domingo, 7 de setembro de 2025
EVANGELHO DO DOMINGO 07 DE SETEMBRO DE 2025
domingo, 31 de agosto de 2025
EVANGELHO DO DOMINGO: O LUGAR DE HONRA
“Aconteceu que, ao entrar num
sábado em casa de um dos chefes dos fariseus para uma refeição, eles o
observavam. Observando também como os convidados escolhiam os primeiros
lugares, propôs-lhes uma parábola: “Quando fores convidado para um banquete de
casamento, não te coloques no primeiro lugar, pois pode ser que tenha sido
convidado outro mais importante do que tu, e vindo aquele que convidou a ti e a
ele, te diga: ‘Cede-lhe o lugar’. Então, envergonhado, irás ocupar o último
lugar. Mas, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar, para que,
quando vier quem te convidou, te diga: ‘Amigo, sobe mais’. Então serás honrado
diante de todos os convidados. Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e
quem se humilha será exaltado.” Disse também ao que o havia convidado: “Quando
deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem
teus parentes, nem teus vizinhos ricos; pois também eles poderiam te convidar,
e isso já seria tua recompensa. Ao contrário, quando deres uma festa, convida
pobres, aleijados, coxos e cegos. Serás feliz porque eles não têm como te
retribuir. A tua recompensa virá na ressurreição dos justos.” Palavra
de salvação. Glória a vós, Senhor.
(Bíblia
de Jerusalém)
REFLEXÃO:
No mundo onde o “status” vale mais que o serviço, Jesus dá um “choque de humildade”! Ele nos lembra que quem corre atrás dos primeiros lugares, dos aplausos, das curtidas, corre o risco de ser colocado lá no fundão... enquanto quem se contenta em servir, pode acabar sendo exaltado.E mais: Jesus inverte tudo de
novo ao dizer que os convidados preferidos de Deus são aqueles que não têm nada
para nos oferecer em troca – os esquecidos, os marginalizados, os que o mundo
ignora. Isso sim é evangelho puro: amar sem esperar retorno.
💭 Perguntas para refletir ou
partilhar com o grupo:
- Eu me esforço para ser humilde, ou gosto
de aparecer?
- Quem são os “excluídos” que eu ignoro no
meu dia a dia?
- Eu costumo fazer o bem esperando algo em
troca?
Ângela
Rocha – Catequista e formadora
domingo, 24 de agosto de 2025
EVANGELHO DO DOMINGO: A PORTA ESTREITA
“Jesus
atravessava cidades e aldeias, ensinando e prosseguindo o seu caminho para
Jerusalém. Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, é verdade que são poucos os que se
salvam?’ Ele lhes respondeu: ‘Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Depois que o
dono da casa se levantar e fechar a porta, ficareis de fora, batendo e dizendo:
“Senhor, abre-nos a porta!” Mas ele responderá: “Não sei de onde sois.” Então
direis: “Comemos e bebemos contigo, e tu ensinaste em nossas praças!” E ele vos
dirá: “Não sei de onde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a
iniquidade.” Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e
Jacó, e todos os profetas no Reino de Deus, e vós sendo lançados fora. Virão do
oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de
Deus. E eis que há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.’” Palavra da
salvação.
(Bíblia de Jerusalém).
REFLEXÃO
Jesus nos alerta com firmeza: a
salvação não é automática, nem se conquista por aparência ou convivência
superficial com Ele. A "porta estreita" é um símbolo do esforço
necessário para viver o Evangelho com autenticidade. Entrar por ela exige
renúncia ao egoísmo, conversão, compromisso com o bem.
Ser cristão é mais do que
dizer “Senhor, Senhor” – é viver como Ele viveu, escolher o amor ao
invés do orgulho, o perdão ao invés da vingança, a partilha ao invés do
acúmulo.
Aplicação para a catequese /
vida
- A pergunta de hoje pode ser: Como está
minha vida cristã? Estou mesmo seguindo Jesus ou apenas simpatizando com
Ele?
- A fé exige prática: não basta ouvir, é
preciso colocar em ação.
