CONHEÇA!

Mostrando postagens com marcador EVANGELHO DO DOMINGO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EVANGELHO DO DOMINGO. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de setembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO 07 DE SETEMBRO DE 2025

 


07 DE SETEMBRO DE 2025.
Evangelho do Domingo: O Caminho do Discípulo
Evangelho: Lucas 14,25-33


– Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor

Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31 Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”. Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Hoje, no 23º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos apresenta um discurso de Jesus que pode parecer duro à primeira vista: “Quem não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Essas palavras nos convidam a refletir sobre o verdadeiro significado de seguir a Cristo.

O que significa "renunciar a tudo"?

Jesus não está pedindo que abandonemos literalmente nossas famílias ou bens materiais. O que Ele nos convida é a colocar tudo em perspectiva, reconhecendo que nada deve ocupar o lugar central em nosso coração, a não ser Ele. É um chamado a viver com desapego, colocando o Reino de Deus acima de tudo.

Jesus utiliza duas parábolas para ilustrar a necessidade de planejamento: a do construtor que calcula os custos antes de iniciar uma obra e a do rei que avalia suas forças antes de ir à guerra. Essas imagens nos ensinam que seguir a Cristo exige discernimento e compromisso. Não se trata de uma decisão impulsiva, mas de uma escolha consciente e deliberada.

Para nós, discípulos de hoje, isso significa avaliar nossas prioridades. Estamos dispostos a colocar Cristo no centro de nossas vidas? Estamos prontos para carregar nossa cruz diária, seja ela qual for? Essas questões nos desafiam a viver nossa fé de maneira autêntica e comprometida.

Que neste domingo, possamos refletir sobre o verdadeiro custo de seguir a Jesus e renovar nosso compromisso com Ele, colocando-O no centro de nossas vidas.






domingo, 31 de agosto de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO: O LUGAR DE HONRA

22º Domingo do Tempo Comum – Ano C
31 de agosto de 2025
Evangelho: Lucas 14, 1.7-14
O banquete de casamento

“Aconteceu que, ao entrar num sábado em casa de um dos chefes dos fariseus para uma refeição, eles o observavam. Observando também como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola: “Quando fores convidado para um banquete de casamento, não te coloques no primeiro lugar, pois pode ser que tenha sido convidado outro mais importante do que tu, e vindo aquele que convidou a ti e a ele, te diga: ‘Cede-lhe o lugar’. Então, envergonhado, irás ocupar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar, para que, quando vier quem te convidou, te diga: ‘Amigo, sobe mais’. Então serás honrado diante de todos os convidados. Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” Disse também ao que o havia convidado: “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos; pois também eles poderiam te convidar, e isso já seria tua recompensa. Ao contrário, quando deres uma festa, convida pobres, aleijados, coxos e cegos. Serás feliz porque eles não têm como te retribuir. A tua recompensa virá na ressurreição dos justos.” Palavra de salvação. Glória a vós, Senhor.

(Bíblia de Jerusalém)

REFLEXÃO: 

No mundo onde o “status” vale mais que o serviço, Jesus dá um “choque de humildade”! Ele nos lembra que quem corre atrás dos primeiros lugares, dos aplausos, das curtidas, corre o risco de ser colocado lá no fundão... enquanto quem se contenta em servir, pode acabar sendo exaltado.

E mais: Jesus inverte tudo de novo ao dizer que os convidados preferidos de Deus são aqueles que não têm nada para nos oferecer em troca – os esquecidos, os marginalizados, os que o mundo ignora. Isso sim é evangelho puro: amar sem esperar retorno.

💭 Perguntas para refletir ou partilhar com o grupo:

  • Eu me esforço para ser humilde, ou gosto de aparecer?
  • Quem são os “excluídos” que eu ignoro no meu dia a dia?
  • Eu costumo fazer o bem esperando algo em troca?

 

Ângela Rocha – Catequista e formadora





domingo, 24 de agosto de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO: A PORTA ESTREITA

21º Domingo do Tempo Comum – Ano C
24 de agosto de 2025
Evangelho: Lucas 13, 22-30
“Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão”.

“Jesus atravessava cidades e aldeias, ensinando e prosseguindo o seu caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?’ Ele lhes respondeu: ‘Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Depois que o dono da casa se levantar e fechar a porta, ficareis de fora, batendo e dizendo: “Senhor, abre-nos a porta!” Mas ele responderá: “Não sei de onde sois.” Então direis: “Comemos e bebemos contigo, e tu ensinaste em nossas praças!” E ele vos dirá: “Não sei de onde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniquidade.” Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, e todos os profetas no Reino de Deus, e vós sendo lançados fora. Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E eis que há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.’Palavra da salvação.

(Bíblia de Jerusalém).

REFLEXÃO

Jesus nos alerta com firmeza: a salvação não é automática, nem se conquista por aparência ou convivência superficial com Ele. A "porta estreita" é um símbolo do esforço necessário para viver o Evangelho com autenticidade. Entrar por ela exige renúncia ao egoísmo, conversão, compromisso com o bem.

Ser cristão é mais do que dizer “Senhor, Senhor” – é viver como Ele viveu, escolher o amor ao invés do orgulho, o perdão ao invés da vingança, a partilha ao invés do acúmulo.

Aplicação para a catequese / vida

  • A pergunta de hoje pode ser: Como está minha vida cristã? Estou mesmo seguindo Jesus ou apenas simpatizando com Ele?
  • A fé exige prática: não basta ouvir, é preciso colocar em ação.
  • “Muitos tentarão entrar e não conseguirão” – porque deixaram para depois, ou viveram apenas de aparência.

Sugestão de gesto/compromisso

Pensar em um "esforço espiritual" concreto para esta semana:

  • reconciliar-se com alguém;
  • dedicar tempo à oração;
  • evitar atitudes egoístas;
  • ajudar alguém que precisa;

Cada pequeno gesto é um passo pela porta estreita!

