Estas e outras informações você encontra em nossa apostila:sexta-feira, 7 de março de 2025
DICAS PARA UM ENCONTRO MISTAGÓGICO
Estas e outras informações você encontra em nossa apostila:MISTAGOGIA: PEDAGOGIA CATEQUÉTICA E TEMPO NO CATECUMENATO
NOVA APOSTILA: MISTAGOGIA NA CATEQUESE!
Você quer aprofundar sua compreensão
sobre a Mistagogia e como aplicá-la na catequese? Esta apostila traz fundamentos,
roteiros de encontros e dicas práticas para transformar a catequese em uma
verdadeira experiência de fé!
🔹 O que é a Mistagogia e por que ela é essencial na
catequese?
🔹
O papel do(a) catequista mistagogo(a) e sua missão formativa
🔹
Modelos de encontros mistagógicos para adolescentes e crianças
🔹
A Mistagogia como etapa final do Catecumenato
🔹
Roteiros completos para encontros e celebrações
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encontros verdadeiras experiências de fé!
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024
O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DA FÉ...
O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DA FÉ
A
cada vez que piso o chão de um templo católico, o templo me toca a alma.
Pela
grandiosidade das suas portas, silenciosamente adentro o espaço do Senhor.
Mas,
não são as paredes altas, os vitrais que espelham a luz ou o teto que meus
olhos mal absorvem, que me faz respirar em suspenso e me prostrar em admiração.
Não
são os dolorosos passos do Senhor na Via sacra que me tocam o coração.
Nem
são os nichos de oração encravados nas paredes com seus genuflexórios a me
convidar a ficar de joelhos e admirar a devoção dos santificados que me chama a
rezar.
Nem
é a dignidade do ambão da palavra que fala ao povo, não é o altar deitado em
sacrifício ou a luz do sacrário a me lembrar que o sonho vive e vive para
sempre.
Não,
não é a grandiosidade dos templos e a suntuosidade marmórea que me faz admirar
o templo.
O
que me causa admiração maior, é a nossa convicção humana que podemos chegar a
grandiosidade que é o Senhor Deus a se expressar em arte, beleza e simbologia.
E
se não olhar um templo com os olhos da fé, verei somente a “casca”, o
invólucro, a grandeza e a majestade da construção, nunca a grandeza e a
majestade que da fé que ele inspira.
É
mister ouvir o silêncio que nos faz escutar somente o eco dos nossos passos e o
estalar da madeira dos bancos.
É
preciso sentir o cheiro de Deus que nossas Igrejas exalam, sentir o calor da
luz que os vitrais refletem, o gosto da oração em nossa boca, que se abre em
absoluta veneração.
É
preciso ver que não são os nossos templos que refletem a Igreja Católica, é
Deus que se reflete em nossos templos.
Isso,
só aquele que ama sua Igreja sabe...
Ângela
Rocha - Catequista
*
Escrevi este texto logo depois de visitar o templo No Seminário Franciscano
Santo Antônio em Agudos – SP, em 2018.
domingo, 1 de dezembro de 2024
CATEQUESE MISTAGÓGICA: LEITURA ORANTE
- Quem nos chamou para prestar o serviço que hoje desempenhamos?
- O que sentimos? Aceitamos de imediato ou relutamos um pouco?
- Temos procurado dizer, apontar para outras pessoas que é Jesus o Cordeiro de Deus?
- Sentimos a ação dele em nossas vidas? Como efetuamos essa identificação, esse anúncio?
- Temos procurado ouvir as declarações de outras pessoas a respeito de suas experiências com Jesus? Estamos dispostos a seguir imediatamente Jesus?
- O que me impede de seguir Jesus?
- O que impede as pessoas de seguirem Jesus?
- Consideramos realmente Jesus como nosso Mestre?
- Como demonstro isso ou o que faço para isso se manifestar?
- Para mim, como entendo o que é permanecer junto a Jesus?
- Tenho procurado permanecer junto a Jesus? Como faço isso?
- Que dificuldades encontro, ou preciso superar, para procurar sempre permanecer junto a Jesus?
- Quais as dificuldades que tenho encontrado para fazer esse anúncio?
- O que preciso fazer para superá-las?
