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sexta-feira, 12 de março de 2021

sábado, 30 de março de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: O PAI MISERICORDIOSO



                       HOMILIA DO 4° DOMINGO DA QUARESMA – ANO C

A famosa parábola do filho pródigo é sempre atual e comovente. No tempo da Quaresma, somos convidados a participar do ministério da reconciliação: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5, 20).


O verdadeiro nome da história contada por Jesus deveria ser Parábola do Pai misericordioso, embora muitas vezes preferimos Parábola do filho pródigo. De fato, a centralidade não deve estar no pecador que se converte, mas no Pai que ama de modo incondicional. O Pai ama aquele que gasta parte considerável de seus bens, ama e perdoa, sem se importar com a conduta do filho.  O pai misericordioso ama o filho mais velho, mesmo sendo rabugento. Ama todos, independentemente dos pecados.


Cristo nos fez seus irmãos e nos revelou a face amorosa do Deus que é Pai. Contudo, não é um pai severo, castigador ou distante como aqueles pintados nos antigos catecismos. Em sua gratuidade, Deus não ama só justos, mas veio para os pecadores (cf. Lc 5, 31-32). Deixa as noventa e nove ovelhas no aprisco e sai em busca daquela que está perdida. (cf. Lc 15, 1-7). Deus é um Pai que abre os braços para abraçar e fazer festa com o filho pródigo que voltou para casa, sem perguntar o que ele fez com seus bens. O Evangelho de hoje é uma oportunidade para que experimentemos o amor misericordioso e gratuito.


O outro personagem é o filho pecador. Este tinha a experiência do Pai da lei e da justiça, não do Pai da misericórdia. Sua fuga é uma tentativa frustrada de felicidade. O pecado é sempre uma busca, uma procura por acerto. Como consequência, perde tudo, afasta-se do amor, da casa paterna. O que lhe resta são as sobras, a dureza da vida, a falta de amor. Caindo em si arrepende-se. Ainda não pensa nas lágrimas de seu pai, mas na dura situação da sua vida. Seu retorno possibilita a manifestação do amor do Pai, que se adianta para abraçar o filho, não pergunta sobre o que fez, simplesmente devolve-lhe tudo: dignidade (dá-lhe roupa nova, calçado), filiação (anel no dedo) e acolhida (festa com o novilho).


O filho mais velho nos traz lições preciosas. Aliás, ele é fundamental na parábola, tendo em vista que Jesus está diante dos fariseus e escribas que questionam o fato de Jesus se aproximar dos publicanos. Ou seja, Jesus questionou a atitude daqueles que condenavam os pecadores, julgando-se santos. É ilustrativo mencionar que o filho pródigo da parábola de Jesus experimentou o amor do Pai, enquanto o filho mais velho, que sempre esteve em casa, reclamou seu lugar diante da alegria manifesta pelo filho que voltou. É mais fácil nos tornar filhos mais velhos do que filhos pródigos. Não é raro encontrarmos pessoas que se consideram religiosas porque vivem certas práticas, mas vivem amargas; são incapazes de desfrutar da alegria como dom de Deus.  Jesus sempre criticou a atitude farisaica daqueles que se consideravam os justos.


Assim, é preciso eliminar o julgamento, alegrar-se com aqueles que estão em busca do Senhor, mesmo que ainda não tenham deixado certas atitudes. É preciso acolher os novos na comunidade em seu entusiasmo e não julgarmos aqueles que são considerados, até por nossos cânones, pecadores públicos. Aquele que nunca fez festa com o pai, não compreende a festa do filho mais novo, que reconheceu a grandeza da misericórdia de Deus.  Também aqueles que nunca saem da igreja devem estar atentos para não deixar de desfrutar da festa de Deus, da alegria de ser cristão, desprezando aqueles que experimentam o Deus de amor e bondade. Certamente, muitos de nós sentimos morando na casa paterna, mas com a mesma atitude soberba do filho mais velho.


A experiência cristã inclui considerar-se pecador, sempre necessitado da misericórdia. Significa não se achar santo, julgando os demais, mas abrir-se ao amor gratuito do Pai. Nosso Deus é o Pai da Parábola da misericórdia? Como está nossa atitude diante do Deus da graça: somos cumpridores da lei ou participantes da festa? Em que lugar nos encontramos? Existe em nossa vida marcas do filho pródigo? Existem também marcas do filho mais velho?