Ângela Rocha – Catequista e Formadora




sábado, 2 de agosto de 2025

O RICO INSENSATO - REFLEXÃO: LUCAS ANO C

 

O Evangelho de Lucas 12,13-21, nos apresenta a parábola do rico insensato, um texto forte e cheio de ensinamentos sobre o desapego dos bens materiais, a falsa segurança nas riquezas e o valor das coisas eternas.


Lucas 12,13-21 (Bíblia de Jerusalém).

13 E alguém da multidão disse-lhe: "Mestre, manda ao meu irmão que reparta comigo a herança." 14 Jesus respondeu-lhe: "Homem, quem me constituiu juiz ou árbitro sobre vós?" 15 E acrescentou: "Vede, e guardai-vos de toda a avareza, porque a vida do homem não consiste na abundância dos bens que possui." 16 E contou-lhes esta parábola: "Um homem rico tinha uma terra fértil que deu boa colheita. 17 E pensando consigo mesmo, disse: ‘Que farei, pois não tenho onde guardar os meus frutos?’ 18 E acrescentou: ‘Já sei o que hei de fazer: demolirei os meus celeiros e construirei outros maiores, onde possa recolher todo o trigo e os bens, 19 e direi à minha alma: Alma, tens bens em abundância guardados para muitos anos; repousa, come, bebe, regala-te!’ 20 Mas Deus lhe disse: ‘Louco, esta mesma noite te hão de reclamar a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?’ 21 Assim é quem ajunta para si riquezas, e não é rico para com Deus." Palavra de Salvação.

REFLEXÃO

Trecho do Evangelho (Lc 12,13-21)

Jesus conta a parábola após alguém da multidão pedir que Ele intervenha em uma disputa de herança. Ele responde com um alerta:

"Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui." (v.15)

A seguir, Jesus narra a história de um homem muito rico, que colheu tanto que não tinha onde guardar tudo. Ele decide construir celeiros maiores e diz a si mesmo:

"Descansa, come, bebe, aproveita a vida!" Mas Deus lhe diz: "Louco! Ainda nesta noite pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que acumulaste?"

Pontos de Reflexão

1. O problema não é ser rico: A parábola não condena a riqueza em si, mas a ganância e o egoísmo. O homem rico não agradece, não compartilha, não pensa no outro — pensa apenas em si.

2. A falsa segurança: Ele se esquece de que a vida é frágil e passageira. Sua segurança está em celeiros, não em Deus. A parábola nos lembra que o essencial é invisível aos olhos.

3. "Para quem ficará tudo isso?": Essa pergunta ecoa nas nossas escolhas diárias: estamos acumulando bens ou virtudes? Estamos vivendo para o agora material ou para a eternidade?

4. Ser rico para Deus: Jesus conclui: "Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus." (v.21).
O verdadeiro tesouro está em amar, servir, partilhar e confiar em Deus.

Dica para Catequese ou Reflexão Pessoal:

Atividade simples: peça para os participantes desenharem ou escreverem "o que eles têm acumulado": coisas, atitudes, mágoas, bens, etc. Depois, refletir: isso tem valor diante de Deus?

Versículo para guardar no coração: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Lucas 12,34).


Ângela Rocha - Catequistas em Formação.




sábado, 9 de dezembro de 2023

ANDAR NA CONTRAMÃO - Mc 1, 1-8

Frei Carlos Mesters dizia que pertencer ao Reino de Deus, para a Comunidade de Marcos, era viver na contramão. À luz dessa compreensão vamos caminhar com este texto.

1. Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus

Andar na contramão é trazer a boa notícia de que o povo de Deus não é composto dos judeus ricos, mas de todo pobre, de qualquer lugar, que reconhece que o Filho de Deus é Jesus de Nazareth e não o imperador de Roma.

2. Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. 3 Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Andar na contramão era ler as Escrituras de modo diferente dos doutores da Lei, Deus falava pela boca de João Batista e não pelos rabinos fariseus.

3. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. 5. E toda a província da Judeia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por João. 6. E João andava vestido de pelos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.

Quando o tempo chega, as multidões são capazes de correr o mundo para refrescar a alma. Andar na contramão é não fazer nenhuma concessão. João Batista não vestia roupas finas e se alimentava de gafanhotos e mel. Não participava dos banquetes dos opressores, em que o prato principal era a cabeça dos profetas. Pela boca de João Deus gritava no deserto que chegou o momento do juízo. A foice de Deus derrubava a maldade pela raiz e queimava a terra para que não sobrasse nenhum broto. Mas as águas sagradas do Jordão poderiam lavar os pecados de quem estivesse disposto a mudar de vida.

4. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. 8. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

Andar na contramão é denunciar e anunciar que o tempo dos pobres chegou. A melhor notícia é a de que Jesus foi trazido pela Brisa Santa para fazer a escuridão virar dia, a doença virar saúde, a tristeza virar alegria. Jesus inventa um novo batismo. O antigo lavava o corpo. O novo, o da Brisa Santa, lava a alma para que chegue o tempo do amor.

Marcos Monteiro
Recife, 02 de dezembro de 2023.
CEBI.ORG

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

A MISSÃO DO DISCÍPULO É A MESMA DO MESTRE (MT 16,21-27)

cebi.org

Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (16,23).

Este texto é uma continuação do Evangelho em que Pedro, embora tivesse usado os termos certos para descrever quem era Jesus, os entendia de modo errado (Mt 16,16-20). Para Jesus, ser o Cristo (ou Messias) significava assumir a missão do Servo de Javé, descrita pelo profeta Segundo-Isaías, nos Cantos do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-11; 52,13–53,12). Jesus deixa claro que ser o Messias não significava triunfo nos termos desse mundo, mas o contrário: “sofrer muito nas mãos dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21).

Essa visão que Jesus tinha da missão do Messias, não era comum. Em geral, o povo esperava um Messias triunfante e glorioso. Mateus mostra-nos que Pedro partilhava essa visão equivocada, a ponto de tentar corrigir Jesus. Por isso, ganha dele uma admoestação dura: “Vai para trás de mim, Satanás! És um escândalo para mim, porque não pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mt 16,23).