- O que significa conduzir as pessoas até Jesus? Como tenho feito isso?
- Tenho procurado dentro da comunidade conhecer todas as realidades, todas as pessoas?
- Tenho chamado indistintamente pessoas para seguir Jesus?
- Tenho oferecido a mesma oportunidade para todas as pessoas?
- E eu, nós o que conhecemos das Escrituras?
- Como procuro desenvolver esse conhecimento?
- Quanto tempo do meu dia a dia emprego nesse conhecimento?
- Como tenho mostrado, anunciado o meu encontro com Jesus?
- E eu (nós) já fui (fomos) preconceituoso(s) em relação a outras pessoas?
- E quando outros são preconceituosos, qual a minha (nossa) reação?
- Tenho (temos) procurado entender o porquê as pessoas agem desta forma?
- O que procuro (amos) fazer para que haja uma mudança de atitude em quem é preconceituoso?
- Somos capazes de reconhecer as qualidades das pessoas, ou só vemos os defeitos delas?
- De que forma manifesto também essa confissão de fé em Jesus, na minha vida?
- Acreditamos em Jesus, porque vemos coisas grandes, inusitadas ou porque ele nos ama incondicionalmente?
- Podemos também refletir a respeito de como é que hoje se dá o processo de chamado e de seguimento a Jesus e da formação da comunidade cristã.
- A que conversão ou ação, Deus me convida através deste texto?
- Qual novo olhar que sobrou em mim depois da Leitura Orante deste texto?
- Como tudo isso pode me ajudar a viver melhor meu compromisso de vida cristã?
- Que desafios descobrir para me aperfeiçoar como discípula/discípulo de Jesus?
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
A ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA MISTAGOGO - PARTE 5
O quinto capítulo reflete sobre a espiritualidade essencial ao catequista, especialmente aquele que exerce seu papel como mistagogo, ou seja, como guia que introduz os catequizandos no mistério de Deus.
A Espiritualidade como Essência do Ser
A espiritualidade é descrita como o núcleo profundo do ser humano, representando suas motivações, paixões e a mística que guia sua vida. No contexto do catequista, ela envolve um relacionamento íntimo e dinâmico com Deus, construído a partir da escuta da Palavra, da comunhão com a Igreja e de atitudes pedagógicas.
O catequista é chamado a uma espiritualidade enraizada no discipulado, que nasce no batismo e se fortalece na oração, nos sacramentos e na vivência comunitária. Essa espiritualidade conduz o catequista a ser alegre, entusiasmado, corajoso e profundamente conectado à Trindade.
Dimensões da Espiritualidade do Catequista
1. Oração
A oração é apresentada
como uma necessidade para o catequista, ajudando-o a:
- Reconhecer-se como alguém em relação
constante com Deus.
- Entender a realidade ao seu redor,
valorizando as diferenças e os dons.
- Compreender sua missão no mundo, na
Igreja, na família e no trabalho.
- Transformar o cotidiano em um espaço de encontro com Deus.
Assim, a espiritualidade
não é apenas conhecimento, mas um testemunho transformador que brota do amor
trinitário e atua na vida dos catequizandos pelo Espírito Santo.
2. Liturgia
A liturgia é essencial
para o catequista porque:
- Une fé, celebração e vida, oferecendo um
sentido profundo à prática cristã.
- Centraliza-se no Mistério Pascal,
rememorando a História da Salvação e promovendo a participação ativa no
sacerdócio comum dos fiéis.
- Torna-se fonte de santificação e compreensão, capacitando o catequista a viver e transmitir a plenitude da vida cristã.
A liturgia, como fonte
inesgotável de catequese, apresenta uma síntese da fé e da vida cristã.
3. Leitura Orante da
Palavra de Deus
A Leitura Orante é
apontada como alimento espiritual essencial, permitindo que o catequista
interprete a vida e encontre Deus na realidade do mundo atual.
- Por meio dela, o catequista se forma como
discípulo missionário e anunciador entusiasta do Evangelho.
- É enfatizado que a Leitura Orante não se
limita à interpretação da Bíblia, mas busca transformar a fé em prática
viva.
- A dimensão comunitária da Leitura Orante fortalece o processo formativo, criando um espaço para partilha e crescimento mútuo.
