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quarta-feira, 26 de junho de 2019

A LEITURA ORANTE DA BÍBLIA

Na Conferência de Aparecida, os bispos da América Latina e do Caribe recomendaram o método da Lectio Divina, ou a Leitura Orante da Bíblia. Em outubro de 2008, o Sínodo dos Bispos, realizado em Roma, mais uma vez chamou a atenção para a importância desse método e o bem que esse tipo de leitura bíblica faz ao povo de Deus e à Igreja.
Mas o que é a Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia
Esse método, ou jeito de ler a Bíblia, pode ser feito de forma individual ou em grupos, é muito antigo e muito utilizado na Igreja. Parte-se do princípio de que a Bíblia não é um escrito qualquer. A Palavra revelada nas Sagradas Escrituras é uma mensagem que nos foi transmitida por Deus. A Bíblia é como se fosse uma carta de amor que o nosso Bom Deus quis transmitir ao Seu povo amado.
Porém, Deus, para transmitir essa mensagem utilizou-Se de pessoas, comunidades, e estas viviam dentro dos limites e da cultura de uma determinada época. As pessoas e comunidades que acolheram e viveram essa mensagem de Deus eram pessoas como nós: tinham seu trabalho, suas famílias, seus problemas também. Mas eram pessoas que se abriram para ouvir e escutar a voz de Deus. Ou seja, eram pessoas que tinham uma espiritualidade, uma relação amorosa com seu Deus. Faziam e viviam isso por meio da sua oração, isto é, sua ligação afetiva com Deus.
Ler e escutar a mensagem de Deus na Bíblia continuou sendo um ato de fé, uma necessidade para continuar vivendo e fazendo história do povo de Deus. Porém, a história foi mudando, a cultura mudou, os valores foram mudando também. E a Palavra de Deus escrita continuou com o mesmo texto, mas para que ela continuasse sendo “viva e eficaz” (Hb 4,12) e Palavra que “permanece para sempre” (1Pd 1,25) era preciso ler e escutar a Palavra de Deus com os mesmos olhos e sentimentos daquelas pessoas que haviam vivido e acolhido a Bíblia, para que a mensagem de Deus continuasse a produzir vida e esperança no meio do povo e da Igreja.
A Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia é um jeito de ler a Bíblia com espiritualidade, colocando-se diante do Senhor com os mesmos sentimentos daquelas pessoas e comunidades que um dia acolheram a Palavra. Diante das Sagradas Escrituras todos nós somos discípulos e discípulas. A primeira missão do discípulo é escutar (Is 50,4), é “estar com o Senhor” (Mc 3,14) para ouvir o que Ele quer nos falar e ensinar. Quem escuta a voz do Senhor sabe também acolher, contemplar, meditar, refletir, interiorizar a mensagem recebida. E então fazer essa Palavra transformar-se em vida prática, colocando-se a serviço de Deus, da Sua Igreja e dos irmãos.
É importante ver o que nos dizem os bispos: “Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos estamos convidados: a Lectio Divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura. Esta leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo. Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho: Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,1-21), a Samaritana e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-12), o cego de nascimento e seu desejo de luz interior (cf. Jo 9), Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)… Todos eles, graças a este encontro, foram iluminados e recriados porque se abriram à experiência da misericórdia do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram seu coração para algo do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na ‘maturidade conforme a sua plenitude’ (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso com a sociedade” (Documento de Aparecida n° 249).
Os passos para praticar a Leitura Orante da Bíblia
É certo que existem muitas maneiras de ler e rezar a Bíblia e acolher a Palavra de Deus em nossa vida. É como a receita de bolo de cenoura, cada cozinheira tem uma, mas os modos de fazer o bolo e o resultado final são sempre bastante parecidos.
Vou indicar a seguir os quatro passos, que são sugeridos para fazer uma boa leitura da Bíblia:
1° passo: Leitura: ler, ler, ler…
– Leitura lenta e atenta da Palavra de Deus.
– Escute e conheça bem o que diz o texto.

2° passo: Meditação: ruminar, mastigar, guardar na memória.
– Meditar é guardar no coração e deixar-se amar.
– O que o texto me diz? Atualize para hoje.

3° passo: Oração: louvar, agradecer, pedir.
– O que o texto me leva a dizer a Deus? Converse com Ele.
– Responda aos apelos de Deus.

