros aspectos da ação evangelizadora da Igreja, nem por isso se deve desanimar e romper a comunhão, o que segundo os bispos é uma das maiores marcas dos cristãos. “Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos”, exorta a presidência da CNBB.

Conheça, abaixo, a íntegra do documento. Aqui a versão em PDF:

NOTA DA PRESIDÊNCIA DA CNBB


Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

“Não apagueis o Espírito, não desprezais as profecias,
mas examinai tudo e guardai o que for bom
” (1 Ts 5,21)

1. No exercício de nossa missão evangelizadora, deparamo-nos com inúmeros desafios, diante dos quais não podemos esmorecer, mas, ao contrário, buscar forças para responder com tranquilidade e esperança.


2. Nosso país vive um tempo entristecedor, com tantas mortes causadas pela covid-19, um processo de vacinação que gostaríamos fosse mais rápido e uma população que se cansou de seguir as medidas de proteção sanitária. Nosso coração de pastores sofre diante de tantas sequelas que surgem a partir da pandemia, em especial o empobrecimento e a fome.

A Campanha da Fraternidade 2021 e suas características


3. Em meio a tudo isso e atendendo à solicitação de irmãos bispos, desejamos abordar a Campanha da Fraternidade deste ano. Algumas afirmações têm ocasionado insegurança e mesmo perplexidade.


4. Como sabemos, a Campanha da Fraternidade é uma riqueza da Igreja no Brasil, nascida e amadurecida não sem dificuldades e mesmo sofrimentos. A cada Campanha, o aprendizado se fortalece e se mostra continuamente necessário. Assim acontece com cada tema escolhido e assim acontece quando as Campanhas, desde o ano 2000, são feitas em modo ecumênico.


5. Para este ano, o tema escolhido foi o diálogo, com o tema, portanto, fraternidade e diálogo: compromisso de amor. Trata-se, como explicado nas formações feitas pelo nosso Setor de Campanhas, do recolhimento dos temas anteriores, em especial desde 2018, que tratou da superação da violência, até 2020, quando apresentou-se a proposta cristã do cuidado.


6. Para 2021, conforme aprovação em nossa Assembleia Geral de 2018, a Campanha foi construída ecumenicamente e, conforme costume desde o ano 2000, sob a responsabilidade do CONIC. Nas primeiras reuniões, discerniu-se pelo tema do diálogo, urgência num tempo de polarizações e fanatismos, cabendo então ao CONIC a construção do texto-base. Isso foi feito conforme está explicado na apresentação do mesmo, com detalhamento da equipe elaboradora, na pág. 9.


7. Consequentemente, o texto seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do CONIC. Foram realizadas várias reuniões, o texto passou por revisão da assessoria teológica do CONIC, uma assessoria com membros das diversas igrejas, chegando, então, ao que hoje temos. Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado pela comissão da CNBB, pois são duas compreensões distintas, ainda que em torno do mesmo ideal de servir a Jesus Cristo. O texto-base desse ano, por conseguinte, deve ser assim compreendido, como o foi nas Campanhas da Fraternidade levadas a efeito de modo ecumênico.

Algumas questões específicas


8. Nos últimos dias, reações têm surgido quanto ao texto. Apresentam argumentos que esquecem da origem do texto, desejando, por exemplo, de uma linguagem predominantemente católica. Trazem ainda preocupações com relação a aspectos específicos, a saber, as questões de gênero, conforme os números 67 e 68 do referido texto.

9. A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que “gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

Uma ajuda destacável


10. Já pronto o texto-base, fomos presenteados com a Fratelli Tutti, que recomendamos vivamente seja também utilizada como subsídio para a Campanha da Fraternidade deste ano. Ela estabelece forte conexão entre o tema de 2020 e o de 2021, cuidado e diálogo, e muito ajudará na reflexão sobre o diálogo e a fraternidade.

Coleta da Solidariedade


11. Junto com essas preocupações de conteúdo, surgiu ainda a sugestão de que não se faça a oferta da solidariedade no Domingo de Ramos, uma vez que existiria o risco de aplicação dos recursos em causas que não estariam ligadas à doutrina católica.


12. Lembramos que, em 2019, foi distribuída pelo Fundo Nacional de Solidariedade – FNS a quantia de R$3.814.139,81, fruto da generosidade de nossas comunidades, não se incluindo nessa quantia o que foi destinado aos fundos diocesanos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Somente com a ajuda da instituição alemã Adveniat conseguimos atender a 15 projetos.


