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sábado, 14 de fevereiro de 2026

UM CONVITE À COERÊNCIA DO CORAÇÃO

VI Domingo do Tempo Comum

Leituras:
Eclo 15,16-21
Sl 18(119),1-2.4-5.17-18.33-34 (R. 1)
1Cor 2,6-10
Mt 5,17-37

🌿 Evangelho do Domingo – Mateus 5,17–37

Este trecho do Sermão da Montanha nos coloca diante de um desafio delicado e profundamente atual. Jesus não descarta a Lei; Ele a leva à sua plenitude. Sai do campo das normas externas e entra no território mais exigente: as intenções, atitudes e disposições do coração.

O texto começa lembrando o 5º mandamento: “Não matarás.” Mas Jesus amplia: a raiva cultivada, o desprezo, a palavra que humilha… tudo isso também fere e destrói. Para nós, que educamos na fé, essa palavra toca diretamente na missão de evangelizar. Quantas vezes falamos de amor, perdão e fraternidade; mas nossas relações, até mesmo na catequese, carregam impaciência, dureza ou julgamentos?

Antes de falar, testemunhar. Antes de ensinar reconciliação, viver reconciliação. Jesus propõe algo revolucionário: se houver ruptura com o irmão, a reconciliação vem antes da oferta. Em linguagem catequética, poderíamos dizer: não basta preparar belos encontros, dinâmicas e celebrações se o coração permanece fechado, ressentido ou indiferente.

A pedagogia de Jesus é interior. Ao falar de adultério, juramentos e fidelidade à palavra, Jesus insiste na mesma direção: a verdadeira vivência da fé nasce de dentro para fora. Não se trata de vigiar comportamentos alheios, mas de cultivar: integridade, verdade, respeito, coerência entre fé anunciada e fé vivida

Para o catequista, isso é essencial. Crianças, adolescentes e adultos em iniciação cristã aprendem menos com discursos e muito mais com posturas. Eles percebem como tratamos as pessoas, como reagimos aos conflitos, como usamos nossas palavras e como vivemos aquilo que propomos

Jesus usa uma linguagem forte para acordar consciências. As imagens radicais usadas por Ele (“arrancar o olho”, “cortar a mão”) não pedem literalidade, mas decisão. É um chamado a remover aquilo que nos afasta do Evangelho: atitudes tóxicas, vaidades feridas, palavras agressivas, incoerências repetidas

“Seja o vosso sim, sim”: Num mundo de promessas frágeis e discursos vazios, Jesus valoriza a simplicidade da verdade. Para quem catequiza, isso é ouro:

Que nosso “sim” à missão seja verdadeiro. Que nosso compromisso não seja apenas agenda, mas vocação. Que nossa palavra tenha peso porque nasce de uma vida autêntica.

Para rezar e refletir:

Senhor Jesus, purifica nosso coração de toda dureza, cura nossas impaciências, alinha nossas palavras com o Teu amor. Que nossa catequese não seja apenas transmissão de conteúdos, mas testemunho vivo da Tua presença. Amém.

Ângela Rocha
Catequista e formadora



terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

QUEM COMO DEUS?

Publicado em: 4 de fevereiro, 2025.

Somos convidados a peregrinar rumo à esperança que não decepciona. E temos a real convicção de que Deus é a própria esperança. De fato, “Ele quis revelar a riqueza da glória deste mistério entre as gentes, isto é, Cristo no meio de vós, a esperança da glória!” (Cl 1, 27).
Jesus Cristo, com a sua encarnação, sua vida, paixão, morte e ressurreição, abre a história de todo ser humano para um largo horizonte de esperança, jamais de ameaça ou desespero. Ele reconfigura as nossas lutas, os nossos sofrimentos, os nossos esforços, as buscas e atividades numa perspectiva diferente. Ele mesmo é o sentido último de todas as coisas, a realização plena da vida e da existência.
É verdade que muitos de nós precisaram deixar de viver para sobreviver; estamos inseridos em um mundo bem diferente daquele que Deus projetou no início, onde coexistimos com anomalias como a violência, guerras, fome etc. Contudo, esse sistema de morte não derrota quem acredita. Ele nos amou e seu amor é o “coração do mundo”, o mistério que atrai tudo e todos para a vida definitiva. A justiça de Deus tem a última palavra sobre todas as coisas: Esta é a nossa esperança.
Neste ano jubilar, grande oportunidade de perdão e de perfeita reconciliação, somos atraídos e convidados a reafirmar a nossa esperança em Deus. Uma tarefa nem sempre fácil, visto que somos confrontados por uma sociedade que insiste na contramão desta mesma esperança, indiferente com os mais pequeninos. Por isso mesmo, coragem! Que a nossa esperança siga viva, pois Ele vem em socorro das nossas fraquezas, das nossas inquietações, alimentando nossa sede por justiça, solidariedade e amor.
Frei Rogério Lima
Assistente Eclesiástico Nacional

sábado, 30 de março de 2024

DESAFIO DIÁRIO: “ERA UMA PEDRA MUITO GRANDE" – Mc 16,1-8

O sábado era observado de acordo com o costume judaico, não se podia cumprir atividades sociais, entre elas, comprar e visitar. Era preciso esperar este dia passar para que se pudesse seguir a vida cotidianamente em suas urgências.

