A CATEQUESE E O CONCÍLIO VATICANO II



A CATEQUESE E OS DOCUMENTOS ECLESIAIS

A CATEQUESE E O CONCÍLIO VATICANO II


TEXTO PRINCIPAL 01

A Igreja do Brasil no Concílio Vaticano II


Há quase 46 anos era encerrado o Concílio Vaticano II ou o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, considerado a maior conferência da Igreja Católica do século 20. Convocado pelo papa João XXIII, o Concílio queria promover o “aggiornamento”, ou seja, a atualização da Igreja e comprometê-la na busca da unidade entre os cristãos por meio do seu engajamento no movimento ecumênico. O Concílio Vaticano II foi anunciado pelo Papa João XXIII, na festa da conversão do apóstolo Paulo, a 25 de janeiro de 1959. Algum tempo depois toda a Igreja, bispos, faculdades de teologia, universidades católicas e organismos da Cúria Romana foram consultados acerca das necessidades da Igreja e qual deveria ser a agenda do Concílio. Com a criação das comissões preparatórias formadas por bispos e peritos, a partir de junho de 1960, começaram a ser elaborados os esquemas a serem submetidos aos bispos no Concílio.

A solene abertura do Vaticano II, na presença de mais de 2.500 padres conciliares vindos de todo o mundo, de teólogos e observadores das antigas Igrejas orientais, ortodoxos, anglicanos, protestantes e pentecostais de diferentes Igrejas aconteceu no dia 11 de outubro de 1962, durando quatro anos, formalmente, até o encerramento solene no dia 8 de dezembro de 1965, com a aprovação de 16 documentos conciliares, quatro constituições, nove decretos e três declarações.

Quando o Papa João XXIII assumiu, em novembro de 1958, o clima eclesial estava marcado pelo fim de uma época, o longo pontificado do papa Pio XII (1939 a 1958), que havia centralizado muito as decisões nas próprias mãos. Nesse período, havia certo impasse frente ao mundo moderno, a emergência dos novos países independentes da África e da Ásia. A Igreja precisava buscar novos caminhos. João XXIII captou muito bem esses desafios, propôs um remédio tradicional: convocar bispos do mundo inteiro para juntos identificarem quais eram os problemas, quais eram as novas tarefas e por onde a Igreja deveria andar. Consciente de sua dupla responsabilidade, primeiro, como bispo de Roma e depois como papa em relação ao conjunto da Igreja Católica, ele convocou um Sínodo para a Igreja de Roma e um Concílio para a Igreja universal.

Além dos documentos importantes produzidos pelo Concílio Vaticano II. O mais importante para a prática eclesial foi um novo clima criado na Igreja, de busca e de diálogo interno, com as demais Igrejas cristãs e com o mundo. O Papa ao convocar o Concílio afirmou que queria um concílio mais pastoral e sem condenações, pois isso já fora feito muitas vezes. Disse que queria um concílio que renovasse a vida da Igreja e que enfrentasse as questões do mundo moderno. Então, a palavra um pouco mágica do concílio foi: aggiornamento, palavra italiana que significa, colocar-se em dia, atualizar-se, renovar-se. Sua outra preocupação era, para além dos limites da Igreja Católica, a questão da unidade dos Cristãos. Ele colocou na agenda central do Concílio, a busca da unidade, o ecumenismo. E para além das Igrejas, abriu-se para um diálogo com o mundo moderno, frente às graves questões da fome, da miséria, do sub-desenvolvimento da maioria das nações, da justiça, da guerra e da paz. Começou com um diálogo com as Igrejas Cristãs, com os ortodoxos e os protestantes, depois com as outras religiões e finalmente o diálogo com qualquer homem de boa vontade que estivesse disposto a trabalhar na construção da justiça e da paz.

As orientações e propostas que foram consignadas pelo Concílio em documentos de distinto peso e valor pastoral ou doutrinal trouxeram à Igreja Católica um novo rumo, uma nova direção.

Foram quatro os documentos de maior visibilidade e de densidade pastoral e doutrinal. Trata-se das quatro constituições, que são:

01) A constituição dogmática Lumen Gentium, sobre Igreja;
02) A Gaudium Et Spes, uma constituição pastoral, que era uma coisa nova, pois as constituições eram sempre dogmáticas;
03) A constituição dogmática Dei Verbum, sobre a Palavra de Deus;
04) A constituição sobre a liturgia, a Sacrosanctum Concilium.

Depois houve uma série de decretos e no final três declarações. A mais importante destas declarações foi a:

01) Dignitatis Humanae (DH) sobre a dignidade humana, tendo como foco a inviolável consciência de cada pessoa, inclusive na esfera da liberdade religiosa;
02) Gravissum Educationis (GE), sobre a Educação;
03) Nostra Aetate (NA), que trata do diálogo com as outras religiões, de modo especial o judaísmo, o islamismo, o hinduísmo e o budismo.

Entre os decretos encontram-se:

01) Do ecumenismo, Unitatis Redintegratio (UR);
02) Das Igrejas Orientais, Orientalium Ecclesiarum (OE);
03) Da vida religiosa, Perfectae Caritatis (PC);
04) Do governo das dioceses, Christus Dominus (CD);
05) O Apostolicam Actuositatem (AA), que teve um impacto grande, pois toca a maioria das pessoas na Igreja que é o que fala do apostolado dos leigos e leigas, ancorando sua responsabilidade na Igreja e no mundo na própria vocação batismal de cada um deles;
06) Inter Mirifica (IM), um decreto que talvez seja o de menor valor, embora trate de um assunto muito importante que é o documento sobre os meios de comunicação social;
07) Presbyterorum Ordinis (PO), para os presbíteros;
08) Optatam Totius (OT), voltado para a formação dos presbíteros;
09) Ad Gentes (AD), sobre a atividade missionária na Igreja.

Outra questão é a pratica eclesial que resultou do Concílio. Duas delas podem ser consideradas muito visíveis: a reforma litúrgica, porque mexeu com a vida de cada pessoa com a entrada das línguas locais na liturgia e não apenas a manutenção do latim, e também: a descentralização da Igreja, o exercício da colegialidade episcopal, com as conferências episcopais, os sínodos, chegando até aos conselhos de presbíteros, os conselhos pastorais paroquiais e os conselhos diocesanos de pastoral. E no caso do Brasil e da América Latina, esse espírito de participação e corresponsabilidade se reforçou com o surgimento das Comunidades Eclesiais de Base, apoiadas num maior protagonismo, bem na base, dos cristãos e cristãs batizados.

