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quarta-feira, 31 de março de 2021

VIA SACRA - MEDITAÇÕES Pe. ROBERTO NENTWIG

 Acompanhe as Estações da VIA SACRA, ouvindo as reflexões do Pe. Roberto Nentwig via Spotify.

1ª ESTAÇÃO


2ª ESTAÇÃO

https://open.spotify.com/episode/6LIXANVAq21GwtSN62TEQv?si=ijh1QNE5Saelba2TkHKp4A

3ª ESTAÇÃO

4ª ESTAÇÃO

5ª ESTAÇÃO

6ª ESTAÇÃO

7ª ESTAÇÃO

8ª ESTAÇÃO

9ª ESTAÇÃO

10ª ESTAÇÃO

11ª ESTAÇÃO

12ª ESTAÇÃO

13ª ESTAÇÃO

14ª ESTAÇÃO


FONTE: Pe. Roberto Nentwig, Pensamentos: a vida fala de Deus - Spotfy.




domingo, 19 de maio de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: AVANÇA PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS



               HOMILIA DO 5° DOMINGO DA PÁSCOA – ANO C         

Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). Jesus nos revela o mandamento novo: a referência do amor do Pai. A máxima que ordena o amor ao próximo (“amar o próximo como a ti mesmo”) é do Antigo Testamento. A lei de Jesus é amar como Ele amou.


O amor de Jesus é gratuidade. O amor depende de um desprendimento, de um sair de si mesmo, de uma entrega, Jesus se ofereceu por nós, sem olhar nossos merecimentos, se buscar a própria realização, mas o bem de todos, chamado pelo evangelho de ágape, não suprime a dimensão do eros, ou seja, sua dimensão corpórea, material, afetiva. Na verdade, todo eros é positivo, desde que seja integrado ao ágape. O Cristianismo não sufoca o eros. Jesus mesmo nos mostrou isso com um amor real, um amor concreto. O amor de Jesus o fazia abraçar, beijar, acolher, enxugar lágrimas...


Se os israelitas esperavam a glória de Deus manifestada em fenômenos extraordinários, fenômenos da natureza que causam medo, espanto, Jesus vem manifestar a glória em si mesmo: “Agora foi glorificado o filho do homem” (Jo 13, 31). Jesus de Nazaré manifesta a glória do Pai, gradativamente, até dar a própria vida. Nós amamos quando manifestamos o amor nos momentos concretos da vida. Existe amor na doação de uma mãe, no serviço de um líder de pastoral, no consolo dispensado por aquele que é tocado pela compaixão diante do sofrimento alheio, nos casais que se doam mutuamente, no perdão. Nós seremos reconhecidos como discípulos de Jesus pelo amor.


Amar é uma porta aberta ao sofrimento. Amar implica em estar aberto até às ingratidões, porque se ama pessoas concretas. Amar implica em perseverança diante das durezas da vida, dos desafios, dos fracassos. Aqui fazemos eco à exortação de Paulo e Barnabé à comunidade: “E preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14, 22). Jesus, ao morrer, não foi masoquista, mas fez de sua cruz uma oferta de amor..O sofrimento, porém não é sem sentido, desde que ele seja um caminho para construir a Nova Jerusalém. Cada lágrima, cada cruz, cada dor e a própria morte ganham sentido quando miramos a eternidade – “o novo Céu e a nova Terra” (Ap 21, 1).


Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes” (Ap 21,4). O Senhor não apenas dá  sentido a dor que é fruto da entrega, mas acolhe todo sofrimento humano, seja ele qual for. Mesmo as  tristezas mais incompreensíveis como a morte de uma pessoa jovem, um câncer repentino... Ele seca  as  lágrimas e nos consola com a esperança de um mundo onde a tristeza já não há.
Que as lágrimas de amor se transformem na alegria da abundância que nos espera, no mundo novo que começa já, aqui e agora – o Reino dado por aquele que venceu a morte e ressuscitou dos mortos.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


sábado, 20 de abril de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: POR QUE ELE VIVE!


                       HOMILIA DO DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C

Quanta ternura acompanhada de tristeza e saudade havia no semblante de Maria Madalena. O Mestre morreu na cruz, faz falta sua presença, mas o amor não vai embora. Quem já perdeu uma pessoa querida é capaz de entender com mais facilidade. As entrelinhas do Evangelho nos revelam profundas humanidades. Ensinam-nos a cultivarmos humanidades que não podem ser esquecidas.

