Apesar de termos hoje, um novo texto do Diretório para a Catequese, não podemos deixar de considerar o quão ricos são os textos dos diretórios anteriores. Mesmo que tenham sido escritos em outro contexto histórico e vivencial da Igreja, eles nos trazem mensagens e ensinamentos que não podemos preterir. Assim é a descrição das “tarefas” da catequese, feita no DGC - Diretório Geral para a Catequese de 1997. Mais interessante ainda são as "considerações feitas logo após elencá-las. Vamos fazer aqui um “resgate” dos itens 85 a 87, texto maravilhoso e muito educativo para os catequistas.
Ajudar a
conhecer, celebrar, viver e contemplar o mistério de Cristo é a missão da
catequese. Estas tarefas se desdobram em outras, consideradas fundamentais (DGC
85):
– Favorecer
o conhecimento da fé: Aquele que encontrou Cristo deseja conhecê-Lo o mais
possível, assim como deseja conhecer o desígnio do Pai, que Ele revelou. O
conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão à fé (fides qua).
Já na ordem humana, o amor por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre
mais. A catequese deve levar, portanto, a compreender progressivamente toda a verdade do
projeto divino, introduzindo os
discípulos de Jesus Cristo no conhecimento da Tradição e da Escritura, a qual é
a “eminente ciência de Jesus Cristo” (Fil 3,8).
O
aprofundamento no conhecimento da fé ilumina cristãmente a existência humana,
alimenta a vida de fé e habilita também a prestar razão dela no mundo. A Entrega
do símbolo, compêndio da Escritura e da fé da Igreja, exprime a realização
desta tarefa.
– A
educação litúrgica:
Cristo está sempre presente em Sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. A
comunhão com Jesus Cristo leva a celebrar a sua presença salvífica nos
sacramentos e, particularmente, na Eucaristia. Por isso, a catequese, além de
favorecer o conhecimento do significado da liturgia e dos sacramentos, deve
educar os discípulos de Jesus Cristo à oração, à gratidão, à penitência, à
solicitação confiante, ao sentido comunitário, à linguagem simbólica, uma vez
que tudo isso é necessário, a fim de que exista uma verdadeira vida litúrgica.
– A
formação moral:
A conversão a Jesus Cristo implica o caminhar na sua sequela. A catequese deve,
portanto, transmitir aos discípulos as atitudes próprias do Mestre. Eles
empreendem assim, um caminho de transformação interior, no qual, participando do
mistério pascal do Senhor, passam do velho para o novo homem aperfeiçoado em
Cristo. O Sermão da Montanha, no qual Jesus retoma o decálogo e o imprime com o
espírito das bem-aventuranças, é uma referência indispensável na formação
moral, hoje tão necessária. Este testemunho moral, para o qual a catequese
prepara, deve saber mostrar as consequências sociais das exigências
evangélicas.
– Ensinar
a rezar:
A comunhão com Jesus Cristo conduz os discípulos a assumirem a atitude orante e
contemplativa que adotou o Mestre. Aprender a rezar com Jesus é rezar com os
mesmos sentimentos com os quais Ele se dirigia ao Pai: a adoração, o louvor, o
agradecimento, a confiança filial, a súplica e a contemplação da sua glória.
Estes sentimentos se refletem no Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos
discípulos e que é modelo de toda oração cristã. A Entrega do Pai Nosso, resumo
de todo o Evangelho, é, portanto, verdadeira expressão da realização desta
tarefa. Quando a catequese é permeada por um clima de oração, o aprendizado de
toda a vida cristã alcança a sua profundidade.
– Educar
para a vida comunitária: vida cristã em
comunidade não se improvisa e é preciso educar para ela, com cuidado. Para esta
aprendizagem, o ensinamento de Jesus sobre a vida comunitária, narrado pelo
Evangelho de Mateus, requer algumas atitudes que a catequese deverá inculcar: o
espírito de simplicidade e de humildade (Mt 18,3); a solicitude pelos
pequeninos (Mt 18,6); a atenção especial para com aqueles que se afastaram (Mt 18,12);
a correção fraterna (Mt 18,12); a oração em comum (Mt 18,19); o perdão mútuo (Mt
18,22). O amor fraterno unifica todas estas atitudes (Jo 13,34).
