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sábado, 21 de fevereiro de 2026

ROTEIRO DE ENCONTRO PARA QUARESMA

🌿 ENCONTRO DE QUARESMA: ELE VEIO MORAR ENTRE NÓS

Tema: Ele veio morar entre nós (Jo 1,14)

Objetivo: Levar os catequizandos a perceber que a Encarnação revela um Deus próximo, que nos chama à conversão e à solidariedade, especialmente com quem não tem moradia digna.

🏠 1. Ambientação

  • Tecido roxo
  • Bíblia aberta em João 1,14
  • Vela / cruz
  • Imagem de uma casa (opcional)

😊 2. Acolhida

Pergunta: “O que faz um lugar ser ‘lar’ e não apenas ‘casa’?”

Deixe que falem livremente.

📖 3. Leitura Bíblica (Lectio Divina)

Texto: João 1,14

Passos breves:

        1. Leitura – repetir devagar

A Palavra estava no mundo, e por meio dela Deus fez o mundo, mas o mundo não a conheceu. Aquele que é a Palavra veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu. Porém alguns creram nele e o receberam, e a estes ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus. Eles não se tornaram filhos de Deus pelos meios naturais, isto é, não nasceram como nascem os filhos de um pai humano; o próprio Deus é quem foi o Pai deles. A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai. (NTLH).


2. Meditação – “O que este texto me diz?”


3. Oração – espontânea


4. Contemplação – silêncio curto


5. Ação – “O que isso muda em mim?” 

💬 4. Reflexão

Pontos simples e diretos:

  • Deus não ficou distante → veio morar entre nós.
  • Jesus conhece nossas alegrias e sofrimentos.
  • Hoje muitos não têm um lar digno.
  • Quaresma = tempo de:
    • rever atitudes
    • praticar caridade
    • sair do comodismo

Pergunta: “Se Jesus viesse hoje, onde nós O encontraríamos?”

 🎯 5. Dinâmica – “Se fosse comigo…”

Situações em papel (Figuras de revistas, jornais, internet):

  • família despejada
  • pessoa em situação de rua
  • casa sem segurança
  • quarto superlotado

Dividir os catequizandos em grupos de 2 ou 3. Cada grupo responde:

§  Como essas pessoas se sentem?

§  O que elas mais precisam?

Conclusão: Levar os catequizandos a ter empatia + fraternidade concreta.

 🤝 6. Compromisso Quaresmal

Sugestões:

  • Rezar por famílias sem moradia
  • Gesto concreto (doação / campanha paroquial)
  • “Jejum diferente”: menos julgamento, mais acolhida

 🙏 7. Oração Final

“Senhor Jesus, que vieste morar entre nós, ajuda-nos a reconhecer Tua presença nos que sofrem…”

Preces espontâneas + Pai-Nosso

🎯 Dinâmica Extra – “Bagagem da Quaresma”

Objetivo: Levar os adolescentes a refletirem sobre o que precisam deixar e o que precisam levar para viver bem a Quaresma.

Material:

  • Papéis pequenos
  • Canetas
  • Uma mochila / bolsa / caixa simbólica

Como fazer:

    1. Entregue dois papéis para cada adolescente.

    2. No primeiro papel:
    👉 “O que eu preciso DEIXAR nesta Quaresma?”. (ex.: raiva, preguiça, fofoca,         excesso de celular, mágoas…)

    3. No segundo papel: 👉 “O que eu quero LEVAR / CULTIVAR?”
    (ex.: paciência, oração, perdão, disciplina, caridade…)

    4. Convide-os a dobrar os papéis.

    5. Uma caixa pode representar:
    🧱 “Coisas que vou deixar para trás”

    6. A mochila pode representar:
    🎒 “Bagagem nova da Quaresma”

    7. Finalize dizendo:
    “Converter-se é escolher o que fica e o que vai.”

 🕯 Exame de Consciência Quaresmal (Adolescentes)

Pode ser feito em clima de silêncio, com música suave.

Sugestões de perguntas:

💭 Com Deus

  • Tenho rezado ou só lembro de Deus quando preciso?
  • Minha fé é vivida ou apenas falada?
  • Tenho vergonha de demonstrar minha fé?

💭 Com os outros

  • Tenho sido agressivo(a), irônico(a), indiferente?
  • Julguei alguém sem conhecer sua história?
  • Fui instrumento de paz ou de conflito?