A recepção do Concílio foi muito desigual. Algumas Igrejas abraçaram as orientações do Concílio com muita alegria e empenho como, por exemplo, a Igreja do Brasil. Na ultima sessão conciliar em 1965, aconteceram como que dois concílios paralelos, um acontecendo de manhã na Basílica de São Pedro e outro, à tarde e à noite, no local onde viviam os bispos brasileiros na Domus Mariae. Houve uma assembléia praticamente permanente da CNBB, para pensar como ia ser a recepção do Concílio no Brasil.

Os bispos discutiram e aprovaram, antes de voltarem para cá, o Plano de Pastoral de Conjunto, o PPC, um plano de cinco anos, no qual eles resumiram as grandes propostas do Concílio, em seis linhas pastorais e trataram de aplicá-las à Igreja do Brasil. Outras Igrejas saíram muito desunidas do Concílio. Gastaram muito tempo, brigando internamente, divididos entre progressistas e conservadores, sem alcançar consenso e traçarem um rumo comum. Acredito que gastaram energia não na recepção e na aplicação do Concílio, mas num debate um pouco estéril e com dificuldade de achar o consenso que a Igreja do Brasil conseguiu, aprovando um plano de pastoral conjunto para o País. Isso faz a diferença na recepção na Europa, no Brasil e a recepção na América Latina, que encontrou em Medellín, em 1968, uma espécie de grande concílio latino-americano, a ocasião para traçar os rumos para a Igreja no continente, o que facilitou muito essa recepção latino-americana e caribenha do Concílio Vaticano II.

Com a opção preferencial pelos pobres houve uma diferença muito grande  na recepção e aplicação do Concílio na Igreja da Europa e da América Latina. O Concílio foi o resultado de uma longa evolução em que a Igreja européia teve um peso muito grande, sobretudo nos episcopados da França, Alemanha, Bélgica e Holanda. Foram esses episcopados e a teologia que vinha junto com eles que deram o formato do Concílio. Para eles o Concílio foi o ponto de chegada de uma longa evolução do movimento litúrgico, do movimento do apostolado dos leigos, do movimento bíblico, do movimento das semanas sociais de engajamento da Igreja nas questões sociais. Para o Brasil e para a América Latina ele também foi um ponto de chegada, mas, sobretudo um ponto de partida, pois foi um relançar de uma Igreja com rosto próprio. A Igreja da África pegou um caminho de inculturar o Evangelho, já a Igreja da Ásia colocou no centro da sua preocupação o diálogo com as grandes religiões do continente.

A America Latina repensou o Concílio na questão dos pobres, das desigualdades, dizendo: “Isso é um escândalo diante de Deus.” Questionou-se que os países que se diziam cristãos tivessem ainda a maioria de sua população passando fome. Então, centrou-se aqui a atenção da Igreja na grande questão da libertação. Nisso, percebemos uma diferença forte. Na Europa, o próprio Bento XVI, quando era cardeal, disse que se esperava do Concílio uma primavera e em vez disso veio um inverno, pois se esperava grande renovação, e o que veio foi divisão e desânimo. Não é o mesmo sentimento que predominou entre as Igrejas daqui da América Latina ou da África e da Ásia onde o Concílio, praticamente, abriu caminhos para a inovação, para as Igrejas pensarem por si mesmas, para ganhar rosto próprio, ousar e pensar como o Evangelho pode ser vivido nas realidades locais. E a questão preferencial pelos pobres foi nitidamente uma opção da Igreja latino-americana, em Medellín, confirmada em Puebla e Santo Domingo e mais recentemente em Aparecida, onde ela foi apresentada com uma das questões ao lado da juventude.

A juventude, por exemplo, foi um assunto que não foi discutido no Concílio, mas em Medellín há um documento próprio para a juventude. A ênfase na catequese também foi muito importante na América Latina e não há um documento conciliar sobre a catequese, mas sim de Medellín.

Passados quase 46 anos, o Concílio Vaticano II continua em discussão. Os Concílios não são eventos que se esgotam na sua realização. São eventos que podemos chamar de longa duração, é um repensar a Igreja, traçar rumos que continuam tendo sua importância e influência mesmo séculos depois. O Concílio de Trento (1545-1563), por exemplo, aconteceu há mais de 400 e tantos anos e ainda se estava lutando para colocar em prática muitas das suas determinações. E mesmo que muita gente tenha dito que o Concílio Vaticano II encerrou a época Tridentina, 45 anos depois vemos que não foi bem assim. Pois estão voltando, por exemplo a missa em latim e outras práticas tipicamente tridentinas. Dessa forma, não se encerra um concílio simplesmente ao se propor algo novo, mas se acrescenta. O concílio é uma mirada para um horizonte posto lá na frente, não um evento de curta duração. Neste sentido, estamos apenas engatinhando para colocar em prática e plantar no coração da Igreja as melhores intuições do Vaticano II.


Será que precisamos de um Concílio Vaticano III ou, no atual contexto eclesial, essa medida apresentaria riscos?

(Pe. Beozzo responde): Eu colocaria a questão de outro jeito. Precisamos manter permanentemente dentro da Igreja um processo conciliar. Quero dizer, que deve ser uma Igreja que coloca no coração de sua atuação e vivência, aquilo que dom Luciano Mendes cunhou de maneira feliz em Puebla e que ele chamou de “comunhão e participação”. Então é um processo que convoca à participação, ao protagonismo dos leigos e leigas, a um jeito de ser Igreja, comunitário e fraterno, chegando até a menor comunidade para que as pessoas se sintam Igreja e para que elas saibam que podem e devem participar, tomar decisões, se arriscar, assumir novos ministérios. Neste sentido, a Igreja precisa de um processo conciliar, porque está de volta uma demasiada centralização. Em vez de colegialidade, há muita clericalização. Em vez de uma Igreja cuja definição central está no batismo e não no sacramento da ordem, que sempre é uma coisa para poucos. É hora de se reconhecer que todos os batizados e batizadas carregam um sacerdócio real, profético, de serviço, de ministérios e isso faz falta neste momento. Agora, convocar um novo concílio, no momento em que vamos numa direção contrária de pouca participação, de ênfase novamente numa centralização, ou de uma ênfase no ministério ordenado, e não no sacerdócio comum dos fiéis, acredito que um novo concílio poderia consagrar alguns retrocessos. Portanto é melhor não haver outro concílio de imediato. Eu diria que um processo conciliar sim, mas um concílio, neste momento, não.