Aquela Maria, hoje fruto de especulações a seu respeito, foi movida pelo amor e testemunhou o silêncio da manhã . Mas, de repente, tudo muda... A pedra foi retirada do sepulcro! Então, Maria sai correndo para anunciar: “Tiraram a pedra do sepulcro!” Pedro sai correndo pra ver, o discípulo amado também.
De algum modo, a Páscoa nos transforma, arranca-nos da imobilidade, muda nossos sentimentos e atitudes.

Mas será que a palavra ressurreição tem ainda força que desinstala? Não parece que é tão sentida. No cristianismo primitivo, afirmar que Jesus ressuscitou era uma palavra profética, causa de perseguição. Isso porque os ouvintes teriam que admitir que todas aquelas palavras desconcertantes de Jesus eram verdadeiras. Hoje corremos o risco de não nos afetarmos pela ressurreição, a vida depois da morte, sinceramente, pouco importa para o nosso tempo.

Corremos o risco de não se importar pelo valor profético da ressurreição ao autenticar as incômodas palavras de Jesus. Incômodas? São mesmo? Corremos o risco de sairmos do testemunho do túmulo vazio sem pressa, mas com a tranquilidade de sempre, pois nada afetou nosso coração e mente. Corremos o risco de não acolhermos com força o anúncio da ressurreição ao proclamar o Deus que nos quer cheios de vida, plenos, felizes. Por que preferir a resignação reparatória da sexta-feira Santa? Por que é melhor a cruz do que a vida ressuscitada? O domingo é bem melhor.

Jesus ressuscitou. Aleluia! E o que significa para você? Não deixemos o sepulcro vazio sem que algo seja transformado em nós.

Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR     


 FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sábado, 13 de abril de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: CRISTO OU BARRABÁS?



                 HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS – ANO C

Jesus é aclamado pela multidão. Até hoje conservamos o “Hosana nas alturas!”. Ele, que fez milagres, que curou doentes, que multiplicou pães, que falou palavras bonitas, somente poderia ser aclamado com hosanas, mesmo na sua humildade ao entrar em Jerusalém montado em um jumentinho. Mas a euforia não se prolongou. Como num programa de Reality show, a opinião pública eliminou o Filho de Deus e deu imunidade a Barrabás, o assassino. Por quê? Talvez por medo de enfrentar as autoridades judaicas e pagar o preço da verdade. Talvez porque um messias calado, humilde, simples, despojado não nos interesse. Melhor seria um guerreiro destruidor das forças políticas, o entusiasta curador e milagreiro. Esse messias amoldado aos nossos interesses egoístas não seria rejeitado.

Jesus nos mostrou o caminho um tanto desconcertante: “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado!” (Lc 14, 11). “Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua dignidade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até a morte e morte de cruz.” (Fp 2, 6-7). Ao longo dos séculos continuam havendo paredões. Hoje somos nós os expectadores desse show. E mais uma vez podemos escolher. Teremos a coragem de vencer a fama e o poder desse mundo em troca da humildade dos seguidores do Deus de Jesus Cristo? A glória dos homens não significa nada. Essa não perdura. A verdadeira exultação não depende dos que olham de fora, mas daquilo que construímos ao longo da vida pelas nossas opções.

Jesus é o homem da angustia, dos dramas psicológicos, de uma dúvida que quase o sufoca... É o homem do abandono, que se vê deixado pelos amigos. É o homem que vê tudo ir embora, exceto sua convicção! É o homem da dor, homem condenado, humilhado, sofredor. É o homem que morre. É o ser humano que vive nossas experiências, inclusive naquilo que é mais dramático a qualquer humano. Ele se rebaixa para nos ensinar. Ao se rebaixar, eleva toda a raça humana unida a ele!

Ao morrer nos ensina a morrer, a sofrer, a lutar, a resistir, a amar! Lucas deixa transparecer algo muito precioso no drama de Jesus: ao morrer, Jesus nos ensina a perdoar! Deixa Judas o beijar, sem o ofender; olha com profundidade para Pedro enquanto este o nega; perdoa todos os seus assassinos, dizendo ao Pai que eles não sabem o que fazem; acolhe um bandido que na cruz clama por perdão! Se já era grande vê-lo curar o coração de Izabel no ventre de Maria, antes de nascer, se já é sublime ver Jesus curar os corações de Zaqueu e Simão, da Samaritana e da adultera arrependida, mais sublime ainda é vê-lo curar um pecador enquanto morre. Mesmo morrendo, ainda sobram gotas de misericórdia, palavras, palavras cansadas e sofridas parta salvar. Diante desse amor, eu me sinto pequeno, diante desse amor, eu me sinto fraco, pecador, indigno. Diante desse amor eu não digo “hosana!” – diante desse amor eu medito. Diante desse amor, silencio e deixo-me possuir pela misericórdia que vai expandindo um pouco do meu coração duro para celebrar com um pouco mais de dignidade a Páscoa do Senhor!