💭 Comigo mesmo(a)

  • Tenho cuidado da minha mente e emoções?
  • Vivo comparando minha vida com a dos outros?
  • Tenho me tratado com respeito?

💭 Solidariedade

  • Tenho ignorado quem sofre?
  • Sou sensível às dores sociais (pobreza, fome, moradia…)?
  • Minha fé gera atitudes concretas?

Finalize com a oração:
🙏 “Senhor, mostra-me onde preciso mudar.”

 🎁 Lembrancinha Simbólica – Marca-página Quaresmal

✨ Opção 1 – Marca-página “Ele veio morar entre nós”

Frente: 📖 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14)

Imagem sugerida:


Verso:

🌿 Quaresma 2026


 “Nesta Quaresma, quero deixar:......................................

 "Nesta Quaresma, quero cultivar: ..................................."            

 

✨ Opção 2 – Cartão pequeno

Texto:

🌿 Quaresma 2026


Jesus veio morar entre nós.

Que eu abra espaço para Ele:
no meu coração,
nas minhas atitudes,
no cuidado com quem sofre.



Ängela Rocha
catequista e Formadora




O DESERTO DAS ESCOLHAS - 1º DOMINGO DA QUARESMA

 

Primeiro Domingo da Quaresma

Leituras:

Gn 2,7-9.3,1-7
Sl 50(51),3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)
Rm 5,12-19 ou mais breve 5,12.17-19
Evangelho: Mt 4,1-11

O DESERTO DAS ESCOLHAS

Ao iniciar a Quaresma, a liturgia nos conduz ao deserto com Jesus. O Evangelho de Mateus (Mt 4,1-11) não apresenta um detalhe secundário da vida de Cristo, mas um momento profundamente revelador. É o próprio Espírito quem conduz Jesus ao deserto. Não se trata de fuga, castigo ou isolamento estéril. Na tradição bíblica, o deserto é lugar de silêncio, de verdade e de discernimento. É o espaço onde cessam os ruídos e emergem as perguntas essenciais.

Antes de iniciar sua missão pública, Jesus passa pelo deserto. Ali, confronta-se com tentações que não devem ser entendidas como um episódio folclórico ou distante da experiência humana. Elas revelam escolhas fundamentais, tensões reais, dilemas que atravessam também a nossa vida. O deserto expõe o coração, revela intenções, purifica motivações.

A primeira tentação toca uma dimensão básica da existência: a fome. “Se és Filho de Deus, transforma estas pedras em pão.” Jesus sente fome, e isso é importante. O Evangelho não nos mostra um Jesus imune às necessidades humanas, mas plenamente solidário com elas. A tentação não está em comer, mas em usar o poder em benefício próprio, colocando a própria necessidade acima da missão. A resposta de Jesus aponta para um horizonte mais amplo: “Nem só de pão vive o ser humano, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus.” O pão é necessário, mas a vida não se reduz ao imediato, ao material, ao urgente. Há uma fome mais profunda, uma sede de sentido, direção e esperança.

A segunda tentação assume uma aparência religiosa. O tentador cita a Escritura e propõe um gesto espetacular. Surge aqui a sedução de instrumentalizar Deus, de transformar a fé em espetáculo, de buscar reconhecimento em vez de fidelidade. Jesus recusa esse caminho: “Não tentarás o Senhor teu Deus.” A fé autêntica não nasce de provas extraordinárias, mas da confiança, da escuta e da perseverança cotidiana. Deus não se impõe pelo espetáculo, mas se revela no amor fiel.

A terceira tentação apresenta-se de modo ainda mais direto: poder, glória, domínio. “Tudo isso te darei…” É a proposta de um caminho aparentemente eficaz, mas incompatível com o projeto do Pai. A escolha é clara: dominar ou servir? Buscar glória ou permanecer fiel? Jesus rejeita a lógica do poder fácil: “Ao Senhor teu Deus adorarás.” O Reino que Jesus inaugura não nasce da dominação, mas da entrega, não se sustenta na força, mas no amor.

Esse Evangelho ilumina profundamente o sentido da Quaresma. Somos também nós conduzidos ao deserto. Não necessariamente a um lugar físico, mas a uma atitude interior. A Quaresma é tempo de silenciar, rever escolhas, identificar tentações, purificar intenções. É oportunidade de confrontar o imediatismo, o egoísmo, a busca de reconhecimento e as seduções que nos afastam do essencial. O deserto nos convida a reencontrar o centro.

