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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

HOMILIA: 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A




Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria.
A parábola dos talentos que hoje ouvimos no Evangelho é a continuidade da parábola das dez jovens (32º domingo). A parábola das dez jovens como a parábola dos talentos estão relacionadas com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios.
O patrão tinha seus empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveiras ou vinhas. Segundo a parábola, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata.
O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão viesse.
Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros se apresentaram com alegria por terem dobrado o valor recebido com seu trabalho. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento e entregar ao empregado que dobrou os cinco talentos.
A parábola dos talentos levanta algumas questões: Por que o patrão não entregou a mesma quantia para os três empregados? Por que o talento do terceiro empregado foi entregue que tinha lucrado cinco talentos? Considerando que a parábola fala do Reino de Deus, os talentos confiados aos empregados de acordo com a capacidade de cada um nos levam aos talentos que Deus nos confiou.
Com qual dos três empregados eu me assemelho? Faço render os talentos que Deus me confiou para a glória de Deus e em favor de meus irmãos? Sou parecido com a mulher sábia da 1ª leitura, que fez valer seus talentos em benefício de sua família e dos pobres? Na comunidade escondo meus talentos?

Franciscanos.org

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

HOMILIA: 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


                       NOIVO ESTÁ CHEGANDO. IDE AO SEU ENCONTRO.
Os três últimos domingos do Ano Litúrgico ocupam-se com o destino final do ser humano e do universo. A primeira leitura tem em comum com o Evangelho o tema do encontro: encontro com a sabedoria e o encontro com Cristo, o Esposo escatológico. A parábola das dez “virgens” nos fala deste encontro escatológico com Cristo Jesus.
A mensagem da parábola se baseia numa festa de casamento. Era costume naqueles tempos de o noivo, acompanhado por seus amigos, dirigir-se até a casa da noiva para buscá-la e introduzi-la como esposa na sua casa. Por sua vez, a noiva, acompanhada pelas suas amigas, aguardava a vinda do noivo para acompanhá-lo, em cortejo com suas amigas, até a nova moradia.
As amigas da noiva eram dez “virgens”, isto é, moças solteiras. Todas deviam estar preparadas para receber o noivo e acompanhar a noiva, quando ele viesse. Cansadas de esperar, todas acabaram cochilando. De repente alguém grita: “O noivo está chegando! Ide ao encontro do noivo!” Todas estavam preparadas, mas nem todas estavam prevenidas. Cinco delas eram imprudentes e não trouxeram uma reserva de óleo consigo. As que trouxeram óleo não puderam dividir, porque poderia faltar óleo e todas ficariam no escuro. E recomendaram às moças imprudentes que fossem comprar óleo. As moças prudentes entraram com os noivos e a sala foi fechada. Quando chegam as moças imprudentes e bateram na porta pedindo para entrar na sala, o noivo diz: “Não vos conheço”.
O que nos diz a parábola? O importante é o encontro do noivo (Cristo) com a noiva (Israel e os cristãos). O óleo fez a diferença entre as moças desprevenidas que não trouxeram uma reserva de óleo consigo, e as prevenidas que tinham a sua reserva. Quando o Evangelho de Mateus foi escrito, parte do povo de Israel não acolheu Jesus Cristo, como o Messias esperado e foram excluídos da festa de casamento. Por outro lado, havia cristãos que deixaram de “vigiar” e de estar preparados para a segunda vinda do Senhor. Daí a conclusão da parábola: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”. – E você está preparado, “vigiando” com o óleo das boas obras, esperando com fé, pronto para receber a Jesus Cristo quando Ele vier?

Franciscanos.org


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

HOMILIA: 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

                                                 O centro da vida
Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus para o tentar: Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Jesus respondeu: «Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento.  Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.
Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus.


Franciscanos.org

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

HOMILIA: 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


A pergunta dos fariseus de herodianos tem o objetivo de pegar Jesus em uma armadilha: se Jesus fizesse alguma oposição ao imposto, seria acusado de revolucionário contrário ao poder romano; mas se aceitasse o pagamento, estaria contra o povo. Jesus procura mostrar que seu Reino está acima destas questões, o que não significa defender a alienação da realidade política.