FONTES DE CONSULTA:

Beozzo, José Oscar*.  A Igreja do Brasil no Concílio Vaticano II: 1959-1965. Paulinas: São Paulo, 2005.

* Coordenador geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEP), membro da Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina e no Caribe (CEHILA), vigário da paróquia São Benedito, na diocese de Lins (SP).

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ATIVIDADE PROPOSTA - TEXTO 01

01) Analise este fragmento de texto do Pe. José Oscar Beozzo. Em que sentido estas palavras se refletem no serviço pastoral, mais especificamente na catequese?

“(...) é um processo que convoca à participação, ao protagonismo dos leigos e leigas, a um jeito de ser Igreja, comunitário e fraterno, chegando até a menor comunidade para que as pessoas se sintam Igreja e para que elas saibam que podem e devem participar, tomar decisões, se arriscar, assumir novos ministérios. Neste sentido, a Igreja precisa de um processo conciliar, porque está de volta uma demasiada centralização. Em vez de colegialidade, há muita clericalização. Em vez de uma Igreja cuja definição central está no batismo e não no sacramento da ordem, que sempre é uma coisa para poucos. É hora de se reconhecer que todos os batizados e batizadas carregam um sacerdócio real, profético, de serviço, de ministérios e isso faz falta neste momento”.

(Escrever texto de 01 página)


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TEXTO PRINCIPAL  02

A CATEQUESE NO PENSAMENTO RECENTE DA IGREJA (2009)

Pe Luiz Alves de Lima, sdb

Com adaptações e complementações
de Irmão Nery fsc
01) O Concílio Vaticano II  -  1962 a 1965

O Concílio Vaticano II não tratou especificamente da catequese, mas sabemos que ele está na base de toda a renovação catequética por causa da ampla e profunda renovação da própria Igreja e da especial valorização e novo conceito de Palavra de Deus: ela é constituída não somente de palavras, mas também de acontecimentos. Assim, a Palavra de Deus não se situa só no plano intelectual (conceitos, idéias), mas principalmente no plano existencial (fatos, gestos), ela tem um caráter histórico, pois é revelada bem por dentro da experiência histórica do homem: DV 2, 7-8, 24; AG 3, 13, 16, 24; LG 8;  PO 22; CD 12.

A proclamação da Palavra de Deus se realiza dentro da tradição apostólica, sob a guia do magistério em todos os graus de ministério da Palavra (PO 4, DV 24, AG 39).
O Concílio Vaticano II aponta três formas de proclamação da Palavra de Deus:
a) Evangelização: é o primeiro anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo a quem o ignora, levando a pessoa à conversão, ao Evangelho (SC 9; LG 17, AG 13).
b) Catequese: está em função de um aprofundamento da mensagem cristã; é uma instrução, um segundo momento que supõe o primeiro: “A instrução catequética tem por fim tornar viva, explícita e operosa a fé, ilustrada pela doutrina; seja ministrada às crianças, adolescentes, jovens e mesmo adultos.... Baseia-se na Bíblia, Tradição, Liturgia e vida da Igreja” (CD 14; cf. GE 4).
c) Homilia: é um reiterado anúncio que sempre atualiza a Palavra de Deus proclamada e celebrada na Liturgia (SC 24, 33, 52, 35, 9, 10, 6).

O Vaticano II diz sobre a catequese:

“Cuidem os Bispos para que a instrução catequética, que tem por fim tornar viva, explícita e operosa a fé ilustrada pela doutrina, seja administrada com diligente cuidado... e se baseie na Sagrada Escritura, na Tradição, na Liturgia, no Magistério e na vida da Igreja”. E mais na frente prescreve que “se restabeleça a instituição dos catecúmenos adultos, ou seja, melhor adaptada” (CD 14).

E sobre o catecumenato:

“Através de prática dos costumes evangélicos e pelos ritos sagrados que se celebram em tempos sucessivos, os catecúmenos sejam introduzidos na vida da fé, da liturgia e da caridade do Povo de Deus” (AG 14)

O Diretório Catequético Geral (DGC), uma urgência pedida pelo concílio, publicado na Páscoa de 1971, pela Sagrada Congregação do Clero, fala da catequese como:
 "Ação eclesial que leva as comunidades ou os fiéis individualmente considerados à maturidade da fé. Mediante a catequese as comunidades cristãs alcançam um conhecimento mais vivo e profundo de Deus e de seu plano salvífico que tem o centro no Verbo de Deus encarnado" (nº 21 b); "constitui um meio particularmente apto para compreender na própria vida o plano divino e a penetrar o supremo significado da existência e da História" (nº 21 c). "A catequese deve cuidar de despertar a atenção dos homens para suas experiências mais importantes, tanto pessoais, como sociais. Da mesma forma, compete-lhe, sob a luz do Evangelho, colocar as questões daí surgidas, de forma que  nos próprios homens se desperte o reto desejo de transformar a própria maneira de viver... A experiência humana deve ser iluminada pela revelação. A catequese tem de ajudar os homens a penetrarem, interpretarem e julgarem suas experiências, e também a atribuírem um sentido cristão à própria existência, evocando a ação de Deus que opera a nossa salvação" (nº 74).

Este documento pela primeira vez falou claramente da prioridade da catequese de adultos na Igreja contemporânea:

“A catequese dos adultos, visando pessoas capazes de uma adesão plenamente responsável, deve ser considerada como a principal forma de catequese, à qual todas as outras, embora sempre necessárias, de certa maneira são ordenadas” (nº 20). E pede que “a instituição dos catecúmenos adultos seja restabelecida” (idem). Veja também nºs 92-97 desse DGC.