A Espiritualidade Mariana
Inspirando-se em Maria,
o catequista é chamado a cultivar um relacionamento íntimo com Deus, renovando
constantemente seu dinamismo espiritual e apostólico. A espiritualidade mariana
torna a catequese mais amorosa, gerando confiança, generosidade e abertura para
os mistérios da vida.
A espiritualidade do
catequista mistagogo é um processo integral que envolve oração, liturgia,
escuta da Palavra e inspiração mariana. Ela transforma a catequese em um
testemunho vivo do amor de Deus, capacitando o catequista a guiar os outros na
descoberta do mistério de Cristo e na vivência concreta da fé.
Conversando no grupo de catequistas
a) Uma das
características do catequista mistagogo é a intimidade com Deus expressa em
oração e celebração tendo por base a Palavra de Deus. Que tempo você dedica
para a intimidade com Deus através da oração?
Confesso que não costumo dedicar tanto tempo à oração como gostaria. No entanto, busco diariamente estabelecer uma conexão com Deus por meio da leitura bíblica, especialmente pela manhã, em busca de inspiração e motivação para o meu dia. Às vezes, um único versículo já é suficiente para despertar em mim essa intimidade com Ele.
Enxergo Deus como um amigo próximo, Pai amoroso e guia fiel, com quem converso ao longo do dia de maneira espontânea, sem depender de fórmulas de oração. Contudo, reconheço que minha vida de oração pode ser mais profunda e estruturada.
Recentemente, por
exemplo, dediquei-me a estudar o método de oração de Santa Teresa de Ávila e
seus quatro graus de oração. Identifiquei-me com as dificuldades que ela
menciona, especialmente no que se refere à dispersão e à falta de tempo e
espaço para a "quietude". Embora comece a rezar com determinação,
percebo que ainda não consigo alcançar a “oração da quietude” ou as águas mais
profundas de que ela fala. Apesar dessas limitações, acredito que cada
momento dedicado a Deus, mesmo em meio às minhas distrações, é valioso. Por
isso, sigo buscando formas de crescer na oração e de criar um espaço em minha
vida para uma intimidade mais profunda com Ele.
(Ângela Rocha)
b) Partilhe no grupo
sua experiência de oração.
A oração tem sido uma fonte de grande paz para mim, mas, para realmente me aprofundar nela, preciso de quietude e solidão. Quando consigo me concentrar e me deixar absorver pelo momento, sinto a oração não apenas com o espírito, mas também com os sentidos: a chama da vela parece mais intensa, o aroma do incenso mais profundo. Vou colocar um texto que escrevi para explicar melhor meus sentimentos:
O Cheiro, o gosto, o olhar da fé...
Cada vez que entro em um templo católico, algo toca minha alma. Ao passar pelas grandes portas, adentro silenciosamente o espaço do Senhor, e logo percebo que não são as paredes altíssimas, nem os vitrais que refletem a luz ou o teto grandioso que me fazem respirar profundamente e me prostrar em reverência.
Não são os passos dolorosos do Senhor na Via Sacra que tocam meu coração, nem os nichos de oração com seus genuflexórios que me convidam a ajoelhar e admirar a devoção dos santos. Não é a dignidade do ambão, a palavra que fala ao povo, ou o altar que se oferece em sacrifício. Não é a luz do sacrário que me lembra que o sonho divino vive para sempre.
O que me toca, de fato, é a convicção humana de que, através da arte, da beleza e da simbologia, conseguimos chegar à grandeza de Deus. Quando olho um templo com os olhos da fé, não vejo apenas uma construção imponente, mas a grandeza e majestade de Deus refletidas naquela estrutura.
Para ver isso, é necessário ouvir o silêncio do templo, que nos faz escutar apenas o eco dos nossos passos e o estalar da madeira dos bancos. É necessário sentir o cheiro de Deus que emana das Igrejas, o calor da luz que os vitrais refletem, e o gosto da oração em nossa boca, que se abre em veneração absoluta.
É preciso perceber que não são os templos que refletem a Igreja Católica, mas sim Deus, que se reflete em nossos templos. Isso é algo que só quem verdadeiramente ama sua Igreja pode compreender.
