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quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

É SÓ NA BÍBLIA QUE ENCONTRAMOS ENSINAMENTOS DE FÉ?

 

“Passei por uma turbulência pessoal, as coisas estão resolvidas, não com o final que eu gostaria, mas entreguei tudo nas mãos de Deus. Comunidade pequena, falatório corre solto mesmo, minha vizinha evangélica veio conversar comigo e me disse:

- Por que você não corre atrás e tenta reverter essa situação? Quem sabe se vocês forem numa igreja evangélica tudo dá certo. Lá tem ensinamento da Palavra de Deus, coisa que não tem na Católica...

No que eu respondi:

- Tem sim! Inclusive estou estudando e aprendendo bastante sobre os ensinamentos de Deus.

Ela: Você lê a Bíblia?

Eu: Sim.

Ela: Todos os dias?

Eu: Sim!!! Leio, estudo. Estou aprendendo mais sobre o Catecismo da Igreja Católica. A Igreja Católica é muito rica em seus ensinamentos, só não sabe quem não procura.

Daí outra vizinha chegou e a conversa mudou. Mas, que percepção é essa de que a Igreja não tem estudo da Palavra? Se a própria missa é ensinamento diário de tudo que está na Bíblia. E assim, qualquer católico menos atento acaba caindo nestas falas que, por mais que estejam com boas intenções, só nos tiram da Igreja de Jesus Cristo”.


                                                                           ********

Para começar, as pessoas adoram dar conselhos para vida do outro...

Quanto a percepção que muitos evangélicos e protestantes tem de que a Igreja Católica não "estuda" a Palavra, vem do próprio "cisma" que fez a separação de católicos e protestantes. Este pensamento - de que a Igreja católica não "usa" a Bíblia - vem da inspiração da Sola Scriptura, que é o princípio segundo o qual a Bíblia tem absoluta primazia, sendo ela a única regra de Fé e Prática que todo ser humano deve seguir.

A intenção da reforma era a de corrigir aquilo que julgavam como erros no catolicismo romano por meio da autoridade da Bíblia, de modo a tentar abolir tudo aquilo que não continha fundamentação e base nas Escrituras, legado pela Tradição oral, pelo Magistério da Igreja através da Santa Sé e pelos concílios ecumênicos da Igreja Católica. A Igreja Católica, que fundamenta sua doutrina sobre o tripé (1) Tradição Apostólica, (2) Bíblia e (3) Magistério, contesta de maneira sistemática este ensinamento protestante desde o Concílio de Trento. Os padres conciliares, contrários às inovações de Lutero, mantiveram-se firmes contra a interpretação particular das Sagradas Escrituras. Os protestantes sabem a Bíblia "de cor" porque o ensino é exclusivamente por meio da Bíblia. Resumindo, se não está escrito nela, não "procede da boca de Deus".

Existem ainda inúmeras contradições da "Sola Scriptura" do ponto de vista católico: nas Escrituras, não consta o que é a Bíblia, sendo assim, para se tentar compreender o que é a Bíblia, é necessário sair das Escrituras, descumprindo assim a Sola Scriptura.

Outro ponto de contradição, segundo a visão católica, é que nem tudo foi escrito nas Escrituras, é preciso ver a tradição e as interpretações feitas pelos primeiros padres da Igreja. Segundo a fé católica existem preceitos formulados por São Paulo, que ordenam aos cristãos a obediência à Tradição Apostólica, como no versículos: "Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta.” (2Ts 2, 15). E também: " Intimamo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido" (2Ts 3,6).

Os "evangélicos", que não são protestantes, mas, pentecostais, herdaram destes o preceito de que só na Bíblia estão os ensinamentos da fé.

 

Ângela Rocha

Catequista – Graduada em Teologia PUCPR



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

AS CARTAS DE SÃO PAULO

 
Imagem: Google adaptada

PARA DECORAR AS CARTAS DE SÃO PAULO:

ROCOCO (Romanos, 1Cor, 2Cor)

GALEFI (Gálatas, Efésios, Filipenses)

COTETE (Colossences, 1Tessalonicenses, 2tessalonicenses

TITITI (1 Timóteo, 2Timéteo,Tito)

FI (Filemon)

Este é um "recurso" que a gente usa muito na escola, no cursinho, etc. Com siglas podemos criar textos, musiquinhas... que nos façam lembrar de nomes (listas de nomes). Num dos cursos de catequese que fiz aprendemos a cantar esta musiquinha:  ♫ rococo, galefi, cotete, tititi, fi... e assim lembrar quais são as cartas escritas por São Paulo.

