A princípio
pode parecer que estamos falando de pessoas “apegadas” às tradições e que não
querem mudanças. Sim é isso mesmo! Mas, em se tratando de religião, temos que “diferenciar”
um pouco um do outro.
CONSERVADORA é aquela pessoa que ama a Igreja de
Jesus Cristo e quer conservar sua história e sua tradição. Sim, é “apegado” ao
passado e não gosta de mudanças. De certa forma, os conservadores são uma
espécie de “freio” para a nossa Igreja. Olham tudo com calma e ponderação e
muitas vezes ajudam a não se tomar medidas que possam prejudicar a Igreja.
O TRADICIONALISTA
é, também, apegado ao passado e não gosta de mudanças, no entanto, é nocivo à
Igreja, pois se apega a uma determinada tradição e faz dela a bandeira de uma
causa, sem chegar às raízes da fé, ao Cristo caminho, verdade e vida.
O sociólogo Karl Mannhein (1986), conceitua o “tradicionalismo” como
uma “atitude psicológica geral que se expressa em diferentes indivíduos como
uma tendência a agarrarem-se ao passado e medo de inovações”. Já o conservadorismo,
seria um movimento consciente e reflexivo desde o início, surgindo como
oposição a um movimento progressista sistemático e coerente, dotado de
organização.
É como se tivéssemos uma linha do tempo partindo de Jesus
Cristo, dali sai o “conservador”. Nesta mesma linha do tempo vão surgindo as tradições, o tradicionalista parte delas sem lembrar que Jesus Cristo é o princípio de tudo.
A catequese em estilo catecumenal, que a Igreja pede para ser adaptada aos novos tempos, nos leva a entender melhor esta questão e não confundir as duas coisas.
Uma das premissas do Concílio Vaticano ll é voltar a evangelização ao modelo da Igreja dos primeiros 2 séculos e resgatar aquilo que ela teve de bom: o ardor missionário, a mistagogia e o profundo valor comunitário. O
documento convocou a igreja para uma renovação geral. Uma distinção muito
importante é que a renovação mesmo incentivando uma tradição, não deveria ser tradicionalista.
Uma reforma tradicional remonta às origens, vai
buscar as raízes de nossa fé em Jesus Cristo e quer resgatar aquele ardor das
primeiras comunidades cristãs que davam a vida por terem se tornado cristãos.
Já uma reforma tradicionalista procura apenas recuperar as práticas de uma
certa época, que os tradicionalistas considerem boa, sem tentar voltar às
origens da fé.
Um exemplo seria a missa em latim, que nos conhecíamos, mas, que não
existia no início da igreja. As primeiras comunidades falavam hebraico e grego.
A renovação que se espera exige que nosso entendimento sobre a fé e a catequese
volte a ser baseado na Bíblia e no catecumenato dos primeiros cristãos, e que
nossa prática e vivência de fé sejam iluminadas pela comunidade inicial. O
Vaticano ll exorta para que tenhamos coragem de olhar para tudo e mudar o que
precisa ser mudado, sem apego demasiado a uma tradição e sem nos tornarmos
excessivamente conservadores.
Ângela Rocha
Referências:
MANNHEIM, K. O significado do conservantismo. In: FORACCHI, M. (Org.). Karl Mannheim: Sociologia. São Paulo:
Ática, 1982. p. 107-136.
Um comentário:
Excelente, uma pena tem padre que não toma atitude quanto aos tradicionalistas que faz a cateqiese renovada não acontecer
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