- “Muitos tentarão entrar e não conseguirão”
– porque deixaram para depois, ou viveram apenas de aparência.
Sugestão de gesto/compromisso
Pensar em um "esforço
espiritual" concreto para esta semana:
- reconciliar-se com alguém;
- dedicar tempo à oração;
- evitar atitudes egoístas;
- ajudar alguém que precisa;
Cada
pequeno gesto é um passo pela porta estreita!
Ângela Rocha – Catequista
e Formadora
sábado, 2 de agosto de 2025
O RICO INSENSATO - REFLEXÃO: LUCAS ANO C
sábado, 9 de dezembro de 2023
ANDAR NA CONTRAMÃO - Mc 1, 1-8
Frei Carlos Mesters dizia que pertencer ao Reino de Deus, para a Comunidade de Marcos, era viver na contramão. À luz dessa compreensão vamos caminhar com este texto.
1. Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus
Andar na contramão é trazer a boa notícia de que o povo de Deus não é composto dos judeus ricos, mas de todo pobre, de qualquer lugar, que reconhece que o Filho de Deus é Jesus de Nazareth e não o imperador de Roma.
2. Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. 3 Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
Andar na contramão era ler as Escrituras de modo diferente dos doutores da Lei, Deus falava pela boca de João Batista e não pelos rabinos fariseus.
3. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. 5. E toda a província da Judeia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por João. 6. E João andava vestido de pelos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.
Quando o tempo chega, as multidões são capazes de correr o mundo para refrescar a alma. Andar na contramão é não fazer nenhuma concessão. João Batista não vestia roupas finas e se alimentava de gafanhotos e mel. Não participava dos banquetes dos opressores, em que o prato principal era a cabeça dos profetas. Pela boca de João Deus gritava no deserto que chegou o momento do juízo. A foice de Deus derrubava a maldade pela raiz e queimava a terra para que não sobrasse nenhum broto. Mas as águas sagradas do Jordão poderiam lavar os pecados de quem estivesse disposto a mudar de vida.
4. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. 8. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.
Andar na contramão é denunciar e anunciar que o tempo dos pobres chegou. A melhor notícia é a de que Jesus foi trazido pela Brisa Santa para fazer a escuridão virar dia, a doença virar saúde, a tristeza virar alegria. Jesus inventa um novo batismo. O antigo lavava o corpo. O novo, o da Brisa Santa, lava a alma para que chegue o tempo do amor.
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
A MISSÃO DO DISCÍPULO É A MESMA DO MESTRE (MT 16,21-27)
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“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (16,23).
Este texto é uma continuação do Evangelho em que Pedro, embora tivesse usado os termos certos para descrever quem era Jesus, os entendia de modo errado (Mt 16,16-20). Para Jesus, ser o Cristo (ou Messias) significava assumir a missão do Servo de Javé, descrita pelo profeta Segundo-Isaías, nos Cantos do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-11; 52,13–53,12). Jesus deixa claro que ser o Messias não significava triunfo nos termos desse mundo, mas o contrário: “sofrer muito nas mãos dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21).
Essa visão que Jesus tinha da missão do Messias, não era comum. Em geral, o povo esperava um Messias triunfante e glorioso. Mateus mostra-nos que Pedro partilhava essa visão equivocada, a ponto de tentar corrigir Jesus. Por isso, ganha dele uma admoestação dura: “Vai para trás de mim, Satanás! És um escândalo para mim, porque não pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mt 16,23).
Não basta usar os termos certos. Porém, é preciso ter a compreensão certa do que eles significam. A Bíblia conta-nos que Deus criou homens e mulheres à sua imagem e semelhança. Na verdade, porém, muitas vezes nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, para que não nos incomode. A nossa tendência é de seguir um Messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus, não há meio termo. O discípulo tem que seguir o mestre, tem que andar nas suas pegadas: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Mt 16,24).