FONTE: Anotações de curso de catequese com Ir. Sandra  em Londrina – PR.

sábado, 15 de agosto de 2020

NOVO TESTAMENTO: DATAS e DETALHES

 

Foto: Lucas Rocha

Para o catequista é sempre interessante pensar em transmitir aos seus interlocutores o conhecimento “da” Bíblia e como interpretá-la, no entanto, também é válido pensar que o catequista também precisa ter conhecimento “sobre” a Bíblia e seus aspectos históricos, para também entender em que contexto ela foi escrita. 

Abaixo uma tabela com as datas em que foram escritas (prováveis) e alguns detalhes.

EVANGELHOS

EVANGELISTA

ANO + ou -

DETALHES

Marcos

64 e 70

Estudiosos colocam várias datas.

Mateus

75 e 90

Lucas

75 e 90

João

95

ATOS DOS APÓSTOLOS

 

DATA

AUTOR

DETALHES

Atos dos Apóstolos

75 e 90

Lucas

* escrito junto com o Evangelho ou logo depois

CARTAS DE PAULO

DESTINATÁRIOS

ANO +ou -

VIAGEM

DETALHES

1 Tessalonicenses

50/51

2ª viagem

Tessalônica

Escrita em Corinto

* ficou 18 meses

2 Tessalonicenses

Meses + tarde

Ou talvez 70

 

*Dúvida da autoria

1 Coríntios

54

3ª Viagem

Escrita em Éfeso

* ficou 2 anos

2 Coríntios

56

 

 

Gálatas

54/55

 

Escrita em Éfeso ou Macedônia

Efésios

61/63

Prisão

* Dúvida da autoria

Romanos

55/56

 

Em Corinto

Colossenses

61/63

Prisão

Roma (Cesareia?)

Filipenses

52/54

Prisão

Roma?

1 Timóteo

S/D definida

Não são paulinas – discípulos de Paulo

Pastorais

2 Timóteo     

S/D definida

Não são paulinas – discípulos de Paulo

Pastorais

Tito    

S/D definida

Não são paulinas – discípulos de Paulo

Pastorais

Filemon

 

61/63 ou 52/54

Prisão em Roma ou Éfeso

 

Hebreus

69/70

Não é de Paulo

Próximo da destruição do templo, no ano 70. 

* Sete Cartas são seguramente de Paulo: Romanos, 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemon.

** Dúvidas se são de Paulo: 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Efésios e Hebreus.

*** Paulo sofre martírio e morre entre 64 e 68.

EPÍSTOLAS CATÓLICAS

* Não são dirigidas a comunidades ou pessoas em particular, mas, à cristãos em geral.

ESCRITORES

ANO + ou -

DETALHES

Tiago

49/50

 

Judas

80

 

1 Pedro

64 ou 67

* Ambas escritas por Silvano, secretário de Pedro.

**Morte de Pedro entre 64 e 67.

2 Pedro

64/67 ou 80/90

1 João

S/D definida

As 3 epístolas são de autoria de João Evangelista.

2 João

S/D definida

3 João

S/D definida

Apocalipse

95

Autor: João

* Algumas partes teriam sido escritas no tempo de Nero: ano 70.

Fonte: Bíblia de Jerusalém.


sábado, 2 de maio de 2020

VAMOS FALAR DE BÍBLIA? ALIANÇAS DE DEUS!


 

QUAIS SÃO AS ALIANÇAS QUE DEUS FEZ COM O SEU POVO NA BÍBLIA (HUMANIDADE)?


A primeira aliança estabelecida aparece com a descida da arca de Noé no monte Ararat, em que Deus faz aparecer o arco-íris como sinal da Velha Aliança.

  
A segunda aliança se dá no pacto com Abraão e a promessa de uma descendência mais numerosa que as estrelas do céu. Outra forma para o judeu para se estabelecer uma aliança com Deus é através do ritual da circuncisão, no qual a criança após 8 dias de vida faz uma pequena incisão no pênis a fim de marcar o sinal de aliança com Deus.