Ângela Rocha –
Catequista
(*Escrevi este texto
após visitar o templo do Seminário Franciscano Santo Antônio, em Agudos – SP,
em 2018.)
FONTE:
SCHERER, Odilo
Pedro; BERTOLDI, Marlene; TOGNERI, Silvia; SILVA, Sérgio; FERREIRA, Nilson
Caetano. Mistagogia: novo caminho Formativo de Catequistas. Cap. 5.
VII SULÃO DE
CATEQUESE. São José do Rio Preto – SP. 19 a 21 de agosto de 2011. editor@suliani.com.br
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
MISTAGOGIA – DO VISÍVEL AO INVISÍVEL
A catequese conduz o batizado à participação plena, ativa e frutuosa na liturgia. Ajudar o catequizando a fazer a experiência dos símbolos e gestos celebrados faz parte de uma educação que leva-o a experimentar os sinais tão simples e tão humanos da liturgia não apenas como elementos deste mundo, mas, aos olhos da fé, também como realidades divinas.
Como já ocorria nos primórdios da
Igreja, a catequese deve tornar-se um caminho que introduza o cristão na vida
litúrgica, ou melhor, no mistério de Cristo, “procedendo do visível ao
invisível, do sinal ao significado, dos sacramentos aos mistérios”[1], sempre com o mesmo
objetivo de levar à vivência da fé. “A liturgia, com seu conjunto de sinais,
palavras, ritos, em seus diversos significados, requer da catequese uma
iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada”[2].
A mistagogia é a arte de
iniciação no mistério da Páscoa de Cristo, da qual ganha sentido todos os atos
salvadores da vida e que são atualizados na celebração da liturgia de acordo
com o sinal empregado. Mistagogia significa “ser introduzido no mistério”, no
plano de Deus de salvar o mundo em Cristo (cf. Ef 1, 3-13). Este é o grande
mistério: o Pai amou tanto o mundo que nos enviou o seu único Filho para nos
salvar. Por sua vez, Cristo nos ama até o fim. O Pai o ressuscita e em Cristo
alcançamos a vida eterna.
Mistério é sempre uma revelação
por parte de Deus de algo conhecido só por ele. Por exemplo, proclamando o
Batismo, Deus evidencia que nos quer seus filhos, membros de sua família.
Promovendo a Eucaristia, revela-nos que ele mesmo quer ser nosso alimento
espiritual. Há que passar do pobre sinal visível do sacramento ao mistério de
graça.
Começar a ver
Ter fé é decisivo para acolher a
graça que os sacramentos oferecem. A luz da fé faz enxergar a ação salvadora de
Deus. Assim, o simples banho batismal passa a ser a imagem da morte e
ressurreição de Jesus.
Passamos dos sacramentos aos
mistérios, ou seja, partimos do visível para o invisível, do sinal sacramental:
água, luz, pão e vinho para o mistério da salvação: água viva, luz do mundo,
pão do céu, enfim, para a vida eterna.[3]
Efetivamente, o rito visto
somente de fora não oferece automaticamente o significado de que é portador.
Esse significado deve ser descoberto, revelado pela Palavra, pela catequese.
Mais ainda, deve ser professado pela fé.
Quatro passos
É necessário ajudar o
catequizando a entrar num mundo coerente de Sinais pessoais e vivos. É preciso
que redescubra o universo simbólico em que se move a liturgia. Não se trata de
explicar, mas de colocar o objeto ou a ação simbólica num determinado contexto
humano, bíblico e celebrativo, de modo que possa aprender e viver o seu
significado.
Cremos que o catequizando, ao
vivenciar ritualmente os símbolos mais frequentes na liturgia no pequeno grupo,
liderado pelo testemunho do catequista, descobrirá a vitalidade do rito, como
experiência atual da graça do Senhor que vem ao seu encontro. Posteriormente,
ao participar da liturgia na comunidade reunida, esse mesmo catequizando terá
desenvolvido suficientes referências para integrar-se no corpo da assembleia e
participar ativa, consciente e frutuosamente.
Identificamos quatro passos, e
cada um deles oferece uma gama de sentidos que, conjuntamente somados, nos
revelam a passagem de Deus em nossa vida. Assim como acontece quando subimos os
degraus de uma escada, o significado do símbolo vai se concretizando passo a
passo, daquilo que ele mostra aos nossos sentidos até chegar ao seu significado
final, que só alcançamos com a fé.