13. Sobre isso, recordamos que o FNS segue rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. Desde o início da construção da Campanha da Fraternidade de 2021, temos informado ao CONIC a respeito da dificuldade e até mesmo da impossibilidade de mantermos a estrutura do Fundo de Solidariedade como ocorrido nas Campanhas ecumênicas anteriores. Sobre este ponto, tendo como base a última dessas Campanhas, a de 2016, esta Presidência já manifestou ao CONIC as dificuldades e, por espírito de comunhão e corresponsabilidade, vai conversar sobre o assunto na próxima reunião do CONSEP. A conclusão será informada em seguida.

Desse modo:


14. Em consequência, respeitando a autonomia de cada irmão bispo junto aos seus diocesanos e como não poucos irmãos nos têm solicitado indicações para informar ao povo sobre a CF 2021, consideramos importante que sejam destacados os seguintes aspectos:

  1.   A Campanha da Fraternidade é um valor que não podemos descartar.
  2.  Alguns temas, conforme seu modo de ser apresentado, tornam-se mais difíceis que outros.
  3.  A Igreja tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela.
  4.  Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica.
  5.  A causa ecumênica se mantém importante. “Uma comunidade cristã que crê em Cristo e deseja com o ardor do Evangelho a salvação da humanidade não pode de forma alguma fechar-se ao apelo do Espírito que orienta todos os cristãos para a unidade plena e visível … O ecumenismo não é apenas uma questão interna das comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e criar obstáculos a este amor é uma ofensa a Ele e ao Seu desígnio de reunir todos em Cristo” (S. João Paulo II, Encíclica Ut Unum Sint, 99)

15. Concluímos lembrando a importância da Campanha da Fraternidade na história da evangelização do Brasil. É nossa marca. Cabe-nos cuidar dela, melhorá-la sempre mais por meio do diálogo, assim como nos cabe cuidar da causa ecumênica, um ideal que se nos impõe. Se nem sempre é fácil cuidar de ambos e de muitos outros aspectos de nossa ação evangelizadora, nem por isso devemos desanimar e romper a comunhão, uma de nossas maiores marcas, um tesouro que o Senhor Jesus nos deixou e do qual não podemos abrir mão. Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos.

Brasília-DF, 09 de fevereiro de 2021


Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O QUÃO "DIABÓLICO" PODE SER O EXTREMISMO: CFE 2021 E AS POLÊMICAS

Imagem: CNBB.ORG

O "extremismo", a "polarização" e "ideologias macabras", estão em todos lugares e crenças. Vivemos tempos inacreditáveis!   Ainda mais quando se trata de religião e fé em Deus, que é inteiramente amor e misericórdia, aí, já é "doença", foge da totalmente da realidade em que vivemos.
Que é isso que estão falando por aí sobre a Campanha da Fraternidade 2021? 
Parece loucura, mas, tem muita gente acreditando nas Fake News que rolam por aí. Pensamentos  exclusivamente ligados à doutrina católica, excludentes, fazem com que assuntos como homossexualismo, feminicídio, aborto, gravidez precoce, sejam "tabus"; e as pessoas que ousam levantar estas questões, são consideradas agentes "do diabo". Mas, "diabólicos" parecem ser os católicos que acreditam nessa conversa e espalham as Fakes.

 Somos CRISTÃOS, da Igreja de Jesus Cristo, aquele que acolhia a todos e os aceitava como eram. Ou não somos?

 “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” é o tema que conduzirá as reflexões, à luz do lema bíblico “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef. 2.14).

Leia o artigo abaixo:

"CATÓLICOS DIABÓLICOS"

A Campanha da Fraternidade 2021 ainda não começou, mas as agressões à CNBB e à nossa Igreja, por dialogar com outras igrejas cristãs (pois a CF 2021 é ecumênica) e tratar de temas polêmicos como o feminicídio (assassinato de mulheres), a homossexualidade, o racismo, a violência social e a ecologia, estão “bombando” na Internet, por meio de vídeos caros, de alta qualidade, patrocinado por grupos ricos, feito por pessoas que se consideram mais católicas do que o Papa Francisco e os nossos Bispos, pessoas que acusam quem quer que seja que pense diferente delas de serem de “revolucionários de extrema esquerda”, sendo que, segundo a ignorância bíblica que caracteriza a sua fé, Deus é não apenas “de direita”, mas de “extrema direita”.