Ao pedir uma moeda, Jesus desmascara a hipocrisia dos seus adversários, pois ao portarem a moeda com a imagem do imperador em lugares santos, os judeus revelam a falta do zelo escrupuloso e a  aceitação do sistema econômico vigente. Deste modo, não poderiam criticar qualquer atitude de Jesus.


O que o Senhor nos mostra é que somos adoradores de Deus, portanto não devemos ter outros deuses. Em muitos casos, Deus foi apenas substituído por outros deuses: o dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social... Muitas coisas tomaram o lugar de Deus e passaram a dirigir e a condicionar a vida das pessoas. A consequência é certa: a frustração e a infelicidade. Certamente continuaremos no mundo do dinheiro, da politica e do trabalho. O que se exige não é fugir do mundo, mas  fazer uso das estruturas do mundo com discernimento. O próprio não é ruim em si mesmo, depende do que fazemos com ele. Certamente, não podemos esquecer que as estruturas geram injustiças, e devemos ter consciência de que muitos esquemas humanos geram escravidão. Enfim, o questionamento que brota do Evangelho é este: existem outros deuses que tomam posse da minha vida e condicionam minhas opções e interesses?


Lutar contra a idolatria é mais do que dizer adorador de um púnico Deus. Depende das escolhas e projetos da vida pessoal. Depende do uso das instituições, dos “poderes”, dos bens materiais. De a César o que  é de César, mas não deixe que nenhum poder de instituição humana ocupe o lugar do verdadeiro Deus de amor, liberdade e justiça.


Na história da humanidade, muitos casamentos espúrios entre o poder temporal e o poder religioso. Não raras vezes, a religião foi instrumentalizada a favor dos monarcas e ainda hoje, a favor de políticos corruptos que pensam somente em seus interesses. O Evangelho de hoje, é uma oportunidade de refletirmos sobre a nossa consciência política e sobre o modo como Deus pode ser manipulado em favor de interesses egoístas.


Na segunda leitura, São Paulo dá graças pela comunidade Tessalônica e ora por ela. Facilmente preferimos pedir coisas, soluções para os  problemas, ou reclamamos das amarguras da vida. Se olharmos a vida com os olhos da gratidão, poderemos mais facilmente encher o coração de bondade, deixando o amor divino brotar, pois veremos que a vida é uma grande benção. Assim, é preciso saber olhar para a vida e agradecer por muitos motivos. A gratidão torna-se mais que uma oração e passa a ser uma dinâmica da vida: viver agradecendo, viver a vida como um dom. Mesmo as coisas tristes do caminho são dignas de agradecimento, pois podem ser oportunidades de crescimento.


Tessalônica era uma comunidade que floresceu ao ouvir o apelo de Deus.Com três meses de pregação, Paulo fez nascer uma fé entusiasmada.  O apóstolo insiste na eleição divina, pois a comunidade é escolhida por Deus. Nós diferente dos tessalonissences, estamos na igreja há muito mais tempo, mas nem sempre mantemos a alegria pela eleição divina e a gratidão pelos inúmeros benefícios que o Senhor nos concedeu. O tempo pode nos tornar duros de coração, insensíveis a Boa Nova do Evangelho.. A fé pode tornar-se burocrática, fria e sem vida. Hoje o Senhor nos convida a olharmos além das moedas do Templo, ou seja, além das normas e das estruturas humanas. É preciso olhar para a beleza da vida ao redor e para o tesouro que reside no interior de nossos corações. Daí brota a gratidão e o compromisso com o Reino sonhado pelo Pai, revelado no Filho e atualizado pela ação do Espírito.  

Pe. Roberto Nentwig




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

HOMILIA: 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A



                                              A VINHA É O REINO DE DEUS!

A história humana aos olhos da fé, pode ser sempre interpretada pelo binômio dom/tarefa. A vida é um presente de Deus, o que recebemos é uma graça, mas sempre Deus pede a nossa resposta – o nosso comprometimento. É nossa tarefa cultivarmos o dom recebido.
O Evangelho e a primeira leitura de uma decepção divina, Deus ama tanto, entrega tanto carinho, que espera uma resposta positiva. Mesmo diante da predileção divina, o povo de Israel fracassou várias vezes e o próprio Filho de Deus foi rejeitado, jogado para fora da própria Cidade Santa: o Calvário é do lado de fora dos muros de Jerusalém.

