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terça-feira, 25 de março de 2014

DIDAQUÉ CAPÍTULO XVI - FINAL

D. PERSEVERAR ATÉ O FIM

Os cristãos vivem continuamente á espera que se manifestem Jesus e o seu projeto. Isso se realizará totalmente no fim da história. Contudo, é através do momento presente que esse final vai sendo pouco a pouco construído. É essa a esperança que produz perseverança.

Capítulo XVI

Da Parusia* do Senhor

1 - Vigiem sobre a vida de vocês. Não deixem que suas lâmpadas se apaguem, nem soltem o cinto dos rins. Fiquem preparados, porque vocês não sabem a que hora o Senhor nosso vai chegar (Cf Mt 24,41-44; 25,13; Lc 13,35).

2 – Reúnam-se com frequência para procurar a salvação de vossas almas, porque de nada lhes servirá todo o tempo que vocês viveram na fé, se no último momento vocês não estiverem perfeitos.

[NOTA: Jesus chega no momento em que a comunidade está colocando em prática o projeto dele. Por isso, a comunidade se reúne para discernir o modo como irá realizar o projeto de Jesus, respondendo aos problemas e desafios do ambiente em que ela vive.]

3 – De fato, nos últimos dias, os falsos profetas e os corruptores se multiplicarão, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se transformará em ódio (Cf Mt 24,10-13; 7,15).

4 – Crescendo a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então aparecerá o sedutor do mundo, como se fosse o filho de Deus, e fará milagres e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e ele cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo (Cf Mt 24,24; 2Tes 2,4-9).

5 - Então toda a criatura humana passará pela prova de fogo e muitos se escandalizarão e perecerão. Contudo, aqueles que permanecerem firmes na sua fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam (Cf Mt 24,10-13).

[NOTA: A comunidade vive na história em constante prova de fogo, porque deve enfrentar projetos contrários ao de Jesus. Muitos se apresentam semeando a injustiça, a desigualdade e o ódio, com todas as conseqüências que daí provem. Por isso, o testemunho cristão se faz em meio a conflitos e lutas, e a comunidade deve estar sempre discernindo, para fazer a coisa certa no momento certo. A união e a solidariedade são necessários para evitar o desespero e o desânimo.]

6 – Então, aparecerão os sinais da verdade: primeiro o sinal da abertura no céu, depois o sinal do som da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos (Cf Mt 24,31; 1Cor 15-52; 1Tes 4,16).

7 – Ressurreição sim, mas não de todos, segundo foi dito na escritura: “O Senhor virá, e todos os santos estarão com Ele”.

8 - Então verá o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu (Cf Mt 24,30; 26,64).

[NOTA: É através do testemunho cristão que, pouco a pouco, aparecem os sinais da verdade. A abertura no céu permite que os cristãos compreendam o que acontece na historiam porque são capazes de ver com os olhos de Deus. Então compreendem que o julgamento (toque da trombeta) se realiza através do testemunho. E quem testemunhar até o fim terá o mesmo destino que Jesus: a ressurreição. Fica então claro que a ressurreição é para os justos, isto é, para aqueles que se comprometem com Jesus e seu projeto. É desse modo que Jesus aparecerá vitorioso, e o projeto de Deus estará completamente realizado: liberdade e vida para todos através da fraternidade e partilha.]


* PARUSIA: A segunda vinda de Cristo (teologia)


FIM



DIDAQUÉ, o catecismo dos primeiros cristãos para as comunidades de hoje.

Tradução, Introdução e notas: Pe. Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin.

Adaptação e citações bíblicas: Ângela Rocha

DIDAQUÉ – CAPÍTULOS XI a XV

C. VIDA COMUNITÁRIA

Os capítulos XI a XV da Didaqué dispõem sobre a vida comunitária, com especial atenção para com a hospitalidade e o discernimento dos verdadeiros pregadores, o culto e a organização.

Capítulo XI

Verdadeiros e falsos pregadores

1 – Se alguém vier até vocês com instruções conforme tudo aquilo que acima é dito, recebei-o.

2 - Mas, se aquele que ensina for perverso e expuser outra doutrina para destruir, não lhe dêem atenção. Contudo, se ensina para estabelecer a justiça e o conhecimento do Senhor, vocês devem acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3 - A respeito dos apóstolos e profetas, procedam conforme o princípio (texto grego: dogma) do Evangelho.

4 - Todo o apóstolo que vem até vocês, seja recebido como o Senhor.

5 - Ele não deverá ficar mais que um dia, ou, se necessário, mais outro. Se ele, porém, permanecer três dias é um falso profeta.

6 - Na sua partida, o apóstolo não deve levar nada, a não ser o pão necessário até o lugar em que for parar; se, porém, pedir dinheiro é falso profeta.

7 - E não coloquem à prova nem julguem um profeta que em tudo fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas este pecado não será perdoado (Mt 12,31).

8 - Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser aquele que vive como o Senhor. É assim que vocês reconhecerão o falso e o verdadeiro profeta.

9 - Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa, não deve comer dela; caso contrário é um falso profeta.

10 - Todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é falso profeta.

