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sexta-feira, 7 de março de 2025

DICAS PARA UM ENCONTRO MISTAGÓGICO

Imagem: Freepik

1. Criando um ambiente propício

• Sempre que puder, insira músicas ou som ambiente nos seus encontros.

• Para a oração, crie um clima de recolhimento: luz mais suave, velas acesas, cheiro de incenso... tudo isso leva à meditação que a oração requer.

• Use o espaço a seu favor: se possível, realize parte do encontro na igreja, diante do sacrário ou ao redor de uma mesa para reforçar a experiência simbólica.

• Valorize a experiência sensorial: além da música e das imagens, inclua elementos táteis, como tocar a água benta, segurar um terço ou sentir o aroma do incenso.

2. Tornando a experiência significativa

• Imagens falam ao inconsciente, use sempre imagens que remetem ao tema do encontro.

• Símbolos da fé, sempre! Cruz, Bíblia, velas acesas, flores, imagem de Nossa Senhora, de santos (se tiver a ver com o encontro).

• Gestos e ritos enriquecem a vivência: pequenos gestos, como traçar o sinal da cruz na testa de cada um ou lavar simbolicamente as mãos, podem tornar a experiência mais marcante.

• Silêncio também fala: momentos de silêncio ajudam a interiorizar a experiência e dão espaço para que Deus fale ao coração.

3. Envolvendo os catequizandos

• Ouça o que os catequizandos têm a dizer, incentive preces espontâneas e testemunhos.

• Conecte com a vida: relacione os temas e símbolos com a realidade dos catequizandos, ajudando-os a perceber Deus agindo em suas vidas.

• Aprofunde-se na Palavra: a mistagogia tem um forte vínculo com a liturgia e a Palavra de Deus. Incentive os catequizandos a revisitarem as leituras e a aplicá-las no cotidiano.

• Crie expectativa no início do encontro, deixe seus (suas) catequizandos “surpresos” e ansiosos pelo que vai vir.

4. Deixando um impacto duradouro

• Termine com um gesto concreto: convide os catequizandos a fazer um compromisso prático com base no que viveram no encontro.

Ângela Rocha
Catequista - Graduada em Teologia pela PUCPR



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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DA FÉ...


O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DA FÉ 

A cada vez que piso o chão de um templo católico, o templo me toca a alma.

Pela grandiosidade das suas portas, silenciosamente adentro o espaço do Senhor.

Mas, não são as paredes altas, os vitrais que espelham a luz ou o teto que meus olhos mal absorvem, que me faz respirar em suspenso e me prostrar em admiração.

Não são os dolorosos passos do Senhor na Via sacra que me tocam o coração.

Nem são os nichos de oração encravados nas paredes com seus genuflexórios a me convidar a ficar de joelhos e admirar a devoção dos santificados que me chama a rezar.

Nem é a dignidade do ambão da palavra que fala ao povo, não é o altar deitado em sacrifício ou a luz do sacrário a me lembrar que o sonho vive e vive para sempre.

Não, não é a grandiosidade dos templos e a suntuosidade marmórea que me faz admirar o templo.

O que me causa admiração maior, é a nossa convicção humana que podemos chegar a grandiosidade que é o Senhor Deus a se expressar em arte, beleza e simbologia.

E se não olhar um templo com os olhos da fé, verei somente a “casca”, o invólucro, a grandeza e a majestade da construção, nunca a grandeza e a majestade que da fé que ele inspira.

É mister ouvir o silêncio que nos faz escutar somente o eco dos nossos passos e o estalar da madeira dos bancos.

É preciso sentir o cheiro de Deus que nossas Igrejas exalam, sentir o calor da luz que os vitrais refletem, o gosto da oração em nossa boca, que se abre em absoluta veneração.

É preciso ver que não são os nossos templos que refletem a Igreja Católica, é Deus que se reflete em nossos templos.

Isso, só aquele que ama sua Igreja sabe...

 

Ângela Rocha - Catequista

* Escrevi este texto logo depois de visitar o templo No Seminário Franciscano Santo Antônio em Agudos – SP, em 2018.

domingo, 1 de dezembro de 2024

CATEQUESE MISTAGÓGICA: LEITURA ORANTE


JOÃO 1,35-51

"O seguimento a Jesus e a formação da comunidade cristã"

Oração inicial

- Saudar a Santíssima Trindade e pedir especialmente a assistência do Espírito Santo.

♫ Canto: A nós descei Divina Luz...

Na leitura Orante de hoje vamos ler a bíblia e rezar com o texto de Jo 1, 35-51, onde veremos o início da formação do grupo de seguidores e seguidoras de Jesus e do chamado que Ele fez. Vamos acompanhar como a Comunidade do Discípulo Amado entendeu e compreendeu como deve acontecer o chamado e a formação da comunidade cristã. O texto apresenta os acontecimentos durante o desenrolar de dois dias que fazem parte da semana inaugural, segundo este evangelho, do movimento de Jesus.

- Antes, vamos olhar e lembrar como acontece/ aconteceu o chamado de Deus em nossa vida.
  • Quem nos chamou para prestar o serviço que hoje desempenhamos?
  • O que sentimos? Aceitamos de imediato ou relutamos um pouco?

(Antes da leitura do texto)
♫ Canto: Pela Palavra de Deus/ ou outro canto a escolher.

1. Leitura (Lectio): O que o texto diz em si

- Tomar a Bíblia com a convicção de que Deus nos fala. Ler o texto atentamente prestando atenção nos personagens (o que falam, onde falam, quando falam, os verbos e se há mudanças de cenários). Repetir a leitura silenciosamente.

