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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

QUEM CONVIDAR PARA PADRINHOS?


 
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES “LEGAIS” SOBRE O BATISMO NA IGREJA CATÓLICA:

“Vi nas redes sociais, uma foto onde os pais de um adolescente de 12 anos, estavam agradecendo um convite, aos pais de uma criança que seria batizada por este adolescente. Ressaltando que não é um convite para ser padrinho de batismo, ou de vela como alguns chamam, mas para ser padrinho de “apresentar” ou “consagrar”, como é a tradição de algumas famílias chamarem padrinhos para essa finalidade. Isso é certo? Gostaria de saber também, sobre a questão de serem chamadas duas pessoas que não tem vínculo conjugal nenhum para serem padrinhos de batismo de uma criança, ou de “vela” como dizem alguns, onde uma das pessoas tem menos de 15 anos de idade. Talvez seja precipitado de minha parte, mas acho imaturo. Infelizmente o Sacramento do Batismo não é respeitado como deveria ser. Muitas pessoas o tratam como um evento social. ”

“Hoje em dia, que os pais chamam qualquer pessoa para padrinho, nem nenhum propósito, e por tradição, e por fim, o que o padre vai fazer? Se o adolescente for crismado está preparado embora não tenha maturidade nenhuma...”

“Não podemos chamar qualquer pessoa para ser padrinho de crisma ou de batismo. Tem que ser pessoas que tenham maturidade pois são os padrinhos que irão acompanhar seus afilhados na vida espiritual, e dar-lhe assistência quando precisar".

Sobre a questão das madrinhas ou padrinhos de “Consagração”, esta tradição vem de um “tratado” escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, o “Tratado da verdadeira devoção”. O livro fala da devoção a Nossa Senhora e da necessidade de consagração a ela. Aqui a questão é mais para adultos do que exatamente para crianças batizadas na mais tenra idade.

Que se trate de uma “tradição” da Igreja, e não exatamente uma “norma”, acredito que os critérios a serem adotados na escolha destes “padrinhos” devem ser os mesmos que para os padrinhos de batismo. Isso porque, segundo algumas justificativas deste costume, o padrinho ou madrinha de consagração é responsável por ensinar à criança a devoção a Maria. Logo, uma criança de 12 anos, a não ser que tivesse maturidade e conhecimento, não poderia ser este padrinho. “Quando Maria está presente em uma alma, o Espírito Santo está nela plenamente e se comunica com ela. Um dos motivos do Espírito não realizar maravilhas nas almas é que não encontra nelas uma união íntima com sua fiel Esposa, a Virgem Maria. (TVD 36).

Agora, convém falar um pouco sobre algumas NORMAS que regem o sacramento do batismo:

Primeiro que existem, além das normas DIOCESANAS, que são determinadas pelos Bispos, as normas do CDC – Código de Direito Canônico (Promulgado pela Constituição Apostólica “Sacrae disciplinae leges” de João Paulo II), que tem força de lei na Igreja Católica.

As normas determinam que haja uma preparação prévia, do adulto a ser batizado; e se criança, tanto dos pais, quanto dos padrinhos, mesmo que estes tenham uma vivência comunitária na paróquia. Dessa forma, temos no CDC a seguinte instrução:

Cânon 851 – A celebração do batismo deve ser devidamente preparada; assim:

1° – O adulto que pretende receber o batismo seja admitido ao catecumenato e, enquanto possível, percorra os vários graus até a iniciação sacramental, de acordo com o ritual de iniciação, adaptado pela Conferência dos Bispos, e segundo normas especiais dadas por ela;
2° – Os pais da criança a ser batizada, e também os que vão assumir o encargo de padrinhos, sejam convenientemente instruídos sobre o significado desse sacramento e as obrigações dele decorrentes; o pároco, por si ou por outros, cuide que os pais sejam devidamente instruídos por meio de exortações pastorais, e também mediante a oração comunitária reunindo mais famílias e, quando possível, visitando-as.

SOBRE OS PADRINHOS:

Cânon 874 – § 1. Para que alguém seja admitido para assumir o encargo de padrinho, é necessário que:

 Seja designado pelo próprio batizando ou pelos pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus;
Tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou pareça ao pároco ou ministro que se deva admitir uma exceção por justa causa;
(O Diretório da Iniciação cristã da Arquidiocese de Curitiba, por exemplo, determina a idade de 18 anos, salvo expressa autorização do arcebispo).
Seja católico, confirmado, já tenha recebido o Santíssimo Sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé e o encargo que vai assumir;
não esteja abrangido por nenhuma pena canónica legitimamente aplicada ou declarada; 
não seja o pai ou a mãe do batizando.
§ 2. O batizado pertencente a uma comunidade eclesial não católica só se admita juntamente com um padrinho católico e apenas como testemunha do batismo.

Ou seja, a admissão de uma pessoa, fora das normas, como padrinho ou madrinha, fere o Direito Canônico. Mesmo havendo “uma exceção por justa causa”, é preciso usar o  bom-senso, para que isto não se torne uma regra ou prática comum na paróquia.

Quanto aos parentes, podem ser tios, primos, avós, sobrinhos, etc. Só não podem ser os próprios pais. Importante é considerar que os padrinhos não se afastam da vida do afilhado.

Sobre se o casal que for padrinho não ter vínculo conjugal nenhum, não tem problema, mas, se forem casais "amasiados" ou de 2ª união, apesar dos diretórios pedirem que tenham o sacramento do matrimônio para poderem batizar alguém, é preciso considerar as palavras do Papa Francisco sobre isso: é necessário acolher estes casais e usar de misericórdia como atitude fundamental. Acolher e discernir é algo que compete aos párocos, neste caso.