11 - Mas todo profeta provado (e reconhecido) como verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, não ensinando, porém, a fazer como ele faz, não será julgado por vocês, pois ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas.

12 – Se alguém disser, sob inspiração: dá-me dinheiro ou qualquer outra coisa, não o escutem; se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue.

[NOTA: Segundo a Didaqué, as comunidades da Igreja primitiva, conheciam os apóstolos, os profetas e os mestres. Difícil saber a diferença entre eles, pois parece que a função dos três era anunciar o Evangelho e ensinar. Por outro lado, a insistência na hospitalidade para esses três tipos de pessoas indica talvez que eles exerciam seu ministério de maneira itinerante, visitando as diversas comunidades. Uma das principais dificuldades era distinguir o verdadeira do falso pregador. Para isso, a comunidade chegou a diversos critérios para reconhecer o verdadeiro pregador: ensinar a justiça e o conhecimento do Senhor, falar sob inspiração, viver como o senhor, praticar o que ensina. O falso pregador é aquele que explora a comunidade e não pratica o que ensina. O respeito pelos pregadores é muito grande, pois nesses tempo a comunidade dependia deles para conhecer o Evangelho. De certa forma, podemos dizer que o pregador, por meio de sua palavra e vida, era a personificação viva do Evangelho. Porque os Evangelhos que hoje conhecemos eram escritos que circulavam somente em algumas comunidades.]



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Capítulo XII

Hospitalidade com Discernimento

1 - Todo aquele que vem em nome do Senhor, seja acolhido. Depois examinem para conhecê-lo, pois vocês têm juízo para distinguir a esquerda da direita.

2 - Se o hóspede estiver de passagem, dêem ajuda no que puderem; entretanto, ele não permanecerá com vocês, a não ser por dois dias, ou três, se for necessário.

3 - Se quiser estabelecer-se com vocês, tendo uma profissão, então trabalhe para o seu sustento.

4 - Mas, se ele não tiver profissão, procedam conforme a prudência, para não deixar nenhum cristão ocioso entre vocês.

5 - Se ele não quiser aceitar isso, é um comerciante de Cristo. Tenham cuidado com essa gente.

[NOTA: A comunidade cristã vive o clima da fraternidade e da partilha e, por isso, está sempre aberta para acolher aqueles que necessitam de ajuda. Isso, porém, pode tornar-se ocasião para que aproveitadores explorem a boa vontade da comunidade. O discernimento deve atingir também outras áreas de exploração, para que a comunidade não seja manipulada em favor de interesses alheios ao projeto de Jesus. Não basta ser bom: é preciso ser justo e ter muito bom-senso.]

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Capítulo XIII

Sustentação do profeta

1 - Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se entre vocês é digno de seu alimento.

2 - Do mesmo modo, também o verdadeiro mestre, como todo operário, é digno de seu alimento.

3 - Por isso, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê para os profetas, pois eles são os sumos sacerdotes de vocês.

4 – Se, porém, vocês não têm profeta, dêem aos pobres.

5 - Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6 - Do mesmo modo, abrindo uma vasilha de vinho ou de óleo, tome a primeira parte e dê aos profetas.

7 – Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito.

[NOTA: O pregador ou agente de pastoral, que emprega todo o seu tempo na evangelização, fica por isso mesmo dependendo das comunidades para sobreviver. Sua situação equivale à dos pobres. Toda comunidade deve preocupar-se não só em sustentar seus agentes, mas também dar-lhes possibilidade para que, de fato, possam prover às necessidades da evangelização.]

* * * * *

Capítulo XIV

A Celebração Dominical

1 – Reúnam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer (celebrar a eucaristia), depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro.

2 - Aquele que está em discórdia com o outro, não se junte a vocês sem antes ter se reconciliado, a fim de que o sacrifício que vocês oferecem não seja profanado (Cf Mt 5,23-25).

3 - Com efeito, este é o sacrifício de que disse o Senhor: “Em todo o lugar e em todo o tempo se me oferece um sacrifício puro, porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações” (Cf Mal 1,11-14).

[NOTA: A Eucaristia é a celebração da fraternidade. Para que ela não seja profanada no seu significado profundo, exige-se reconciliação, não só no momento do culto, mas na vida concreta. Sem isso, o culto não tem sentido.]

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Capítulo XV

A Vivência Comunitária

1 – Escolham para vocês bispos e diáconos dignos do Senhor, homens dóceis, desprendidos (altruístas), verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vocês a liturgia dos profetas e doutores (mestres).

2 - Não os desprezem, porque entre vocês, eles são da mesma dignidade que os profetas e mestres.

[NOTA: A Igreja nascente viu-se logo diante de dois modelos de comunidade. O primeiro era a comunidade palestinense, mais ligada à tradição, e onde estavam presentes os apóstolos e presbíteros. Na Didaqué, as figuras dos apóstolos, profetas e mestres parecem lembrar esse tipo de Igreja, de modelo judaico, onde também encontramos os sacerdotes, profetas e mestres de sabedoria. O outro modelo de Igreja nasceu fora da Palestina e era muito mais voltado a missão e as necessidades que daí surgiram. Esse segundo tipo de Igreja logo teve necessidade de servidores para a comunidade (diáconos) e de supervisores para as diversas comunidades (bispos), escolhidos em clima democrático. Toda comunidade vive na tensão entre a tradição e a missão. Tradição significa ser fiel ao compromisso com o projeto de Jesus, e a missão significa encarnar esse projeto, respondendo aos desafios de cada tempo e lugar. Essa tensão se resolve quando mantemos um olho no Evangelho e o outro na vida.]