A terceira aliança é realizada pelo próprio Deus com os israelitas na liberação do Egito, o povo de Israel passa a ser testemunho vido que Deus faz uma aliança com o seu povo eleito. Aqui o símbolo da aliança são as Tábuas da Lei que Deus deu a Moisés.


A quarta aliança, já no novo testamento, é selada com o sacrifício de Cristo para a remissão dos pecados da humanidade, onde o cordeiro de Deus, aquele que tira todo o pecado do mundo, é relembrado na Eucaristia.

Alguns citam que houve uma aliança de Deus com Adão. Muitos biblistas não consideram que Deus tenha feito uma aliança com Adão porque não há a palavra (berit ou berith). Na Bíblia, o termo Aliança, em hebraico: berith, é utilizado para definir o pacto divino entre Deus e os homens. E não há o uso deste termo nos “diálogos” entre Deus e Adão.

Há controvérsia também, com relação a aliança com Davi. Alguns exegetas consideram que a aliança com Davi é a renovação da Aliança do Sinai e que ela se cumpriu de fato só com Jesus. Deus prometeu que Davi sempre teria descendência e que sua descendência reinaria para sempre: Essa aliança se cumpre em JESUS, descendente de Davi, que reina para sempre. " Fiz um pacto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi: Estabelecerei para sempre a tua descendência, e firmarei o teu trono por todas as gerações." - Salmos 89, 3-4.

Por outro lado, há estudiosos que citam 40 alianças na Bíblia e outros que preferem dizer que é uma só.

O mais importante a destacar, é que a aliança sempre é um compromisso, um pacto entre duas pessoas, Deus e nós (individualmente), e, portanto, honrar com os compromissos faz parte da promessa e da aliança, sendo assim Deus precisa continuar a velar pelo seu povo e o povo continuar sendo fiel a Ele.

RESUMO DAS ALIANÇAS:

1ª - Noé – Aliança com toda a criação – Símbolo: Arco Iris.
2ª - Abraão – Aliança com judeus – Símbolo: Circuncisão.
3ª - Sinai/Moisés – Aliança com o povo de Israel – Símbolo: Tábuas da Lei.
4ª - Eterna - Jesus – Universal – Símbolo: EUCARISTIA.

FONTE: 
Anotações das aulas de Exegese do Pnetateuco - Curso de Teologia - PUCPR
Prof. Ildo Perondi.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

VAMOS ESTUDAR O EVANGELHO DE MATEUS?


Estamos no ANO A - Mateus, que começou na primeira semana do Advento, dia 01 de dezembro de 2019 e vai até o Domingo do Cristo Rei, este ano, no dia 22 de novembro de 2020.
Precisamos conhecer melhor o Evangelho e entender as mensagens contidas nele, de forma a conduzir nossos catequizandos pelo caminho das escrituras, para isso precisamos ESTUDAR com afinco!

Leia atentamente o texto abaixo e na sequencia, tente fazer o exercício pedido. Isso servirá para aprimorar seu conhecimento do Evangelho! Também pode ser feito um estudo em grupo com os demais catequistas.

Utilize os dois textos ANEXOS, para complementar as informações.

ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS

(*Todas as citações onde não aparece o nome do livro são do Evangelho de Mateus.)

Autor: Mateus significa "dom de Deus" (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9) *. Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galileia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais frequentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (Conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (Fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (Cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: "fazei que todas as nações se tomem discípulos meus...” (28,19).

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:
- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:
Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40).
Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do "Pai": a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois, convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:
- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH - Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:
- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:
O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

7. As mulheres:
- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38); Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabeia era mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
- As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1- 10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):
- São 7 ou nove, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados...;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”. Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões... Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Mateus utiliza muitos números:
Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando...” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:
- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.

11. Jesus é o FILHO de Davi: O Novo Davi
- Menciona Davi ligado a Jesus muitas vezes: 1,1.6.17; 9,27; 12,3.23; 15,22; 20,30.31; 21,9.15; 22,42.43.45;
- Jesus é chamado FILHO DE DAVI 7 vezes: - Três vezes pelos dois cegos (9:27; 20,30.31) e mais uma vez pela mulher Cananéia (15:22) todos pedindo compaixão; duas vezes pela multidão que se admira (12,23) e na entrada para Jerusalém (21,9); uma vez pelos meninos (21,15);
- E finalmente à pergunta de Jesus os fariseus também reconhecem que o Cristo é o Filho de Davi (22:42);
- Davi foi o Rei considerado ideal porque conseguiu unir as 12 tribos de Israel tornando-os o Povo de Israel. Jesus é o Novo Davi para unir todos os povos, tornando-os O NOVO POVO DE DEUS.