Sobre este assunto, destaco aqui o parecer de um Frei Franciscano, com o qual concordo:


Os padrinhos, a serem escolhidos, devem preencher os requisitos da idade (16 anos); serem católicos, já crismados, tendo recebido o sacramento da eucaristia, levando a vida de acordo com a fé e o encargo que vão assumir, não sendo atingidos por nenhuma penalidade canônica, porque tais critérios fazem parte das normas universais do ordenamento jurídico da Igreja e nisso não estamos autorizados a mudar a doutrina canônica. Porém, em relação à união irregular, naquelas dioceses onde isso não é colocado em modo explícito no seu ordenamento particular, que haja bom senso. Há muitos casais que vivem em modo irregular na Igreja, mas que são verdadeiros exemplos de vida na igreja doméstica (família) e na participação dentro da comunidade. Se houver uma avaliação mais criteriosa, muitas vezes são melhores que certos casais regulares (que contraíram matrimônio na Igreja) e que, no entanto, só aparecem na comunidade nestes momentos, como se fosse um ato social. Somado a este tipo de análise, sou ainda do parecer que a Pastoral do Batismo, ajudada pela Pastoral Familiar, possa também opinar na decisão dos padrinhos a serem escolhidos, junto aos pais dos batizandos. E que prevaleça a misericórdia do Bom Pastor sobre as normas, que nem sempre são fáceis de serem aplicadas objetivamente em cada caso que se nos apresenta.
 (Frei Ivo Müller, OFM - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil).


OUTRA CONSIDERAÇÃO:

TODAS AS DIOCESES têm normas sobre os SACRAMENTOS, determinadas pelo seu BISPO e as comissões. Precisamos conhece-las!

Felizmente, muitas dioceses têm abordado a questão do Sacramento do Batismo, de forma condizente com as práticas de “Iniciação à Vida Cristã” (IVC) e estão revendo as questões da “preparação de pais e padrinhos”, tratando o assunto, não mais como um “curso de batismo” de uma tarde de final de semana, mas, como uma verdadeira “catequese” a respeito do sacramento. Em vários lugares, pais e padrinhos tem tido um tratamento “personalizado” quando procuram a paróquia para batizar seus filhos. Este tratamento está trazendo “de volta” muitas famílias que se afastaram da Igreja e só vem até ela em busca de sacramentos. Agora as famílias são “reiniciadas” na fé e não somente adquirem “conhecimento” do que é o batismo.

Na Arquidiocese de Curitiba, temos um Diretório que disciplina a Iniciação à Vida Cristã em todas as suas instâncias, incluindo o batismo de crianças. Este diretório determina que PAIS e PADRINHOS, sem exceção, precisam fazer a "Preparação próxima ao Batismo", que consta de 3 encontros feitos em 3 domingos (ou outro dia que a paróquia achar conveniente), de mais ou menos 2 a 3 horas cada. Existe ainda um quarto encontro que é feito na casa dos pais se a mãe ainda estiver grávida. Os padres da arquidiocese são orientados a não abrir mão desta preparação para ministrar o batismo e a obedecer às normas do CDC.

Isso tudo que citei acima, não significa que tudo é "maravilhoso" e "certinho". Claro que um ou outro padre pode fazer exceção ou não exigir a formação de determinadas pessoas, mas, isso é feito sem que o arcebispo tome conhecimento ou autorize, e ele também não consegue ter controle total de tudo. Quem dera que todos tivessem o discernimento de entender que estas exigências, além de “legais”, são necessárias para uma Iniciação a Vida Cristã que reintegre as famílias afastadas.

FINALIZANDO: Existem sempre NORMAS que regem os sacramentos, por mais que uma diocese seja meio "atrasada" com relação às orientações sobre a Iniciação à Vida Cristã. Os párocos sabem delas e se não as praticam, podem ter alguma razão pastoral. Pesquisem a respeito e, se for o caso, perguntem ao padre o porquê da exceção. Podemos nos surpreender!

E como é a preparação ao batismo em sua paróquia? Segue as normas da Igreja ou é “ao gosto do freguês”?

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

Roteiros e orientações para a catequese batismal - Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE:
 JOÃO PAULO II. CDC – Código de Direito Canônico: Constituição apostólica “Sacrae disciplinae leges” de promulgação do Código de Direito Canônico (25/01/1983). Roma: 1983.

ARQUIDIOCESE DE CURITIBA. Diretório Arquidiocesano da Iniciação à Vida Cristã. Curitiba: Editora Arquidiocesana, 2013.



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A RECORDAÇÃO DAS “ÁGUAS” NO RITO DO BATISMO


O BATISMO, senão o principal, é um dos mais belos sacramentos da nossa Igreja. Sinal da Graça e pertença a Cristo, ele "marca" o cristão por toda a vida. E desperta nossa curiosidade também, o Rito do Batismo e suas partes. Aqui, respondendo a uma pergunta da Abigail. colocamos o significado da "amnamese das águas" no Rito do Batismo.

“Vejo que debaixo do céu há tempo determinado para cada coisa, por isso aproveito este tempo e espaço e peço, se for possível, comentar a anamnese da "água", feita na oração que o padre ou diácono reza sobre a água do Batismo. Quando participo de algum batizado, fico encantada do começo ao fim e principalmente com a oração sobre a água. Percebo que a maioria das pessoas não tem consciência do significado da "Água". Começando em Gênesis 1,2: "O espírito de Deus pairava sobre as águas”. Significa que Deus não criou a água, ela sempre existiu. Penso que como catequistas é importante ensinarmos aos catequizandos sobre a água”.

Abigail Martins Oliveira – Ribeirão Preto SP.

RESPOSTA:

Essa questão que você levantou é muito interessante. Mas, ela é mais "litúrgica" do que "bíblica".

Aliás, isso veio bem de encontro a alguns "sentimentos" que tenho ao ver que muitos catequistas utilizam uma "dinâmica" para explicar o batismo: Batizar uma boneca.
Em minha opinião essa dinâmica não deve ser aplicada. Para mim é a banalização do mais importante rito da nossa Igreja: o Batismo. E tentar explicar isso para crianças brincando com suas bonecas, para mim é acabar de vez com a mistagogia e o respeito que o sacramento merece. As crianças encaram isso como brincadeira e é assim que vão levar o Batismo vida afora: uma brincadeira de criança.

Muito mais válido, é fazer “memória” do batizado das crianças, pedindo que façam uma “entrevista” com os pais e padrinhos, resgatando lembranças desse momento: uma roupinha, um sapatinho, uma foto, uma lembrança impressa, a certidão de batismo. O encontro a respeito do Batismo deve ser feito, se possível, no templo, junto à pia batismal (daqueles que ainda possuem). Pode-se convidar um ministro extraordinário da comunhão para conduzir o encontro, falando das várias partes do rito.

* Temos uma sugestão de ROTEIRO de encontro em nosso site:


Vamos a RESPOSTA sobre a “anamnese da água”:


 A água é, sem dúvida, o principal símbolo do sacramento do batismo. Ele é o elemento responsável pela “limpeza” espiritual. Assim, o sacerdote derrama um pouco de água na cabeça do batizando - grande parte das vezes, uma criança de colo – ou mergulha a criança na pia batismal (Costume que está voltando às paróquias).

