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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO - CRISTO REI DO UNIVERSO


                          HOMILIA DA SOLENIDADE  CRISTO REI – ANO B

Dois extremos se colocam diante de nossa reflexão neste domingo: por um lado, a Festa de Cristo Rei celebra a vitória gloriosa e triunfante do Senhor no final dos tempos; por outro lado, o Cristo é exaltado nos gestos simples de amor de cada dia. Ou seja, falar do futuro reinante de Deus em Cristo Senhor, implica em falar da história de um Reino que se descortina diante de nossos olhos pelo amor. Os dois extremos se colocam na dinâmica do “já e ainda não”. Somos peregrinos que almejam o Céu, enquanto construímos o Céu aqui. Estamos de passagem, rumo a Terra Definitiva. Mas Deus não preparou um Céu finalizado que tem uma porta aberta a nos esperar. Antes quer que façamos a nossa parte na construção deste Céu, apressando, assim, o Reino definitivo.

Qual é o critério para participar plenamente do Reinado Definitivo? O amor, sobretudo o amor pelos mais sofredores. No Evangelho vemos claramente que o Senhor não perguntará sobre uma lista de preceitos ou orientações canônicas, não vai se fixar em uma lista de mandamentos. Perguntará sobre nossas disposições em amar. Mais ainda: não perguntará sobre o amor de forma abstrata, mas sobre os gestos de amor que de modo bem concreto fomos capazes de realizar. O que nos justifica é o ato de alimentar, vestir, visitar, dar abrigo, consolar... O juízo do fim da história se antecipa em cada gesto de amor ou na renúncia do amor ao longo de nossa existência.

Não precisamos ser fundamentalistas. Muitos de nós nunca visitamos um presídio, por exemplo. Tal lacuna não significa o inferno. O que Jesus nos revela fundamentalmente é que sua religião não se fixa nos ritos e nas leis, mas na compaixão. Uma religião sem compaixão não é religião. E mais: em cada sofredor que surge diante de nós está o Senhor: nos desvalidos, no pecador rejeitado, na mulher violentada, no faminto, no triste, no desamparado. Ali está o Senhor, Rei de todo o Universo.

Não precisamos ter medo de Deus ou do juízo, pois o medo nos afasta de Deus. Mas devemos avaliar a nossa conduta a cada dia, pois nossas disposições (e indisposições) para amar serão eternizadas. No fim dos tempos, não haverá um julgamento aterrador de um juiz severo e condenador. É o mesmo Senhor que ama os pobres e perdoa os pecadores que nos julgará, com a mesma misericórdia.

O Senhor é Rei!  Prostrar-se diante dele, quando o Santíssimo é elevado ou diante de qualquer sacrário, pode ser uma abertura ao seu projeto de amor ou uma mera atitude piegas, fundamentalista ou uma prática formal e sem vida. O que define o nosso reconhecimento sobre o seu Reinado é amá-lo no ser humano. Que o Senhor verdadeiramente reine em nossas vidas até que o seu Reino sem fim se estabeleça. Amém!


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR.

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS ENSINA A AUTÊNTICA GENEROSIDADE



                   HOMILIA DO 32° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B
Os simples “se salvam pela ignorância”. Para os escribas vale o contrário: já que sabem, porém escondem sua cobiça de honra, banquetes e dinheiro atrás de longas orações, “esses receberão sentença mais severa”. Os escribas não são os fariseus. Estes eram judeus fervorosos, dados à observância da Lei até os mínimos detalhes. Para isso precisavam de assistência teológica, que lhes era fornecida pelos teólogos, os escribas.


Os escribas geralmente aderiam à tendência farisaica, que lhes garantia freguesia e fama de santidade, mas nem por isso eram tão santos assim. Aconselhando “boas obras” às viúvas, proviam-se dos pobres recursos delas. Gostavam de todo tipo de precedência, até na boa comida. Nem todos, é claro (cf. ev. Dom. pass), mas muitos. Também hoje conhecemos os que explicam a Lei e os que a aplicam. O evangelho de hoje faz uma oposição entre a falsa piedade dos escribas (a hipocrisia) e a verdadeira piedade de suas vítimas, as viúvas, sinônimo de pessoas desprotegidas.