Não basta usar os termos certos. Porém, é preciso ter a compreensão certa do que eles significam. A Bíblia conta-nos que Deus criou homens e mulheres à sua imagem e semelhança. Na verdade, porém, muitas vezes nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, para que não nos incomode. A nossa tendência é de seguir um Messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus, não há meio termo. O discípulo tem que seguir o mestre, tem que andar nas suas pegadas: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Mt 16,24).

O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções dele vai colocar-nos em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz não é aguentar qualquer sofrimento passivamente. Se fosse assim, a religião seria masoquismo. Carregar a cruz é viver as consequências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-lo não é tanto fazer o que Jesus fazia no seu tempo, mas o que ele faria se estivesse aqui hoje. Como ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem definidos: os romanos, os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei (a elite dominante em termos políticos, econômicos, religiosos e ideológicos), os seus seguidores serão perseguidos pelos grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso, sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus “light”, sem grandes exigências, limitando a religião a uma prática intimista e individualista, sem consequências sociais, políticas, econômicas ou ideológicas.

A nossa resposta à pergunta “E vocês, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15) se dá, não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós na nossa maneira de viver, nas nossas opções concretas, na nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus não exigente, que não traz consequências sociais, que não nos engaja na luta por uma sociedade mais justa. Pois o Jesus real, o Jesus de Nazaré, o Jesus do Evangelho, não foi assim. E deixou claro: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la. Mas, quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,24-25).

Tomaz Hughes
Congregação Sociedade do Verbo Divino

FONTE: 

https://cebi.org.br/noticias/a-missao-do-discipulo-e-a-mesma-do-mestre-mt-1621-27/

 



domingo, 5 de fevereiro de 2023

MATEUS NOS CONVIDA A SER SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO

FONTE: CEBI.ORG

Neste domingo do tempo comum a comunidade de Mateus nos convida a ser Sal na terra e Luz no mundo.

Uma comunidade que vivia muitos conflitos, formada por judeus convertidos num período desafiador após a destruição de Jerusalém pelos romanos. Como viver a mensagem de Jesus e continuar seguindo a Lei de Moisés? Como ser sinal num mundo conflituoso em que alguns abandonavam a lei antiga, outros afirmavam a necessidade de seguir a tradição judaica e ainda fugir da perseguição imposta à comunidade cristã? Em meio aos sofrimentos cotidianos de  pobreza, falta de trabalho, doenças e abandono do povo, a comunidade buscava entender a mensagem de Jesus e  reinterpretar a Lei de Moisés a partir da prática e do ensino e da busca  pela justiça, fundamento daquela comunidade.

Este trecho que refletimos neste domingo mostra Jesus ensinando a comunidade a partir de comparações com elementos da vida diária. Pede a comunidade para ser  Sal da terra e Luz do mundo. O sal é imprescindível no preparo da comida, a fim de dar sabor. Mas desaparece ao se   misturar com a comida. A comunidade seguidora de Jesus deve ser o sal que traz sabor à vida do povo. Que dá um novo sentido às relações sociais, baseada na justiça marcada pela partilha do pão.

Outra comparação é a comunidade como Luz no mundo e como tal, ter a função de iluminar os caminhos a partir da proposta de Jesus. E como luz deve brilhar e não se esconder. Anima a comunidade a ter coragem para testemunhar Jesus e enfrentar os desafios diários de perseguição, ao mesmo tempo, ensinar a comunidade a ser praticante da palavra e testemunha da vida nova que Jesus propunha.

Para nós, hoje, esse texto alimenta e fortalece a luta diária por justiça. Como ser sal da terra e luz no mundo diante da realidade desafiadora que se impõe?

Seguir esses ensinamentos coloca a necessidade de sermos comunidades comprometidas com as lutas por  justiça em todos os campos em que ela está ausente. Sermos comprometidos/as com as lutas  do povo por  terra, pão, trabalho, saúde, igualdade racial e de gênero, por um  ambiente sustentável e acolhedor de todas, todos e todes. Ser Sal da Terra para temperar a vida do povo com novos sabores de justiça e Luz do Mundo para apontar que podemos ter um outro mundo possível.

Mateus 5, 13-20
Eliana da Silva – CEBI Alagoas

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-comunidade-de-mateus-nos-convida-a-ser-sal-na-terra-e-luz-no-mundo/ 

sexta-feira, 24 de junho de 2022

FOMOS LIBERTADOS PARA VIVER A COMPAIXÃO E A JUSTIÇA: reflexão dominical

Quem quiser seguir Jesus Cristo em tempos de cultura líquida (que rejeita referências sólidas, enrijece a lógica que transforma tudo em mercadoria, aceita a exclusão como destino inexorável e estabelece a indiferença como sinônimo de liberdade) precisa tomar uma decisão firme e refletida: precisa ter claro o objetivo de seguir e imitar Jesus na sua paixão pela humanidade, na sua solidariedade com os últimos, no seu enfrentamento com os poderes que se opõem ao projeto de um mundo no qual todas as criaturas tenham seu lugar.

Frente à tentação do integralismo e à discussão sobre quem é o maior e (cf. Lc 9,46-50), Jesus tomou “a firme decisão de partir para Jerusalém”. A meta da vida cristã não é o êxtase diante do esplendor dos impérios, mas a percepção e a denúncia das suas contradições e injustiças. Perseverar no caminho de Jesus Cristo exige renovada coerência com o Evangelho, imbatível firmeza diante das resistências e ânimo indestrutível frente às possíveis decepções. Como os discípulos daquele tempo, somos enviados à frente de Jesus para preparar-lhe um lugar.

A reação dos samaritanos é compreensível diante de um anúncio possivelmente insuficiente e nacionalista por parte dos discípulos. Assim como haviam proibido o trabalho daqueles que faziam o bem mas não estavam com eles, é possível que os discípulos tenham anunciado aos samaritanos um Jesus nacionalista, identificado com os poderes e doutrinas que diminuíam e excluíam os samaritanos, omitindo que Ele estava subindo a Jerusalém exatamente para contestar a validade do templo e sua ideologia, e para enfrentar a rejeição e o martírio.