Mas, vamos falar um pouco sobre o que é uma “anamnese” conforme o dicionário:

Anamnese:
1. lembrança pouco precisa; reminiscência, recordação.
2. fil na filosofia platônica, rememoração gradativa através da qual o filósofo redescobre dentro de si as verdades essenciais e latentes que remontam a um tempo anterior ao de sua existência empírica.

Na Igreja, com relação à pergunta, a “anamnese da água” é a lembrança ou recordação das “águas” citadas simbolicamente na Bíblia.

ABAIXO, um artigo que descreve as anamneses do Rito Batismal:

COMENTÁRIO TEOLÓGICO DA ORAÇÃO SOBRE A ÁGUA BATISMAL

A fórmula da oração sobre a água batismal inicia-se com a proclamação da fé sobre a qual não se pode ver, por se tratar de um contexto invisível da graça de Deus, que necessariamente necessita dos sinais visíveis, onde o próprio Deus se serve de tais sinais para poder manifestar o seu poder criador e mostrá-lo visivelmente aos seus por meio da graça do Batismo. A oração é dividida em oito partes, que estão intrinsecamente interligados para dar todo o sentido anamnético contido em sua estrutura, inicia-se com o prólogo (cf. 1.1-4); a anamnese da água da criação e a anamnese da água do dilúvio (cf. 5. 5-9); a anamense da água do mar Vermelho (cf. 10. 10-16); a anamnese da água do Jordão (cf. 15. 17-18); anamnese da água do lado de Cristo transpassado na cruz (cf 15. 19-20); a anamnese da água do batismo (cf. 20. 20-23); e a Epiclese (cf. 20. 24-36).  

A oração anamnética inicia-se fazendo uma alusão a seis importantes momentos, sobre a clarividência do criacionismo e obra de Deus, apontado pelo autor, onde desde o princípio já demonstra a importância e graça do sinal da água, purificada e santificada na graça e força do Seu Espírito Santificador que pairava sobre a mesma.



A Criação inteira dependente dessa água para poder sobreviver santamente, saciados e embebidos do primordial para a vida eterna (anamnese da água da criação). A água tem um significado profundo desempenhando um papel relevante na liturgia.


O tratado sobre as águas do dilúvio faz parte da anamnese da água do dilúvio, como uma prefiguração do desejo de Deus de conceder ao mundo uma nova roupagem, lavando e afogando tudo aquilo que outrora era contrária a vontade do Criador, que pela força seu Espírito e simbolizado pela água, os banha e santifica suas almas, o que de fato mais importa para Deus, ou seja, este mundo não faz parte do que se espera alcançar, mais se depende dele para se chegar ao que se espera. Prefigura o nascimento de novos homens, que faz morrer sobre si todo o pecado, único meio para se chegar a santidade. Pelo batismo, acontece o banho de água acompanhado da palavra da vida, que limpa, purifica e santifica os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal, e torna-os participantes da natureza divina e filhos adotivos do Pai, como se vê no nº10. Com efeito, o batismo, como se proclama nas orações da bênção da água, é o banho de regeneração dos filhos de Deus e do seu nascimento do alto. Por meio dos sinais sacramentais, Deus manifesta seu poder sobre todos os povos.


A anamnese da água do mar vermelho (cf. Ex 14, 5-31) também faz parte da imagem do batismo, as águas que parecem em cena é sinal de vida e de morte, é uma prefiguração do batismo como um êxodo novo, que os faz libertos de toda mancha do pecado, e assumindo um compromisso verdadeiro de pertença a Deus, abraçando a fé quem lhes é apresentada, a priori com os nossos pais. A imagem que aparece do povo de Israel significa a Igreja, a comunidade do povo eleito e batizado que se coloca a serviço do Pai adorando-o verdadeiramente, pela assiduidade no compromisso com a mesma na participação do culto ao Senhor. Dar-se aqui por encerado a cessão anamnética que faz alusão ao Antigo Testamento.

O Novo Testamento inaugura um novo batismo com a anamnese da água do Jordão. O mesmo Espírito que pairarava sobre as águas no Testamento com a criação, desce sobre o início da nova criação em Jesus Cristo o Senhor, que manifestado o poder do Altíssimo é santificado e habilitado a prosseguir o caminho do anuncio do seu reino, mostrando o tempo da salvação, o messianismo salvífico pela água do batismo, sacramento eterno.


A ananmese da água do lado de Cristo transpassado na cruz, imerge os eleitos no batismo, agora na paixão e morte de Jesus. Rios de água viva jorrarão do seu lado aberto, para todo aquele que nele crer, este terá a vida eterna. Temos aqui o símbolo do batismo e da pessoa do Espírito Santo. A água aparece como um dom gratuito de Deus sobre aqueles que foram mergulhados mistério glorificador por sua morte e ressurreição. É importante entender que o batismo é uma gratuidade de Deus, pela força dos dons derramados e concedidos conforme a sua necessidade. Cada batizando depois que recebe o Espírito Santo torna-se templo, ou seja, portador da divindade, templo vivo do Senhor.


Esta ultima anamnese da água do batismo procede ao ápice do cumprimento a vontade do Deus, seguindo as ordens do nosso mestre e Senhor, no anuncio da boa nova e aceitação da fé cristã, tendo em vista o conhecimento na orientação e formação das comunidades de vida que aderiram a escuta e vivencia do anuncio transmitido e que são chamados a dar continuidade aos ensinamentos de Jesus e na prática batismal.

Cada batizando recebe o convite a uma vida de totalidade e completude na Trindade, e assumindo uma identidade trinitária. A proposta de vida e radicalização mediante os esforços no trabalho cristão.

O texto encerra as sessões anamnéticas, passando para as invocações (Epicleses) que estão intimamente ligadas. Deus é o autor da grande maravilha da água, pôs sobre ela sua benção, concede-lhe o poder da purificação e vida nova que ela nos traz pelo batismo. Deus atualiza o momento perante a igreja reunida para celebrar a sua maternidade, através da súplica sobre as fontes batismais para que assim seja aberto esta unidade maternal.