- Procurar lembrar bem o que leu e considerar o sentido de cada frase. Procurar descobrir as divisões dentro do texto. Recontar o texto e repetir a frase que mais lhe tocou.

2. Meditação: O que o texto me diz

- Ler de novo o texto e atualizar a Palavra ligando-a com a vida. Fazer também se possível uma relação com outros textos dos evangelhos com a finalidade de ampliar a visão do texto. Podemos ainda também nos perguntar:

v. 35-36 – João Batista está novamente com dois de seus discípulos e ao ver Jesus passar o identifica como o Cordeiro de Deus.
  • Temos procurado dizer, apontar para outras pessoas que é Jesus o Cordeiro de Deus?
  • Sentimos a ação dele em nossas vidas? Como efetuamos essa identificação, esse anúncio?
Alargando a visão dos versículos: Em relação ao testemunho de João Batista a respeito de Jesus, anteriormente no v. 34 ele declara: “Ele é o Filho de Deus”, que por ter visto o Espírito Santo descer e permanecer no momento do batismo de Jesus em 3,27, diz que se Jesus está batizando é porque ele tem autoridade dada a partir do céu para tal. Também em 10,41 muitos que seguiram João Batista declaram que a respeito de Jesus tudo o que João havia dito, era verdade e por isso passaram a crer nele.

v. 37 – Os dois que ouviram a declaração de João Batista seguiram imediatamente Jesus.
  • Temos procurado ouvir as declarações de outras pessoas a respeito de suas experiências com Jesus? Estamos dispostos a seguir imediatamente Jesus?
  • O que me impede de seguir Jesus?
  • O que impede as pessoas de seguirem Jesus?
v. 38-39 – Os dois discípulos de João Batista, agora chamam Jesus de Mestre. Também neste evangelho os discípulos de Jesus assim o chamam em: 4,31; 9,2 e 11,8. Já Nicodemos um dos chefes dos judeus, também chama Jesus de Mestre em 3,2, e a multidão que procurava Jesus também desta forma o identifica em 6,25.
  • Consideramos realmente Jesus como nosso Mestre?
  • Como demonstro isso ou o que faço para isso se manifestar?
  • Para mim, como entendo o que é permanecer junto a Jesus?
  • Tenho procurado permanecer junto a Jesus? Como faço isso?
  • Que dificuldades encontro, ou preciso superar, para procurar sempre permanecer junto a Jesus?
v. 40-42 – André dá a primeira notícia de ter encontrado o Cristo, a seu irmão. Temos procurado anunciar primeiramente na minha família, Jesus Cristo?
  • Quais as dificuldades que tenho encontrado para fazer esse anúncio?
  • O que preciso fazer para superá-las?
  • O que significa conduzir as pessoas até Jesus? Como tenho feito isso?
v. 43-44 – Jesus está sempre se movimentando, indo de um lugar para outro (do Jordão para a Galileia) e a quem encontra chama para o seguir sem antes perguntar o que sabe, o que faz ou quem é a pessoa. No texto, este é um novo dia, na semana inaugural, para a comunidade do Discípulo Amado. Lembrando que Jesus chama desta forma pessoas para o seguirem como a Levi (Mateus) em Mt 9,9 e Mc 2,14 e chama discípulos em Mt 8,22 e 19,21 e a Pedro para efetivar o seguimento em Jo 21,19.22.
  • Tenho procurado dentro da comunidade conhecer todas as realidades, todas as pessoas?
  • Tenho chamado indistintamente pessoas para seguir Jesus?
  • Tenho oferecido a mesma oportunidade para todas as pessoas?
v. 45 – Felipe fica conhecendo quem é Jesus e percebe que é a respeito dele que os Profetas e inclusive Moisés escreveram. Mostrou um conhecimento das Escrituras a respeito de Jesus. E leva a novidade do encontro com Jesus a Natanael.
  • E eu, nós o que conhecemos das Escrituras?
  • Como procuro desenvolver esse conhecimento?
  • Quanto tempo do meu dia a dia emprego nesse conhecimento?
  • Como tenho mostrado, anunciado o meu encontro com Jesus?
v. 46 – Natanael mostra-se preconceituoso em relação às pessoas que habitavam a Galileia. E Felipe insiste com ele, quer lhe mostrar quem é Jesus.
  • E eu (nós) já fui (fomos) preconceituoso(s) em relação a outras pessoas?
  • E quando outros são preconceituosos, qual a minha (nossa) reação?
  • Tenho (temos) procurado entender o porquê as pessoas agem desta forma?
  • O que procuro (amos) fazer para que haja uma mudança de atitude em quem é preconceituoso?
v. 47-48 – Agora é Jesus quem vê, quem caminha a seu encontro e diz conhecer
perfeitamente Natanael, embora este não o conheça e o desdenhe por ser da Galileia.
  • Somos capazes de reconhecer as qualidades das pessoas, ou só vemos os defeitos delas?
v. 49 – Há uma profunda mudança em Natanael. Ele faz uma confissão de fé: Jesus é Mestre, é o Filho de Deus e o Rei de Israel. Para a comunidade do Discípulo Amado, esta é a mudança que deve acontecer na vida de quem se torna seguidor(a) de Jesus.
  • De que forma manifesto também essa confissão de fé em Jesus, na minha vida?
v. 50-51 – Agora é Jesus quem faz perguntas a Natanael e a todos nós também. A alusão aos anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem, referem-se à sua ressurreição.
  • Acreditamos em Jesus, porque vemos coisas grandes, inusitadas ou porque ele nos ama incondicionalmente?
  • Podemos também refletir a respeito de como é que hoje se dá o processo de chamado e de seguimento a Jesus e da formação da comunidade cristã.
3. Oração: O que o texto me faz dizer a Deus