Esses simples sinais tornam-se
símbolos carregados da graça transformadora do Espírito que gera a vida nova,
prenúncio da plenitude da Jerusalém Celeste.
1º passo: sentido cotidiano
Se ficarmos atentos, em nosso dia
a dia, vemos gestos, palavras e imagens grandiosas que revelam ternura,
compaixão, solidariedade e conforto. Costumamos dizer: um gesto vale mais
que mil palavras. É mais natural partir daquilo que conhecemos para
acrescentarmos outros significados ao gesto. Há que mostrar o enraizamento dos
elementos e dos gestos em nossa cultura.
2º passo: sentido bíblico
Com a ajuda de textos bíblicos,
há que apresentar a realidade que os elementos e os gestos possuem segundo a
história da salvação. Como eles se apresentam no Antigo Testamento e como
recebem sua plenitude de significado na pessoa de Jesus Cristo. Podemos dizer
que essa interação entre tipos bíblicos e mistério cristão, entre promessa e
cumprimento, é o coração do memorial que se realiza na celebração litúrgica.
3º passo: sentido litúrgico
A encíclica O sacramento da
caridade revela este passo: “Há de preocupar-se por introduzir o sentido
dos sinais contidos nos ritos; essa tarefa é urgente numa época acentuadamente
tecnológica como a atual, que corre o risco de perder a capacidade de perceber
os sinais e os símbolos. Mais do que informar, a catequese mistagógica deverá
despertar e educar a sensibilidade dos fiéis para a linguagem dos sinais e dos
gestos que, unidos à palavra, constituem o rito”.[4]
4º passo: compromisso cristão
Quando respondemos sim ao apelo
de Deus para a nossa vida, tudo se modifica. Compreendemos que ele tem a
primazia sobre nossas escolhas e sua vontade passa a ser a fonte da realização
humana. Nada mais estranho ao espírito do cristianismo primitivo que uma
concepção mágica da ação sacramental. A conversão sincera e total é condição
indispensável para a recepção do sacramento.
FONTE: Núcleo de Catequese
Paulinas (NUCAP)

[1]
Catecismo da Igreja Católica, n. 1075.
[2]
CNBB. Diretório nacional de catequese. São Paulo: Paulinas, 2006. n. 120
(Documento da CNBB, n. 84).
[3]
Cf. LELO, A. F. Mistagogia: participação no mistério da fé. Revista
Eclesiática Brasileira. n.257., PP. 64 -81, jan. 2005
[4]
BENTO XVI. Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, sobre
a Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. São Paulo: Paulinas,
2007. n. 64.
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
TIRANDO DÚVIDAS: ORAÇÃO MISTAGÓGICA
Imagem: Catholicus.org
Como transformar nossa oração na catequese, em oração “mistagógica”?
Desculpe a ignorância, mas... Vi naquele itinerário que você nos passou: memorizar
as orações através do método mistagógico. Você pode me explicar como se
faz isso, por favor?
RESPOSTA:
A oração autêntica é aquela que transforma a pessoa. Para orar de verdade a pessoa precisa se recolher em si mesma. Caminhar nos “mistérios” de Deus e de si mesmo. No mundo de hoje somos projetados para "fora", damos importância demais ao que acontece ao nosso redor e esquecemos de olhar “pra dentro”.
Ao orar com os nossos catequizandos precisamos nos desprender um pouco do "roteiro". Normalmente o catequista chega e já é de praxe que todos se levantem, rezem o Pai Nosso, Ave Maria, Santo Anjo, etc. Mas, normalmente, essa oração é vazia! Não de sentido, mas, de significado. As frases são involuntárias e não se sabe o que está dizendo. As crianças estão ali agitadas, querendo contar as novidades, conversar com os colegas, e nós queremos que elas calem a boca para que comecemos o encontro.
A oração é antes de tudo a "busca" de Deus, ela precisa ser pessoal, silenciosa, contemplativa. Aí esbarramos num porém: as crianças não conseguem isso com facilidade! A capacidade de abstração de uma criança é bem pequena. Por isso a importância do ambiente: de uma vela acesa, da Bíblia aberta, do incenso, da água benta, do silêncio, respiração pausada, olhos fechados... Podemos usar um canto meditativo, mas, algo que faça parte do universo da criança; ou usar uma melodia suave de fundo.