Uma vez purificados, surge um novo homem e junto a ele os seus frutos. No homem constitui uma verdadeira significância como parte da criação de Deus, sendo ele criado a sua imagem e semelhança, que outrora era escravo do pecado, e uma vez salvos da morte, ressurgem a para uma vida eterna. A súplica epiclética tem uma conotação de invocação para que os filhos de Deus participem do mistério pascal mergulhando e passando pelas águas possam sepultar sua velha vida e ressurgir uma nova criatura.

Portanto, uma participação nos sinais da salvação, sobre um novo tempo de graça, pela graça e ação do Espírito de Deus na nova criação que surge, livres do pecado e do demônio, para dedicar-se totalmente ao serviço de Deus.

FONTE: Blog FICAONLINE, Seminarista Severino da Silva. 2013.

(Desconheço se o “Seminarista” Severino agora é padre. O blog teve sua última publicação em agosto de 2015).



quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

BATISMO DE CRIANÇAS EM IDADE DE CATEQUESE


Não é incomum, termos crianças inscritas na catequese que chamamos de “Eucaristia”, que ainda não receberam o batismo. Seja pela conversão tardia do pais ou abandono temporário da fé, seja por outro motivo. Consideremos aqui, que esta é, sem dúvida, uma oportunidade para convidar a família para o Catecumenato de Adultos, mesmo que os responsáveis/pais já tenham recebido todos os sacramentos da iniciação.

Como tratar a iniciação destas crianças e a que tempo deve ser o batismo destas crianças, é uma dúvida comum dos catequistas.

Observemos que, normalmente, cada diocese tem orientações para a sua Igreja Particular, a respeito dos sacramentos, que devem ser observadas. Estas orientações ou fazem parte dos Diretórios Litúrgicos, sacramentais ou catequéticos. Abaixo citamos as orientações da Arquidiocese de Curitiba que comumente, coincide com as de outras dioceses. Mas, antes de estabelecer normas no seu Diretório ou itinerário paroquial, é bom buscar as informações e orientações do Bispo de sua diocese.

O Diretório Arquidiocesano de Curitiba orienta o seguinte em seu Art. 41:

“Uma criança não batizada, que tenha idade suficiente para ser catequizada, só pode ser aceita para o batismo depois de pelo menos um ano de catequese. Com a devida preparação para este sacramento”.

Ainda no Art. 41, parágrafo único: (...) completados os 7 anos, desde que tenha uso da razão, a criança não deve ser batizada segundo o ritual para o batismo de crianças. (“Criança” nesse caso, é a pessoa que ainda não atingiu os sete anos, idade da razão segundo orientações do CIC  Cân 97 e 99).

Ou seja, os ritos do batismo são os do catecumenato (RICA), onde há um capítulo com orientações para o batismo de crianças em idade de catequese.

Apesar desta disponibilidade do Diretório Arquidiocesano, em se batizar as crianças com pelo menos 01 ano de catequese, vemos que, com apenas um ano elas ainda não estão preparadas para receber o sacramento. E é bom observar também que os pais, nestes casos, precisam de uma “iniciação à vida cristã” também.

Ao se prever o Batismo de crianças em idade de catequese, que cada comunidade/paróquia busque antes as orientações do seu Bispo, adequando da melhor forma possível, o sacramento ao processo de iniciação a vida cristã destas crianças e suas famílias.

Observe que a orientação na Arquidiocese de Curitiba de “no mínimo um ano de catequese”, nos dá a liberdade de colocar o sacramento conforme a evolução e amadurecimento da criança. Observamos assim, que o “ideal” é que o batismo das crianças na catequese, seja feito na 3ª Etapa, próxima ou junto da primeira eucaristia, onde já se nota uma maturidade maior por parte das crianças e também os pais, que já caminharam com as crianças nas 3 etapas da iniciação, não só acompanhando os filhos à Igreja como participando da catequese familiar.

Como se dá a catequese sobre o Batismo nas várias etapas:

- Na 1ª Etapa, o subsídio “Crescer em Comunhão” prevê um encontro sobre o Batismo de Jesus*, mas, sem conversar sobre o Rito e sem fazer preparação alguma. Como atividade pede-se que as crianças perguntem aos pais sobre o dia do batismo e comparem com o dia do nascimento civil (aqui trabalhamos a “identidade deles, quem eles são), perguntado aos pais para que serve os dois documentos. Não há aqui nenhum aprofundamento com objetivo de “batizar” as crianças não batizadas, mas, deve ser considerada como uma oportunidade para despertar os pais a respeito do batismo e também inserir o tema na catequese familiar. Começa aí a conscientização da importância do sacramento do batismo e a preparação (iniciação) dos pais das crianças não batizadas.

* Aqui a (o) catequista deve ter o cuidado de não gerar constrangimento ou expectativas nas crianças não batizadas. Elas não podem se sentir preteridas junto aos demais e sim, especiais porque vão participar ativamente do rito e ter os amigos junto com elas. Interessante é que se faça uma “pesquisa” antecipada antes de preparar o encontro. É um tempo de graça para todos e como tal deve ser considerado. Reforçando o que pede nossa Igreja:  que a catequese seja “iniciação à vida cristã” e não um curso preparatório para o sacramento.

- Nosso itinerário catequético e o subsídio Crescer em Comunhão, preveem a “catequese dos sacramentos” na 3ª etapa, onde se trabalha nos encontros, os sacramentos da Iniciação: focando o batismo, seus ritos e suas consequências, a Confirmação e a Eucaristia, agora como sinais da graça.

O ideal é que os pais participem dos encontros de batismo, também nesta fase. Aqui há mais maturidade da criança também com relação ao ensino dos conteúdos da fé.

OBS. O Diretório Arquidiocesano pede em seu Art. 34: que pais e padrinhos devem participar de encontros antes do batismo, preparados pela equipe da Pastoral do Batismo. E que esta preparação tenha inspiração catecumenal.

Os sacramentos como parte do processo de Iniciação à Vida Cristã:

A orientação da nossa Igreja, atualmente, é que se se utilize o processo catecumenal de Iniciação à Vida Cristã na catequese, e uma das observações que o Documento 107 da CNBB, recentemente publicado, faz, é que se busque a volta da “unidade” dos sacramentos, separados quando a Igreja começou a batizar os recém-nascidos. Ou seja, é uma oportunidade para que nossas crianças tenham a unidade dos dois sacramentos batismo e eucaristia, feitos, preferencialmente no tempo pascal.