O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções dele vai colocar-nos em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz não é aguentar qualquer sofrimento passivamente. Se fosse assim, a religião seria masoquismo. Carregar a cruz é viver as consequências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-lo não é tanto fazer o que Jesus fazia no seu tempo, mas o que ele faria se estivesse aqui hoje. Como ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem definidos: os romanos, os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei (a elite dominante em termos políticos, econômicos, religiosos e ideológicos), os seus seguidores serão perseguidos pelos grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso, sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus “light”, sem grandes exigências, limitando a religião a uma prática intimista e individualista, sem consequências sociais, políticas, econômicas ou ideológicas.
A nossa resposta à pergunta “E vocês, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15) se dá, não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós na nossa maneira de viver, nas nossas opções concretas, na nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus não exigente, que não traz consequências sociais, que não nos engaja na luta por uma sociedade mais justa. Pois o Jesus real, o Jesus de Nazaré, o Jesus do Evangelho, não foi assim. E deixou claro: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la. Mas, quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,24-25).
Tomaz Hughes
Congregação Sociedade do Verbo Divino
FONTE:
https://cebi.org.br/noticias/a-missao-do-discipulo-e-a-mesma-do-mestre-mt-1621-27/
domingo, 5 de fevereiro de 2023
MATEUS NOS CONVIDA A SER SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO
Neste domingo do tempo comum a comunidade de Mateus nos convida a ser Sal na terra e Luz no mundo.
Uma comunidade que vivia muitos conflitos, formada por judeus convertidos num período desafiador após a destruição de Jerusalém pelos romanos. Como viver a mensagem de Jesus e continuar seguindo a Lei de Moisés? Como ser sinal num mundo conflituoso em que alguns abandonavam a lei antiga, outros afirmavam a necessidade de seguir a tradição judaica e ainda fugir da perseguição imposta à comunidade cristã? Em meio aos sofrimentos cotidianos de pobreza, falta de trabalho, doenças e abandono do povo, a comunidade buscava entender a mensagem de Jesus e reinterpretar a Lei de Moisés a partir da prática e do ensino e da busca pela justiça, fundamento daquela comunidade.
Este trecho que refletimos neste domingo mostra Jesus ensinando a comunidade a partir de comparações com elementos da vida diária. Pede a comunidade para ser Sal da terra e Luz do mundo. O sal é imprescindível no preparo da comida, a fim de dar sabor. Mas desaparece ao se misturar com a comida. A comunidade seguidora de Jesus deve ser o sal que traz sabor à vida do povo. Que dá um novo sentido às relações sociais, baseada na justiça marcada pela partilha do pão.
Outra comparação é a comunidade como Luz no mundo e como tal, ter a função de iluminar os caminhos a partir da proposta de Jesus. E como luz deve brilhar e não se esconder. Anima a comunidade a ter coragem para testemunhar Jesus e enfrentar os desafios diários de perseguição, ao mesmo tempo, ensinar a comunidade a ser praticante da palavra e testemunha da vida nova que Jesus propunha.
Para nós, hoje, esse texto alimenta e fortalece a luta diária por justiça. Como ser sal da terra e luz no mundo diante da realidade desafiadora que se impõe?
Seguir esses ensinamentos coloca a necessidade de sermos comunidades comprometidas com as lutas por justiça em todos os campos em que ela está ausente. Sermos comprometidos/as com as lutas do povo por terra, pão, trabalho, saúde, igualdade racial e de gênero, por um ambiente sustentável e acolhedor de todas, todos e todes. Ser Sal da Terra para temperar a vida do povo com novos sabores de justiça e Luz do Mundo para apontar que podemos ter um outro mundo possível.
sexta-feira, 24 de junho de 2022
FOMOS LIBERTADOS PARA VIVER A COMPAIXÃO E A JUSTIÇA: reflexão dominical
Frente
à tentação do integralismo e à discussão sobre quem é o maior e (cf. Lc
9,46-50), Jesus tomou “a firme decisão de partir para Jerusalém”. A meta da
vida cristã não é o êxtase diante do esplendor dos impérios, mas a percepção e
a denúncia das suas contradições e injustiças. Perseverar no caminho de Jesus
Cristo exige renovada coerência com o Evangelho, imbatível firmeza diante das
resistências e ânimo indestrutível frente às possíveis decepções. Como os
discípulos daquele tempo, somos enviados à frente de Jesus para preparar-lhe um
lugar.
