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segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

QUAL É O "JEITO" DE FAZER: MÉTODOS

“QUAL É JEITO DE FAZER”: Os métodos na catequese

“Não se trata tanto de um método (Interação fé e vida), quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese.”

Por que precisamos deste ou daquele método na catequese? Encontramos esta resposta no item 152 do DNC, onde a catequese é descrita como um processo educativo e faz-se referência aos métodos a serem seguidos. 

Um bom Itinerário sempre indica os métodos a seguir. O itinerário catequético é o “mapa do caminho”, e este deve conter as instruções da caminhada, a direção a seguir e o como caminhar. Logo, é necessária uma metodologia, mostrar um “jeito” de fazer e de abordar conteúdos e ensinamentos. 

O método da catequese é fundamentalmente o caminho do seguimento* de Jesus. A Catequese Renovada coloca como base e referência para a pedagogia da fé o princípio metodológico da Interação Fé e Vida. 

* Citações dos Evangelhos: 

“Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mc 8, 34). 

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24). 

Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. (Lc 9,23). 

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14,6). 

O princípio metodológico da Interação Fé e Vida, assim é descrito: 

“Na catequese realiza-se uma interação (= um relacionamento mútuo e eficaz) entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado da Tradição. De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a formulação da fé é busca e explicitação das respostas a essas perguntas. De um lado, a fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com Ele; de outro, a experiência humana é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo. Essa confrontação entre a formulação da fé e as experiências de vida possibilita uma formação cristã mais consciente, coerente e generosa. Não se trata tanto de um método, quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese. O uso de um bom método garante a fidelidade ao conteúdo. (DNC 152). 

Assim, já não se faz mais catequese como se fazia antes, com planos de “aula” bem traçados ao método escolar. Agora é preciso “transformar” e de maneira “evangélica” as atividades catequéticas. A vida e a experiência do catequizando, a sua intimidade com Deus, acrescenta-se ao seu aprendizado das Sagradas Escrituras, a sua vivência litúrgica e orante. 

O método ver- iluminar-agir-celebrar-rever  (DNC 115 a 162) 

O método “ver, Julgar, Agir”, por experiência e tradição pastoral latino americana, tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. 

O método foi criado pelo cardeal Joseph Cardijn, fundador do movimento da Juventude Operária Cristã. O Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961. Mas, aqui no Brasil e na América latina ele ganhou corpo depois da Conferência de Medellin em 1968. 

Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé. 

VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócioculturais, políticos e religiosos... 

É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.

 ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade. 

AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.

O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum. 

O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã. 

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão. 

REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos. 

O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação. 

O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo. 

Além desses métodos, a catequese conta ainda com a contribuição de ciências em sua prática: pedagogia, filosofia, psicologia, ciências sociais, comunicação, etc. 

Ângela Rocha - Catequista

FONTE: CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC, DOCUMENTO 84. Itens 152 a 162. Brasília: Edições CNBB, 2006.



domingo, 22 de dezembro de 2024

TAREFAS DA CATEQUESE: ONDE ELAS SE CUMPREM NO ENCONTRO


TAREFAS DA CATEQUESE (DENTRO DO ENCONTRO)

Há algum tempo, numa formação sobre o DNC- Diretório Nacional de Catequese (CNBB) e o DpC – Diretório para a Catequese (Documento da Igreja), falamos sobres as tarefas da catequese Eu pedi às catequistas, uma tarefa:


Indicar, dentro de um roteiro de encontro, quais “tarefas/atividades” da catequese, estão sendo atendidas dentro do que estabelece os diretórios. DNC e o novo DpC:

 

A saber:

 

No DNC 53 alíneas a-g: a)Conhecimento da Fé; b)Iniciação litúrgica, c) Formação Moral; d) Vida de oração, e) Vida comunitária, f) Testemunho, g) Missão.

 

No DpC, parágrafos 80-89: Conduzir à consciência da fé (Conhecimento da Sagrada Escritura, Tradição, doutrinas); iniciar à celebração do mistério (liturgia); Formar a vida em cristo (formação moral); Ensinar a rezar; Introduzir a vida comunitária.

 

Esta é a tarefa que a Carla Bassoto fez, muito bem feita por sinal. Dentro deste “esqueleto” que a Carla fez, foram identificadas quais as “tarefas” que estavam sendo cumpridas.

 

1. Acolhida:

- Acolher os catequizandos na entrada com muito carinho, atenção e um grande e caloroso abraço!

– Sentados nas cadeiras em círculo, partilhar os acontecimentos da semana. Espiritualidade de comunhão.

 

* (Introduzir à vida Comunitária: DpC 88; DNC 53e).

 

2. Oração inicial: Em círculo, em pé, começaremos com uma oração de louvor pela semana que passou e pelo encontro que se iniciará, e outros agradecimentos que vocês quiserem fazer:. Sinal da Cruz, Pai Nosso.