Reflexões sobre Catequese e Revelação

Um dos pontos mais importantes tratados pela DV (nº 26) é o conceito de Revelação. Não é fruto só do Vaticano II (1962-1965), mas desde o século passado vem sendo elaborada esta doutrina, reconhecida e assumida pelo magistério oficialmente no Vaticano II (cf. BibliografiaDocumentos da Igreja – n.ºs 28 e 31).
O Cristianismo se considera como religião revelada, como outras também se julgam (por ex., islamismo). A Revelação cristã é histórica: Deus Se revela a Si mesmo (conteúdo), bem dentro da caminhada histórica da humanidade (um povo). Histórico significa que pertence à nossa realidade; não é mito. É o princípio da encarnação: “E o Verbo (Palavra) se fez carne”
Dimensão experiencial ou  existencial da revelação: ela está intimamente ligada com a experiência humana (vida concreta do dia a dia, pessoal, comunitária, social, econômica, cultural, política) ou com a nossa existência humana. Há hoje um interesse muito grande da filosofia moderna pela existência e não tanto essência (preocupação aristotélico-tomista que orientou e orienta muito a pesquisa teológica; exemplo dos sacramentos, onde se busca entender a sua essência, ao passo que hoje mais interessa a experiência: o que eles dizem para nós, que experiências temos nós ao celebrar os sacramentos). Supera-se o conceito de revelação meramente intelectualista, racional, noética. Conseqüências para a catequese.
Binômio inseparável: palavras e acontecimentos. É o modo como Deus se revela. Este também é o modo da catequese agir: pedagogia de Deus, pedagogia da catequese. A palavra (dabâr) não é só o flatus vocis, mas a experiência de Deus, sua expressão.
Profeta: aquele que fala, que mostra a presença de Deus no meio dos acontecimentos e leva os seus ouvintes a terem também uma experiência d’Ele na vida. É alguém do povo que com antenas mais sensíveis, percebe, capta a presença divina.
A Bíblia é considerada um repertório de experiências de Deus de um povo; sua busca constante do sentido da vida, da salvação, etc. E Deus aí se manifesta. O Êxodo, acontecimento central no Velho Testamento, é um fato existencial, experiencial, político. A própria encarnação do Verbo: Jesus não é uma idéia, uma filosofia, mas um acontecimento. Viveu em tudo igual a nós, menos no pecado. Inspiração como assistência contínua do Espírito Santo na experiência religiosa de Israel, particularmente os profetas, em Jesus, apóstolos e discípulos. O Espírito Santo orienta sua busca de Deus e  dá forças na luta contra o do pecado. Jesus substancialmente nos transmitiu a experiência de um Deus que é Pai misericordioso e Ele como a mediação para chegar até o Pai. A Igreja é a continuação deste povo que busca a Deus e que sente sua presença na história.
Daí o conceito de Tradição: toda história é tradição; vivemos de tradição. A Bíblia só tem sentido dentro da tradição. Ela mesma é fruto da tradição. Daí se dizer que o catolicismo não é a religião do livro, mas da Palavra, da Revelação concebida como Palavra e Acontecimento. Diferença com o protestantismo que cultua e se centra mais no livro escrito, na palavra escrita: Sola Bíblia, sola fides (só a Bíblia e só a fé). Muito mais o islamismo: a revelação foi ditada por um anjo a Maomé. Perigo do fundamentalismo (escravidão à letra) e o fanatismo.
Daí também o papel do Magistério, com o carisma de “vigiar” sobre a reta interpretação, sem ele mesmo ser “dono” da Bíblia. Pelo contrário: deve, mais do que os outros cristãos, obedecer à Palavra de Deus, não só escrita, mas também da Tradição. Riqueza e peso da Tradição: neste sentido os protestantes são mais livres: preocupam-se com a palavra pura, sine glosa, da Escritura. Para eles a Tradição não tem muito peso, como também não possuem um magistério como nós.
Bibliografia:
Alberto Antoniazzi:  Revelação e catequese in Revista de Catequese 6 (1983) nº 24, out.-dez., pp. 20-26;
Wolfgang Gruen: Iniciação à leitura da Bíblia in Revista de Catequese 5 (1982) nº 19, julho-set., 5-17;
Ralfy Mendes de Oliveira: Dimensões da catequese a partir do  conceito de Revelação in Revista de Catequese  7 (1984) nº 26, abril-junho, pp. 4-13;  
Cnbb-Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética: Ler a Bíblia com a Igreja: comentário didático popular à Constituição Dogmática Dei Verbum.  São Paulo: Paulinas, Paulus 2004;
_____: Ouvir e proclamar a palavra: seguir Jesus no caminho. A catequese sob a inspiração da Dei Verbum = Estudos da CNBB 91. São Paulo: Paulus 2006;
Alves de Lima, Luiz: Ouvir e proclamar a palavra: encontro bíblico-catequético nacional comemorando 40 anos da Dei Verbum in Revista de Catequese 28 (2005), nº 112, Out.-Dez., pp. 50-58.


ATIVIDADE PROPOSTA – TEXTO 02:

01 -Leitura dos tópicos dos documentos, a saber:
- AG 3, 13, 14, 16, 24, 39;
- DV 2, 7-8, 24;
- CD 12, 14;
- GE 4;
- LG 8; 
- PO 4, 22;
- SC 9; LG 17,

02 - Baseado na leitura do texto e nas citações dos documentos do Concílio, responda as seguintes questões:

a)                 Descreva o conceito de revelação do Vaticano II.
b)                 Por que este conceito é importante para a catequese?
c)                 Pode-se dizer que o cristianismo é uma religião do livro? Por que?
d)                 Qual a relação entre Bíblia e a Tradição?
e)                 Quais são as conseqüências desta doutrina para a Catequese?

03 - Faça um síntese geral dos pontos que você considera essenciais para a catequese nos Documentos citados no texto (01 página).