3 – Corrijam-se mutuamente, não com ódio, mas com paz, como vocês têm no Evangelho. E ninguém fale com nenhuma pessoa que tenha ofendido o próximo, nem o escute até que ele tenha se arrependido.

[NOTA: O cimento da vida comunitária é a correção mútua, feita com espírito fraterno. Perdoar-se e reconciliar-se mutuamente é o sacramento básico, porque não é bom viver sozinho, como não é fácil viver junto. De tal modo isso é importante que a comunidade deve ser implacável: isolar completamente quem ofendeu o próximo, até que ele aprenda na própria pele a necessidade da reconciliação.]

4 – Façam suas orações, esmolas e todas as ações, da forma que vocês têm no Evangelho de Nosso Senhor.

[NOTA: A vida cristã tem na sua frente o Evangelho e se exprime como oração (ligação com deus), esmola (socorro imediato ao próximo necessitado) e ação (transformação da sociedade pecadora na comunidade fraterna que Deus quer).]

segunda-feira, 24 de março de 2014

DIDAQUÉ Capítulo X

Ação de graças depois da ceia

1 - Depois de saciados, agradeçam da seguinte maneira:

2 – “Nós te agradecemos, Pai Santo, por teu santo nome, que tu fizeste habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que tu nos revelaste por Jesus, teu servo; a ti, a glória para sempre.

3 - Tu, Senhor, Todo-poderoso, criaste todas as coisas para a glória de teu nome e, deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais, e uma vida eterna por meio do teu servo Jesus.

4 – Antes de tudo, nós te agradecemos, porque és poderoso. A ti, a glória para sempre.

5 - Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne esta igreja santificada dos quatro ventos no teu reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6 – Que a tua graça venha, e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi (Cf Mt 21,15). Quem é fiel venha; quem não é fiel, converta-se. Maranatá! (Cf 1Cor 16,22; Apoc 22,20). Amém.

7 - Deixem os profetas agradecerem à vontade.

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DIDAQUÉ Capítulo IX

A celebração eucarística

1 – Celebrem a Eucaristia do seguinte modo:

2 – Digam primeiro sobre o cálice: “Nós te agradecemos, Pai nosso, pela santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti, a glória para sempre!” Amém.

3 – Depois digam sobre o pão partido: “Nós te agradecemos, Pai nosso, pela vida e pelo conhecimento que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti, a glória para sempre!” Amém.

4 – Do mesmo modo como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu Reino, porque tua é a glória e o poder, por meio de Jesus Cristo, para sempre. Amém.

5 - Ninguém coma nem beba da Eucaristia, se não tiver sido batizado em nome do Senhor. Pois a respeito dela disse o Senhor: “Não dêem as coisas santas aos cães!”.

[NOTA: A Eucaristia aqui mencionada diverge bastante do rito eucarístico que hoje conhecemos. Talvez não existisse uma fórmula fixa de celebração. O texto deixa claro que a Eucaristia era celebrada dentro de uma refeição comum, que podia ser participada unicamente pelos batizados, isto é, por aqueles que, após a instrução, se haviam comprometido com o projeto de Jesus. Destaca-se também o aspecto da Eucaristia como sacramento de unidade da Igreja. O ritmo da celebração era bastante livre e participativo].

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domingo, 23 de março de 2014

DIDAQUÉ Capítulo VIII

O jejum e a oração

1 – Que os jejuns de vocês não coincidam com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Vocês, porém, jejuem no quarto dia no dia de preparação.

2 - Também não rezem como os hipócritas, mas como o Senhor mandou no seu Evangelho. Rezem assim: Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia, perdoa a nossa ofensa, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido e não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal (Cf Mt 6,9-13; Lc 11,2-4]), porque teu é o poder e a glória para sempre.

[NOTA: Oração e jejum são duas práticas intimamente ligadas. O jejum lembra à pessoa que existe uma fonte maior, que só a vinda do Reino de Deus pode satisfazer. A oração mantém a pessoa aberta para o projeto de Deus e consciente dos pedidos essenciais, para que esse projeto se realize. O povo desnutrido que passa fome está fazendo jejum contra a sua vontade e, ao mesmo tempo e por causa disso, erguendo o seu clamor para que venha o Reino, a fim de que este, com sua justiça, o liberte de todas as fomes.]

3 – Rezem assim três vezes por dia.

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DIDAQUÉ – CAPÍTULO VII

B. CELEBRAÇÃO DA VIDA

É um antigo ritual litúrgico, com instruções para administração do batismo (VII), sobre o jejum e a oração (VIII) e sobre a celebração eucarística (IX e X).

Capítulo VII

O batismo

1 - No que diz respeito ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do e do Espírito Santo. (Cf Mt 28,19).

