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sábado, 18 de maio de 2024

VEM ESPÍRITO SANTO, VEM!!


ROTEIRO DE ENCONTRO - PENTECOSTES
Catequese de Crisma
(Atos dos Apóstolos 1, 1-11)

AMBIENTAÇÃO: Mesa coberta com toalha vermelha. Círio pascal, pequenas velas (aquelas bem fininhas que não pingam). Uma pomba e as sete labaredas dos dons do espírito. Uma jarra com água. Uma pequena jarrinha com óleo bento (dos catecúmenos ou óleo abençoado pelo padre). Pode ser trazido também um ventilador para mostrar o vento. A bíblia (se for possível num ambão).

Iniciando o encontro: Distribuir as pequenas velas entre os presentes e acender o Círio. Pedir a cada um que, em fila, acendam a vela e retornem aos seu lugares ( A chama também pode ser passada de um para o outro).

- Fazer a leitura do “Texto de apoio”.

- Convidar a todos para fazer a oração do Espírito Santo.

Rezemos juntos:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra! Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre de Sua consolação, por Cristo, Senhor Nosso. Amém!

- Fazer uma pequena introdução falando sobre a ação do Espírito Santo em nossos corações e na responsabilidade que Jesus nos deu de espalhar a sua Luz (palavra) pelo mundo. Em seguida pedir a cada um que espontaneamente ofereça essa luz a alguém que está precisando, uma família ou a alguém doente, etc.

LEITURA: Atos dos apóstolos, 1, 1-11.

Partilha: Refletir sobre o significado das palavras de Jesus:

Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a região da Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.”

Esse poder e essa responsabilidade são dados a cada um dos cristãos. Todos somos enviados a espalhar a palavra pelo mundo. Incentivar os presentes a darem sua contribuição.

DE ONDE VEM O NOME “ESPÍRITO SANTO” (ORIGEM)?

Segundo o CIgC (691 a 693), Espírito Santo, é o nome próprio daquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja recebeu este nome do Senhor e professa-o no Batismo dos seus novos filhos (Mt 28, 19).

O termo “Espírito” traduz o termo hebraico “Ruah” que, na sua primeira acepção, significa sopro, ar, vento. Jesus utiliza precisamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a novidade transcendente d'Aquele que é pessoalmente o Sopro de Deus, o Espírito divino (Jo 3, 5-8). Por outro lado, Espírito e Santo são atributos divinos comuns às três Pessoas divinas. Mas, juntando os dois termos, a Escritura, a Liturgia e a linguagem teológica designam a Pessoa inefável do Espírito Santo. Não se pode confundir com os outros empregos dos termos “espírito” e “santo”.

Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chamou-o de “Paráclito”, que é “aquele que é chamado para junto” (Jo 14, 16. 26; 15, 26; 16, 7). Paráclito traduz-se habitualmente por “Consolador”, sendo Jesus o primeiro consolador (1Jo 2). O próprio Senhor chama ao Espírito Santo o “Espírito da verdade” (Jo 16, 13).

Além do seu nome próprio, que é o mais empregado nos Atos dos Apóstolos e nas epístolas, encontramos em São Paulo as designações: Espírito da promessa (Gl 3, 14; Ef 1,13); espírito de adoção (Rm 8, 15: Gl 4, 6); Espírito de Cristo (Rm 8, 9); Espírito do Senhor (2 Cor 3, 17); Espírito de Deus (Rm 8, 9. 14; 15, 19; 1 Cor 6, 11; 7, 40); em São Pedro, Espírito de glória (1 Pe 4, 14).

Falar sobre os símbolos do Espírito Santo: a água, o fogo, a pomba, o vento e o óleo, ETC. (ANEXO 1).

Observações: Para enriquecer o encontro é necessário que se faça algumas leituras prévias sobre o Pentecostes (a vinda do Espírito Santo em Atos 2, 1-13). Também Recomendo que se leia sobre os símbolos no Catecismo da Igreja católica a partir do item 694.

ENVIO: Enfatizar que com o óleo são ungidos os escolhidos de Deus. Por isso o símbolo maior do sacramento do crisma é o óleo ou unção. (CIgC 694 a 701).

- Fazer uma pequena cerimônia fazendo com o óleo uma cruz na mão direita de cada um dizendo: “Eu te envio em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Aceita esta missão?”.

Convidar a todos para rezar o Pai Nosso e despedir-se com carinho.

TEXTOS DE APOIO:

O ESPÍRITO SANTO DA FÉ E DA ESPERANÇA

O Mestre morrera... Medo e incerteza assolavam o coração e a mente. Aquele que viera cumprir o que os profetas disseram havia partido.

Não restara um “Reino” a ser desfrutado. O Rei estava morto. Fora condenado, surrado e sofrera na carne o que nenhum ser humano suportaria sofrer.

Sim, ele ressuscitara. Aparecera diversas vezes a eles naqueles dias. Mas, o que o Mestre quereria deles?

Estavam fracos, abatidos sem a sua presença, escondidos e com medo de falar Dele. Pessoas os procuravam querendo consolo. Consolo que mesmo eles, mesmo na presença de Maria, mãe e força para todos, não estavam tendo.

Quando é que o Senhor devolveria o Reino aos filhos de Israel? Quando eles deixariam de ter medo e teriam certeza de que Deus estava mesmo com eles?

Então veio a promessa! Ele os faria forte e derramaria sobre eles o dom do Seu Espírito. O Espírito Santo de Deus que tudo pode e fortalece.

E no 50º dia, um vento forte abriu as janelas do cenáculo e o ar circulou envolvendo a todos, línguas de fogo se espalharam e cada um dos que estavam presentes foi tocado. Imediatamente eles se viram cheios de sabedoria e podiam falar em todas as línguas.

Jesus cumprira a promessa: o Espírito Santo estava com eles. Pedro lembra o Profeta Joel:
“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar”. (Joel 2, 28-32).

Deus derramará seu espírito sobre todos. Seus filhos e filhas anunciarão a sua mensagem, os jovens terão visões e os velhos sonharão. Até os servos e servas serão tocados por Ele e anunciarão suas palavras. No céus aparecerão coisas espantosas e na terra haverá milagres. E no fim, quando vier o glorioso Dia do Senhor, todos que pediram ajuda do Senhor serão salvos.

A partir daquele momento os apóstolos passaram a fazer muitos milagres e maravilhas e todos se admiravam. Os cristãos se uniram e passaram a repartir uns com os outros tudo o que tinham...

Essa é a mensagem. O Espírito Santo se derrama sobre nós. Esse é o pedido de Jesus: Espalhemos a sua palavra sem medo. Façamos de nossa vida uma partilha.

Ângela Rocha
Catequista – Graduada em Teologia pela PUCPR

ANEXO 1:

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIgC)

A ÁGUA

O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela se torna o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água batismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, “batizados num só Espírito”, “a todos nos foi dado beber de um único Espírito” (1Cor 12, 13): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Água viva que brota de Cristo crucificado (Jo 19, 34; 1 Jo 5, 8.) como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna (Jo 4, 10-14; 7, 38: Ex 17, 1-6: Is 55, 1; Zc 14, 8: 1 Cor 10, 4. Ap 21, 6; 22, 17.). (CIgC 694).

A UNÇÃO (ÓLEO)

O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinônimo (1 Jo 2, 20. 27; 2 Cor 1, 21.). Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama “Crismação”. Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo (“Messias” em hebraico) significa “ungido” pelo Espírito de Deus. Houve “ungidos” do Senhor na antiga Aliança (Ex 30, 22-32), sobretudo o rei David (1Sm 16, 13.). Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente “ungida pelo Espírito Santo”. Jesus é constituído “Cristo” pelo Espírito Santo (Lc 4, 18-19; Is 61, 1). A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo quando do seu nascimento (Lc 2, 11) e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor (Lc 2, 26-27). É Ele que enche Cristo (Lc 4, 1) e cujo poder emana de Cristo nos seus atos de cura e salvamento (Lc 6, 19; 8, 46). Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos (Rm 1, 4; 8, 11). Então, plenamente constituído “Cristo” na sua humanidade vencedora da morte (At 2, 36), Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que “os santos” constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o “homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo” (Ef 4, 13), “o Cristo total”, para empregar a expressão de Santo Agostinho (Santo Agostinho, Sermão 341, 1, 1: PL 39, 1493: Ibid. 9, 11: PL 39. 1499.). (CIgC 695)

O FOGO

Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo. O profeta Elias, que “apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente” (Sir 48, 1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo (1 Rs 18, 38-39), figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Batista, que “irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias” (Lc 1, 17), anuncia Cristo como Aquele que “há-de batizar no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: “Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!” (Lc 12, 49). É sob a forma de línguas, “uma espécie de línguas de fogo”, que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si (Act 2, 3-4.). A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo (São João da Cruz, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213. [ID., Chama vida de amor: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 829-957)].). “Não apagueis o Espírito!” (1 Ts 5, 19). (CIgC 696)

A NUVEM E A LUZ

Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai (Ex 24, 15-18), na tenda da reunião (Ex 33, 9-10) e durante a marcha pelo deserto (Ex 40, 36-38; 1 Cor 10, 1-2); a Salomão, aquando da dedicação do templo (1 Rs 8, 10-12). Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre “com a sua sombra”, para que conceba e dê à luz Jesus (Lc 1, 35). No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!" (Lc 9, 35). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão (At 1, 9.) e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda (Lc 21, 27). (CIgC 697)

O SELO

É um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que “Deus marcou com o seu selo” (Jo 6, 27) e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo (2 Cor 1, 22; Ef 1, 13; 4, 30). Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo (sphragis: selo, impressão de um selo) foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o caráter indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos. (CIgC 698)

A MÃO

É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes (Mc 6, 5; 8, 23) e abençoa as crianças (Mc 10. 16). O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome (Mc 16, 18; At 5, 12; 14, 3). Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado (At 8, 17-19; 13, 3; 19, 6). A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos “artigos fundamentais” do seu ensino (Heb 6, 2). Este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais. (CIgC 699)

O DEDO

“É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demônios” (Lc 11, 20). Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra “pelo dedo de Deus” (Ex 31, 18), a “carta de Cristo”, entregue ao cuidado dos Apóstolos, “é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne” (2Cor 3, 3). O hino “Veni Creator Spiritus” invoca o Espírito Santo como “digitus paternae dexterae”- “Dedo da mão direita do Pai” (Domingo de Pentecostes, Hino das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974), p. 795 e 812. [Liturgia das Horas. vol. II p. 850 e 861. edição da Gráfica de Coimbra, 1999). (CIgC 700).

A POMBA

No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Batismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável (Gn 8, 8-12). Quando Cristo sobe das águas do seu batismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele (Mt 3, 16 e par). O Espírito desce e repousa no coração purificado dos batizados. Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar. O símbolo da pomba para significar o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã. (CIgC 701)

O VENTO*

Este é um símbolo comumente associado ao Espírito Santo, apesar de que, não é listado no CIgC como “símbolo” e sim como origem do “nome”. (cfe CIgC (691 a 693).

Em At 2, 1s, encontramos: “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reu­nidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados”. Esse texto leva à raiz da palavra “espírito”. O espírito alude ao ato de inspirar ou respirar, como se vê pela etimologia da palavra “respiração”.

Por isso, o Espírito de Deus é o sopro ou hálito de Deus, a Ruah Adonai: “O Espírito [ruah] de Deus pairava sobre as água” (Gn 1, 2); “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro [ruah] da vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7). Essa imagem do vento impetuoso é um lembrete de que o Espírito Santo nos devolve e sustenta a vida. O Espírito Santo é como um vento impetuoso, que nos inspira a vida divina.

FONTE:
JOÃO PAULO II. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIgC). O Espírito Santo - A Profissão da fé, segunda seção, capítulo terceiro, parágrafos 691 a 701.São Paulo: Edição típica Vaticana, Loyola, 2000.

Este e outros encontros você encontra em nossas apostilas:
Catequese Crismal - Vol I, Vol II e III


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sexta-feira, 21 de maio de 2021

REFLEXÃO DO EVANGELO DO DOMINGO: “SANTA RUAH”: O SOPRO QUE NOS UNE

 


Domingo de Pentecostes João 20,19-23,

 “Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22)

De Jesus e do Pai fazemos muitas representações; do Espírito, muito mais que falar dele, invocamos a relação com Ele: “vem!”. Invocamos para vir aquele que já está presente. Ele é o realizador das transformações, o possibilitador de toda relação, o aumentador da vida.

O fogo, o vento e a água viva são os símbolos mais potentes com os quais a Bíblia tenta dizer algo dessa presença possibilitadora de tudo o que vive, de sua força criadora e criativa, de sua imprevisibilidade, de sua capacidade para gerar sabedoria, saúde e beleza. O fogo, o vento e a água viva são símbolos do movimento constante e do fluir silencioso dos processos que gestam a vida.

No relato da Criação, “a Ruah de Deus (em hebraico, Ruah é palavra feminina) pairava sobre as águas” (Gênesis 1,2): trata-se de uma bela imagem da matriz ou útero originário fecundo de tudo quanto existe; tudo é amorosamente acolhido, fecundado, gestado, carregado neste grande ventre cósmico que podemos chamar divino: “Deus”. Alento, sopro, vento, respiração, força, fogo… com nome feminino que fala de maternidade e de ternura, de vitalidade e carícia. Seu calor gera harmonia no caos, realça a beleza e originalidade de cada criatura, dando a cada uma seu lugar, o espaço que necessita para potencializar seu ser. Nessa relação adequada, cada erva, cada montanha, cada ser que vive, tem seu lugar e seu sentido.

“O Espírito pairava sobre as águas” (Gênesis 1,2). “Pairava” pode ser traduzido também por “vibrava”. Tudo vibra no universo: vibram as partículas e vibram os átomos, vibram as estrelas e vibram as galáxias, vibram os seres humanos, vibram o canto e a dança. Cada som é vibração e também o silêncio é vibração. O coração de cada ser, pequeno ou grande, pedra, planta ou animal está vibrando. A vida é vibração.

O Espírito que “pairava” sobre as águas é a imagem da vibração divina que habita e se move no coração de tudo quanto existe. O Espírito é a respiração universal.

Tudo é energia, movimento, relação. Daí brotam maravilhosamente todas as formas de todos os seres, como de uma misteriosa matriz materna.

E o Espírito sempre está ali silenciosamente presente, como Aquele que vincula e une, como tecedora constante de redes que fazem crescer, como reparadora de todos os tecidos que um dia se rasgaram e se separaram do pano único de onde confluem todos os fios da vida.

Hildegar von Bingen dizia que o Espírito é “vida da vida de toda criatura”.

Cada dia é o primeiro dia da Criação; cada instante é o princípio. A Criação está acontecendo e renovando-se a cada instante e uma energia profunda e criativa nos acompanha, nos anima e nos move. Estamos sendo criados; não estamos prontos e abandonados, não estamos condenados a um plano predeterminado e frio. Em tempos de Pentecostes é bom recordar e dizer a nós mesmos “somos criaturas, estamos sendo amorosamente criadas/os e impulsionadas/os a criar. Há esperança”.

Contemplar deste modo a realidade, move-nos a confiar, esperar, respirar. Contemplemo-la assim: a realidade inteira alentada e fecundada sem cessar pelo Espírito materno; a realidade inteira carregada de infinitas e novas possibilidades, carregada de infinito. Podemos esperar.

Hoje, somos conscientes e podemos agradecer essa presença do Espírito nos perfumes que a humanidade exala: no seu empenho pela paz e pela justiça, na contribuição à integridade da criação, na sua cumplicidade com os ciclos que favorecem a vida, no potencial de ternura, de cuidado e de resistência frente a todas aquelas situações e forças que desintegram a vida, na ação colaborativa, na interdependência, no diálogo e na abertura às diferentes culturas e às diversas tradições espirituais, maneiras novas e necessárias de situar-nos no mundo. Tudo isso é sinal do movimento do Espírito.

No momento em que entramos no mundo, nascemos formando parte de uma rede de relações. Este tecido relacional vai nos expandindo ao longo do crescimento. “Ao final de minha, vida abrirei meu coração cheio de nomes” (Pedro Casaldáliga). O Espírito é o que escreve os nomes que vão conformando nossa vida, nos quais fizemos experiência do que significa isso que chamamos amor e que está gravado em nossa origem e em nosso destino, como nossa fome maior e como nosso dom mais apreciado.

A imagem do “soprar sobre eles” (João 20,22; cf. Gênesis 2,7), no evangelho de hoje, contém uma riqueza elegante: significa compartilhar o que é mais “vital” de uma pessoa, sua própria respiração, seu mesmo espírito, todo seu dinamismo.

É uma imagem que nos faz reconhecer o Espírito como o alento último, o dinamismo vital que pulsa em todas as formas de vida que podemos ver e que nelas se manifesta. Não há nada onde não possamos percebê-lo, nada que não nos fale dele.

Por isso, a comunidade dos seguidores de Jesus, ao compartilhar com ele o mesmo sopro, torna-se uma “comunidade conspiratória”, ou seja, “conspirar”, “com-inspirar”, “respirar juntos”; ao soprar o Espírito, Jesus e os discípulos respiram o mesmo ar, o mesmo sonho, a mesma utopia do Reino…

Não é estranho que, com o Espírito, Jesus se refira à missão: é o mesmo Espírito – seu sopro – aquele que o conduziu e quer conduzir a nós também.

O Espírito e nós não somos dois. Somos “seres espirituais vivendo uma aventura humana” (Teilhard de Chardin). Quando tomamos consciência desta realidade profunda, realizam-se em nós as palavras de Jesus: a unidade de tudo morando em nós, no amor – outro nome do Espírito -, como única realidade que tudo sustenta e constitui.

Mais ainda, o Espírito habita nosso ser profundo, sustenta nossas energias sadias, aumenta nossas forças, compromete-nos a crescer de forma autônoma. Ele age como um “princípio dinâmico” e como um “energético ativo”, que reforça as atividades criativas do eu. Temos de viver a partir do Espírito, transformando e vitalizando nossos gestos, pensamentos, compromissos, encontros.

Por isso, Pentecostes não acontece até que, reconhecendo o Espírito como nossa identidade mais profunda, nos deixamos guiar por ele, ou melhor, viver a partir dele, conscientemente conectados com a fonte primeira. Falar do Espírito e celebrar Pentecostes é, portanto, celebrar a festa, a vida e a identidade última de tudo o que é e existe: é nossa festa.

Para meditar na oração

“O Espírito urge!” Para abrir-nos a este “sopro”, de modo que possamos experimentá-lo no nosso “eu” mais profundo, precisamos calar a mente, abrir-nos diretamente ao que é, e perceber, com prazer, que podemos descansar sempre nisso. “Descanso” é outro nome do Espírito.

No silêncio da mente, o Espírito se revela a nós, não como uma presença separada, mas como presença interna de tudo o que é: cuidado, descanso, dinamismo, vida em plenitude. E isso é o que somos todos.

Texto de Adroaldo Palaoro

Fonte: cebi.org.br

sábado, 8 de junho de 2019

ROTEIRO DE LEITURA ORANTE – PENTECOSTES



Leitura Orante de João 20, 19-23 - Pentecostes

Celebramos nesta Leitura Orante o dom prometido do Espírito Santo. Vamos compreender o que a palavra diz e depois orar com a palavra ou deixar que a palavra ore em nós. Pentecostes era uma antiga festa do judaísmo, era a festa das colheitas e os cristãos dos primeiros tempos adotaram parte do calendário antigo do judaísmo e inseriram nesta calendarização algumas festas como próprias do cristianismo. O Pentecostes é uma delas. O texto é João 20, 19-23.

Pacificação interior:

Para melhor entender e absorver a palavra como “oração” é necessário que nos pacifiquemos. Que deixemos a distração, os devaneios, as lembranças de compromissos ou de problemas, de atividades esquecidas que afloram ao nosso pensamento - justamente agora que estamos orando – que fiquem lá fora. Pacificarmo-nos interiormente. Fechando os olhos, buscando uma posição que favoreça o nosso recolhimento, vamos nos por confortáveis, vamos nos entregar a este momento. Lentamente vamos a uma primeira respiração, façamos o mesmo uma 2ª vez. Parece um exercício banal, ordinário, de pouca significação, de todos os dias até. Mas, fazendo com lentidão e com concentração, predispõe-nos à oração. Agora, tente imaginar os seus pulmões a encher-se de ar, o sangue a circular pelas artérias, pelas veias. Tente imaginar seu cérebro em intensas atuações de recordação, de ordens ao coração para bater, aos pulmões para respirar, ele está sempre ativo, mas, agora estará pensando só em Deus.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito... (6X)


Num segundo momento peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a compreender as palavras que vão inspirar nossa oração:

Vinde Espírito Santo....


♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito... (3X)

1º PASSO – LEITURA

Evangelho de Jesus Cristo segundo João:

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio'. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'”. 

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

2ª leitura: Silenciosa, cada um com a sua bíblia em mãos, leia novamente, fixando-se nos trechos mais importantes. Saboreando as palavras... concentrando-se no significado de cada palavra, de cada frase...

2º PASSO - MEDITANDO

Era o anoitecer do primeiro dia da semana. De qual semana? A tarde de qual dia?
Alguns versículos antes, Maria Madalena fora no “primeiro dia da semana”, até o sepulcro para ungir o corpo do amigo Jesus, pois não fora possível fazer isso na sexta, chegara o sábado e nada pode ser feito. Ela foi logo cedo no primeiro dia da semana, a pedra fora removida. Os discípulos foram até lá e viram que o corpo não estava lá. Qual era mesmo o dia? Era o primeiro dia da semana: Era o dia da ressurreição!

E estavam fechados numa sala. Talvez o cenáculo, onde estavam os discípulos, por medo dos judeus. Não é que os judeus perseguiam e ameaçavam os cristãos. Não, não era isso. “Judeus”, no evangelho de João, era uma menção àqueles que não quiseram crer. Então o temor e o medo que eles tinham era de falar de Jesus, o temor de recordar as promessas da ressurreição. Estavam atemorizados, sem forças e motivação para testemunhar quem era Ele. E o Mestre tinha morrido, fora uma decepção e estavam mergulhados em dúvidas e interrogativas. Era esse o medo, não eram as ameaças vindas de fora, o medo vinha de dentro. Fecharam as portas, mas, era de dentro deles que vinha o temor.

Pois bem, Jesus veio e pondo-se no meio deles disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Jesus veio, pôs-se, disse... Três verbos: vir é uma ressonância antecipada daquilo que se espera, daquilo que os discípulos creram desde o início, que um dia o Senhor virá, voltará. “Pôs-se em meio a eles”: porque este detalhe espacial no meio? Porque para comunidade encontrar o ressuscitado é preciso a vida comunitária, a partilha da fé. Só é possível reconhecê-lo e percebê-lo lá onde a fé é partilhada e a esperança compartilhada, lá o senhor se deixa vir.  E o senhor se colocou em meio deles e disse:  A paz esteja convosco”. “Paz” era a maneira comum, ordinária de saudar as pessoas.

Nós dizemos “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”.  Naquela época se dizia “Paz”, Shalom.  Precisamos mergulhar no sentido dessas saudações. Naquela época saudar com um “bom dia”, não era uma saudação fugaz, de momento, como se fosse uma mera cortesia. Quem dizia um bom dia, comprometia-se a fazer bom o dia da pessoa que encontrava. O mesmo aqui com “a paz”: o Senhor vem trazer a paz e oferecer a sua vida de ressuscitado para que eles experimentem a paz. Que não é a tranquilidade, que não é a ausência de problemas ou divergências, não! Mas, é a segurança e a convicção de que a vitória do senhor Deus está assegurada pela ressurreição. Então, por mais que os discípulos se deparem com desafios de toda ordem, o ressuscitado se faz próximo para que, com sua vitória, os discípulos experimentem a sua alegria. De fato, eles se alegraram, ficaram cheios de alegria por vê-lo.

“Como o Pai me enviou eu também vos envio”. Interessante este versículo: “Como o Pai me enviou eu também vos envio”.  Não é que um passa para o outro a missão, longe disso! Mas, se o Pai enviou seu filho Jesus para salvar o mundo, os discípulos são enviados por Ele, pelo Salvador, para que ofereçam a salvação que ele, Filho, assegurou a humanidade. A missão dos discípulos se fundamenta na missão do Filho: o Pai envia e o filho leva à salvação, é Ele, o Salvador, os discípulos têm então essa corresponsabilidade.  Não são salvadores, mas levam à vida, à humanidade, a voz do Salvador.

“E o Senhor soprou sobre eles”. Muito importante para o dia de Pentecostes é o sopro é a vida, a experiência do homem bíblico era muito singela: se eu não respiro, se fico sem ar eu morro. Então a vida que ele soprou sobre eles, os discípulos, é a vida do ressuscitado.
Mostrou-lhes as mãos e o lado”, não para mostrar feridas ou cicatrizes da crucificação... o lado aberto pela lança do soldado, não é para mostrar cicatrizes curadas e feridas abertas, Ele queria que os discípulos entendessem que só é possível encontrar-se com o ressuscitado, se seguir o caminho da cruz. Não é possível o encontro com o ressuscitado recusando o caminho e o seguimento da cruz.

É este o sentido do que celebramos no Pentecostes. O sopro do Espírito sobre eles é a vida do ressuscitado que Ele comunica aos discípulos. E este sopro faz com que os discípulos se tornem ricos e impregnados da vida do ressuscitado. O sopro sai do mais profundo do corpo. Recorda o Antigo Testamento, em Gênesis, que o Senhor soprou nas narinas do primeiro homem e ele se tornou um ser vivente. Também em Ezequiel 37, num campo cheio de ossos ressequidos, imagem de Israel que experimentara a morte, o profeta deu um sopro - o sopro do profeta e não de Deus – e fez com que todos aqueles ossos se tornassem vida, o povo voltou a vida. Agora, aqui, é o sopro de Jesus filho, sobre os discípulos para que enviados, levem a vida do ressuscitado aonde forem, a quem encontrarem. Era a promessa do Espírito Santo e onde o ele é levado, o perdão se torna a experiência mais imediata: a quem perdoardes, haverá perdão. A quem retiverdes, ou seja, a quem ainda não chegou a crer no Espírito e no Salvador, o perdão chegará quando a fé for uma experiência objetiva e real.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

3º PASSO - ORAÇÃO

Vamos dar outro passo: eu também estou lá, naquela sala... Com meus medos, o mesmo medo dos discípulos de testemunhar Jesus, não era medo dos judeus os perseguirem, não, era medo de testemunhar Jesus que ressuscitara e agora perdoa. Estou lá com eles, eu com meus medos. E Ele me mostra suas mãos, mostra que teve medo, sofreu, suou sangue mas sustentou-se, está a me olhar e me mostrar as mãos, o lado... Eis que meu Espírito lhes é dado... Posso sentir seu sopro em mim, me dizendo: vai, leve a paz, leve o perdão...
E eu qual é a minha palavra, qual a minha resposta?

Oremos juntos: Senhor Jesus, trouxeste-me a paz, mostraste-me suas marcas, mas, conheces meus medos e vergonhas. Até parece que não falo de ti para não parecer beata, carola, como se isso fosse me empobrecer. Senhor tenho medo, sopra sobre mim teu Espírito para que eu me alegre em pronunciar o Teu nome, em apresentar a Tua vitória e levar-te àqueles a quem eu encontrar e deixa-me ajudar-te a perdoar pois precisam da tua paz.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...


4º PASSO – CONTEMPLAÇÃO

Fechando os olhos vamos imaginar as cenas que o texto nos propõe.
Uma tarde, o sol que se põe, alguma nuvem com o brilho dos últimos raios de sol, um céu avermelhado, os discípulos reunidos. Estão fechados numa casa, temem, duvidam, debatem, lamentam-se e tudo parece ter se perdido. Uma semana antes o senhor era vitorioso, triunfal, fora recebido na casa de Lázaro, aquele que Ele fizera sair do túmulo.... Sim, mas agora, fora o senhor ao túmulo e a sensação era de derrota, lá estão eles a falar, gesticular, olham pela janela, irritam-se alguns talvez.

E o senhor se faz vier. Ninguém sabe por onde entrou, pela porta, pela janela? Estes limites o Senhor não tem mais. E se põe no meio deles, olha, saúda.... Tente imaginar a euforia daqueles que o veem.... É verdade ou é um sonho? Ou é a mente desvairada deles ou alucinações febris. O senhor lhes mostra a mão, lá estão marcas dos pregos, mostra o lado, lá está o sinal da lança, mas, está vivo e lhes fala. Tente imaginar a atenção daqueles, os olhos arregalados.

“E a paz esteja convosco”. Ouça esta frase com eles.  Tente ouvir isso... O senhor está dizendo a você e a eles, repete a mesma frase: “A paz...”. Agora ele se aproxima de Pedro, um sopro suave, João, outro sopro... imagine João, Tiago, André, Felipe... eles todos. O senhor sopra sobre um por um e em cada um deles. Receba o Espírito Santo, aquele sopro é como se o mundo fora recriado. Outrora Deus soprara em Adão e se ele se tornara um ser vivo. Agora aqueles... recebei o Espírito Santo e a quem perdoardes, haverá perdão. Aqueles onze, pois Judas não está lá, entreolham-se... Perdão... a quem perdoares, haverá perdão. Sim, perdão! Ainda não conseguem crer, vivem a perplexidade. Será que é Ele? Novamente: a quem perdoardes...  Eles olham para o senhor maravilhados, por tê-lo encontrado e entreolham-se pela magnitude da missão que lhes foi incumbida. Pelo Espírito Santo, este foi um sopro de vida recebido do ressuscitado para levar o perdão. É o mesmo sopro que sinto em meu rosto agora: O sopro do Espírito que me faz discípulo também.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

 Pai Nosso que estais no céu...


* Inspirada na Leitura Orante feita por D. Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba – Em 04 junho de 2017.


Este e outros roteiros, encontram-se em nossa apostila: "Roteiros de Leitura Orante para a Catequese": Discípulos de Emaus, Samaritana no poço, Atos dos Apóstolos, Jesus: caminho, verdade e vida...

O material está em formato de "apostila", em arquivo PDF e pode ser disponibilizado no e-mail de vocês por R$ 10,00, depositado em conta:

CAIXA ECONÔMICA - AG. 3635
CTA POUPANÇA: 013.00000230-8
PAULO ROBERTO ROCHA - CPF 598.914.759-72

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E você ainda pode ESCOLHER uma leitura bíblica (dos Evangelhos), que recebe de presente um roteiro feito especialmente pra você!

terça-feira, 15 de maio de 2018

ATÉ QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS!



E nesta semana que o Espírito Santo, "arde em fogo" nos nossos corações... Bom a gente falar um pouco sobre isso. Sobre esse "fogo que arde sem cessar" e o quanto algumas linguagens bíblicas nos deixam desassossegados aos pensarmos o que nos espera lá pra frente...
Por isso, trago aqui para vocês um texto de um padre redentorista de quem gosto muito (vocês já perceberam, acho... rsrsrs): Rui Santiago do Centro de Espiritualidade Redentorista de Portugal.
Vamos lá, vamos ler com carinho e depois dizer, realmente, o que significa este "fogo" para nós. Mete medo ou nos deixa em expectativa gloriosa?

ATÉ QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS!

Entre Fogo, Chamas e Labaredas, há muita linguagem a arder na escritura bíblica da nossa Fé. “E a terra será consumida num fogo e os elementos serão consumidos nas chamas, quando o Senhor cumprir a Sua Promessa…” Ou, então, o próprio Jesus que diz “Eu vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse ateado”… E João Batista que diz de Jesus que é aquele que não virá batizar em água, mas, “no Espírito Santo e no fogo”…
E séculos de pregações transformaram a beleza da linguagem bíblica num instrumento de terror, muitas vezes… E daí ao inferno como um lugar de fogo foi um pulinho, até aos pequeninos de Fátima que, na simplicidade e pureza do seu coração de crianças, até viram o que ouviam.

Partilho umas ideias muito simples para entender bem esta linguagem do fogo na bíblia. Evidentemente, não é o fogo das nossas lareiras, mas uma linguagem simbólica para nos aproximarmos da maneira como Deus atua na Criação e em nós. O anúncio de toda a realidade a ser dissolvida no fogo ou a ser absorvida nas chamas que vêm da parte de Deus, não são coisas para nos assustar, mas, para nos apontarem o alcance máximo da Esperança Bíblica: “Deus será tudo em todos”, como diz o Apóstolo Paulo. A linguagem do fogo é a simbologia bíblica para dizer isto mesmo que Paulo anuncia desta maneira: a Criação inteira está em gênese, em mudança, e nós mesmos estamos dentro deste processo divino de transfiguração de toda a realidade até que Deus, que já é tudo em Cristo, seja tudo em todos.

No tempo de que falamos, muitas filosofias e tradições religiosas se estruturavam – como hoje – a partir dos quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Porque é que a ação de Deus é simbolizada tantas vezes por meio do fogo? Porque é o único elemento que tudo transfigura em si mesmo, transforma o que toca naquilo que ele mesmo é. Se você enterrar alguma coisa, ela fica escondida, mas não se torna terra. Pode desenterrá-la e recuperá-la. O ar passa pelas coisas e não as vaporiza, a água corre continuamente sobre os seixos, mas, não os liquidifica. Mas, o fogo… o que toca, transfigura em si, absorve, consome. A terra, o ar e a água desgastam os elementos; o fogo não os desgasta, mas, consome-os em si mesmo, torna-os fogo.

Eis como Deus atua conosco… não como algo que se justapõe à realidade, mas como Alguém que nos quer transfigurar em Si. Deus quer-nos inteiramente participantes do Seu Mistério Pessoal, transfigurados na Sua própria maneira de Ser. Para usar uma palavra das origens da Fé cristã e que, entretanto, caiu em desuso: por Amor, o Projeto de Deus é DIVINIZAR-NOS. Não nos tornar “deuses”…, mas tornar-nos Deus, uma só coisa conSigo, convivas da Sua Alegria e da Sua Festa. Já Camões dizia que "Amor é Fogo que arde sem se ver"… não nos admiremos tanto de a escritura associar o Amor de Deus por nós à ação do Fogo. O Fim do Mundo, isto é, a Finalidade da Criação, é a plena assunção divinizante de toda a realidade no Mistério Familiar de Deus.

Quando os Apóstolos testemunham que o Espírito Santo desceu sobre eles como “línguas de fogo”, não consta que tivessem ficado todos com a careca queimada… porque o fogo é o símbolo da maneira como experimentaram Deus a atuar neles. O Espírito de Deus, que é Fogo, Chama, Labareda Viva, não passa pela nossa vida como ar que faz festinhas no rosto nem como água que só nos limpa por fora, nem como terra que nos esconde, mas, como fogo que quer transfigurar inteiramente a nossa existência.

E não apenas nós, mas toda a Criação está convocada para esta metamorfose do Espírito de Deus que já está em marcha, esta Transfiguração Pascal que se insinua a nós no sinal de Jesus Cristo Vivo.

No Fim do Mundo estará tudo a arder”! Ah, empolgadas pregações que criaram tantos fantasmas…, Mas sim, quando a Criação inteira chegar ao seu Fim, à sua Culminação, ao ponto Ômega que Deus nos promete que é o próprio Cristo ResSuscitado, então, tudo estará definitivamente envolvido no Fogo do Amor de Deus, na temperatura e energia do Seu Projeto que, finalmente, será tudo em todos! E veremos, com olhos novos, a realização da oração de Jesus: “Oh Pai, assim como eu e tu somos Um, que eles sejam todos apenas Um conosco”!

Vem, Fogo de Deus, labareda da Sarça Ardente de Moisés que está viva sem se gastar, que arde sem consumir, e traz histórias de Futuro que apontam a Liberdade dos Novos Céus e da Nova Terra onde habita a Justiça. Ou não fosse essa a Terra Prometida a toda a humanidade...
(Pe. Rui Santiago, cssr)

* * * *
Então? A partir deste texto podemos colocar nossas crianças a arder no fogo de Deus, sem necessariamente levá-las ao "inferno", não podemos? O verdadeiro "anúncio" fala das alegrias da Salvação e não das tristezas da perdição...  Como é o "seu" anúncio?

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

domingo, 4 de junho de 2017

NESTE DIA DE PENTECOSTES...

Louvado sejas, Senhor, por nossos irmãos, os Satélites, os cabos, antenas, a Fibra Ótica, a Informática, a Internet... Verdadeiras manifestações do Espírito Santo... Que encurtam as distâncias e criam solidariedade entre as pessoas.

ORAÇÃO DO INTERNAUTA:

Trindade Santa,
que ouvimos na Sagrada Escritura,
que vimos com os olhos da fé,
que contemplamos na turbulência da vida,
que descobrimos na evolução do universo,
nós procuramos saciar a sede
do nosso coração inquieto,
na busca incansável do vosso rosto!

Deus Pai, fonte de toda a comunicação,
que estimulastes a criatividade humana,
na descoberta das novas tecnologias,
superando assim
os limites do tempo e do espaço
e ampliando ao infinito,
o desejo humano de comunicar.
Nós vos agradecemos a possibilidade inédita,
de abraçar todos os povos e culturas,
na rede das tecnologias digitais.

Deus Espírito Santo, fonte de toda inspiração,
concedei-nos a sabedoria necessária
para tornar a aldeia global,
lugar da humana comunhão!

Deus Filho, perfeito comunicador,
do insondável mistério
da Trindade que nos ama,
ajudai-nos a construir a paz,
no diálogo, na justiça
e na construção da solidariedade universal.
Fazei que todas as pessoas de boa vontade
utilizem as novas tecnologias
para anunciar os valores do Evangelho
até os confins do universo.
E que todos os internautas
sintam a felicidade de vos encontrar,
andarilho nas autopistas do ciberespaço.

Amém. 

(Organização Paulinas)


sexta-feira, 2 de junho de 2017

HOMILIA: SOLENIDADE DE PENTECOSTES

Vivemos na crise da modernidade: tempo de valorização do indivíduo, da liberdade, da emoção… É um momento muito propício para se acolher a pessoa do Espírito Santo, figura um tanto esquecida.
 É preciso considerar que estamos deixando o tempo da tradição. É muito difícil, porque temos um peso muito forte da tradição, da instituição, daquilo que já está pronto. Caminhamos para o tempo da decisão – e esta é a ação típica do Espírito: discernir e escolher, caminhos para a decisão. Uma Igreja sem o Espírito valoriza a imposição, o rigorismo, a intransigência. Pela presença do Espírito, todas as realidades eclesiásticas deve se transformar em fonte de paz, de alegria e liberdade.

Por outro lado, o Espírito ainda é um grande desconhecido. Às vezes não sabemos quem é ele, como e onde age. Por vezes, as pessoas restringem sua ação aos fenômenos extraordinários, aos milagres e êxtases. Há uma sede pelo extraordinário que causa desequilíbrio da fé.

É o Espírito que age na Igreja. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’, a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3). É Ele que nos faz pregar a Palavra de Deus, é Ele que faz brotar a caridade, que une, inspira, motiva… Todo bem realizado, mesmo por aqueles que não creem no Cristo, é obra do Espírito. É ele que mora dentro de nós: a experiência de interioridade, de perceber a presença divina em nós é possível pela habitação do Espírito em nós.

Hoje, no Evangelho, o Ressuscitado sopra o Espírito. O Antigo Testamento usa o termo Ruah para revelar o que o Novo Testamento revela como uma pessoa divina: significa sopro, respiração, ar, vento. O Espírito, portanto, é o hálito de Deus, o sopro divino que nos move. Como o vento tem o seu dinamismo, como o ar nos faz viver, assim é o Espírito de Deus.

Sem o Espírito há a confusão, a disputa pelo poder, pelos próprios interesses, o anseio egoísta de subir ao cume do orgulho, como aconteceu na construção da Torre de Babel. Em Babel houve a confusão diabólica (=que desune, que se atravessa para atrapalhar), já em Pentecostes todos se entendiam mesmo falando línguas diversas. Há uma só língua pela graça do Espírito. Hoje é necessário falar a mesma língua, observar mais o que nos une e deixar de lado as diferenças. Para isso, faz-se necessário uma abertura ao Espírito que arranca o que divide.
Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba - PR