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TEXTOS DE APOIO

TEXTO DE APOIO 01

CONTEXTO HISTÓRICO PRÉ CONCILIO VATICANO II

A situação geral da igreja católica romana de 1871 a 1961
Desde a segunda parte do pontificado do papa Pio IX (1848-1878), a Igreja Católica havia declarado guerra ao mundo moderno. Pelo Syllabus, documento da Encíclica Quanta Cura (8/12/1864), a democracia, o liberalismo, a franco-maçonaria, o socialismo, o anarquismo, o feminismo, o voto universal, 80 tópicos ao todo, foram vistos pelo Vaticano como erros da época moderna. Tratava-se de uma coalizão de forças demoníacas desencadeadas para vir desacreditar ou destruir os dogmas da fé em Cristo. Tudo que fosse ou parecesse moderno merecia o anátema da Igreja de Roma.
Assim sendo, para defender e preservar os valores sagrados do cristianismo ameaçados, o Concilio Vaticano I, convocado por Pio IX em 1869, aprovou no dia 18 de julho de 1870 a Dogmática Constituição Pastor Aeternus, segundo a qual tudo que viesse do Santo Padre, fosse bula ou dito, tinha um caráter de infalibilidade e, como conseqüência, não podia ser questionado ou posto em dúvida por nenhum católico. O papa tornava-se assim um autocrata em matéria teológica e tudo o que lhe dissesse respeito.
Esta posição foi ainda mais reforçada pelo não reconhecimento da parte do Vaticano da Unificação Italiana, alcançada entre 1861-1871. O Papa simplesmente se declarou prisioneiro no Estado Pontifício, negando-se a aceitar o novo estado monárquico constitucional forjado pelos liberais italianos, liderados pelo Reino do Piemonte que simplesmente havia abolido com a autoridade temporal da Igreja sobre parte das terras italianas (a Igreja Católica na Itália era simultaneamente poder espiritual e poder temporal).
O desentendimento com o estado italiano somente foi superado pelo Tratado de Latrão, assinado no antigo palácio papal em 1929 entre o Papado e o Regime Fascista de Benito Mussolini (ocasião em que a igreja foi largamente indenizada em troca do apoio á ditadura fascista). Para os católicos do período do Entre-Guerras (1918-1939) devia estar claro que os seus inimigos maiores no mundo moderno eram o liberalismo, a democracia e o socialismo, dai entender-se a aproximação do Vaticano, dos anos 20 aos anos 40, com os regimes ditatoriais de direita. .
Com a vitória da coligação democrático-comunista em 1945 e a derrota das forças nazi-fascistas, que para a Santa Sé representavam o bastião da anti-modernidade (e tal como a Igreja eram antidemocráticos, antiliberais, anticomunistas e antifeministas), era uma questão de tempo a necessidade da convocatória de um novo concílio para trazer a Igreja Católica para uma posição mais realista, afastada da direita.
O concílio Vaticano II (1961-1965)
Foi preciso esperar o falecimento de Eugênio Pacelli, o Papa Pio XII (1938-1958), o pontífice que mais dera sustentação à política de apoio à direita e mais se aferrara à linha tradicionalista, para que um novo Sumo Pontífice tomasse a decisão. A longa "Dinastia dos Pios" que dominara a Igreja por 110 anos com ele chegara ao fim. Coube então ao seu sucessor, o papa João XXIII a tarefa de abrir as janelas do Vaticano ao mundo moderno, convocando para tal a realização de um novo concilio - o Concilio Vaticano II (o XXI Concilio da história da Igreja), que se realizou em Roma entre 1961 e 1965.
Conclave esse que praticamente procurou apagar tudo o que havia sido acordado no anterior Concilio Vaticano I, de 1869-1871, totalmente hostil à modernidade. Dai ter-se dito que o Concilio Vaticano II fez adentrar na Igreja a Doutrina da Modernidade. Um poderoso vento fresco varreu os interiores escuros do palácio de São Pedro ainda dominado por dogmas medievais, sendo que foi o próprio pontífice João XXIII quem abriu-lhe as janelas.
Ao longo dos quatro anos o Grande Concilio tratou de tudo, produzindo uma massa espantosa de documentos subdivididos em quatro Constituições Dogmáticas e mais 12 Decretos e Declarações. O hipercentralismo papal (quase uma monarquia teocrática) deu lugar a um sistema mais próximo a um colegiado, concedendo maior presença aos bispos nos assuntos gerais da Cúria. Estimulou-se a formação de grupos de estudo para revitalizar a circulação das idéias, bem como maior presença de instituições intermediárias entre o corpo de sacerdotes católicos e Roma, como foi o caso da ascensão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
As missas não precisavam mais ser proferidas em latim podendo o ser nas línguas profanas, sendo que o pastor doravante voltava-se de frente para o público e não mais para o altar. Procurando retirar a Igreja do isolamento, aos sacerdotes não mais se exigiu vestir a batina nem as freiras trajarem o hábito com a cabeça coberta. Pela Declaração Dignitatus Humanae, a Igreja reconhecia pela primeira vez a liberdade religiosa não querendo mais impor ao mundo a sua verdade, o que abriu caminho para o diálogo e o respeito ao ecumenismo religioso, inclusive realizando colóquios com os pensadores marxistas (ver "Do anátema ao diálogo" de R. Garaudy).
Ainda que se dissesse ter "na palavra divina as propostas", a Igreja reconhecia "não ter as respostas prontas” (Constituição Pastoral Gaudium et Spes - sobre a Igreja no mundo moderno) O espírito sui generis do Concílio Vaticano II pode ser sintetizado com a afirmação abaixo que diz: "O contexto histórico-cultural do Vaticano II é certamente diferente: a Igreja não pretende proclamar dogmas específicos nem pronunciar-se contra posições heréticas, mas se propõe a iniciar um diálogo com o mundo moderno. A Igreja, saindo ao descoberto, quer repensar o patrimônio da fé, globalmente considerado, e apresentá-lo de um modo acessível à civilização contemporânea e de uma forma que interpele eficazmente a condição existencial do homem de hoje." (Instituto Paulo VI de Bréscia, Itália, ano de 2002).
Todavia o documento síntese que melhor refletiu o sentido geral das reformas da Concilio - no que toca a relação da Igreja com o Mundo - foi a Encíclica Pacem in Terris, publicada em 1963 que foi uma espécie de versão da Igreja Católica dos Direitos Universais do Homem e do Cidadão, aprovados anteriormente pela ONU em 1948.
Voltaire Schilling – Historiador
FONTE: Portal terra/educação/Voltaire Schilling


TEXTO DE APOIO 02

Os catequistas

Se eu tivesse de dar uma medalha de ouro para alguém na Igreja, seria para o Catequista. Hoje é o que mais precisamos na Igreja: bons cristãos, bem preparados, conhecedores da doutrina católica, que formem as crianças, os jovens, e mesmo os adultos, na verdadeira religião. Infelizmente, a maioria dos nossos jovens já não conhece os Mandamentos, os Sacramentos, a Liturgia, e as coisas básicas da nossa fé, porque não foram catequizados.

Por isso, no Jubileu do ano 2000 o saudoso Papa João Paulo II pediu à Igreja uma “Nova Evangelização”, com “novos métodos, novo ardor e nova expressão”, a fim de reavivar a fé do povo católico e também de trazer de volta para a Igreja aquelas ovelhas desgarradas que as seitas levaram embora.