Foi o que Maria Madalena, Maria Mãe de Tiago e Salomé cumpriram: esperaram, ansiosamente, este dia passar, para no dia seguinte poder comprar perfumes e enfim visitar o túmulo. E como devem ter sofrido com esta espera! Imaginem o rigor da lei, que se intensificaria na condição de serem mulheres, se elas resolvessem transgredir!

Lembramos o quanto as “Marias e as Salomés” no dia a dia esperam, sofridas e ansiosamente, se cumprirem todas as burocracias e impedimentos caírem, para que elas possam tomar posse dos direitos de cuidarem do corpo de seu filhos e filhas, netos e netas, seja qual for o vínculo, que são levados e levadas à morte por um sistema covarde, cruel e brutal.  Paralelo a essa situação estão também as mulheres que ainda sobrevivem no genocídio promovido atualmente pelo governo de Israel, esperando a possibilidade “do nascer do sol” para que possam cuidar dos corpos que ainda ainda estão ao relento…

Conduzidas pelo Amor, imbuídas de sentimentos de dor, perda e desesperança, chegam ao túmulo. O Amor que as levaram naquela manhã de Páscoa está presente em seus corações. Um Amor que aparentemente foi derrotado por um sistema opressor de morte.

É no nascer do sol, de manhã, que as mulheres se apressam. Para elas significa novas oportunidades e superação das amarras. Elas fazem isto em grupo, em conjunto… articuladas, mas tinham a preocupação com a pedra que fechava o túmulo, a qual, de acordo com a estrutura das sepulturas da época, era muito pesada e as impediria de entrar. Uma das “pedras” elas já haviam superado, que era a de suportar o rigor do sábado passar.

É revelada a novidade: A pedra foi removida. É sinal de que elas não estavam sozinhas em suas esperanças e caminhadas e que podiam avançar nos desafios que fossem apresentados. O túmulo vazio era sinal de que não era o fim. As forças opressoras foram vencidas!

”Não fiquem assustadas” (v.6), ou com outras palavras “não tenham medo”, é a afirmativa constante da Palavra de Deus, permeando a caminhada e anunciando naquele momento a ressurreição. A mensagem é de Vida. A “pedra do medo” foi removida e deve ser removida continuamente.

Jesus Ressuscitou!

É uma notícia poderosa! Jesus está seguindo de novo para a Galiléia, lugar de caminhada desde o começo, devolvendo a vida e a liberdade. E está indo à frente, e, ao mesmo tempo, junto daqueles e daquelas que querem continuar a segui-lO.  Essa mesma notícia, dada inicialmente às mulheres, primeiras testemunhas da ressurreição, deve ser transmitida por elas aos discípulos e a Pedro. Em uma sociedade que as marginalizava e impedia a participação, Jesus subverte esta estrutura e as acolhe incondicionalmente.

Sim, certamente elas, em grupo, com alegria, cuidadosamente disseram sobre o ocorrido. Elas não calaram de medo, embora o texto o diga. Elas foram, sabendo e transmitindo que a ressurreição não significa euforia nem memória saudosa, mas que o seguimento a Jesus não é fácil, porque é um projeto de luta contra a opressão e a injustiça.

E a nós cabe a tarefa de levar a boa nova para as comunidades e desconstruir, na medida do que podemos, as novas formas de domínio do grande capital, que substitui com muita propriedade o Império Romano.

Com o mesmo cuidado de Maria Madalena, Maria Mãe de Tiago e Salomé, somos convidadas a nos colocar a caminho para ajudar a remover “pedras muito grandes”, que exigem coragem todos os dias.

Colaboração: Grupo Extensivo do CEBI RJ

FONTE: https://cebi.org.br/partilhas/desafio-diario-era-uma-pedra-muito-grande-mc-161-8/ 

sexta-feira, 29 de março de 2024

JESUS NA CRUZ – JOÃO 18,1-19,42

Para Jesus, a cruz não é motivo de glorificação, é motivo de condenação. É a condenação daquele que ousou levantar a voz contra a exclusão social, a violência contra o pequeno, a opressão, a exploração e o fanatismo religioso do seu tempo. Jesus é levado a cruz por ter ido contra esse sistema político/religioso que criava leis e as vigiava para manter o controle opressor. O que levou Jesus a essa condenação na cruz foi sua coragem de proclamar com atitudes e palavras o Reino de Deus dentro do Reino Judaico-Romano. Quem ousaria tal coisa? De onde veio tanto ardor?

Da aldeia de Nazaré vem Jesus passando por vales e montes, desertos e periferias, vilas e lagos … com sua voz firme falando de paz, acolhendo, incluindo, ouvindo, alimentando famintos e famintas; esses gestos ofenderam aqueles e aquelas que dominavam. Aqueles e aquelas que, em nome da lei, flagelavam a dignidade humana. O Reino anunciado por Jesus ofendia e assustava as autoridades: um reino de paz em oposição ao reino de guerra, um reino de amor em oposição ao reino de ódio, o Reino de Deus em oposição ao Reino de César.