A
reação dos samaritanos é compreensível diante de um anúncio possivelmente
insuficiente e nacionalista por parte dos discípulos. Assim como haviam
proibido o trabalho daqueles que faziam o bem mas não estavam com eles, é
possível que os discípulos tenham anunciado aos samaritanos um Jesus
nacionalista, identificado com os poderes e doutrinas que diminuíam e excluíam
os samaritanos, omitindo que Ele estava subindo a Jerusalém exatamente para
contestar a validade do templo e sua ideologia, e para enfrentar a rejeição e o
martírio.
Não
seria também essa a principal causa da resistência que o mundo ocidental e
moderno opõe ao cristianismo? Será que não temos identificado demasiadamente
Evangelho e poder? Será que não temos renegado culpavelmente a defesa corajosa
e decidida dos direitos de todos os humanos? Será que não temos esquecido
perigosamente a profecia? Pouco adianta ameaçar os ateus e as (indevidamente
chamadas) seitas com o fogo que desce do céu ou sobe do inferno. Precisamos de
conversão ao Evangelho de Jesus Cristo e de abandono da pretensão do monopólio
da verdade.
É
preciso levar a sério a advertência de Jesus de Nazaré e partir para outros
povoados e periferias, cientes de que segui-lo é a vocação de todos os homens e
mulheres que aderem ao cristianismo, inclusive dos que não o fazem
explicitamente. Se nosso caminho tiver uma direção clara e permanecer fiel à
prática de Jesus, é possível que muitas pessoas, pertencentes tanto aos setores
sociais mais abastados como aos grupos populares, se sintam também hoje
fortemente interpeladas e decidam se incorporar à comunidade dos discípulos e
discípulas.
É
verdade que as pessoas que procuram as Igrejas trazem consigo contradições e
ambivalências, das quais nem os prelados da Igreja conseguem se livrar. Com
Jesus, aprendemos a apresentar a elas, com delicadeza e clareza, as
consequências da opção de estar com ele. Jesus nos apresenta uma espécie
de ética do seguimento, na qual as rupturas e renúncias são uma pedagogia para
a liberdade. Junto com o distanciamento frente ao fanatismo, Jesus nos pede uma
ruptura com alguns costumes que, mesmo conservando um certo valor, podem
limitar a liberdade.
A
seu modo, Paulo repete o mesmo ensinamento de Jesus: “Toda a lei se resume
neste único mandamento: amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Eis a liberdade
bela e preciosa à qual somos chamados, e à qual não podemos renunciar sem
descer ao nível dos mortos: não à indiferença e a superioridade, e sim ao
respeitoso reconhecimento da dignidade do próximo e ao livre serviço às suas
necessidades. Nisso consiste a obediência razoável devida a Deus e o amor
maduro que de nós ele tem direito a esperar. Fomos libertados para a prática do
amor e da justiça.
Jesus
de Nazaré, mestre de exigentes lições e peregrino que avança no caminho do
enfrentamento do poder: queremos caminhar contigo e alcançar a liberdade
profunda e radical. Queremos aprender de ti e dos profetas que te precederam e
seguiram a profecia e o ardor pelos direitos de Deus. Dá-nos a disciplina e a
coragem para romper com todos os compromissos que reduzem ou adiam nossa
autêntica liberdade. Assim seja! Amém!
Itacir
Brassiani msf
1º Livro dos
Reis 19,16-21 | Salmo 15 (16) | Carta de Paulo aos Gálatas 5,13-18|
Evangelho de São Lucas (9,51-62)
FONTE:
https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/fomos-libertados-para-viver-a-compaixao-e-a-justica/
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
Não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos!
Estamos entrando na última semana do mês que dedicamos à
oração e à animação missionária. Neste domingo, celebramos o Dia Mundial de
Oração pelas Missões. O Papa Francisco nos convida, citando os Apóstolos da
primeira hora, a não calar aquilo que vimos e ouvimos (cf. At 4,20). Trata-se
daquilo que vimos e ouvimos nestes quase dois anos de pandemia, de genocídio,
de faturamento em cima da tragédia, de negociatas obscenas sem o mínimo de
empatia e compaixão, mas também de gestos de doação sem medida, de avanço
rápido na busca de soluções, de uma capacidade inaudita de resiliência.