Ler de novo o texto. Podemos a partir do que foi meditado, assumir um compromisso e fazer uma oração como resposta a Deus, que pode ser em forma de: louvor, adoração, agradecimento e pedido de força, ou perdão. Podemos também rezar um salmo, o Sl 23 (22), por exemplo:

O Senhor é o meu pastor: nada me falta.
Em verdes pastos me faz descansar e conduz-me a lugares de águas tranquilas. Conforta a minha alma e leva-me por caminhos retos, honrando o seu bom nome.
Ainda que eu atravesse o vale da sombra da morte, não terei receio de nada, porque tu, Senhor, estás comigo.
O teu bordão e o teu cajado dão-me segurança.
Preparaste-me um banquete à frente dos meus inimigos.
Recebeste-me com todas as honras e a minha taça transborda.
A tua bondade e o teu amor acompanham-me todos os dias da minha vida.
E habitarei na casa do Senhor, ao longo dos meus dias.

4. Contemplação: Procurar ver a realidade, a vida com os olhos de Deus
  • A que conversão ou ação, Deus me convida através deste texto?
  • Qual novo olhar que sobrou em mim depois da Leitura Orante deste texto?
  • Como tudo isso pode me ajudar a viver melhor meu compromisso de vida cristã?
  • Que desafios descobrir para me aperfeiçoar como discípula/discípulo de Jesus?
Final:
- Escolher uma frase do texto para guardar para sua vida e repeti-la sempre.
- Pode-se encerrar a Leitura Orante com a oração do Pai-nosso.

FONTE:

SCHERER, Odilo Pedro; BERTOLDI, Marlene; TOGNERI, Silvia; SILVA, Sérgio; FERREIRA, Nilson Caetano. Mistagogia: novo caminho Formativo de Catequistas. Cap. 3, 4, 5. VII SULÃO DE CATEQUESE. São José do Rio Preto – SP. 19 a 21 de agosto de 2011. editor@suliani.com.br





sexta-feira, 29 de novembro de 2024

A ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA MISTAGOGO - PARTE 5



Vamos continuar nosso papo sobre Mistagogia?

RESENHA 05
CAPÍTULO V - A espiritualidade do catequista mistagogo

"Fala, Senhor! Teu servo escuta." (1Sm 3,10).

O quinto capítulo reflete sobre a espiritualidade essencial ao catequista, especialmente aquele que exerce seu papel como mistagogo, ou seja, como guia que introduz os catequizandos no mistério de Deus.  

A Espiritualidade como Essência do Ser 

A espiritualidade é descrita como o núcleo profundo do ser humano, representando suas motivações, paixões e a mística que guia sua vida. No contexto do catequista, ela envolve um relacionamento íntimo e dinâmico com Deus, construído a partir da escuta da Palavra, da comunhão com a Igreja e de atitudes pedagógicas.  

O catequista é chamado a uma espiritualidade enraizada no discipulado, que nasce no batismo e se fortalece na oração, nos sacramentos e na vivência comunitária. Essa espiritualidade conduz o catequista a ser alegre, entusiasmado, corajoso e profundamente conectado à Trindade. 

Dimensões da Espiritualidade do Catequista  

1. Oração  

A oração é apresentada como uma necessidade para o catequista, ajudando-o a: 

   - Reconhecer-se como alguém em relação constante com Deus. 

   - Entender a realidade ao seu redor, valorizando as diferenças e os dons. 

   - Compreender sua missão no mundo, na Igreja, na família e no trabalho. 

   - Transformar o cotidiano em um espaço de encontro com Deus.  

Assim, a espiritualidade não é apenas conhecimento, mas um testemunho transformador que brota do amor trinitário e atua na vida dos catequizandos pelo Espírito Santo. 

2. Liturgia  

A liturgia é essencial para o catequista porque: 

   - Une fé, celebração e vida, oferecendo um sentido profundo à prática cristã. 

   - Centraliza-se no Mistério Pascal, rememorando a História da Salvação e promovendo a participação ativa no sacerdócio comum dos fiéis. 

   - Torna-se fonte de santificação e compreensão, capacitando o catequista a viver e transmitir a plenitude da vida cristã.  

A liturgia, como fonte inesgotável de catequese, apresenta uma síntese da fé e da vida cristã.

3. Leitura Orante da Palavra de Deus  

A Leitura Orante é apontada como alimento espiritual essencial, permitindo que o catequista interprete a vida e encontre Deus na realidade do mundo atual. 

   - Por meio dela, o catequista se forma como discípulo missionário e anunciador entusiasta do Evangelho. 

   - É enfatizado que a Leitura Orante não se limita à interpretação da Bíblia, mas busca transformar a fé em prática viva. 

   - A dimensão comunitária da Leitura Orante fortalece o processo formativo, criando um espaço para partilha e crescimento mútuo. 

A Espiritualidade Mariana 

Inspirando-se em Maria, o catequista é chamado a cultivar um relacionamento íntimo com Deus, renovando constantemente seu dinamismo espiritual e apostólico. A espiritualidade mariana torna a catequese mais amorosa, gerando confiança, generosidade e abertura para os mistérios da vida.

 Conclusão 

A espiritualidade do catequista mistagogo é um processo integral que envolve oração, liturgia, escuta da Palavra e inspiração mariana. Ela transforma a catequese em um testemunho vivo do amor de Deus, capacitando o catequista a guiar os outros na descoberta do mistério de Cristo e na vivência concreta da fé. 