Não seria também essa a principal causa da resistência que o mundo ocidental e moderno opõe ao cristianismo? Será que não temos identificado demasiadamente Evangelho e poder? Será que não temos renegado culpavelmente a defesa corajosa e decidida dos direitos de todos os humanos? Será que não temos esquecido perigosamente a profecia? Pouco adianta ameaçar os ateus e as (indevidamente chamadas) seitas com o fogo que desce do céu ou sobe do inferno. Precisamos de conversão ao Evangelho de Jesus Cristo e de abandono da pretensão do monopólio da verdade.

É preciso levar a sério a advertência de Jesus de Nazaré e partir para outros povoados e periferias, cientes de que segui-lo é a vocação de todos os homens e mulheres que aderem ao cristianismo, inclusive dos que não o fazem explicitamente. Se nosso caminho tiver uma direção clara e permanecer fiel à prática de Jesus, é possível que muitas pessoas, pertencentes tanto aos setores sociais mais abastados como aos grupos populares, se sintam também hoje fortemente interpeladas e decidam se incorporar à comunidade dos discípulos e discípulas.

É verdade que as pessoas que procuram as Igrejas trazem consigo contradições e ambivalências, das quais nem os prelados da Igreja conseguem se livrar. Com Jesus, aprendemos a apresentar a elas, com delicadeza e clareza, as consequências da opção de estar com ele.  Jesus nos apresenta uma espécie de ética do seguimento, na qual as rupturas e renúncias são uma pedagogia para a liberdade. Junto com o distanciamento frente ao fanatismo, Jesus nos pede uma ruptura com alguns costumes que, mesmo conservando um certo valor, podem limitar a liberdade.

A seu modo, Paulo repete o mesmo ensinamento de Jesus: “Toda a lei se resume neste único mandamento: amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Eis a liberdade bela e preciosa à qual somos chamados, e à qual não podemos renunciar sem descer ao nível dos mortos: não à indiferença e a superioridade, e sim ao respeitoso reconhecimento da dignidade do próximo e ao livre serviço às suas necessidades. Nisso consiste a obediência razoável devida a Deus e o amor maduro que de nós ele tem direito a esperar. Fomos libertados para a prática do amor e da justiça.

Jesus de Nazaré, mestre de exigentes lições e peregrino que avança no caminho do enfrentamento do poder: queremos caminhar contigo e alcançar a liberdade profunda e radical. Queremos aprender de ti e dos profetas que te precederam e seguiram a profecia e o ardor pelos direitos de Deus. Dá-nos a disciplina e a coragem para romper com todos os compromissos que reduzem ou adiam nossa autêntica liberdade. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

1º Livro dos Reis 19,16-21 | Salmo 15 (16) | Carta de Paulo aos Gálatas 5,13-18|  Evangelho  de São  Lucas (9,51-62)

FONTE:

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/fomos-libertados-para-viver-a-compaixao-e-a-justica/

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos!

Imagem: doutoresecommerce

Leia a reflexão sobre Marcos 10,46-52, texto de Itacir Brassiani

Estamos entrando na última semana do mês que dedicamos à oração e à animação missionária. Neste domingo, celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Missões. O Papa Francisco nos convida, citando os Apóstolos da primeira hora, a não calar aquilo que vimos e ouvimos (cf. At 4,20). Trata-se daquilo que vimos e ouvimos nestes quase dois anos de pandemia, de genocídio, de faturamento em cima da tragédia, de negociatas obscenas sem o mínimo de empatia e compaixão, mas também de gestos de doação sem medida, de avanço rápido na busca de soluções, de uma capacidade inaudita de resiliência.

É o desejo insaciável de plenitude, de bem viver e conviver que faz com que a pessoa humana se coloque a caminho. Apagar este desejo, ou substituí-lo pela rasteira satisfação de uma segurança feita sob medida para os fortes, equivale a começar a morrer. O ser humano só fica sentado à beira da estrada e condena quem é diferente quando ainda não alcançou sua própria maturidade, ou quando teve roubada a sua dignidade. Só quem ousa caminhar para além do presente é capaz de recusar uma vida sustentada por algumas migalhas.

O desejo mobilizador, criativo e emancipador é também o lugar do encontro com Deus. Quem busca Deus fora da insaciável sede de plenitude e de convivência inclusiva e solidária acaba fabricando ídolos que só fazem amedrontar os viventes e devorar vidas. É Deus quem nos fez sonhadores, misturando ao pó da terra o sopro divino. E é nessa abertura radical que nada pode preencher que ele costuma vir ao nosso encontro, acolhendo-a não como sinal de nossos limites, mas como expressão do infinito que nos habita. É também do adorável fundo desta condição de criaturas desejantes que brota a verdadeira oração.

É na oração que revelamos nossos verdadeiros e mais profundos desejos. Então, o que é que andamos pedindo a Deus? Dirigimo-nos a Deus como se ele fosse um capitão pronto a eliminar, em nosso nome, as pessoas e grupos que não nos agradam ou sentimos como ameaça? Confiamos a ele a frágil economia e a duvidosa moral da nossa família e imploramos que dê segurança às nossas poupanças e propriedades? Talvez cheguemos até a pedir paz, segurança e sucesso à nossa Igreja na concorrência com as demais denominações, que tratamos como concorrentes…

Como são pobres e medíocres estes desejos! Não passam de necessidades geradas no ventre do medo. Por isso, quando se trata de oração, não é suficiente pedir com insistência: é preciso desejar e pedir com ousadia e corretamente grandes coisas. Venha a nós o vosso Reino! Seja feita a vossa vontade! Democracia radical e respeito aos pobres… Bartimeu, que pede esmolas à margem do caminho, começa pedindo compaixão àquele que carrega nas próprias entranhas as esperanças dos pequenos. Antes de manifestar propriamente um desejo, o filho de Timeu expressa sua própria condição de dor e alienação.