Observemos que ao se batizar uma criança assim que ela comece a catequese, na 1ª etapa, ela ainda não está preparada para este sacramento, e ela tem condições de sê-lo ao longo da catequese junto com as demais crianças. Sem contar a maturidade cristã que ela vai adquirindo e o fato de que seus pais tem a “catequese familiar” também.

O rito do batismo das crianças da catequese se reveste de um momento único, tanta na vida da criança a ser batizada, quando na vida dos seus companheiros de turma, que podem acompanhar e ajudar o catecúmeno (não batizado) neste processo.

INSTRUÇÕES do RICA – Ritual de Iniciação Cristã – Cap. V – Rito de iniciação de crianças em idade de catequese

307. A iniciação dessas crianças supõe tanto a conversão e seu amadurecimento progressivo de acordo com a idade com o auxílio da educação necessária a essa idade. Deve, pois, ser adaptada ao itinerário espiritual dos candidatos, isto é, ao seu crescimento na fé, como à formação catequética que vão recebendo. Por isso, como a dos adultos, a iniciação deve prolongar-se, se for necessário, por vários anos, antes de se aproximarem dos sacramentos, distribuindo-se por diversos degraus e tempos com seus ritos próprios.

310. No que se refere ao tempo das celebrações, é para desejar que, na medida do possível, o último tempo da preparação coincida com o Tempo da Quaresma e que os sacramentos sejam celebrados na Vigília pascal. Mas antes de as crianças serem admitidas aos sacramentos nas festas pascais, tenha-se em conta se elas estão nas devidas condições e se o tempo para a celebração desses sacramentos está de acordo com o grau da instrução catequética que tiveram. Com efeito, procure-se, tanto quanto possível, que os candidatos se aproximem dos sacramentos da iniciação na mesma altura em que os seus companheiros já batizados são admitidos à Confirmação e à Eucaristia.

Aqui vemos, portanto, que o ideal é que se procure batizar as crianças em idade de catequese, quando estas se encontrem preparadas para receber também, a Eucaristia. Que se pese se a Vigília Pascal é o Tempo ideal, conforme os costumes da comunidade. Caso não seja, que a data do batismo dessas crianças seja marcada em outra oportunidade.

Importante é que se procure observar os aspectos referente à Iniciação à Vida Cristã, tanto das crianças, quanto dos pais ou responsáveis, sem atropelo, de forma que o sacramento do batismo seja acompanhado com a dignidade que ele merece.

Ângela Rocha

FONTES:

Crescer em Comunhão. Volume 1. Petrópolis: Vozes, 2014.
Crescer em Comunhão. Volume 3. Petrópolis: Vozes, 2014.
Diretório Arquidiocesano de Iniciação à Vida Cristã. Curitiba: Editora Arquidiocesana, 2013.
CNBB. Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários – Documento 107. Brasília: Edições CNBB, 2017.
RICA – Ritual de Iniciação de Adultos. Sagrada Congregação para o culto divino. São Paulo: Paulinas, 2003.


Conheça mais sobre o BATISMO em:


quinta-feira, 21 de abril de 2016

ENCONTRO DE BATISMO PARA PAIS E PADRINHOS



ENCONTRO COM PAIS E PADRINHOS EM PREPARAÇÃO AO BATISMO DE CRIANÇAS DA CATEQUESE

EQUIPE RESPONSÁVEL: Pastoral Catequética

PÚBLICO-ALVO: Pais e padrinhos das crianças que frequentam a catequese e ainda não são batizadas.

TEMPO PREVISTO: 02 horas às 2h e meia. (Este tempo não prevê intervalo, mas deixa os presentes livres para saírem caso necessário: ir ao banheiro, tomar água, atender ás crianças).

AMBIENTAÇÃO:

- À frente, preparar uma mesa para a acolhida da Bíblia. Um vaso de flores, um suporte (a vela será trazida na entronização).

SIMBOLOGIA DO BATISMO:

- Expor os símbolos numa mesa, logo na entrada, arrumando-os com placas indicativas e convidar aos presentes que examinem os símbolos. (Fundo musical)


CRUZ: É a identidade do Cristão. Traçada no peito e na testa significa que o batizando, pelo batismo, participa da morte libertadora de Jesus Cristo. Lembra a graça da redenção que Cristo nos proporcionou na Cruz.

O ÓLEO: Assim como o óleo penetra na pele da criança, Cristo penetra na vida da pessoa, em especial no seu coração (a unção é feita no peito), fortalecendo o ungido na luta contra o mal.

A VELA e CÍRIO PASCAL: Acesa no círio pascal, significa que Cristo iluminou o batizado, que deverá ser “luz do mundo”. Simboliza a presença do Espírito na vida do batizando e a fé em Jesus ressuscitado. Acende-se uma nova luz, luz da graça, da fé, que deve ser conservada até o fim da vida pela vivência em Cristo.

A VESTE BRANCA: Expressa a pureza, a VIDA NOVA que recebemos no Batismo e que agora vamos viver. Sinaliza que o batizado “vestiu-se de Cristo”, o que equivale a dizer que ressuscitou com Cristo.

 A ÁGUA: Simboliza purificação e vida nova. A água batismal nos lava do pecado original e nos torna filhos de Deus e membros da Igreja. A água é sinal da graça de Deus, que nos purifica totalmente.

O SAL: o Sal tem duas grandes finalidades: “dar sabor” e “conservar” os alimentos. Como
Símbolo religioso o Sal significa: “ser o tempero, ser o exemplo” ser o sabor com o qual o cristão deve temperar o mundo. Cada batizado tem a responsabilidade de ser “Sal da Terra!”.

A PALAVRA: É pela leitura constante da Palavra de Deus que renovamos diariamente a nossa fé pelo testemunho de nossos antepassados.


- Preparar uma mesa na recepção com água, chá, suco e bolachinhas. (Oferecer aos convidados enquanto fazem as inscrições).


DESENVOLVIMENTO DO ENCONTRO


01 – ACOLHIDA – Coordenação e padre.

02 – APRESENTAÇÃO DA EQUIPE E DOS PARTICIPANTES

Apresentar os catequistas presentes e dizer por qual turma são responsáveis. Pedir aos participantes que cada um que se identifique com o nome e, se pai/mãe ou padrinho/madrinha. Aos pais, pedir que digam o nome do filho que será batizado. Caso haja crianças presentes e se houver condições, pedir que se apresentem também, criando um clima de intimidade e aconchego.