Conversando no grupo de catequistas 

a) Uma das características do catequista mistagogo é a intimidade com Deus expressa em oração e celebração tendo por base a Palavra de Deus. Que tempo você dedica para a intimidade com Deus através da oração?

Confesso que não costumo dedicar tanto tempo à oração como gostaria. No entanto, busco diariamente estabelecer uma conexão com Deus por meio da leitura bíblica, especialmente pela manhã, em busca de inspiração e motivação para o meu dia. Às vezes, um único versículo já é suficiente para despertar em mim essa intimidade com Ele.  

Enxergo Deus como um amigo próximo, Pai amoroso e guia fiel, com quem converso ao longo do dia de maneira espontânea, sem depender de fórmulas de oração. Contudo, reconheço que minha vida de oração pode ser mais profunda e estruturada.  

Recentemente, por exemplo, dediquei-me a estudar o método de oração de Santa Teresa de Ávila e seus quatro graus de oração. Identifiquei-me com as dificuldades que ela menciona, especialmente no que se refere à dispersão e à falta de tempo e espaço para a "quietude". Embora comece a rezar com determinação, percebo que ainda não consigo alcançar a “oração da quietude” ou as águas mais profundas de que ela fala.   Apesar dessas limitações, acredito que cada momento dedicado a Deus, mesmo em meio às minhas distrações, é valioso. Por isso, sigo buscando formas de crescer na oração e de criar um espaço em minha vida para uma intimidade mais profunda com Ele.  (Ângela Rocha)

b) Partilhe no grupo sua experiência de oração. 

A oração tem sido uma fonte de grande paz para mim, mas, para realmente me aprofundar nela, preciso de quietude e solidão. Quando consigo me concentrar e me deixar absorver pelo momento, sinto a oração não apenas com o espírito, mas também com os sentidos: a chama da vela parece mais intensa, o aroma do incenso mais profundo.  Vou colocar um texto que escrevi para explicar melhor meus sentimentos: 

O Cheiro, o gosto, o olhar da fé... 

Cada vez que entro em um templo católico, algo toca minha alma. Ao passar pelas grandes portas, adentro silenciosamente o espaço do Senhor, e logo percebo que não são as paredes altíssimas, nem os vitrais que refletem a luz ou o teto grandioso que me fazem respirar profundamente e me prostrar em reverência.  

Não são os passos dolorosos do Senhor na Via Sacra que tocam meu coração, nem os nichos de oração com seus genuflexórios que me convidam a ajoelhar e admirar a devoção dos santos. Não é a dignidade do ambão, a palavra que fala ao povo, ou o altar que se oferece em sacrifício. Não é a luz do sacrário que me lembra que o sonho divino vive para sempre.  

O que me toca, de fato, é a convicção humana de que, através da arte, da beleza e da simbologia, conseguimos chegar à grandeza de Deus. Quando olho um templo com os olhos da fé, não vejo apenas uma construção imponente, mas a grandeza e majestade de Deus refletidas naquela estrutura.  

Para ver isso, é necessário ouvir o silêncio do templo, que nos faz escutar apenas o eco dos nossos passos e o estalar da madeira dos bancos. É necessário sentir o cheiro de Deus que emana das Igrejas, o calor da luz que os vitrais refletem, e o gosto da oração em nossa boca, que se abre em veneração absoluta.  

É preciso perceber que não são os templos que refletem a Igreja Católica, mas sim Deus, que se reflete em nossos templos. Isso é algo que só quem verdadeiramente ama sua Igreja pode compreender.  

Ângela Rocha – Catequista 

(*Escrevi este texto após visitar o templo do Seminário Franciscano Santo Antônio, em Agudos – SP, em 2018.)


Ângela Rocha - Catequista e Formadora
Graduada em Teologia pela PUCPR.

FONTE:

SCHERER, Odilo Pedro; BERTOLDI, Marlene; TOGNERI, Silvia; SILVA, Sérgio; FERREIRA, Nilson Caetano. Mistagogia: novo caminho Formativo de Catequistas. Cap. 5.

VII SULÃO DE CATEQUESE. São José do Rio Preto – SP. 19 a 21 de agosto de 2011.  editor@suliani.com.br

 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

MISTAGOGIA – DO VISÍVEL AO INVISÍVEL

A catequese conduz o batizado à participação plena, ativa e frutuosa na liturgia. Ajudar o catequizando a fazer a experiência dos símbolos e gestos celebrados faz parte de uma educação que leva-o a experimentar os sinais tão simples e tão humanos da liturgia não apenas como elementos deste mundo, mas, aos olhos da fé, também como realidades divinas.

Como já ocorria nos primórdios da Igreja, a catequese deve tornar-se um caminho que introduza o cristão na vida litúrgica, ou melhor, no mistério de Cristo, “procedendo do visível ao invisível, do sinal ao significado, dos sacramentos aos mistérios[1], sempre com o mesmo objetivo de levar à vivência da fé. “A liturgia, com seu conjunto de sinais, palavras, ritos, em seus diversos significados, requer da catequese uma iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada[2].

A mistagogia é a arte de iniciação no mistério da Páscoa de Cristo, da qual ganha sentido todos os atos salvadores da vida e que são atualizados na celebração da liturgia de acordo com o sinal empregado. Mistagogia significa “ser introduzido no mistério”, no plano de Deus de salvar o mundo em Cristo (cf. Ef 1, 3-13). Este é o grande mistério: o Pai amou tanto o mundo que nos enviou o seu único Filho para nos salvar. Por sua vez, Cristo nos ama até o fim. O Pai o ressuscita e em Cristo alcançamos a vida eterna.

