CONHEÇA!

Mostrando postagens com marcador 3º Domingo Tempo Comum. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 3º Domingo Tempo Comum. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de janeiro de 2023

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: AS GALILEIAS JUVENIS


 

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Mateus 4, 12-23

Neste 3º domingo do tempo comum, nos colocamos a caminho com Jesus, segundo o relato da comunidade de Mateus, que, após experimentar as tentações no deserto, ouvindo que João, o Batista, havia sido preso, volta para a Galileia, na região beira-mar de Zabulon e Neftali. Os territórios de Zabulon e Neftali, a Galileia periférica, onde residiam os povos não judeus, que viviam na região sombria da morte (Is 9,1), segundo a profecia de Isaías, lugar de exclusão pelo povo “escolhido” de Israel. Neste local, com este povo, Jesus reconhece a proximidade do Reino dos Céus. Região de tantas pessoas adoecidas pela marginalização, Jesus cura aproximando-se e anunciando a Boa-Nova. 

A Pastoral da Juventude do Brasil vem refletindo há alguns anos sobre as Galileias juvenis, recorte das realidades periféricas da nossa sociedade, algumas delas: população negra e indígena, mulheres, comunidade lgbtqiap+, pessoas com deficiência e tantas outras que podemos reconhecer em nossos territórios. Estas Galileias sociais se apresentam como lugares teológicos de encontro com o Deus de Jesus. Nesse caminho com Jesus nas periferias, encontramos experiências de trabalhos comunitários como a dos irmãos Simão Pedro, André, Tiago e João. Trabalhadores que deixam-se tocar pelo convite de Jesus, para ampliar o trabalho de subsistência pessoal para a construção coletiva do Reino dos Céus no meio do povo, a partir dos seus saberes comunitários. Dessa forma, a conversão que Jesus nos pede é para que nos abramos às necessidades além de nós, aos gritos de nossos irmãos e irmãs, e da nossa Mãe Terra, pois tudo está interligado (LS, 16). 

Vivemos, hoje, um tempo de reconstrução e retomada histórica, caminhamos com mais esperança, mas é preciso vigiar. Assim como os primeiros discípulos, somos chamadas e chamados a anunciar a Boa-Nova da Paz, que é fruto da justiça, do acolhimento, da saúde integral, preferencialmente às pessoas das quais os direitos lhes são negados, nas periferias geográficas e existenciais. Para tanto, na defesa por democracia e vida digna, nossa reflexão e ações coletivas precisam chegar a todas as pessoas. Ao iniciarmos este novo ano, que a Ruah, sopro de Deus, nos desperte para a coletividade, a convivialidade que aproxima o Reino dos Céus (Mt 4, 17) da história. 

Texto: Ir. Glenda Sábio Garcia 

(Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã)

Fonte: CEBI.ORG.BR

 

sábado, 22 de janeiro de 2022

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: QUE BOA NOTÍCIA DO REINO DE DEUIS VENÇA TANTAS MÁS NOTÍCIAS


 

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM: LUCAS 1, 1-4; 4, 14-21

Depois do batismo, conduzido pelo Espírito, Jesus vai ao deserto para enfrentar e vencer as tentações, deixa o deserto e se se insere nas tradições e lutas do seu povo. Ele inicia sua vida pública nos povoados e sinagogas da Galileia. “Ele ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.” Sua ação é como de um mestre e reformador eloquente e experimentado. Mas ele não pretende simplesmente negar as instituições da sua religião e começar tudo de novo.

Jesus frequenta habitualmente a sinagoga. O evangelista Lucas diz que este era um costume de Jesus. Isso revela em Jesus uma atitude de discípulo. Como qualquer pessoa que se põe nos caminhos de Deus, Jesus busca um horizonte e uma referência para sua vida e sua missão. Sedento de utopias humanas e faminto das promessas de Deus, ele busca orientação na Palavra de Deus. Num sábado, em meio ao povo reunido, procura e encontra a passagem na qual o profeta Isaías tenta suscitar a esperança num povo radicalmente desesperançado.

Como Esdras fizera no passado, Jesus lê a palavra que Deus suscitara mediante o profeta Isaías. Mas a lê também para si mesmo, buscando uma orientação para melhor entender sua missão. “Anunciar a Boa Notícia aos pobres; para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; libertar os oprimidos, e para proclamar um ano da graça do Senhor.” O Espírito e a Palavra enviam seus ungidos a uma missão historicamente engajada e relevante, sempre em favor dos últimos. Estes não são indiferentes ou estranhos ao povo de Deus.

Não resisto à tentação de comparar o discurso inaugural de Jesus com o discurso de campanha daquele que, com o nome de Messias, há três anos senta na cadeira da presidência da república do Brasil. Imaginem Jesus anunciando que veio para que todos possam ter sua arma, para impedir que os indígenas tenham sequer um centímetro de terra demarcada, para matar os 30 mil que a ditadura não matou, para que os últimos continuem no fim da fila… O que me parece inacreditável é que esse senhor diz agir guiado por sua fé, e é incensado por multidões que se dizem cristãos!

Jesus cumpriu sua missão num tempo em que a gratuidade não estava em alta. Os invasores romanos exigiam tributos, mesmo às custas da miséria do povo, e os sacerdotes cobravam a reparação ritual até das picuinhas. Para o judaísmo, pobres, presos, cegos e oprimidos eram pecadores e, por isso, devedores. Para os líderes religiosos, os pecados e impurezas do povo deveriam ser pagos sem descontos. A pregação do perdão pelo arrependimento era coisa muito recente e suspeita, sustentada pelo profeta que batizava nas margens do rio, e poucos outros.

Jesus vai à Sinagoga para resgatar uma esperança enraizada na própria escritura e para questionar a pregação oficial. Ele entende que sua missão é anunciar que chegou o tempo do jubileu, do cancelamento das dívidas, da remissão de todos os pecados, um tempo de misericórdia, e não de sacrifícios. Para Jesus, Deus não é nem delegado de polícia, nem capitão do exército. Seu anúncio é um Evangelho, literalmente, uma boa notícia. Por isso, não pode ser reduzido a uma pesada e sofisticada doutrina moral, imposta a um povo já cansado e abatido.

A ‘homilia’ que Jesus fez sobre a profecia que leu foi breve e concreta. “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir.” A comunidade, suspensa diante da proclamação da Palavra e com os olhos fixos em Jesus, foi por ele chamada ao presente concreto. Como ouvinte habitual da Palavra de Deus, Jesus percebe que o tempo está maduro, e que Deus se dirige a ele. O filho amado é também o profeta e reformador esperado. Quando a profecia não se realiza no engajamento nas lutas e movimentos de libertação, é apenas meia-palavra.

Jesus de Nazaré, ouvinte da Palavra do pai e Palavra que se faz carne para que toda carne se torne Palavra: ensina-nos a levar sério o teu Evangelho. Com Paulo, teu apaixonado missionário, descobrimos que teu corpo é formado de muitos e diversos membros, unificados por teu Espírito. Ajuda-nos a reconhecer nos pobres membros que precisam ouvir boas notícias; nos oprimidos, membros que necessitam da tua liberdade; nas pessoas dependentes e endividadas, gente que tem o direito à gratuidade. E que as sementes do Evangelho germinem em nós. Assim seja! Amém!

Texto de Itacir Brassiani

Fonte: cebi.org.br