 

* (Ensinar a rezar 86 DpC 86; DNC 53d).

 

3. A liturgia é lugar "o lugar privilegiado da catequese do povo de Deus”. Pedir a todos para fazer o sinal da cruz com a água benta (símbolo) acender a vela (símbolo) para a leitura da Palavra.

 

* (Iniciação litúrgica: DpC 96; DNC 53b).

 

4. Texto bíblico: Em pé, em círculo, diante da Mesa da Palavra, um catequizando lerá e posteriormente a catequista repetirá a leitura. A leitura bíblica precisa estar em conexão com o tema do encontro).

 

* (A catequese colhe sua mensagem da Palavra de Deus, que é sua principal fonte - Conhecimento da fé: DpC 80; DNC 53a).

 

5. Partilha (Lectio Divina):

O que a Palavra diz?

O que a palavra nos diz?

O que a Palavra nos quer dizer?

O que a Palavra nos faz viver?

Momento posterior a partilha é o indicado para a formação doutrinal com o tema pertinente ao texto da Palavra.

 

* (Conhecimento da fé/ Ensinar a rezar (leitura orante) -  DpC 80 e 86; DNC a, d).

 

6. Testemunho da catequista sobre sua vivência a partir do texto bíblico.

 

* (Formar para a vida em Cristo: DpC 83-85; DNC 53f).

 

8. Compromisso:

 

- Nesta semana, vamos colocar em prática o que aprendemos compartilhando com a família os ensinamentos de Jesus aprendidos neste encontro.

 

*(Fazer discípulos missionários: DNC 53g)

 

7. Encerramento: 

Para encerrar o encontro, como discípulos, sairemos “em missão” levando o que vivenciamos no encontro, para nossa família e amigos. Orações finais e despedida fraterna!

 

* (Formar para a vida em Cristo/ – DpC 83, 84 e 85; DNC 53g).

 

 

Colaboração: Carla Bassoto, catequista da Paróquia São Judas Tadeu, Bauru -SP.


******

E muitos catequistas nem sabem que precisam cumprir estas tarefas...


Ângela Rocha

Catequista




 

terça-feira, 10 de outubro de 2023

E DE NOVO... FALTA NA CATEQUESE REPROVA?


Em uma publicação em nossa página, recebi  alguns comentários que preciso responder. Trata-se de uma texto de 30 DE MARÇO DE 2019, com o título: “COM QUANTAS FALTAS REPROVA?”. Vamos aos comentários e o que eu tenho a dizer para cada um(a). (Os comentários estão anônimos...). 

Anônimo disse...

Olá.. meu filho mora com a mãe em cidade distante e a cada 15 dias fica comigo (pai), a gente se esforça para não faltar mais fico preocupado pois tenho um acordo jurídico é lei vai sempre ter mais valor que religião.. meu filho vai ser prejudicado ou vou ter que acionar a justiça pois a igreja não compreende que está em sempre estará errada em impor… imposição assim não é de Deus e sim uma vergonha da parte da igreja sempre atrasada..

18 de agosto de 2023 às 21:21 

Com relação a esta situação, deve dizer meu querido Pai, que há mais situações iguais as suas do que você imagina. Muitos pais dividem a guarda dos filhos e, muitas vezes, um deles não é católico o u não frequenta a Igreja. Fato que muitas vezes interfere na catequese das crianças. Mas, existe algo que você pode fazer e a sua ex-esposa também: Ir até a paróquia onde seu filho frequenta a catequese e explicar a situação para a catequista e para a coordenação da catequese. Como se trata de algo que acontece a cada 15 dias, você pode ajudá-lo no encontro que ele teria, se não estivesse com você. Porém, é necessário que ambos queiram isso... e não falo dos pais, falo do filho também. Ele quer fazer a catequese? Ele se incomoda em faltar? Ou esta questão não está sendo considerada? Nós não fazemos catequese para “dar” sacramento. Fazemos catequese para iniciar as crianças na vida cristã. Então, resta saber se pais e filho, desejam esta iniciação. Se a resposta é sim, para tudo se dá um jeito, é só conversar.

Anônimo disse...

Minha filha de 10a foi reprovada com menos de 5 faltas via recado dos colegas, muito bem igreja católica, que prega punição e exclusão!
Eu mesma não quero que ela volte pois nem o padre se interessou pelo assunto.

8 de outubro de 2023 às 03:01 

Anônimo disse...

Detalhe, a pseudo catequista me bloqueou hahaha. IGREJA PUNITIVA E EXCLUDENTE DA CIDADE DE TIETE. E SO ESTA ANONIMO PQ NAO SEI CADASTRAR MEU NOME. TB ENVIEI PARA A ARQUIDIOCESE RESP. E SE NGM RETORNOU É PQ CONCORDAM!