Muitos filhos da Igreja foram levados para seitas porque não conheciam a doutrina católica nem mesmo na sua fundamentação básica; foram enganados pelos “falsos pastores”; Jesus avisou que estes viriam como cordeiros, mas que, na verdade, eram lobos ferozes (cf. Mateus 7,15). E isso acontece porque esse bom povo católico não foi evangelizado, especialmente não foi catequizado nem pelos pais nem pela Igreja.

Nos últimos decênios a catequese diminuiu muito; em primeiro lugar por conta da crise da família provocada pelo divórcio, pela falta de formação dos pais e por tantos outros fatores. Antigamente a catequese infantil tinha início no colo dos pais, mas isso foi diminuindo gradativamente; por outro lado, muitos segmentos da Igreja a [catequese] desviaram quase que exclusivamente para o campo social, deixando as crianças e os jovens à mingua com relação aos Sacramentos, ao Credo, à Moral católica e à vida de piedade e oração. O povo, então, foi buscar a fé nas outras comunidades.

Portanto, urge que se estabeleça uma “nova catequese” para as crianças e jovens de modo especial. São Paulo, São Pedro e São João nos mostram o cuidado dos Apóstolos em preservar a “sã doutrina” (cf. I Timóteo 1,10). O apóstolo dos gentios fala do perigo das “doutrinas estranhas” (cf. I Timóteo 1,3); dos “falsos doutores” (cf. I Timóteo 4, 1-2); e recomenda a São Timóteo: “guarda o depósito” ( cf. I Timóteo 6,20).

O Concílio Vaticano II convocou de modo especial os leigos para essa urgente retomada na catequese: “Grassando em nossa época gravíssimos erros que ameaçam inverter profundamente a religião, este Concílio exorta de coração todos os leigos que assumam mais conscientemente suas responsabilidades na defesa dos princípios cristãos” (Concílio Vaticano II – Apostolicam Actuositatem, 6).

E o Documento de Santo Domingo, do IV CELAM, insistiu no mesmo ponto: “Instruir o povo amplamente, com serenidade e objetividade, sobre as características e diferenças das diversas seitas e sobre as respostas às injustas acusações contra a Igreja” (Doc. Santo Domingo, n.141).

Para sentirmos a gravidade das seitas hoje, basta dizer que o Parlamento Europeu declarou, em 1998, que nos últimos anos nasceram 20.000 (vinte mil) seitas em todo o mundo (12.000 no Ocidente e 8.000 na África), um fenômeno que envolve cerca de 500 a 600 milhões de pessoas (cf. L’Osservatore Romano, n. 35; 29/08/1998 – 12 (476).

Como enfrentar essa situação? Somente com uma boa catequese desde a infância. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) lembra que: “Os períodos de renovação da Igreja são também tempos fortes da catequese. Eis por que, na grande época dos Padres da Igreja, vemos Santos Bispos dedicarem uma parte importante de seu ministério à catequese” (CIC § 8).

Em 1979 o saudoso Papa João Paulo II, também preocupado com esse assunto [catequese], escreveu a “Catechesi tradendae” e chamou a Igreja a assumi-la; e aprovou em 1992 o novo Catecismo da Igreja, a pedido dos bispos que participaram do Sínodo dos Bispos de 1985. O Santo Padre endossou o pedido dos prelados reconhecendo que “este desejo responde plenamente a uma verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares” (cf. CIC §10).

O mesmo saudoso Sumo Pontífice pediu “aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo… e o usem assiduamente ao cumprir sua missão de anunciar a fé e convocar para a vida evangélica”. Insistindo que ele é “uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição Apostólica e pelo Magistério da Igreja (…) uma norma segura para o ensino da fé” (cf. Fidei Depositum).

Resta-nos agora empunhar o Catecismo e formar as crianças principalmente. O futuro da Igreja passa por elas. Mais do que nunca hoje é preciso formar bons catequistas, para formar na fé as crianças e os jovens. Mas, para isso, eles [catequistas] precisam estudar o “Catecismo da Igreja Católica”, a fim de ensinar o que a Igreja manda e não o que eles querem. Quem evangeliza o faz em nome da Igreja e não em seu próprio nome.

Só uma boa catequese poderá recuperar o que se perdeu em nosso país de formação católica e de amor à Igreja.

Felipe Aquino
Cleofas.com.br

TEXTO DE APOIO 3
DOCUMENTOS DO PAPA
Afinal, quais são os documentos que o Papa usa, e quais as diferenças de um para outro? Baseado num texto do Prof. Felipe Aquino, resumi aqui as partes mais interessantes. Os documentos pontifícios são designados por diversos nomes: Bula, Breve, Rescrito, Motu Próprio, Encíclica, Constituição, Exortação, Carta apostólica. Vamos às definições e aos objetivos de cada um:

Bula - As definições sobre fé e à Moral (dogmas) são geralmente publicadas sob forma de Bula. A partir do século VI os Papas empregaram a bula a fim de autenticar os seus documentos; Bulla conseqüentemente passou a designar o selo ou sinete do Papa. A partir do século XIII Bula designa não apenas o globo de metal que contem a mensagem, mas a própria carta à qual ele se prende. Por Bula o Papa geralmente exprime algo de muito solene, tal foi o caso da Bula Ineffabilis Deus, que em 1854 formulou a definição do dogma da Imaculada Conceição. Por Bula o Papa convoca os participantes de um Concílio geral, cria ou desmembra uma diocese. As Bulas de grande importância têm, pendentes de cordões coloridos, um globo de chumbo no qual está gravada a imagem das cabeças de São Pedro e São Paulo.

Breve - O Breve é um documento normalmente mais curto e menos solene do que uma Bula, que normalmente trata de questões privadas, como dispensa de irregularidades para exercer alguma função na Igreja, dispensa de certos impedimentos do matrimônio, autorização de oratório doméstico com o Santíssimo Sacramento, autorização para vender bens da Igreja, outros benefícios e favores especiais.

Rescrito - vem do latim rescribere, que significa responder por escrito a uma carta ou a uma pergunta escrita.

Motu Proprio - do latim, “motivo próprio”, é um documento de iniciativa do próprio Papa, com pleno conhecimento de causa, em cujo conteúdo o Papa quer recomendar algo com particular empenho. Tal tipo de documento traz sempre em seu título a cláusula Motu Próprio. Pode por exemplo recomendar alguns aspectos da celebração de um sacramento.

