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quinta-feira, 11 de junho de 2020

UM DIA DE CORPUS CHRISTI...



Hoje é o dia de Corpus Christi mas... Não dá para festejarmos e levar Jesus para "tomar sol".

Então vou contar um dia de Corpus Christi, trazer as lembranças deste dia maravilhoso. Não exatamente o dia, mas, a “preparação” para ele. Vou contar como foi meu "Corpus Christi", lá no longínquo ano de 2009...

Flashback... tcham, tcham, tcham!

Manhã de Catequese...
(04/06/2009)

Em algumas manhãs, acordar é brabo! Dá vontade de fechar os olhos e fingir que ainda é de noite. Mas tem dias que acordar é um espetáculo. O sol entrando pela janela, derramando seus raios e espalhando seu calor pelo quarto, faz com que a gente acredite só no bem. Que só existem pessoas boas e que o mundo, de maneira geral, é maravilhoso. Deus existe, em toda sua glória, nesses dias. Nenhum mal-humorado pode estragar um dia assim.
O dia hoje está sendo assim. Acordei assim que o dia amanheceu. E ele prometia. Apesar do frio, um sol, quietinho, já ia se espalhando. Fogo aceso, café quentinho e... Dia de Catequese!

Há muito tempo não tinha um encontro como hoje. Preparei-me para falar de Corpus Christi: como surgiu, sobre Ir. Juliana, Papa Urbano, tradição dos tapetes, dos altares e procissão. Chegando ao encontro falei para as crianças sobre a procissão e que nosso encontro da semana que vêm, apesar de feriado, vai acontecer. Claro que a princípio a ideia não foi das mais bem aceitas, mas...

Antes mesmo que a gente começasse o encontro de verdade, falei que é uma pena que as tradições acabem morrendo e que, antigamente, a procissão de Corpus Christi mobilizava praticamente toda a comunidade. Que as famílias preparavam altares nas calçadas e que as ruas ficavam maravilhosas com os tapetes em serragem e outras sucatas, tipo tampinha de garrafa, papel, papelão, etc. As crianças começaram a se animar.

Comentei que a gráfica que estava imprimindo os panfletos para distribuir na cidade, ainda não havia entregue o material, senão, eu entregaria o folheto para eles levarem para casa e convidar a família. Comentei que os folhetos ainda iam ser distribuímos na cidade.

Imediatamente as crianças sugeriram que fossemos à gráfica buscar e saíssemos para distribuir no centro. A princípio, vetei a ideia. A gráfica fica mais ou menos no fim do percurso da procissão, um quilometro e meio da catedral. Mas as crianças insistiram: “Tia a gente pega na gráfica e volta distribuindo!”. Bom, é preciso avisar os pais, pedir autorização...

Pais avisados, somente duas meninas que não estavam muito bem decidiram ficar. Se as crianças não aguentassem os três quilômetros de ida e volta, ficamos de chamar um pai que possui uma Van para nos trazer de volta. Que voltar que nada! Fizeram o percurso todo sem desanimar!

Saímos, eu e quinze crianças pelas ruas movimentadas do centro da cidade. Antes, claro, uma preleção de como andar na rua, atravessar na faixa e olhar o sinal. Riram de mim: “Tia, quem é que não sabe andar na rua?”. E lá fomos nós, caminhando e cantando (Vítor e Léo e outras mais).

Fomos muito bem recebidos na gráfica. Conhecemos as máquinas e vimos cortar os nossos panfletos. Dali saímos às ruas para fazer a nossa “panfletagem”. O panfleto só informava a data e o horário da concentração para a procissão, mas as crianças fizeram mais: convidaram realmente as pessoas para participar. As meninas chegavam a dizer: “Esperamos vocês lá!”.

Salvo duas exceções, fomos muito bem recebidos. Não perguntamos a religião de ninguém, simplesmente convidamos para participar de uma celebração à Jesus. Uma senhora perguntou às crianças: “Evangélico pode ir?”. E as crianças responderam: “Claro!”.

Num percurso de mais ou menos dois quilômetros, a crianças distribuíram seiscentos panfletos. Foram lojas, casas, estacionamentos, supermercado, farmácia, transeuntes... Ninguém escapou. Encontramos até o nosso pároco! (achei que ia levar um baita "pito"!) Mas, Pe. Acácio é incapaz de ser desmancha-prazeres, chegou a perguntar às crianças o que era aquilo que estavam distribuindo (como se ele não soubesse). E elas explicaram direitinho.

Fiquei orgulhosa dos meus catequizandos! Eles se mostraram católicos de verdade. Não tiveram medo de mostrar a sua fé, de falar e convidar para um evento católico. Fizeram até melhor que eu que, em algumas vezes, fiquei até constrangida em estar na rua distribuindo folhetos.

Alguém pode até pensar se isso é catequese? Alguns pais podem até me questionar sobre o porquê de eu ter feito seus filhos saírem às ruas distribuindo folhetos da igreja. 

Sim. Posso estar errada na opinião de muitos, mas isso É CATEQUESE.

Assim como sair de chinelo e meia na rua, como fizemos outro dia para que as pessoas nos notassem. Catequese é fazer com que as crianças percebam o mundo ao redor. É fazê-las se sentir parte da comunidade. É fazer com que elas “vivam” os eventos, amem as tradições e respeitem a doutrina e os ritos da nossa Igreja.

A catequese não se faz só dentro de uma sala, lendo um livrinho. Na catequese se aprende de fé e também: se brinca, se junta, se come, se é amigo, se caminha. A gente reza junto também, acende uma vela em todo encontro e pede a iluminação do Espírito Santo. Antes de ir para casa a gente pede ao Santo Anjo que nos guarde. E somos amigos.