É o desejo insaciável de plenitude, de bem viver e conviver
que faz com que a pessoa humana se coloque a caminho. Apagar este desejo, ou
substituí-lo pela rasteira satisfação de uma segurança feita sob medida para os
fortes, equivale a começar a morrer. O ser humano só fica sentado à beira da
estrada e condena quem é diferente quando ainda não alcançou sua própria
maturidade, ou quando teve roubada a sua dignidade. Só quem ousa caminhar para
além do presente é capaz de recusar uma vida sustentada por algumas migalhas.
O desejo mobilizador, criativo e emancipador é também o lugar
do encontro com Deus. Quem busca Deus fora da insaciável sede de plenitude e de
convivência inclusiva e solidária acaba fabricando ídolos que só fazem
amedrontar os viventes e devorar vidas. É Deus quem nos fez sonhadores,
misturando ao pó da terra o sopro divino. E é nessa abertura radical que nada
pode preencher que ele costuma vir ao nosso encontro, acolhendo-a não como
sinal de nossos limites, mas como expressão do infinito que nos habita. É
também do adorável fundo desta condição de criaturas desejantes que brota a
verdadeira oração.
É na oração que revelamos nossos verdadeiros e mais profundos
desejos. Então, o que é que andamos pedindo a Deus? Dirigimo-nos a Deus como se
ele fosse um capitão pronto a eliminar, em nosso nome, as pessoas e grupos que
não nos agradam ou sentimos como ameaça? Confiamos a ele a frágil economia e a
duvidosa moral da nossa família e imploramos que dê segurança às nossas
poupanças e propriedades? Talvez cheguemos até a pedir paz, segurança e sucesso
à nossa Igreja na concorrência com as demais denominações, que tratamos como
concorrentes…
Como são pobres e medíocres estes desejos! Não passam de
necessidades geradas no ventre do medo. Por isso, quando se trata de oração,
não é suficiente pedir com insistência: é preciso desejar e pedir com ousadia e
corretamente grandes coisas. Venha a nós o vosso Reino! Seja feita a vossa
vontade! Democracia radical e respeito aos pobres… Bartimeu, que pede esmolas à
margem do caminho, começa pedindo compaixão àquele que carrega nas próprias
entranhas as esperanças dos pequenos. Antes de manifestar propriamente um
desejo, o filho de Timeu expressa sua própria condição de dor e alienação.
Apesar da contrariedade dos que o circundam e seguem, Jesus
para e se dirige ao cego e mendigo que implora: “O que você quer que eu faça
por você?” Encorajado pelos discípulos, Bartimeu balbucia um pedido que vem do
fundo da condição humana, que espanta todos os medos e exorciza todas as limitações:
“Mestre, eu quero ver de novo!” Neste pedido, aquele homem cego e
mendigo resume todas as suas necessidades e desejos: ver claramente as coisas,
avaliar com retidão os acontecimentos, vislumbrar o Reino de Deus chegando como
graça, tomar decisões políticas responsáveis à luz da razão ética e não dos
medos e ódios…
No mesmo conjunto narrativo, um jovem rico havia voltado
atrás, entristecido, porque era refém dos próprios bens (cf. Mc 10,17-22), e
João e Tiago haviam expressado seus sonhos de poder. Mas o cego se livra do
único meio de sobrevivência que possui e se aproxima de Jesus. E é essa fé
ativa e dinâmica que abre seus olhos. “Pode ir, a sua fé curou você!” E
ele não volta para casa ou para a caserna, mas põe-se a seguir Jesus. Mostra-se
mais livre que o jovem rico, que voltou atrás desiludido, e mais lúcido que
João e Tiago, que desejam os primeiros lugares. E ele jamais calou aquilo que
experimentou, viu e ouviu.