Apesar da contrariedade dos que o circundam e seguem, Jesus para e se dirige ao cego e mendigo que implora: “O que você quer que eu faça por você?” Encorajado pelos discípulos, Bartimeu balbucia um pedido que vem do fundo da condição humana, que espanta todos os medos e exorciza todas as limitações: “Mestre, eu quero ver de novo!” Neste pedido, aquele homem cego e mendigo resume todas as suas necessidades e desejos: ver claramente as coisas, avaliar com retidão os acontecimentos, vislumbrar o Reino de Deus chegando como graça, tomar decisões políticas responsáveis à luz da razão ética e não dos medos e ódios…

No mesmo conjunto narrativo, um jovem rico havia voltado atrás, entristecido, porque era refém dos próprios bens (cf. Mc 10,17-22), e João e Tiago haviam expressado seus sonhos de poder. Mas o cego se livra do único meio de sobrevivência que possui e se aproxima de Jesus. E é essa fé ativa e dinâmica que abre seus olhos. “Pode ir, a sua fé curou você!” E ele não volta para casa ou para a caserna, mas põe-se a seguir Jesus. Mostra-se mais livre que o jovem rico, que voltou atrás desiludido, e mais lúcido que João e Tiago, que desejam os primeiros lugares. E ele jamais calou aquilo que experimentou, viu e ouviu.

Jesus de Nazaré, peregrino no santuário das dores e sonhos humanos! Escuta o grito que brota das entranhas da terra e abre os nossos olhos para reconhecer-te passando por nossos caminhos. Converte os cristãos do Brasil, para que não ignorem os desejos e sonhos que movem a humanidade. Desperte em nós e em nossas comunidades a corajosa alegria de não calar aquilo que vimos e ouvimos, que estamos vendo e ouvindo. E que ninguém cale em nós o grito do desejo de bem viver, mais forte que todas as razões. Assim seja! Amém!

 

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/nao-podemos-deixar-de-anunciar-o-que-vimos-e-ouvimos/

sábado, 20 de março de 2021

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO - V DOMINGO DA QUARESMA : O ATRATIVO DE JESUS


Imagem: CEBI.org

SÓ COMEÇAMOS A ENTENDER ALGO DA FÉ QUANDO NOS SENTIMOS AMADOS POR DEUS

Reflexão do Evangelho de João 12,20-33


Texto de José Ântonio Pagola

O atrativo de Jesus

Se alguém me quer servir, que venha atrás de mim; e, onde eu estiver, ali estará meu servo (Jo 12,26).

Uns peregrinos gregos que vieram celebrar a Páscoa dos judeus aproximaram-se de Felipe com uma petição: “Queremos ver Jesus”. Não é curiosidade. É um desejo profundo de conhecer o mistério que se encerra naquele Homem de Deus. Também a eles lhes pode fazer bem.

Jesus é visto preocupado. Dentro de alguns dias será crucificado. Quando lhe comunicam o desejo dos peregrinos gregos, pronuncia umas palavras desconcertantes: “Chega a hora de que seja glorificado o Filho do Homem”. Quando for crucificado, todos poderão ver com claridade onde está a sua verdadeira grandeza e a sua glória.

Provavelmente ninguém entendeu nada. Mas Jesus, pensando na forma de morte que o espera, insiste: “Quando eu for elevado sobre a terra, atrairei todos até mim”. O que se esconde no crucificado para que tenha esse poder de atração? Apenas uma coisa: O seu amor incrível a todos.

O amor é invisível. Só o podemos ver nos gestos, nos sinais e na entrega de quem nos quer bem. Por isso, em Jesus crucificado, na sua vida entregue até à morte, podemos perceber o amor insondável de Deus. Na realidade, só começamos a ser cristãos quando nos sentimos atraídos por Jesus. Só começamos a entender algo da fé quando nos sentimos amados por Deus.

Para explicar a força que se encerra em sua morte na cruz, Jesus utiliza uma imagem simples que todos podem entender: “Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto”. Se o grão morre, germina e faz brotar a vida; mas se se encerra no seu pequeno involucro e guarda para si a sua energia vital, permanece estéril.

Essa bela imagem descobre-nos uma lei que atravessa misteriosamente a vida inteira. Não é uma norma moral. Não é uma lei imposta pela religião. É a dinâmica que torna fecunda a vida de quem sofre movido pelo amor. É uma ideia repetida por Jesus em diversas ocasiões: Quem se agarra egoisticamente à sua vida, coloca-a a perder; quem sabe entregá-la com generosidade gera mais vida.

Não é difícil comprová-lo. Quem vive exclusivamente para o seu bem-estar, o seu dinheiro, o seu êxito, a sua segurança, acaba vivendo uma vida medíocre e estéril: a sua passagem por este mundo não faz a vida mais humana. Quem se arrisca a viver uma atitude aberta e generosa difunde a vida, irradia alegria, ajuda a viver. Não há uma forma mais apaixonante de viver que fazer a vida dos outros mais humana e leve. Como poderemos seguir Jesus se não nos sentimos atraídos pelo seu estilo de vida?


FONTE: CEBI.ORG


sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A SEMENTE DA NOVA COMUNIDADE - (João 1, 35-51)

Imagem: Cebi.org.br

Como sempre, os Biblistas do CEBI, nos trazem um excelente estudo sobre o Evangelho deste 2º Domingo do tempo Comum - Ano B.

“Aleluia, aleluia, aleluia.
Encontramos o Messias, Jesus Cristo, de graça e verdade ele é pleno; de sua imensa riqueza graças, sem fim, recebemos” (Jo 1,41.17).

1. SITUANDO

Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia, chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Marcos 1,16-20). O Evangelho de João tem outro jeito de descrever o início da primeira comunidade que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje!

O Quarto Evangelho é uma catequese muito bem feita. Ele não só mostra como se formou a primeira comunidade, mas também, através dos vários títulos de Jesus, descreve a fé desta comunidade, que é modelo para todas as outras comunidades. Assim, ao longo dos seus 21 capítulos, ele vai revelando quem é Jesus. Os títulos, que vão aparecendo durante os encontros e as conversas das pessoas com Jesus, fazem parte desta catequese. Eles ajudam os leitores e as leitoras a descobrirem como e onde Jesus se revela nos encontros do dia-a-dia da vida.