Cita o exemplo de uma viúva que, depositando algumas moedinhas no templo, coloca “todo o seu viver”(literalmente cf. o texto grego) nas mãos de Deus, enquanto as pessoas abastadas, embora com muita ostentação, só dão de seu supérfluo.


A índole da viúva é confiar em Deus, já que vive à mercê das pessoas. A 1ª leitura nos narra um episódio para ilustrar isso. Elias está fugindo do ódio mortal que lhe dedica a rainha Jezabel, filha do rei da Fenícia. A fuga o leva à pátria dessa rainha. A fome o obriga a recorrer à casa de uma pobre viúva, antípoda da rainha. Ela está no fim de seus viveres. Vai cozinhar sua última farinha para si e seu filho, prevendo para depois a morte pela fome. Mas mesmo assim, dá preferência ao “homem de Deus” e lhe entrega seu último “viver”. E Deus recompensa sua entrega total: sua despensa nunca mais ficará vazia.


A mensagem global destes textos é que certos “homens da religião” estão muito longe do mistério da generosidade que se realizou no encontro do “homem de Deus” (Elias) e a viúva de Sarepta – uma pagã. Muitos homens da religião correm às casas das viúvas para se enriquecer, não para encher as despensas delas. Entretanto fazem ostentação de uma piedade que é a negação mesma da piedade da pobre viúva. Será que isso só existia em Israel, no tempo de Jesus?


“Esses terão uma sentença mais severa” fica soando em nossos ouvidos. A liturgia aponta para o tempo final. Está na hora de um exame de consciência. Onde estamos: na singela generosidade das viúvas, ou na “hipocrisia” dos teólogos? Para ser como as viúvas, é preciso ter a verdadeira fé, a certeza de estar na mão de Deus. A oração do dia nos incentiva para recorrermos a Deus em todos os perigos e lhe ficarmos completamente disponíveis. Pelo outro lado, a religião dos teólogos e legistas é apenas letra no papel (além de exploração dos simples e desprotegidos), não é entrega da vida. Os cantos (salmo responsorial, aclamação ao evangelho) vêm ajudar-nos para escolher o lado certo.


Um aparte para a 2ª leitura. É o texto fundamental de toda a teologia sacramental, especialmente a que se refere ao sacrifício eucarístico. Cristo significa o fim de todos os sacrifícios. Não estou falando das mortificações pedagógicas nem das dificuldades reais que as pessoas devem enfrentar em sua vida, para serem fiéis à sua vocação. Mas sacrifício mesmo, no sentido de destruição de um objeto ou uma vida, para apaziguar Deus – isso já não tem vez, depois de Cristo. Cristo é o sacerdote que entrou no Santuário santificado por seu próprio sangue, no qual todos são santificados. Sendo homem verdadeiro (Hb 4,15!), vivendo a fidelidade à sua missão até o fim, mostrando que Deus é fidelidade e amor, Jesus aboliu todas as maneiras de aplacar Deus por sacrifícios violentos e sangrentos. Deus “se realiza” num escravo do amor até o fim, e desde que ele resumiu o culto a Deus nesta atitude, esta se toma para seus seguidores o único caminho de restauração e paz. Por isso, a cruz não pode mais ser repetida uma segunda vez. Nem se pode inventar outros meios para aplacar Deus, como, por exemplo, as obras da Lei: se estas salvassem, Cristo teria morrido em vão (Gl 2,21). O sacrifício de Cristo não se repete; só pode ser comemorado, atualizado sempre de novo em cada existência cristã, em cada celebração de sua eterna atualidade. Também a vida cristã, consagrada ao testemunho do amor e da doação, não é uma repetição da morte de Cristo, mas a participação na sua presença. E surge aqui a perspectiva da consumação final: Jesus voltará para completar a salvação dos que depositaram nele sua esperança.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: franciscanos.org

sábado, 3 de novembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A COMUNHÃO DOS SANTOS


HOMILIA: SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos. Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.
As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação. Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª leitura): já somos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.
Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.
Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!
Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
Fonte: franciscanos.org

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: SERÁ QUE REALMENTE ENXERGAMOS?