Mistério é sempre uma revelação por parte de Deus de algo conhecido só por ele. Por exemplo, proclamando o Batismo, Deus evidencia que nos quer seus filhos, membros de sua família. Promovendo a Eucaristia, revela-nos que ele mesmo quer ser nosso alimento espiritual. Há que passar do pobre sinal visível do sacramento ao mistério de graça.

Começar a ver

Ter fé é decisivo para acolher a graça que os sacramentos oferecem. A luz da fé faz enxergar a ação salvadora de Deus. Assim, o simples banho batismal passa a ser a imagem da morte e ressurreição de Jesus.

Passamos dos sacramentos aos mistérios, ou seja, partimos do visível para o invisível, do sinal sacramental: água, luz, pão e vinho para o mistério da salvação: água viva, luz do mundo, pão do céu, enfim, para a vida eterna.[3]

Efetivamente, o rito visto somente de fora não oferece automaticamente o significado de que é portador. Esse significado deve ser descoberto, revelado pela Palavra, pela catequese. Mais ainda, deve ser professado pela fé.

Quatro passos

É necessário ajudar o catequizando a entrar num mundo coerente de Sinais pessoais e vivos. É preciso que redescubra o universo simbólico em que se move a liturgia. Não se trata de explicar, mas de colocar o objeto ou a ação simbólica num determinado contexto humano, bíblico e celebrativo, de modo que possa aprender e viver o seu significado.

Cremos que o catequizando, ao vivenciar ritualmente os símbolos mais frequentes na liturgia no pequeno grupo, liderado pelo testemunho do catequista, descobrirá a vitalidade do rito, como experiência atual da graça do Senhor que vem ao seu encontro. Posteriormente, ao participar da liturgia na comunidade reunida, esse mesmo catequizando terá desenvolvido suficientes referências para integrar-se no corpo da assembleia e participar ativa, consciente e frutuosamente.

Identificamos quatro passos, e cada um deles oferece uma gama de sentidos que, conjuntamente somados, nos revelam a passagem de Deus em nossa vida. Assim como acontece quando subimos os degraus de uma escada, o significado do símbolo vai se concretizando passo a passo, daquilo que ele mostra aos nossos sentidos até chegar ao seu significado final, que só alcançamos com a fé.

Esses simples sinais tornam-se símbolos carregados da graça transformadora do Espírito que gera a vida nova, prenúncio da plenitude da Jerusalém Celeste.

1º passo: sentido cotidiano

Se ficarmos atentos, em nosso dia a dia, vemos gestos, palavras e imagens grandiosas que revelam ternura, compaixão, solidariedade e conforto. Costumamos dizer: um gesto vale mais que mil palavras. É mais natural partir daquilo que conhecemos para acrescentarmos outros significados ao gesto. Há que mostrar o enraizamento dos elementos e dos gestos em nossa cultura.

2º passo: sentido bíblico

Com a ajuda de textos bíblicos, há que apresentar a realidade que os elementos e os gestos possuem segundo a história da salvação. Como eles se apresentam no Antigo Testamento e como recebem sua plenitude de significado na pessoa de Jesus Cristo. Podemos dizer que essa interação entre tipos bíblicos e mistério cristão, entre promessa e cumprimento, é o coração do memorial que se realiza na celebração litúrgica.

3º passo: sentido litúrgico

A encíclica O sacramento da caridade revela este passo: “Há de preocupar-se por introduzir o sentido dos sinais contidos nos ritos; essa tarefa é urgente numa época acentuadamente tecnológica como a atual, que corre o risco de perder a capacidade de perceber os sinais e os símbolos. Mais do que informar, a catequese mistagógica deverá despertar e educar a sensibilidade dos fiéis para a linguagem dos sinais e dos gestos que, unidos à palavra, constituem o rito”.[4]

4º passo: compromisso cristão

Quando respondemos sim ao apelo de Deus para a nossa vida, tudo se modifica. Compreendemos que ele tem a primazia sobre nossas escolhas e sua vontade passa a ser a fonte da realização humana. Nada mais estranho ao espírito do cristianismo primitivo que uma concepção mágica da ação sacramental. A conversão sincera e total é condição indispensável para a recepção do sacramento.


FONTE: Núcleo de Catequese Paulinas (NUCAP)


Mistagogia do visível ao invisível faz parte da coleção "Pastoral Litúrgica" das Paulinas. A mistagogia é a arte de sermos iniciados no mistério da Páscoa de Cristo, do qual ganha sentido todos os atos salvadores de sua vida e que são atualizados na celebração da liturgia.


[1] Catecismo da Igreja Católica, n. 1075.

[2] CNBB. Diretório nacional de catequese. São Paulo: Paulinas, 2006. n. 120 (Documento da CNBB, n. 84).  

[3] Cf. LELO, A. F. Mistagogia: participação no mistério da fé. Revista Eclesiática Brasileira. n.257., PP. 64 -81, jan. 2005

[4] BENTO XVI. Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, sobre a Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. São Paulo: Paulinas, 2007. n. 64.



terça-feira, 19 de janeiro de 2021

TIRANDO DÚVIDAS: ORAÇÃO MISTAGÓGICA

Imagem: Catholicus.org
Como transformar nossa oração na catequese, em oração “mistagógica”?

Andréa Canassa

Desculpe a ignorância, mas...  Vi naquele itinerário que você nos passou: memorizar as orações através do método mistagógico. Você pode me explicar como se faz isso, por favor?

RESPOSTA:

Ângela Rocha

A oração autêntica é aquela que transforma a pessoa. Para orar de verdade a pessoa precisa se recolher em si mesma. Caminhar nos “mistérios” de Deus e de si mesmo. No mundo de hoje somos projetados para "fora", damos importância demais ao que acontece ao nosso redor e esquecemos de olhar “pra dentro”. 