Os judeus da época de Jesus queriam guardar os frutos só para si.. Não queriam partilhar com os demais, julgavam-se exclusivos, faziam leis amargas e de exclusão, ao invés de gerar a acolhida alegre. Este foi um dos  motivos da rejeição do filho do dono da vinha, pois eles não poderiam aceitar a proposta de Jesus, que afetava as estruturas dos líderes da época.

A Igreja é a vinha do presente e nós os vinhateiros. Guardaremos os frutos só para nós? Faremos do Evangelho um privilégio que nos incomoda (que nos faz sentir salvos) ou vamos nos abrir para o mundo? A vinha é uma estrutura necessária, porém só tem sentido se está em função dos frutos. A Igreja, do mesmo modo, só é autentica se está em função do Reino, produzindo frutos de justiça, misericórdia, liberdade, fraternidade, perdão e paz...O principal fruto da vinha deve ser a missão que edifica uma Igreja aberta a todos, acolhedora, na qual os seus membros dão testemunho da alegria pertencer a Vinha. O Reino de Deus jamais poderá ser monopólio de nenhuma estrutura, de nenhuma instituição religiosa, nem do clero ou dos especialistas em religião. O Reino de Deus cresce pelo mistério do Espírito. Se nós que recebemos o dom e a tarefa de cultivá-lo em primeira instância não o fizermos, outros o farão. Que o Reino não nos seja tirado.

São Paulo nos deixa uma lista de frutos que devem fazer parte da cesta de quem colhe os dons da Vinha: a verdade, o respeito, a pureza, o amor, a honra, a verdade. Se lêssemos os versículos o texto proposto para este domingo, veríamos que São Paulo está falando da brevidade do tempo. Ou seja, a vida é breve. Deste modo, devemos viver  como peregrinos deste mundo, sabendo da urgência de frutificar. Diante dos problemas da vida, apresentamos tudo e coloquemos nossas dificuldades nas mãos dos donos da Vinha, pois Ele sabe o que faz. Vivendo de acordo com a Palavra do Senhor, vem o dom da paz: “Assim, o Deus da Paz estará conosco”.

A vinha, portanto, é também o símbolo da nossa vida. Hoje, Deus continua nos dando muito: a vida, a fé, suas bênçãos... O que estamos fazendo com os presentes que Ele nos deu? A nossa vida necessita de cultivo, de cuidados. Deve produzir frutos bons, não amargos. Quando chegarmos ao final da nossa experiência terrena, devemos olhar para trás e perceber que deixamos um legado, que simplesmente não passamos pela vida, mas que construímos frutos que ficam para a eternidade. No presente que o Senhor nos dá como graça, podemos decidir sobre o cultivo de nossa vinha.

“A pedra que os construtores tornou-se agora a pedra angular” (Mt 21,42). Se o ser humano desrespeitou a vinha pelos frutos podres que produziu, Deus enviou seu próprio Filho. Ao ser morto, Deus transformou nosso pecado em graça, a violência horrenda da cruz em sinal de amor-doação até as últimas consequências. Deus revela sua bondade em nossa maldade. Agora permanece como a pedra angular. Nossa vida deve ser alicerçada nesta pedra firme para que não desmorone. Assim, não por nossas forças, mas pela graça dele, teremos uma construção firme que não será destruída, uma vinha que não será arrancada.

Pe. Roberto Nentwig

* As homilias do Padre Roberto Nentwig podem ser encontradas na coleção "O Vosso Reino também é nosso", ano A, B e C.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

                                        A Vinha é o Reino de Deus...
Nosso Deus é imprevisível. Ele não age dentro de nossos esquemas humanos. Ele age como quer, sem que possamos controlar seu modo de agir. Não podemos controlar Deus, manipulá-lo, fazer dele o que queremos. Há o grande perigo de criar um Deus de acordo com os nossos critérios e, pior, proclamar um deus falso, um ídolo.