Para a catequese, este texto é de uma riqueza extraordinária. Ele permite mostrar que Jesus também foi tentado, que as tentações fazem parte da condição humana e que discernir é escolher à luz de Deus. Nem toda proposta atraente conduz à vida plena. Nem todo caminho fácil é caminho de verdade. A experiência de Jesus ajuda o catequizando a compreender que a fé não elimina os conflitos, mas oferece critérios para enfrentá-los.

Também para nós, catequistas, este Evangelho tem um apelo especial. Entre encontros, planejamentos e atividades, corremos o risco de viver apenas na superfície. A Quaresma nos recorda que não somos apenas transmissores de conteúdos, mas testemunhas, peregrinos, discípulos em constante conversão. Antes de falar de mudança de vida, somos convidados a vivê-la. Antes de ensinar o discernimento, somos chamados a exercê-lo.

O deserto quaresmal não é lugar de vazio, mas de encontro. Ali, longe das distrações, redescobrimos o que realmente sustenta nossa vida. A Palavra de Deus torna-se novamente alimento, luz e direção. A Quaresma, assim, revela-se não como um tempo triste ou pesado, mas como um tempo de graça, de realinhamento interior, de retorno ao essencial.

Que este início de Quaresma nos ajude a escutar com mais atenção, a escolher com mais consciência e a caminhar com mais fidelidade.

Oração

Senhor Jesus,
Tu que foste conduzido ao deserto e permaneceste fiel ao projeto do Pai,
ensina-nos a reconhecer nossas tentações
e a escolher sempre o caminho da vida.

Fortalece nossa fé,
purifica nossas intenções
e sustenta nossa caminhada quaresmal.

Amém.


Ângela Rocha
Catequista



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ENCONTROS CATEQUÉTICOS PARA A QUARESMA

APOSTILA – CATEQUESE E QUARESMA 2026

Já estamos nos preparando para viver bem o tempo da Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2026.

📖 Material completo com:

✔ Roteiros de encontros

✔ Reflexões

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

UM CONVITE À COERÊNCIA DO CORAÇÃO

VI Domingo do Tempo Comum

Leituras:
Eclo 15,16-21
Sl 18(119),1-2.4-5.17-18.33-34 (R. 1)
1Cor 2,6-10
Mt 5,17-37

🌿 Evangelho do Domingo – Mateus 5,17–37

Este trecho do Sermão da Montanha nos coloca diante de um desafio delicado e profundamente atual. Jesus não descarta a Lei; Ele a leva à sua plenitude. Sai do campo das normas externas e entra no território mais exigente: as intenções, atitudes e disposições do coração.

O texto começa lembrando o 5º mandamento: “Não matarás.” Mas Jesus amplia: a raiva cultivada, o desprezo, a palavra que humilha… tudo isso também fere e destrói. Para nós, que educamos na fé, essa palavra toca diretamente na missão de evangelizar. Quantas vezes falamos de amor, perdão e fraternidade; mas nossas relações, até mesmo na catequese, carregam impaciência, dureza ou julgamentos?

Antes de falar, testemunhar. Antes de ensinar reconciliação, viver reconciliação. Jesus propõe algo revolucionário: se houver ruptura com o irmão, a reconciliação vem antes da oferta. Em linguagem catequética, poderíamos dizer: não basta preparar belos encontros, dinâmicas e celebrações se o coração permanece fechado, ressentido ou indiferente.

A pedagogia de Jesus é interior. Ao falar de adultério, juramentos e fidelidade à palavra, Jesus insiste na mesma direção: a verdadeira vivência da fé nasce de dentro para fora. Não se trata de vigiar comportamentos alheios, mas de cultivar: integridade, verdade, respeito, coerência entre fé anunciada e fé vivida

Para o catequista, isso é essencial. Crianças, adolescentes e adultos em iniciação cristã aprendem menos com discursos e muito mais com posturas. Eles percebem como tratamos as pessoas, como reagimos aos conflitos, como usamos nossas palavras e como vivemos aquilo que propomos

Jesus usa uma linguagem forte para acordar consciências. As imagens radicais usadas por Ele (“arrancar o olho”, “cortar a mão”) não pedem literalidade, mas decisão. É um chamado a remover aquilo que nos afasta do Evangelho: atitudes tóxicas, vaidades feridas, palavras agressivas, incoerências repetidas

“Seja o vosso sim, sim”: Num mundo de promessas frágeis e discursos vazios, Jesus valoriza a simplicidade da verdade. Para quem catequiza, isso é ouro:

Que nosso “sim” à missão seja verdadeiro. Que nosso compromisso não seja apenas agenda, mas vocação. Que nossa palavra tenha peso porque nasce de uma vida autêntica.