Jesus de Nazaré, peregrino no
santuário das dores e sonhos humanos! Escuta o grito que brota das entranhas da
terra e abre os nossos olhos para reconhecer-te passando por nossos caminhos.
Converte os cristãos do Brasil, para que não ignorem os desejos e sonhos que movem
a humanidade. Desperte em nós e em nossas comunidades a corajosa alegria de não
calar aquilo que vimos e ouvimos, que estamos vendo e ouvindo. E que ninguém
cale em nós o grito do desejo de bem viver, mais forte que todas as razões.
Assim seja! Amém!
FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/nao-podemos-deixar-de-anunciar-o-que-vimos-e-ouvimos/
sábado, 20 de março de 2021
REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO - V DOMINGO DA QUARESMA : O ATRATIVO DE JESUS

Imagem: CEBI.org
SÓ COMEÇAMOS A ENTENDER ALGO DA FÉ QUANDO NOS SENTIMOS AMADOS POR DEUS
Reflexão do Evangelho de João 12,20-33
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
A SEMENTE DA NOVA COMUNIDADE - (João 1, 35-51)
Como sempre, os
Biblistas do CEBI, nos trazem um excelente estudo sobre o Evangelho deste 2º
Domingo do tempo Comum - Ano B.
“Aleluia, aleluia,
aleluia.
Encontramos o Messias, Jesus Cristo, de graça e verdade ele é pleno; de sua
imensa riqueza graças, sem fim, recebemos” (Jo 1,41.17).
1. SITUANDO
Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado
dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia,
chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Marcos 1,16-20). O
Evangelho de João tem outro jeito de descrever o início da primeira comunidade
que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que
chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si
e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma
comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje!
O Quarto Evangelho é uma catequese muito bem feita. Ele não
só mostra como se formou a primeira comunidade, mas também, através dos
vários títulos de Jesus, descreve a fé desta comunidade, que é modelo
para todas as outras comunidades. Assim, ao longo dos seus 21 capítulos, ele
vai revelando quem é Jesus. Os títulos, que vão aparecendo durante os encontros
e as conversas das pessoas com Jesus, fazem parte desta catequese. Eles ajudam
os leitores e as leitoras a descobrirem como e onde Jesus se revela nos
encontros do dia-a-dia da vida.
2. COMENTANDO
João 1,35-36 – O testemunho de João Batista a respeito de
Jesus
João Batista tinha sido executado por Herodes em torno do ano
de 30. Mas até o fim do século I, época em que foi escrito o Quarto Evangelho,
a liderança dele continuava muito forte entre os judeus. Por isso, era
importante o testemunho de João Batista chamando Jesus de “Cordeiro de Deus”.
Este título evocava a memória do êxodo. Na noite da primeira Páscoa, o sangue
do Cordeiro Pascal, passado nas portas das casas, tinha sido sinal de
libertação para o povo (Êxodo 12,13-14). Para os primeiros, cristãos Jesus é o
novo Cordeiro Pascal que liberta o seu povo (1 Coríntios 5,7; 1 Pedro 1,19;
Apocalipse 5,6.9).
João 1,37-39 – Dois discípulos de João seguem Jesus
Dois discípulos de João Batista, animados pelo próprio João,
foram em busca de Jesus. Jesus responde: “Venham e vejam!” É convivendo com
Jesus que eles mesmos devem poder verificar e confirmar se era isto que estavam
buscando. O encontro confirmou a busca: “Era isso mesmo!” Os dois nunca
esqueceram a hora do encontro: eram 4 horas da tarde! Também hoje, as
comunidades devem poder dizer: “Venham e vejam!” É ver e experimentar para
poder testemunhar. O apóstolo João escreve na sua primeira carta: “A vida se
manifestou. Nós a vimos e dela damos testemunho!” (1 João 1,2).
