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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

01 DE NOVEMBRO: SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS


“Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5,48). (Catecismo da Igreja Católica 2013).
Fruto da conversão realizada pelo Evangelho é a santidade de muitos homens e mulheres do nosso tempo; não só daqueles que foram proclamados oficialmente santos pela Igreja, mas também dos que, com simplicidade e no dia a dia da existência, deram testemunho da sua fidelidade a Cristo."

(1) João Paulo II, Homilia durante a Missa de encerramento da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Europa (23 de Outubro de 1999), 4: AAS 92 (2000), 179.


Durante o ano, a Igreja celebra ou faz memória de um santo diariamente. Mas no dia 1º de novembro, ela reúne-os todos numa festa comum. Isso porque, mesmo entre os canonizados, muitos santos não têm um dia exclusivo para sua homenagem. Essa celebração começou no século III, na Igreja do Oriente. Já em Roma, a festa de Todos os Santos ocorreu pela primeira no dia 13 de maio de 609, quando o papa Bonifácio IV transformou o Panteão, templo dedicado a todos os deuses pagãos do Olimpo, em uma igreja em honra à Virgem Maria e a Todos os Santos.

Próximo do ano 800, houve a mudança do dia graças à intervenção do abade inglês Alcuíno de York, professor de Carlos Magno. Os pagãos celtas entendiam o dia 1º de novembro como um dia de comemoração que anunciava o início do inverno. Quando eles se convertiam, queriam continuar com a tradição da festa. Assim, a veneração de Todos os Santos, lembrando os cristãos que morreram em estado de graça, foi instituída no dia 1º de novembro.

O papa Gregório IV, em 835, fixou e estendeu para toda a Igreja a comemoração em 1º de novembro. Oficialmente, a mudança do dia da festa de Todos os Santos, de 13 de maio para 1º de novembro, só foi decretada em 1475, pelo do papa Xisto IV.

Mas quem são os santos? Santos são todos os que foram canonizados pela Igreja ao longo dos séculos e também os que não foram e nem sequer a Igreja conhece o nome e que nos precederam em vida na terra perseverando na fé em Cristo. Todos viveram na terra uma vida semelhante à nossa. Batizados, marcados com o sinal da fé, fiéis aos ensinamentos de Cristo, eles precederam-nos na pátria celeste e convidam-nos a irmos ter consigo. Nos primeiros séculos, os cristãos praticavam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade.

Além disso, a solenidade de Todos os Santos enche de sentido a homenagem de Todos os Finados, que ocorre no dia seguinte.

* Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A FESTA DE ANTONIO, PEDRO E JOÃO


O mês de junho está aí e com ele as famosas Festas Juninas, que animam e mexem com a comunidade, seja na escola, ou na Igreja. E já perdemos a de Santo Antônio que foi no dia 13 de junho, mas, vem aí a de São João e de São Pedro!

Originalmente, estas festas que surgiram na Europa, eram chamadas Joaninas pela estreita relação que tem com o Dia de São João, único dos Santos que é festejado no dia do seu nascimento e não no dia da sua morte. Estas festas chegaram ao Brasil no século XVI e foram progressivamente mudando o nome para Junina. Elas representam hoje, principalmente no nordeste do país, uma das mais expressivas manifestações culturais brasileiras. Nelas são festejados três grandes santos católicos: São João, dia 24, São Pedro, dia 29 e Santo Antonio, dia 13.

Muitas tradições estão relacionadas com estas festas que hoje, em muitos lugares, já se estenderam para o mês de julho, chamadas então de Julinas. Elas tem origem nas Quermesses (do flamengo Kerkmisse, que quer dizer festa de igreja) europeias, que eram realizadas primeiramente para celebrar os santos padroeiros das igrejas. O primeiro registro de uma festa assim é de 1391. Com o tempo elas se estenderam para fora da igreja perdendo um pouco do caráter religioso e se tornando profanas. Ainda hoje se realizam em algumas regiões da Europa e em praticamente todas as paróquias do Brasil.

São João, o mais festeiro dos Santos

A Igreja católica festeja o nascimento de João, primo de Jesus, conforme o relato do Evangelho de Lucas (Lc 1, 26-56), que narra a Anunciação feita pelo Anjo Gabriel como acontecida no sexto mês de gravidez de Izabel, mãe de João. Portanto, João nasceu seis meses antes de Jesus, fixando-se assim o dia 24 de junho como data da festa do nascimento daquele que anunciaria a vinda do Salvador. Segundo o relato de Lucas (Lc. 1, 57-58), o nascimento de João foi motivo de grande alegria para vizinhos e parentes, o que nos leva a crer que aquele tenha sido um dia muito festivo.