Angela Rocha
(Catedral de Nossa Senhora de Belém - Guarapuava - PR)

*As fotos são da procissão de 2009, em Guarapuava - Pr.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

É DIA DE CATEQUESE! (Testemunho)


Hoje retornamos com a catequese.
Fotos? Não tiramos. Mas foi tão bom, que resolvi compartilhar.
Como era o primeiro dia resolvi levá-los para fora: na pracinha do lado da igreja. Preparei na noite anterior umas gelatinas de copinho e hoje coloquei em uma bolsa térmica rezando que não derretesse. Esticamos um  tecido de TNT verde(tempo Litúrgico) no chão e nos sentamos.
Iniciei o encontro com aquele versículo bem conhecido: Mateus 18,20. Aquela passagem que diz: "Onde dois ou mais estiverem reunidos em Meu nome, ali estarei". Após uma conversa informal sobre o versículo, fiz aquela dinâmica que pede para eles fecharem os olhos e desenharem coisas comuns. E depois concluímos com mais uma conversa. 

Afinal, todos sabemos desenhar uma casa, certo? Mas porque a nossa não ficou perfeita? Porque estávamos sem enxergar. Isso também é em nossa vida. Sem Jesus nos perdemos e apesar de sabermos o que é certo, nos falta luz para seguir nossa caminhada. E onde podemos encontrar Jesus?Em vários lugares ,mas, principalmente, na Santa Missa.
E assim entramos no tema do dia: Missa. Comprei uma revistinha sobre o assunto e então cada um foi lendo uma parte e depois conversamos e tiramos as dúvidas. Eles são muito curiosos! Pena que o tempo acabou sendo curto. 😥

Se eles aprenderam tudo? Não. Mas observar eles na missa, cantando o glória com entusiasmo e não respondendo o Amém depois do Pai Nosso e olhando p mim, me fez acreditar que algo, eles vão levar com eles.
Catequista Gisele Araújo 
Paróquia Santo Antônio Bocaiúva do Sul- PR
3°Ano Eucaristia.

* Aqui na página tem um material excelente sobre a Missa. Eu sei porque também li para me preparar.

NESTE LINK http://www.catequistasemformacao.com/2015/10/a-missa-conhecendo-e-celebrando.html

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

E COMO É UM ENCONTRO DE CATEQUESE?


Vou contar falando de um tema interessante.

O assunto da semana era “Um Rito necessário para celebrar”, ou seja, a Celebração Eucarística ou “A Missa”. Os recursos normalmente são um tanto limitados. Em uma das paróquias onde trabalhei, tínhamos uma missa passo-a-passo montada com desenhos num Flipchart, que é um tipo de quadro num cavalete, usado geralmente para exposições didáticas ou apresentações, em que fica preso um bloco de papéis em tamanho grande, assim, quando o quadro está cheio, o apresentador simplesmente vira a folha (em inglês, flip). Mas aqui pude contar só com o folheto da missa mesmo. E, em uma hora de encontro, cheguei no... tcham, tcham, tcham... Ato Penitencial!

Lá encalhamos nós. Estamos no último ano de preparação para a primeira eucaristia. E o sacramento da reconciliação/confissão causa nas crianças mais receio e expectativa que a própria comunhão em si. E quando falei que o ato penitencial na missa é o momento do exame de consciência, do reconhecimento dos erros e do pedido de perdão; novamente nos transportamos para o assunto Confissão... “E se a gente esquecer algum pecado?”, “Posso escolher o padre?”, “Se eu faço ato penitencial não preciso confessar?”, “Quando eu tenho que me confessar de novo?”. E por aí afora.

Agora, a pergunta que mais me chocou foi a seguinte: “Tia, posso ser a primeira a confessar?” Aí eu perguntei por que... Não devia ter perguntado! “Porque tenho aula de pintura neste dia!”.

Mas nosso assunto “reconciliação” rendeu algumas reflexões muito boas. Fomos lembrando do que é pecado, dos dez mandamentos, do que pode o Ato penitencial nos libertar e do perdão de Deus. Num determinado momento, falávamos sobre os erros que as pessoas cometem, como no caso de um ladrão que entra na casa da gente. Aí eu falei que a gente precisa, antes de julgar essa pessoa como um “condenado a danação eterna”, ver em que realidade vive essa pessoa. Ela, provavelmente, não possui em sua vida os valores de um bom cristão. E quando eu disse que não podemos simplesmente “crucificá-la” como fizeram com Cristo, uma das minhas menininhas disse: “Porque crucificaram Jesus afinal? Ele não fez nada!”. Esse foi o gancho para um debate incrível com eles.

Pedi a cada um que tentasse responder essa pergunta. E vieram as mais diversas respostas: porque Judas o entregou, para salvar a humanidade, para que a gente não morresse, para redimir nossos pecados. Tudo uma “decoreba” sem fim. Só que pedi a eles que tentassem explicar, com o entendimento “deles”, como Jesus, com sua morte, redimiu nossos erros. Tá bom! Vocês vão dizer que exigi demais dos meus anjinhos de 10 anos. Mas não estamos exigindo que eles entendam toda a mistagogia da Eucaristia?

A coisa ficou complicada. Como alguém pode simplesmente morrer e salvar todo mundo? Porque nós continuamos morrendo do mesmo jeito... O que significou verdadeiramente a morte de Cristo? E que tipo de “morte” foi aquela?  E chegamos à chave do processo salvífico: A Ressurreição! Porque Jesus ressuscitou? Qual o sentido disse para nós, cristãos? Qual é o mistério envolvido em tudo isso?

Depois de muitos “micos”, respostas esdrúxulas, conjecturas, “adivinhações”, veio um comentário que começou a dar uma luz a nossa discussão: “Tia, as pessoas não se importavam umas com as outras, ninguém liga de salvar alguém...”. Quando eu disse que essa resposta era a ponta do fio que ia desfazer nossos nós, as crianças começaram então a entender o que aquele “Morreu para nos salvar...” significa.