4° passo: Contemplação para ação: viver, agir.
– Veja a realidade com os olhos de Deus.
– Mergulhe no mistério de Deus. Saboreie-O.

A leitura da Bíblia é como uma caminhada. É caminhando que se aprende a caminhar e a seguir em frente. Por isso, seguindo os passos acima, a Bíblia começa a entrar em nós. Nós escutamos o Senhor que nos fala, que também caminha conosco e vem ao nosso encontro.
Um fator importante na leitura bíblica é a escolha do texto certo. Como diz uma canção do Pe. Zezinho, “Dai-me a Palavra certa, na hora certa, do jeito certo e pra pessoa certa”. Para saber escolher o texto certo é necessário certo aprendizado, descobrir quais os textos que nós mais gostamos na Bíblia, anotar nela ou ter uma pequena lista com os textos mais bonitos para cada situação da vida. Não é a quantidade de textos lidos que é importante. Nem precisa ler toda a Bíblia do começo ao fim. Basta ler e escolher os textos que mais nos falam, que são mais atuais para a realidade que estamos vivendo.
A seguir apresento alguns pontos que também ajudam a fazer uma boa leitura orante, pessoal e diária da Bíblia:
  1. Iniciar invocando a luz e a presença do Espírito Santo.
  2. Leitura lenta e atenta do texto.
  3. Momento de silêncio interior para lembrar o que foi lido.
  4. Ver bem o sentido de cada frase.
  5. Atualizar e ruminar a Palavra, ligando-a com a vida.
  6. Ampliar a visão, ligando o texto com outras passagens bíblicas.
  7. Ler de novo, rezando o texto e respondendo a Deus.
  8. Formular um compromisso de vida.
  9. Rezar um Salmo apropriado.
  10. Escolher uma frase como resumo para memorizar.
São sugestões que nos foram transmitidas por pessoas que já fizeram a experiência, que descobriram que a Palavra de Deus é “viva e eficaz” (Hb 4,12) e que “saborearam a beleza da Palavra de Deus” (Hb 6,5). O importante é lermos e acolhermos a Palavra de Deus em nossa vida e que esta palavra produza frutos bons em nós!
Agir como discípulos da Palavra de Deus
Já apresentamos a Leitura Orante da Bíblia e os passos que devem ser seguidos para fazer uma boa Leitura da Palavra de Deus. Agora vamos concluir o assunto, refletindo sobre esse modo de ler a Bíblia.
É certo que somos chamados a ler a Palavra de Deus. Mas não é qualquer leitura. Dois tipos de leituras bíblicas são considerados perigosos. O primeiro perigo é a leitura “ao pé da letra” dos textos bíblicos. Ler a Bíblia e aceitar tudo que foi escrito sem entender o contexto do texto, sem conhecer a cultura da época, sem atualizar para hoje. É o método fundamentalista e que é condenado pela Igreja, pois “é o suicídio do pensamento”.
Outro jeito errado é o estudo da Bíblia como outro livro qualquer, escrito dois mil anos atrás. Ler a Bíblia somente com critérios científicos, sem levar em conta a fé e a espiritualidade, é trair a mensagem revelada no texto. Com isso os textos bíblicos perdem a “sua alma”, isto é, a beleza da mensagem que carregam dentro de si.
A Leitura Orante da Bíblia é um método alternativo e que evita os dois erros acima. Lê-la de forma orante é um ato de “escuta” próprio do discípulo que quer ser seguidor do Mestre. Isso já nos vem da tradição do povo de Deus no Antigo Testamento, em que o judeu praticante recita seu credo de cada dia: “Escuta Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um!” (Dt 6,4). É um imperativo, um convite amoroso: “Escuta meu povo!”. Portanto, se somos chamados a escutar é também porque existe alguém que vai falar. É nosso Deus que tem algo importante para nos dizer. Ele tem uma mensagem para nos transmitir. E nós devemos escutar como fez o jovem Samuel: “Fala, Senhor, que o Teu servo escuta!” (1Sm 3,10).
No entanto, não é uma escuta passiva. Não somos somente nós que devemos escutar. Depois que o Senhor fala e nós ouvimos, somos também convidados a responder. Nós também podemos falar e então é Deus que “escuta”. Ele quer ouvir o que nós temos a dizer, o que nós sentimos… O Senhor abre também Seus ouvidos para nossos pedidos, para ouvir nossos clamores, para escutar nossos louvores. É uma sintonia perfeita. Ele nos fala e nós ouvimos. Nós falamos e Ele escuta.
Nesse sentido, Jesus é o Mestre que nos ensina a acolher a Palavra de Deus. Jesus também escutava as Palavras escritas no Antigo Testamento. É só ver como Jesus cita os textos bíblicos, sobretudo dos Salmos e dos Profetas. Ao mesmo tempo Jesus é aquele que dirige palavras ao Pai. Quantas vezes encontramos Jesus subindo as montanhas ou indo ao deserto para se comunicar com o Pai. Jesus reza, pede, louva, agradece, implora… Jesus escuta o que o Pai tem a Lhe dizer. Depois Jesus Se volta ao Pai e Lhe dirige Suas preces e Seus louvores.
Quando nós escutamos a Palavra de Deus a mensagem que ouvimos não desaparece no momento em que fechamos o texto. A Palavra permanece dentro de nós, como dizia o profeta Jeremias: “Quando se apresentavam as Tuas palavras, eu as devorava: Tuas palavras eram para mim contentamento e alegria do meu coração” (Jr 15,16).
A escuta da Palavra de Deus nos leva também a assumir um compromisso com a realidade. Foi isso que fez Moisés quando ouviu o chamado do Senhor e se colocou a serviço para a libertação do povo de Deus, que era escravo no Egito. Assim agiram os Profetas que foram chamados, escutaram o convite do Senhor, denunciaram as injustiças e anunciaram a mensagem de Deus. Temos tantos outros exemplos na Bíblia, sem nos esquecermos de Maria, a mãe de Jesus. Quando ela escutou a palavra vinda de Deus, por meio do Anjo Gabriel, ela humildemente se colocou a serviço respondendo: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38).
Frei Ildo Perondi