Temos a tendência de construir um Deus previsível e domesticado, de acordo com nosso modo de pensar. Por isso, adverte o profeta Isaías: os meus pensamentos não são como os vossos pensamentos (1ª leitura).
Também não temos o direito de questioná-lo, de prova-lo como fizeram os funcionários da primeira hora do Evangelho. A graça da vida de fé está em crer na imprevisibilidade divina como uma resposta gratuita de quem acolhe a vontade de Deus.

Jesus conta a parábola dos trabalhadores da Vinha. A Vinha é o Reino de Deus e os trabalhadores somos todos nós. O ensinamento de Jesus nos coloca diante de um pensamento divino que não se encaixa facilmente com o pensamento humano – a gratuidade.

O Senhor convida e dá à todos o mesmo salário , o que parece injusto. Para Jesus, Deus não fez curso de contabilidade, nem de matemática; não está sempre de lápis na mão a fazer as contas das pessoas para  que lhe paguem conforme seu merecimentos. Todos merecem o mesmo, ao seu critério, principalmente os que são excluídos, como acontecia com várias categorias de pessoas na sociedade palestinense no tempo de Jesus: mulheres, crianças, pequenos, pobres, analfabetos, doentes, prostitutas, estrangeiros, cobradores de impostos... Não precisavam fazer todos os ritos e prescrições de purificação para voltar a Deus . O que importava e importa ´´e crer em Jesus, crer no Reino, trabalhar na Vinha...E entender a matemática inovadora de Deus coloca-nos na realidade deste Reino,que deve mudar o nosso modo de avaliar a nossa própria vida e as pessoas.
Os trabalhadores do evangelho não se alegraram com o benefício dos últimos. Aqui está o alerta para que ninguém se julgue mais santo, mais espiritualizado, mais envolvido com o tralho do Reino. Quem se julga melhor que os demais já se exclui de odo automático da dinâmica do Reino. Tal dinamismo não está fundado na justiça da falsa hipocrisia, mas da gratuidade amorosa e misericordiosa do Deus de Jesus Cristo.


Como aqueles trabalhadores muitas lideranças das comunidades correm o risco de se identificar com os empregados reclamões. A Igreja pode ser o esconderijo daqueles que querem benefícios pessoais, manipulando o trabalho pastoral em favor de si mesmos.  Vir a Igreja ou trabalhar nas pastorais não é garantia de salvação. O caminho eclesial pé a mediação  para que o Reino seja acolhido na vida. Para isso, é necessário purificar o coração  para que nele haja apenas espaço para a reta intenção. É imprescindível que se elimine qualquer julgamento, bem como qualquer desejo egoísta de engrandecimento. Se colocar na humildade de quem não merece é o caminho para se tornar merecedor : eis um dos paradoxos do Reino de Deus.

Nossa postura de discípulos deve ser de abertura, diferente dos empregados que reclamam. Constata-se em nossas Igrejas a discriminação de pessoas que não cumprem as determinações legais. Nem sempre os novos participantes são bem aceitos para ingressarem nos grupos de nossas comunidades. Muitos rostos novos se aproximam de nossas com uma fé simples e um entusiasmo grandioso e não encontram espaço de acolhida ou não são convidados a ingressar nos grupos. Os que demonstram muito entusiasmo pela alegria da novidade da vida em Cristo e da comunidade podem ser facilmente mal avaliados. A alegria de quem recebe sua moeda depois de ter chegado tardiamente para o trabalho pode ser muito maior daquele que já está na Vinha há muito tempo, apenas por obrigação.

O Evangelho de hoje nos adverte contra a inveja, ou seja, o ódio pela felicidade  do outro. É um sentimento inadequado para quem se deixou tocar pelo amor de Jesus Cristo. Se já é demais não se alegrar com o benefício  de quem nos fere, pior ainda é odiar o ganho alheio. É  preciso ter a grandiosidade de alma para saber que Deus ama a todos.