Jesus entra em Jerusalém às vésperas da Páscoa. Ele sabe que é chegada a hora. Como humano sofre no horto, pois conhece a conjuntura que o condenará. Diante da angústia de ser incompreendido por aqueles e aquelas que o querem deter, Jesus mantém a serenidade e a fidelidade ao seu propósito. Quando perguntado onde está o Jesus, Ele responde “Sou Eu”, lembrando o Deus do êxodo “Eu sou Aquele que sou”. Jesus é Aquele que se manteve fiel ao projeto a Ele confiado. Levado ao tribunal, condenado, caminha pelas ruas tendo sobre as costas o fardo pesado da cruz que é símbolo da prepotência, da arrogância e da truculência do poder opressor. A cruz é símbolo da condenação romana, mas a glória desta condenação vem do poder local. Não esqueça que Anás, Caifás, o Sinédrio, … todos representam o poder emanado da lei, da religião, feito poder local.

No alto do Gólgota, o Nazareno é colocado na cruz, exposto como troféu da imbecilidade humana, como forma de intimidação contra quem ouse pensar contra as ideologias perversas de seus governantes. É a vitória daqueles e daquelas que em nome da Lei dilaceram a vida, que em nome da fé tornam-se fanáticos inescrupulosos.

A cruz não suprimiu o ideal do Reino plantado pelo Nazareno, ela fortaleceu este sonho de vitória da vida sobre a morte, no ideal da ressurreição. Não haverá vitória sem luta, ressurreição sem a insurreição.

Prof.Júlio Leão de Araújo
Membro das Cebs e integrante do CEBI PI.

FONTEhttps://cebi.org.br/noticias/jesus-na-cruz-joao-181-1942

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

A MISSÃO DO DISCÍPULO É A MESMA DO MESTRE (MT 16,21-27)

cebi.org

Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (16,23).

Este texto é uma continuação do Evangelho em que Pedro, embora tivesse usado os termos certos para descrever quem era Jesus, os entendia de modo errado (Mt 16,16-20). Para Jesus, ser o Cristo (ou Messias) significava assumir a missão do Servo de Javé, descrita pelo profeta Segundo-Isaías, nos Cantos do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-11; 52,13–53,12). Jesus deixa claro que ser o Messias não significava triunfo nos termos desse mundo, mas o contrário: “sofrer muito nas mãos dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21).

Essa visão que Jesus tinha da missão do Messias, não era comum. Em geral, o povo esperava um Messias triunfante e glorioso. Mateus mostra-nos que Pedro partilhava essa visão equivocada, a ponto de tentar corrigir Jesus. Por isso, ganha dele uma admoestação dura: “Vai para trás de mim, Satanás! És um escândalo para mim, porque não pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mt 16,23).

Não basta usar os termos certos. Porém, é preciso ter a compreensão certa do que eles significam. A Bíblia conta-nos que Deus criou homens e mulheres à sua imagem e semelhança. Na verdade, porém, muitas vezes nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, para que não nos incomode. A nossa tendência é de seguir um Messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus, não há meio termo. O discípulo tem que seguir o mestre, tem que andar nas suas pegadas: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Mt 16,24).

O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções dele vai colocar-nos em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz não é aguentar qualquer sofrimento passivamente. Se fosse assim, a religião seria masoquismo. Carregar a cruz é viver as consequências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-lo não é tanto fazer o que Jesus fazia no seu tempo, mas o que ele faria se estivesse aqui hoje. Como ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem definidos: os romanos, os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei (a elite dominante em termos políticos, econômicos, religiosos e ideológicos), os seus seguidores serão perseguidos pelos grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso, sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus “light”, sem grandes exigências, limitando a religião a uma prática intimista e individualista, sem consequências sociais, políticas, econômicas ou ideológicas.

A nossa resposta à pergunta “E vocês, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15) se dá, não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós na nossa maneira de viver, nas nossas opções concretas, na nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus não exigente, que não traz consequências sociais, que não nos engaja na luta por uma sociedade mais justa. Pois o Jesus real, o Jesus de Nazaré, o Jesus do Evangelho, não foi assim. E deixou claro: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la. Mas, quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,24-25).

Tomaz Hughes
Congregação Sociedade do Verbo Divino

FONTE: 

https://cebi.org.br/noticias/a-missao-do-discipulo-e-a-mesma-do-mestre-mt-1621-27/

 



quarta-feira, 7 de junho de 2023

QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO: REFLEXÃO

Imagem: cebi.org

Amados e amadas em Cristo, vamos juntas refletir o texto do Evangelho de Mt 9,9-13,18-26. Estamos no Tempo Comum, que se estende do fim do ciclo pascal (terminado no domingo de Pentecostes) até o início do Advento, somando 28 a 30 semanas. Esse tempo após Pentecostes, os textos bíblicos lembram a continuação das obras salvíficas de Deus e chamam as pessoas a ser seguidoras de Jesus Cristo por meio de suas palavras e ações. Os textos chamam a atenção para a prática correta da vontade de Deus. O simples cumprimento da lei não implica “fazer” a vontade de Deus. A ortopraxias é uma chamada para que as pessoas se relacionem com Deus em fé e serviço, em que as ações sejam realizadas por amor a Deus e ao próximo que sofre.