João 1,40-42 – André apresenta Pedro a Jesus
André descobriu que Jesus é o Messias. Ele gostou tanto do
encontro, que partilhou sua experiência com o irmão e deu testemunho:
“Encontramos o Messias!” Em seguida, conduziu o irmão até Jesus. Encontrar,
experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus! É assim que a Boa
Nova se espalha pelo mundo, até hoje! Conosco pode acontecer o que aconteceu
com o irmão de André. No encontro com Jesus, ele teve seu nome mudado de Simão
para Cefas (Pedra ou Pedro). Mudança de nome significa mudança de rumo. O
encontro com Jesus pode produzir mudanças profundas na vida da gente. Deus
queira!
João 1,43-44 – Jesus chama Filipe
No dia seguinte, Jesus voltou para a Galileia. Encontrou
Filipe e o chamou: “Segue-me!” O importante do chamado é sempre o mesmo:
“seguir Jesus”. Os primeiros cristãos fizeram questão de conservar os nomes dos
primeiros discípulos. De alguns conservaram até os apelidos e o nome do lugar
de origem. Filipe, André e Pedro eram de Betsaida (João 1,44). Natanael era de
Caná (João 22,2). Jesus era de Nazaré (João 1,45). Eram todos lugares bem
pequenos, lá na roça do interior da Galileia! Hoje, muitas vezes, esquecemos ou
nem conhecemos os nomes das pessoas que estão na origem de nossa comunidade.
Lembrar os nomes é uma forma de conservar a identidade.
João 1,45-46 – Filipe leva Natanael a Jesus
Filipe encontra Natanael e fala com ele sobre Jesus:
“Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas! É Jesus,
o filho de José, de Nazaré!” Mais um título para Jesus! Jesus é aquele para o
qual apontava toda a história do Antigo Testamento. Natanael pergunta: “De
Nazaré pode vir coisa boa?” Natanael era de Cana, que fica perto de Nazaré.
Possivelmente, na pergunta dele transparece a rivalidade que costuma existir
entre as pequenas aldeias de uma mesma região. Além disso, conforme o
ensinamento oficial dos escribas, o Messias viria de Belém na Judéia. Não podia
vir de Nazaré na Galileia (João 7,41-42). Novamente, de André vem a mesma
resposta intrigante: “Venha e veja você mesmo!” Não é impondo mas sim vendo que
as pessoas se convencem. Novamente, o mesmo processo: encontrar, experimentar,
partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus!
João 1,47-51 – A conversa entre Jesus e Natanael
Jesus vê Natanael e diz: “Eis um israelita autêntico, sem
falsidade!” E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como
é que Natanael podia ser um “israelita autêntico” se ele não aceitava Jesus
como messias? É porque Natanael “estava debaixo da figueira”. A figueira era o
símbolo de Israel (cf. Miqueias 4,4; Zacarias 3,10; 1 Reis 5,5). “Estar debaixo
da figueira” era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita
autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias ideias quando percebe
que elas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está
disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é
autêntico. Ele esperava o messias de acordo com os ensinamentos oficiais da
época (João 7,41-42.52). Por isso, inicialmente, não aceitava um messias vindo
de Nazaré. Mas o encontro com Jesus ajuda-o a perceber que o projeto de Deus
nem sempre é do jeito que a gente o imagina ou deseja. Ele reconhece o seu
engano, muda de ideia, aceita Jesus como messias e confessa: “Mestre, tu és o filho
de Deus, tu és o rei de Israel!” A confissão de Natanael é apenas o começo.
Quem foi fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do
Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres
humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gênesis 28,10-22).
3. ALARGANDO
A galeria dos encontros com Jesus no Evangelho de João
No Evangelho de João, são narrados com detalhes muitos
encontros com Jesus quer marcam para sempre a vida das pessoas. Os primeiros
discípulos nunca mais puderam esquecer aquele momento. Um deles, provavelmente
o “discípulo amado” ainda se lembrava da hora em que encontrou Jesus: “Eram 4
horas da tarde!”. O outro, André, chamou o irmão dele, Pedro (João 1,35-51).
Nicodemos foi encontrar Jesus de noite. Os dois tiveram uma conversa difícil
(João 3,1-13), mas Nicodemos, apesar da crítica de Jesus, ficou amigo. Ele o
defendeu numa discussão com os chefes (João 4,14; 7,50-52) e, depois da morte
de Jesus, lá estava ele, novamente, com perfumes para a sepultura (João 19,39).