Texto de apoio:

Cada ser humano é único, insubstituível. Somos pensados e amados por Deus, desde a eternidade e para toda a eternidade nesta individualidade singular, e assim devemos ser vistos e acolhidos pelos outros. Podemos possuir coisas e delas dispor a nosso bel-prazer, usando-as, subordinando-as a nossos interesses, trocando-as. Com as pessoas, não podemos fazer o mesmo. A pessoa deve ser aceita com suas próprias ideias, com seus sentimentos e sua maneira de ser. A pessoa não pode ser meio para atingirmos nossos objetivos. O outro é distinto de nós, com direito a ser quem realmente ele é, a ver reconhecida sua própria autonomia, sem precisar renunciar à sua personalidade para viver e conviver. O nome exprime esta identidade pessoal a ser reconhecida pelos outros, chamada a colocar-se a serviço de todos.

03 – APRESENTAÇÃO DO CRONOGRAMA:

Informar aos presentes o que vai acontecer no encontro e se possível o tempo que vai durar cada etapa.
Informar a localização dos banheiros, água e oferecer o “chá” (lanche), a ser compartilhado no final do encontro.

04 – ORAÇÃO INICIAL

Estamos aqui reunidos em nome do Pai, do Filho e do espírito Santo. No dia do nosso batismo o padre acolheu a todos, pais, padrinhos e familiares, dando-lhes as boas vindas, vamos hoje nos acolher desejando, uns aos outros, que Deus esteja conosco durante este encontro e que continue a habitar nosso espírito de uma forma diferente depois aprendermos um pouco mais sobre o batismo. Rezemos juntos a oração que Jesus nos ensinou e que devemos ensinar aos nossos filhos:
Pai- Nosso...

- Convidar a pessoa que apresentará o panorama da História da Salvação e das Alianças que Deus fez com seu povo.

05 – HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

Cantar a cada mudança de quadro-gravura o refrão:
Canto: ♫ Também sou teu povo Senhor, e estou nesta estrada, somente a Tua graça me basta e mais nada.

O PLANO Salvífico de DEUS com ênfase em Jesus Cristo (Querigma).

Objetivo: Apresentar de onde vem o Batismo, a origem do sacramento é a Páscoa de Jesus.

Apresentação em quadros: CAMINHADA DO POVO DE DEUS 


QUADRO 01 - Deus Pai Criador (apresentar a gravura do Paraíso): Homem e Mulher criados à imagem e semelhança de Deus / desejado e sonhado por Ele para ser feliz./com Liberdade/ Adão e Eva dizem Não ao plano de Deus. Pecado/ruptura da ALIANÇA entre Deus e o Homem./ Deus não desiste, Fiel à sua Promessa / propõe novas ALIANÇAS.   E assim podemos cantar:

CantoTambém sou teu povo Senhor, e estou nesta estrada, somente a Tua graça me basta e mais nada.

 As quatro grandes Alianças na Bíblia são:


QUADRO 02 - 1ª Aliança: Foi feita com Noé depois do dilúvio e seu símbolo é o Arco-íris (Gn 6ss). Pelas águas do dilúvio prefigura-se o nascimento da nova humanidade. Arco-íris liga o céu com a terra (Mostrar a gravura com a arca de Noé).

Canto: Também sou teu povo Senhor, e estou nesta estrada, Somente a Tua graça me basta e mais nada.


QUADRO 03 - 2ª Aliança: Foi celebrada entre Deus e Abraão (Gn15ss). Seu símbolo é a circuncisão. Dá origem ao Povo de DEUS (apresentar a gravura com Abraão).

Canto: Também sou teu povo Senhor, e estou nesta estrada, somente a Tua graça me basta e mais nada.



QUADRO 04 - 3ª Aliança: Foi instituída com Moisés e com o povo no deserto na marcha para a Terra Prometida. Seu símbolo é a Lei (os 10 Mandamentos). As águas do mar Vermelho que atravessaram muda Morte versus Vida (Ex19ss) - (Mostrar gravura de Moisés no Mar Vermelho).

Canto: Também sou teu povo Senhor, e estou nesta estrada, Somente a Tua graça me basta e mais nada.


QUADRO 05 - 4ª Aliança: A Nova e Eterna Aliança, feita por Jesus Cristo na Ceia. Seu símbolo é a Eucaristia (Mostrar gravura).

Canto: Também sou teu povo Senhor, e estou nesta estrada, Somente a Tua graça me basta e mais nada.

FINAL: A morte de Jesus na cruz, não esgota sua DOAÇÃO, o Mistério Pascal permanecerá atual até o fim dos tempos através dos SACRAMENTOS. Do coração de Jesus transpassado por uma lança, correu sangue e água, surgindo do sangue, a Eucaristia e da água, o Batismo. Da Páscoa de Cristo nasce o Batismo! Jesus Sacramento do Pai para o mundo, cria a Igreja, sacramento de Jesus! 

E toda essa caminhada do Povo de Deus está narrada num "Manual de Instruções" (Bíblia), na Carta de Amor que Deus escreve para nós, vamos recebê-la cantando:

Canto: (Entrada da Palavra) 

06 – ENTRONIZAÇÃO DA BÍBLIA – (Catequistas entram com a Bíblia e uma vela acesa)

Canto: 
A sua Palavra Senhor é sinal de interesse por nós.
Como o Pai ao redor de sua mesa,/revelando seus planos de amor.
É feliz quem escuta a Palavra/ e a guarda no seu coração.


Leitura Bíblica: Mateus 28, 18-29 

(Após a leitura, induzir os presentes a fechar os olhos e em silêncio, refletir sobre a palavra proclamada.)

07 – VISÃO PANORÂMICA DOS SACRAMENTOS

Convidar os presentes a assistir um vídeo que foi preparado especialmente para os encontros de batismo.
Material: Vídeo das Paulinas – Série Sacramentos. Utilizar o Tema Batismo, nos capítulos: Batismo na tradição – Cap. 03;  A Teologia do batismo – Cap. 05. 

08 – PALESTRA

Teologia, compromissos do Batismo e envolvimento na comunidade.

Material:
- Apresentação em PowerPoint (projetor multimídia).
- Um vaso de cactos.

PALESTRA - SACRAMENTO DO BATISMO (TEOLOGIA)

Apresentação de slides – Com imagens.