Aí elas conseguiram ir ligando a “morte” de Cristo com a “morte” dos nossos pecados. A Ressurreição de Cristo com a “vida nova” proposta por Ele. E aí também foram chegando à simbologia da comunhão eucarística. No que significa verdadeiramente a “fração do pão”, a comunhão depois do arrependimento, do perdão, da reconciliação verdadeira com Deus. E isso, claro que não com essas palavras, foram eles mesmos que me disseram.

Durante a nossa uma hora e meia de encontro, bati a cabeça muitas vezes na parede (de brincadeirinha claro!). A cada resposta equivocada eu ia lá e dizia que eles ainda iam me matar. Mesmo falando de um assunto tão sério, eu permiti risadas e brincadeiras. E a cada resposta que me fazia “bater a cabeça na parede” eles buscavam com afinco a resposta correta ou o verdadeiro entendimento.

Ao final senti que aquelas oito cabecinhas pensam agora diferente sobre a reconciliação e a Eucaristia. Não sou ingênua a ponto de achar que “mudei a vida” deles. Mas tenho certeza absoluta que a expressão “Jesus, Salvador”, agora vai provocar neles uma reflexão mais demorada. E outra coisa, não podemos pensar que crianças de 10, 11 anos não tem maturidade suficiente para refletir sobre um assunto tão complexo. Hoje em dia elas vivem num mundo repleto de informações. Suas mentes processam essas informações a uma velocidade espantosa. Acho que nós, catequistas, é que somos meio “devagar”...

Pensem só: Eu precisei de um encontro de uma hora só para falar de uma pequena parte da Missa. Quantas partes tem a missa? Precisaria de todos os 32 encontros do ano só para conseguir explicar toda a simbologia envolvida numa celebração. Ou seja, só para ligar um pouco a Liturgia à catequese.

E tem gente que diz ainda que o tempo de catequese que temos, é suficiente. Isso porque a nossa, no regional Sul II, é de três anos para a Eucaristia e dois para a Crisma. E onde é UM ano para cada sacramento? Uma hora de encontro? Ou nem isso se considerarmos catequese de março a novembro. E é por isso que cada minuto precisa valer a pena!

Ângela Rocha
Catequistas em Formação


sexta-feira, 13 de maio de 2016

MÃO DE PEGAR NA MÃO...

Tenho visto coisas "assombrosas" na catequese:

“Tia, quem morreu crucificado: Deus ou Jesus?”
“Quem é o pai de Deus?”
“Passar óleo na gente! Que nojo!”
“Tia, a missa só vai durar uma hora, né?”
 “Meu pai não gosta de missa, demora muito.”
“Porque a bíblia da catequese tem que ser a católica?
“Pegar na mão, não!”

E por aí vai. Esta vida de “Tia da catequese”, não é fácil não!
Alguns desses problemas a gente até consegue resolver.
Vocês já ouviram falar na “mão de pegar na mão”? Pois é.
Tenho uma aqui na catequese.
Dependendo da idade, alguns meninos, se recusam terminantemente, a pegar na mão das meninas para fazer uma oração. Coisas de crianças.
Falo pra eles que daqui um ano eles vão estar doidos pra pegar nas meninas e aí então,  vão ver só a dificuldade que é isso...
Enfim, para resolver esse problema, fiz uma mão “postiça” em EVA, mais ou menos assim:


No princípio a mão causou espanto, depois era engraçado e por fim tornou-se “grotesco”.
O “nojo” maior passou a ser pegar na minha mãe artificial.
Pegar numa mão sem calor humano, não tem a menor graça.
Assim quando alguém se recusa a pegar na mão do outro eu pergunto:
Quer a mão de pegar na mão?” e as risadas eclodem. “Não, Tia!”.

Coisas do dia a dia da catequese.

Ângela Rocha
Catequista















quarta-feira, 25 de novembro de 2015

DIA DE CATEQUESE: Mais um Natal...

Mais um dia de catequese... Manhã de quarta-feira. Dia especial, dia de catequese. Estamos em clima de espera do Menino Jesus, alvoroçados, cheios de expectativa. 

Meus anjos, meus pastores, meu Anjo Gabriel, minha Maria, meu José, minha estrela guia, meus reis magos. São eles que fazem a minha alegria. São eles que me recebem com aquela alegria que só eles tem. Os cumprimentos alegres, os beijos, os abraços. Todos falando ao mesmo tempo, cada um mais alto do que o outro, querendo contar a sua novidade primeiro. É... é dia de catequese. 

Quero saber de todos. Onde estiveram que não vieram à missa do domingo? Vítor, que foi que aconteceu que não veio ao último encontro? Luiz Henrique, e você? 
- Meu cachorro morreu, Tia. 
Oh! – dizem todos. – Como? 
- Não sei, ficou doente, levamos ao veterinário, mas não adiantou, era vírus daquele que mata! 
- Vamos pedir a Deus que te traga de novo um cachorrinho tão amigo quanto ele. Vamos Luiz Henrique, anime-se, o Anjo Gabriel precisa fazer a anunciação!

Estão todos ali para o ensaio? Não? Onde está o Léo? E o Mateus? Peraí, peraí... Vamos ligar para eles. 
- Mãe, cadê o Léo? Tá dormindo? Acorda ele e manda vir pra catequese. Tá, eu espero
- Mãe, e o Mateus, porque não veio? Ficou sozinho em casa e deve ter perdido a hora? Liga lá e diz que estamos esperando. 
- Vamos fazer amigo secreto na festinha, semana que vêm? Vocês querem? 
- SIMMMM!!!. 
- Tia, o Gustavo pegou ele mesmo e não quer contar!
- Gustavo, seu malandro, não pode pegar o próprio nome e ficar quietinho! Vem, vamos trocar. 
- Mas, Tia, assim eu compro um presente pra mim mesmo! 

Ensaio no salão. Correria, alvoroço, alegria. Indisciplina. 

Meu Anjo Gabriel não pára quieto um minuto. José? Cadê o José? O Léo já chegou? Meninas, meninas, porque anjos tão tagarelas? Não, não tem burro! É de faz de conta. Tia, cadê Jesus? Vai chegar... vai chegar... 