sábado, 8 de junho de 2019

ROTEIRO DE LEITURA ORANTE – PENTECOSTES



Leitura Orante de João 20, 19-23 - Pentecostes

Celebramos nesta Leitura Orante o dom prometido do Espírito Santo. Vamos compreender o que a palavra diz e depois orar com a palavra ou deixar que a palavra ore em nós. Pentecostes era uma antiga festa do judaísmo, era a festa das colheitas e os cristãos dos primeiros tempos adotaram parte do calendário antigo do judaísmo e inseriram nesta calendarização algumas festas como próprias do cristianismo. O Pentecostes é uma delas. O texto é João 20, 19-23.

Pacificação interior:

Para melhor entender e absorver a palavra como “oração” é necessário que nos pacifiquemos. Que deixemos a distração, os devaneios, as lembranças de compromissos ou de problemas, de atividades esquecidas que afloram ao nosso pensamento - justamente agora que estamos orando – que fiquem lá fora. Pacificarmo-nos interiormente. Fechando os olhos, buscando uma posição que favoreça o nosso recolhimento, vamos nos por confortáveis, vamos nos entregar a este momento. Lentamente vamos a uma primeira respiração, façamos o mesmo uma 2ª vez. Parece um exercício banal, ordinário, de pouca significação, de todos os dias até. Mas, fazendo com lentidão e com concentração, predispõe-nos à oração. Agora, tente imaginar os seus pulmões a encher-se de ar, o sangue a circular pelas artérias, pelas veias. Tente imaginar seu cérebro em intensas atuações de recordação, de ordens ao coração para bater, aos pulmões para respirar, ele está sempre ativo, mas, agora estará pensando só em Deus.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito... (6X)


Num segundo momento peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a compreender as palavras que vão inspirar nossa oração:

Vinde Espírito Santo....


♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito... (3X)

1º PASSO – LEITURA

Evangelho de Jesus Cristo segundo João:

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio'. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'”. 

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

2ª leitura: Silenciosa, cada um com a sua bíblia em mãos, leia novamente, fixando-se nos trechos mais importantes. Saboreando as palavras... concentrando-se no significado de cada palavra, de cada frase...