João Batista alegrou-se ao ver o crescimento do movimento de Jesus (João
3,22-36). A samaritana encontrou Jesus junto do poço (João 4,1-42) e dentro
dela passou a jorrar água viva (João 4,14; 7,37-38). O encontro com o
paralítico se deu junto às águas de um santuário popular (Jo 5,1-18). Foi na
praça do templo que se deu o encontro com a mulher que ia ser apedrejada. Ela
reencontrou a dignidade e a paz (João 8,1-11). O cego encontrou Jesus, que lhe
abriu os olhos e se revelou a ele como o Filho do Homem (João 9,1-41). Marta e
Maria foram ao encontro de Jesus no caminho e experimentaram a sua força
revitalizadora (João 11,17-37).
Estes e outros encontros são como quadros colocados em uma
galeria. Eles vão revelando aos olhos atentos de quem os aprecia algo que está
por trás dos detalhes, a saber, a identidade de Jesus. Ao mesmo tempo, mostram
as características das comunidades que acreditavam em Jesus e davam testemunho
da sua presença. São também espelhos, que ajudam a descobrir o que se passa
dentro de nós quando nos encontramos com Jesus.
Os títulos de Jesus
Logo neste primeiro capítulo, as pessoas que vão sendo
chamadas professam a sua fé em Jesus através de títulos como: Cordeiro de Deus
(João 1,36); Rabi (João 1,38); Messias ou Cristo (João 1,41); “aquele de quem
escreveram Moisés, na Lei, e os profetas” (João 1,45); Jesus de Nazaré, o filho
de José (João 1,45), Filho de Deus (João 1,49); Rei de Israel (João 1,49);
Filho do Homem (João 1,51). São oito títulos em apenas 15 versos! Quando uma
pessoa é muito querida, ela recebe um grande número de apelidos. Assim também
Jesus no Evangelho de João. Nestes e em tantos outros nomes ou títulos, as
comunidades transmitiam o que Jesus significava para elas. Todos estes nomes
traduzem o enorme esforço dos primeiros cristãos em querer conhecer Jesus para
melhor amá-lo. Mostram ainda a diversidade da busca.
Eis uma lista incompleta de alguns títulos de Jesus que
aparecem neste e nos outros capítulos do Evangelho de João. Eles revelam a fé
das comunidades do Discípulo Amado. A grande variedade dos títulos revela a
diversidade não só da busca, mas também da própria teologia. Não havia uma
doutrina única:
1,1 Palavra,
Verbo
1,9 Luz
1,14 Filho Único
1,17 Messias ou Cristo
1,29 Cordeiro de Deus
1,34 Eleito de Deus
1,38 Rabi ou Mestre
1,49 Filho de Deus
1,51 Filho do Homem
2,21 Templo
3,2 Vem de Deus
3,29 Esposo
4,9 Judeu
4,26 Messias
4,42 Salvador do Mundo
5,18 Igual a Deus
6,34 Pão da vida
6,41 Pão descido do céu
6.42 Filho de José
6,69 Santo e Deus
7,52 Galileu
8,24 Eu sou (João 8,28.58)
8,48 Samaritano
9,2 Rabi
9,5 Luz do mundo
9,7 Enviado
9,11 Homem Jesus
9,17 Profeta
9,22 Cristo
9,38 Senhor
10,7 Porta das ovelhas
10,11 Bom pastor
10,30 Eu e o Pai somos um
11,25 Ressurreição
12,13 Bendito em nome do Senhor
12,13 Rei de Israel
13,13 Mestre e Senhor
14,6 Caminho, Verdade e Vida
15,1 Videira
18,5 Nazareno
19,5 Homem
Resumindo: Para o Evangelho de João, a fonte da vida consiste em acreditar que Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), é Messias (João 1,41) e Filho de Deus (João 1,49). Foi exatamente para isto que o evangelho foi escrito (João 20,31).
Mesters, Lopes e Orofino.
FONTE: CEBI - https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-semente-da-nova-comunidade/


