2. COMENTANDO

João 1,35-36 – O testemunho de João Batista a respeito de Jesus

João Batista tinha sido executado por Herodes em torno do ano de 30. Mas até o fim do século I, época em que foi escrito o Quarto Evangelho, a liderança dele continuava muito forte entre os judeus. Por isso, era importante o testemunho de João Batista chamando Jesus de “Cordeiro de Deus”. Este título evocava a memória do êxodo. Na noite da primeira Páscoa, o sangue do Cordeiro Pascal, passado nas portas das casas, tinha sido sinal de libertação para o povo (Êxodo 12,13-14). Para os primeiros, cristãos Jesus é o novo Cordeiro Pascal que liberta o seu povo (1 Coríntios 5,7; 1 Pedro 1,19; Apocalipse 5,6.9).

João 1,37-39 – Dois discípulos de João seguem Jesus

Dois discípulos de João Batista, animados pelo próprio João, foram em busca de Jesus. Jesus responde: “Venham e vejam!” É convivendo com Jesus que eles mesmos devem poder verificar e confirmar se era isto que estavam buscando. O encontro confirmou a busca: “Era isso mesmo!” Os dois nunca esqueceram a hora do encontro: eram 4 horas da tarde! Também hoje, as comunidades devem poder dizer: “Venham e vejam!” É ver e experimentar para poder testemunhar. O apóstolo João escreve na sua primeira carta: “A vida se manifestou. Nós a vimos e dela damos testemunho!” (1 João 1,2).

João 1,40-42 – André apresenta Pedro a Jesus

André descobriu que Jesus é o Messias. Ele gostou tanto do encontro, que partilhou sua experiência com o irmão e deu testemunho: “Encontramos o Messias!” Em seguida, conduziu o irmão até Jesus. Encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus! É assim que a Boa Nova se espalha pelo mundo, até hoje! Conosco pode acontecer o que aconteceu com o irmão de André. No encontro com Jesus, ele teve seu nome mudado de Simão para Cefas (Pedra ou Pedro). Mudança de nome significa mudança de rumo. O encontro com Jesus pode produzir mudanças profundas na vida da gente. Deus queira!

João 1,43-44 – Jesus chama Filipe

No dia seguinte, Jesus voltou para a Galileia. Encontrou Filipe e o chamou: “Segue-me!” O importante do chamado é sempre o mesmo: “seguir Jesus”. Os primeiros cristãos fizeram questão de conservar os nomes dos primeiros discípulos. De alguns conservaram até os apelidos e o nome do lugar de origem. Filipe, André e Pedro eram de Betsaida (João 1,44). Natanael era de Caná (João 22,2). Jesus era de Nazaré (João 1,45). Eram todos lugares bem pequenos, lá na roça do interior da Galileia! Hoje, muitas vezes, esquecemos ou nem conhecemos os nomes das pessoas que estão na origem de nossa comunidade. Lembrar os nomes é uma forma de conservar a identidade.

João 1,45-46 – Filipe leva Natanael a Jesus

Filipe encontra Natanael e fala com ele sobre Jesus: “Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas! É Jesus, o filho de José, de Nazaré!” Mais um título para Jesus! Jesus é aquele para o qual apontava toda a história do Antigo Testamento. Natanael pergunta: “De Nazaré pode vir coisa boa?” Natanael era de Cana, que fica perto de Nazaré. Possivelmente, na pergunta dele transparece a rivalidade que costuma existir entre as pequenas aldeias de uma mesma região. Além disso, conforme o ensinamento oficial dos escribas, o Messias viria de Belém na Judéia. Não podia vir de Nazaré na Galileia (João 7,41-42).  Novamente, de André vem a mesma resposta intrigante: “Venha e veja você mesmo!” Não é impondo mas sim vendo que as pessoas se convencem. Novamente, o mesmo processo: encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus!

João 1,47-51 – A conversa entre Jesus e Natanael

Jesus vê Natanael e diz: “Eis um israelita autêntico, sem falsidade!” E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um “israelita autêntico” se ele não aceitava Jesus como messias? É porque Natanael “estava debaixo da figueira”. A figueira era o símbolo de Israel (cf. Miqueias 4,4; Zacarias 3,10; 1 Reis 5,5). “Estar debaixo da figueira” era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias ideias quando percebe que elas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com os ensinamentos oficiais da época (João 7,41-42.52). Por isso, inicialmente, não aceitava um messias vindo de Nazaré. Mas o encontro com Jesus ajuda-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a gente o imagina ou deseja. Ele reconhece o seu engano, muda de ideia, aceita Jesus como messias e confessa: “Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!” A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem foi fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gênesis 28,10-22).

3. ALARGANDO

 A galeria dos encontros com Jesus no Evangelho de João

No Evangelho de João, são narrados com detalhes muitos encontros com Jesus quer marcam para sempre a vida das pessoas. Os primeiros discípulos nunca mais puderam esquecer aquele momento. Um deles, provavelmente o “discípulo amado” ainda se lembrava da hora em que encontrou Jesus: “Eram 4 horas da tarde!”. O outro, André, chamou o irmão dele, Pedro (João 1,35-51). Nicodemos foi encontrar Jesus de noite. Os dois tiveram uma conversa difícil (João 3,1-13), mas Nicodemos, apesar da crítica de Jesus, ficou amigo. Ele o defendeu numa discussão com os chefes (João 4,14; 7,50-52) e, depois da morte de Jesus, lá estava ele, novamente, com perfumes para a sepultura (João 19,39). João Batista alegrou-se ao ver o crescimento do movimento de Jesus (João 3,22-36). A samaritana encontrou Jesus junto do poço (João 4,1-42) e dentro dela passou a jorrar água viva (João 4,14; 7,37-38). O encontro com o paralítico se deu junto às águas de um santuário popular (Jo 5,1-18). Foi na praça do templo que se deu o encontro com a mulher que ia ser apedrejada. Ela reencontrou a dignidade e a paz (João 8,1-11). O cego encontrou Jesus, que lhe abriu os olhos e se revelou a ele como o Filho do Homem (João 9,1-41). Marta e Maria foram ao encontro de Jesus no caminho e experimentaram a sua força revitalizadora (João 11,17-37).