Assim, está formado o presépio. 

E sabem quem são aqueles lá? Aqueles que estão aos pés de Jesus? Somos nós, que trazemos a alegria em ter Jesus conosco. Como nossos olhos brilham ao ver o menino Deus! Como é bom saber que ele veio nos trazer a salvação. Somos nós ajoelhados diante do grande milagre de Deus em nossas vidas, o milagre da salvação. O milagre da alegria que só as crianças sabem trazer para os nossos corações. 

Fim do ensaio. Oração pedindo ao Anjo da Guarda que nos cuide nesta semana. Despedida. 

Assim são os dias de catequese. Tão esperados e tão breves. Sinto aquele cansaço gostoso. Aquela sensação de missão cumprida. Aquela dorzinha no peito por saber que o ano está acabando... Talvez nem todos os meus queridinhos fiquem comigo no ano que vêm. A Malu vai embora, a mãe já me avisou. Já estou com saudade. Ah! O tempo passa depressa demais quando a gente ama a Catequese. 

Ângela Rocha
Catequista

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

DIAS DE CATEQUESE: A "fuga das catequistas"!


Quem acha que a missão de catequista é rotineira precisa de vez em quando sacudir um pouco as estruturas. E isso a gente faz, também, “vendendo galinha”... Ou ainda contando uma história mais ou menos como a "A Fuga das... catequistas!". 

E foi assim...

Tínhamos encontro marcado para o dia 29 de agosto, dia do catequista. A ideia inicial era um café da manhã, um momento de oração e uma pequena palestra. Mas aí pensei: “Nãoooo... é dia de festa, é um dia especial!”.

E sugeri que fizéssemos uma celebração especial na missa das 10 horas e logo depois um almoço para as famílias das catequistas. Mas, o primeiro problema era a questão econômica. Eram 110 catequistas, mais a família... Quantas pessoas isso ia dar isso, meu Deus? Qual a solução? Macarronada com frango! Gostoso e barato. 

Lançada a ideia junto às coordenadoras das comunidades, elas acharam maravilhosa e, ali mesmo já começaram a planejar: uma sabia quem podia dar o macarrão, outra o tomate, a cebola, o arroz, o óleo, a salada... E conversando com o conselho da Igreja ganhamos uma parte dos frangos e fomos pedir doação do resto que faltava. 

Acabamos ganhando praticamente tudo. Ganhamos, inclusive, vinte frangos: VIVOS! 

E o que fazer fazer? Bom, o jeito era matar e depenar os bichinhos... E lá fomos nós, munidas de facas e apetrechos dispostas a arrasar. Três corajosas e destemidas catequistas!

Esperamos no salão da igreja e quando chegou a gaiola com as bichinhas, (eu não entendo nada disso, quem é galinha ou quem é frango), mas, Seu Miguel, que cuida dos salões, nos disse que eram frangos caipiras e que a gente ia ter um trabalho danado pra limpar aquilo. 

E eu fui olhando para os olhinhos dos bichinhos e já sentindo pena de acabar com a vida deles... Marisa também se recusou a matá-los: "Eu sou franciscana, não consigo e não posso matar nada". Alice era a única corajosa do grupo. O Seu Miguel, olhando pra cara da gente e vendo que dali não ia sair nada, se ofereceu pra comprar três deles e assim a gente tinha três a menos pra matar. 

E surge então a preciosa ideia: Por que a gente não vende os frangos e depois pega o dinheiro e compra frango limpinho no supermercado? Beleza. E passamos a manhã ali na Igreja e nas vizinhanças vendendo frango caipira. No primeiro dia só restaram restavam seis para vender... Com a promessa de muita gente de ir lá ver depois se ficava com algum. E com dinheiro para comprar mais 30 quilos de frango! 

Tá legal, a gente fugiu da raia mesmo, mas, não é emocionante ser catequista?

Ângela Rocha
Catequista

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

DIA DE CATEQUESE: ENSINANDO EUCARISTIA

ENCONTRO: A REFEIÇÃO COMO DÁDIVA DO AMOR DE DEUS.

Vou contar pra vocês sobre o meu encontro de catequese do último sábado...

Mas antes quero colocar aqui alguns pensamentos.

Estou, nesta etapa da catequese, tentando mostrar aos meus catequizandos o que penso e sinto sobre a Eucaristia, pois, é este o Sacramento, a “marca”, o “sinal”, que eles vão receber dentre em breve e é nele que estou concentrando nossos encontros.

* * *
Para entender o que celebramos na Eucaristia, é preciso “celebrar”. E entender o que se está celebrando. “Celebração” é um conceito próximo de “festa”. Celebrar é dar vida a uma festa. Na Eucaristia, celebramos a vida e festejamos nossa condição de filhos de Deus.

Vamos então ao Evangelho de Lucas. O evangelista Lucas escreveu para os gregos. E os mestres gregos divulgavam seus ensinamentos caminhando ou durante as refeições. Lucas usou isso e descreveu Jesus como o “caminhante”, o filho de Deus que desceu dos céus para caminhar junto com as pessoas. E no caminho ele vai explicando a vida delas. Podemos ver isso na narrativa dos discípulos de Emaús, uma das mais belas histórias da Bíblia. Neste Evangelho está claro como Lucas vê a Eucaristia.

Jesus explica o mistério da vida aos discípulos, que neste momento estão fugindo decepcionados, com suas esperanças frustradas. Essa imagem, longe de ser triste, é um panorama maravilhoso para descrever a celebração da Eucaristia. Nós vamos à Igreja como pessoas que muitas vezes estão fugindo de alguma coisa, decepcionadas com a vida e buscando algo que nem nós mesmos entendemos o que é. Lá, à luz das escrituras, nos é explicado por que aconteceu daquele jeito, como aconteceu, qual é o significado por trás de tudo e para onde vai nosso caminho. As leituras da Palavra dão esse significado. Quando entendemos os “porquês” da nossa vida, aprendemos a lidar com ela.