8 de outubro de 2023 às 03:14 

Penso que os dois comentários sejam da mesma pessoa. Então vou responder somente uma vez. Primeiro, não sei se é prudente acreditar num “recado dos colegas”. Creio que o mais certo é procurar a paróquia e o(a) catequista. E a Igreja Católica da qual faço parte minha vida toda (e olha que tenho 57 anos), não é punitiva e nem excludente. Mas, existem pessoas dentro dela que, infelizmente, ainda não compreenderam o seu papel. Quanto ao padre, também acredito que uma boa conversa pode resolver a questão. Será que ele sabe do “assunto”? As faltas da sua filha foram justificadas junto ao catequista? Você procurou a catequese para informar o que ocasionou as faltas? O diálogo sempre é a resposta. E a Arquidiocese não tem como responder a isso. É a comunidade que você frequenta que tem que lhe dar uma “resposta”. Mas, primeiro, é preciso fazer a pergunta...

* * *

Realmente este assunto é muito sério! E de forma alguma podemos ignorar o anseio dos pais, ou as dúvidas e críticas. E é bem complicado dar uma resposta sem escutar todos os envolvidos. Não vou dizer que nossa Igreja seja perfeita e não temos falhas. Temos, é claro! Mas, nunca se pode excluir o diálogo. E infelizmente temos um grave problema na catequese: os pais não participam da vida dos filhos na Igreja e os catequistas não participam da vida dos catequizandos, fora da Igreja.

Normalmente ao se fazer a inscrição de uma criança na catequese, os pais são alertados com relação às faltas. Elas de fato não podem ser muitas. Isso porque temos um calendário semanal de catequese. Um mês tem 4 encontros. Se considerarmos um ano de 8 meses (que é o que a catequese tem), teremos 32 encontros. Se a criança faltar 5 vezes, ela terá uma perda que não dá pra mensurar. Mesmo assim nós catequistas consideramos que é preciso que os pais nos comuniquem das faltas. A catequese não é escola, mas, é um compromisso tão sério quanto. Trata-se do aprofundamento da formação cristã das crianças, iniciada pelos pais em casa.

Isso vai da organização de cada comunidade. Eu não recomendo colocar um nº X de faltas para reprovar e sim "administrar" as faltas e imediatamente ver o porque delas, conversar com o catequizando ou com a família. Se for o caso fazer um encontro para "repor" o que foi perdido. 

Ora, acontece que não informamos que X faltas reprovam. Informamos que se houver muitas faltas, talvez seja prudente começar de novo no próximo ano. Isso não é “reprovar”, é tomar cuidado com os compromissos que se assume em nome dos filhos. Lembrar que uma vez por semana, seu filho ou filha tem catequese. Penso que UMA vez por semana, não é um tempo tão grande assim, mas, se surgem outros compromissos sempre, é bom pensar se realmente é isso que você quer para o seu filho (a). Ou se é isso que a CRIANÇA quer... 

Mas, infelizmente essa é uma conversa que vamos continuar tendo enquanto a catequese for "conteudista". Não é o que o catequizando "aprendeu" e sim o que ele viveu durante o tempo da catequese. Alguns catequistas ainda pensam que crianças e adolescentes precisam aprender temas e decorar orações. Fato é que, se eles tiverem vivência católica em casa, a catequese será o que deve ser, um aprofundamento daquilo que os pais e a comunidade já ensinaram.


Ângela Rocha – Catequista

Graduada em Teologia - PUCPR

segunda-feira, 22 de junho de 2020

QUAL É O "JEITO" DE SE FAZER CATEQUESE?



Os métodos na catequese

“Não se trata tanto de um método (Interação fé e vida), quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese.”

Por que precisamos deste ou daquele método na catequese? Encontramos esta resposta no item 152 do DNC, onde a catequese é descrita como um processo educativo e faz-se referência aos métodos a serem seguidos.

Um bom Itinerário sempre indica os métodos a seguir. O itinerário catequético é o “mapa do caminho”, e este deve conter as instruções da caminhada, a direção a seguir e o como caminhar. Logo, é necessária uma metodologia, mostrar um “jeito” de fazer e de abordar conteúdos e ensinamentos.

O método da catequese é fundamentalmente o caminho do seguimento* de Jesus. A Catequese Renovada coloca como base e referência para a pedagogia da fé o princípio metodológico da Interação Fé e Vida.

* Citações dos Evangelhos:

“Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mc 8, 34).

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24).

Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. (Lc 9,23).

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14,6).

O princípio metodológico da Interação Fé e Vida, assim é descrito:

“Na catequese realiza-se uma interação (= um relacionamento mútuo e eficaz) entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado da Tradição. De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a formulação da fé é busca e explicitação das respostas a essas perguntas. De um lado, a fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com Ele; de outro, a experiência humana é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo. Essa confrontação entre a formulação da fé e as experiências de vida possibilita uma formação cristã mais consciente, coerente e generosa. Não se trata tanto de um método, quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese. O uso de um bom método garante a fidelidade ao conteúdo. (DNC 152)

Assim, já não se faz mais catequese como se fazia antes, com planos de “aula” bem traçados ao método escolar. Agora é preciso “transformar” e de maneira “evangélica” as atividades catequéticas. A vida e a experiência do catequizando, a sua intimidade com Deus, acrescenta-se ao seu aprendizado das Sagradas Escrituras, a sua vivência litúrgica e orante.

