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terça-feira, 23 de agosto de 2022

CATECUMENATO DE ADULTOS: COMO FAZER UM BOM ENCONTRO


Antes de pensarmos no encontro propriamente dito, temos que destacar o caráter Cristocêntrico da nossa catequese. Os temas abordados são vistos a partir de Jesus Cristo, Ele é o destaque principal do nosso temário.

Para atender a integridade do conteúdo da fé, os encontros estão fundamentados nos quatro pilares da pé:

a) CRER: As verdades professadas no credo;

b) CELEBRAR: a catequese litúrgica, principalmente a catequese sobre os Sete Sacramentos e sobre a liturgia da missa;

c) VIVER: a catequese sobre a moral, principalmente os Dez Mandamentos e as Bem-aventuranças;

d) ORAR: a catequese sobre a oração cristã principalmente o pai nosso.

Preparando o encontro: O encontro exige uma preparação prévia pela oração e estudo. É fundamental que o catequista estude bem o encontro e pesquise outras Fontes. É preciso estar bem-preparado, sobretudo, para possíveis perguntas (caso não saiba responder, fuja de achismos, peça um tempo para pesquisar e então trazer a resposta à luz da igreja). O encontro deve ser rico de simbolismos, experiências e criatividade. Crie momentos ricos para que as surpresas do Espírito se manifestem.

Use de uma metodologia própria: Para falar com adultos devemos tomar cuidado para que a catequese não seja infantilizando. O adulto traz consigo muitas experiências, conhecimento prévio e questionamentos. Portanto, o melhor modo de trabalhar com ele é oportunizar o diálogo e a participação. Os encontros não devem ser monólogos, nem palestras, muito menos uma aula. Aliás, catequese não é a aula, nem catequista é professor, mas, um instrumento de Deus que anuncia a Boa Nova de Jesus. Os encontros devem ser diálogos que procuram colocar o conteúdo da fé em confronto com a vida e as aspirações de cada um.

Seja querigmático: O querigma não deve estar somente vinculado ao pré-catecumenato. Deve ser o fio condutor de todo o processo. Portanto tenha sempre em mente que cada tema deve oportunizar o encontro pessoal com Jesus Cristo. Para isso use uma linguagem simples, fale com alegria e entusiasmo da fé, tenha Jesus Cristo no centro, fale de modo mais personalizado, de situações concretas da vida, sem utilizar falas teóricas e abstratas.

Seja um catequista mistagogo: A catequese mistagógica tem o objetivo de conduzir ao mistério Divino. Desta forma, exige muito além de uma exposição teórica de conteúdos, é fundamental que os encontros sejam vivenciais e interiorizados pela oração. Os momentos de oração devem ser muito valorizados, oportunizando a espontaneidade, o silêncio, tudo sob a moção do Espírito Santo.

Para que tal intento seja alcançado:


a. Utilize a bíblia como fonte de oração: ela deve ser usada sempre nos encontros principalmente com a leitura orante;

b. Use simbologias e gestos: a catequese mistagógica se dá com o bom casamento entre a catequese e liturgia. Usar de elementos litúrgicos só enriquece nossos encontros: água, vela, flores, óleo, perfume, aspersão, imposição das mãos, silêncio, olhos fechados, beijo na Bíblia, etc.;

c. Utilize bem a música: uma boa música pode enriquecer muito o seu encontro, nos momentos oracionais, coloque músicas instrumentais, elas auxiliam na aproximação ao sagrado. Use da criatividade.

d. Lembre-se sempre da relação fé e vida: a catequese deve transformar a vida do catequizando, portanto, é muito importante relacionar sempre o tema trabalhado com a vida. Neste momento, evite achismos, lições de moral e enfoque no pecado. O catequizando deve descobrir o modo de aplicar a fé em sua vida a partir de uma experiência alegre de encontro com o Senhor.

e. Promover vivências: é importante oportunizar aos catequizando vivências sociais e pastorais - visitas a doentes, asilos, orfanatos, trabalhos sociais e comunitários, valorizando a sua inserção na comunidade. Ninguém é cristão sozinho.

f. Deixe-se guiar pelo Espírito Santo: é fundamental ter consciência de que esta obra não é nossa, mas, de Deus, e que somos meros instrumentos, portanto, além dos conhecimentos adquiridos, é fundamental a ação do Espírito Santo.

Para encerrar devemos sempre lembrar:

"O catequista deve despir-se de si mesmo e vestir-se de Igreja".



Fonte: Catecumenato de Adultos (diversos).



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

E COMO É UM ENCONTRO DE CATEQUESE?


Vou contar falando de um tema interessante.

O assunto da semana era “Um Rito necessário para celebrar”, ou seja, a Celebração Eucarística ou “A Missa”. Os recursos normalmente são um tanto limitados. Em uma das paróquias onde trabalhei, tínhamos uma missa passo-a-passo montada com desenhos num Flipchart, que é um tipo de quadro num cavalete, usado geralmente para exposições didáticas ou apresentações, em que fica preso um bloco de papéis em tamanho grande, assim, quando o quadro está cheio, o apresentador simplesmente vira a folha (em inglês, flip). Mas aqui pude contar só com o folheto da missa mesmo. E, em uma hora de encontro, cheguei no... tcham, tcham, tcham... Ato Penitencial!