Hoje, muitos fogem da verdade de si mesmos e das suas vidas.

Na Eucaristia, Jesus quer nos convidar a ver e entender nossa vida de uma maneira nova, à luz de suas palavras e de uma história que liberta e ilumina. A Eucaristia é, então, uma nova interpretação de nossa vida a partir da fé em Jesus Cristo. Ao partir o pão, os olhos dos discípulos se iluminaram e eles puderam entender essa “nova” vida dada a toda humanidade. E nessa “ceia” e nas diversas outras descritas por Lucas encontramos a compreensão exata da Eucaristia.

Para ele, a ceia eucarística é a continuação das refeições que Jesus fez durante sua vida com justos e injustos, pecadores e inocentes. Nessas refeições Jesus tornou visível a bondade de Deus e Sua solicitude ao ser humano, muito mais que pão ou comida, ofertou dádivas divinas com amor e generosidade, com aceitação incondicional, com o perdão dos pecados e a cura de todas as enfermidades. As refeições que Jesus fazia com pecadores e justos eram cheias de alegria e gratidão pela proximidade com Deus. E assim como os mestres gregos transmitiam seus ensinamentos nos banquetes, Lucas descreve Jesus como o mestre que transmite os pensamentos mais importantes durante as refeições. Em sua palavra ele sempre lembra a “essência” divina que temos. O reino de Deus está em nós, somos a morada de Deus, essa é a nossa virtude. Somos capazes de Deus!

Jesus convidava os pecadores para suas refeições. E somos convidados para a ceia do amor assim mesmo, como somos, com todos os nossos defeitos e fraquezas. Aceitar o convite ou convidar os fariseus (pecadores) para uma refeição, mostra que eles se desviaram do amor e mostra que comer com eles é exercer o perdão.

Uma das mais belas imagens da Eucaristia é descrita por Jesus na parábola do filho pródigo, que ele conta em uma refeição com os pecadores.

Somos todos como o filho pródigo. Nós nos afastamos de nós mesmos, da nossa essência e perdemos a nossa pátria interior. Dilapidamos nosso patrimônio e vivemos de esmolas e migalhas. Saciamos nossa fome com comida barata. E nos sentimos cada vez piores com isso.

Na Eucaristia nos “aprumamos” para ir à casa do Pai. Para “voltar” ao nosso lugar. É lá que nossa fome será saciada de todas as coisas que necessitamos. A Eucaristia é a ceia da alegria que o Pai realiza para nós. Ele festeja porque não estamos mais perdidos. Por isso devemos comer e ser felizes. Estávamos “mortos”, separados de nossos sentimentos, excluídos da verdadeira vida. Nós nos perdemos, mas, na eucaristia nos reencontramos e nos tornamos vivos. Celebramos a ceia da “Vida”!

Ali, na Eucaristia, descobrimos quem somos e qual é o verdadeiro sentido da nossa vida: que somos amados incondicionalmente por Deus, que Deus espera por nós e que nunca é tarde demais para voltar ao lugar em que verdadeiramente “estaremos em casa”.

E em toda celebração da Eucaristia, tornamos presente o que aconteceu no passado. Jesus está entre nós e faz a refeição conosco.

Em seus vários relatos sobre ceias, Lucas explica o que ocorre em toda Eucaristia. Para ele, também, a eucaristia é principalmente a celebração da memória da última ceia de Jesus com seus discípulos, na qual Ele deu um novo sentido aos gestos de partir o pão e beber o vinho do cálice. Jesus utilizou o rito da ceia pascal para recomendar a seus discípulos um novo rito, que deveriam celebrar sempre após a sua morte,a  fim de honrar a memória do seu amor.

* * *

E foi mais ou menos isso que fiz em meu encontro no sábado. Evidentemente não li este texto nem usei esta argumentação com as crianças. Eu apenas os convidei para a minha casa para partilhar um almoço comigo. Nem sequer lemos qualquer dos evangelhos. Lemos apenas o Salmo 150, louvando a  Deus e agradecendo por podermos partilhar uma refeição juntos. E na nossa “ceia” falamos da nossa vida, dos nossos afazeres, falamos do quanto é bom estarmos juntos ao redor de uma mesa, celebrando a alegria da vida, dividindo uma macarronada, frango e  batatas fritas.

Também tentamos ser uma “equipe” fazendo um chaveiro de contas para presentear os pais. E a mãe da Isabella mandou pra gente um bolo de sobremesa, para festejamos o aniversário da Isabella que será esta semana.

Foi uma manhã e uma tarde, muito, mas muito, frutuosas para mim, como pessoa. E para minha família que se abriu para receber mais sete crianças em casa e, penso que, para os meus catequizandos também. No fim da tarde eu estava cansada, mas extremamente feliz.

Não teve “ponto”, “lição” ou “tema” em nosso encontro. Eu só quis, neste encontro, colocar um dos caminhos para compreender a Eucaristia que é a “Ceia da memória”. O caminho da refeição como “celebração” e “festa”. Esta é a visão de São Lucas em seu Evangelho.

Ainda preciso mostrar a visão de São João, que vê a Eucaristia como “iluminação”. E também dar outros enfoques a ela: Eucaristia como transformação; Eucaristia como sacrifício de amor; Eucaristia como Mistério; Eucaristia como partilha do pão...

E só então, entrar na estrutura da celebração: os ritos iniciais, a liturgia da Palavra, a oração dos fiéis, a apresentação das oferendas, a oração eucarística, a celebração da comunhão e os ritos finais...

Estão vendo que eu não ensino “missa”? Eu ensino Eucaristia.