Precisamos ensinar as crianças que orar é amar, é criar uma relação de amizade com Deus, onde Ele te escuta e, mesmo sem te responder, age na sua vida. Nós não nos voltamos para Deus só com a boca ou o pensamento, é preciso voltar-se para Ele com todo nosso ser. Lembrar da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, que, pela bondade do Pai, faz morada em nós.
Enfim, é preciso criar o "clima", orar sem dispersar o pensamento. E não é fácil fazer isso com as crianças. Como eu disse antes, elas não tem a capacidade de contemplação de um adulto. Mesmo os adultos têm dificuldade. Então, é preciso então lembrá-las do "concreto", daquilo que acontece com ela no dia a dia, das suas pequenas e angústias e medos, lembrá-las que basta fechar os olhos e conversar com Deus, contar e Ele em pensamento tudo que acontece, que dá medo ou tristeza; e Ele lhe trará paz, tranquilidade, te envolverá com sua manto de amor. A oração conduz ao "mistério" de Deus e da fé.
Eu pedi autorização ao meu pároco, para aos poucos mudar o ambiente da sala de catequese. Ele me autorizou, mas, pediu para começar de leve, mas, já é um começo. Nossas salas ainda remetem a sala de aula. Ele me autorizou a pintá-la, ganhei um ambão para a leitura da Palavra, fiz umas adaptações, e agora pretendo ambientar meu encontro, com velas, flores e a Bíblia.
Além de um ambiente adequado, existem alguns "exercícios" que podem relaxar o corpo e a mente que é possível fazer no encontro. Peça que tirem os sapatos, coloquem a planta dos pés no chão, que sintam a energia que vem da terra, ambiente que Deus criou para nossa morada, que vai subindo devagar pelas pernas, joelhos, estomago, coração até chegar ao cérebro, berço do pensamento; que respirem o ar pausadamente, sentindo o Espírito Santo se mover para dentro e para fora do seu corpo; fechar os olhos e pensar que, mesmo no escuro, Deus segura sua mão. E assim, iniciar a “conversa” com Deus.
Uma dica: leia o Itinerário Mistagógico de oração de Santa Tereza D'Avila. Acho que tem também um texto aqui ou no blog (www.catequistasemformacao.com) sobre mistagogia e oração: "Entra no teu quarto" acho que é o nome.
Então, não preciso começar, necessariamente, a fazer a oração toda vez que inicia meu encontro. Como você disse, as crianças já sabem que vão fazer e ficam no automático.
Não mesmo. Você pode esperar que se acalmem, bater um papo leve e só então, lembrar a elas que estarão reunidos para um encontro e pedir que façam o sinal da cruz pois estarão ali em nome da Trindade. Um encontro deve começar sempre com uma motivação, algo que desperte curiosidade pelo tema, pode ser uma brincadeira, uma história, uma dinâmica, uma música.
Demais comentários:
“Conversa muito proveitosa! Aprendi muito e anotei todas as dicas. Obrigada cada dia aprendo mais com vocês. Deus abençoe a todos!!”.
“Sua explicação da sequência dos passo é excelente. Uma formação e tanto! Ah se todos os catequistas entendessem isso de verdade! Já seria 90% do caminho andado. Deus lhe abençoe pelas suas ricas partilhas”.
“Uma partilha muito rica, vou usar nos encontros, cada dia aprendo mais, que pena que o tempo é curto!”
“Oração no automático, é mais ou menos isso. Mas, gostei da muito das explicações e quero fazer a parte do pé no chão”.
Ângela Rocha
Catequistas em Formação
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
COMO FAZER ESTA TAL "CATEQUESE QUERIGMÁTICA E MISTAGÓGICA" NECESSÁRIA À INICIAÇÃO CRISTÃ?
Eu gostaria de ter uma resposta simples a essa pergunta. Mas, por enquanto só tenho ideias a respeito. E também não vamos encontrar a resposta na leitura de nenhum dos subsídios que temos para leitura. Porque o que queremos saber é o “COMO”, a prática e não a teoria da coisa, não é mesmo? E é isso que nos angustia na catequese: a PRÁTICA!