Ao educar
para este sentido comunitário, a catequese dará uma especial atenção à dimensão
ecumênica, e encorajará atitudes fraternas para com os membros de outras
Igrejas cristãs e comunidades eclesiais. Por isso, a catequese, ao procurar
atingir esta meta, exporá com clareza toda a doutrina da Igreja Católica,
evitando expressões que possam induzir ao erro.
– Iniciar
para a missão:
A catequese é igualmente aberta ao dinamismo missionário. Ela se esforça por
habilitar os discípulos de Jesus a se fazerem presentes, como cristãos, na sociedade
e na vida profissional, cultural e social. Prepara-os também a prestarem a sua
cooperação nos diferentes serviços eclesiais, segundo a vocação de cada um. As
atitudes evangélicas que Jesus sugeriu aos seus discípulos, quando os iniciou
na missão, são aquelas que a catequese deve alimentar: ir em busca da ovelha
perdida; anunciar e curar ao mesmo tempo; apresentar-se pobres, sem posses nem
mochila; saber assumir a rejeição e a perseguição; pôr a própria confiança no
Pai e no amparo do Espírito Santo; não esperar outra recompensa senão a alegria
de trabalhar pelo Reino.
ALGUMAS
CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONJUNTO DAS TAREFAS DA CATEQUESE:
As
tarefas da catequese constituem, consequentemente, um rico e variado conjunto
de aspectos. Sobre este conjunto, é oportuno tecer algumas considerações:
–
Todas as tarefas são necessárias. Assim como para a vitalidade de um organismo
humano, é necessário que funcionem todos os seus órgãos, também para o
amadurecimento da vida cristã, é preciso que sejam cultivadas todas as suas
dimensões: o conhecimento da fé, a vida litúrgica, a formação moral, a oração,
a pertença comunitária, o espírito missionário. Se a catequese descuidar de uma
dessas dimensões, a fé cristã não alcançará todo o seu desenvolvimento.
– Cada
tarefa, à sua maneira, realiza a finalidade da catequese. A formação moral, por
exemplo, é essencialmente cristológica e trinitária, plena de senso eclesial e
aberta à dimensão social. O mesmo acontece com a educação litúrgica,
essencialmente religiosa e eclesial, mas também muito exigente no seu empenho
evangelizador em favor do mundo.
– As
tarefas se implicam mutuamente e se desenvolvem conjuntamente. Cada grande tema catequético,
por exemplo, a catequese sobre Deus Pai, tem uma dimensão cognoscitiva e
implicações morais; interioriza-se na oração e se assume no testemunho. Uma
tarefa chama outra: o conhecimento da fé torna idôneos à missão; a vida
sacramental dá força para a transformação moral.
– Para
realizar as suas tarefas, a catequese se vale de dois grandes meios: a
transmissão da mensagem evangélica e a experiência da vida cristã. A educação litúrgica, por exemplo, necessita
explicar o que é a liturgia cristã e o que são os sacramentos; porém deve
também fazer experimentar os diversos tipos de celebração, fazer descobrir e
amar os símbolos, o sentido dos gestos corporais, etc. A formação moral não
apenas transmite o conteúdo da moral cristã, mas cultiva também, ativamente, as
atitudes evangélicas e os valores cristãos.
– As
diferentes dimensões da fé são objeto de educação, tanto no seu aspecto de “dom”
quanto no seu aspecto de “compromisso”. O conhecimento da fé, a vida
litúrgica e a sequela de Cristo são, cada uma, um dom do Espírito, que se
recebe na oração e, ao mesmo tempo, um compromisso de estudo, espiritual, moral
e testemunhal. Ambos os aspectos devem ser cultivados.
– Cada
dimensão da fé, assim como a fé no seu conjunto, deve enraizar-se na experiência
humana, sem permanecer na pessoa como algo de postiço ou de isolado. O conhecimento da fé é
significativo, ilumina toda a existência e dialoga com a cultura; na liturgia,
toda a vida pessoal é uma oferta espiritual; a moral evangélica assume e eleva
os valores humanos; a oração é aberta a todos os problemas pessoais e sociais.
Como
indicava o Diretório de 1971: “é muito importante que a catequese conserve
esta riqueza de diversidade de aspectos, de forma que nenhum aspecto seja
isolado, em detrimento dos demais”.
Diretório
geral para a Catequese, 1997, nº 85-87.
(Resumido:
Vale uma leitura na íntegra deste trecho do DGC)