A primeira parte, nos revela o amor do Pai através de Jesus, com suas atitudes de misericórdia e bondade, não somente perdoa os pecados, mas transforma o pecador em discípulo. Chamado de Mateus, que em Marcos é denominado Levi (Mc 2.14), o texto fala que ele é um homem que trabalhava na coleta de impostos. Havia naquela época tributos diretos e indiretos. A cobrança dos impostos na Palestina era feita pelo sistema de arrendamento. O Império Romano e os governos locais terceirizavam essa atividade, arrendando-a por um ou mais anos a pessoas que pagassem antecipadamente o valor mais alto pelo conjunto de tributos e taxas que seriam cobrados em determinada região ou cidade. São pessoas ricas, que firmavam contratos arriscados e que tentavam tirar, durante o período da coleta, além do capital investido, também o seu lucro, usando, muitas vezes, artimanhas e trapaças, não muito diferente de hoje. Onde os poderosos pisam nos mais fracos, impossibilitando-os muitas vezes de lutar por sua dignidade. 

Se a primeira parte fala do chamado a conversão, da prepotência dos poderosos e nos revela a misericórdia de Deus, que todos somos seus filhos e filhas, que por mais que erramos Deus não nos abandona, a segunda parte revela a força da fé, a cura dos nossos males, que basta pedir e esperar com paciência o tempo do Pai. A ressurreição é o pano de fundo da segunda metade, quando um funcionário pede que Jesus toque sua filha, acredita que ela vai acordar. A fé e o toque de Jesus cura. E como estamos hoje? Temos essa fé madura, que nos fortalece ou continuamos sendo imediatistas?

Estamos nos preparando para sermos irmãos, irmãs que acolhem, que amam, que perdoam, que se reconhecem pecadoras. O Senhor está nos dizendo hoje: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Não adianta caminharmos senão converter o nosso coração, que saibamos acolher aqueles que o mundo despreza, aqueles a quem não olhamos com um bom olhar, que consideramos como “pessoas que não servem”. Mas são elas que servem para Deus, a elas que devemos buscar.

Maristela Bonim
CEBI-RO




sábado, 13 de maio de 2023

OS CINCO MANDAMENTOS DE JESUS

Lembrando o mandamento maior de Jesus de "amarmos a Deus e amarmos uns aos outros, como Ele nos ama", não podemos deixar de lembrar dos "outros" mandamentos de Jesus, que Pe. Rui nos faz refletir neste pequeno texto.

A leitura era pequena, daquela vez. Mas cresceu imensa, como se fosse a primeira vez que a escutasse, pôs-se a "crescer para mim", e eu rendi-me. De repente, vi-me diante de cinco mandamentos obrigatórios, como uma lista irrenunciável descida do céu, uma tábua da aliança escrita pelo dedo de Deus no cimo do monte. Não me largou a força disso, como uma novidade que não nos sai do corpo, um óleo que unge, o nardo que impregna. Ou como receber um órgão novo, não sei, um transplante vital. Vamos ao texto. Era só este: 

"Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco."

É do Evangelho de Lucas, capítulo 6, versos 36 a 38. É o resumo que o próprio Jesus faz do "Sermão da Planície", o correspondente em Lucas do "Sermão da Montanha" contado por Mateus. Ao terminar todas as palavras sobre a maneira de entrar no Reinado de Deus em marcha, Jesus faz um resumo com força de lei. 

E, de repente, como é costume, as palavras começaram todas a mexer como bichos que despertam, e olharam-me nos olhos de maneira nova. E vi um mandamento que é eixo à volta do qual tudo gira, mais dois mandamentos em "não", mais dois mandamentos em "sim". Já não aquele Decálogo antigo, claro, que em Cristo foi superado, mas um "Pentálogo", as Cinco Palavras da Lei Nova, os Mandamentos da Nova Aliança.

 1.   Sede misericordiosos como o vosso Pai é Misericordioso

 2.   Não condeneis

3.   Não julgueis

 4. Perdoai

 5. Dai

Está aqui tudo. Estaria tudo no primeiro mandamento, tivéssemos nós outro juízo! "Sede como o vosso Pai..." Estaria tudo dito nesse primeiro, que seria Único - e é mesmo, explicará depois o evangelista João - se não nos dessem tantas falhas de entendimento. Mas, os outros quatro, dois pares em linguagem que a gente não pode dizer que não entende, estão aí como legenda e tradução. Tudo presidido por um "sede como o vosso Pai". Ou seja: isto ainda diz mais do que Deus é do que daquilo que nós devemos ser.

Espero que em alguém desse lado, estes Cinco Mandamentos, os Mandamentos da Nova Aliança para ajesusarmos a vida toda, tenham tanto impacto e provoquem tão feliz inquietação como anda a acontecer comigo há três dias.

PARTILHO: porque A Palavra é um Ser Vivo e in-quieto...

 Pe. Rui Santiago, cssr

sábado, 25 de março de 2023

ENSINANDO SEMPRE!