2º PASSO - MEDITANDO

Era o anoitecer do primeiro dia da semana. De qual semana? A tarde de qual dia?
Alguns versículos antes, Maria Madalena fora no “primeiro dia da semana”, até o sepulcro para ungir o corpo do amigo Jesus, pois não fora possível fazer isso na sexta, chegara o sábado e nada pode ser feito. Ela foi logo cedo no primeiro dia da semana, a pedra fora removida. Os discípulos foram até lá e viram que o corpo não estava lá. Qual era mesmo o dia? Era o primeiro dia da semana: Era o dia da ressurreição!

E estavam fechados numa sala. Talvez o cenáculo, onde estavam os discípulos, por medo dos judeus. Não é que os judeus perseguiam e ameaçavam os cristãos. Não, não era isso. “Judeus”, no evangelho de João, era uma menção àqueles que não quiseram crer. Então o temor e o medo que eles tinham era de falar de Jesus, o temor de recordar as promessas da ressurreição. Estavam atemorizados, sem forças e motivação para testemunhar quem era Ele. E o Mestre tinha morrido, fora uma decepção e estavam mergulhados em dúvidas e interrogativas. Era esse o medo, não eram as ameaças vindas de fora, o medo vinha de dentro. Fecharam as portas, mas, era de dentro deles que vinha o temor.

Pois bem, Jesus veio e pondo-se no meio deles disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Jesus veio, pôs-se, disse... Três verbos: vir é uma ressonância antecipada daquilo que se espera, daquilo que os discípulos creram desde o início, que um dia o Senhor virá, voltará. “Pôs-se em meio a eles”: porque este detalhe espacial no meio? Porque para comunidade encontrar o ressuscitado é preciso a vida comunitária, a partilha da fé. Só é possível reconhecê-lo e percebê-lo lá onde a fé é partilhada e a esperança compartilhada, lá o senhor se deixa vir.  E o senhor se colocou em meio deles e disse:  A paz esteja convosco”. “Paz” era a maneira comum, ordinária de saudar as pessoas.

Nós dizemos “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”.  Naquela época se dizia “Paz”, Shalom.  Precisamos mergulhar no sentido dessas saudações. Naquela época saudar com um “bom dia”, não era uma saudação fugaz, de momento, como se fosse uma mera cortesia. Quem dizia um bom dia, comprometia-se a fazer bom o dia da pessoa que encontrava. O mesmo aqui com “a paz”: o Senhor vem trazer a paz e oferecer a sua vida de ressuscitado para que eles experimentem a paz. Que não é a tranquilidade, que não é a ausência de problemas ou divergências, não! Mas, é a segurança e a convicção de que a vitória do senhor Deus está assegurada pela ressurreição. Então, por mais que os discípulos se deparem com desafios de toda ordem, o ressuscitado se faz próximo para que, com sua vitória, os discípulos experimentem a sua alegria. De fato, eles se alegraram, ficaram cheios de alegria por vê-lo.

“Como o Pai me enviou eu também vos envio”. Interessante este versículo: “Como o Pai me enviou eu também vos envio”.  Não é que um passa para o outro a missão, longe disso! Mas, se o Pai enviou seu filho Jesus para salvar o mundo, os discípulos são enviados por Ele, pelo Salvador, para que ofereçam a salvação que ele, Filho, assegurou a humanidade. A missão dos discípulos se fundamenta na missão do Filho: o Pai envia e o filho leva à salvação, é Ele, o Salvador, os discípulos têm então essa corresponsabilidade.  Não são salvadores, mas levam à vida, à humanidade, a voz do Salvador.

“E o Senhor soprou sobre eles”. Muito importante para o dia de Pentecostes é o sopro é a vida, a experiência do homem bíblico era muito singela: se eu não respiro, se fico sem ar eu morro. Então a vida que ele soprou sobre eles, os discípulos, é a vida do ressuscitado.
Mostrou-lhes as mãos e o lado”, não para mostrar feridas ou cicatrizes da crucificação... o lado aberto pela lança do soldado, não é para mostrar cicatrizes curadas e feridas abertas, Ele queria que os discípulos entendessem que só é possível encontrar-se com o ressuscitado, se seguir o caminho da cruz. Não é possível o encontro com o ressuscitado recusando o caminho e o seguimento da cruz.