                  HOMILIA DO 30° DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B
Nos domingos anteriores acompanhamos Jesus e os apóstolos na caminhada rumo a Jerusalém, que foi, como vimos, uma grande instrução sobre seguir Jesus e assumir a cruz. E vimos também que essa instrução encontrou cabeças duras, impenetráveis … Mc emoldurou toda a secção 8,27-10,45 (da proclamação messiânica de Jesus por Pedro até o 3° anúncio da paixão e a correspondente lição) entre dois milagres simbólicos, duas curas de cego. Na primeira, Mc 8,22-26, o trabalho era duro: Jesus

teve de repetir seu gesto de cura. Já depois da instrução do caminho, em Mc 10,46-52, a cura se dá com maior facilidade, e o homem curado é admitido na companhia

de Jesus para segui-lo até Jerusalém (pois o fato ocorreu em Jericó, início da última etapa da viagem). Mc registra até o nome do cego, Bartimeu, provavelmente conhecido entre os primeiros cristãos.

Mesmo no fim do caminho, os apóstolos não compreenderam, mas um cego chegou a ver com clareza, para seguir Jesus pelo caminho. Compreender Jesus não é uma questão de status na Igreja (aqueles apóstolos que queriam ocupar os primeiros lugares, cf. domingo passado), mas de deixar-se transformar por Jesus. Aliás, no ponto final da caminhada de Jesus, no Gólgota, os apóstolos vão primar pela ausência; só vamos encontrar aí as mulheres que acompanharam Jesus pelo caminho. Portanto, o seguimento radical de Jesus pelo caminho até a cruz não é privilégio do clero …

Que os cegos vêem e os coxos saltam e caminham é um sinal do tempo messiânico. A 1ª leitura de hoje o anuncia pela boca do profeta Jeremias. Este imaginou o tempo da salvação como a volta dos israelitas deportados para Jerusalém, com inclusão de cegos e coxos. Assim, o cego de Jericó, que aclama Jesus como “filho de Davi” (= Messias), vai participar da entrada de Jesus em Jerusalém e juntar sua voz à da multidão, que vai saudar Jesus com essa mesma saudação messiânica (Mc 11, 9-10). No dia do Messias, este e os cegos entram juntos na cidade de Deus …

Será que nós nos deixamos abrir os olhos para seguir o Messias na etapa decisiva de sua caminhada? Para isso, precisamos saber que somos cegos: não temos, por nós mesmos, a capacidade de seguir Jesus no seu caminho messiânico, caminho de amor e justiça radicais. Muitas vezes somos tão obcecados pelas miragens do progresso e do consumo que nem suspeitamos de nossa cegueira. Mas o cego de Jericó invoca Cristo, é por ele curado e segue-o no caminho que outros, em condições bem melhores, não quiseram seguir (por exemplo, o homem rico … ). Imagem de nossa sociedade, de nossa cristandade. O povo dos pobres, submerso nas trevas da opressão econômica e da dominação cultural, que lhes impede ter uma visão do que está acontecendo, encontra em Jesus quem lhe abre os olhos, de modo que possa segui-lo, desimpedido e participando com ele, até a cruz que liberta os irmãos e irmãs.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: franciscanos.org

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A GRANDE AMBIÇÃO – SERVIR E DAR A VIDA


                     HOMILIA DO 29° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

O evangelho de hoje é provocador. Os melhores alunos de Jesus solicitam uma coisa totalmente contrária ao que ele tentou ensinar. Pedem para sentar nos lugares de honra no seu reino, à sua direita e à sua esquerda. Não compreenderam nem a pessoa, nem o modo de agir de Jesus. Seu pedido era tão vergonhoso que o evangelista
Mateus, quando contou mais tarde a mesma história, disse que foi a mãe deles que pediu (MT 20,20).

Devemos situar esse episódio no seu contexto. Mc 8,31-10,45 é a grande instrução de Jesus a caminho, balizada pelos três anúncios da Paixão. O evangelho de hoje é a continuação do 3° anúncio da Paixão: estamos no fim da instrução, e parece que até os melhores alunos ainda não aprenderam nada. De fato, só aprenderão depois da morte e ressurreição de Jesus. Por enquanto, em contraste com a incompreensão dos alunos, eleva-se a grandeza da lição final: o dom da própria vida.