Ângela Rocha

Fonte de pesquisa:


Grüen, Anselm. Eucaristia: Transformação e união. São Paulo: Loyola,2006.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

DIA DE CATEQUESE : RETIRO COM AS FAMILIAS

Fizemos hoje o último retiro com os pais da Primeira Eucaristia. E foi especial. Muito especial. Lá estavam crianças e pais com quem estive nos últimos dois e alguns, três, anos. Era a minha "turminha"! E foi extremamente gratificante. 

Fiquei ontem apreensiva e com o coração na mão. Pedi até que uma outra catequista conduzisse o momento especial com os pais, onde fazemos a partilha de sentimentos, experiências e de pão. Achei que não seria capaz. Mas, na hora, a Terezinha me deu um empurrãozinho e saiu, consegui. E saiu uma partilha maravilhosa. Saiu até minhas "confissões inconfessas". O porque de eu ter me apaixonado pela catequese e o quanto sou grata a Deus por Ele ter me dado tantos anjos para cuidar. E ameacei a todos: Ai deles, se não cuidarem direito dos meus anjos de agora em diante!

Um pai me disse uma coisa interessante no fim: Que eu deveria mudar o nome daquilo: Que "retiro" espanta a todos, que ele mesmo, não estava querendo muito ir não, achando que a gente ia rezar o "dia inteiro"e foi a coisa mais divertida que ele já fez. Outros me disseram que a Igreja tem que fazer sempre isso. Que precisamos estar com eles, fazer um "encontro de catequese", com os pais de vez em quando.

E foi esse o nosso "retiro". Um encontro para o almoço, pais e mães conversando e se conhecendo, enquanto os filhos brincavam. Uma sobremesa simples de sagu com creme. Duas horas de Gincana bíblica, com muita brincadeira entre pais e filhos. E uma hora de "espiritualidade", desta vez só com os pais. 

Sentados em círculo, lembrando a Última Ceia e lembrando todos os motivos de porque temos que dar Ação de Graças, partilhando experiências e vivências. Alguns com lágrimas nos olhos. Oração, ligação com aquilo que Cristo nos pediu: Ação de graças! Agradecimento e partilha do pão... e que lá fora juntemos de novo todos os pedacinhos e, como comunidade verdadeira, voltemos a ser pão inteiro, UNO, com o mesmo objetivo: Paz, justiça, amor, fraternidade...

E quero agradecer muito a Rosângela pela sua Gincana Bíblica. Está sendo de uma utilidade pra mim que você nem imagina!

E agradecer também ao Pe. Luiz Baronto, que preparou maravilhosamente um roteiro de encontro para adultos, já no modelo catecumenal, o qual adaptei para fazer com os pais.

E aos meus Anjinhos, por serem tão maravilhosos, participativos, dinâmicos e carinhosos comigo. E aos pais, por me darem a honra e a confiança de conduzir esses anjinhos na fé! E a vocês, maravilhosos amigos que todos os dias leem as minhas bobagens aqui na internet e escrevem coisas tão maravilhosamente cheias de incentivo.

E a minha família, filhos queridos que ficam em casa sem almoço pra mãe sair por aí feito uma doida organizando um retiro por mês! Ao Paulo, adorado, lindo, amado esposo que vira meu motorista, assistente, ombro amigo, carregador... por estar comigo sempre nessas horas, é que eu te amo!. A Paulinha, minha lindinha que acompanha a mãe e participa... Ah! como minha filha participa desses momentos tão maravilhosos!!! E ao Pe. Acácio, por ter ido ao retiro e cantado para o mim o Salmo de Ação de Graças... Amo, amo, amo muito todos vocês!!!

E a Ele, a Deus... Pai, maravilhoso e amado... Que em sua infinita sabedoria sabe dar e tirar na hora certa. E que muito tem me dado... Muito, demais até. Muito mais do que mereço.


Ângela Rocha
Catequista

sábado, 10 de outubro de 2015

DIA DE CATEQUESE: Dúvidas...

Hoje tive encontro de catequese... E eu gostaria de saber onde foi que perdi a magia desses momentos.

Falamos hoje sobre a Eucaristia. Lemos Lucas 22, 14-20, a instituição da Eucaristia. E as crianças sabem responder na ponta da língua o que isso significa. Sabem as respostas sem piscar...

Mas, sinto que elas o fazem mais na "decoreba" do que no coração. Perguntei de um por um se eles realmente acreditavam que a hóstia consagrada era o Corpo e Sangue de Jesus. E na hora, do meu menino mais velho, que daqui uns dias vai fazer 14 anos, veio o titubeio: "Não Tia, não acredito!"... 

É, quem pergunta quer resposta, né? .... Aí eu lhe disse com o maior carinho possível: "Se você não tem certeza, não o faça, não receba a comunhão enquanto ela não tiver significado para você." Ele então parou um instante e quase com lágrimas nos olhos me disse: "É que vem tanta coisa ruim na cabeça da gente..." E como eu queria ter tempo para descobrir essas "coisas ruins" e acabar com elas! Mas só pude dizer: "É para isso que Deus existe, para tirar essas coisas ruins da vida da gente!".

Nesta hora me senti fracassando... Sei que não sou infalível e que nem todos a gente resgata e coloca no caminho, mas dá uma tristeza enorme saber que os adolescentes estão tão longe de saber o que é a verdadeira "comunhão". Claro que eu seria uma tola se imaginasse que todas as crianças que passam pela catequese se transformam em "católicos-modelo". Sei muito bem que a adolescência é a época "das dúvidas" na vida da gente. É mudança física demais e exigências do "crescer" que a gente não quer e ao mesmo tempo anseia.

Lembro ainda do quanto xinguei Deus nos meus catorze anos. Não me conformava com as atrocidades do mundo e culpava a Ele por tudo. Mas, eu acreditava NELE! Nos meus momentos de angústia pedia ajuda e proteção a Ele. E hoje as crianças sequer sentem que ele existe. Estão assim descrentes de tudo...