Encíclica - é uma Circular. Já nos primeiros séculos da Igreja os Bispos escreviam cartas circulares aos seus irmãos no episcopado a respeito de assuntos doutrinários ou disciplinares; ficando o termo (carta) encíclica reservado aos escritos papais, ao passo que os demais Bispos escrevem Cartas Pastorais. A encíclica passou a ser entendida em nossos dias como a forma mais pessoal e espontânea pela qual o Papa exerce seu ministério de Pastor universal. Geralmente as encíclicas se dirigem aos Patriarcas, Arcebispos, Bispos, Presbíteros, Filhos e Filhas da Igreja; todavia o círculo pode-se alargar para compreender também os homens de boa vontade (um exemplo é a Redempto Hominis de João Paulo II), como pode estreitar-se, abrangendo apenas o episcopado e os fiéis de uma nação, usando a língua de tal povo. As encíclicas não promulgam definições dogmáticas; abordam, sim, algum ponto doutrinário que esteja sendo mal entendido; propõem orientações em situação difícil, exaltam a figura de algum (a) Santo (a), procurando sempre fortalecer a vida cristã do povo de Deus.

Constituição - É um documento de grande autoridade, que pode ser sobre os mais diversos temas. Pode ser uma Constituição Dogmática, tais como a Lumen Gentium, a Gaudium et Spes, a Sacrosanctum Concillum e a Dei Verbum, do Concílio do Vaticano II, promulgadas pelo Papa Paulo VI; ou pode ser uma Constituição Apostólica que pode ser relativa ao governo da Igreja, por exemplo, a Regimini Ecclesiae Universae, de Paulo VI e a Pastor Bonus de João Paulo II. Pode versar também sobre a Liturgia assim como a Divini Cultus, de Pio XI, sobre estudos e formação doutrinária existe a Deus Scientiarum Dominus, de Pio XI.
Exortação Apostólica: (Adhortatio Apostolica) Forma de documento menos solene que as encíclicas. Antigamente era dirigida a um determinado grupo de pessoas. Por exemplo, "Menti Nostrae" (Pio XII) para o clero. O termo é usado, atualmente, em sentido mais amplo: não somente como documento para determinado grupo de pessoas, mas recomendações feitas pelo Romano Pontífice aos bispos, presbíteros e todos os fiéis, sobre temas mais diretamente relacionados a um grupo de pessoas, por exemplo, as exortações pós-sinodais: "Familiaris Consortio"; "Christifideles laici"; “Pastores dabo vobis”.
Cartas Apostólicas - Carta Apostólica é denominação genérica. Apostólica aqui significa “do Apóstolo Pedro, que fala por seu sucessor”. As Cartas Apostólicas simplesmente ditas, podem tratar de assuntos ligados ao governo da Igreja: nomeação de Bispos, Cardeais, criação de nova diocese, canonização de santos, temas doutrinários ou morais, comemoração de alguma data ou de evento importante.

E agora uma pequena definição do que é um Sínodo na nossa Igreja:

Sínodo - uma reunião universal, periódica e consultiva de bispos da Igreja Católica (incluindo os das igrejas orientais católicas), convocada pelo Papa, com o objetivo de refletir, discutir e aconselhar o Papa sobre diversos assuntos, nomeadamente as políticas e orientações diretivas gerais da Igreja. Neste conselho, não estão todos os bispos do mundo inteiro, mas apenas os representantes episcopais eleitos pelas suas respectivas conferências episcopais. Este organismo consultivo, chamado de Sínodo dos Bispos, foi criado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965).  


TEXTO DE APOIO 04

SIGLAS UTILIZADAS


No decorrer dos nossos estudos utilizaremos de várias abreviações e siglas para falarmos dos documentos. Faz-se necessário que estes termos tornem-se familiares a nós durante as leituras.

Abaixo as Siglas dos principais documentos usadas nos textos:

AG   = Ad Gentes (Vat. II);
CD   =  Christus Dominus (Vat. II);
CF   =  Campanha da Fraternidade; 
CLS  =  Catequese à luz do Sínodo; 
CM   =  Comunicado Mensal da CNBB; 
CR  =  Catequese Renovada (CNBB); 
CT   =  Catechesi Tradendae (JP II); 
DCG  =  Diretório Catequético Geral (1971);
DGC = Diretório Geral para a catequese (1997);
DG =  Diretrizes Gerais da CNBB;
DGAE = Diretrizes Gerais da Ação Evangelização
DP ou P = Documento de Puebla;
DNC = Diretório Nacional de Catequese (CNBB 2006);
DV =  Dei Verbum (Vat. II); 
EN   =  Evangelii Nuntiandi (Paulo VI); 
FC  =  Formação de Catequistas  (CNBB);
GE   = Gravissum Educationis (Vat. II)
LG   =  Lumen Gentium (Vat. II); 
MPD  =  Mensagem ao Povo de Deus (Sínodo de 1977); 
OR   =  Osservatore Romano [em Português];
PO   =  Presbyterorum Ordinis (Vat. II); 
RdeC  =  Revista de Catequese (Unisal - São Paulo);
RH   =  Redemptor Hominis (João Paulo  II); 
CatIC = Catecismo da Igreja Católica; 
SBC = Semana Brasileira de Catequese;
SC   =  Sacrosanctum Concilium; 
TM  =  Textos e Manuais de Catequese.
VD = Verbum Domini
IVC = Iniciação à Vida Cristã (Estudo 97)


Angela Rocha
Instrutora

ESPIRITUALIDADE

Recolha-se em seu “cantinho” de estudos, junto ao computador, feche bem os seus olhos, junte as suas mãos e peça numa oração pessoal, tudo aquilo que você almeja com essa formação, peça também que tudo se disponha para que as coisas se conduzam da melhor forma possível: que você tenha o tempo disponível, que seus equipamentos e que sua conexão de internet funcionem perfeitamente e que você seja guiado pela ação do Espírito Santo;
- Agradeça a Deus por ter lhe proporcionado os meios de compartilhar com mais 114 pessoas a graça de ser catequista e buscar cada dia mais, enriquecer a sua tarefa de discípulo missionário na Igreja de Jesus;
- Ore por nós, coordenadoras do grupo: Ângela e Cláudia, para que tenhamos em nosso espírito, força, coragem, discernimento, conhecimento para bem conduzi-los;
- Pegue a sua Bíblia de leia o capítulo 14 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. Leia novamente, pausadamente, marcando as palavras ou frases que lhe chamaram a atenção. Medite na Palavra a sua vocação de Profeta.
- Louve a Deus com um canto e peça a ele que lhe dê força e sabedoria par a multiplicar aquilo que você aprendeu. Evoque a Santíssima Trindade.
Neste início de nossa Formação via web, façamos como oração este Credo da Comunicação, que lembra um dos pilares da nossa fé que é a oração do Creio.