2 - Se não tiver água corrente, batize em outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente.

3 - Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 - Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem, observem o jejum; ao que é batizado, deverá se impor um jejum de um ou dois dias.

[NOTA: Nesse tempo, a administração do batismo era feita depois de uma etapa de catequese (“depois de ditas todas essas coisas”), representada, certamente pelos capítulos I a VI. Antes da cerimônia, fazia-se um jejum, do qual participavam o batizando, aquele que batizava e outras pessoas que pudessem. A cerimônia propriamente dita era realizada em comunidade. O ritual é simples e se reduz ao batismo com a água e à invocação da Trindade. A menção de diversas possibilidades faz supor que o mais usual era a imersão em água corrente (rio), ou em outra água (piscina, reservatório). Na impossibilidade disse, bastava derramar três vezes água na cabeça do batizando. A instrução e o jejum mostram que o batismo era administrado somente para pessoas adultas. A administração do batismo parece não estar restrita a um ministro especial.]

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sábado, 22 de março de 2014

DIDAQUÉ Capítulo VI

Perfeição é servir ao Senhor

1 – Fique atento para que ninguém o afaste deste caminho da instrução, ensinando o que é estranho a Deus (Mt 24,4).

2 - Se puder carregar todo o jugo do Senhor, você será perfeito. Se isso não for possível, faça o que puder.

3 - Quanto aos alimentos, observe o que você puder . Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos, porque esse é um culto a deuses mortos.

[NOTA: É a conclusão da primeira a parte, exortando ao discernimento para não desfigurar o caminho da vida cristã. O jugo do Senhor é, provavelmente, o Evangelho vivo, que está representado nesta primeira parte. Não se trata, porém, de imposição, mas de proposta e convite a serem aceitos na medida da possibilidade de cada um. A perfeição deve ser entendida aqui como integridade. O item 3 se refere ás disposições tomadas no Concílio de Jerusalém (At. 15,29)].

DIDAQUÉ - Capítulo V

O caminho da morte

1- O caminho da morte é este: em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, feitiçarias, rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambigüidades (falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, avareza, conversa obscena, ciúme, insolência, extravagância, altivez, vaidade e ausência do temor de Deus.

2 – Por este caminho andam os perseguidores dos bons, os inimigos da verdade, amantes da mentira, os ignorantes da recompensa da justiça, os que não desejam o bem nem o julgamento justo, os que não ficam vigilantes para o bem, mas para o mal. Deles está longe a doçura e a paciência; são amantes da das coisas vãs, ávidos de recompensa, não se compadecem do pobre, não tem cuidado para com os necessitados, não reconhecem o seu Criador. São ainda assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam o necessitado, oprimem o aflito, defendem os ricos, são juízes injustos com os pobres e, por fim, são pecadores consumados. Filhos, afastem-se de tudo isso.

[NOTA: Se o caminho da vida é temer a deus e amar a Deus e ao próximo; o caminho da morte é o contrário: começa com a ausência do temor a Deus. Sem esse temor, o homem se coloca no lugar de Deus e passa a se julgar como centro e senhor da vida, dispondo de tudo e de todos sem a menor consideração pela vida e liberdade de seus semelhantes. Quando um homem usurpa o lugar de Deus, cria automaticamente o projeto da escravidão e da morte. A lista de vícios e pecados testemunha a monstruosidade da auto suficiência.]

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sexta-feira, 21 de março de 2014

DIDAQUÉ - Capítulo IV

A pessoa inserida na comunidade

[NOTA: 1-14: Centralizada no amor a deus e ao próximo, a vida cristã é essencialmente uma realização comunitária, onde tudo é partilhado fraternalmente.].

1 - Meu filho, lembre-se dia e noite daquele que anuncia a palavra de Deus para você e honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois o Senhor está presente onde é anunciada a Sua soberania. (Hb 13, 7).

[NOTA: As comunidades ainda não conhecem os Evangelhos escritos. O Evangelho é uma palavra viva, preservada e anunciada por pregadores itinerantes, que servem as comunidades e, ao mesmo tempo, dependem dela.]

2 – procure estar todos os dias na companhia dos fiéis, para encontrar apoio nas palavras deles.

3 - Não provoque divisão. Pelo contrário, reconcilie aqueles que brigam entre si. Julgue de modo justo, corrigindo as culpas sem fazer diferença entre as pessoas. (Dt 1,16s; Prov 31,9).

[NOTA: A comunidade é o ambiente vital dos cristãos, onde eles partilham a vida e encontram apoio para perseverar. Sendo ela mesma o valor máximo,a comunidade deve ser preservada de qualquer divisão, que provém principalmente da competição pelo poder, da busca de privilégios e de sectarismo. A preocupação com a reconciliação é um dever de todos, e supõe imparcialidade quando aprecem conflitos.]

4 - Não fique hesitando sobre o que vai acontecer ou não.

5 - Não seja como os que estendem a mão na hora de receber e a retiram na hora de dar.

6 - Se você ganha alguma coisa com o trabalho de suas mãos, ofereça-o em reparação por seus pecados.