Pe. Roberto Nentwig
Aquidiocese de Curitiba- PR

   FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sexta-feira, 22 de março de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: SOMOS CONVIDADOS A PRODUZIR BONS FRUTOS



                       HOMILIA DO 3° DOMINGO DA QUARESMA – ANO C
Na sarça ardente Moisés fez a experiência que marcou toda a sua vida e missão. Ardia o coração de Deus ao ver o clamor e o sofrimento do seu povo; o mesmo Deus chamou Moisés para falar em seu nome e libertar o povo. O Deus que se revelou a Moisés era ainda um Deus que não se podia tocar, que exigia reverência, mas que já se revelou como Aquele que caminha com seu povo, Aquele que se interessa pela história dos seus: “Eu sou o Deus de teus pais...” (Ex 3,6). Precisamos perceber que Deus se interessa por nós e quer a nossa libertação, que Ele nos convida a cada um de nós para seguirmos os seus passos. Deus não fica assistindo o sofrimento, Ele se interessa por seus filhos e vem em seu auxílio para libertá-los. Mas ele precisa de pessoas de carne e osso que aceitem o convite Dele para cooperar nessa libertação. Precisamos ser impregnados pelo mesmo fogo que abrasou o coração de Moisés, fazendo-o entusiasmado pela causa de Javé.

No Evangelho, vemos que os judeus consideravam as catástrofes como castigos de Deus e a proteção um mérito por serem fiéis observantes da lei. Jesus mostra que não basta ser judeu, que ninguém tem nada garantido: todos precisam de conversão. Do mesmo modo, nós poderíamos nos considerar católicos fiéis, observantes da lei, o grupinho dos escolhidos. Como o Povo eleito, corremos o risco da infidelidade. Como aqueles que escutam a palavra de Jesus, precisamos, de conversão, para não perecermos todos do mesmo modo. Além disso, devemos cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação entre pecado e castigo: os males não são castigos, e todos nós somos passíveis do sofrimento. Aliás, muito dos males são frutos de nossas próprias escolhas. Somos também responsáveis pelo bem o pelo mal que rodeia nossa vida, provavelmente os primeiros responsáveis.

Na segunda parte do Evangelho temos a parábola da figueira que não produzia frutos. Aqui é interessante observar que o pecado da figueira não foi ter feito algo de ruim, mas de não ter feito nada de bom. A figueira infrutífera, tornou-se passível, imóvel. Corremos o risco de querer uma garantia, uma tranquilidade de consciência que me faz dizer a mim mesmo: “eu estou bem com Deus, não prejudico a ninguém, cumpro minhas obrigações.” Entretanto, Deus espera mais de nós. Não basta sermos cristãos aparentemente certinhos, cristãos de preceito, de um ritualismo vazio; precisamos produzir frutos. Conversão não significa focar no pecado, mas no bem que devemos realizar. Cada um de nós é convidado a produzir bons frutos - isso significa conversão! O que podemos produzir nesta Quaresma?

Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios.

Deus, na sua bondade, é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas Ele não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei e outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO - CRISTO REI DO UNIVERSO


                          HOMILIA DA SOLENIDADE  CRISTO REI – ANO B

Dois extremos se colocam diante de nossa reflexão neste domingo: por um lado, a Festa de Cristo Rei celebra a vitória gloriosa e triunfante do Senhor no final dos tempos; por outro lado, o Cristo é exaltado nos gestos simples de amor de cada dia. Ou seja, falar do futuro reinante de Deus em Cristo Senhor, implica em falar da história de um Reino que se descortina diante de nossos olhos pelo amor. Os dois extremos se colocam na dinâmica do “já e ainda não”. Somos peregrinos que almejam o Céu, enquanto construímos o Céu aqui. Estamos de passagem, rumo a Terra Definitiva. Mas Deus não preparou um Céu finalizado que tem uma porta aberta a nos esperar. Antes quer que façamos a nossa parte na construção deste Céu, apressando, assim, o Reino definitivo.