O método ver- iluminar-agir-celebrar-rever  (DNC 115 a 162)

O método “ver, Julgar, Agir”, por experiência e tradição pastoral latino americana, tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo.

O método foi criado pelo cardeal Joseph Cardijn, fundador do movimento da Juventude Operária Cristã. O Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961. Mas, aqui no Brasil e na América latina ele ganhou corpo depois da Conferência de Medellin em 1968.

Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.

VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos...

É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.

ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.

AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.

REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.

O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.

O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo.

Além desses métodos, a catequese conta ainda com a contribuição de ciências em sua prática: pedagogia, filosofia, psicologia, ciências sociais, comunicação, etc.

FONTE:

CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC, DOCUMENTO 84. Itens 152 a 162. Brasília: Edições CNBB, 2006.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PROFESSOR OU CATEQUISTA?


Dia 15 de outubro, dia do professor. Um catequizando encontrou seu catequista e tentou ser gentil:
- Parabéns professor pelo seu dia.
- Não sou professor, sou catequista!
- E qual a diferença?
- Muitas.
- Quais?
- Ah, são muitas. O professor dá aula. O catequista não.
- Então porque o senhor faz chamada no início de cada encontro?
- Para controlar a presença de vocês.
- Mas isso se faz em aula também. Lá na escola também controlam a nossa presença.
- Mas é diferente.
- Diferente por quê?
- Diferente...
- Mas se é diferente, porque a gente se matricula na catequese?
- Não é matrícula, é inscrição.
- Mas a coordenadora e o padre falam em matrícula na catequese.
- Mas na catequese é diferente. Aqui não é uma escola.
- Mas se não é escola, porque é que a gente paga taxa de inscrição para fazer catequese?
- É para manter a igreja, com seus serviços e pastorais. E não é taxa, mas sim, uma contribuição.
- Sim, mas o padre e a coordenadora falam taxa. Ouvi eles dizerem isso. Todo mundo pergunta se a gente já pagou a taxa.
- Não é taxa. Tá errado. Não é assim que devemos tratar aquele valor que muitos pais pagam no início do ano. É uma contribuição. Quem não puder não paga.
- Ah...
- Tem muita diferença entre escola e catequese, muita mesmo.
- Mas, se é tão diferente assim, porque usamos caderno e o senhor ainda usa o quadro para se comunicar com a gente? Porque temos que copiar conteúdos?
- Como vocês irão aprender se não for assim? Sim, faço isso, mas é catequese.
- Mas tudo isso a gente também faz na aula.
- Mas é diferente.
- O senhor faz prova também. Lá na escola, é prova toda a hora. Aqui na catequese o senhor também avalia a gente através de prova.
- Mas eu preciso avaliar vocês de alguma forma.
- Mas se não é aula, porque prova?
- Ah menino, já te disse, catequese não é aula. Aula é em escola. Não sou professor, sou catequista.
- Não entendi ainda a diferença...
- Mas tem muitas diferenças...
- Lá na escola a gente também fica numa sala e as cadeiras são colocadas de forma igual ao que acontece aqui na catequese, também tem chamada, quadro, prova. Tudo o que tem aqui tem lá. Não consigo entender a diferença.
- Mas tem diferença, e muita.
- O senhor poderia me explicar quais?
- Já te falei menino, preciso falar de novo?
- Não, obrigado. Mais uma vez, parabéns pelo dia do professor.
- Eu já disse, não sou professor, sou catequista.
- Lá na escola, quando não entendo algo, os professores tentam me explicar até que eu consiga entender. Talvez seja esta a diferença entre o senhor, catequista, e um professor da escola.
- Menino, não seja mal criado. Sou seu catequista.
- É que lá na escola também me obrigam a fazer algumas atividades. Aqui me obrigam a ir à missa.
- É diferente. Escola é uma coisa, catequese é outra.
- Ah, ta! Não vejo tanta diferença assim... o senhor é igualzinho meu professor quando fala...
- Menino, aqui na catequese, estamos tentando te mostrar um outro caminho, que a escola não mostra. São objetivos diferentes.
- E qual é o caminho que o senhor está tentando me ensinar?
- O caminho de Deus.
- O que tem de diferente no caminho de Deus, que o senhor ensina, do caminho que a escola ensina?
- Ah menino, já te expliquei, catequese não é escola. Eu não sou professor. Os nossos encontros não são aulas. E se você continuar me questionando assim, vou chamar seus pais aqui e você não vai poder fazer a crisma.
- Vai me expulsar porque eu te questiono?
- Vou.
- Lá na escola eles também chamam os pais para expulsar os alunos. Pensei que na catequese fosse diferente.