Deus quer a nossa conversão: “Buscai o Senhor enquanto pode ser achado” (cf. Is 55,6). E como nos diz São Paulo: “Para mim viver é Cristo” (cf. Fl 1,2). Trabalhar na vinha do Senhor é se converter, configurando a vida ao modo de viver do próprio Cristo. Hoje todos nós ganhamos do mesmo salário, da mesma moeda. É bem mais que um salário terreno, pois recebemos o Corpo e Sangue do Senhor. Convertidos ao amor do Senhor, que ninguém, fique com inveja, pois tem para todos e ainda sobre. É sempre assim na mesa do Reino de Deus.

Pe. Roberto Nentwig                                         


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

HOMILIA: 24º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A


                                           PERDOAR SEM LIMITES...
«Precisamos de perdoar 70x7,  porque o nosso irmão nos ofendeu 490 vezes. Precisamos de perdoar 70x7 por cada uma das ofensas.»


Falamos muitas vezes em amor, em união e comunhão, mas caímos sempre na tentação de não conseguirmos perdoar.

Se não perdoamos, não conseguimos amar plenamente.
Caímos facilmente na desculpa de "eu perdoo, mas não esqueço". 

É claro que este Deus não nos oferece um perdão em versão de alzheimer. Se assim fosse, não teríamos presente o quão difícil é perdoar. Não é para esquecermos. É para relembrarmos o quão difícil é darmos uma oportunidade àquele que, como eu, leva consigo a fragilidade humana. 

Não há forma de sermos perdoados se antes não sentirmos em nós o poder do perdão. E não o sentimos quando somos perdoados, mas sim quando perdoamos. A lógica é sempre a mesma. Primeiro doar, para posteriormente saber acolher e respeitar.

É verdade que o mundo passa-nos outra imagem. Querem fazer chegar até nós a ideia de que quem perdoa é fraco, de que quem perdoa é palerma.

Não é isso que acontece. Ao perdoarmos estamos a dizer ao mundo que o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.".
Repito: não é fácil. Nem é coisa que se faça de ânimo leve, mas esse é o grande mistério do amor de Deus revelado no Seu Filho.

É certo que o Reino de Deus é já aqui, mas tenho ainda mais a certeza que através do perdão o Reino de Deus encontra-se já ao virar da esquina.

Ao perdoarmos estamos a rezar a vida. 
Ao perdoarmos estamos a ir ao encontro.
Ao perdoarmos estamos a situar-nos bem no centro do amor de Deus.

Pe. Rui Santiago CSSR


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

HOMILIA 23º DOMINGO TEMPO COMUM

                                       E QUANDO UM IRMÃO PECAR? 
Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos. Eu lhes garanto: tudo o que vocês ligarem na terra, será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.»
Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão. Reunida em nome e no espírito de Jesus, a comunidade tem o poder de incluir ou excluir pessoas do seu meio (cf. 16,19), isto é, incluir ou excluir pessoas. A missão dela, porém, não termina com a exclusão do pecador: ela deve procurá-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14).

FRANCISCANOS.ORG


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

HOMILIA: 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM

                                     O SEGUIMENTO DE JESUS
E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça! Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!
Então Jesus disse aos discípulos: Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida?  Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta

Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.

A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz).


FRANCISCANOS.ORG

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

HOMILIA: 21º DOMINGO DO TEMPO COMUM

                     “QUEM DIZEM OS HOMENS SER O FILHO DO HOMEM?” 

Jesus perguntou aos discípulos e pergunta a cada um de nós. Pedro disse: “Tu é o messias!” E nós, que respostas daremos? “Você é meu amigo, Você é aquele que me ajuda no momento de dor, Você é o meu alento, Você é aquele que me perdoa, aquele que está presente na Eucaristia”. 

São muitas respostas, porque Jesus é diferente em cada situação de nossa vida. O importante é que nossa resposta não saia pronta porque memorizamos uma fórmula do catecismo, mas a partir de nossa experiência. 

É no dia a dia, que descobrimos qual o significado da pessoa de Jesus. Pedro respondeu corretamente, a catequista daria parabéns a ele. Mas qual era a experiência que ele tinha de Messias? Um homem que veio para governar com poder e força, ou seja, Pedro não entendia o que estava dizendo. Isso porque Jesus não se enquadrava nesta imagem de Messias. Por isso, veremos na sequência do Evangelho, que Pedro teve que aprender quem era Jesus, verdadeiramente.