A 1ª leitura prepara-nos para compreender melhor o evangelho. É o 4° cântico do Servo Sofredor. No seu sofrimento ele assumiu a culpa de muitos. Por isso, Deus o ama duplamente: porque ele é justo e porque seu sangue leva os outros a serem justos. Infelizmente, a humanidade precisa de vítimas da injustiça para reencontrar o caminho da justiça. A recente história da América Latina está cheia disso: os mártires que com seu sangue testemunharam o caminho da fraternidade. E ao lado desses mártires de sangue temos ainda os mártires do dia-a-dia, que não são poucos: pessoas que sacrificam sua juventude para cuidar de pais idosos, que sacrificam carreira lucrativa para se dedicar à educação dos pobres … São estes que santificam nosso mundo cruel.

O justo que dá sua vida pelos outros é chamado “servo”, porque serve. Ele é o antipoder. O povo diz: “Quem pode mais, chora menos”. O Servo diria: “Quem pode mais, serve menos”. Jesus diria: “Quem ama mais, sofre mais”. Jesus é a plena realização do “servo”. Aos apóstolos ambiciosos que desejam ter os primeiros lugares no Reino ele opõe seu próprio exemplo: “Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos. O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

Casualmente, este evangelho coincide com o trecho de Hb lido na 2ª leitura. Aí o servo de Deus é chamado de sacerdote. Não no sentido do Antigo Testamento – pois aí os sacerdotes eram muitos e deviam ser descendentes de Aarão, o que Jesus não era. Mas no sentido de oferecer a Deus, por todos nós, a própria vida. Aliás, ele é o único sacerdote conforme o Novo Testamento. Aqueles a quem chamamos de sacerdotes são na realidade “ministros”, servos do sacrifício exercido por Jesus. Eles ministram no altar o sacrifício de Jesus, exercendo o sacerdócio ministerial. E os fiéis unem-se ao dom da vida Jesus exercendo na vida cotidiana o sacerdócio batismal do povo de Deus.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: franciscanos.org

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: QUEM PODE SEGUIR JESUS?


                    HOMILIA DO 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B
Um homem rico pergunta a Jesus o que deve fazer para “ter a vida eterna em herança” (evangelho). Jesus vê que o homem está preocupado com o que é bom – “Só Deus é bom, e mais ninguém”. O homem é um judeu exemplar, observa todos os mandamentos. Mas, segundo Jesus, isso não é o suficiente para ele: é capaz de algo mais. Simpatizando com ele, Jesus o convida para que o acompanhe em sua missão. “Vai, vende tudo que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu”. Diante disso, o homem se desanima: é rico demais. “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. (O Reino de Deus não é propriamente o que costumamos chamar de “Céu”; é o modo de viver que Jesus veio instaurar, o reino de amor, de justiça e de paz, onde é feita a vontade de nosso Pai celeste. O rico não conseguiu entregar-se a essa nova realidade … )

Os discípulos se assustam com a severa observação de Jesus. Então, ele acrescenta: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível” (Mc 10,27). Portanto, vamos deixar o assunto nas mãos de Deus.

No fim, Jesus fica triste porque uma pessoa tão prendada não foi capaz de segui-lo pelo caminho e assim gozar, desde já, a alegria de participar da implantação do Reino. Suas qualidades humanas não foram suficientes para superar o apego aos bens do mundo. Por si mesmo, não conseguiu libertar-se. Só Deus o poderia libertar.

Contrariamente à opinião corrente, a riqueza não deve ser vista como privilégio, como recompensa de Deus, mas como empecilho para participar do Reino. Os pobres têm maior facilidade em arriscar tudo para realizar a partilha e a renúncia que o Reino exige. Têm menos a perder. Ora, se Jesus aconselha esse desapego tão difícil, mas para Deus nada é impossível, convém pedir a Deus essa graça do desapego, para ter a felicidade de participar do Reino que Jesus veio implantar. Então, a gente recebe a “herança eterna”.

Segundo a 1ª leitura, Salomão pediu a Deus não a riqueza, mas a capacidade de governar com sabedoria. Na realidade, Deus lhe deu também a riqueza, mas apenas como sobremesa; o importante mesmo é a sabedoria para bem servir.

Lição: o rico não deve pensar que vai conseguir a herança eterna com base em suas posses, poder, capacidade intelectual ou coisa semelhante. Tem de pedir a Deus, como graça, algo que não está incluído no pacote do poder: a capacidade de participar do Reino. Também não deve estar exclusivamente preocupado com “salvar sua alma” quando tudo lhe for tirado, mas peça desde hoje a Deus a graça do desapego para participar desse Reino, que já começou no mundo daqueles que seguem Jesus. Na alegria do servir encontrará a garantia da “herança eterna”.