Credo da comunicação

Creio em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, Trindade que estabelece a comunicação e a comunhão.
Creio em Jesus Cristo comunicador, palavra e imagem do Pai, que revelou o rosto e os segredos do Reino aos pequenos e desprezados da sociedade.
Creio em Jesus que trouxe a Boa Notícia e foi, ele mesmo, essa Boa Notícia comunicada em imagens, símbolos e histórias do cotidiano do ambiente onde ele viveu.
Creio em Jesus que comparou o Reino de Deus a um pouco de farinha, ao fermento que faz a massa crescer, ao grão de mostarda tão pequeno e tão grande ao mesmo tempo, comunicando assim que o Reino e dos pequenos.
Creio em Jesus que viveu as relações humanas, acolheu discípulos e discípulas, grupos e pessoas e, pela sua presença, revelou a bondade e a misericórdia do Pai.
Creio no Espírito Santo que pousou sobre Jesus, no Batismo, e comunicou a ele o amor do Pai e sua própria missão.
Creio no Espírito de Deus presente em cada pessoa, criando e recriando a comunicação interior e profunda, que refaz a pessoa por dentro e a lança para novos caminhos e novas metas, criadoras de vida e comunhão.
Creio que Maria é mulher comunicadora de Jesus com a vida, a palavra e, sobretudo, o gesto de apresentar Jesus ao mundo, desde a visita a Isabel, quando o menino exultou de alegria em seu ventre.
Creio que o apóstolo Paulo viveu e comunicou Jesus Cristo com a vida, as atitudes, a palavra falada e escrita. Ele mesmo disse de si: "Eu quero dar a vocês não só o Evangelho de Deus, mas a minha própria vida".
Creio que os instrumentos da Comunicação Social são meios de evangelização, espaços e lugares para o anúncio do Evangelho.
Creio na possibilidade de uma comunicação participativa e libertadora, onde as pessoas possam sentar ao redor da mesma mesa e ter propostas que transformem a realidade.
Creio que há mulheres e homens a caminho, construindo uma nova comunicação a serviço da vida.
(Ir. Helena Corazza, fsp)
Amém!

E que tenhamos um bom curso!

Esta oração foi escrita por Ir. Helena Corazza da Família Paulina, fundada por Padre Tiago Alberione, beatificado em 2003, que é considerado o padroeiro das comunicações pela internet. Entre 1962 e 1965, padre Tiago Alberione acompanhou os trabalhos e participou no Concílio vaticano II. No dia 4 de Dezembro de 1963, quando foi promulgado o decreto conciliar Inter Mirifica sobre os meios de comunicação social como instrumentos de evangelização, o Padre Alberione comentou com alegria: “Agora já não podeis duvidar. A Igreja falou”.
Padre Alberione também resgatou a frase do teólogo alemão Karl Barth, que disse: os pastores e pregadores precisavam andar com a Bíblia em uma mão, e o jornal na outra.  E esta afirmação estende-se a todos os cristãos deste século. Pensemos que hoje, este jornal, que antigamente era impresso em papel e tinta, se compartilha na tela de um computador, ou no celular, ou nas muitas formas de comunicação que a cada dia as novas tecnologias nos proporcionam.
Peçamos intercessão de Padre Alberione, junto a Deus Pai, para que possamos crescer na fé, levando, principalmente, aos nossos catequizandos, a esperança de um mundo melhor, com o amor, a justiça, a fé e a caridade que nosso Mestre Jesus nos pediu.

 

A DOUTRINA CATÓLICA – Texto de apoio 05

A Doutrina Católica, é o conjunto de todas as "verdades da fé" professadas pela Igreja Católica. Segundo o Catecismo de São Pio X, a doutrina católica foi ensinada por Jesus Cristo para mostrar aos homens o caminho da salvação e da vida eterna. E essa doutrina foi gradualmente revelada por Deus através dos tempos, desde a primeira aliança com Abraão e Moisés até a plenitude e perfeição da Revelação em Jesus Cristo. Mas, a definição e compreensão dessa doutrina é progressiva, necessitando de constante estudo e reflexão teológica, mas sempre fiel à Revelação Divina e orientada pela Igreja.

E o que vem a ser essa REVELAÇÃO DIVINA? Revelar-se é dar-se a conhecer. E desta maneira Deus se revelou ao homem no Antigo Testamento, através de Sua Presença Divina e também dos profetas, até que, enviou seu Filho Amado que se fez carne e habitou entre nós como profunda verdade revelada.

Assim, a fé consiste na livre entrega e amor a Deus, prestando-Lhe o obséquio pleno do seu intelecto e da sua vontade e dando voluntário assentimento à revelação feita por Ele” (DV n.º 5).
  
Essa revelação é transmitida pela Igreja sob a forma de Tradição (CIC 11-13). A fé em Deus "opera pela caridade (Gl 5,6), por isso a vida de santificação de um católico obriga-o, para além de participar nos sacramentos, a executar a vontade divina, que deve ser feita através, como por exemplo, da prática dos ensinamentos revelados (que se resumem nos mandamentos de amor ensinados por Jesus), das boas obras e também das regras de vida propostas pela Igreja fundada por Jesus.

As principais verdades da fé da Igreja Católica encontram-se expressas e resumidas no Credo Niceno-Constantinopolitano e em variadíssimos documentos da Igreja, como por exemplo no CATECISCO DA IGREJA CATÓLICA (CIC).

Oriento, portanto, a vocês que façam uma leitura atenta da Constituição Dogmática DEI VERBUM, Sobre a revelação Divina, para um melhor entendimento do explicado acima. Mesmo porque é orientação da Igreja que se faça um estudo mais apurado da Dei Verbum nestes próximos quatro anos para também poder entender a Verbum Domini, Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Bento XVI, documento lançado em 2010.

Ângela Rocha