Slide 01 - Aconteceu naqueles dias, que Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão, e logo ao subir da água Ele viu os céus rasgando e o Espírito, como uma pomba, descer até Ele e uma voz veio dos céus: Tu és o meu Filho amado, em Ti me comprazo. (Mc 1,9-11)

Slide 02 - Antes de Jesus, já havia no antigo Egito e na Babilônia, banhos sagrados com a finalidade de purificar a pessoa mergulhada na água. João Batista realizava essa mesma prática, mas seu objetivo era a conversão para o perdão dos pecados. Jesus se faz batizar por João no Jordão, não porque precisava de conversão ou purificação, mas para mostrar que, a partir dali, estava sendo inaugurado um novo Batismo (o da graça) e uma nova religião (a do Espírito). E, ainda, para que Deus pudesse manifestar publicamente aos homens o seu Filho amado.

Slide 03 - O batismo (mergulho) é um gesto litúrgico realizado com água e contém em sua realidade simbólica dois momentos: a imersão (a adesão a Jesus, à missão) e a emersão (a vida nova em Jesus).
Esse mergulho nos exorta à purificação, à conversão e a um novo nascimento (o da água e do espírito). Nele recebemos as Virtudes que vêm de Deus e nele têm seu objeto imediato: São a Fé, a Esperança e a Caridade.
Recebemo-las com a graça do Batismo, e, em maior abundância, com a da Confirmação.

Slide 04 - Nosso batismo foi instituído por Jesus. Ele ordenou aos seus discípulos: Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto Vos ordenei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mt 28,19-20).

Slide 05 - O Evangelho mostra Jesus sendo batizado junto com o povo. Isso mostra que Ele veio para se solidarizar com a humanidade. É assim que realizará seu projeto de vida. Cabe a cada um de nós, batizados, aderirmos a essa missão: estar à disposição da comunidade, ajudar aos nossos irmãos a defender os seus direitos e a denunciar toda e qualquer injustiça contra o projeto de vida de Deus.

Slide 06 - O Batismo impõe responsabilidades:
1 - Para com Deus – fé, aliança, culto e oração;
2 - Para com a Igreja – fidelidade, respeito e colaboração,
3 - Para com o próximo – caridade, justiça e serviço.

Slide 07 - Assim o Batismo é:
Graça, porque é dado até aos culpados;
Dom, porque é conferido àqueles que nada trazem;
Unção, porque é sagrado e régio;
Iluminação, porque é luz resplandecente;
Veste, porque cobre nossa vergonha;
Banho, porque lava;
Selo, porque nos guarda e é sinal do Senhorio de Deus.

Slide 08 - O Batismo é um Sacramento que nos reconduz à comunhão com o Deus Pai que nos proclama Seus filhos muito amados aos nos tornar membros de Seu filho Jesus. Isso nos faz ser Igreja (assim como Jesus o é), pois nos infunde a fé, a esperança e a caridade.

Slide 09 - É um nascer de novo, da água e do Espírito (Jo 3,1-8). É a porta de entrada na Igreja. A partir do Batismo somos inseridos numa comunidade eclesial. Somos Corpo de Cristo, que é cabeça da Igreja. Temos a mesma missão de Jesus Cristo – enviados para falar em nome Dele, ser sal, luz e fermento. Evangelizar levando a Boa Nova a toda a criatura.

Slide 10 - Batizar quer dizer mergulhar. Todos os homens e mulheres estão mergulhados no acontecimento de salvação, todos estão mergulhados em Jesus Cristo – Ele veio para dar vida ao mundo. Veio salvar e não condenar.

Slide 11 , 12 e 13 – Imagens dos símbolos do batismo.
Sinal da Cruz – Água - Pai nosso – Creio - Veste branca – Vela – Óleo - Palavra de Deus - Éfeta.

Sinal da Cruz: Sinal do cristão – penetra no mistério do amor, família: Pai, Filho, Espírito Santo.

Água: dom de Deus. Simboliza a vida nova, do nascimento da água e do Espírito. Morte e vida, morte do homem/mulher velho (egoísta) e vida do homem/mulher novo (vida no amor).

Óleo: simboliza agilidade e força. Antigamente quando um lutador ia para a arena era besuntado de óleo. Atribuía-se ao óleo a propriedade de enrijecer e adestrar os músculos para o combate, ou ao menos tornar o lutador escorregadio e difícil de ser pego. Esta primeira unção feita no peito do batizando significa que o cristão deverá lutar na vida para conservar a fé.


Vela: a vela é o Círio Pascal, símbolo do Cristo ressuscitado, que vence as trevas do pecado, do egoísmo, do ódio, da maldade e de todo o mal.  A chama da vela nos lembra que Cristo é a luz do mundo, e nós como cristãos (de Cristo) devemos iluminar o mundo também. A cera que se consome, lembra que Jesus consumiu sua vida na cruz por nosso amor, assim como também a vida do cristão deverá estar a serviço da comunidade.

Veste branca: simboliza se revestir de homem novo. Simboliza a pureza da fé e da vida. Simboliza a graça: a vida divina é a comunhão permanente com Deus.

Sal: o Sal tem duas grandes finalidades: “dar sabor” e “conservar” os alimentos. Como Símbolo religioso o Sal significa: “ser o tempero, ser o exemplo” ser o sabor com o qual o cristão deve temperar o mundo. Cada batizado tem a responsabilidade de ser “Sal da Terra!”.

Palavra de Deus (Bíblia): O próprio Cristo nos falando. Ele vem junto com a Palavra. Ele o Verbo dando orientações para a nossa vida. Ensinando a observar tudo que ordenou.

Creio: profissão de fé – condensado de tudo o que o cristão deve crer. (convidar à oração).

Pai nosso: Oração dos filhos ensinada por Jesus, deve estar presente em todos os momentos da vida do cristão.

Éfeta: Significa “abre-te”. Pelo Batismo, o Senhor através do Espírito Santo, abre os ouvidos do batizando para que ouça e entenda a Palavra de Deus, solta a sua língua e lhe abre a boca para poder professar a sua fé.

Slide 14 – Onde ficamos nós, pais e padrinhos, em tudo isso?

Slide 15 - A Educação pela fé: 
A consequência, para os pais que pedem o batismo para seus filhos, é o compromisso, já assumido na celebração do casamento, de educá-los na fé, dentro da comunidade eclesial. Pelo Batismo as crianças se tornam parte da Igreja. E naquele dia seus pais disseram que iam ajudá-las a crescer na fé, observando os Mandamentos e vivendo na comunidade dos seguidores de Jesus.