Estes e outros encontros são como quadros colocados em uma galeria. Eles vão revelando aos olhos atentos de quem os aprecia algo que está por trás dos detalhes, a saber, a identidade de Jesus. Ao mesmo tempo, mostram as características das comunidades que acreditavam em Jesus e davam testemunho da sua presença. São também espelhos, que ajudam a descobrir o que se passa dentro de nós quando nos encontramos com Jesus.

 Os títulos de Jesus

Logo neste primeiro capítulo, as pessoas que vão sendo chamadas professam a sua fé em Jesus através de títulos como: Cordeiro de Deus (João 1,36); Rabi (João 1,38); Messias ou Cristo (João 1,41); “aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas” (João 1,45); Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), Filho de Deus (João 1,49); Rei de Israel (João 1,49); Filho do Homem (João 1,51). São oito títulos em apenas 15 versos! Quando uma pessoa é muito querida, ela recebe um grande número de apelidos. Assim também Jesus no Evangelho de João. Nestes e em tantos outros nomes ou títulos, as comunidades transmitiam o que Jesus significava para elas. Todos estes nomes traduzem o enorme esforço dos primeiros cristãos em querer conhecer Jesus para melhor amá-lo. Mostram ainda a diversidade da busca.

Eis uma lista incompleta de alguns títulos de Jesus que aparecem neste e nos outros capítulos do Evangelho de João. Eles revelam a fé das comunidades do Discípulo Amado. A grande variedade dos títulos revela a diversidade não só da busca, mas também da própria teologia. Não havia uma doutrina única:

1,1 Palavra, Verbo
1,9 Luz
1,14 Filho Único
1,17 Messias ou Cristo
1,29 Cordeiro de Deus
1,34 Eleito de Deus
1,38 Rabi ou Mestre
1,49 Filho de Deus
1,51 Filho do Homem
2,21 Templo
3,2 Vem de Deus
3,29 Esposo
4,9 Judeu
4,26 Messias
4,42 Salvador do Mundo
5,18 Igual a Deus
6,34 Pão da vida
6,41 Pão descido do céu
6.42 Filho de José
6,69 Santo e Deus
7,52 Galileu

8,24 Eu sou (João 8,28.58)

8,48 Samaritano
9,2 Rabi
9,5 Luz do mundo
9,7 Enviado
9,11 Homem Jesus
9,17 Profeta
9,22 Cristo
9,38 Senhor
10,7 Porta das ovelhas
10,11 Bom pastor
10,30 Eu e o Pai somos um
11,25 Ressurreição
12,13 Bendito em nome do Senhor
12,13 Rei de Israel
13,13 Mestre e Senhor
14,6 Caminho, Verdade e Vida
15,1 Videira
18,5 Nazareno
19,5 Homem

Resumindo: Para o Evangelho de João, a fonte da vida consiste em acreditar que Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), é Messias (João 1,41) e Filho de Deus (João 1,49). Foi exatamente para isto que o evangelho foi escrito (João 20,31).

 Mesters, Lopes e Orofino.

FONTE: CEBI - https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-semente-da-nova-comunidade/



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

REFLEXÃO PARA O 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO B


TODO DIA É DIA, TODA HORA É HORA…

Frei Gustavo Medella

O Senhor vive chamando…  Esta é a constatação que perpassa os textos bíblicos da Liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum. Na leitura do Livro de Samuel (1Sm 3,3b-10.19), o chamado é de viva voz, atinge a audição e vem na madrugada, quando o menino Samuel se encontra no estado entre vigília e sono. Meio entorpecido, por duas vezes atribui o chamamento a Eli. Este, mais experiente na caminhada de fé, orienta Samuel a abrir ainda mais os ouvidos para perceber que quem o chama é o próprio Deus. O texto também nos reforça a convicção de que o Senhor é insistente em seu chamado e nos dá a consciência de que, entorpecidos pelas preocupações do dia a dia, pela falta de fé e também condicionados pelo medo ou pelo egoísmo, nem sempre conseguimos discernir com clareza como e para que somos chamados. O episódio ilustra que, para bem ouvirmos o apelo do Senhor em sua essência, podemos –  e devemos – contar com a ajuda e o discernimento uns dos outros.

A bela oração do Salmo (Sl 39(40)) apresenta a boa disposição de quem aprende na vida a atender o convite de Deus: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor”. O prazer, força que mobiliza, e às vezes escraviza o ser humano, quando direcionado à fidelidade ao projeto divino, é fonte de alegria e realização.

No Evangelho (Jo 1,35-42), o apelo de Jesus é ao olhar: “Vinde e vede”. O convite do “Cordeiro”, lançado aos dois discípulos de João, mobilizou-os decisivamente. No entardecer da vida, diferentemente de Samuel (chamado de madrugada, quando ainda menino), estes dois homens que aderem ao projeto de Cristo vêm nos mostrar que, qualquer que seja o horário do dia (no caso deles, às quatro da tarde), ou a fase da vida (eles já eram adultos), o Senhor nos chama a permanecer com Ele e pacientemente espera de nós uma resposta de adesão.


FONTE: www.franciscanos.org

domingo, 7 de janeiro de 2018

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO PARA A EPIFANIA DO SENHOR


O nosso percurso ao encontro do Senhor, que hoje se manifesta como luz e salvação para todos os povos, é elucidado por três gestos dos Magos. Estes veem a estrela, põem-se a caminho e oferecem presentes.