Ao orar com os nossos catequizandos precisamos nos desprender um pouco do "roteiro". Normalmente o catequista chega e já é de praxe que todos se levantem, rezem o Pai Nosso, Ave Maria, Santo Anjo, etc. Mas, normalmente, essa oração é vazia! Não de sentido, mas, de significado. As frases são involuntárias e não se sabe o que está dizendo. As crianças estão ali agitadas, querendo contar as novidades, conversar com os colegas,  e nós queremos que elas calem a boca para que comecemos o encontro.

A oração é antes de tudo a "busca" de Deus, ela precisa ser pessoal, silenciosa, contemplativa. Aí esbarramos num porém: as crianças não conseguem isso com facilidade! A capacidade de abstração de uma criança é bem pequena. Por isso a importância do ambiente: de uma vela acesa, da Bíblia aberta, do incenso, da água benta, do silêncio, respiração pausada, olhos fechados...  Podemos usar um canto meditativo, mas, algo que faça parte do universo da criança; ou usar uma melodia suave de fundo.

Precisamos ensinar as crianças que orar é amar, é criar uma relação de amizade com Deus, onde Ele te escuta e, mesmo sem te responder, age na sua vida. Nós não nos voltamos para Deus só com a boca ou o pensamento, é preciso voltar-se para Ele com todo nosso ser. Lembrar da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, que, pela bondade do Pai, faz morada em nós.

Enfim, é preciso criar o "clima", orar sem dispersar o pensamento. E não é fácil fazer isso com as crianças. Como eu disse antes, elas não tem a capacidade de contemplação de um adulto. Mesmo os adultos têm dificuldade. Então, é preciso então lembrá-las do "concreto", daquilo que acontece com ela no dia a dia, das suas pequenas e angústias e medos, lembrá-las que basta fechar os olhos e conversar com Deus, contar e Ele em pensamento tudo que acontece, que dá medo ou tristeza; e Ele lhe trará paz, tranquilidade, te envolverá com sua manto de amor. A oração conduz ao "mistério" de Deus e da fé. 

Andréa Canassa

Eu pedi autorização ao meu pároco, para aos poucos mudar o ambiente da sala de catequese. Ele me autorizou, mas, pediu para começar de leve, mas, já é um começo. Nossas salas ainda remetem a sala de aula. Ele me autorizou a pintá-la, ganhei um ambão para a leitura da Palavra, fiz umas adaptações, e agora pretendo ambientar meu encontro, com velas, flores e a Bíblia.

Ângela Rocha

Além de um ambiente adequado, existem alguns "exercícios" que podem relaxar o corpo e a mente que é possível fazer no encontro. Peça que tirem os sapatos, coloquem a planta dos pés no chão, que sintam a energia que vem da terra, ambiente que Deus criou para nossa morada, que vai subindo devagar pelas pernas, joelhos, estomago, coração até chegar ao cérebro, berço do pensamento; que respirem o ar pausadamente, sentindo o Espírito Santo se mover para dentro e para fora do seu corpo; fechar os olhos e pensar que, mesmo no escuro, Deus segura sua mão. E assim, iniciar a “conversa” com Deus.

Uma dica: leia o Itinerário Mistagógico de oração de Santa Tereza D'Avila. Acho que tem também um texto aqui ou no blog (www.catequistasemformacao.com)  sobre mistagogia e oração: "Entra no teu quarto" acho que é o nome.

Andréa Canassa

Então, não preciso começar, necessariamente, a fazer a oração toda vez que inicia meu encontro. Como você disse, as crianças já sabem que vão fazer e ficam no automático.

Ângela Rocha

Não mesmo. Você pode esperar que se acalmem, bater um papo leve e só então, lembrar a elas que estarão reunidos para um encontro e pedir que façam o sinal da cruz pois estarão ali em nome da Trindade. Um encontro deve começar sempre com uma motivação, algo que desperte curiosidade pelo tema, pode ser uma brincadeira, uma história, uma dinâmica, uma música.

Demais comentários:

“Conversa muito proveitosa! Aprendi muito e anotei todas as dicas. Obrigada cada dia aprendo mais com vocês. Deus abençoe a todos!!”.

“Sua explicação da sequência dos passo é excelente. Uma formação e tanto! Ah se todos os catequistas entendessem isso de verdade! Já seria 90% do caminho andado. Deus lhe abençoe pelas suas ricas partilhas”.

“Uma partilha muito rica, vou usar nos encontros, cada dia aprendo mais, que pena que o tempo é curto!”

“Oração no automático, é mais ou menos isso. Mas, gostei da muito das explicações e quero fazer a parte do pé no chão”.

 

Ângela Rocha

Catequistas em Formação




segunda-feira, 19 de outubro de 2020

COMO FAZER ESTA TAL "CATEQUESE QUERIGMÁTICA E MISTAGÓGICA" NECESSÁRIA À INICIAÇÃO CRISTÃ?

Jesus e os doze

Eu gostaria de ter uma resposta simples a essa pergunta. Mas, por enquanto só tenho ideias a respeito. E também não vamos encontrar a resposta na leitura de nenhum dos subsídios que temos para leitura. Porque o que queremos saber é o “COMO”, a prática e não a teoria da coisa, não é mesmo? E é isso que nos angustia na catequese: a PRÁTICA!

Por mais que o magistério da Igreja e os estudiosos nos deem as "pistas", cabe a nós vivenciar a prática, sabendo que: cada pessoa faz a experiência do encontro com Jesus de forma diferente. E não dá para colocarmos todos na mesma "forma" usando a mesma "receita" como um "modo de fazer" culinário.