Também nós podemos ter um Jesus ao nosso gosto, longe do Jesus que se apresenta no Evangelho. É preciso que acolhamos este homem verdadeiro que amou e ama a ponto de dar a vida… 

Quem é Jesus para nós? Neste fim de semana, em todas as comunidades do Santuário São José, teremos a entrega do Credo. Os catequizandos da terceira etapa professarão a sua fé e receberão o pergaminho com a fórmula antiga que remonta a Igreja dos primeiros séculos. Para que tal gesto signifique é preciso que nossas comunidades sejam fervorosas em sua fé. A fé se transmite por “contagio”. Não como um vírus, mas como uma coisa boa que edifica a vida. Não queremos que nossos catequizandos saibam dizer quem é Jesus porque decoraram uma frase da Bíblia ou de um livro. 

Queremos que eles tenham no coração o amor de Jesus e creiam que só Ele é a razão da vida. 

Pe. Roberto Nentwig



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

HOMILIA: 20º DOMINGO DO TEMPO COMUM

                           SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

O que podemos afirmar nesta Solenidade da Igreja é que, como Jesus, Maria é glorificada, ressuscitada. Ela é a Rainha do Céu e da Terra, a mulher vestida de sol. Eis o significado principal do dogma da Assunção, proclamado pelo Papa Pio XII, depois de consultar a Igreja de Deus.

Deus parece querer nos mostrar com mais clareza sobre o fim último de nossas vidas. Sim, pois não somente o seu Filho Jesus ressuscitou e está a sua direita. Poderíamos pensar que isto não seria privilégio da criatura humana. Talvez na glorificação de Maria de Nazaré as coisas se tornem mais claras, pois agora vemos que uma pessoa do povo, uma mulher tão simples como muitas das que conhecemos, foi ressuscitada.

São Paulo nos diz (na segunda leitura) sobre a nossa ressurreição, afirmando que nós também ressuscitaremos como Cristo. No Apocalipse (primeira leitura) vemos Maria como sinal glorioso, vitoriosa contra os poderes do mal. Unindo os dois textos, afirmamos que Maria é o ícone escatológico da Igreja, ou seja ela é antecipadamente o que desejamos ser. Portanto, Maria é a revelação de
Nosso último destino – a glória do Céu.


“O que é imperecível é precisamente aquilo que viemos a ser no nosso corpo, o que cresceu e amadureceu na vida nas realidades deste mundo. O Cristianismo anuncia a eternidade daquilo que se passou neste mundo (...) É o amor de Deus que nos torna eternos e a este amor que concede a vida eterna é que chamamos de ‘céu’” (Papa Bento XVI). Existe, portanto, uma conexão entre a vida terrena e a vida celeste. No Céu teremos uma continuidade desta existência: reconheceremos nossos amigos, lembraremos de nosso passado. Não se trata de uma vida sem nenhuma ligação com o passado. Olhar para o Céu deve nos fazer ter um olhar novo para a nossa história. O que queremos levar para a eternidade? Certamente, alguns aspectos de nossa vida serão purificados e eternizados, outros apenas atrapalharão a nossa união com o
Senhor e a nossa glorificação.


Maria tem um corpo glorificado. Precisamos superar a ideia de que a matéria e o corpo serão destruídos. Deus deseja glorificar toda a criação, tudo o que faz parte de nossa existência. Ressurreição e assunção são temas que nos remetem às realidades humanas: nossa história, nossos sonhos, nossas lembranças... Deus toma tudo em suas mãos e eleva a um nível espiritual. No Céu seremos o que já somos, mas numa dimensão superior – elevada pela graça do Espírito.

 Ao elevar uma mulher a glória, Deus glorifica o feminino. Se Jesus é o masculino na glória do Pai, Maria é o ícone feminino no Céu! Se nos enriquece olhar para a firmeza masculina de Jesus que venceu o pecado e a morte de cruz, também nos completa ver a firmeza delicada de Maria que entre lágrimas femininas venceu com Jesus a Cruz e chegou a vitória sobre a morte.