7 - Não hesite em dar e, dando, não o faça reclamando, pois algum dia você reconhecerá quem é o verdadeiro remunerador da sua recompensa.

8 - Não rejeite o necessitado. Divida tudo com o seu irmão, e não diga que são coisas suas. Se vocês estão unidos nas coisas que não morrem, tanto mais nas coisas perecíveis. (At 4,32; Heb 13,16).

[NOTA: A comunidade cristã reconhece que, tudo o que ela é e possui, é dom de Deus. Ao mesmo tempo, desde a sua origem, ela se voltou para acolher os pobres e marginalizados. Ora, estes dependem estritamente do espírito de dom e partilha. O importante é que na comunidade o espírito de posse é totalmente superado pelo conceito de necessidade do uso e partilha: Deus dá tudo, para que todos repartam tudo, segundo as necessidades de cada um. Viver em comunidade, portanto, supõe que cada um confie plenamente no dom de Deus, libertando-se da preocupação individual e calculista com o amanhã.]

9 - Não se descuide de seu filho ou de sua filha; pelo contrário, instrua-os desde a infância no temor de Deus.

[NOTA: Viver em comunidade supõe educação para isso. E o ponto fundamental é a instrução no temor de Deus. Não se trata de ter medo de Deus, mas de reconhecer que Deus é o Senhor e doador da vida, e seu projeto é que todos repartam a vida entre todos. A educação cristã começa por aqui, mostrando para as pessoas que elas não são auto suficientes e independentes, mas interdependentes, complementando-se mutuamente na partilha do que cada um é e tem.]

10 - Não dê ordens com rudeza ao seu servo ou à sua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que você, para que não percam o temor de Deus que está acima de todos. Com efeito, Ele não virá chamar a pessoa pela aparência, mas segundo a preparação do espírito.

11 – Quanto a vocês, servos, sejam submissos aos seus senhores, com respeito e reverência, como a imagem de Deus. (Ef 6,1-9; Col 3,20-25).

[NOTA: O projeto de Deus é a fraternidade, que desfaz toda e qualquer desigualdade entre as pessoas, para formar a grande família humana. Isso não quer dizer que as pessoas se tornem idênticas; cada um é original e tem sua função própria dentro da sociedade, em proveito do bem comum. Função diferente não quer dizer que uma pessoa seja mais que a outra ou que tenha mais direitos ou privilégios, em vista do que é, do que faz ou produz. Todos são necessários e todos têm direito ao necessário para viver dignamente. No item 11, vemos que as comunidades nascentes ainda não tinham consciência de que o Evangelho exige transformações estruturais para acabar com a desigualdade e a exploração. Todos devem ser respeitados, porque todos são imagem de Deus.

12 - Deteste toda a hipocrisia e tudo o que é desagradável ao Senhor.

13 - Não viole os mandamentos do Senhor. Guarde o que recebeu, sem nada acrescentar ou tirar.

[NOTA: Defender uma doutrina sem se preocupar com a prática é hipocrisia, um dos grandes males que ameaçam a comunidade. Por outro lado, guardar os mandamentos não é simplesmente repeti-los de cor, mas fazer o que eles ordenam. Trata-se certamente do mandamento de amar a Deus e ao próximo.]

14 - Confesse as suas faltas na reunião de fiéis, e não comece a sua oração com má consciência. Este é o caminho da vida.

[NOTA: A confissão aqui aparece como sacramento juridicamente estruturado. Provavelmente, os cristãos declaravam seus pecados em comunidade, e esta era responsável pelo perdão. Para que a comunidade esteja viva são necessários a confissão e o perdão, que abrem sempre a possibilidade de se converter ao projeto de Deus. A oração autêntica é feita dentro do projeto de Deus e em vista da sua realização (1 Jo 5, 14).]

DIDAQUÉ - Capítulo lll

Advertências contra a paixão e a idolatria

As raízes do mal e do bem

1 - Meu filho evite tudo o que é mau e tudo que se pareça com o mal.

[NOTA: princípio geral: evitar o mal que, a seguir, é apresentado como conseqüência do egoísmo, da falta de autocontrole e da ambição.].

2 - Não seja colérico, porque a ira conduz à morte; nem ciumento, nem briguento ou violento, porque os homicídios nascem de todas essas coisas.

3 - Meu filho, não seja cobiçoso de mulheres, pois a cobiça conduz à fornicação. Evite falar obscenidades e olhar com malícia, pois os adultérios surgem de todas essas coisas.

[NOTA: Homicídio e adultério têm suas respectivas raízes na falta de autocontrole e na cobiça. Cobiçar não é simplesmente desejar, mas fazer planos e armadilhas para se apropriar daquilo que se deseja.].

4 - Meu filho, não seja dado à adivinhação, pois ela conduz à idolatria. Não pratique encantamentos (feitiçaria), astrologia e purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de todas essas coisas, se origina a idolatria.

[NOTA: Idolatria é manipulação do sagrado ou de alguma coisa que é apresentada como sagrada, em vista dos próprios interesses. Essa é a magia que as pessoas usam para conseguir poder e dominação sobre os outros. A pessoas que tem poder acaba acreditando e fazendo os outros acreditarem que ela é absoluta e divina. Essa é a raiz de todo o processo de dominação e opressão religiosa ou política].