Em primeiro lugar precisamos estabelecer aqui o que entendemos por catequese "QUERIGMÁTICA" e "MISTAGÓGICA". Em princípio estes "palavrões" (grandes palavras) nos assustam. São vocábulos novos na nossa prática pastoral. Mas, vamos tentar trazer alguma luz sobre este assunto.

Catequese querigmática:

Querigma - é o primeiro anúncio. Palavra originária do grego "kerissein" que quer dizer: proclamar, gritar, anunciar.

Querigmático é proclamado, gritado, anunciado. O "primeiro anúncio" da fé cristã é, obviamente, a crença em Jesus Cristo, filho de Deus, enviado a nós para anunciar o Reino de Deus na força do Espírito Santo.

O novo Diretório para Catequese, traz em seu capítulo 2, nº 56 e seguintes, uma grande mudança no sentido da Evangelização como nós conhecemos até agora: Já não se fala em “três etapas distintas”, onde o anúncio ou querigma, se configurava na primeira etapa, seguida da catequese para o aprofundamento da fé. Hoje, todo o processo de iniciação precisa ser querigmático e mistagógico:

(...) É importante que, precisamente através da catequese, cada pessoa descubra que vale a pena crer. Dessa forma, ela não mais se limita a um mero momento de crescimento mais harmonioso da fé, permitindo descobrir sua grandeza e credibilidade. O anúncio não pode mais ser considerado simplesmente a primeira etapa da fé, prévia à catequese, mas sim a dimensão constitutiva de cada momento da catequese. (DpC 57).

Assim sendo, o querigma é ao mesmo tempo um ato de  anúncio e o conteúdo mesmo do anúncio, que revela e faz presente o Evangelho. Isso é a “catequese querigmática”, que leva o anúncio por todas as etapas da evangelização, amadurecendo o cristão ao longo de sua caminhada (catequese permanente).

Tratadas as definições, que podem ter trazido muita luz ou complicado até mais, vamos aos exemplos práticos que temos.

1.      O "querigma" tal como o entendemos, acontece "antes" de se iniciar o processo de IVC, ou seja, a partir de um "anúncio" sobre Jesus Cristo, a pessoa é despertada a participar de uma comunidade de fé.

Aí está o "Pré-catecumenato" (1º Tempo da IVC), o saber que existe uma comunidade de fé e ser acolhido por ela. É preciso que "alguém" faça isso, seja pelo testemunho de fé, seja pela experiência familiar. Seria então o papel de um "introdutor", não necessariamente alguém de "fora", como é o caso das crianças, mas, alguém da família. Isso é que se acreditou durante muito tempo: que a família cumpria o papel do querigma trabalhando os primeiros rudimentos da fé com as crianças e encaminhando-as ao 2º Tempo da IVC, que é o "Catecumenato" ou a "catequese", tempo mais longo conforme o RICA.

Qual é a nossa experiência?

Frequentemente, ouvimos testemunhos "injuriados" de alguns catequistas reclamando que as crianças chegam à catequese sem saber rezar nenhuma das fórmulas de oração da Igreja, sem ter lido a Bíblia, sem saber o sinal da cruz, sem ter frequentado as celebrações, etc, etc. O que faltou aí? Foi o "anúncio" ou foi a falta de seguimento evangélico por parte da família, catequizada lá atrás? Estas crianças acreditam em Deus? Estas crianças fizeram o "encontro" verdadeiro com Jesus, como a Samaritana no poço? Evidentemente temos que analisar isso do ponto de vista da idade e compreensão de uma criança.

O fato é que temos que considerar que a maioria das nossas crianças está ali por conta de um "dever" social e cultural. Elas precisam de um "primeiro anúncio" e até de um "segundo primeiro anúncio"! (DOC 107, n.154).

Então essa é a parte QUERIGMÁTICA da nossa catequese: apresentar Jesus uma segunda vez (ou primeira mesmo!), e apresentar Jesus sempre e a cada vez que se falar dele, de maneira que isso faça "arder os corações". Tendo em mente que essa pessoinha vai continuar, pela vida afora, retornando a este anúncio principal. As experiências de encontro vão amadurecer, conforme amadurece o indivíduo.

Aí está a razão pela qual nossa catequese precisa ser querigmática: não dá mais para considerar que a família proporcionou testemunho suficiente para que cada um encontrasse "Jesus de Nazaré, Filho único do Pai" (CT, n.5), e viesse à Igreja para a catequese "sedento" daquela "água viva" apresentada por Jesus à Samaritana.

Como trabalhar este querigma com nossos catequizandos e com adultos não suficientemente evangelizados? Esta é uma resposta ou caminho que temos que buscar ao longo do processo.

O novo diretório nos dá as pistas:

Dessa centralidade do querigma para o anúncio, derivam alguns esclarecimentos também para a catequese: que “exprima o amor salvífico de Deus como prévio à obrigação moral e religiosa, que não imponha a verdade mas faça apelo à liberdade, que seja pautado pela alegria, pelo estímulo, pela vitalidade e por uma integralidade harmoniosa que não reduza a pregação a poucas doutrinas, por vezes mais filosóficas que evangélicas” (EG, n. 165). Os elementos que a catequese como eco de querigma é convidada a valorizar são: o caráter da proposta; a qualidade narrativa, afetiva e existencial; a dimensão de testemunho da fé; a atitude relacional; a ênfase salvífica. Com efeito, tudo isso interroga a própria Igreja, chamada primeiramente a redescobrir o Evangelho que anuncia: o novo anúncio do Evangelho pede à Igreja uma renovada escuta do Evangelho, junto com seus interlocutores. (DpC 59).