Diante desse amor eu peço para ter uma boa língua de discípulo para saber dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos: Coragem! Alguém sofreu as nossas dores. Alguém consola, perdoa, cura e nos ensina a vencer toda a dor, todo o cansaço, toda lágrima, toda luta, toda doença, toda morte! Hosana ao que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas!


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

 FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sábado, 9 de março de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: A TENTAÇÃO DO DESERTO! VENCIDA POR AMOR...



HOMILIA DO 1° DOMINGO DA QUARESMA – ANO C
Ir ao deserto. Na primeira leitura, vemos que o Povo de Israel fundamenta a sua fé em algo bem concreto: Deus conduziu Abraão, e depois o Povo todo para um êxodo, uma saída. O Povo viveu uma experiência pascal, indo ao deserto e também experimentando um Deus que liberta r que faz aliança; mas também um Deus que põe à prova. Jesus[A1]  também vai ao deserto, preparando-se para o seu ministério que será uma grande Páscoa – a passagem da morte para a vida.

O deserto é o lugar da tentação. O Povo de Israel foi tentado ao viver uma experiência de total despojamento, o que o trouxe a tentação de desconfiar de Javé. Jesus, conduzido pelo Espírito, viveu esta experiência antes de sua vida pública. Os padres eremitas da antiguidade viam o deserto como o lugar de luta contra o demônio: no silêncio e na solidão se revela os males do interior dos eremitas. Ao se deparar com o seu verdadeiro eu, aprendiam a vencer aquilo que se opunha ao projeto de Deus.

Jesus é tentado no deserto. Jesus é humano em todas as suas ações, pensamentos e sentimentos: Ele sente sede e fome, fica frustrado com seus amigos, enfurece-se com os vendilhões, chora no túmulo de Lázaro, muda de ideia com a insistência da Cananéia... E tal fato se evidencia na tentação. Ele, como qualquer um de nós, é tentado a sucumbir, a falhar, a se render ao prazer, ao ter, ao poder... São essas as três forças que se opõem ao projeto do Pai, que foi assumido pelo Senhor:

1.    “Se és filho de Deus, manda que estas pedras se mudem em pão” (Lc 4, 3). É a tentação de buscar ser saciado a todo custo. Nós queremos ser saciados, precisamos de alimento, de abrigo, de proteção... Torna-se perigoso quando nos esquecemos a sacies do pão da Palavra. Deus não está a serviço de nossos caprichos, mas deseja antes que nos orientamos para sua vontade. Por isso, Jesus responde: ”Não de pão vive o homem! (Lc 4,4).

2.     “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória...” (Lc 4,6). O diabo é o doador dos bens deste mundo. É fácil perceber como nos curvamos diante dos bens deste mundo. É preciso os extremos do acúmulo egoísta como aquele homem que guardou tudo no celeiro e foi surpreendido pelo fim da vida, como o extremo do consumismo que realiza a busca da felicidade na obtenção dos bens anunciados pela mídia, proclamados como segurança.

3.    “Se és filho de Deus, atira-te daqui para baixo!” (Lc 4,9). É a tentação de se usar o poder para o exibicionismo, em benefício próprio. Também queremos o prestígio, o reconhecimento, a fama, o respeito. Somos tentados a fazer o mau uso do poder para obter tudo isso. Pais, mestres, chefes, religiosos... De alguma forma, todos nós temos algum poder. O que fazemos com ele?

O Diabo se afastou e voltará no tempo oportuno. Não apenas para tentar a Jesus, mas para tentar a cada um de nós. É tempo de tomarmos consciência de nossa fraqueza, certos de que eliminar todo o mal do coração é um processo para a vida toda.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: SEDE MISERICORDIOSOS COMO O VOSSO PAI DO CÉU É

                    HOMILIA DO 7° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Solidários ao “primeiro Adão” (2ª leitura), de algum modo somos seres divididos, devedores de alguma coisa. Sempre existe dentro de nós algo que clama por ser melhorado, integrado, reconciliado. E diante deste drama temos um Deus rico em misericórdia que vem sempre ao nosso encontro e nos oferece o perdão. A misericórdia de Deus é infinita: Deus perdoa sempre, perdoa qualquer coisa, perdoa de modo gratuito, ama de modo gratuito, não pede nada em troca.