 


"Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina."
Mudemos a segunda frase: "Quem compreende, ensina."
Não se trata de transformar o conhecimento em "prática",
mas sim, de transformar a prática em conhecimento, a ponto de transformar o discípulo em "mestre" também.



sexta-feira, 24 de março de 2023

HÁBITOS FELIZES


De vez em quando, é preciso rever algumas coisas.
As pessoas felizes fazem-no...

As pessoas felizes tem em comum hábitos felizes. É tão simples que dá até pra fazer uma lista:

1. Faça parte de algo em que acredita: Pode ser qualquer coisa. As pessoas podem ter um papel ativo na sua comunidade, encontrar refúgio na religião, participar num clube social, apoiar causas, ou encontrar paixão e missão na sua carreira profissional. Em cada caso, o resultado fisiológico é o mesmo. Envolver-se em algo que acredita fortemente traz felicidade e significado à sua vida.

2. Passar tempo com amigos e família: Uma vida feliz é uma vida partilhada com amigos e família. Quanto mais fortes as relações pessoais e maior a frequência das interações, mais feliz será.

3. Refletir sobre o bem: Muitas vezes as pessoas concentram demasiada atenção nos aspetos negativos da vida e não deixam espaço para refletir positivamente sobre o que de bom acontece. É importante refletir conscientemente sobre o bem enquanto se esforça para corrigir o mal.

4. Explorar os seus próprios recursos: Uma pessoa comum fica geralmente muito admirada quando vê alguém com deficiências físicas com sinais de felicidade emocional. Como é possível alguém com uma condição física tão restritiva ser feliz? A resposta baseia-se na utilização dos recursos que cada um possui.

5. Criar finais felizes, sempre que possível: O final de qualquer experiência tem um impacto profundo na percepção global da experiência como um todo. Se o final é feliz, a experiência cria felicidade. Agarre as pontas soltas, crie boas recordações e proporcione finais felizes sempre que possa. às vezes só terminar alguma coisa já basta. A sensação de conclusão cria sempre uma sensação de realização.

6. Utilize as suas capacidades para fazer as coisas: Todos nós possuímos pontos fortes. Todos temos talentos e habilidades próprias. A felicidade emocional vem naturalmente ao encontro daqueles que usam as suas forças para fazer as coisas acontecerem.

7. Saborear a alegria natural dos prazeres simples: As melhores coisas da vida são grátis. Elas vêm em forma de simples prazeres e surgem mesmo à nossa frente em locais e momentos inesperados. São regidos pela mãe natureza e capturados pela nossa consciência presente. É tudo uma questão de parar um momento para observar um por do sol, uma flor, um sorriso ou estar de mãos dadas com alguém que realmente ama.

8. Quem é feliz sabe agradecer. Agradecer pela vida, pelas pessoas, agradecer mesmo a quem te fez o mal, pois com ele você aprendeu a ser melhor.

(Não encontramos uma autoria definida. Mas, são dicas muito válidas!)



terça-feira, 5 de julho de 2022

SE EU PUDESSE...

Se eu pudesse, eu acabaria com os encontros semanais de catequese com crianças e jovens. Faria uns quatro grandes encontros durante o ano e os chamaria de "Kerigma".

O primeiro deles, um final de semana com os catequistas. Um encontro profundo, forte, cheio de espiritualidade, momentos de oração, de diálogo, troca de experiências, brincadeiras, compartilhamento de ideias. Um momento daqueles para não deixar dúvida para nenhum catequista sobre a importância da missão. Obrigatório. Sem desculpas para não ir. Quem não participasse, não poderia ser catequista. Aliás, faria uns três encontros desses durante o ano para os catequistas. Eles teriam a possibilidade de se aproximar um pouco mais uns dos outros, e por consequência, fortalecer a missão que lhes foi confiada e aprofundar a fé em Jesus Cristo. Muitos catequistas, por incrível que pareça, estão precisando urgentemente de um “primeiro anúncio”.

Um segundo encontro seria com os pais, durante um domingo ou um sábado, um dia inteiro. Um verdadeiro "Kerigma", recheado de testemunhos, de palestras rápidas, de espaço para conversa, de celebração, um momento para tocar os corações deles e de animá-los e não culpá-los de nada. De colocar a comunidade à disposição deles e de fazê-los refletir sobre o mundo que vivemos, o que acontece no mundo em que os filhos deles estão e como podemos, juntos, mudar esta realidade. Os pais estão necessitados de um primeiro anúncio, embora já tenham sido batizados e evangelizados. Mas eles precisam, e isso é urgente.

E depois, outros dois encontros "Querigmático" com os jovens e as crianças, da mesma forma, com o mesmo objetivo, fora do ambiente da comunidade, um encontro de primeiro anúncio, de conversão, de testemunho, de música e diversão, com o apoio de toda a comunidade e com um desfecho na principal missa da comunidade, com os pais esperando os seus filhos e a comunidade os acolhendo.

Eu faria assim se tivesse poder. Talvez, dessa forma, não gastássemos tanta energia para acender uma lâmpada e ficássemos mais atentos e centrados no que realmente importa, ou seja, tanto nós, catequistas, quanto os pais, crianças e jovens, estamos precisando de momentos profundos, de encontros que façam a diferença, de oração e partilha, de instantes que toquem o coração, que nos façam mudar, transformar, agir como verdadeiros cristãos.