Qual é o critério para participar plenamente do Reinado Definitivo? O amor, sobretudo o amor pelos mais sofredores. No Evangelho vemos claramente que o Senhor não perguntará sobre uma lista de preceitos ou orientações canônicas, não vai se fixar em uma lista de mandamentos. Perguntará sobre nossas disposições em amar. Mais ainda: não perguntará sobre o amor de forma abstrata, mas sobre os gestos de amor que de modo bem concreto fomos capazes de realizar. O que nos justifica é o ato de alimentar, vestir, visitar, dar abrigo, consolar... O juízo do fim da história se antecipa em cada gesto de amor ou na renúncia do amor ao longo de nossa existência.

Não precisamos ser fundamentalistas. Muitos de nós nunca visitamos um presídio, por exemplo. Tal lacuna não significa o inferno. O que Jesus nos revela fundamentalmente é que sua religião não se fixa nos ritos e nas leis, mas na compaixão. Uma religião sem compaixão não é religião. E mais: em cada sofredor que surge diante de nós está o Senhor: nos desvalidos, no pecador rejeitado, na mulher violentada, no faminto, no triste, no desamparado. Ali está o Senhor, Rei de todo o Universo.

Não precisamos ter medo de Deus ou do juízo, pois o medo nos afasta de Deus. Mas devemos avaliar a nossa conduta a cada dia, pois nossas disposições (e indisposições) para amar serão eternizadas. No fim dos tempos, não haverá um julgamento aterrador de um juiz severo e condenador. É o mesmo Senhor que ama os pobres e perdoa os pecadores que nos julgará, com a mesma misericórdia.

O Senhor é Rei!  Prostrar-se diante dele, quando o Santíssimo é elevado ou diante de qualquer sacrário, pode ser uma abertura ao seu projeto de amor ou uma mera atitude piegas, fundamentalista ou uma prática formal e sem vida. O que define o nosso reconhecimento sobre o seu Reinado é amá-lo no ser humano. Que o Senhor verdadeiramente reine em nossas vidas até que o seu Reino sem fim se estabeleça. Amém!


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR.

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.
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terça-feira, 6 de novembro de 2018

DICA DE LIVRO: "CATEQUESE NA NOVA EVANGELIZAÇÃO"

Catequese na nova evangelização: temas de catequética fundamental

Este livro é de autoria do padre Roberto Nentwig, que escreve homilias (e agora tem áudio também) para nós desde que começamos com o grupo:


O livro reflete sobre a catequese, tanto nos seus aspectos teológicos quanto pastorais, além de fazer o leitor compreender a fé como um processo de educação. Nestes novos tempos, com tantas mudanças tecnológicas e na sociedade, nos auxilia a pensar sobre a necessidade de desenvolver novas práticas de evangelização. Com isso em mente, esta obra se dedica a discutir, por meio de uma linguagem simples e clara, os principais temas da catequética, de forma a nos aproximar dos documentos magisteriais. Inicie aqui a sua jornada em busca de respostas para os desafios que temos encontrado na prática catequética nos dias de hoje e entenda melhor as bases que vinculam a Igreja e a sociedade.

Quando estava escrevendo, ele nos convidou para escrever sobre nossa experiência aqui na internet. E está lá, no meio do livro, algumas páginas sobre nós "Catequistas em formação". E adquirindo o livro, nós, catequistas sempre em formação, só temos a ganhar com excelente conteúdo.

Para adquirir o livro direto do autor:

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: O QUE DEUS UNIU, O HOMEM NÃO SEPARE



              HOMILIA DO 27. DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

Seria o divórcio o centro da reflexão de Jesus no Evangelho deste domingo? Poderíamos erroneamente reduzir Jesus ao legalismo, enquanto sabemos muito bem, pelo Evangelho, que Jesus se distancia deste caminho.


A pergunta dirigida a Jesus tem como pano de fundo a injustiça legal dois judeus e a dureza dos seus corações. No tempo de Jesus, o homem podia dispensar a mulher simplesmente por não estar mais satisfeito com ela. A mulher era largada e não podia mais contrair novo matrimônio sem a autorização do homem. Ora, Jesus aproveita a pergunta para condenar o machismo, o autoritarismo amparado pela lei.  Faz o resgate da Palavra de Deus, dizendo que no princípio não era assim, ou seja, os decretos primordiais não são fundados no egoísmo, mas no amor genuíno. 