5 - Meu filho, não seja mentiroso, pois a mentira conduz ao roubo; não seja ávido pelo dinheiro, nem cobice a fama, porque o roubo nasce de todas essas coisas.

[NOTA: A mentira oculta uma verdade a qual se tem direito. Essa ocultação visa os interesses de alguém: dinheiro, prestígio, fama. Ao lado do poder, a riqueza é o outro grande ídolo. Se o poder-dominação é roubo da liberdade, a riqueza é roubo dos bens a que todos têm direito].

6 - Meu filho, não seja murmurador, pois isto conduz à blasfêmia; não seja insolente nem tenha mente perversa, pois as blasfêmias nascem de todas essas coisas.

[NOTA: Blasfêmia é dizer que o projeto de Deus é mau. A murmuração, a insolência e a mente perversa levam à dúvida, á reclamação e, por fim, à blasfêmia (Cf. Ex 16, 1-3)].

7 - Seja manso, pois os mansos receberão a terra como herança. (Cf. Mt 5,5; Sl 31,11).

8 – Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranqüilo e bom, respeitando e guardando com toda a reverência a instrução ouvida.

9 - Não se engrandeça a si mesmo e não entregue seu coração à insolência; não se junte com os 'grandes', mas com os justos e humildes.

[NOTA: Desde o início de sua existência, a comunidade cristã é convidada a optar pelos pobres, pois são eles que buscam e podem realizar a justiça que Deus quer. Todas as qualidades aqui apresentadas pertencem aos pobres e justos que acreditam no anúncio do Evangelho e lutam pelo Reino da justiça. Sua força não vem das armas, mas da violência do amor que persevera, certos da promessa de que os mansos receberão a terra como herança.]

10 – Aceite como boas as coisas que lhe acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus.

[NOTA: O cristão sabe que a vida e a história obedecem em primeiro lugar ao projeto de Deus, que quer a vida para todos. Por isso, ele é sempre levado a buscar o significado profundo dos acontecimentos, para além de seus caprichos e interesses imediatos.]

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quinta-feira, 20 de março de 2014

INSTRUÇÃO DOS DOZE APOSTOLOS - DIDAQUÉ – CAPÍTULO II


Exigências do amor ao próximo

Capítulo II

Dos deveres para com a vida e a propriedade do próximo

1 - O segundo mandamento da Instrução (Didaqué) é este:

2 - Não mate, não cometa adultério; não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem bruxaria (charlatanice). Não mate a criança no seio da mãe (por aborto), nem a criança já nascida;

3 - Não cobice os bens do próximo, não jure em falso (Cf. Mt 5,33; Ex 20,7), nem dê falso testemunho; não fale mal do outro, nem lhe guarde rancor.

4 - Não use de ambigüidade nem no pensamento nem na palavra, pois a duplicidade é uma armadilha mortal (Cf. Prov 21,6).

5 – Que a sua palavra não seja falsa ou vazia; mas se comprove na prática.

6 - Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o próximo (Cf. Ex 20,13-17; Dt 5,17-21).

7 - Não odeie a ninguém, mas corrija uns, reze por outros, e ainda ame aos outros mais que a si mesmo (que tua alma).

[NOTA: 1-7 - O Capítulo II é uma espécie de recapitulação e ampliação das conseqüências do Decálogo (Dez Mandamentos), retomando o mandamento do amor ao próximo (I, 2). O relacionamento interpessoal é enfocado a partir da integridade e veracidade em relação aos outros. As diversas normas podem ser resumidas em três grandes linhas: o respeito á vida, aos bens e à fama do próximo. Tais normas não devem ser compreendidas apenas em si mesmas; elas pressupõem o clima fundamental da vida cristã, que exige fraternidade e partilha (Cf. I 5). O que se requer ume primeiro lugar não é a bondade, mas a justiça.].

DIDAQUÉ INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS - CAPÍTULO I

VAMOS COMEÇAR NOSSOS ESTUDOS SOBRE A DIDAQUÉ?

Aí está o primeiro capítulo para leitura... logo em seguida a cada número, temos a NOTA, que explica a instrução.



Instrução do Senhor para as nações, por meio dos doze apóstolos.

Catequese fundamental para aqueles que desejam viver e se comportar de modo cristão. O caminho da vida é apresentado nos capítulos I a IV; o da morte, no capítulo V; o capítulo VI traz a exortação final desta parte.

Capítulo I - Amor a Deus e ao próximo

Os dois caminhos: o da vida exige o amor a Deus e ao próximo

1 - Há dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-28; 30,15-20; Ecli 15,15-17]. A diferença entre os dois é grande.

[NOTA: o cristão deve fazer uma escolha fundamental, que definirá toda a sua vida e destino. Não é possível andar com os pés em duas canoas. Só há um caminho que produz vida e realização. Os outros caminhos levam inevitavelmente para a morte em diversos sentidos e níveis.]

Viver é amar

2 - O caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a Deus que te criou; depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Eclo 7,30; Lev 19,18; Mt 22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12; Lc 6,31].