Segundo o documento, não se pode deixar de lado também, que o querigma tem uma dimensão social. Como a pregação de Jesus tinha. A catequese precisa mostrar esta visão de mundo, da justiça, da vida social com a realização de sinais concretos. Por esta razão, a catequese não é só o segundo momento onde se traz luz ao conhecimento da fé e sim um anúncio de fé que não é outra coisa senão se relacionar com todas as dimensões da vida humana (DpC 60).

 Catequese mistagógica:

 Vamos primeiro às definições clássicas: Mistagogia é o que diz respeito aos mistérios do sagrado.  Aquilo que traz o significado, uma introdução. Mist+agogia = mistério + introdução.

 Em um certo sentido é o amadurecimento que envolve todo o ser na experiência com o que é santo, objeto de fé e suas relações com o outro. O ser humano traz uma natural necessidade em si mesmo que aponta para o sentido de si mesmo fora dele, e para percorrer este espaço é necessária esta compreensão mistagógica, ou seja, ele precisa ser "conduzido" por um agente mistagogo. Nisso temos que, é na liturgia e nas celebrações que nos “conduzimos” ao mistério.

 A catequese de iniciação à vida cristã está orientada para a celebração litúrgica. Por isso, são necessárias tanto uma catequese que prepara para os sacramentos, quanto uma catequese mistagógica que favoreça uma compreensão e uma experiência mais profunda da liturgia. (DpC 74).

 O novo Diretório para a catequese (2020), relembra o documento Sacramentum Caritatis (64) que cita três elementos essenciais de um itinerário mistagógico, que tem por base a estrutura fundamental da experiência cristã:

               a) A interpretação dos ritos à luz dos eventos da salvação, em conformidade com a Tradição da Igreja, relendo os mistérios da vida de Jesus, particularmente seu mistério pascal, em relação a todo o percurso do Antigo Testamento;

 b) A introdução ao sentido dos sinais litúrgicos, de modo que a catequese mistagógica desperte e eduque a sensibilidade dos fiéis à linguagem dos sinais e dos gestos que, unidos à palavra, constituem o rito;

 c) a apresentação do significado dos ritos para a vida cristã em todas as suas dimensões, para evidenciar o elo entre a liturgia e a responsabilidade missionária dos fiéis, além de fazer crescer a consciência de que a existência dos fiéis é gradualmente transformada pelos mistérios celebrados. (SCa 64).

E o DpC (2020, 98) alerta neste mesmo parágrafo,  que a dimensão mistagógica da catequese não se reduz somente ao aprofundamento da iniciação cristã após ter recebido os sacramentos, (4ª Etapa do processo catecumenal) mas, envolve também sua inserção na liturgia dominical e nas festas do ano litúrgico, com as quais a Igreja já nutre os catecúmenos e as crianças batizadas bem antes de poderem receber a Eucaristia ou antes que tenham acesso a uma catequese orgânica e estruturada.

 Vistas as definições, vamos pensar nas práticas que temos!

 2. Quem é aqui o agente "mistagogo" que conduz a pessoa ao "mistério" da fé? Ideal que tivesse sido a família e nós só tivéssemos que aprofundar este mistério com conhecimentos bíblicos e doutrinários.

 Para no Diretório para a Catequese (2020, nº 97), o caminho formativo do cristão, começou nas Catequeses mistagógicas dos Padres da Igreja, com um caráter experiencial, sem  negligenciar a inteligência da fé. O encontro vivo e persuasivo com Cristo era anunciado por testemunhas autênticas, e era determinante. Portanto, aquele que introduz aos mistérios é, antes de tudo, uma testemunha. Esse encontro tem sua fonte e seu ápice na celebração da Eucaristia e se aprofunda na catequese. Quem conduz ao “mistério” é alguém que já teve sem encontro pessoal com Cristo e é profundamente envolvido nos mistérios da fé, a  ponto do seu testemunho contagiar o outro.

Mas, nós nos deparamos aqui com uma experiência prática:

Qual é a nossa experiência?

A enorme e quase insuperável dificuldade em levar nossos catequizandos às celebrações litúrgicas, que nada mais são, do que o próprio "mistério da fé". Toda a celebração da missa é inteiramente mistagógica, simbólica, orante. E as famílias passam longe dela. Assim, que experiência de "mistério" se passa aos filhos? NENHUMA!

E o fato é que crianças não vão a lugar algum sem os pais ou o consentimento destes. Aí, entende-se que a "mistagogia" da nossa catequese, PRECISA ser estendida aos adultos com quem as crianças convivem. Mesmo porque o aprofundamento espiritual, a abertura ao transcendente, carece de uma maturidade que as crianças ainda não têm. Mas, elas aprendem por testemunho de experiências, elas se contagiam pela beleza do mistério e estão mais do que abertas a aprender coisas novas.

Como trabalhar esta mistagogia com nossos catequizandos e com adultos não suficientemente evangelizados? Esta, também, é uma resposta ou caminho que vamos buscar ao longo do processo. Sem esquecer que a Mistagogia é antes de tudo, vivencial e testemunhal.

 

Ângela Rocha

angprr@gmail.com

CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

 

FONTES DE REFERÊNCIA:

 

CNBB. DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE – DNC. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Brasília: CNBB, 2006.

PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Diretório catequético. Vaticano: 2020. Documentos da Igreja nº 61, CNBB: Brasília, 2020.

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Ritual da Iniciação Cristã de Adultos - RICA. São Paulo: Paulinas 2003.