Slide 16 - A colaboração dos padrinhos: 
No cumprimento deste compromisso de educar seus filhos na fé, os pais são ajudados pelos padrinhos. Depois dos pais, padrinho e madrinha representam a Igreja, nossa Mãe, "que, pela pregação e pelo batismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos do Espírito  Santo  e  nascidos  de  Deus"  (LG 64). Representam a Comunidade que, ao enriquecer-se com a entrada de um novo membro, vê sua responsabilidade também acrescida.

Slide 17 - Os padrinhos, assim como os pais, são responsáveis pela formação religiosa de seus afilhados. Devem acompanhá-los em sua caminhada na Igreja e garantir-lhes uma vida cristã, dando-lhes o exemplo e o testemunho de fé.

(Fazer ligação sempre com a catequese dos filhos, chamando também à responsabilidade do acompanhamento das crianças nos encontros e nas missas dominicais, na participação da família e dos padrinhos na comunidade).

Explanação sobre o tema: “Enxertados em Cristo e na Igreja”.



Com um pequeno vaso de cactos, daqueles que possuem enxerto de duas ou mais espécies, fazer uma breve explicação do tema e da importância de “incorporar-se" à Igreja com o batismo. 

A vinha de Deus que era constituída, primeiramente, pelo povo escolhido no antigo testamento, agora em Jesus recebe como enxerto cada pessoa que nele crê. Pela fé somos enxertados na vinha de Deus.

A fé é um presente que nos é dado por meio do Batismo e da Palavra. Essa fé é conservada em nós, para que permaneçamos na condição de filhos e filhas de Deus. Essa fé é fortalecida na Palavra e na Santa Ceia. Por isso, Jesus ao se apresentar como videira diz: “Continuem unidos comigo, e eu continuarei unido com vocês...” (Jo 15, 4).

Desde o antigo testamento vemos Deus cuidando de sua vinha. O objetivo desse cuidado era para que através de sua vinha nascesse o salvador dos homens. Da vinha de Deus nasceria o verdadeiro fruto, o fruto que nos enxertaria na vinha, Jesus.

Pelo batismo, estamos enxertados na vinha de Deus. Agora estamos aptos para produzir os frutos. Na Palavra e no Sacramento permanecemos em Cristo e Cristo em nós. E por estarmos em Cristo e Cristo em nós somos capazes de produzir frutos. Em sua 2º carta aos Coríntios, Paulo disse: “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo. Tudo isso é feito por Deus, o qual, por meio de Cristo, nos transforma de inimigos em amigos dele. E Deus nos deu essa tarefa de fazer com que os outros também sejam amigos dele” (2Co 5, 17-18). 

Dependemos exclusivamente da graça de Deus em Jesus. Na sua graça fomos enxertados na sua vinha, na sua graça produzimos frutos, e é por graça que muitos outros são enxertados na vinha e passam a produzir frutos.

Abertura para questionamentos – (Caso alguma dúvida não consiga ser sanada, anotar nome e telefone e entrar em contato depois).

09 - MENSAGEM FINAL:

 - Distribuir a oração a todos os presentes e incentivar à oração.

Texto de apoio:

Muitas vezes buscamos o sacramento querendo apenas seu efeito. Porém, o sacramento não produz mágica. Toda criança batizada é marcada com o selo do batismo para sempre. Deus concede sua graça sem depender da resposta humana. No entanto, o sacramento somente produzirá seus frutos, será eficaz, se a criança se abrir à Graça divina ao longo de sua existência segundo o caminho do Evangelho. E isso requer uma família com princípios de fé, respeitosa do outro. Padrinhos atuantes e comprometidos com a missão de ajudar na educação da fé de seus afilhados. Para que vocês consigam cumprir a meta que é a iniciação completa da criança, com a Eucaristia e a Confirmação num processo permanente de conversão, vamos encerrar nosso encontro, pedindo que a graça do nosso batismo se faça presente, sempre, em nossas vidas, rezando juntos:

Oração do Compromisso

Senhor Deus,
Que pela graça do Batismo, saibamos dar aos nossos filhos e afilhados a condução necessária no caminho da fé,
Dá-nos sabedoria e discernimento para levá-los na fé até que possam assumir livre e pessoalmente a graça da fé e do batismo.
Que o Batismo lhes traga uma vida nova, nascida da água e do Espírito Santo.
Que ao receber esta “Vida nova”, sejam lavadas de todo pecado.
Que nossas crianças sejam, real e verdadeiramente, enxertadas em Cristo e na Igreja.
Que o óleo da bênção os revista da couraça de Cristo contra todo mal do mundo,
Que a fé que lhes é infundida seja colocada a serviço do Reino de Deus, tornando-as templo do Espírito e co-herdeiras da vida eterna.
Que saibamos, por força do batismo, oferecer nossa vida a Deus e a educação de nossos filhos e afilhados, no serviço de cada dia,
Que saibamos, como profetas, professar diante deles a fé que recebemos pela Igreja, com exemplo de vida e testemunho da palavra,
Assim como fomos consagrados para formar um povo de sacerdotes e reis, que nossos filhos, batizados e herdeiros desse Reino aceitem e amem a Cristo Senhor, sobre a nossa proteção e nosso exemplo. 
Amém.

- Utilizar a água benta para uma bênção a todos no final.
- Despedir-se de todos e agradecer a presença.

Bibliografia Consultada:

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. O sacramento do Batismo. Págs. 340-355. Edições Loyola: 2000.

CNBB. Batismo de Crianças - Documento 19. Itaici: 14/02/1980.

Frei Ildo Peroni. Me verás pelas costas. Editora Oikos: 2008.

NUCAP. Batismo de crianças. Livro do catequista.  Paulinas: 2008.

UNISAL. Teologia dos Sacramentos da Iniciação Cristã. Revista de Catequese nº130. Abril-junho 2010, pg.6-17.

OBSERVAÇÕES:

O sucesso de qualquer encontro ou palestra, depende do carisma e da objetividade dos assessores. Os textos aqui colocados são sugestivos, podendo o palestrante enriquecer com experiências e incentivando a plateia à participação. O encontro na paróquia durou duas horas e meia, sem intervalo. Observamos que não houve muitas saídas ou cansaço por parte dos presentes. Muito pelo contrário, via-se no semblante das pessoas o interesse pelo assunto abordado. Acreditamos que a variação de nos métodos didáticos utilizados, colaborou para isso.

Organização:
Helena Okano
Ângela Rocha