Jesus nos pedirá o mesmo coração do Pai: “Sede misericordiosos como o vosso Pai do Céu é misericordioso” (Evangelho). Diante do amor gratuito de Deus, exige-se a nossa gratuidade: dar sem receber nada em troca, amar e rezar pelos inimigos. É o que faz Davi (1ª Leitura). Ele poderia se vingar do rei que o perseguia, tinha diante dele seu inimigo indefeso, é tentado por Abisai para dar o golpe de morte, mas prefere o perdão, prefere guardar a espada e deixa-lo viver.

Estamos na sociedade da troca, do consumo, do lucro, da luta pelo sucesso, da vingança. Neste mundo, existem muitas oportunidades de destruir o outro, de crescer em troca do insucesso alheio. Ainda existem vozes que gritam pela pena de morte, pelo castigo aos culpados (sobretudo assassinos) ... Não perguntamos as razões da violência, fazemos pouco pela promoção da concórdia. Estamos dispostos a fazer o bem aos que não podem recompensar? Existe a oportunidade de oferecer o perdão a alguém que nos prejudicou?

O ódio nos destrói por dentro, prejudica até a nossa saúde. Não é possível amar a Deus sem amar o irmão. Precisamos evoluir nossa consciência sobre o que é pecado e sobre a reconciliação. Parece que boa parte das pessoas deseja uma consciência tranquila diante da confissão de alguns pecados como falta de oração, pensamentos impuros; quando se fala do amor ao próximo, pensa-se logo nos que estão na nossa família. É preciso uma maior atenção no amor aos irmãos, que passa necessariamente pelo perdão. Se existe algum perdão para oferecer, este é o dia, pois estamos celebrando “o sacrifício da perfeita reconciliação”. A missa, o sacramento da reconciliação, as celebrações penitenciais e os gestos concretos de caridade são caminhos de reconciliação. Não devem, contudo, ser atos vazios de sentido, mas meios para uma verdadeira reconciliação.

Podemos ainda falar de outras reconciliações. Além da reconciliação com Deus e com os irmãos, é preciso se reconciliar consigo mesmo. Existe dentro de nós muita coisa que não aceitamos. Posso me destruir por não aceitar os meus limites, a minha história com tanta sombras, o meu comportamento. É preciso se amar, para amar a Deus e amar a todos!

Como diz São Paulo: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5, 20). Abramos o coração para receber e dar o perdão. Perdão que vem de perdonare (per = através de; donare = dar, dom), significa ser atravessado pelo dom de Deus. Quem é atravessado por este amor é capaz de ser reconciliado cada vez mais até chegar à eternidade, o Reino dos reconciliados!

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR



FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: AS BEM-AVENTURANÇAS


                       HOMILIA DO 6° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas para os eleitos {...} força de Deus {...} Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. {...} O que é louco no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que são, para destruir as que são” (1Cor 1, 22 – 25.27.28).


A Palavra de Deus nos propõe um paradoxo: para ser verdadeiramente rico, é preciso ser pobre para ser grande, é preciso ser pequeno para ser exaltado, é preciso ser humilhado, para rir com abundância, é preciso chorar a perseguição; para ser forte, é preciso ser fraco; para ser livre, é preciso ser escravo da vontade divina; para ser mestre, é preciso ser servo; para viver a vida de abundância, é preciso morrer – dar a vida: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o quiser salvar sua vida vai perde-la; mas o que perder a sua vida em favor de mim e do Evangelho, vai salvá-la. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8, 34-36).


A cruz que devemos abraçar, aquela proclamada por São Paulo como escândalo e loucura, não é a mera perseverança diante das dores da vida, nem a busca de sacrifícios ascéticos com o desejo de lucrar alguma compensação diante dos pecados. A cruz é bem-aventurar a vida, assumindo valores contraditórios ao mundo do dinheiro, do poder e da vaidade...


Seguir Jesus é assumir esta nova ética das bem-aventuranças, mesmo que pareçam irracionais, mesmo soframos a rejeição do mundo. A cruz é inerente à acolhida da proposta do Senhor.


Pe. Roberto Nentwing
Arquidiocese de Curitiba - PR



FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: ALEGRAI-NOS NO SENHOR!


                        HOMILIA DO 3° DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

“Alegrai-vos sempre no Senhor, eu repito alegrai-vos”. Estamos no domingo da alegria. Alegria porque o Senhor vem, alegria porque somos seguidores do Deus da paz e do amor. É a alegria que os anjos anunciam aos pastores: “Eis que vos anuncio uma grande alegria...”.

Deste modo, precisamos entender que a alegria não é resultado das coisas que acontecem ao nosso redor, ela não pode ser achada fora de nós. A alegria é consequência da presença salvadora de Cristo. É surpreendente a Epístola aos Filipenses ser chamada carta da alegria, quando sabemos que ela foi escrita quando São Paulo estava na prisão. Como este homem pode falar com tanto ânimo em uma situação tão triste? Eis a lição para cada um de nós.