Se um rico participa ativamente do Reino, não será por causa de sua riqueza, mas apesar dela. Tendo bens, transforme-os em instrumentos de comunhão fraterna e viva como se não os possuísse.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: franciscanos.org


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: O QUE DEUS UNIU, O HOMEM NÃO SEPARE



              HOMILIA DO 27. DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

Seria o divórcio o centro da reflexão de Jesus no Evangelho deste domingo? Poderíamos erroneamente reduzir Jesus ao legalismo, enquanto sabemos muito bem, pelo Evangelho, que Jesus se distancia deste caminho.


A pergunta dirigida a Jesus tem como pano de fundo a injustiça legal dois judeus e a dureza dos seus corações. No tempo de Jesus, o homem podia dispensar a mulher simplesmente por não estar mais satisfeito com ela. A mulher era largada e não podia mais contrair novo matrimônio sem a autorização do homem. Ora, Jesus aproveita a pergunta para condenar o machismo, o autoritarismo amparado pela lei.  Faz o resgate da Palavra de Deus, dizendo que no princípio não era assim, ou seja, os decretos primordiais não são fundados no egoísmo, mas no amor genuíno. 


O livro do Gênesis nos diz que quando um homem e uma mulher se unem, “os dois formarão uma só carne, assim, já não são dois, mas uma só carne” (Gn 2,24). A primeira leitura reforça a pregação do Senhor. Quando Adão estava no paraíso, vivia sozinho, mas o Senhor não deseja a sua solidão. Então da-lhe uma companheira. Não lhe dá alguém para ser oprimido ou para oprimir, não recebe Adão um instrumento de dominação, mas alguém tirado de seu lado, de sua natureza: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem” (Gn 2,23).


O livro das origens nos ensina que a vocação do homem não é a solidão, mas o amor. É na relação com o outro, na alteridade, ou seja, no confronto com o diferente, que se descobre a si mesmo e se encontra a realização. Isto acontece de um modo especial na relação entre homem e mulher, quando os opostos se confrontam e se unem.


Porém, viver um ao lado do outro não é ainda garantia de partilha, de construção mútua.  Casais podem dormir na mesma cama e não formarem uma comunhão. Também podemos estar cercados de uma multidão e mesmo assim nos sentirmos sozinhos. A solidão só é oportunidade de crescimento, de dar e de oferecer algo.
O amor exige respeito, sabedoria, ternura, empenho. Não somente na relação homem e mulher, mas todas as relações humanas devem ser regidas pelo princípio da relação de alteridade respeitosa, que é fruto do amor.



Jesus é o maior modelo deste amor que está totalmente longe da opressão. Isto porque sua encarnação é o maior gesto que desfigura o poder, colocando no seu lugar a manifestação de um amor que é capaz de se rebaixar, humilhar-se, derramar-se. Na carta aos Hebreus vemos Kenosis (= rebaixamento) de Deus, que mesmo divino, submete-se a ser menor os anjos e a sofrer na cruz. Por que Deus não se manifestou como um poderoso rei? Poderia ser Ele um grande general, um grande homem da corte, um homem de posses. Mas não quis. Se quisesse visibilidade explícita, deveria ter se encarnado no século XXI e ser filho de um dono de emissora de TV e não filho de um carpinteiro nos subúrbios da Palestina do século I.  A revelação de Deus em Jesus Cristo nos desconcerta. Parece que o ser humano está distante de seu exemplo, pois de modo geral o poder e o prestígio nos dominam e pervertem as relações familiares, comunitárias, trabalhistas.


A criança é o modelo da dependência do Pai, do despojamento frente à autossuficiência. Não busquemos modelos de autossuficiência em pessoas cheias de vaidade, mas na singeleza das crianças, que são pequenas, ternas, dependentes e transparente.


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba- PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO - SEGUIR JESUS: AMBIÇÃO OU HUMILDADE?


       HOMILIA DO 25° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B       
Políticos em campanha eleitoral levantam crianças diante das câmeras da televisão… Mas qual deles se importa realmente com o futuro das crianças abandonadas, com os meninos de rua, com a educação popular? O que conta não é a criança, e sim, o voto.