Do jeito que as coisas andam e da maneira que os encontros semanais acontecem em muitas comunidades, não transformamos, não tocamos os corações, não produzimos mudanças profundas. Cumprimos tabela.

E vocês não imaginam como é difícil para mim, um cara inquieto, cumprir tabela quando o assunto é catequese. De fato, eu não nasci para a mesmice, eu vim, para incomodar. Bem como pede Jesus.


Alberto Meneguzzi - Catequista
#catequistagraçasadeus
#acreditacaxias

sexta-feira, 1 de abril de 2022

NÃO JOGAR PEDRAS

Imagem: CEBI.ORG

Reflexão sobre João 8, 1-11 - texto de José Antônio Pagola

Em todas as sociedades há modelos de conduta que, explícita ou implicitamente, moldam o comportamento das pessoas. São modelos que determinam, em grande parte, a nossa forma de pensar, atuar e viver.

Pensemos na ordem jurídica da nossa sociedade. A convivência social está regulada por uma estrutura legal que depende de uma determinada concepção do ser humano. Por isso, ainda que a lei seja justa, a sua aplicação pode ser injusta se não se considerar a cada homem e mulher na sua situação pessoal única a e irrepetível.

Mesmo na nossa sociedade pluralista é necessário chegar a um consenso que torne possível a convivência. Por isso configurou-se um ideal jurídico de cidadão, portador de direitos e sujeito a obrigações. E é este ideal jurídico que se vai impondo com a força de lei na sociedade.

Mas esta ordem jurídica, sem dúvida necessária para a convivência social, não pode chegar a compreender de forma adequada a vida concreta de cada pessoa em toda a sua complexidade, a sua fragilidade e o seu mistério.

A lei tratará de medir com justiça cada pessoa, mas dificilmente pode tratá-la em cada situação como um ser concreto que vive e padece a sua própria existência de uma forma única e original.

É cômodo julgar as pessoas a partir de critérios seguros. É fácil mas também injusto apelar ao peso da lei para condenar tantas pessoas marginalizadas, incapacitadas para viver integradas na nossa sociedade, de acordo com a «lei do cidadão ideal»: filhos sem verdadeiro lar, jovens delinquentes, vagabundos analfabetos, toxicodependentes sem remédio, ladrões sem possibilidade de trabalho, prostitutas sem amor algum, maridos fracassados no seu amor conjugal, e assim por diante.

Frente a tantas condenações fáceis, Jesus convida-nos a não condenar friamente os outros pela pura objetividade de uma lei, mas sim a compreendê-los a partir da nossa própria conduta pessoal. Antes de atirar pedras contra alguém, temos que saber julgar o nosso próprio pecado. Talvez descubramos então que o que muitas pessoas precisam não é da condenação da lei, mas sim que alguém as ajude e lhes ofereça uma possibilidade de reabilitação. O que a mulher adúltera necessitava não eram pedras, mas uma mão amiga que a ajudasse a levantar. Jesus entendeu-o.


FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/nao-jogar-pedras/ 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DO CATOLICISMO

 

Imagem: Seminário Santo Antônio Agudos SP


A cada vez que piso o chão de um templo católico, o templo me toca a alma.

Pela grandiosidade das suas portas, silenciosamente adentro ao espaço do Senhor.

Mas, não são as paredes altas, os vitrais que espelham a luz ou o teto que meus olhos mal absorvem, que me faz respirar em suspenso e me prostrar em admiração.

Não são os dolorosos passos do Senhor na Via sacra que me tocam o coração.

Nem são os nichos de oração encravados nas paredes com seus genuflexórios a me convidar a ficar de joelhos e admirar a devoção dos santificados que me chama a rezar.

Nem é a dignidade do ambão da palavra que fala ao povo, não é o altar deitado em sacrifício ou a luz do sacrário a me lembrar que o sonho vive e vive para sempre.

Não, não é a grandiosidade dos templos e a suntuosidade mamorea que me faz admirar o templo.

O que me causa admiração maior, é a nossa convicção humana que podemos chegar a grandiosidade que é o Senhor Deus a se expressar em arte, beleza e simbologia.

E se não olhar um templo com os olhos da fé, verei somente a “casca”, o invólucro, a grandeza e a majestade da construção, nunca a grandeza e a majestade que da fé que ele inspira.

É mister ouvir o silêncio que nos faz escutar somente o eco dos nossos passos e o estalar da madeira dos bancos.

É preciso sentir o cheiro de Deus quem nossas Igrejas exalam, sentir o calor da luz que os vitrais refletem, o gosto da oração em nossa boca, que se abre em absoluta veneração.

É preciso ver que não são os nossos templos que refletem a Igreja Católica, é Deus que se reflete em nossos templos.

Isso, só aquele que ama sua Igreja sabe...

 

Ângela Rocha - Catequista

* Escrevi este texto logo depois de visitar o templo No Seminário Franciscano Santo Antônio em Agudos – SP.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

NO ÚLTIMO VAGÃO...