Para rezar e refletir:

Senhor Jesus, purifica nosso coração de toda dureza, cura nossas impaciências, alinha nossas palavras com o Teu amor. Que nossa catequese não seja apenas transmissão de conteúdos, mas testemunho vivo da Tua presença. Amém.

Ângela Rocha
Catequista e formadora



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

MARIA, MÃE DO POVO FIEL: UMA DEVOÇÃO MADURA


Uma devoção mariana madura à luz da fé da Igreja

A devoção a Maria faz parte da caminhada do povo cristão desde os primeiros séculos. Em cada tempo e cultura, os fiéis encontraram na Mãe de Jesus uma presença próxima, materna e cheia de ternura. Ao mesmo tempo, a Igreja, como mãe e educadora da fé, tem a missão de acompanhar, orientar e purificar essa devoção, para que ela permaneça sempre fiel ao Evangelho e conduza ao essencial: Jesus Cristo.

É nesse espírito que a Igreja propõe uma reflexão serena sobre a devoção mariana, ajudando os fiéis a amar Maria de forma cada vez mais consciente, equilibrada e profundamente cristã.

1. Por que a Igreja fala de discernimento na devoção mariana?

Ao longo dos anos, surgiram muitos títulos, expressões e práticas marianas no meio do povo cristão. A maioria nasce do amor sincero dos fiéis. No entanto, alguns modos de falar sobre Maria podem gerar confusão, especialmente quando parecem atribuir a ela funções que pertencem somente a Cristo.

Por isso, a Igreja ajuda a distinguir:
  • o que é expressão legítima de fé,
  • o que é linguagem imprecisa,
  • e o que pode levar a exageros ou erros.
Esse cuidado não diminui Maria. Pelo contrário: protege sua verdadeira grandeza, que está sempre ligada ao seu Filho.

2. Maria e Jesus: uma relação inseparável

Um ponto fundamental da fé cristã é este:
  • Cristo é o único Salvador;
  • Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade.
Maria participa da obra da salvação não substituindo Cristo, mas colaborando com Ele, como discípula fiel, serva obediente e mãe.

Ela acolheu o plano de Deus com fé, acompanhou Jesus em sua missão e permaneceu firme junto à cruz. Sua cooperação nasce da escuta, da entrega e do amor. Maria não ocupa o lugar de Cristo, mas nos ensina a segui-Lo.

Como nas bodas de Caná, sua atitude continua sendo a mesma: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”

3. Os títulos marianos e o cuidado com a linguagem da fé

Os títulos dados a Maria não são apenas palavras bonitas. Eles expressam aquilo que a Igreja crê. Por isso, precisam ser usados com cuidado.

Alguns títulos, embora tenham surgido em determinados contextos históricos, hoje podem causar confusão se não forem bem explicados. Quando um título exige muitas explicações para não ser mal interpretado, talvez não seja o mais adequado para a catequese e a pastoral cotidiana.

A Igreja prefere títulos que:
  • sejam bíblicos,
  • ajudem o fiel simples,
  • não desviem o olhar de Cristo.
Nesse sentido, ganha destaque o título “Mãe do Povo Fiel”.

4. Maria, Mãe do Povo Fiel: um título profundamente pastoral

Chamar Maria de Mãe do Povo Fiel expressa algo que o povo de Deus já vive há muito tempo: Maria é mãe dos que creem, mãe da Igreja, presença que acompanha, consola e fortalece a fé.

Esse título:
  • não cria confusão doutrinal;
  • não coloca Maria acima de Cristo;
  • fala de cuidado, proximidade e amor.
Maria não é distante nem abstrata. Ela caminha com o povo, sustenta a esperança e educa os discípulos na fé.

5. Uma devoção mariana madura na catequese

Para quem trabalha com catequese, Maria é uma grande aliada. Uma devoção mariana madura ajuda a:
  • mostrar que amar Maria é aprender a seguir Jesus;
  • evitar exageros que confundem as crianças, os adolescentes e os adultos;
  • valorizar a devoção popular com respeito e carinho;
  • apresentar Maria como modelo de fé, escuta e fidelidade.
A verdadeira devoção mariana é simples, bíblica e cristocêntrica. Ela não afasta de Cristo, mas conduz a Ele.