Jesus faz da pouca importância das crianças uma lição para seus seguidores. Os discípulos não compreendiam quando Jesus falava de seu sofrimento; pelo contrário, ficavam discutindo quem era o maior dentre eles. Por causa disso, Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse que a criança estava aí como se fosse ele mesmo – e até mais do que isso: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças estará acolhendo a mim mesmo. E quem me acolher, estará acolhendo não a mim, mas Àquele que me enviou” (evangelho).

A liturgia de hoje nos ajuda a cavoucar mais a fundo o mistério que está por trás dessas palavras. Enquanto os discípulos não levaram muito a sério as crianças, Jesus se identifica com uma criança, porque tem uma profunda consciência do amor paterno de Deus. Na 1ª leitura, o justo que chama Deus de pai é considerado insuportável pelos poderosos, que só dão importância à força e à arrogância. E a 2ª leitura nos mostra quanto mal faz a ambição dentro da comunidade cristã. Na lógica o mundo, o que importa é a prepotência, a ambição. Mas Deus é o pai do justo, sobretudo do justo oprimido. Na criança desprotegida, ele mesmo se torna presente.

O justo humilde, perseguido pelos prepotentes, e que chama Deus de pai, é a prefiguração do próprio Jesus. A grandeza mundana não importa. Uma criança sem importância pode ser representante de Jesus e, portanto, de seu Pai, Deus mesmo. E se não for uma criança, pode ser um mendigo, um desempregado, um aidético…. No aspecto de não terem poder, esses sem-poder parecem-se com Jesus. Nossa “ambição”deve ser: servir Jesus neles. Então, seremos grandes.

Alguém talvez chame isso de falsa modéstia: dizer-se humilde julgando-se superior aos outros. Já os empresários o chamarão de desperdício, pois quem se refugia na humildade nunca vai realizar as grandes coisas de que nossa sociedade tanto precisa… O raciocínio de Jesus vai no sentido oposto: as ambições deste mundo facilmente encontram satisfação, se há quem delas pode tirar proveito. Todo mundo colabora. Mas quem não tem poder só pode contar com Deus e com os “filhos de Deus”, os que querem ser semelhantes a ele. Então, de repente, não é a ambição que move o mundo, mas a força do amor que Deus implantou em nós. Não o orgulhoso ou o ambicioso, mas o humilde consegue despertar a força do amor que dorme no coração do ser humano. A criança desperta em nós o que nos torna semelhantes a Deus, nosso Pai.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: franciscanos.org


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: SEGUIR UM MESSIAS DIFERENTE


                   HOMILIA DO 24° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B
Dizem que o povo não gosta de jogar voto fora. Vota em quem pensa que vai ganhar. Assim, quem representa os deserdados não tem ibope, enquanto os políticos corruptos são reeleitos e a situação não muda nunca. Parece que também Simão Pedro não gostava de torcer pelo time perdedor. Queria estar do lado do poder. Tinha chegado à conclusão de que Jesus era o Messias (8,29). Mas quando Jesus começou a explicar que o Messias e Filho do Homem devia sofrer e morrer, Pedro quis fazer-lhe a lição: sofrer, nunca! (8,31-32). Então, Jesus lhe dirige dura advertência: “Vai, satanás, para trás de mim, pois não tens em mente as coisas de Deus e sim as dos homens” (8,33). Pedro é chamado de satanás, não de diabo, porque o satanás é uma figura folclórica na literatura bíblica, exercendo o papel de tentador, de sedutor (cf. Jô 2,1-2). Jesus associa Pedro ao “sedutor”, porque tentou desviá-lo do caminho do sofrimento. Então, Jesus o manda para o lugar do discípulo obediente, atrás do mestre, para segui-lo carregando a cruz (Mc 8,34-35).

Jesus é Messias, mas à maneira do Servo Sofredor de que fala Isaías (1ª leitura). Este oferece as faces a quem lhe arranca a barba, não teme o fracasso, pois Deus está com ele. O Servo Sofredor é como um herói que desce na cova dos leões: desce nas profundezas do ódio para vencê-lo, por dentro, assumindo o sofrimento injustamente infligido. Seu poder não é como os poderes deste mundo; é a força de Deus que vence o poder pelo amor. Mas para isso, ele tem de escutar a voz de Deus: “O Senhor abriu meu ouvido” (Is 50,5).