É este o sentido do que celebramos no Pentecostes. O sopro do Espírito sobre eles é a vida do ressuscitado que Ele comunica aos discípulos. E este sopro faz com que os discípulos se tornem ricos e impregnados da vida do ressuscitado. O sopro sai do mais profundo do corpo. Recorda o Antigo Testamento, em Gênesis, que o Senhor soprou nas narinas do primeiro homem e ele se tornou um ser vivente. Também em Ezequiel 37, num campo cheio de ossos ressequidos, imagem de Israel que experimentara a morte, o profeta deu um sopro - o sopro do profeta e não de Deus – e fez com que todos aqueles ossos se tornassem vida, o povo voltou a vida. Agora, aqui, é o sopro de Jesus filho, sobre os discípulos para que enviados, levem a vida do ressuscitado aonde forem, a quem encontrarem. Era a promessa do Espírito Santo e onde o ele é levado, o perdão se torna a experiência mais imediata: a quem perdoardes, haverá perdão. A quem retiverdes, ou seja, a quem ainda não chegou a crer no Espírito e no Salvador, o perdão chegará quando a fé for uma experiência objetiva e real.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

3º PASSO - ORAÇÃO

Vamos dar outro passo: eu também estou lá, naquela sala... Com meus medos, o mesmo medo dos discípulos de testemunhar Jesus, não era medo dos judeus os perseguirem, não, era medo de testemunhar Jesus que ressuscitara e agora perdoa. Estou lá com eles, eu com meus medos. E Ele me mostra suas mãos, mostra que teve medo, sofreu, suou sangue mas sustentou-se, está a me olhar e me mostrar as mãos, o lado... Eis que meu Espírito lhes é dado... Posso sentir seu sopro em mim, me dizendo: vai, leve a paz, leve o perdão...
E eu qual é a minha palavra, qual a minha resposta?

Oremos juntos: Senhor Jesus, trouxeste-me a paz, mostraste-me suas marcas, mas, conheces meus medos e vergonhas. Até parece que não falo de ti para não parecer beata, carola, como se isso fosse me empobrecer. Senhor tenho medo, sopra sobre mim teu Espírito para que eu me alegre em pronunciar o Teu nome, em apresentar a Tua vitória e levar-te àqueles a quem eu encontrar e deixa-me ajudar-te a perdoar pois precisam da tua paz.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...


4º PASSO – CONTEMPLAÇÃO

Fechando os olhos vamos imaginar as cenas que o texto nos propõe.
Uma tarde, o sol que se põe, alguma nuvem com o brilho dos últimos raios de sol, um céu avermelhado, os discípulos reunidos. Estão fechados numa casa, temem, duvidam, debatem, lamentam-se e tudo parece ter se perdido. Uma semana antes o senhor era vitorioso, triunfal, fora recebido na casa de Lázaro, aquele que Ele fizera sair do túmulo.... Sim, mas agora, fora o senhor ao túmulo e a sensação era de derrota, lá estão eles a falar, gesticular, olham pela janela, irritam-se alguns talvez.

E o senhor se faz vier. Ninguém sabe por onde entrou, pela porta, pela janela? Estes limites o Senhor não tem mais. E se põe no meio deles, olha, saúda.... Tente imaginar a euforia daqueles que o veem.... É verdade ou é um sonho? Ou é a mente desvairada deles ou alucinações febris. O senhor lhes mostra a mão, lá estão marcas dos pregos, mostra o lado, lá está o sinal da lança, mas, está vivo e lhes fala. Tente imaginar a atenção daqueles, os olhos arregalados.

“E a paz esteja convosco”. Ouça esta frase com eles.  Tente ouvir isso... O senhor está dizendo a você e a eles, repete a mesma frase: “A paz...”. Agora ele se aproxima de Pedro, um sopro suave, João, outro sopro... imagine João, Tiago, André, Felipe... eles todos. O senhor sopra sobre um por um e em cada um deles. Receba o Espírito Santo, aquele sopro é como se o mundo fora recriado. Outrora Deus soprara em Adão e se ele se tornara um ser vivo. Agora aqueles... recebei o Espírito Santo e a quem perdoardes, haverá perdão. Aqueles onze, pois Judas não está lá, entreolham-se... Perdão... a quem perdoares, haverá perdão. Sim, perdão! Ainda não conseguem crer, vivem a perplexidade. Será que é Ele? Novamente: a quem perdoardes...  Eles olham para o senhor maravilhados, por tê-lo encontrado e entreolham-se pela magnitude da missão que lhes foi incumbida. Pelo Espírito Santo, este foi um sopro de vida recebido do ressuscitado para levar o perdão. É o mesmo sopro que sinto em meu rosto agora: O sopro do Espírito que me faz discípulo também.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

 Pai Nosso que estais no céu...