Lá encalhamos nós. Estamos no último ano de preparação para a primeira eucaristia. E o sacramento da reconciliação/confissão causa nas crianças mais receio e expectativa que a própria comunhão em si. E quando falei que o ato penitencial na missa é o momento do exame de consciência, do reconhecimento dos erros e do pedido de perdão; novamente nos transportamos para o assunto Confissão... “E se a gente esquecer algum pecado?”, “Posso escolher o padre?”, “Se eu faço ato penitencial não preciso confessar?”, “Quando eu tenho que me confessar de novo?”. E por aí afora.

Agora, a pergunta que mais me chocou foi a seguinte: “Tia, posso ser a primeira a confessar?” Aí eu perguntei por que... Não devia ter perguntado! “Porque tenho aula de pintura neste dia!”.

Mas nosso assunto “reconciliação” rendeu algumas reflexões muito boas. Fomos lembrando do que é pecado, dos dez mandamentos, do que pode o Ato penitencial nos libertar e do perdão de Deus. Num determinado momento, falávamos sobre os erros que as pessoas cometem, como no caso de um ladrão que entra na casa da gente. Aí eu falei que a gente precisa, antes de julgar essa pessoa como um “condenado a danação eterna”, ver em que realidade vive essa pessoa. Ela, provavelmente, não possui em sua vida os valores de um bom cristão. E quando eu disse que não podemos simplesmente “crucificá-la” como fizeram com Cristo, uma das minhas menininhas disse: “Porque crucificaram Jesus afinal? Ele não fez nada!”. Esse foi o gancho para um debate incrível com eles.

Pedi a cada um que tentasse responder essa pergunta. E vieram as mais diversas respostas: porque Judas o entregou, para salvar a humanidade, para que a gente não morresse, para redimir nossos pecados. Tudo uma “decoreba” sem fim. Só que pedi a eles que tentassem explicar, com o entendimento “deles”, como Jesus, com sua morte, redimiu nossos erros. Tá bom! Vocês vão dizer que exigi demais dos meus anjinhos de 10 anos. Mas não estamos exigindo que eles entendam toda a mistagogia da Eucaristia?

A coisa ficou complicada. Como alguém pode simplesmente morrer e salvar todo mundo? Porque nós continuamos morrendo do mesmo jeito... O que significou verdadeiramente a morte de Cristo? E que tipo de “morte” foi aquela?  E chegamos à chave do processo salvífico: A Ressurreição! Porque Jesus ressuscitou? Qual o sentido disse para nós, cristãos? Qual é o mistério envolvido em tudo isso?

Depois de muitos “micos”, respostas esdrúxulas, conjecturas, “adivinhações”, veio um comentário que começou a dar uma luz a nossa discussão: “Tia, as pessoas não se importavam umas com as outras, ninguém liga de salvar alguém...”. Quando eu disse que essa resposta era a ponta do fio que ia desfazer nossos nós, as crianças começaram então a entender o que aquele “Morreu para nos salvar...” significa.

Aí elas conseguiram ir ligando a “morte” de Cristo com a “morte” dos nossos pecados. A Ressurreição de Cristo com a “vida nova” proposta por Ele. E aí também foram chegando à simbologia da comunhão eucarística. No que significa verdadeiramente a “fração do pão”, a comunhão depois do arrependimento, do perdão, da reconciliação verdadeira com Deus. E isso, claro que não com essas palavras, foram eles mesmos que me disseram.

Durante a nossa uma hora e meia de encontro, bati a cabeça muitas vezes na parede (de brincadeirinha claro!). A cada resposta equivocada eu ia lá e dizia que eles ainda iam me matar. Mesmo falando de um assunto tão sério, eu permiti risadas e brincadeiras. E a cada resposta que me fazia “bater a cabeça na parede” eles buscavam com afinco a resposta correta ou o verdadeiro entendimento.

Ao final senti que aquelas oito cabecinhas pensam agora diferente sobre a reconciliação e a Eucaristia. Não sou ingênua a ponto de achar que “mudei a vida” deles. Mas tenho certeza absoluta que a expressão “Jesus, Salvador”, agora vai provocar neles uma reflexão mais demorada. E outra coisa, não podemos pensar que crianças de 10, 11 anos não tem maturidade suficiente para refletir sobre um assunto tão complexo. Hoje em dia elas vivem num mundo repleto de informações. Suas mentes processam essas informações a uma velocidade espantosa. Acho que nós, catequistas, é que somos meio “devagar”...

Pensem só: Eu precisei de um encontro de uma hora só para falar de uma pequena parte da Missa. Quantas partes tem a missa? Precisaria de todos os 32 encontros do ano só para conseguir explicar toda a simbologia envolvida numa celebração. Ou seja, só para ligar um pouco a Liturgia à catequese.

E tem gente que diz ainda que o tempo de catequese que temos, é suficiente. Isso porque a nossa, no regional Sul II, é de três anos para a Eucaristia e dois para a Crisma. E onde é UM ano para cada sacramento? Uma hora de encontro? Ou nem isso se considerarmos catequese de março a novembro. E é por isso que cada minuto precisa valer a pena!

Ângela Rocha
Catequistas em Formação