No Evangelho, Maria se proclama humilde e serva. Em seguida, declara uma realidade: todos me considerarão bem-aventurada, ou seja, no grego, makária, que significa Santa do Reino de Deus (Lc 1,48). E quem lhe deu esta graça?


Foi o Senhor que fez grande coisas em seus favor, como ela mesmo diz no versículo seguinte. Assim, quem proclamou Maria como Santa não foi a Igreja Católica, mas o próprio Deus, segundo evangelista Lucas. Existe, pois, um caminho seguro para se chegar a bem aventurança de Maria – a humildade. Ela não quis ser grande, ela se tornou grande por ser a menor de todas: Maria
É a  humilde serva.

Aquela mulher que muito jovem foi chamada a ser a mãe de Jesus, não estava diante dos holofotes. Não era ela uma nobre que residia em Roma, nem era da corte de Herodes, não tinha dinheiro ou fama. Morando num lugar desconhecido e sem significância, no fundo da Galileia, lá estava a humilde serva que se tornaria a Rainha do Céu. A pequenez insignificante tem o primeiro lugar no Céu - esta é a lógica paradoxal do Evangelho. Só Deus pra
fazer coisas assim...

Pe. Roberto Nentwig


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

HOMILIA: 19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

ENCONTRAR DEUS...

Elias talvez esperasse encontrar a Deus no terremoto, na ventania ou no fogo. Acabou o encontrando na suavidade da brisa mansa. É uma experiência interessante: Deus está onde agente menos espera que Ele esteja.

Onde vamos encontrá-lo hoje? Nos milagres, nas grandes pregações, nas fervorosas novenas? Acredito que sim, mas pode estar onde menos esperamos: “numa tarde bela, diante da beleza da natureza, aquele que não é a mata, aquele que não é a luz, se revela…” (Juan A. Ruiz de Gopegui). Deus sempre se revela por uma mediação, cabe a nós encontrarmos estes lugares de epifania divina: por vezes seremos surpreendidos, pois Ele pode estar tão perto que não o percebemos, como experimentou Santo Agostinho, ao entender que Ele estava no seu interior. Assim, Deus pode estar muito perto no dia a dia da vida: no Sol que nasce, na flor que desabrocha, no sorriso da criança, na conversa simples de uma velhinha enferma que deseja um pouco de atenção, na nossa casa, no nosso trabalho, na rua… Ali Deus está como a brisa mansa de Elias.

A brisa é o lugar do encontro. O barulho, por sua vez, significa, na primeira leitura, a idolatria do povo que se rendeu ao deus Baal – o deus do barulho. Hoje, na busca desenfreada por experiências religiosas, pode-se cair facilmente na idolatria de uma falsa experiência de Deus. Há também barulhos fora da religião, barulhos que não elevam, que servem apenas para anestesiar consciências. A verdadeira experiência é o amor que se revela no silêncio. Onde reina o amor, Deus ali está. Onde está a brisa mansa, Deus ali aparece. Também vemos no Evangelho que Jesus se retirava para o silêncio o passava um bom tempo alimentando sua intimidade com o Pai. Desta intimidade brotava seu amor e confiança.

A presença de Deus também se manifesta no meio das contrariedades da vida. Elias havia caminhado muito, fugindo de Jezabel que queria matá-lo. Caiu desfalecido pelo caminho e foi encorajado por Deus para ir até o Horeb. Na profunda angústia, tem o consolo do Senhor. Do mesmo modo, no Evangelho, Pedro encontra o Senhor no meio da tempestade. No meio do agito das ondas, Deus permite ser tentado. Permite que o discípulo o questione na condicional: “Se tu és,…”, como que quisesse uma prova, uma confirmação. Os papéis às vezes se invertem: é Deus que nos prova: Ele deixa que a barca balance, deixa Pedro afundar, para provar a fé no momento de aflição. Quando Deus nos prova, quando o barco balança e tudo parece estar indo por água abaixo, temos a chance de clamar Àquele que acalma as águas turbulentas.