12. O verbo “ver”:
- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etc...

13. É o Evangelho da Igreja:
- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembleia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

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BIBLIOGRAFIA:

CNBB. Ele está no meio de nós. São Paulo: Paulus, 1998.
MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus. São Leopoldo: CEBI, 1990.
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus, 1990.
* Introdução ao Evangelho de Mateus na Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.

Frei Ildo Perondi
Prof. no curso de Teologia da PUC-PR.

EXERCÍCIO: Ler o Evangelho de São Mateus e ir anotando:

Quem é Jesus?
- É o Emanuel, isto é, “Deus Conosco”
- É Jesus: o nosso Salvador!
- É o “Rei dos Judeus” (segundo os Magos)
- É uma ameaça para Herodes e os grandes
- É o Deus Menino (cf. Mt 2,8-21)
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Como seguir Jesus?
- Como os Magos: ir e alegrar-se!
- Como fizeram Pedro e seu irmão André
- Como fizeram Tiago e João
- Como as multidões que seguiram Jesus
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ANEXO I:
Introdução e informações da BÍBLIA PASTORAL - Paulus:

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS
JESUS, O MESTRE DA JUSTIÇA

Introdução

Mateus apresenta Jesus com o título de Emanuel, que significa: “Deus está conosco” (Mt 1,23). À medida que lemos este Evangelho, vamos descobrindo o significado desse título: Deus está presente em Jesus, comunicando a palavra e ação que libertam os homens e os reúnem como novo povo de Deus. As últimas palavras de Jesus (Mt 28,20) são uma promessa de permanência: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Essas palavras, dirigidas ao grupo dos discípulos, mostram que Mateus vê a comunidade cristã como semente do novo povo de Deus, povo que é o lugar onde se manifestam a presença, ação e palavra de Jesus.

Segundo Mateus, Jesus é o Messias que realiza todas as promessas feitas no Antigo Testamento. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista para libertá-los da dominação romana. Frustrados em suas expectativas, eles o rejeitam e o entregam à morte. Por isso, a comunidade reunida em torno de Jesus torna-se agora a portadora da Boa Notícia a todos os homens, a fim de que eles pertençam ao Reino do Céu.

Logo de início, Mateus apresenta Jesus como o Mestre que veio realizar a justiça: “devemos cumprir toda a justiça” (3,15). O restante do Evangelho mostra que, através da palavra e ação, Jesus vai educando a comunidade cristã para a prática dessa justiça, isto é, vai ensinando como se deve realizar concretamente a vontade de Deus.

De todos os evangelistas, Mateus é aquele que apresenta didática mais clara. Entre o prólogo (Mt 1-2) e a narrativa da morte e ressurreição de Jesus (26,3-28,20), ele organiza o assunto de todo o seu Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso. Lendo atentamente, podemos perceber que Mateus escolheu os episódios de cada parte narrativa, de modo a ilustrar o discurso seguinte. E o discurso, por sua vez, resume e explica o que está contido nessa narrativa. Assim a palavra de Jesus é sempre apresentada como resultado de uma ação, e toda ação é sempre ensinamento, anúncio.

A comunidade cristã, lendo Mateus, é convidada a olhar para dentro de si mesma, afim de descobrir a presença de Jesus, que ensina a prática da justiça. Desse modo, a comunidade aprenderá a dizer a palavra certa e a realizar a ação oportuna, no tempo e lugar em que está vivendo.

O Evangelho segundo Mateus começa com uma genealogia, para salientar que Jesus surge do povo de Israel e o conduz ao ponto alto de sua história. Como “filho de Abraão” (1,1, Jesus) deve ser entendido à luz de toda história contada nas Escrituras (Antigo Testamento). Eis uma chave importante para abrir nosso texto: é a partir da história, das tradições, da cultura do povo de Israel que Jesus será compreendido.

Ele é chamado também “filho de Davi” (1,1), o Messias (Cristo, ungido, escolhido) que vem ensinar a respeito do Reino e realizar a justiça (vontade) de Deus, da qual se deve ter fome e sede, e em relação à qual não se deve temer a perseguição (5,6.10).


EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS

Prólogo: A nova história – Mt 1-2 : Evangelho da Infância de Jesus

PRIMEIRO LIVRINHO: Mt 3-7 - A JUSTIÇA DO REINO
1.1 - Parte narrativa: A chegada do Reino – Mt 3-4
1.2 - Discurso: O SERMÃO DA MONTANHA – Mt 5-7

SEGUNDO LIVRINHO: Mt 8,1-10,42 - A DINÂMICA DO REINO
2.1 - Parte narrativa: Os sinais do Reino Mt 8,1-9,38
2.2 - Discurso: A missão dos discípulos – Mt 10,1-42

TERCEIRO LIVRINHO: Mt 11,1-13,52 - O MISTÉRIO DO REINO
3.1 - Parte narrativa: A oposição a Jesus - Mt 11-12
3.2 - Discurso: As 7 parábolas do Reino – Mt 13, 1-52

QUARTO LIVRINHO: Mt 13,53-18,35 - A IGREJA - SEMENTE DO REINO
4.1 - Parte narrativa: O seguimento de Jesus Mt 13,53-17
4.2 - Discurso: A vida da Igreja – Mt 18,1-35

QUINTO LIVRINHO: Mt 19 – 25 - A VINDA DEFINITIVA DO REINO
5.1 - Parte narrativa: O Reino é universal - Mt 19-23
5.2 - Discurso: A vinda do Filho do Homem – Mt 24-25

PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS: Mt 26-28

Mandato de Jesus aos discípulos:
“Vão e façam com que todos se tornem meus discípulos...” Mt 28,19.

Da Bíblia Edição Pastoral

ANEXO II:
INTRODUÇÃO DA BÍBLIA DOS CAPUCHINHOS - Evangelho de São Mateus

INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE SÃO MATEUS
BÍBLIA DOS CAPUCHINOS

Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polêmica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

AUTOR
Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao apóstolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3).
Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas, pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre, o autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado cristão, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.

COMPOSIÇÃO LITERÁRIA
Mateus recorre a fontes comuns a Marcos e Lucas, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro atual:
a) compilação de palavras e de fatos, de “discursos” e de milagres;
b) recurso a certos números (7, 3, 2);
c)  paralelismo sinonímico e antitético;
d) estilo hierático e catequético;
e) citações da Escritura, etc..

DIVISÃO E CONTEÚDO
Apesar dos característicos agrupamentos de narrações, não é fácil determinar o plano ou estabelecer as grandes divisões do livro. Dos tipos de distribuição propostos pelos críticos, podemos referir três:

1. Segundo o plano geográfico:
a) o ministério de Jesus na Galileia (4,12b-13,58),
b) a sua atividade nas regiões limítrofes da Galileia e a caminho de Jerusalém (14,1-20,34),
c)  ensinamentos, Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém (21,1-28,20).

2. Segundo os cinco “discursos”, subordinando a estes as outras narrações: resulta daí um destaque para a dimensão doutrinal e histórica da existência cristã.
3. Segundo o objetivo de referir o drama da existência de Jesus:
Mateus apresenta o Messias...
a) em quem o povo judeu recusa acreditar (3,1-13,58) e
b) que, percorrendo o caminho da cruz, chega à glória da Ressurreição (14-28).
Aqui, limitamo-nos a destacar:
I. Evangelho da Infância de Jesus (1,1-2,23);
II. Anúncio do Reino do Céu (3,1-25,46);
III. Paixão e Ressurreição de Jesus (26,1-28,20).

TEOLOGIA
Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflete a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Esta característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou “discursos” de Jesus: 
a)    5,1-7,28;
b)    8,1-10,42;
c)    11,1-13,52;
d)    13,53-18,35;
e)    19,1-25,46.

Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente: 
a)    “a justiça do Reino” (5-7),
b)    os arautos do Reino (10),
c)    os mistérios do Reino (13),
d)    os filhos do Reino (18) e
e)    a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (24-25).

Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já atuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias;
a)    Ele é o Salvador esperado,
b)    o Emanuel,
c)    o «Deus conosco» (1,23) até à consumação da História (28,20);
d)    é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus);
e)    é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos a Igreja do seu poder salvífico.

Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de Davi e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.
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FONTE: