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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA...


Meu nome é Lucinete Cassaro, mais conhecida como Nete. Moro em Conceição do Castelo (ES) e pertenço a Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Sou catequista há 12 anos. Sempre com a catequese de Eucaristia e trabalho como secretária na minha paróquia.

Um certo dia, mais precisamente em um quinta-feira de 2004, fui à missa da saúde na igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Após a missa uma senhora que coordenava a Crisma na paróquia se aproximou de mim e fez o convite para ser catequista da turma de crisma na matriz. Aquele convite ardeu em meu peito, mas adolescentes não era o meu foco.

Fiquei de pensar e dar a resposta depois. Fui para casa e pensei, pensei e foi aí que uma amiga me disse por que você não pega uma turma de catequese de Eucaristia? No dia seguinte, fui à casa da coordenadora da catequese da comunidade e me coloquei a disposição, ela foi logo dizendo: “ótimo, tenho uma turma de terceira etapa sem catequista. A turma é sua”. Mesmo sem ter experiência, não disse nada, fiquei muda e simplesmente disse “SIM”. 

Na mesma semana fui para a catequese e apresentada para a turma. Eram 17 crianças/adolescentes bem agitados. Alguns com pouca participação na vida de comunidade e vinham de famílias desestruturadas. Crianças carentes de afeto, revoltadas com Deus.

Muitas vezes perdi a paciência e gritei, briguei, coloquei pra fora da sala onde eram realizados os encontros. Quantos desafios, me sentia só, despreparada e questionava a Deus se realmente eu precisava estar ali. Quantas conversas individuais com alguns catequizandos revoltados e que não aceitavam a separação dos pais. Recordo-me de um que tumultuava o encontro e me culpava pela separação dos pais. Mas, venci e a turma no ano seguinte fez a primeira Eucaristia.

Foram muitas turmas até que um dia precisei me afastar da catequese para fazer minha pós-graduação, pois os horários coincidiam. Fiquei afastada por cerca de um ano. Estava decidida a não voltar mais, e foi nesse momento, que fui convidada para ser catequista novamente, ou melhor, voltar a fazer parte do grupo.

Acho que nem pedi um tempo pra pensar. Respondi “SIM” e lá estava eu novamente com uma turma de terceira etapa. Como se não bastasse, em uma formação oferecida pela paróquia a coordenadora paroquial disse que a diocese estava montando uma escola catequética e tinha disponibilizado duas vagas por paróquia e que até no final do encontro precisava do ''sim'' de dois catequistas.

Quando o encontro encerrou, fiquei juntamente com uma colega, ajudando ela a organizar o espaço e peguei as fichas de inscrição e mencionei que ninguém havia se colocado a disposição para a formação que seria de dois anos aos finais de semana. E ela sorriu e disse: “Claro que não, pois as duas pessoas que Deus está convidando são vocês.” Ficamos de dar a resposta e adivinha qual foi? Com toda certeza, “SIM”. 

Conclui a formação com muita dificuldade, tive ajuda de colegas da paróquia vizinha que me deram carona. Durante a formação recebi o convite para ser coordenadora paroquial e após pensar por um dia... SIM

Estou há três anos como coordenadora. Quanta dificuldade, quantos desafios e vontade de desistir. Mas, Deus tem me aparando, iluminado, cuidado e me capacitado a cada dia. E assim vou seguindo e evangelizando. 

Por Lucinete Cassaro.


FONTE:
Revista Digital "Sou Catequista" - http://soucatequista.com.br/edicao-21.html


A Nete cassaro faz parte do Grupo Catequistas em Formação, e foi convidada a dar o seu depoimento à revista SOU CATEQUISTA, revista digital do grupo Minha Paróquia.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

COMO DIZER "NÃO" A UM CHAMADO DESTES?

PARÓQUIA SENHOR BOM JESUS DOS PERDÕES
PRAÇA RUI BARBOSA - CURITIBA PR

Os fardos precisam ser divididos...


Na última terça-feira, a coordenadora de catequese da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões, mandou um recadinho no whatsapp: se eu podia ir até lá, no Centro de Pastoral, falar com ela. Como me dispus a ajudar a catequese da paróquia no que fosse preciso, lá fui eu.

A Paróquia Bom Jesus dos Perdões fica na Praça Rui Barbosa, um dos centros mais movimentados de Curitiba por ser, também, terminal de ônibus urbano. No passado, esta praça se chamava Largo da Misericórdia. Um nome bem apropriado para abrigar a Igreja Franciscana de Bom Jesus dos Perdões e a devoção à Santo Antônio com a distribuição de pão aos pobres.

Quando cheguei, entrei pela porta da Rua 24 de maio. A tarde estava bem fria e havia várias pessoas na porta, no corredor e nas escadas. Pela aparência, pedintes, mendigos, moradores de rua. E eu ali na minha “visão de mundo”, fui ficando com medo, protegendo a bolsa, o celular... Ah! Que atitude preconceituosa a minha!

Subindo as escadas, no topo, me deparei com uma cena inusitada: Um homem deitado no corredor, mal embrulhado num cobertor, enregelado de frio. E junto dele, uma outra pessoa trocando suas roupas, tentando reanimá-lo e aquecê-lo. Uma moça providenciando mais blusas, agasalho, meias, sapatos para que a pessoa se reanimasse.

Depois eu descobri que aquele morador de rua foi trazido pelos outros que encontrei lá embaixo. Estava “congelando” na rua, com pouco agasalho, somente enrolado num cobertor úmido. E as pessoas que o estavam ajudando ali, era um dos freis da paróquia e a assistente social que colabora nas obras sociais. Obras estas que oferecem, de segunda a sexta-feira, todas as semanas, o “café da tarde” para moradores de rua. A paróquia tem um espaço para isso, onde, além do café, eles proporcionam atendimento de assistentes sociais e uma psicóloga para conversar. E, se precisam de médico, remédio, de uma instituição, ajuda para encontrar a família, eles são encaminhados e atendidos. Não se pode fazer tudo, mas, se faz muita coisa.

Confesso que foi uma cena “chocante” para mim. Diferente daquilo que tenho visto nas paróquias por onde andei.

E eu, que vinha subindo as escadas, carregada com o fardo dos meus “preconceitos”, me deparei com a mais pura “misericórdia” que é possível se ter por outro ser humano. Não poderia ser diferente numa paróquia com o carisma franciscano, mas, mesmo assim, foi algo que não se vê todos os dias. E, depois, fiquei pensando que era o que Deus queria que eu visse naquela hora, naquele momento. Que eu sentisse que os fardos que carrego são muito mais de indiferença, do que “peso pelo sofrimento” dos meus irmãos. Nunca me sento tão... inútil, essa é a palavra, como naquele momento!

Na sequência, fui conversar com a coordenadora. E o assunto que ela queria tratar comigo, ia muito além do que uma simples “ajudinha”. Ela precisa cuidar da mãe doente e faz viagens frequentes por isso, então me pediu para assumir a coordenação da catequese na paróquia. E mais espantada ainda fiquei, quando ela me disse que não seria somente pelos dois meses em que estaria viajando: Era “para sempre”! Ou pelo tempo que dura o “mandato” de uma coordenadora. E, enquanto conversávamos, o Frei, que é também o pároco, ligou para ela... “Sim, frei, ela está aqui comigo, já vamos descer para conversar com o senhor...”.

Bom, além de me parecer uma certa “doideira” da parte dos dois, chamando uma pessoa que mal conhecem para assumir tamanha responsabilidade, aquilo me pareceu também um “complô” contra mim (risos) ... Tinham “armado” para mim!

Conversando com o Frei, eu fui pensando: Que loucura, meu Deus! Que desafio! Assumir a coordenação de catequese de uma paróquia que frequento há seis meses só! Enfrentar a coordenação de uma catequese onde me engajei só “para ajudar”, tem menos de 2 meses! A garantia de apoio da coordenadora atual, mesmo estando afastada; a garantia de apoio irrestrito do Frei e da paróquia; liberdade para coordenar e proporcionar mudanças e melhorias; a garantia de que as demais catequistas estão de acordo e apoiam isso... pesou na decisão. Mas, não foi o que me “ganhou” e me fez dizer SIM. Foi outra coisa...

O que “me ganhou” e ganhou meu coração, foi aquele Frei e aquela moça ajudando aquele morador de rua que vi, logo que cheguei ali.

Como dizer não para uma paróquia assim? Como dizer não a um chamado destes?

Então, Frei Alexandre, não foram às suas “propostas” tentadoras e nem o apoio e confiança que a Iandaira demonstrou, que me fizeram dizer sim. Foi um morador de rua. E vocês não sabem o tamanho da “encrenca” que arranjaram me chamando! Rsrsrsrrsrs...

E, pensando no que vi quando cheguei e numa fala sua, ao dizer que a Iandaira até parecia mais “leve” depois que eu aceitei... lembrei de uma música....

ELE NÃO PESA... ELE É MEU IRMÃO!

Ele não pesa, ele é meu irmão! A estrada é longa com muitas voltas sinuosas. Isso nos conduz a quem sabe onde. Quem sabe onde? Mas, eu sou forte, forte o bastante para carregá-lo, ele não pesa, ele é meu irmão. Assim nós vamos.
O bem-estar dele é a minha preocupação. Ele não é nenhum fardo para aguentar.
Nós chegaremos lá, porque eu sei, ele não me atrapalha. Ele não pesa, ele é meu irmão. 
Se eu estou carregando tudo, eu estou carregando tristeza também.
Pois, os corações não estão cheios com a alegria do amor de um para com o outro, como deveria ser. 
É uma estrada longa, longa, da qual não há nenhum retorno.
Enquanto nós estamos a caminho de lá, por que não dividirmos? 
E a carga, não me pesa em nada. Ele não pesa, ele é meu irmão. Ele é meu irmão.
Ele não pesa, ele é meu irmão.


* Esta música foi composta em 1969. Fez sucesso com o Grupo The Hollies, na década de 70. Dizem que o que inspirou essa canção foi o seguinte: certa noite, em uma forte nevasca, na sede de um orfanato em Washington DC, um padre plantonista ouviu alguém bater na porta. Ao abri-la ele deparou-se com um menino coberto de neve, com poucas roupas, trazendo em suas costas, um outro menino mais novo. A fome estampada no rosto, o frio e a miséria dos dois comoveram o padre. O sacerdote mandou-os entrar e exclamou: “Ele deve ser muito pesado”. O que o que carregava disse: “ele não pesa, ele é meu irmão. (He ain’t heavy, he is my brother). Mas, eles não eram irmãos de sangue realmente. Eram irmãos de rua. O autor da música soube do caso e se inspirou para compô-la. E da frase fez-se o refrão. Esses dois meninos, foram adotados pela instituição ”Missão dos Órfãos”, em Washington, DC.

(Fonte: https://pt.aleteia.org/2017/01/11/a-historia-por-tras-da-musica-he-aint-heavy-hes-my-brother/)
 


Ângela Rocha
Catequista em Formação.

Frei Alexandre, escrevi este texto do fundo do meu coração, e sou assim, metade gente racional e outra metade, pura emoção. Mesmo que as coisas não deem certo, saiba que, eu VI, vi mesmo, como Jesus é “Bom” em sua paróquia! Deus os abençoe infinitamente!


Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões - Praça Rui Barbosa Curitiba PR
Ao fundo: Colégio Bom Jesus e FAE - Centro Universitário  Grupo Educacional Bom Jesus

Velário da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões
Tradicional Bolo de Santo Antonio oferecido durante a Festa de Santo Antonio na Paróquia.