Pe. Roberto Nentwig

domingo, 6 de agosto de 2017

HOMILIA: 18º DOMINGO TEMPO COMUM



                                         A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

No Evangelho de hoje nos é apresentado Jesus transfigurado tendo ao seu lado Elias e Moisés, e aos seus pés os discípulos Pedro, Tiago e João.

Dentro do contexto em que o evangelho foi escrito e salientando que o mesmo em certo sentido de leitura quer responder a pergunta “Quem é Jesus” fica obvia a resposta nessa perícope proposta para hoje: Jesus é aquele que  continua as intuições da linha profética (Elias) e da lei (Moisés); sendo ele o maior dos profetas e mais que a lei, levando-a a plenitude; sendo amado pelo Pai que põe no Filho e sente por ele grande orgulho/alegria.

Assim, olhando para a contemporaneidade de Jesus podemos entender que os lideres religiosos de sua época com toda a sua vivencia religiosa e ética da lei não eram ou não estavam de acordo e do agrado do Pai. Mas Jesus, sim!

Quanto aos discípulos, como testemunhas e sendo eles as colunas da igreja mãe de Jerusalém, reconhecendo e testemunhando essa fato, tem plena consciência de que Jesus é o Senhor aprovado por Deus e pode inclusive serem proclamadores junto ao povo. Entretanto, essa proclamação só poderá ser feita quando do projeto de Deus for cumprido em Jesus pela sua paixão e ressurreição.

A mensagem é clara: Jesus é mais e maior que a Lei (Moisés) e a Profecia (Elias) e nesse 
caso, somos todos chamados a fazer a experiência de Deus através de Jesus. Para tanto, fica a pergunta e esse texto para nos ajudar:  

Quem é Jesus para mim/você/nós, hoje? Contemplemos. Um caminho a luz desse texto? Os pobres! Façamos a experiência, e descubramos o rosto do Senhor. 

Certamente uma luz luminosa e uma voz forte dentro de nós ecoará palavras de galardão:
 “…esse é (tu és) meu filho amado, nele ( em ti) está minha alegria e esperança!”

sexta-feira, 28 de julho de 2017

HOMILIA: 17º DOMINGO DO TEMPO COMUM


SENHOR, QUERO SABEDORIA!

Não sabemos pedir o que convém” (Rm 8,26). Escutamos isso no domingo passado. De fato, somos facilmente ofuscados em nossas escolhas. Às vezes parece que o prestígio, o prazer, o poder, a vida mais cômoda são as melhores opções. Imagine você diante de Deus. Ele aparece e lhe concede um pedido, como o fez a Salomão. Você precisa decidir na hora e pedir algo que seja realmente útil para a sua vida. O que você pediria? A bolada da Mega Sena? A cura de alguma doença? Longevidade? Algum dom que o leve a viver melhor o evangelho? Salomão pediu o discernimento para bem governar. Deus lhe concedeu um dos mais importantes dons – a sabedoria.

Salomão preferiu a sabedoria, que se traduz em fazer e dizer a coisa certa, na hora certa. Aqui está um dos segredos da felicidade. Isso é o que São Paulo quer dizer, quando afirma que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”. Não significa que haja uma predestinação de benesses para quem serve a Deus, mas que Deus conduz o fiel no seu amor, mesmo diante das dificuldades naturais da vida. Na miséria ou na abundância, podemos ter a oportunidade de ter a vida nas mãos pelas decisões que tomamos. Tendo o dom da sabedoria, escolhemos a felicidade, escolhemos a vida. Caso contrário, mesmo o mais rico e poderoso poderá destruir a própria existência e a vida dos seus.

Jesus fala de um tesouro. O tesouro é esta sabedoria, o dom do Reino, a felicidade, a nossa salvação. Encontramos este tesouro como uma pérola que é produzida no profundo dos oceanos, no interior das ostras. Também nós não encontremos fora de nós. É no mais profundo de nosso ser que encontraremos a verdade de nós mesmos e o que nos torna inteiros e felizes. É no profundo que encontramos a Deus e o amor. É preciso mergulhar, o que será exigente. Trata-se de uma tarefa que pode desanimar a muitos, mas é um trabalho necessário.


Pe. Roberto Nentwig