3 – O ensinamento que deriva dessas palavras é o seguinte: Bendigam aqueles que os amaldiçoam e rezem por seus inimigos, e ainda jejuem por aqueles que os perseguem. Com efeito, que graça vocês terão, se amarem só aqueles que os amam? Os pagãos não fazem o mesmo? Quanto a vocês, amem aqueles os odeiam e vocês não terão nenhum inimigo. [Cf Mt 5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].

[NOTA: o ponto de partida da vida cristã é o amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. A medida do amor ao próximo é a mesma do amor que se tem consigo mesmo. E todas as pessoas, até mesmo os inimigos, são indistintamente o próximo. O amor aos inimigos mostra a originalidade, a radicalidade e gratuidade do amor cristão. Isso não significa que os cristãos não tem inimigos, e sim que eles não são inimigos de ninguém.]

A violência do amor

4 – Não se deixe levar pelos impulsos instintivos [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face direita, dá-lhe também a outra e você será perfeito. Se alguém te obrigar a andar um quilômetro, anda com ele por dois. Se alguém tomar seu manto, dá-lhe também sua túnica. Se alguém toma alguma coisa que pertence a você, não a peça de volta, pois você não poderá fazer isso. [Cf Mt 5,39ss; Lc 6,29].

[NOTA: O cristão não age por simples impulso instintivo. Diante da violência, ele não responde com outra semelhante, mas com a violência maior do amor, que é capaz de desarmar o violento. A proibição final do versículo se refere ao empréstimo ao pobre, que poderia passar necessidade se tivesse de devolver (cf. Dt 24, 10-13)]

O amor de partilha

5 - Dê a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a vontade do Pai é que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei, pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu. Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último centavo [Mt 5,25s; Lc 12,58s].

[NOTA: Deus dá os bens da vida para serem repartidos entre todos. Por isso, o cristão é capaz de partilhar seus bens com aqueles que não tem. Quem recebe deve ter discernimento, pois o espírito de partilha não deve ser usado como pretexto para acumular ou desperdiçar. Toda contribuição social deve reverter em benefício do bem comum e não em privilégio daqueles que manipulam a máquina social.]

6 – A esse respeito, também foi dito: Que sua esmola fique suando nas suas mãos, até que você saiba para quem está dando. [Cf Eclo 12,1].

[NOTA: Não basta ajudar materialmente o necessitado para desencargo de consciência. É preciso entrar em comunhão, participando de toda a situação do pobre, porque nem sempre a ajuda material é o aspecto mais importante. O grande desafio é acabar com a pobreza, e não simplesmente conservar os pobres como ocasião de fazer caridade.]

quarta-feira, 19 de março de 2014

DIDAQUÉ INTRODUÇÃO – DOUTRINA DOS DOZE APOSTOLOS

Conhecendo um pouco mais sobre a DIDAQUÉ...

O Catecismo dos primeiros cristãos para as comunidades de hoje

Introdução

Didaqué significa “instrução” ou “doutrina”. Trata-se de um escrito que data de fins do séc. I de nossa era e, portanto, bem próximo dos escritos do Novo Testamento. O nome “Instrução dos Doze Apóstolos” lembra At 2,42 (“o ensinamento dos apóstolos”), mas é difícil que a obra tenha sido escrita por algum deles, ou seja, de um só autor. Os estudiosos hoje estão de acordo em dizer que ela é fruto da reunião de várias fontes escritas ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do séc. I. Os lugares mais prováveis de sua origem são a Palestina ou a Síria.

A Didaqué é um manual de religião ou, melhor dizendo, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos. Esse documento nos permite conhecer as origens do cristianismo, e principalmente nos dá uma idéia de como eram a iniciação cristã, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O autor(ou autores) pertence ao meio judaico-cristão, e dirige seu ensinamento a comunidades formadas por convertidos vindos principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e no Novo Testamento, bem como outros escritos cristãos do séc. I d.C. O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e diversos trechos dos evangelhos. Dessa forma, esse catecismo das comunidades da Igreja Primitiva é testemunho vivo de como os primeiros cristãos se alimentavam da Palavra de Deus contida nas Escrituras, transformando e interpretando os textos bíblicos em vista de suas necessidades e situações.

A leitura da Didaqué faz logo sentir que as comunidades cristãs daquele tempo ainda não estavam completamente estruturadas. As comunidades não têm representante oficial fixo (padre ou vigário), os bispos e diáconos são mencionados de passagem, e não sabemos bem quais funções exerciam. Fala-se diversas vezes em “apóstolos, profetas e mestres”, dando a impressão de que eram propriamente pregadores itinerantes a serviço de diversas comunidades. Por outro lado, nota-se que a liturgia é também muito simples e se resume a celebrações feitas em clima doméstico. Os sacramentos mencionados pertencem à iniciação cristã - batismo, confissão, eucaristia - e parecem ser todos administrados pela comunidade, e não por um membro do clero, ainda inexistente.

Visível, contudo, é o clima que a comunidade vive dentro de uma sociedade estruturalmente pagã. A preocupação de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas (até mesmo disfarçados de profetas), a esperança um pouco nervosa de uma escatologia próxima e o tema da perseverança heróica no caminho da fé são características das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo sua vocação e missão no mundo.