* Inspirada na Leitura Orante feita por D. Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba – Em 04 junho de 2017.


Este e outros roteiros, encontram-se em nossa apostila: "Roteiros de Leitura Orante para a Catequese": Discípulos de Emaus, Samaritana no poço, Atos dos Apóstolos, Jesus: caminho, verdade e vida...

O material está em formato de "apostila", em arquivo PDF e pode ser disponibilizado no e-mail de vocês por R$ 10,00, depositado em conta:

CAIXA ECONÔMICA - AG. 3635
CTA POUPANÇA: 013.00000230-8
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É só depositar e me avisar pelo e-mail angprr@gmail.com!

E você ainda pode ESCOLHER uma leitura bíblica (dos Evangelhos), que recebe de presente um roteiro feito especialmente pra você!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA: ORIENTAÇÕES


Um excelente material sobre Leitura Orante para passar aos catequistas:


I. A IGREJA RECOMENDA A LEITURA ORANTE DA BÍBLIA

“Fala Senhor, que teu servo escuta”. (1Sm 3,10)

O Concílio Vaticano II recomenda, com grande insistência, a leitura Orante da Bíblia, que pela piedosa leitura, quer por cursos apropriados (DV 25). O Documento de Aparecida (247;249) e as Diretrizes Gerais da CNBB (2015-2019 nº 98) destacam a Leitura Orante com os seus quatro passos: Leitura, Meditação, Oração e Contemplação., como um meio privilegiado de encontro pessoa com jesus Cristo. Os documentos ainda incentivam a prática dos Grupos Bíblico de reflexão, dos Círculos Bíblicos e das reuniões de grupos.  A Pontifícia Comissão Bíblica ensina que “a Leitura Orante (...), corresponde a uma prática antiga da Igreja” (A Interpretação da Bíblia na Igreja, p. 81). E por fim, ensina o Sínodo da Palavra de 2008, que p “método mais prático de acesso |à Bíblia é a Leitura Orante” (Lectio Divina).


“Maria meditava em seu coração”. (Lc 2, 19.51)


II. PREPARAÇÃO PARA A PRÁTICA DA LEITURA ORANTE

- Escolher um texto com antecedência.
- Pode ser a Palavra da Liturgia do dia; ter hora e lugar marcados.
- Ser fiel ao plano proposto; tomar posição tranquila e agradável.
- Cuidar da boa posição do corpo; fazer um pequeno relax, acalmar-se.
- Construir o seu santuário interior; estar na presença de deus e viver em comunhão fraterna para poder silenciar e escutar; ter paz interior; colocar-se na presença de Deus com fé.
- Desejar rezar; invocar as luzes do Espírito Santo; ter paciência, não desistir; perseverar; abrir o texto e realizar os quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação.

“O Senhor deu-me um ouvido de discípulo”. (Is 50,4)

III. QUATRO EXIGÊNCIAS PARA A LEITURA ORANTE

1. Ler o texto na unidade da Bíblia: respeitar o princípio da unidade da Escritura, não tirar o texto fora do contexto. Não se pode isolar o texto fora do conjunto da bíblia. Cada texto é um tijolo dentro de uma grande construção. Não “ficar ao pé da letra”, mas, ler e interpretar o texto na vida de hoje. Leitura Orante não é estudar o texto sagrado, mas, sob a luz da Palavra, compreender, iluminar e transformar a realidade, converter-se ao deus Vivo e Verdadeiro e aos irmãos.

2. Ligar o texto com a realidade: com os olhos na vida, nos acontecimentos, na situação concreta. A leitura orante não faz de nós professores da Escritura, mas, transformadores da realidade. Não separar a Leitura Orante dos acontecimentos e dos sinais dos tempos, mas, iluminar a vida com a palavra, eis o objetivo da Leitura Orante.