Pior, também não se importam com muita coisa também.... Na semana passada, uma de minhas catequizandas apareceu pela primeira vez no semestre, em pleno mês de setembro. Veio com a mãe. E quis justificar o fato de ter ficado quase dois meses de "férias". Falei que precisávamos conversar muito, colocar as coisas “em dia”, porque ela já tinha faltado muitas vezes no semestre anterior. E ela simplesmente não apareceu hoje. E as outras crianças me disseram que ela comentou na escola que não tem o menor problema: Ano que vem ela faz tudo de novo...

Ângela Rocha

08/set/2010

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DIA DE CATEQUESE: Perdoando e comendo pizza...

 Os encontros de catequese são momentos especiais na minha vida. São momentos muito especiais na minha vida. Não é só mais um dia da semana. É o dia da catequese!


Tive dias ruins sim, claro. Não sou perfeita, sou humana e, muitas vezes, tenho alguma coisa me incomodando ou minha quarta-feira não tá lá essas coisas. Mas o dia de catequese tem o poder divino de tudo consertar. As crianças carregam essa mágica com elas... Mesmo nos aborrecendo fazendo bagunça, desobedecendo ou não ficando quietas quando a gente precisa... elas fazem com que a gente volte a ser criança outra vez...

Hoje o encontro foi na "casa da Maria Paula" de novo. Dos meus nove catequizandos, só não conseguimos ainda, visitar duas casas. Os pais trabalham fora e não há ninguém em casa à tarde. Mas vamos ver, lancei a sugestão de fazermos isso num sábado. Quem sabe?

O engraçado é que o horário do nosso encontro é as 16 horas e algumas crianças sempre chegam bem antes. Quarenta minutos, meia hora. Hoje, uma hora antes eu já tinha "visita". E os nossos encontros estão quase se transformando mesmo em alegres tardes de "visita". Mesmo quando os encontros são nas salas de catequese, meia hora antes alguns já estão lá.

E a gente brinca, conversa e arruma o ambiente junto. Hoje, aqui em casa, as crianças chegaram e eu ainda nem tinha terminado de arrumar a cozinha. Maria Paula fez questão de ir ao mercadinho comprar refrigerante para oferecer a todos. E lá ficamos nós conversando sobre lavar a louça, arrumar a casa, quem gostava disso, quem gostava daquilo. Coloquei umas pizzas de improviso (coloquei a receita abaixo) no forno pra gente lanchar depois e começamos o encontro.

Ao redor da mesa de jantar fomos falar de erro, perdão, reconciliação. As crianças têm muitas dúvidas e medos com relação a isso. O momento da primeira confissão é aguardado com o coraçãozinho batendo a mil. Mas hoje não falamos muito da confissão em si, mas do que significa "perdoar", "reconciliar-se". Depois assistimos um filme sobre o Perdão. Um desenho animado da série "Os Vegetais"**, onde Larry, o pepino e Bob, o tomate, contam histórias para crianças sempre falando da Bíblia e de valores cristãos. As crianças adoram, ainda mais, comendo mini pizza com tomate!

O fato de abrir minha casa pras crianças e de cada um conhecer a casa do outro, não abre só as nossas portas não. Abre o nosso coração e a nossa vida! Com isso nós sabemos o ambiente onde cada um vive e se esse ambiente não é bom, o quanto ele pode ser melhorado. Claro que numa primeira e única visita as coisas ainda são meio "embaraçosas". A família ainda está meio sem jeito e não sabe bem o que fazer com a gente. Mas acredito que numa próxima vez as coisas comecem a perder a impressão de formalidade e se transforme em alegres momentos de se estar junto. Com certeza conhecer melhor um ao outro faz de um ano de catequese quase uma “vida”.

E aos poucos também vamos perdendo o medo “da confissão”. Por que ter medo se quem nos escuta é o “Nosso Pai”?

Mas vamos a minha receitinha de "Pizza de improviso":

- Corte alguns pães franceses (ou pão de forma) em rodelas e passe margarina em cada um;
- Coloque pequenas fatias de presunto, uma rodela de tomate e depois fatias de queijo, salpique orégano por cima e coloque no forno até o queijo derreter.
Pronto! Deliciosas “mini pizzas” saindoooo!

** "Os Vegetais" é uma produção gospel em desenhos animados que passou durante algum tempo na TV Record. Alguns dos vídeos podem ainda ser encontrados no Youtube.

Ângela Rocha

Agosto/2010

terça-feira, 6 de outubro de 2015

DIA DE CATEQUESE: HOJE, COM A FAMÍLIA...


Essa semana, nosso encontro de catequese foi na casa de uma das minhas catequizandas. Eu estava apreensiva. Não porque achasse que não seríamos bem recebidos, mas porque não sabia bem como seria o comportamento das crianças. Se elas apareceriam ou não e se iam gostar da mudança de ambiente. Mas deu tudo certo. Aliás, foi um encontro maravilhoso. Combinamos de nos encontrar na minha casa e ir até lá a pé. Às 15h30 as crianças começaram a chegar e, quando estavam os dez, lá fomos nós.

É muito gostoso caminhar com as crianças, mesmo tendo que dar uns berros de vez em quando para que se cuidem na rua. Chegamos à casa da minha catequizanda, e  Magda e Salvador, os pais dela, nos receberam. Ela montou uma mesa na garagem e a volta dela nos assentamos, em banquinhos, cadeiras e o que tinha à mão. Agradeci a Magda por estar ali nos recebendo e juntos fizemos uma oração pela família.

Comecei o encontro perguntando se eles sabiam o que era "sacramento". E lá foram eles confundindo tudo, achando que eram os sete dons que falamos dias atrás.  Mas eles foram lembrando e "colando" um pouquinho das suas bíblias. Fui mostrando algumas figuras que preparei e pedindo a eles que me dissessem que sacramento aquilo lembrava.