Alberto Meneguzzi – 22 de fevereiro de 2013.




- Uma só mesa com cadeiras a sua volta;
- Canto com ambão da Palavra, água benta, flores, vela acesa, imagem ou cruz.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

E COMO É UM ENCONTRO DE CATEQUESE?

Vou contar falando de um tema interessante.
O assunto da semana era “Um Rito necessário para celebrar”, ou seja, a Celebração Eucarística ou “A Missa”. Os recursos normalmente são um tanto limitados. Em uma das paróquias onde trabalhei, tínhamos uma missa passo-a-passo montada com desenhos num Flipchart, que é um tipo de quadro num cavalete, usado geralmente para exposições didáticas ou apresentações, em que fica preso um bloco de papéis em tamanho grande, assim, quando o quadro está cheio, o apresentador simplesmente vira a folha (em inglês, flip). Por mais que falar da missa "passo a passo" não seja o ideal, os desenhos ajudam bastante. Podemos falar das partes da missa, mas, lembrando sempre que no meio disso tudo é preciso "celebrar" e não só dar o "ponto".
Mas aqui pude contar só com o folheto da missa mesmo. E, em uma hora de encontro, cheguei no... tcham, tcham, tcham... Ato Penitencial!


Lá encalhamos nós. Estamos no último ano de preparação para a primeira eucaristia. E o sacramento da reconciliação causa nas crianças mais receio e expectativa que a própria comunhão em si. E quando falei que o ato penitencial na missa é o momento do exame de consciência, do reconhecimento dos erros e do pedido de perdão; novamente nos transportamos para o assunto Confissão... “E se a gente esquecer algum pecado?”, “Posso escolher o padre?”, “Se eu faço ato penitencial não preciso confessar?”, “Quando eu tenho que me confessar de novo?”. E por aí afora.
Agora, a pergunta que mais me chocou foi a seguinte: “Tia, posso ser a primeira a confessar?” Aí eu perguntei por quê... não devia ter perguntado! “Porque tenho aula de pintura neste dia!”.
Mas nosso assunto “reconciliação” rendeu algumas reflexões muito boas. Fomos lembrando do que é pecado, dos dez mandamentos, do que pode o Ato penitencial nos libertar e do perdão de Deus. Num determinado momento, falávamos sobre os erros que as pessoas cometem, como no caso de um ladrão que entra na casa da gente. Aí eu falei que a gente precisa, antes de julgar essa pessoa como um “condenado a danação eterna”, ver em que realidade vive essa pessoa. Ela, provavelmente, não possui em sua vida os valores de um bom cristão. E quando eu disse que não podemos simplesmente “crucificá-la” como fizeram com Cristo, uma das minhas menininhas disse: “Porque crucificaram Jesus afinal? Ele não fez nada!”. Esse foi o gancho para um debate incrível com eles.
Pedi a cada um que tentasse responder essa pergunta. E vieram as mais diversas respostas: porque Judas o entregou, para salvar a humanidade, para que a gente não morresse, para redimir nossos pecados. Tudo uma “decoreba” sem fim. Só que pedi a eles que tentassem explicar, com o entendimento “deles”, como Jesus, com sua morte, redimiu nossos erros. Tá bom! Vocês vão dizer que exigi demais dos meus anjinhos de 10 anos. Mas não estamos exigindo que eles entendam toda a mistagogia da Eucaristia??
A coisa ficou complicada. Como alguém pode simplesmente morrer e salvar todo mundo? Porque nós continuamos morrendo do mesmo jeito um dia... O que significou verdadeiramente a morte de Cristo? E que tipo de “morte” foi aquela? E chegamos à chave do processo salvífico: A Ressurreição! Porque Jesus ressuscitou? Qual o sentido disso para nós, cristãos? Qual é o mistério envolvido em tudo isso?
Depois de muitos “micos”, respostas esdrúxulas, conjecturas, “adivinhações”, veio um comentário que começou a dar uma luz a nossa discussão: “Tia, as pessoas não se importavam umas com as outras, ninguém liga pra salvar alguém...”. Quando eu disse que essa resposta era a ponta do fio que ia desfazer nossos nós, as crianças começaram então a entender o que aquele “Morreu para nos salvar...” significa.
Aí elas conseguiram ir ligando a “morte” de Cristo com a “morte” dos nossos pecados. A Ressurreição de Cristo com a “vida nova” proposta por Ele. E aí também foram chegando à simbologia da comunhão eucarística. No que significa verdadeiramente a “fração do pão”, a comunhão depois do arrependimento, do perdão, da reconciliação verdadeira com Deus. E isso, claro que não com essas palavras, foram eles mesmos que me disseram.
Durante a nossa uma hora e meia de encontro, bati a cabeça muitas vezes na parede (de brincadeirinha claro!). A cada resposta equivocada eu ia lá e dizia que eles ainda iam me matar... Mesmo falando de um assunto tão sério, eu permiti risadas e brincadeiras... E a cada resposta que me fazia “bater a cabeça na parede” eles buscavam com afinco a resposta correta ou o verdadeiro entendimento.
Ao final senti que aquelas oito cabecinhas pensam agora diferente sobre a reconciliação e a Eucaristia. Não sou ingênua a ponto de achar que “mudei a vida” deles. Mas tenho certeza absoluta que a expressão “Jesus, Salvador”, agora vai provocar neles uma reflexão mais demorada. E outra coisa, não podemos pensar que crianças de 10, 11 anos não tem maturidade suficiente para refletir sobre um assunto tão complexo. Hoje em dia elas vivem num mundo repleto de informações. Suas mentes processam essas informações a uma velocidade espantosa. Acho que nós, catequistas, é que somos meio “devagar”...
Pensem só: Eu precisei de um encontro de uma hora só para falar de uma pequena parte da Missa. Quantas partes tem a missa? Precisaria de todos os 32 encontros do ano só para conseguir explicar toda a simbologia envolvida numa celebração. Ou seja, só para ligar um pouco a Liturgia à catequese. E pensando que, a cada parte, precisamos celebrar também, levá-los a "viver" o momento.
E tem gente que diz ainda que o tempo de catequese que temos, é suficiente. Isso porque a nossa, no regional Sul II, é de três anos para a Eucaristia e dois para a Crisma. E onde é UM ano pra cada sacramento? Com uma hora de encontro? Ou nem isso se considerarmos catequese de março a outubro...