A fogueira junina é uma das maiores tradições católicas. Conforme a tradição ela tem origem em um trato feito pelas primas Maria e Isabel: para avisar Maria do nascimento de João, Isabel mandou acender uma fogueira sobre um monte. Significando a boa nova do nascimento.

A comemoração do nascimento de João, assim como do natal, nascimento de Nosso Senhor Jesus, coincidem com os solstícios de inverno e de verão. Os dias de solstício (do latim solstitium, que significa parado, imobilizado), marcam a época do ano em o Sol “imobiliza” seu  movimento gradual para o sentido sul e passa a dirigir-se na direção do pólo norte. No hemisfério Sul os dias se tornam mais curtos e mais frios, razão pela qual as fogueiras das festas juninas fazem tanto sucesso. 

Ao contrário do que se possa imaginar as festas ligadas às mudanças de estação não eram privilégio dos povos pagãos. A tradição judaica e cristã sempre tiveram uma forte ligação com o mundo natural e os ciclos do Sol e da Lua. Apesar de alguns festivais e costumes ligados ao solstício de verão serem anteriores ao Cristianismo, a tradição judaica e a inculturação da fé católica os absorveu e valorizou, respeitando e mantendo diversos aspectos culturais dessas manifestações nas festas juninas.

As festas juninas assim tornaram-se motivo de festejo e alegria. Diferente do natal e páscoa que reúne as pessoas em suas casas ou do carnaval e independência que reúne pessoas nos centros das cidades. As festas juninas reúnem as pessoas da rua e do bairro, da escola, da pequena comunidade ou da paróquia. São organizadas quermesses e arraiais ao lado da Igreja, no pátio da escola, em terrenos baldios, sendo assim, muito mais populares. Todos são convidados, não é preciso pagar ingresso.

Na região nordeste do Brasil, no semi-árido, os agricultores agradecem a São João e São Pedro as chuvas e o sucesso nas colheitas. Nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná é a festa do Brasil caipira, onde as comunidades relembram suas origens sertanejas.

O coração dos fiéis fica mais fervoroso, além de terços, rosários e ladainhas o tempo é propício para as novenas e até mesmo para a Trezena de Santo Antonio (de 01 a 13 de junho). Segundo a tradição, os santos disputam entre si para saber quem teve mais orações.

Grandes arraiais são montados, uma “vila” temporária com bandeirolas, barracas de guloseimas, brincadeiras, fogueiras, música, dança e muita diversão. É tempo de quentão (bebida para esquentar e animar). As comidas típicas, feitas a base de milho (tempo de colheita no nordeste) e amendoim (tempo de colheita no sudeste), aliam-se ao leite, açúcar e ovos da tradicional cozinha portuguesa. De São Paulo para o Sul do Brasil, acrescenta-se o pinhão, fruto da araucária. Das cinzas da fogueira vêm a batata doce servida assada.

Compadres e comadres se encontram, um casamento caipira sempre acontece. Uma fogueira diferente para cada santo. A dança ao redor da fogueira purifica, ilumina e diverte. Pula-se a fogueira, caminha-se sobre brasas numa simbologia de purificação e coragem, queimando-se energias negativas e experiências más. O pau-de-sebo, brincadeira de origem profana, símbolo do vigor e da fertilidade, desafia os jovens a realizar a proeza de chegar ao topo e ganhar as prendas ali colocadas.

Segundo a tradição cada fogueira tem a sua geometria: A de Santo Antonio tem a base quadrada, simbolizando os quatro elementos e a fecundidade. A de São Pedro deve ser triangular, ela lembra a simbologia da trindade. A de São João deve ser arredondada (hexágono ou heptágono), simbolizando o cosmos, a ascensão, as labaredas e as nuvens.

A quadrilha, dança de salão, é levada para o terreiro em homenagem aos santos padroeiros. Na voz ritmada do marcador mais de 20 passos são executados. A luz das fogueiras vence as trevas e esquenta os amores e os corações o que faz com que a comunidade sinta a necessidade de festejar e que muitas moças, peçam em suas orações a Santo Antonio um abençoado casamento.


Ângela Rocha

Fonte de consulta:
Amaral, Antropologia Brasileira: Festas Juninas. 2008.

Miranda, Guia de Curiosidades Católicas. Rj. Vozes, 2007.