Não importa o que nos oprime, o que nos deprime; muitas podem ser as nossas prisões, até o pecado. Poderíamos ser fatalistas, achando que não há solução. Mas São Paulo dá uma receita melhor: apresentar nossas necessidades em súplicas e orações. O cristão é aquele que ora com confiança a Deus, colocando a sua vida nas mãos do Pai. Segue em frente, porque tem a certeza de que Deus dá a fortaleza.

Por fim, o apóstolo recomenda a ação de graças: agradecer por tudo o que recebemos, mesmo pelas coisas não tão boas. Filipenses nos faz um convite para parar de reclamar da vida, assumindo-a com a alegria de quem tem a certeza da vitória de Deus.

O Evangelho traz o conteúdo da pregação de João Batista. Sugere três aspectos de conversão.

a) “repartir as túnicas...”. É preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar. É tão bonito ver distribuição de alimentos, brinquedos, doces e roupas no fim de ano. Mas que não seja um desencargo de consciência. Que acima de tudo seja um gesto de partilha, de amor por aqueles que são pequenos, que sofrem as dores do próprio Cristo. Se solidário é ter um coração que se importa com o sofrimento alheio, seja qual for.

b) “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. É preciso quebrar os esquemas de exploração e proceder com justiça. Vencer o lema de Gerson que clama ao desejo de levar vantagem em tudo. A honestidade começa nas pequenas coisas.

c) “Não tomeis a força o dinheiro de ninguém...”. É preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar os irmãos. Não adianta se emocionar com os sensacionalismos dos programas de auditório, e depois ser violento com as pessoas que residem conosco, intransigentes no trânsito, na fila do comércio... Não podemos nos utilizar de nenhum privilégio ou cargo para oprimir ou tratar mal alguém. É preciso que transpareçamos a ternura do Evangelho.

Vivamos a alegria e a conversão, preparando-nos para o Jesus que vem. “Procuremos acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão” (provérbio Chinês).

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba
FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS ABRE CAMINHO PARA A LIBERDADE



                       HOMILIA DO 9º DOMINGO DO TEMPO COMUM

“Vinho novo, em odres novos” (Mc 2, 22). Este versículo antecede as palavras de Jesus no Evangelho de hoje (que começa no versículo 23). Ele quer, portanto, a renovação do velho, das estruturas, daquilo que não pode suportar a novidade do Evangelho.


Jesus não tem um olhar dirigido ao passado, mas ao futuro. Não suscita memórias para manter a segurança enganadora da religião. Nas palavras do teólogo Jean-Baptist Metz, existe uma “lembrança perigosa”, aquela que não permite que haja prevalecimento de méritos, mas leva a pessoa a implorar pela misericórdia, por pura gratuidade. Jesus está nessa linha, chamada profética, estando em oposição ao uso da religião como favorecimento de quem tem casta ou posição.


Jesus ultrapassa o moralismo e exorta à procura da vontade de Deus, de um modo livre, não se preocupa com uma obediência prescrita. A assiduidade às práticas religiosas não era ressaltado em suas pregações. Se os escribas e fariseus se mantinham presos aos textos, era para que seu povo se mantivesse sob seu jugo. Jesus, por outro lado, tira seu conhecimento de sua familiaridade com Deus. Sua proposta é de uma religião interior, ensina o povo a viver da fé, alimentando-se da Escritura e na alegre celebração em seu Templo, mas não se detém nos textos, em definições formais, ritos. Anuncia uma fé pessoal, deixando em segundo plano as mediações religiosas formais do seu tempo.


Tal liberdade retira o medo do sagrado, aquele que impede se reconhecer o Deus amor. A obediência serviçal às formalidades religiosas mantém o crente como um escravo. Jesus rompe com esta religião, desejando que os discípulos se sintam livres, como filhos e filhas.


São Paulo endossa esta liberdade ao anunciar que a fé nos faz olhar para as coisas invisíveis, não para as coisas visíveis. A fé nos dá a certeza de que crescemos espiritualmente até atingirmos nossa maturidade humana para além deste mundo. A nossa cultura nos força a olhar somente para além desse mundo. A nossa cultura nos força a olhar somente para o exterior, para os corpos jovens, belos e esculpidos. Sabemos que nenhuma beleza exterior é mantida, que os anos passam. Somos seres para a morte e, por isso, devemos conquistar ao longo dos anos uma liberdade interior que nos faça desprender do visível. Nas palavras de Michel de Montaigne: “Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade”.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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