***

A Didaqué é um convite para as comunidades cristãs em formação descobrirem sua origem e jovialidade próprias. Ela nos faz lembrar que a fonte inspiradora do comportamento, da oração e das celebrações é a Bíblia. Sobretudo, mostra que o cristianismo não é devoção individualista, mas um caminho comunitário em que todos os setores da vida e do comportamento devem ser penetrados pela Palavra de Deus e pela oração. Na sua simplicidade e profundidade, estimula a viver a vida cotidiana à luz do Evangelho vivo, dentro de um discernimento que frutifica em atos novos, geradores de fraternidade e partilha. Escrita principalmente para os pagãos (nações), ela ainda salienta que o cristianismo não é uma redoma onde a comunidade se refugia, mas um fermento que se expande para transformar toda a sociedade.

Pe. Ivo Storniolo
Euclides Martins Balancim

O QUE É DIDAQUÉ?


Você já ouviu falar em DIDAQUÉ?

Pois então... DIDAQUÉ , é o primeiro "manual" de catequese que se conhece na nossa Igreja!! Foi escrito no século I, mas, se o examinarmos bem de perto, veremos que ele ainda é atual em muita coisas...

A Didaqué, como instrução, nos permite conhecer as origens do cristianismo: como eram as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades, como era a iniciação cristã, como se vivia o evangelho. 

Vamos fazer um estudo sobre ele?

Convidamos vocês a acompanharem nossas publicações diárias no blog e ficar conhecendo um dos mais ricos documentos da nossa Igreja...


Didaquê (Διδαχń)

Significa "ensino", "doutrina", "instrução" em grego clássico ou Instrução dos Doze Apóstolos (do grego Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin).
É é um escrito do século I que trata do catecismo cristão. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico. O título lembra a referência de “E perseveravam na doutrina dos apóstolos ...” (Atos 2, 42).

DATA E AUTENTICIDADE DA DIDAQUÉ:

Estudiosos estimam que são escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C. Outros estimam que foi escrito entre os anos 70 e 90 d.C., contudo são unânimes quanto a origem sendo na Palestina ou Síria. Segundo Willy Rordorf, a Didaquê é uma "compilação anônima de diversas fontes derivadas da tradição viva, de comunidades eclesiais bem definidas", portanto a questão da datação equivale à questão das datas das tradições ali registradas, que indubitavelmente remontariam ao século I d. C.

Quanto à sua autenticidade, é de senso comum que o mesmo não tenha sido escrito pelos doze apóstolos, ainda que o título do escrito lhes faça menção. Contudo, estudiosos acreditam na compilação de fontes orais tendo recebido os ensinamentos que resultaram na elaboração do texto. Também é senso comum que tenha sido escrito por mais de uma pessoa.

O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesaréia que viveu no século III, em seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI (ano 1056 ) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla, o chamado Codex Hierosolymitanus.

CONTEÚDO DA DIDAQUÉ:

Nos escritos da Didaquê, além da catequese e liturgia cristã, o evangelho de Jesus é recomendado. A Didaquê também cita a oração do “Pai Nosso” como sendo “ensinada pelo Senhor” e finda com a afirmação em consonância com o livro Apocalipse, do Novo Testamento, de que Jesus voltará: “... conforme foi dito: ‘O Senhor virá e todos os santos estarão com ele’. Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu."

Nos escritos da Didaquê também são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, sendo argumento para os que aceitam o dogma da Trindade, contrapondo-se a defesa dos não trinitários de que não existiam escritos cristãos do primeiro século que defendessem o batismo no nome de Jesus.

A respeito de Jesus, ainda sobre o batismo, diz: "Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor [Jesus] disse: ‘Não dêem as coisas santas aos cães’”.

Tais escritos também sustentam argumentos de que existiam escritos do primeiro século apoiando a defesa da tese teológica de que Jesus é Deus.

Sobre questões polêmicas como o batismo, adverte para o batismo em imersão; sendo admitido por aspersão na inexistência de água corrente. A Didaquê também acentua a disposição ao jejum por parte do candidato ao batismo e daquele que o vai batizar por cerca de três dias antes do batismo.

Nos escritos da Didaquê há uma similaridade quando se referencia ora ao Pai como o Senhor, ora a Jesus como o Senhor, o que é aceito por alguns como a interposição entre as duas pessoas. Também fazendo a distinção de pessoa chamando Jesus de servo do Pai.

A Didaquê também faz registro da celebração da eucaristia: “Reuni-vos no dia do Senhor, para romperdes o pão e dardes graças... ”

A Didaquê cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do novo testamento: Mateus, Lucas, I Epístola aos Coríntios, Hebreus, I Epístola de Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Carta aos Tessalonicenses e Apocalipse.

FONTE: 
RORDORF, W. "Didaché". In: DI BERARDINO, A. Dicionário patrístico e de antiguidades cristãs. Tradução de Cristina Andrade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. pp. 404, 405.



Pode se adquirido nas livrarias católicas! Esta edição é da Paulus e custa R$ 8,00.