Conclusão: Maria educa nossa fé

Maria é mãe que educa. Ela nos ensina a confiar em Deus, a acolher sua Palavra e a permanecer firmes mesmo nas dificuldades. Como Mãe do Povo Fiel, ela não ocupa o centro da fé, mas nos ajuda a manter o centro no lugar certo: Jesus Cristo.

Amar Maria de forma madura é deixar-se conduzir por ela no caminho do discipulado. E esse é, no fundo, o maior desejo do seu coração de mãe: que todos nós sejamos verdadeiros discípulos do seu Filho.


* Este artigo é uma reflexão catequética inspirada na Nota Doutrinal Mater Populi Fidelis, do Dicastério para a Doutrina da Fé.


FONTE:

DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Mater Populi Fidelis. Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da salvação. Vaticano, 2025. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/dicasteries/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20251104_mater-populi-fidelis_po.html



sábado, 31 de janeiro de 2026

BEM AVENTURADOS SEJAMOS: INCLUINDO A CATEQUESE...

AS BEM-AVENTURANÇAS

Neste domingo temos o Evangelho das Bem-Aventuranças, uma das catequeses mais importantes da nossa Igreja. Mateus começa o “Sermão da Montanha” com a narrativa das Bem-Aventuranças, desenvolvendo, nos capítulos 5, 6 e 7, um dos mais preciosos discursos de Jesus.

No entanto, este domingo, 31 de janeiro, não faz parte do itinerário catequético ainda… pois estamos de “férias” até a Quarta-feira de Cinzas. Nenhuma paróquia começa o ano catequético antes disso. Prejuízo? Não. Encaixamos as Bem-Aventuranças “onde der” ao longo do ano.

Mas será que isso não vai de encontro às nossas tentativas de fazer uma verdadeira Iniciação à Vida Cristã? Dizemos que a catequese é um processo, que precisa de coerência, continuidade e vínculo com a liturgia… mas, na prática, aceitamos que tudo fique desconectado.
Será mesmo que isso não faz diferença? Não seria frutuoso que as crianças escutassem, na missa do domingo, a mesma catequese que ouviram — ou ainda vão ouvir — durante a semana?

Bem… uma “vozinha” aqui insiste em me dizer: “A quem você está tentando enganar? Desde quando os pais frequentam a missa todos os domingos? Ainda mais nas férias? Sonha menos, Ângela!”

O problema não é estar de férias. O problema é o que consideramos essencial. As Bem-Aventuranças ficam para “quando der”, como se fossem um complemento opcional, e não o eixo da vida cristã.

Sonho ou utopia, acredito que seria muito bom que os pais ouvissem bem o Evangelho deste domingo e conversassem com os filhos a respeito. É claro que a linguagem do Evangelho proclamado no ambão é meio “demais” para pais “viajantes” na religião. Mas, para isso, temos o “sermão” do padre. E existem centenas de lugares onde se pode ler comentários sobre todos os Evangelhos da Bíblia. Basta fazer uma perguntinha no Google que logo a IA responde.

O Evangelho de Mateus mostra o início da vida pública de Jesus, que “sobe uma montanha” e, diante de uma multidão de pessoas, faz seu maior discurso sobre a justiça e sobre a maneira como se deve viver.

Jesus é o novo Moisés, aquele que anuncia a “Nova Lei”. Antes de estar ali, Jesus passou pela provação do deserto, preparando o coração para a missão que viria. Ele proclama a Nova Lei com as Bem-Aventuranças e atualiza os mandamentos com o mandamento maior: o amor aos irmãos.

Bem-aventurados é o mesmo que “felizes”. E ele fala também para as bem-aventuradas; para Jesus, não há distinção de gênero. Essa felicidade não é passageira nem superficial. É uma escolha: viver uma alegria profunda mesmo em meio à dor, sentindo a presença e a esperança do Reino de Deus.

Jesus promete a felicidade tanto para quem sofre a injustiça, para quem espera com paciência, para quem tem fome e sede — realidade dos pobres, excluídos e aflitos — quanto para aqueles que praticam a justiça com misericórdia, com pureza de coração, promovendo a paz. Esses também serão perseguidos, mas verão o Reino de Deus.

À luz deste Evangelho, somos chamados a ser “bem-aventurados/as”, porque o Reino de Deus está entre nós, florescendo no coração de quem ama e luta pela justiça.