Mostrando fotos de bebês eles lembraram o sacramento do batismo. De adolescentes, o sacramento da crisma. E quando mostrei figuras com alimentos e comidas, eles ficaram perdidos. Tive que lembrar-lhes que a Eucaristia é a refeição do espírito. E na hora das figuras com pessoas praticando hábitos de higiene então, foi aquela confusão: "Que tem a pessoa tomando banho e lavando roupa a ver com sacramento, Tia?" Então lembrei-lhes da Confissão, da limpeza do coração e da alma, da reconciliação com Deus. As imagens de casamento e de casais felizes foram fáceis de relacionar. Fotos do Papa e de padres também. Imagens de pessoas velhas e de alguns doentes, eles demoraram um pouco para relacionar, mas enfim conseguiram chegar à Unção dos enfermos.

Falamos sobre cada um deles e fui mostrando a passagem bíblica que o instituiu. As crianças gostaram. Todos leram uma passagem. Chegavam a brigar para ver quem ia ler... Em seguida lembrei a eles da grande responsabilidade que iam adquirir depois da primeira eucaristia. Já não seria mais seus pais que teriam que pedir perdão pelos seus pecados. Seriam eles mesmos os responsáveis agora.

Terminamos as leituras, agradecemos Deus pelo nosso encontro, e Gleici foi mostrar às crianças, sua casa, seu quarto, suas galinhas no quintal. E seus pais ainda nos ofereceram um lanche.

Foi uma tarde que a gente não queria que acabasse. Agradeci á família e expliquei que aquilo era para que nos conhecêssemos melhor e que os laços entre eles se fortalecessem. A mãe da Gleici perguntou onde seria o próximo e a Gabriela já ofereceu sua casa. Combinamos que daqui duas semanas, nos reuniremos lá. E viemos ainda conversando até que as crianças foram se dispersando e indo para suas casas.

Bom, meus amigos catequistas, eu sugiro que todos vocês experimentem um pouco isso. Estar com as famílias, em seus lares, faz com que a gente se aproxime do nosso ideal que é envolver a todos no grande Projeto que é Jesus. Os pais precisam conhecer nosso trabalho, precisam saber um pouquinho da nossa "lida" com as crianças. Ali, naquela horinha e meia que passamos em casa de Salvador e Magda eles perceberam a importância da catequese e como é nosso relacionamento. Perceberam também que as vezes não é fácil lidar com um bando de crianças, todas falando ao mesmo tempo e, vez por outra, fugindo dali, nas asas da sua imaginação.

Ao final, Salvador comentou comigo: "Nossa, não é fácil, né? Como você consegue? Eles parecem até que são todos seus filhos!". É, Salvador, não é nada fácil. Mas é gratificante demais. E você me fez um baita dum elogio!

Ângela Rocha
Santuário de Santa Teresinha do Menino Jesus
Bandeirantes – PARANÁ – Maio/2010.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

DIA DE CATEQUESE: É quarta-feira e hoje o encontro é: EM CASA!


Propus às crianças, encontros na casa de cada um. Nesta semana, comecei pela da Maria Paula, ou seja, a minha (risos). Combinamos de nos encontrar na paróquia e descer até minha casa. Três deles iam direto lá. Bom, só havia oito dos onze quando comecei o encontro. Foi quando a avó de uma das meninas chegou trazendo os outros três. Na verdade eu não tinha conseguido entrar em contato com a netinha dela, que faltara ao último encontro, para avisar que seria na minha casa e meia hora mais cedo. Pois a Avó ao passar na paróquia viu os outros dois atrasadinhos lá e o padre contou a ela que eu tinha levado as crianças à minha casa. Assim, trouxe os três. Eu a convidei para participar também e ela ficou para o encontro.

Abençoada Vó Penha! Participou do encontro e gostou muito. Eu andava desanimada com a pequena Laila. Falta demais aos encontros, achei até que tinha desistido. Pois agora tenho certeza que ela se animou a participar mais. É uma menininha muito calada, mas muito doce.

As crianças adoraram o encontro. Adoraram minha casa. Adoraram o cachorro, subir ao andar de cima e ficar na sacada. Uma das meninas me disse que a minha casa era “setenta vezes mais linda” que a dela e “enorme”. Aí sentamos na sala e começamos a falar de nossa “casa”. Falei que não importa o tamanho nem a beleza da casa, importa receber quem chega. Se há alegria e se a gente recebe bem as pessoas, nossa casa é linda. Isso é ser comunidade. É se encontrar também fora da Igreja, fora do encontro semanal, é fazer amigos, cultivá-los, conversar com os vizinhos. Aí, Vó Penha falou também de como era antigamente, quando as pessoas conversavam mais, eram mais amigas, não existia tanto portão trancado, cerca elétrica.

E começamos nosso encontro falando da nossa responsabilidade em ser comunidade. De como somos cristãos e Igreja depois que recebemos o nosso batismo. Contei da Samaritana e de Jesus dizendo: “Quem beber dessa água, jamais terá sede”. E bebemos, cada um, um copinho de água, simbolizando a “água de Jesus”. Falamos também de Jesus como “corpo” e cada um de nós como pedaço dele. Um é o ouvido, outro a boca, o nariz, o braço, enfim, se não estivermos juntos, não funcionamos.

Depois a volta da mesa fizemos a partilha do pão, gesto simbólico de partilha na comunidade. Para minha alegria, Pe. Vagner chegou neste momento. As crianças amam os padres. Para elas eles simbolizam a Igreja e são como “Jesus” mesmo. Quietinhas ela escutaram ele falar da felicidade que é estar na catequese, da oportunidade maravilhosa que eles tem, que nem todas as crianças podem ter.

Depois da oração, servi suco e sanduíches, avisando que não é sempre assim não. E combinamos na casa de quem será o próximo encontro. Senti que fiquei tão mais perto deles. Realmente uma dádiva de Deus. Estou ansiosa para ver como vai ser na casa das crianças.


Ângela Rocha
Santuário de Sta Teresinha do Menino Jesus
Bandeirantes – Paraná/maio de 2010.