O livro do Gênesis nos diz que quando um homem e uma mulher se unem, “os dois formarão uma só carne, assim, já não são dois, mas uma só carne” (Gn 2,24). A primeira leitura reforça a pregação do Senhor. Quando Adão estava no paraíso, vivia sozinho, mas o Senhor não deseja a sua solidão. Então da-lhe uma companheira. Não lhe dá alguém para ser oprimido ou para oprimir, não recebe Adão um instrumento de dominação, mas alguém tirado de seu lado, de sua natureza: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem” (Gn 2,23).


O livro das origens nos ensina que a vocação do homem não é a solidão, mas o amor. É na relação com o outro, na alteridade, ou seja, no confronto com o diferente, que se descobre a si mesmo e se encontra a realização. Isto acontece de um modo especial na relação entre homem e mulher, quando os opostos se confrontam e se unem.


Porém, viver um ao lado do outro não é ainda garantia de partilha, de construção mútua.  Casais podem dormir na mesma cama e não formarem uma comunhão. Também podemos estar cercados de uma multidão e mesmo assim nos sentirmos sozinhos. A solidão só é oportunidade de crescimento, de dar e de oferecer algo.
O amor exige respeito, sabedoria, ternura, empenho. Não somente na relação homem e mulher, mas todas as relações humanas devem ser regidas pelo princípio da relação de alteridade respeitosa, que é fruto do amor.



Jesus é o maior modelo deste amor que está totalmente longe da opressão. Isto porque sua encarnação é o maior gesto que desfigura o poder, colocando no seu lugar a manifestação de um amor que é capaz de se rebaixar, humilhar-se, derramar-se. Na carta aos Hebreus vemos Kenosis (= rebaixamento) de Deus, que mesmo divino, submete-se a ser menor os anjos e a sofrer na cruz. Por que Deus não se manifestou como um poderoso rei? Poderia ser Ele um grande general, um grande homem da corte, um homem de posses. Mas não quis. Se quisesse visibilidade explícita, deveria ter se encarnado no século XXI e ser filho de um dono de emissora de TV e não filho de um carpinteiro nos subúrbios da Palestina do século I.  A revelação de Deus em Jesus Cristo nos desconcerta. Parece que o ser humano está distante de seu exemplo, pois de modo geral o poder e o prestígio nos dominam e pervertem as relações familiares, comunitárias, trabalhistas.


A criança é o modelo da dependência do Pai, do despojamento frente à autossuficiência. Não busquemos modelos de autossuficiência em pessoas cheias de vaidade, mas na singeleza das crianças, que são pequenas, ternas, dependentes e transparente.


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba- PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A QUEM IREMOS?


                   HOMILIA DO 21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

Quando Josué reuniu as  tribos de Israel em Siquém e chamou os líderes para se apresentarem diante de Deus (primeira leitura), o juiz fez um resgate  dos momentos em que Deus operou com sua mão forte na história de seu povo.  Foi o Senhor que escolheu Abraão, acompanhou a vida dos patriarcas, libertou o povo da escravidão, deu sua lei, levou os seus filhos para a Terra Prometida e a deu por herança. Diante de sua história de fidelidade da parte de Deus, Josué apela para uma escolha decisiva: “Escolhei a quem desejas servir!” (Js 24,15).


A vida de todos nós, é uma história humana-divina. Aos olhos da fé, cada momento de nossa existência não é um mero acaso ou fruto apenas de escolhas humanas. À luz do mistério de Deus, a história é permeada da providência divina; não se trata de um providencialismo, como se Deus fizesse intervenções em tudo, guiando cada passo da história, mas Deus age respeitando a liberdade humana e os limites deste mundo que passa. Como Josué, também cada um de nós pode olhar para a história pessoal e perceber os sinais de Deus, enxergando como Deus continua agindo nos laços que vão constituindo o tecido de nossa vida.


Mas não basta perceber os sinais de Deus e nossa história. O olhar de fé para a nossa vida é uma antessala do cômodo principal – a nossa decisão radical pelo Senhor. Hoje, as leituras nos colocam diante desta decisão: escolher a Deus ou voltar atrás; abraçar as consequências do discipulado ou ficar no meio do caminho.
Jesus, no Evangelho, pediu esta decisão aos seus interlocutores. Alguns murmuraram e consideraram duras as palavras de Jesus. Não parecia fácil aceitar que Ele era o Pão descido do Céu, aceitar sua Palavra, seu seguimento. O convite de Jesus é para uma mudança de valores, mudança de posturas; convida-nos a abandonar aquilo que atrapalha, seja no nível espiritual ou material, e segui-Lo. Também nós como o povo em Siquém e como os ouvintes de Jesus, devemos dar uma resposta, pois não é possível ficar em cima do muro. Seremos capazes Seremos capazes de abandonar os ídolos e as ideias que se configuram como falsas. Seguranças?


Deus respeita nossa liberdade. Ao perceber o abandono dos ouvintes, Jesus se dirige aos apóstolos e lhes pergunta: “E vos quereis ir embora?” (Jo 6, 67). Pareceria mais natural que Jesus amenizasse o discurso e pedisse para  que eles permanecessem. Mas bem diferente dos nossos esquemas, Jesus pede uma decisão firme, não importando com a  quantidade de sus plateia.    


A quem nós iremos seguir? Os esquemas deste mundo dirigem-se para  a falsidade, para a corrupção, para a busca egoísta. Escolher a Deus significa fazer uma decisão exigente pelo caminho da doação e da  fraternidade. O Pão da Vida, oferecido por Jesus, é mais do que um encontro intimista com Deus. Trata-se de uma acolhida da vida como dom e, consequentemente, abraçar a doação e a partilha a si mesmo e nos convida a comer do Pão nos quer no mesmo caminho. A vida que não se esgota em si mesma, mas a vida como um sair de si e se realizar na abertura ao próximo, à comunidade, à sociedade. Aqui está a proposta do Senhor: a quem iremos servir?

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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sábado, 11 de agosto de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS - O PÃO DA VIDA


                         HOMILIA DO 19°  DOMINGO DO TEMPO COMUM

A primeira leitura do livro dos Reis nos traz uma parte da história de Elias. Avida deste profeta é muito interessante e cheia de lições. Sua ida para o monte Horebe tem dois significados. Primeiramente é uma fuga, pois a rainha Jesabel queria matá-lo depois do episódio com os profetas de Baal; mas o êxodo para o Herobe também representa uma busca espiritual: Elias procura o seu encontro com o Senhor no mesmo local em que Moisés havia tido sua experiência transcendente.


Lembremos que Elias estava no fundo do poço. Em nome da verdade, enfrentou o rei Acab e sua esposa, condenou a idolatria e os pecados do reino. Em troca ganhou a perseguição e a ausência de sua terra. No texto deste domingo, o profeta encontra-se em fuga, perdido, sozinho e sem saber o que fazer. No meio do seu caminho de desterro no deserto, Elias quase sucumbiu. Pediu que Deus lhe tirasse a vida. É interessante perceber que um dos grandes profetas da Bíblia e, portanto, um homem santo, chegou a um momento de dor, de desespero e reclamou para Deus, pedindo o fim da sua vida.  A vida dos santos não pode ser idealizada, pois não é uma ausência de sentimentos. O mais importante, porém, é que no meio do caminho, Deus não o abandonou. O Senhor veio até o profeta por um anjo que ofereceu o pão e disse: “Levanta-te e come, tens ainda um longo caminho a percorrer” (1Rs 19, 7).


Alguns momentos de nossa vida se assemelham a esta experiência de Elias. Nossa vida carrega momentos de dor, de vazio, de angustia. Existem momentos em que não vemos mais sentido em continuar, então fugimos ou buscamos o encontro desesperado com Deus. Também o nosso grito de desabafo exagerado nem sempre é inadequado, pois Deus está disposto a escutar o nosso lamento. Tempos de êxodo e vazio são oportunidades para ouvir a voz do Senhor que nos alimenta. Ele não nos dá uma comida mágica que resolve a dor, mas um alimento que procura nos saciar verdadeiramente, um alimento que nos fortalece para continuarmos caminhando – o pão da sua Palavra e da Eucaristia. Deus não nos quer prostrados na estrada, sem reação; Por isso, Ele nos diz: “Coragem levanta-te, come, pois tens um longo caminho a percorrer” (Rs 19,17). Deus nos quer caminhando, como peregrinos; sustenta-nos parta seguir adiante.