O tema da CF 2021 é “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”, e o lema é “Cristo é a nossa paz: do que era dividido ele fez uma unidade” (Efésios 2,14). Enquanto nossa Igreja propõe o diálogo com outras igrejas cristãs para trabalharmos juntos pelo Reino de Deus e por um mundo melhor, os católicos diabólicos enxergam a CF 2021 como uma campanha contra aquela que eles chamam de “Santa Igreja Católica”.  Enquanto nossos bispos lembram ao mundo que “Cristo é a nossa paz”, os católicos diabólicos fazem guerra contra a CNBB na Internet. Enquanto as igrejas cristãs lembram ao mundo que Cristo derrubou o muro da inimizade que havia e do que era dividido fez uma unidade (cf. Ef 2, 14), os católicos diabólicos incentivam os católicos em geral a construírem um muro que os separe da CNBB e também do Papa Francisco pois este, na visão deles, é um Papa “de esquerda”.

 Em um dos seus vídeos, os católicos diabólicos atacam o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), responsável pela elaboração do texto-base da CF 2021. Rotulam seus dirigentes de serem todos “revolucionários de esquerda” e, para provarem sua tese, afirmam que o texto-base da CF 2021 não menciona em suas páginas termos como “Maria”, “Nossa Senhora”, “Mãe de Deus”, “sacramentos” nem “São José”. Falta a esses católicos diabólicos discernimento para saber a diferença entre um livro de catequese e um texto que busca apelar à consciência das pessoas de boa vontade para questões sociais que clamam por atitudes cristãs que sejam “sal da terra” e “luz do mundo” (cf. Mt 5,13.14). Como o texto-base não é um manual de propagação da doutrina católica, eles o definem como “um documento criminoso”, “um documento não católico”, “uma tragédia do início ao fim”.      

Criticando o posicionamento das igrejas cristãs frente a problemas sociais como o racismo, a agressão ao meio ambiente e ao grave problema do “feminicídio” (assassinato de mulheres), termo que eles, por serem negacionistas, consideram “absurdo”, esses católicos diabólicos acusam maldosamente a CNBB de defender e fazer propaganda da causa gay. Indo mais longe, afirmam que a CF 2021 pretende convencer os católicos a aceitar as práticas homossexuais e a “acolher os homossexuais sem exigir deles conversão”, coisa que em nenhum momento o texto-base propõe. Mas é assim que esses católicos diabólicos interpretam o documento.

Por serem negacionistas, atacam os padres e bispos que fecharam suas igrejas para favorecer o distanciamento social e impedir uma contaminação ainda mais letal do novo coronavírus na população. Deformando a razão principal do distanciamento social, que é a preservação da vida das pessoas, eles acusam maldosamente esses padres e bispos de considerarem o serviço social como “algo não essencial” para as pessoas. Se tudo isso não bastasse, esses católicos diabólicos interpretam o convite que o texto-base da CF 2021 faz a respeitar as crenças religiosas dos índios afirmando que os organizadores da Campanha de pessoas que “condenam as missões católicas” e “negam o céu aos índios”.

O vídeo que ora comento encerra-se convocando todos católicos a declararem guerra aos organizadores da CF 2021, o que, na verdade, é uma declaração de guerra à CNBB, e a guerra consiste em não colaborar com a coleta da CF, sempre realizada no Domingo de Ramos, cujo valor é assim dividido: 40% para as ações sociais da CNBB e 60% para as ações socias da Diocese. Literalmente, o vídeo faz a seguinte “chamada”: “Nenhum católico entregue o seu dinheiro para essas pessoas (organizadoras da CF 2021) que são más e estão trabalhando contra a Igreja Católica”. Não colaborar com a coleta da solidariedade, segundo o apresentador do vídeo, será “um ato de amor à Santa Igreja Católica”.

Este apresentador termina seu desserviço ao diálogo ecumênico, à paz e à unidade entre os cristãos convidando as pessoas a espalharem seu vídeo pela Internet. Afinal de contas, é preciso que o inimigo continue a semear joio no meio do trigo (cf. Mt 13,25), inclusive, e sobretudo, dentro da Igreja, à qual o apresentador diz amar, nomeando-a como “Santa Igreja Católica”.