 

Todos os anos os papais do Martín Levavam-no para a avó, para passar as férias de verão, e eles voltavam para casa no mesmo trem no dia seguinte.

Um dia a criança disse aos pais:

′′Já estou crescido. Posso ir sozinho para casa da minha avó?".

Depois de uma breve discussão Os pais aceitaram.

Eles estão parados esperando a saída do trem. Despedem-se do seu filho dando-lhe algumas dicas pela janela, Enquanto Martin lhes repetia:

′′ Eu sei. Já me disseram isso mais de mil vezes ".

O trem está prestes a sair e seu pai murmurou aos ouvidos:

′′ Filho, se você se sentir mal ou inseguro, Isso é para você!".- E ele colocou algo no bolso dele.

Agora o Martin está sozinho, sentado no trem como queria, sem seus pais pela primeira vez. Admira a paisagem pela janela. Ao seu redor alguns desconhecidos se empurram, Fazem muito barulho. Eles entram e saem do vagão.

O supervisor faz alguns comentários sobre o fato de estar sozinho. Uma pessoa olhou para ele com olhos de tristeza. Martin agora está se sentindo mal a cada minuto que passa. E agora ele está com medo. Abaixou a cabeça e... se sente encurralado e sozinho, com lágrimas nos olhos.

Então lembra-se que o pai Lhe colocou algo no bolso dele. Tremendo, procurou o que o pai lhe colocou. Ao encontrar o pedaço de papel leu-o, nele está escrito:

′′Filho, estou no último vagão!”

Assim é a vida, Nós devemos deixar nossos filhos ir embora. Nós devemos confiar neles. Mas sempre estaremos no último vagão, vigiando, caso eles tenham medo ou caso eles encontrem obstáculos e não saibam o que fazer. Temos que estar perto deles, enquanto ainda estivermos vivos, O filho sempre precisará dos seus pais."

(Desconheço o autor)

Revisado e atualizado por Marcus Vinicius Keche Weber.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos!

Imagem: doutoresecommerce

Leia a reflexão sobre Marcos 10,46-52, texto de Itacir Brassiani

Estamos entrando na última semana do mês que dedicamos à oração e à animação missionária. Neste domingo, celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Missões. O Papa Francisco nos convida, citando os Apóstolos da primeira hora, a não calar aquilo que vimos e ouvimos (cf. At 4,20). Trata-se daquilo que vimos e ouvimos nestes quase dois anos de pandemia, de genocídio, de faturamento em cima da tragédia, de negociatas obscenas sem o mínimo de empatia e compaixão, mas também de gestos de doação sem medida, de avanço rápido na busca de soluções, de uma capacidade inaudita de resiliência.

É o desejo insaciável de plenitude, de bem viver e conviver que faz com que a pessoa humana se coloque a caminho. Apagar este desejo, ou substituí-lo pela rasteira satisfação de uma segurança feita sob medida para os fortes, equivale a começar a morrer. O ser humano só fica sentado à beira da estrada e condena quem é diferente quando ainda não alcançou sua própria maturidade, ou quando teve roubada a sua dignidade. Só quem ousa caminhar para além do presente é capaz de recusar uma vida sustentada por algumas migalhas.

O desejo mobilizador, criativo e emancipador é também o lugar do encontro com Deus. Quem busca Deus fora da insaciável sede de plenitude e de convivência inclusiva e solidária acaba fabricando ídolos que só fazem amedrontar os viventes e devorar vidas. É Deus quem nos fez sonhadores, misturando ao pó da terra o sopro divino. E é nessa abertura radical que nada pode preencher que ele costuma vir ao nosso encontro, acolhendo-a não como sinal de nossos limites, mas como expressão do infinito que nos habita. É também do adorável fundo desta condição de criaturas desejantes que brota a verdadeira oração.

É na oração que revelamos nossos verdadeiros e mais profundos desejos. Então, o que é que andamos pedindo a Deus? Dirigimo-nos a Deus como se ele fosse um capitão pronto a eliminar, em nosso nome, as pessoas e grupos que não nos agradam ou sentimos como ameaça? Confiamos a ele a frágil economia e a duvidosa moral da nossa família e imploramos que dê segurança às nossas poupanças e propriedades? Talvez cheguemos até a pedir paz, segurança e sucesso à nossa Igreja na concorrência com as demais denominações, que tratamos como concorrentes…

Como são pobres e medíocres estes desejos! Não passam de necessidades geradas no ventre do medo. Por isso, quando se trata de oração, não é suficiente pedir com insistência: é preciso desejar e pedir com ousadia e corretamente grandes coisas. Venha a nós o vosso Reino! Seja feita a vossa vontade! Democracia radical e respeito aos pobres… Bartimeu, que pede esmolas à margem do caminho, começa pedindo compaixão àquele que carrega nas próprias entranhas as esperanças dos pequenos. Antes de manifestar propriamente um desejo, o filho de Timeu expressa sua própria condição de dor e alienação.