Para percorrer a estrada devemos reconhecer Jesus como o Messias, deixando de lado nossas resistências. No Evangelho, o os judeus que ouviram o discurso do Pão da Vida, murmuraram e não aceitaram que um pobre filho de carpinteiro pudesse descer do céu. Negaram, portanto, a humanidade de Deus em Cristo Jesus. Os interlocutores se consideravam sábios na procura de Deus, mas não puderam contemplar o modo simples e concreto de Deus se rebaixar a vir até nós com seus gestos e palavras simples e tão humanas: sua ternura, seu perdão, sua pobreza, sua acolhida, sua vida. Hoje podemos tomar muitas atitudes diante do Senhor: a indiferença, a recua, a murmuração, a adesão hipócrita, a aceitação de ideias superficiais sobre a religião, ou decisão firme de seguir o seu caminho. Também nós, como judeus, somos livres em nossas escolhas.


Jesus também nos ensina que não podemos confiar apenas em nossas forças: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não atrair” (Jo 6,44). Não significa uma escolha de vida arbitrária, pois Deus não exclui ninguém. O que está em jogo é a necessidade de nossa abertura para o Pai, o abandono da autossuficiência. Sem a graça, sem reconhecer o primado do Senhor em nossas vidas, o caminho não será apenas difícil, como também sem sentido. O caminho não está pronto, mas se faz caminhando: “Caminhante não existe caminho, faz-se o caminho ao andar” (Anibal Machado). Estamos dispostos a partir quais peregrinos?


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS, O PÃO DESCIDO DO CÉU


                    HOMILIA DO 18° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

O povo que havia presenciado a multiplicação dos pães foi atrás de Jesus. O que buscavam? Jesus interpreta o desejo que estava em seus corações: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes os sinais, mas porque comestes o pão e ficastes satisfeitos” (Jo 6, 26). A busca religiosa pode não ser autêntica. A autenticidade depende de um critério: buscamos o prodígio ou o sinal? Ir em direção do prodígio é o interesse pelo vislumbre da religião e pela saciês imediata operada de modo mágico, provedora de comida, saúde e bem-estar. Não devemos buscar os milagres de Deus, mas o Deus dos milagres.


Para que Jesus nos dê o verdadeiro pão, precisamos passar do desejo do pão terreno, para o desejo do Pão do Céu, o Pão da Vida. A fé nasce do reconhecimento como sinal – este indica algo mais profundo, que vai além, da fome material. Aponta para uma vida nova, que nasce da fé no doador dos dons que é o Senhor. Jesus procura nos mostrar que existe uma realidade mais sublime que pode ficar escondida, justificando o famoso dito: “Enquanto o sábio indica as estrelas, o tolo olha o dedo”. Porém, cuidemos para que uma interpretação superficial não tome conta da nossa mente. Desejar o Pão do Céu não significa a busca de doutrinas sublimes, do brilho glorioso, da divagação sobre as coisas da vida após a morte. Ou seja, buscar o Pão do Céu não é um alienação em detrimento do pão que sacia a fome material. Pelo contrário, alimentar-se com o Pão do Céu e crer que Jesus transforma a nossa vida aqui e agora.


Corre-se um risco de um apego ao passado. Não é fácil mudar a mentalidade, mudar de residência, rumar novos horizontes. O povo de Israel reclamou porque perderam as seguranças do Egito e não tinham o que comer. O povo do Evangelho pediu um sinal e preferiu o Jesus da Multiplicação, àquele que fazia um discurso um tanto mais exigente.


É preciso realizar um êxodo, uma saída, um deslocamento. O povo de Israel saiu do Egito e foi para o lago. São Paulo no fala na segunda leitura de outro tipo de deslocamento: deixar a antiga humanidade, renovando o espírito e a mentalidade. Esta humanidade recriada leva à procura à verdadeira imagem de Deus. Lembremos que Deus mesmo nos moldou e nos deu o seu espírito. Esta argila continua sendo modelada, mostrando ser verdadeira imagem de quem a esculpiu? O que precisa ser feito desta argila, animada agora com o espírito novo do Senhor? Que nova mentalidade devemos ter diante da vida?