Catequista

sábado, 9 de agosto de 2014

ARTIGOS - O BELO, LUDICO E A MISTICO NA CATEQUESE - parte lll

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG.


A BELEZA QUE SEDUZ

Este artigo é uma adaptação, com ligeiras interferências, do texto de Inês Broshuis apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 23 de julho de 2010. 

1. Que é o “belo”? Primeiro precisamos perguntar que é o “belo”. É algo objetivo, subjetivo, intuitivo...? Por que temos conceitos diferentes do “belo”? Independente da resposta dada, o conceito de belo nos leva a entender que o bom gosto pode ser formado, educado. Compreendemos também que toda experiência de beleza é uma experiência religiosa, leva a Deus, que é a Beleza por excelência. A beleza é transmissora de fé. 

2. Para perceber o belo, precisa-se silenciar
No barulho ou na agitação não se percebe o belo. A beleza é para ser sentida; não é dirigida à nossa inteligência, mas ao coração. Observar um quadro bonito, uma flor, ouvir uma música clássica, exige silêncio. O belo também faz silenciar. O belo é o contrário do superficial. Perceber a beleza das coisas significa penetrar em sua realidade mais profunda. Quando nos encantamos com a beleza da criação chegamos à contemplação de Deus. A primeira revelação de Deus se deu na criação. A proposta da beleza é gratuita, exige tempo, contemplação, admiração... abre ao Transcendente, conduz ao mistério. 

3. Para descobrir o belo, deve-se desenvolver a admiração A admiração levou a grandes descobertas científicas. Os sábios da antiguidade diziam: “a admiração é o princípio de toda sabedoria”. Newton se perguntou, maravilhado, porque uma maçã cai de uma árvore, em linha reta, na terra. E ele descobriu que são as mesmas forças que fazem a maçã cair no chão que levam os planetas a girarem ao redor do sol. James Watt se maravilhou com o fato da tampa de uma panela com água fervendo ficar pulando e, com base nisso, inventou a máquina a vapor. Milhares de pessoas de milhares de gerações viam cair frutas das árvores, mas ninguém ficou tão maravilhado como Newton. Milhares também viram a tampa da panela pulando, mas ninguém se admirou. 

A capacidade de se maravilhar é a capacidade fundamental de todos os investigadores, cientistas e descobridores. É também o impulso para aqueles que acreditam. A admiração que sentimos diante das belezas da natureza, de tudo que nos cerca, nos leva a sentir o mistério que nos envolve. Nada é “normal”, sempre está acontecendo algo bem superior à nossa realidade. Admirando o céu estrelado sentimos nossa pequenez. Ouvindo as descobertas da astronomia ficamos estupefatos diante daquilo que ela nos revela. 

O sol é uma das 400 bilhões de outras estrelas da nossa Via Láctea. Os astrônomos acreditam que há cerca de 100 bilhões de galáxias no universo. Em cada uma dessas galáxias existem centenas de bilhões de estrelas. Nenhuma galáxia do universo está parada. Todas estão em movimento e se distanciam umas das outras a uma velocidade impressionante. O universo é um acontecimento, uma explosão. Diante da grandeza da natureza exclamamos: “O céu manifesta a glória de Deus; o firmamento proclama a obra de suas mãos!” (Sl 19,2). 