Mas, como eu dizia no começo, a nós, catequistas, é dada a oportunidade de trabalhar esse discurso em outro momento. Porém, a oportunidade da liturgia não estará presente. E tudo o que fazemos é desfiar a “lista” das oito Bem-Aventuranças como se pouca coisa fosse. Nem sequer fazemos os catequizandos “decorarem” as oito Bem-Aventuranças, como fazemos com os Dez Mandamentos.

Dizemos que buscamos uma Iniciação à Vida Cristã, mas deixamos de iniciar justamente naquilo que define o modo de viver de Jesus. As Bem-Aventuranças não são decorativas. Não são um resumo bonito para decorar. São um projeto de vida.

Se elas passam… e nada fica, talvez o problema não esteja nas crianças. Talvez o Evangelho das Bem-Aventuranças incomode tanto porque ele não cabe em encontros apressados, nem em calendários mal pensados. Ele exige tempo, escuta, conversão. E isso, convenhamos, dá mais trabalho do que “encaixar onde der”.

P.S. E não vão me dizer que “Tem Entrega das Bem-Aventuranças em nossa paróquia”, porque aí já é demais! Estão massacrando a liturgia.

Ângela Rocha
Catequista e Formadora
Graduada em Teologia pela PUCPR

“Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los:
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”. 

Evangelho de Mateus 5,1-12




 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

GUIA PRÁTICO DE RECURSOS PARA USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE

GUIA PRÁTICO DE RECURSOS PARA USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE

Item

Objetivo

Sugestões de Uso

Cuidados / Observações

Leitura Orante (Lectio Divina)

Favorecer a escuta da Palavra, meditação e oração pessoal

1. Leitura devagar e clara

2. Meditação: pensar “O que esse texto diz?”

3. Oração: frase curta inspirada na leitura

4. Contemplação: silêncio, escuta do coração

5. Ação: gesto concreto durante a semana

· Adaptar a linguagem à faixa etária;

· orientar a interiorização;

· Incentivar participação

 de todos

Dramatizações

Compreensão e memorização da Bíblia através da vivência

1. Encenação de parábolas e milagres (Filho Pródigo, Multiplicação dos Pães, etc.

2. Dividir papéis; roupas

simples ou acessórios improvisados;

3. Debate após a encenação

·      Evitar exageros cênicos;

·      Sempre refletir a mensagem bíblica;

·      incentivar todos a participar

Dinâmicas Visuais e Criativas

Transformar leitura em experiência concreta

1. Desenho coletivo de passagens;

2. Linha do tempo de personagens ou eventos;

3. Símbolos bíblicos

· Orientar o uso do

material;

· não substituir a reflexão bíblica;

· Valorizar a participação

de todos

Música

Interiorizar a Palavra e unir o grupo em oração

1. Início: cantar refrão simples;

2. Refrão-resposta: repetir versículo-chave

3. Criação de refrão: inventar a partir do versículo

4. Música de contemplação: suave, instrumental ou cantada

·   Sempre ligar música à Palavra;

·   Escolher canções adequadas;

·   Integrar canto à oração e à reflexão;

·   Reaproveitar refrões

Bíblia em Mãos

Familiarizar os catequizandos com a Bíblia e estimular leitura

1.Corrida bíblica;

2. localizar evangelhos;

3. diferenciar Antigo e Novo Testamento;

4. explorar estrutura interna da Bíblia;

5. Desafio de versículo memorável

·   Incentivar o manuseio físico da Bíblia;

·   Reforçar que é livro

vivo;

·   Integrar com outras atividades;

·   Elogiar descobertas

Recursos

Digitais

Tornar a Palavra acessível e atraente usando tecnologia

1. Vídeos curtos;

2. Aplicativos de Bíblia;

3. Slides e imagens;

4. Música online;

5. Quizzes e desafios

interativos

·  Usar a tecnologia como

suporte,

·  Selecionar conteúdo confiável;

·  Monitorar o uso para evitar distração

Filmes

Ilustrar valores cristãos, promover reflexão e empatia

1. Trechos de filmes bíblicos ou históricos (Paixão de Cristo, O Príncipe do Egito);

2. Filmes com valores morais

ou cristãos (Extraordinário, Invictus);

3. Debates, dramatizações, desenhos ou roteiros

Inspirados.

·  Selecionar trechos curtos;

·  Relacionar sempre com

a Bíblia e a fé;

·  Evitar conteúdo

impróprio;

·  Promover reflexão

Guiada.

 

Org. Ângela Rocha - Catequista