Ver a estrela: É o ponto de partida. Mas, podemos nos perguntar: Por que foi que só os Magos viram a estrela? Porque talvez poucos levantaram o olhar para o céu. De fato, na vida, muitas vezes, nos contentamos com olhar para a terra: basta a saúde, algum dinheiro e um pouco de divertimento. E eu me pergunto: Sabemos nós ainda levantar os olhos para o céu? Sabemos sonhar, ansiar por Deus, esperar a sua novidade, ou nos deixamos levar pela vida como um ramo seco pelo vento? Os Magos não se contentaram com deixar correr, flutuando. Intuíram que, para viver de verdade, é preciso uma meta alta e, por isso, é preciso manter alto o olhar.

E podemos nos perguntar ainda: Porque é que muitos outros, dentre aqueles que levantavam o olhar para o céu, não seguiram aquela estrela, “a sua estrela” (Mt 2, 2)? Talvez porque não era uma estrela deslumbrante, que brilhasse mais do que as outras. Era uma estrela que os Magos viram – diz o Evangelho – “despontar” (cf. Mt 2, 2.9). A estrela de Jesus não encandeia, não atordoa, mas gentilmente convida. Podemos nos perguntar pela estrela que escolhemos na vida. Há estrelas deslumbrantes, que suscitam fortes emoções, mas, não indicam o caminho. Tal é o sucesso, o dinheiro, a carreira, as honras, os prazeres procurados como objetivo da existência. Não passam de meteoritos: brilham por um pouco, mas depressa caem e o seu esplendor desaparece. São estrelas cadentes, que, em vez de orientar, despistam. Ao contrário, a estrela do Senhor nem sempre é fulgurante, mas, está sempre presente: é meiga, guia você pela mão na vida, o acompanha. Não promete recompensas materiais, mas garante a paz e dá, como aos Magos, uma “imensa alegria” (Mt 2, 10). Pede, porém, para caminhar.

Caminhar: a segunda ação dos Magos, é essencial para encontrar Jesus. De fato, a sua estrela solicita a decisão de se pôr a caminho, a fadiga diária da caminhada; pede à pessoa para se libertar de pesos inúteis e suntuosidades embaraçantes, que estorvam, e aceitar os imprevistos que não aparecem assinalados no mapa da vida tranquila. Jesus deixa-Se encontrar por quem O busca, mas, para O buscar, é preciso mover-se, sair. Não ficar à espera; arriscar. Não ficar parados; avançar. Jesus é exigente: a quem O busca, propõe-lhe deixar as poltronas das comodidades mundanas e os torpores sonolentos das suas lareiras. Seguir a Jesus não é um polido protocolo a respeitar, mas um êxodo a viver. Deus, que libertou o seu povo mediante o trajeto do êxodo e chamou novos povos para seguir a sua estrela, dá a liberdade e distribui a alegria, sempre e só, em caminho. Por outras palavras, para encontrar Jesus, é preciso perder o medo de entrar no jogo, a satisfação do caminho andado, a preguiça de não pedir mais nada à vida. Simplesmente para encontrar um Menino, já é preciso arriscar; mas vale muito a pena, porque, ao encontrar aquele Menino, ao descobrir a sua ternura e o seu amor, encontramos a nós mesmos.

Pôr-se a caminho não é fácil. Assim nos mostra o Evangelho por meio dos vários personagens. Temos Herodes, perturbado pelo temor de que o nascimento dum rei ameace o seu poder. Por isso, organiza reuniões e envia outros a recolher informações; mas ele não se move, está fechado no seu palácio. E, com ele, “toda a Jerusalém” (Mt 2, 3) tem medo: medo das coisas novas de Deus. Prefere que tudo permaneça como antes – “fez-se sempre assim” -, e ninguém tem a coragem de se pôr a caminho. Mais sutil é a tentação dos sacerdotes e escribas: conhecem o lugar exato e indicam-no a Herodes, citando inclusive a profecia antiga; sabem, mas, não dão um passo rumo a Belém. Pode ser a tentação de quem é crente há muito tempo: fala de fé, como de algo que já é conhecido, mas, que não se compromete pessoalmente com o Senhor. Fala-se, mas não se reza; lastima-se, mas não se faz o bem. Pelo contrário, os Magos falam pouco e caminham muito. Embora ignorando as verdades da fé, estão ansiosos e põem-se a caminho, como evidenciam os verbos do Evangelho: “viemos adorá-lo” (Mt 2, 2), “puseram-se a caminho; entraram na casa; prostraram-se; regressaram” (cf. Mt 2, 9.11.12): sempre em movimento.


Oferecer: Quando chegaram ao pé de Jesus, depois da longa viagem, os Magos fazem como Ele: dão. Jesus está ali para oferecer a vida; eles oferecem as suas preciosidades: ouro, incenso e mirra. O Evangelho está cumprido, quando o caminho da vida chega à doação. Dar gratuitamente, por amor do Senhor, sem esperar nada em troca: isto é sinal certo de ter encontrado Jesus, que diz “recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10, 8). Praticar o bem sem cálculos, mesmo se ninguém pede, mesmo se não nos faz ganhar nada, mesmo se não nos apetece. Isto é o que Deus deseja. Ele, que Se fez pequenino por nós, pede-nos para oferecermos algo pelos seus irmãos mais pequeninos. E quem são? São precisamente aqueles que não têm com que retribuir, como o necessitado, o faminto, o forasteiro, o preso, o pobre (cf. Mt 25, 31-46). Oferecer um presente agradável a Jesus é cuidar dum doente, dedicar tempo a uma pessoa difícil, ajudar alguém que não nos inspira, oferecer o perdão a quem nos ofendeu. São presentes gratuitos, não podem faltar na vida cristã; caso contrário, como nos recorda Jesus, amando apenas aqueles que nos amam, fazemos como os pagãos (Mt 5, 46-47). Olhemos as nossas mãos muitas vezes vazias de amor, e procuremos hoje pensar num presente gratuito, sem retribuição, que possamos oferecer. Será agradável ao Senhor. E peçamos-Lhe: “Senhor, fazei-me redescobrir a alegria de dar”.

Amados irmãos e irmãs, façamos como os Magos: olhar para o Alto, caminhar e oferecer presentes gratuitamente.

SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica Vaticana

Sábado, 6 de janeiro de 2018