O que dizer da maravilha do corpo humano? O corpo humano tem cerca de 100 trilhões de células. Dentro de cada uma dessas células há um núcleo. Cada núcleo contém 46 cromossomos, agrupados em 23 pares. Os cromossomos são compostos de cordões helicoidais do DNA. Genes são segmentos de DNA que arquivam instruções para fabricar proteínas, os tijolos da construção da vida. Que maravilha é o nosso corpo! Que mundo de segredos, de maravilhas contém! Podemos dizer que tudo é normal? Que não há nada a admirar? 

O modo com que meu corpo e minha mente funcionam é outra maravilha. Cada órgão, cada parte do cérebro é um mundo incrível. Admirável é também que cada ser humano é único. Não há repetição. Cada um é um indivíduo irrepetível. O nascimento de uma criança é uma nova maravilha. Podemos dizer que sempre presenciamos um milagre. Viver é um milagre.
Admirável também é a capacidade que o próprio ser humano tem de questionar, de penetrar os segredos da natureza e descobrir o funcionamento. Basta pensar na tecnologia, na informática, na comunicação e na engenharia. Diz o Salmo 8: “Que é o homem, para dele e lembrares? Tu o fizeste pouco menos do que um deus e o coroaste de glória e esplendor”. 

4. A beleza na catequese Somente quem é capaz de admirar, de se maravilhar, é capaz de contemplar, de mergulhar em Deus e em seu mistério, cair em silêncio profundo e se entregar! Devemos desenvolver em nós e em nossos catequizandos o dom de admirar, de maravilhar-nos. Vivemos dentro de um grande mistério: Deus. Através do belo, fazemos a experiência de Deus. Cada encontro catequético deve levar à experiência de Deus. Como podemos criar em nossa catequese um ambiente que favoreça o silêncio, a admiração, a contemplação? 

Quando entramos numa igreja bonita, limpa e organizada, o próprio ambiente nos leva ao silêncio. A ornamentação, a luz que passa pelos vitrais, algumas imagens de bom gosto, a luz do sacrário... tudo nos faz contemplar o belo. Também o ambiente da catequese deve levar a isto. Em geral, não temos um espaço próprio e os centros comunitários e paroquiais não contribuem para se criar ambiente onde se sinta o Sagrado. 

Devemos preparar, de antemão, o ambiente e, para isto, estar no local pelo menos 15 minutos antes de começar o encontro. A sala limpa, algum cartaz bonito sobre o tema (não muitos), uma mesinha com toalha, alguma flor ou planta bonita (natural), uma estante para a Bíblia, uma vela acesa, cadeiras em círculo... Tudo isso expressa zelo, cuidado, contemplação, comunicação que revela a beleza da mensagem cristã. A(o) própria(o) catequista faz parte deste ambiente. Ela(e) se comunica: 70% com a postura (roupa decente, atitudes dignas); 25% com a voz (tom suave, boa articulação); 5% com o conteúdo (bem preparado). 

É preciso cultivar o silêncio. O contrário do silêncio é o barulho, a bagunça, a agitação, a desordem, o desequilíbrio. Podemos fazer exercícios de silêncio, ouvir alguma música suave (mantras), selecionar bem os cantos. As gravuras precisam ser de bom gosto, principalmente as que retratam o Cristo. Devemos evitar imagens ou desenhos de Deus e reforçar as imagens de Deus contidas na Bíblia. É muito importante que o catequista cresça na arte de narrar. Basta lembrar as narrativas bíblicas, como as que se encontram nos Atos dos Apóstolos... 

Símbolos são objetos que transmitem uma realidade interior mais profunda que o objeto apresentado. A Liturgia se expressa (além da Palavra) por gestos e símbolos: água, vela, pão, vinho, óleo, espaço, vestes, vestes, silêncio, música, imagens, Bíblia, expressão corporal... A Liturgia é escola de beleza pela riqueza de seus símbolos. Nós podemos usá-los também na catequese, ligando-os à vida de cada dia. Plantas, flores, retratos, pedras, tudo pode se tornar um símbolo. O símbolo não toca as pessoas do mesmo jeito. O sentido mais profundo é diferente para cada um. 

A Bíblia é um livro cheio de poesia e linguagem simbólica que pode inspirar a catequese e a oração, como acontece com os Salmos. Na catequese não pode faltar formação para a oração. Se a catequese não ensina, onde a pessoa vai aprender a orar?

Devemos, então, ensinar fórmulas meditadas, orações espontâneas, celebrações, culminando na oração silenciosa e contemplativa.
(Inês Broshuis)

*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O belo, lúdico e a mistica na Catequese - parte ll

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG. *por conta da extensão do arquivo estaremos publicando em três partes. Acompanhe a sequência!

A MÍSTICA QUE TRANSFORMA

Este artigo é uma adaptação do texto de Lucimara Trevizan, apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 24 de julho de 2010.
Mística é a motivação densa e profunda da caminhada cristã. É o ponto de apoio da vida, o gancho onde a gente prende o sentido da vida. Falar em mística é falar do sentido da existência. É falar da experiência amorosa de Deus, experiência fundante do cristão. É ser iniciado no Mistério.