Acreditar em Jesus é aderir ao Servo, o líder rejeitado e morto, mas que é também ressuscitado por Deus, como está em Mc 8,31 (Pedro parece não ter percebido esse “detalhe”). Ser cristão é seguir Jesus pelo caminho do sofrimento. Não existe fé cristã sem via sacra. E isso não pelo prazer de sofrer, mas porque é preciso enfrentar a injustiça e tudo quanto se opõe a Deus no próprio campo de batalha. Ser cristão não é compatível com sempre ter sucesso no mundo; quem não é perseguido provavelmente não está trilhando os passos de Jesus.
A Igreja não é para torcedores que pagam para ver o time ganhar; é para jogadores dispostos a enfrentar sacrifícios. Mas esta comparação esportiva é perigosa: pode sugerir auto-afirmação, e então estaríamos novamente pensando nas coisas dos homens e não nas de Deus. Não se trata de auto-afirmação, nem de heroísmo para glória própria, mas antes, de ter um ouvido aberto à voz de Deus, que nos mostra um caminho que por nós mesmos não suspeitávamos ser o caminho de Deus. Trata-se de ter um coração de discípulo, que saiba escutar Deus nos seus planos mais misteriosos. Será que Deus não está mostrando um caminho de “mais vida” quando sugere cuidar de uma criança doente, de pessoas excluídas, do silêncio de quem não pode falar, do esquecimento de si?… Tenhamos o ouvido aberto!

Cristo nos deu o exemplo. Nele confiamos. Tendo em vista sua “vitória”, não importa que “perdemos nossa vida” segundo os critérios deste mundo. Ganharemos Deus.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: Franciscanos.org

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A VERDADEIRA RELIGIÃO

                    HOMILIA DO 22° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

O Evangelho nos regala com um dos trechos mais significativos de Marcos: a discussão sobre o que é puro e o que impuro (Mc 7,1-23). Os discípulos se puseram a comer sem lavar as mãos. Mas lá estavam alguns vizinhos piedosos, da irmandade dos fariseus, acompanhados de professores de teologia (escribas), vindos da capital, de Jerusalém. Logo se intrometeram, dizendo que é proibido comer sem lavar as mãos. (Como também se deviam lavar as coisas que se compravam no mercado, os pratos e tigelas e tudo o mais). Mas Jesus acha tudo isso exagerado, sobretudo porque dão a isso um valor sagrado.

Na realidade, a piedade de Israel era relativamente simples. Religião complicada era a dos pagãos, que viviam oferecendo sacrifícios e queimando perfumes para seus deuses, cada vez que desejavam alguma ajuda ou queriam evitar um castigo. Mas a religião de Israel era sóbria, pois só conhecia um único Deus e Senhor. Consistia em observar o sábado, oferecer uns poucos sacrifícios, pagar o dízimo e, sobretudo, praticar a lealdade (amor e justiça) para com o próximo. Moisés já tinha dito que não deviam acrescentar nada a essas regras simples, admiradas até pelos outros povos (1ª leitura). E Tiago – o mais judeu dos autores do Novo Testamento – diz claramente: “Religião pura e sem mancha diante do Deus e Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas dificuldades e guardar-se livre da corrupção do mundo” (Tg 1,27; 2ª leitura).

Mas, no tempo de Jesus, os “mestres da Lei” tinham perdido esse sentido de simplicidade. Complicaram a religião com observância que originalmente se destinavam aos sacerdotes. Clericalizavam a vida dos leigos. Queriam ser mais santos que o Papa! Chegavam a dizer que era mais importante fazer uma doação ao templo do que ajudar com esse dinheiro os velhos pais necessitados. Inversão total das coisas. Ajudar pai e mãe é um dos Dez Mandamentos, enquanto de doações ao templo os Dez Mandamentos nem falam.  Declaravam também impuras montão de coisas. No templo, tudo bem, o bezerro ou o cordeirinho a ser oferecido tem de ser bonito, puro, sem defeito. Mas no dia-a-dia, a gente come o que tem e do jeito como pode. Sobretudo a gente pobre, os migrantes, como eram os amigos de Jesus. Contra todas essas invenções piedosas, Jesus se inflama. Não é aquilo que entra na gente _ e que é evacuado no devido lugar – que torna impuro, mas a malícia que sai de sua boca e de seu coração (Mc 7,18-23).