Pe. Paulo Cezar Mazzi - Escritor e sacerdote – Guariba SP.

ASSISTA O VÍDEO onde o Cardeal D. Odilo Cherer esclarece as polêmicas da CFE 2021.

https://www.youtube.com/watch?v=6sS5of9yV7U





domingo, 7 de fevereiro de 2021

SALA, QUARTO E COZINHA: EVANGELHO DO V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Imagem: CEBI.ORG

Reflexão do Evangelho de Marcos 1,29-31

Este é o “Sermão da Sala, do Quarto e da Cozinha”

Ora, as casas do povo simples, nos tempos de Jesus, eram muito rústicas. Algumas tinham um único cômodo. Os animais (ovelhas e cabras) se abrigavam na parte de baixo, sob o assoalho, e o calor que emanavam servia para manter a parte de cima aquecida. Não tinham janelas como as nossas, pois o vidro era raridade. Em geral construíam um terraço, onde tomavam as refeições e até dormiam, muitas vezes a céu aberto, cujo acesso se dava por meio de uma escada lateral. Ali também acontecia boa parte das reuniões de família e outras interações sociais. Eram, portanto, muito diferente das nossas casas. Mesmo assim, havia espaços determinados para dormir, para comer e para receber pessoas, ainda que num mesmo cômodo “multifuncional”.

Pois bem, onde estão a sala, o quarto e a cozinha no texto indicado? Vejamos:

A sala

Jesus saiu da sinagoga e foi para a casa de Simão. Podemos imaginar sem esforço que um pobre pescador, ao receber o ilustre Rabi em sua casa, por mais modesta que fosse, procuraria abrigá-lo no lugar mais aprazível e confortável. Talvez até fosse o pátio da casa, sob alguma árvore. Nas nossas casas urbanas, certamente o receberíamos em nossa sala de estar. Ali, devem ter conversado amenidades, como também nós fazemos, para quebrar o gelo e deixar as visitas à vontade. Então ficamos felizes de presumir que o nosso Rabi não está somente lá na sinagoga (“igreja”) pública, mas que também vem até nós e nos visita na particularidade do nosso lar.

O quarto

Mas, ao que parece, a conversa não ficou só nas amenidades. Tiveram a chance de dizer que havia uma pessoa enferma na casa. O que nos leva a deduzir que o Rabi não ficou falando, discursando, o tempo todo, mas que de fato dialogou com os moradores daquele lugar. A sogra de Simão estava acamada, com febre alta, e rogaram-lhe por ela. Jesus então “aproximou-se” (na versão de Lucas: “inclinou-se sobre ela”), a tomou pela mão, e a febre a deixou. Jesus não ficou só na “periferia” da casa, mas também a visitou na intimidade do leito da dor e da enfermidade. Aqui, merece destaque o fato de termos um Deus que se aproxima de nós em Jesus de Nazaré e nos trata com carinho, a ponto de tomar-nos pela mão e nos ajudar a reerguer-nos das nossas prostrações.

A cozinha

“A febre a deixou, passando ela a servi-los”. O verbo aqui empregado no texto grego é diakonéo, que significa “servir à mesa”. Não é impossível então imaginar que a sogra do pescador tenha ido preparar um peixinho para servir aos visitantes (nós provavelmente ofereceríamos ao menos um cafezinho). Em qualquer casa, a cozinha é o lugar da partilha e do serviço por excelência.

Outro importante detalhe é que o texto não diz que ela passou a servir somente a Jesus, mas a ação é abrangente e inclusiva: “passando ela a servi-los”. A experiência com Jesus nos leva à prática do serviço a todos.

Posteriormente, diakonéo se tornou um termo técnico para designar uma função bem específica na Igreja: a do diácono. Podemos concluir, portanto, que a sogra de Pedro foi a primeira diaconisa mencionada nos Evangelhos.

Como é bom sabermos que temos um Deus que não está restrito aos templos e às sinagogas, mas que nos visita na humildade dos nossos lares. Vem para participar das nossas alegrias (a Sala), mas também para nos ajudar nas nossas dores (o Quarto), e vem para nos dar forças para servir a Ele e a todos com alegria (a Cozinha).

Texto do Reverendo Luiz Carlos Ramos.

FONTE: CEBI.ORG

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/sala-quarto-e-cozinha/