Por mais que o magistério da Igreja e os estudiosos nos deem as "pistas", cabe a nós vivenciar a prática, sabendo que: cada pessoa faz a experiência do encontro com Jesus de forma diferente. E não dá para colocarmos todos na mesma "forma" usando a mesma "receita" como um "modo de fazer" culinário.
Em primeiro lugar precisamos estabelecer aqui o que
entendemos por catequese "QUERIGMÁTICA" e "MISTAGÓGICA". Em
princípio estes "palavrões" (grandes palavras) nos assustam. São
vocábulos novos na nossa prática pastoral. Mas, vamos tentar trazer alguma luz
sobre este assunto.
Catequese querigmática:
Querigma - é o
primeiro anúncio. Palavra originária do grego "kerissein" que quer dizer:
proclamar, gritar, anunciar.
Querigmático é proclamado, gritado, anunciado. O "primeiro anúncio" da fé cristã é, obviamente, a crença em Jesus Cristo, filho de Deus, enviado a nós para anunciar o Reino de Deus na força do Espírito Santo.
O novo Diretório para Catequese, traz em seu capítulo 2, nº 56 e seguintes, uma grande mudança no sentido da Evangelização como nós conhecemos até agora: Já não se fala em “três etapas distintas”, onde o anúncio ou querigma, se configurava na primeira etapa, seguida da catequese para o aprofundamento da fé. Hoje, todo o processo de iniciação precisa ser querigmático e mistagógico:
(...) É
importante que, precisamente através da catequese, cada pessoa descubra que
vale a pena crer. Dessa forma, ela não mais se limita a um mero momento de
crescimento mais harmonioso da fé, permitindo descobrir sua grandeza e
credibilidade. O anúncio não pode mais ser considerado simplesmente a primeira
etapa da fé, prévia à catequese, mas sim a dimensão constitutiva de cada
momento da catequese. (DpC 57).
Assim sendo, o querigma é ao mesmo tempo um ato de anúncio e o conteúdo mesmo do anúncio, que revela e faz presente o Evangelho. Isso é a “catequese querigmática”, que leva o anúncio por todas as etapas da evangelização, amadurecendo o cristão ao longo de sua caminhada (catequese permanente).
Tratadas as definições, que podem ter trazido muita luz ou complicado até mais, vamos aos exemplos práticos que temos.
1. O "querigma" tal como o entendemos, acontece "antes" de se iniciar o processo de IVC, ou seja, a partir de um "anúncio" sobre Jesus Cristo, a pessoa é despertada a participar de uma comunidade de fé.
Aí está o "Pré-catecumenato" (1º Tempo da IVC), o saber que existe uma comunidade de fé e ser acolhido por ela. É preciso que "alguém" faça isso, seja pelo testemunho de fé, seja pela experiência familiar. Seria então o papel de um "introdutor", não necessariamente alguém de "fora", como é o caso das crianças, mas, alguém da família. Isso é que se acreditou durante muito tempo: que a família cumpria o papel do querigma trabalhando os primeiros rudimentos da fé com as crianças e encaminhando-as ao 2º Tempo da IVC, que é o "Catecumenato" ou a "catequese", tempo mais longo conforme o RICA.
Qual é a nossa experiência?
Frequentemente, ouvimos testemunhos "injuriados" de alguns catequistas reclamando que as crianças chegam à catequese sem saber rezar nenhuma das fórmulas de oração da Igreja, sem ter lido a Bíblia, sem saber o sinal da cruz, sem ter frequentado as celebrações, etc, etc. O que faltou aí? Foi o "anúncio" ou foi a falta de seguimento evangélico por parte da família, catequizada lá atrás? Estas crianças acreditam em Deus? Estas crianças fizeram o "encontro" verdadeiro com Jesus, como a Samaritana no poço? Evidentemente temos que analisar isso do ponto de vista da idade e compreensão de uma criança.
O fato é que temos que considerar que a maioria das nossas crianças está ali por conta de um "dever" social e cultural. Elas precisam de um "primeiro anúncio" e até de um "segundo primeiro anúncio"! (DOC 107, n.154).