Apesar da contrariedade dos que o circundam e seguem, Jesus para e se dirige ao cego e mendigo que implora: “O que você quer que eu faça por você?” Encorajado pelos discípulos, Bartimeu balbucia um pedido que vem do fundo da condição humana, que espanta todos os medos e exorciza todas as limitações: “Mestre, eu quero ver de novo!” Neste pedido, aquele homem cego e mendigo resume todas as suas necessidades e desejos: ver claramente as coisas, avaliar com retidão os acontecimentos, vislumbrar o Reino de Deus chegando como graça, tomar decisões políticas responsáveis à luz da razão ética e não dos medos e ódios…

No mesmo conjunto narrativo, um jovem rico havia voltado atrás, entristecido, porque era refém dos próprios bens (cf. Mc 10,17-22), e João e Tiago haviam expressado seus sonhos de poder. Mas o cego se livra do único meio de sobrevivência que possui e se aproxima de Jesus. E é essa fé ativa e dinâmica que abre seus olhos. “Pode ir, a sua fé curou você!” E ele não volta para casa ou para a caserna, mas põe-se a seguir Jesus. Mostra-se mais livre que o jovem rico, que voltou atrás desiludido, e mais lúcido que João e Tiago, que desejam os primeiros lugares. E ele jamais calou aquilo que experimentou, viu e ouviu.

Jesus de Nazaré, peregrino no santuário das dores e sonhos humanos! Escuta o grito que brota das entranhas da terra e abre os nossos olhos para reconhecer-te passando por nossos caminhos. Converte os cristãos do Brasil, para que não ignorem os desejos e sonhos que movem a humanidade. Desperte em nós e em nossas comunidades a corajosa alegria de não calar aquilo que vimos e ouvimos, que estamos vendo e ouvindo. E que ninguém cale em nós o grito do desejo de bem viver, mais forte que todas as razões. Assim seja! Amém!

 

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/nao-podemos-deixar-de-anunciar-o-que-vimos-e-ouvimos/

sexta-feira, 1 de maio de 2020

BENDIGO A SAUDADE...

Bendigo a saudade

Bendigo porque ela me possibilita lembrar de quem faz falta.

Uma falta que dói no peito enquanto a mente traz pra perto os momentos vividos.

Bendigo a saudade porque costumo dizer: eita como era bom... Naquele tempo .... Que saudades.

Bendigo a saudade das pessoas que amei, que amo e que continuarei amando.

Bendigo a saudade das coisas vivenciadas mesmo que muitas quedas tenha sido necessária para me trazer aonde me encontro hoje.

Bendigo a saudade do tempo que de menino me formou homem com duras penas mas com a certeza de que valeria a pena. 

Bendigo a saudade pelo fato dela ser amor que fica.

Porque só sentimos saudades do que é bom, caso contrário era só lamento.

Bendigo a saudade porque sou parte dela e ela é parte constituinte de mim mesmo.

Eu sou saudade para alguém da mesma forma que alguém se torna saudade para mim.

Bendigamos a saudade.

Esta saudade imensa que sentimos da presença física quando apenas o virtual insiste em permanecer por ainda dia e dias incontáveis.

Assim, matamos um pouco da saudade sendo presença aqui. Assim. Sem fim. 


Rosevânio de Britto Oliveira, CRL.
Religioso da ordem Cônego Regular Lateranense, estudante do 2º Ano de Teologia - PUCPR. 
Paróquia São Miguel Arcanjo - Curitiba - PR

🙏🏾💙🙏🏾

segunda-feira, 27 de abril de 2020

EU VIVI...

E quando andávamos contando os segundos que nem víamos passar de tantas coisas pra fazer e como num fôlego tomado acabávamos nos cansando, hoje cansamos por procurar algo para fazer porque parece que fazemos as mesmas coisas todos dias devagar para passar o tempo.

E quando andávamos por aí respirando um ar que dizíamos poluídos, hoje necessitamos respirar por baixo de máscaras que acabou sendo o utensílio mais procurado deixando pra traz os cordões, os brincos, entre outros.

E quando pensávamos que beijar, abraçar nos sustentava no amor, fomos vencidos por algo ao ponto de nem o simples toque não podemos dar se não passar um tal de álcool nas mãos.

E a presença se tornou tão limitada ao ponto de querer estar perto e não poder neste instante.

E os abraços ficaram na lembranças ao ponto de apertar o peito de saudades.

E nossas casas tornaram-se refúgios a sete chaves, lugar do esporte, do trabalho, do estudo, entre tantas novas invenções pra este espaço que denominamos de lar.

E o silêncio ganhou gritos, e os gritos foram silenciados pelo diálogo.

E o medo veio com o novo diferente e inesperado.

E a esperança é a palavra que nos mantém a calma enquanto a fé segue sendo nosso sustento.

E a igreja tomou lugar em nossas casas, e as missas adentrou nosso lar pela TV.

E a vida segue segura, inquieta, um mix de sentimentos e emoções.

E a vida segue assim como uma nova realidade trazida em quarentena.

Realidade está que um dia poderemos olhar pra trás e dizer como na canção: Eu vivi!


Rosevânio de Britto Oliveira, CRL
Religioso da ordem dos Cônegos Regulares Lateranense, estudante do 2º Ano de Teologia da  PUCPR. 
Paróquia São Miguel Arcanjo - Curitiba - PR
🙏🏾💙🙏🏾