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domingo, 4 de dezembro de 2022

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: É TEMPO DO ADVENTO: TEMPO DE ESPERANÇAR...

imagem : ACI digital

 SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO – Mateus 3, 1-12

Advento (do latim ad, para, e venio, vir, chegar), é o tempo litúrgico destinado à espera da segunda vinda de Cristo Jesus (Parusia), por meio do qual se atualiza a memória do sagrado mistério da Encarnação da Palavra de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14).

O Advento é o tempo propício de preparação para celebrar o Natal do Senhor.

Começa no domingo mais próximo à festa de santo André (30 de novembro) e se estende até o dia 24 de dezembro. Há quatro domingos de Advento. A cor litúrgica própria é o roxo, porque o Advento é também é um tempo penitencial de preparação para acolher o dom de Deus na pessoa de Jesus.

(DOTRO; HELDER, 2006, verbete “Advento”, p. 15).

Percorrendo o itinerário litúrgico das Igrejas que seguem o lecionário ecumênico, no período do Advento-Natal-Epifania revive-se um evento de graça e beleza que tem renovado, ao longo dos séculos, a dimensão religiosa no coração das pessoas.  Cristãs e cristãos somos imersos num clima de escuta, de acolhida, de adoração e de encantamento.

A Leitura Orante da Bíblia (Lectio Divina) é o meio pelo qual as pessoas adentram ao mistério da Manifestação do Senhor Deus numa humilde criança, que nasce na periferia do Império Romano.

Desse modo, a Palavra divina e a experiência de Deus são continuamente retomadas e reelaboradas no coração da pessoa que crê.

A celebração litúrgica própria do Advento é o lugar da experiência do mistério de Cristo e, ao mesmo tempo, pedagogia eficaz para o aprofundamento da fé e da espiritualidade cristã (BARGELLINI; FRADE, 2011, p. 124).

Sem dúvida, viver intensamente o tempo do Advento, expectativa da vinda do Natal e da plena manifestação (epifania) do Senhor, é literalmente esperançar, verbo que significa “dar esperança”, “animar”, “estimular” (DICIONÁRIO AURÉLIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, verbete “esperançar”, p. 852).

Paulo Freire, em sua obra Pedagogia da Esperança (1992, p. 97), proclamou:

Não sou esperançoso por pura teimosia mas por imperativo existencial e histórico.

Pensar que a esperança sozinha transforma o mundo e atuar movido por tal ingenuidade é um modo excelente de tombar na desesperança, no pessimismo, no fatalismo. Mas, prescindir da esperança na luta para melhorar o mundo, como se a luta se pudesse reduzir a atos calculados apenas, à pura cientificidade, é frívola ilusão.

O essencial, como digo mais adiante no corpo desta Pedagogia da Esperança, é que ela, enquanto necessidade ontológica (do grego ontos, ente, ser) que constitui o humano, precisa de ancorar-se na prática para tornar-se concretude histórica. É por isso que não há esperança na pura espera, que vira, assim, espera vã, consequência e razão de ser da inação ou do imobilismo (FREIRE, 1997, p. 5-6)

Fica claro nas palavras de Paulo Freire que é preciso ter esperança, o que não é uma simples espera, do verbo “esperar”. A esperança, a que ser refere o pedagogo, vem do verbo “esperançar”, estímulo à prática para tornar-se concretude histórica.

Esperançar é, portanto, estimular-se, soerguer-se, levantar-se e ir atrás do que se deseja alcançar, construir.

Esperançar é ir à luta e juntar-se com outras pessoas para fazer de outro modo, construindo um outro mundo possível que Jesus, ao iniciar sua missão, proclamou como “Reino de Deus”, em meio ao conflito, perseguição, prisão e morte dos profetas do seu contexto histórico:

Depois que João foi preso, veio Jesus para a Galileia proclamando o Evangelho de Deus: O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,14-15).

Advento é, na perspectiva do verbo “esperançar”, fazer a experiência atenta, vigilante e ativa da construção do Reino de Deus em pleno contexto ameaçador dos reinos deste mundo.

Advento é aprender a acolher as novidades de um Deus que se doa e se revela na história, no tempo que se chama “hoje”, por meio de uma autêntica Espiritualidade Política, animada pelo Espírito Santo de Deus para agir politicamente em meio aos conflitos da convivência comunitária.

TEXTO: João Luiz Correia Júnior

FONTE: cebi.org.br

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: TODAS AS PESSOAS VERÃO A SALVAÇÃO DE DEUS



                          HOMILIA DO 2° DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

Lucas situa o início da atividade de João Batista no contexto histórico universal e local, para marcar a importância de seu ministério. Tibério César era então o imperador romano; Pilatos era o governador da Judeia; Herodes Antipas governava a Galileia; Herodes Filipe, a Itureia e Traconítide, e Lisânias, a Abilene; Anás e Caifás eram os sumos sacerdotes.

João Batista é apresentado como um profeta do Antigo Testamento, a quem “a palavra de Deus foi dirigida” no deserto. O deserto para Israel é o lugar em que Deus se encontra com seu povo, libertado da escravidão; faz com ele uma aliança e põe à prova sua fidelidade. João Batista percorre a região do deserto de Judá ao longo do rio Jordão, prega “um batismo de conversão para o perdão dos pecados”. Seu lema é tirado do Profeta Isaías: “preparai o caminho do Senhor do Senhor”, do Senhor que vem salvar seu povo.

O batismo de conversão exige eliminar os obstáculos que colocamos para a salvação que Deus vem nos trazer. As veredas e caminhos tortuosos a serem endireitados (1ª leitura) são frutos do pecado que nos desviam e afastam do Senhor. Com Jeremias podemos clamar: “Faze-me voltar e eu voltarei [a ti], porque tu és o Senhor meu Deus”. Endireitar os caminhos tortuosos é abrir o coração para Deus que vem nos trazer a salvação: “Deixai-vos reconciliar com Deus”. A salvação que Deus vem nos trazer é para todos os que por ele são amados  e se deixam reconciliar com ele.

A salvação está aberta para todos: “Todas as pessoas verão a salvação de Deus”. Cabe a nós preparar nosso coração para acolher o Senhor que vem nos trazer a Salvação. Preparar-se é buscá-lo de todo o coração. É pedir que nos mostre o caminho para encontrá-lo, como diz Santo Anselmo: “Senhor meu Deus, ensinai a meu coração onde e como vos procurar, onde e como vos encontrar”.

FONTE: franciscanos.org / Frei Ludovico Garmus