Então essa é a parte QUERIGMÁTICA da nossa catequese: apresentar Jesus uma segunda vez (ou primeira mesmo!), e apresentar Jesus sempre e a cada vez que se falar dele, de maneira que isso faça "arder os corações". Tendo em mente que essa pessoinha vai continuar, pela vida afora, retornando a este anúncio principal. As experiências de encontro vão amadurecer, conforme amadurece o indivíduo.
Aí está a razão pela qual nossa catequese precisa ser querigmática: não dá mais para considerar que a família proporcionou testemunho suficiente para que cada um encontrasse "Jesus de Nazaré, Filho único do Pai" (CT, n.5), e viesse à Igreja para a catequese "sedento" daquela "água viva" apresentada por Jesus à Samaritana.
Como trabalhar este querigma com nossos catequizandos e com adultos não suficientemente evangelizados? Esta é uma resposta ou caminho que temos que buscar ao longo do processo.
O novo diretório nos dá as pistas:
Dessa centralidade do querigma para o anúncio, derivam alguns esclarecimentos também para a catequese: que “exprima o amor salvífico de Deus como prévio à obrigação moral e religiosa, que não imponha a verdade mas faça apelo à liberdade, que seja pautado pela alegria, pelo estímulo, pela vitalidade e por uma integralidade harmoniosa que não reduza a pregação a poucas doutrinas, por vezes mais filosóficas que evangélicas” (EG, n. 165). Os elementos que a catequese como eco de querigma é convidada a valorizar são: o caráter da proposta; a qualidade narrativa, afetiva e existencial; a dimensão de testemunho da fé; a atitude relacional; a ênfase salvífica. Com efeito, tudo isso interroga a própria Igreja, chamada primeiramente a redescobrir o Evangelho que anuncia: o novo anúncio do Evangelho pede à Igreja uma renovada escuta do Evangelho, junto com seus interlocutores. (DpC 59).
a) A interpretação dos ritos à luz dos eventos da salvação, em conformidade com a Tradição da Igreja, relendo os mistérios da vida de Jesus, particularmente seu mistério pascal, em relação a todo o percurso do Antigo Testamento;
E o DpC (2020, 98) alerta neste mesmo parágrafo, que a dimensão mistagógica da catequese não se reduz somente ao aprofundamento da iniciação cristã após ter recebido os sacramentos, (4ª Etapa do processo catecumenal) mas, envolve também sua inserção na liturgia dominical e nas festas do ano litúrgico, com as quais a Igreja já nutre os catecúmenos e as crianças batizadas bem antes de poderem receber a Eucaristia ou antes que tenham acesso a uma catequese orgânica e estruturada.
Mas, nós nos deparamos aqui com uma experiência prática:
Qual é a nossa experiência?
A enorme e quase insuperável dificuldade em levar nossos catequizandos às celebrações litúrgicas, que nada mais são, do que o próprio "mistério da fé". Toda a celebração da missa é inteiramente mistagógica, simbólica, orante. E as famílias passam longe dela. Assim, que experiência de "mistério" se passa aos filhos? NENHUMA!
E o fato é que crianças não vão a lugar algum sem os pais ou o consentimento destes. Aí, entende-se que a "mistagogia" da nossa catequese, PRECISA ser estendida aos adultos com quem as crianças convivem. Mesmo porque o aprofundamento espiritual, a abertura ao transcendente, carece de uma maturidade que as crianças ainda não têm. Mas, elas aprendem por testemunho de experiências, elas se contagiam pela beleza do mistério e estão mais do que abertas a aprender coisas novas.
Como trabalhar esta mistagogia com nossos catequizandos e com adultos não suficientemente evangelizados? Esta, também, é uma resposta ou caminho que vamos buscar ao longo do processo. Sem esquecer que a Mistagogia é antes de tudo, vivencial e testemunhal.
Ângela Rocha
angprr@gmail.com
CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO
FONTES DE REFERÊNCIA:
CNBB. DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE – DNC.
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Brasília: CNBB, 2006.
PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Diretório catequético. Vaticano: 2020. Documentos da Igreja nº 61, CNBB: Brasília, 2020.
CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Ritual da Iniciação Cristã de Adultos - RICA. São Paulo: Paulinas 2003.