“Senhor, dai-nos sempre deste pão” (Jo 6,34). O povo não entendia o que estava pedindo; pedia comida material, como a samaritana pediu a água do poço. O Senhor, porém, oferece o verdadeiro pão: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (Jo 6,35). Hoje, na mesa da Eucaristia nós podemos comer do Pão da Vida: Pão que não nos deixa sentir fome, que preenche a fome de Deus, a fome de sentido, a fome do coração.


Pe Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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sexta-feira, 20 de julho de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A IMPORTÂNCIA DO RECOLHIMENTO


                  HOMILIA DO 16° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

“Vindes sozinhos para descansar um pouco.” (Mc 6,31). Jesus e seus discípulos têm uma vida agitada e precisam de momentos de afastamento, de solidão.


Jesus convida seus discípulos para relatarem a sua missão (cf. Mc 6,30). A primeira lição de Jesus, portanto, é a importância da avaliação. Quando paramos como grupo, comunidade ou individualmente, podemos enxergar de um modo mais ponderado como está a nossa missão de cristãos, discípulos missionários. Quando realizada com os irmãos, esta avaliação ganha força, pois a comunidade é sempre um critério para que encontremos o melhor caminho.


Em um segundo momento, Jesus nos ensina a importância do recolhimento. O mundo moderno é o mundo da agitação, da vida ocupada. Facilmente vivemos em função do nosso trabalho, de nossas obrigações. É geralmente uma corrida que ofusca o verdadeiro tesouro da vida e, não raras vezes, é uma busca pelo ter, pelo sucesso profissional, pelo dinheiro. Nossa corrida nem sempre é missionária, e mesmo a fadiga missionária, não dispensa o descanso merecido.


Como está o nosso descanso? O nosso lazer? Como aproveitamos o nosso tempo livre? O descanso tem uma dimensão espiritual: Jesus se retirava para rezar, para se encontrar com o Pai e não perder o foco da missão. Esta lição foi ensinada na prática aos discípulos. Reservar tempo para o Senhor nasce de Um hábito; é preciso estar alerta, pois facilmente esse tempo fica em segundo plano.


A Igreja nos convida a valorizar o domingo como dia de descanso, de encontro familiar, de reunião comunitária, de celebração da Páscoa do Senhor: “Entende-se, assim, a grande importância do preceito dominical de ‘viver segundo o domingo’, com uma necessidade interior do cristão, da família cristã, da comunidade paroquial. Sem uma participação ativa na Celebração Eucarística dominical e nas festas de preceito não existirá um discípulo missionário maduro. Cada grande reforma na Igreja está vinculada ao redescobrimento da fé na Eucaristia. Por causa disso, é importante promover a ‘pastoral do domingo’ e dar a ela ‘prioridade nos programas pastorais’ para um novo impulso na evangelização do povo de Deus no continente latino-americano”.


 Jesus é o Bom Pastor, o verdadeiro Pastor prometido no Antigo Testamento (Jr 23, 5-6). As ovelhas vão atrás de Jesus, pois precisam de uma palavra, de um alento, da água viva que só Ele oferece. Hoje, do mesmo modo, o mundo é um rebanho sedento, deseja uma vida de sentido, mas nem sempre encontra a Palavra do Pastor. Existe uma multidão correndo atrás de Jesus, e talvez nem saiba disso. Somos também essas ovelhas perdidas? Somos pastores que podem apontar o verdadeiro Pastor? Todos nós somos ovelhas e pastores ao mesmo tempo.


A Santa Missa é uma ocasião para escutar os ensinamentos de Jesus (cf. Mc 6, 34b), de contar que estamos fazendo (cf. 6,30). Na Eucaristia nos encontramos com Aquele que nos alimenta com o pão, que prepara a mesa, que faz o nosso cálice transbordar (cf. Sl 22). A Eucaristia é o alimento das ovelhas; é o nosso encontro pessoal com o verdadeiro Pastor.


Pe Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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