3. Ler a partir da fé em Jesus Cristo: Tudo na Bíblia converge para Jesus, Ele é a chave da compreensão e interpretação das escrituras. Jesus é a última e definitiva revelação de deus. “Ignorar as Escrituras é ignorar a Jesus Cristo”. A leitura orante é uma escola bíblica para sermos discípulos missionários de Jesus.

4. Ler o texto em comunhão com a Igreja: Com a comunidade de fé. O leitor não é “dono” do texto. A Palavra de Deus foi confiada à Igreja que, por sua vez, é serva da Palavra. A leitura Orante deve ser feita em comunhão com a Tradição, o Ensino e a Fé da Igreja (Magistério). Ler usando os resultados dos estudos bíblicos.

“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”. (Lc 1,38)

IV. OS QUATRO PASSOS DA LEITURA ORANTE

1º Passo – LEITURA:

Ler, ler, ler...
“O que p texto diz em si mesmo? ”

Conhecer, respeitar, situar o texto. Leitura lenta e atenta; reler, repetir, recordar de memória, relembrar em voz alta; ver o que o texto diz; perceber os verbos, as palavras chaves, as ideias centrais; averiguar a geografia, o contexto, as circunstâncias, as passagens do texto, os personagens com suas atitudes, seus gestos; ler com atenção, respeito, amizade, interesse, dedicação, como se faz em um encontro com um amigo; ler não é estudar, discutir, pesquisar, nem aumentar conhecimentos e teorias. É acolher, escutar, interiorizar a Palavra.



2º Passo – MEDITAÇÃO

Ruminar, mastigar, revolver na memória.
“Oque o texto me (nos) diz hoje? ”

Meditar é guardar no coração e deixar-se amar; meditar é aplicar o texto em nossa vida e realidade; ver o que a Palavra diz para mim; procurar atualizar a Palavra hoje; perceber as inspirações, os apelos, os afetos, as revelações, as iluminações do texto lido; interiorizar, internalizar, ingerir a mensagem; acolher outros significados do texto; aplicar na realidade pessoal, comunitária, social; deixar-se afetar pela Palavra; acolher o toque da graça.



3º Passo – ORAÇÃO

Louvar, agradecer, pedir.
“O que o texto me (nos) faz dizer a Deus”?

É o momento da resposta, do diálogo, do encontro mais pessoa, do relacionamento com Deus. É expressar os sentimentos de perdão, louvor, intercessão, súplicas. Abrir o coração, envolver-se na presença de Deus, acolhendo a realidade e os apelos dos irmãos; fazer atos de perdão e reconciliação; rezar salmos, fazer preces, hinos com o texto meditado.




4º Passo – CONTEMPLAÇÃO

Levar para a vida.
“O que o texto me (nos) leva a viver”?

É saborear, degustar, deixar-se envolver pela Palavra. É silenciar, estar quieto, em descanso sob o olhar amoroso de Deus. Sentir-se tocado, envolvido, aceito, amado, acolhido, perdoado, pacificado. Permanecer na presença, em receptividade, nos braços do Pai; dar espaço para Deus, para o irmão e a realidade da vida, afetivamente. Toda contemplação é para ser comunicada e vivida, em vista da transformação pessoal, comunitária e social. A contemplação leva a viver a própria Palavra.



“Buscai na Leitura, encontrareis pela Meditação. Batei a porta da Oração, vós encontrareis na Contemplação. ” (Guido II)

V. LEITURA ORANTE E VIDA DE DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS

A Leitura Orante da Bíblia deve incendiar o coração do orante e motivá-lo para a ação apostólica, para a missão, para a evangelização. A palavra de Deus nos impele à caridade e à ação social: atenção aos pobres, acolhimento das pessoas, perdão às ofensas, partilha do pão, solidariedade. Pela prática da Leitura Orante, todos se colocam à disposição para trabalhar nas pastorais, nas comunidades, no dízimo, na catequese, assumindo grupos de reflexão, a visitação nas casas, etc. Quem medita as Escrituras encontra Cristo, sua Igreja e Seu Reino; cresce na dimensão profética e social da fé, assumindo responsabilidades e trabalhos na comunidade e na sociedade. A leitura orante move o coração e abre os olhos para o irmão, para os necessitados, para a comunidade, para a implantação do Reino de Deus.

Fonte: Secretariado de Pastoral – Arquidiocese de Londrina Pr.