1. Deus é Mistério de Amor
A experiência do amor é a chave para o conhecimento de Deus, para ser iniciado no Mistério, já nos diz a carta de São João. A gente só se conhece quando se reconhece
amado. Ninguém se conhece se não reconhece que é conhecido amorosamente. O olhar de Deus é olhar amoroso.


Jesus vê o que os outros não vêem. Vê numa pecadora bondade e amor. A verdadeira profecia de Deus é ser capaz de ver o bem onde aparentemente existe pecado e mal. O método para conhecer uma pessoa é amá-la, é confiar, é crer. Deus nos conhece e reconhece com amor. O olhar de Deus é bondade, amor... Deus tem fé no amor. Só enxergo na media em que olho o que Deus vê.

Para Santa Teresa, orar é olhar o olhar de Deus para mim. Sentimos saudade e fome desse olhar amoroso de Deus. O olhar de Deus me devolve, me faz ser eu mesmo. Jesus nos permite conhecer como Deus nos conhece.

2. Como Deus me conhece e como posso conhecer que sou conhecido?
Chamar de Deus de Pai supõe que, se quero conhecer como ele me conhece, preciso escutar sua voz que diz: Filho. Se pelo batismo fomos incorporados no Filho, precisamos reconhecer: sou filho(a) amado(a). Esta é a resposta à pergunta fundamental: Deu quem sou, ou quem sou eu? Somos filhos do amor.

Deus nos amou primeiro. Nossa bondade é porque Deus nos ama. Para Deus a criação é uma aposta. Cria gratuitamente. Fomos feitos à imagem e semelhança daquele que nos criou livremente. A liberdade é parte da criação. Deus nos criou livremente nos criou para a liberdade. Deus nos criou criadores (do nosso próprio destino, ou seja, para criar a forma concreta da vida, desenvolver as capacidades que temos). O original em nós é a Graça, o amor, a liberdade, a criatividade.

Jesus “me conhece”. Ele faz tudo por nós, pela nossa salvação. O que Jesus faz em nossa vida é garantir com sua Palavra e vida a certeza de que ninguém nos afasta do amor de Deus. Não é preciso ser Deus para ser filho de Deus. É preciso parar de sonhar em ser onipotente, grandioso, vendo limite como algo que oprime. É possível amar ainda quando parece que tudo acabou: o amor, a vida...

Jesus, o Filho, nos ensina que é possível amar a humanidade. O Filho se encarnou para mostrar o que Deus queria com a criação. A humanidade definitivamente faz parte de Deus. Quando dizemos “Jesus subiu aos céus” não queremos dizer que deixou de ser humano. Jesus Ressuscitado voltando ao Pai volta humano. Por ser solidário radicalmente com a humanidade, a nossa humanidade está em Deus. Mesmo com a ressurreição e ascensão de Jesus, nossa humanidade continua em Deus.

A beleza da Encarnação é ver que Deus nos faz tão filhos dele que nos participar de sua vida. O amor de Deus faz com que a vida não acabe, o perdão seja possível, a morte não tenha a última palavra. Sou filho, alguém que está a salvo. A vida vai dar na Plenitude, na Glória. Acreditar no Espírito Santo é acreditar que não é só na morte que vamos para Deus, mas é já aqui. A vida é sopro de Deus em nós.

O Espírito nos foi dado para vivificar/santificar. É o Espírito que nos inspira a bondade (que às vezes a pessoa nem percebe). Deixar o Espírito vivificar é deixar que o nosso coração vá ficando bom. Que a criação volte à bondade original. Que cada um encontre
o caminho para a bondade. Deus nos chama a todos à santidade, ou seja, à bondade que nos faz parecidos com o único bom: Deus Pai.


3. A mística na catequese
Catequese é lugar da experiência da beleza do amor de Deus, revelado em plenitude em Jesus Cristo. A catequese tem a missão de ajudar as pessoas a se reconhecerem filhos amados de Deus. Precisamos considerar os seguintes aspectos:
* A nossa catequese é ainda muito escolar, somos presos ao livro, ao texto.
* É necessário rever os conteúdos dos encontros. Perde-se tempo com temas que são secundários.
* Devemos cuidar mais da acolhida, da partilha e da convivência.
* É importante investir na espiritualidade da comunhão e perceber o outro como obra de arte de Deus.
Em relação ao grupo de catequistas:
* Cuidar do encantamento inicial (formação).
* Resgatar a alegria de ser catequista, a alegria do chamado (vocação: é Deus quem chama).
* Ajudar o grupo a melhorar a intimidade com o Amado: Deus mesmo.
* Organizar manhãs, tardes de espiritualidade para silêncio, oração pessoal, partilha.
* Cuidar da preparação das celebrações e orações.
* Zelar pela boa acolhida e acompanhamento das pessoas.
* Melhorar o jeito de trabalhar a espiritualidade nos cursos, nas escolas catequéticas.
(Lucimara Trevizan)


*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br