Jesus quis sempre ensinar o que Deus quer. A Lei era uma maneira para “sintonizar”com a vontade de Deus. E Jesus respeita a Lei, melhorando-a para torná-la mais de acordo com a vontade de Deus, que é o verdadeiro bem do ser humano. Isso é o essencial. O demais deve estar a serviço do verdadeiro bem da gente e não o impedir. A verdadeira sintonia com Deus, a verdadeira piedade é o amor a Deus e a seus filhos e filhas. Práticas piedosas que atravancam isso são doentias e/ou hipócritas.

Mais ainda que a Lei de Moisés em sua simplicidade original, a “religião de Jesus” deve brilhar por sua profunda sabedoria e bondade. Deve mostrar com toda a clareza o quanto Deus ama seus filhos e filhas ensinando-lhes a amarem-se mutuamente. Daí nossa pergunta: nossas práticas religiosas ajudam a amar mais a Deus e ao próximo, ou apenas escondem nossa falta de compromisso com a humanidade pela qual Jesus deu a sua vida?
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Fonte: franciscanos.org

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A QUEM IREMOS?


                   HOMILIA DO 21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

Quando Josué reuniu as  tribos de Israel em Siquém e chamou os líderes para se apresentarem diante de Deus (primeira leitura), o juiz fez um resgate  dos momentos em que Deus operou com sua mão forte na história de seu povo.  Foi o Senhor que escolheu Abraão, acompanhou a vida dos patriarcas, libertou o povo da escravidão, deu sua lei, levou os seus filhos para a Terra Prometida e a deu por herança. Diante de sua história de fidelidade da parte de Deus, Josué apela para uma escolha decisiva: “Escolhei a quem desejas servir!” (Js 24,15).


A vida de todos nós, é uma história humana-divina. Aos olhos da fé, cada momento de nossa existência não é um mero acaso ou fruto apenas de escolhas humanas. À luz do mistério de Deus, a história é permeada da providência divina; não se trata de um providencialismo, como se Deus fizesse intervenções em tudo, guiando cada passo da história, mas Deus age respeitando a liberdade humana e os limites deste mundo que passa. Como Josué, também cada um de nós pode olhar para a história pessoal e perceber os sinais de Deus, enxergando como Deus continua agindo nos laços que vão constituindo o tecido de nossa vida.


Mas não basta perceber os sinais de Deus e nossa história. O olhar de fé para a nossa vida é uma antessala do cômodo principal – a nossa decisão radical pelo Senhor. Hoje, as leituras nos colocam diante desta decisão: escolher a Deus ou voltar atrás; abraçar as consequências do discipulado ou ficar no meio do caminho.
Jesus, no Evangelho, pediu esta decisão aos seus interlocutores. Alguns murmuraram e consideraram duras as palavras de Jesus. Não parecia fácil aceitar que Ele era o Pão descido do Céu, aceitar sua Palavra, seu seguimento. O convite de Jesus é para uma mudança de valores, mudança de posturas; convida-nos a abandonar aquilo que atrapalha, seja no nível espiritual ou material, e segui-Lo. Também nós como o povo em Siquém e como os ouvintes de Jesus, devemos dar uma resposta, pois não é possível ficar em cima do muro. Seremos capazes Seremos capazes de abandonar os ídolos e as ideias que se configuram como falsas. Seguranças?


Deus respeita nossa liberdade. Ao perceber o abandono dos ouvintes, Jesus se dirige aos apóstolos e lhes pergunta: “E vos quereis ir embora?” (Jo 6, 67). Pareceria mais natural que Jesus amenizasse o discurso e pedisse para  que eles permanecessem. Mas bem diferente dos nossos esquemas, Jesus pede uma decisão firme, não importando com a  quantidade de sus plateia.    


A quem nós iremos seguir? Os esquemas deste mundo dirigem-se para  a falsidade, para a corrupção, para a busca egoísta. Escolher a Deus significa fazer uma decisão exigente pelo caminho da doação e da  fraternidade. O Pão da Vida, oferecido por Jesus, é mais do que um encontro intimista com Deus. Trata-se de uma acolhida da vida como dom e, consequentemente, abraçar a doação e a partilha a si mesmo e nos convida a comer do Pão nos quer no mesmo caminho. A vida que não se esgota em si mesma, mas a vida como um sair de si e se realizar na abertura ao próximo, à comunidade, à sociedade. Aqui está a proposta do Senhor: a quem iremos servir?

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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