domingo, 27 de maio de 2018

TESTE O QUANTO “TRINITARIZADA” ESTÁ A SUA VIDA


As redes sociais e outros ambientes online oferecem uma infinidade de testes, a maioria deles para entretenimento, mas com a intenção, quase nunca revelada, de levantar e armazenar dados e informações de quem cede a provocações do tipo: “Com personagem do Chaves você se identifica? ” Ou “Que cantor famoso tem a personalidade parecida com a sua? ”, entre muitas outras.

Chegando à Solenidade da Santíssima Trindade, a Festa que celebra Deus-Comunidade de Amor, desejamos também propor um teste. Fique tranquilo, pois não temos a intenção de investigar sua vida nem levantar seus dados. Nosso desejo é apenas provocar uma reflexão pessoal que pode ajudá-lo a viver melhor os ensinamentos que a Trindade oferece. 

Na Trindade, as três Pessoas Divinas (Pai, Filho e Espírito Santo), diferentes, mas indissoluvelmente unidas, vêm nos mostrar que a diversidade não é impedimento para caminharmos juntos, mas um convite permanente para construirmos comunhão. 

Mistério de acolhida e doação que ocorre com absoluta generosidade e transparência, a unidade da Trindade torna-se excelente critério para que nós, apesar de nossos limites, façamos uma análise honesta e criteriosa dos relacionamentos que compõem nossa vida. 

Em tempos de ânimos acirrados na política, na religião e em outras áreas, precisamos fazer o exercício de olhar atentamente para alguns sinais que podem nos ajudar a perceber a qualidade dos relacionamentos que estamos cultivando. Para nos auxiliar neste despretensioso teste, algumas perguntas que podemos nos fazer a partir da contemplação de Deus Uno e Trino:

  • O que tem me motivado a me aproximar das pessoas? Percebo naqueles que me cercam verdadeiros irmãos e irmãs? Estou disposto a ajudá-los sem preocupação em receber algo em troca?
  • Como tenho convivido com quem pensa e age diferente de mim? Busco um diálogo sincero e desarmado? Sou capaz de ouvir e considerar opiniões diferentes da minha?
  • Percebo no outro como um dom, um presente de Deus? Tenho maturidade para perceber que as pessoas têm sua liberdade e não são posse minha
  • Faço-me disponível e acessível para quem vem ao meu encontro? Busco tratar a todos com respeito e cortesia? Procuro praticar a humildade ou tenho a tentação a me julgar superior?
  • Como me comporto nas redes sociais? Excluo com facilidade quem não confirma minhas ideias? Utilizo palavras ofensivas e grosseiras para me dirigir a quem pensa diferente de mim? Divulgo material que incita ódio, o preconceito e a exclusão?

Faça o teste! Não precisa divulgar o resultado. E lembre-se! Quando referencial é Deus, sempre temos algo a aprender e melhorar. Boa sorte e procure, com empenho, “trinitarizar” sua vida!

Frei Gustavo Medella


sexta-feira, 25 de maio de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: DEUS TRINO, EXPERIÊNCIA DE AMOR

                                                                                                                                               
HOMILIA DA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE 

Deus não é fechado em si mesmo. A Trindade não fica cultivando o carinho mútuo, no egoísmo narcisista. Pelo contrário, Deus é vida que se abre à nossa história. Nós cristãos cremos e experimentamos Deus que vem até nós e participa da nossa história: “Reconhece, pois, hoje e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima do céu e cá embaixo da terra, que não há outro além dEle” (Dt 4, 39). Deus habita o mundo com presença trinitária. E se Deus não se ausenta, não importam as trevas que possam assaltar, o Senhor está no meio de nós, caminhando ao nosso lado: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20).

A nossa história, portanto, estende-se como autocomunicação de Deus, que livremente age na história da salvação. A experiência da graça é comunicada no Filho; o Espírito Santo nos diviniza e nos faz experimentarmos a filiação do Pai, enquanto irmãos de Jesus Cristo e assumimos em nossa própria existência a vida divina: “De fato, vós não recebestes o Espírito de escravidão, para recairdes no medo, mas recebestes o Espírito que, por adoção, vos torna filhos, e no qual clamamos: Abba, Pai” (Rom 8,15).

A experiência de Deus Trino é uma experiência de amor. Deus vem habitar a história porque nos ama, porque nos quer para Ele. Ser habitado pela Trindade é viver esta experiência de amor. Portanto, o mistério trinitário não é reservado para os sábios e teólogos, mas para todo ser humano que fizer a experiência do amor. Quem não ama não pode entender o mistério da Trindade.

Diante do Deus da Trindade, primeiramente silenciamos e contemplamos o seu mistério. Num segundo momento, percebemos o dom trinitário em nós. Nossa relação com cada uma das pessoas é importante. O Pai nos lembra que Deus está acima de nós, dando a sua lei, manifestando a sua vontade. O Filho nos lembra que Deus está ao nosso lado, caminha conosco, dá a sua vida, ensina quem é o ser humano. O Espírito nos lembra que Deus está no meio de nós, é a voz divina no interior de nossos corações, a experiência de intimidade.


No encontro com o Deus Trindade, aceitamos livremente o dom de Deus e nos tonamos colaboradores de sua ação no mundo. Por isso no Evangelho deste domingo, Jesus nos convida à missão. A Trindade realiza a Missio Dei, vindo até nós e revelando seu plano de amor. De nossa parte, cabe-nos acolher o Deus Trinitário e anuncia-lo ao mundo: “Ide por todo o mundo...”  (Mt 28, 19). Nossa missão é fazer discípulos em nome da Trindade. O desejo de Deus é que todos sejamos seus discípulos.

Nossa alegria é a filiação divina, a graça do Espírito que habita em nós, o amor do Pai que reside em nosso coração, o seguimento ao Senhor Jesus, a vida de graça que acolhemos pelo olhar da fé, a nossa vida configurada à morte e ressurreição de Cristo. Esta alegria deve ser anunciada ao mundo. Queremos que todos descubram esta graça e participem desta vida nova no Senhor. Não faremos proselitismo aos não crentes, mas testemunharemos esta graça. Que todos possam descobrir a graça da vida trinitária, experimentando dentro de si o amor de Deus derramado em nossos corações. Vivamos o amor que sai de nós e seremos verdadeiramente imagem e semelhança da Trindade Santa.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


* Adquira os livros com as homilias completas!

Palavras sobre o Reino na vida a partir dos Evangelhos. São três livros: Ano Litúrgico A, B e C. Cada livro tem o valor de R$ 15,00. Kit com os três livros: R$ 30,00 + frete

sexta-feira, 18 de maio de 2018

MINHA MELHOR RECEITA - PARTE II – ROTEIRO DE ENCONTRO


Uma proposta para encontro com a família (mães)...

Sou catequista da paróquia São José Operário da cidade de Maringá no Paraná. Há algum tempo, eu e Regina Auada, convidamos as mães para participar do encontro de catequese em que trabalhamos o Ano do Laicato (sobre ser sal da terra e luz do mundo). Este roteiro de encontro foi publicado com o nome “Minha melhor receita”. Nesta oportunidade, pedimos que cada catequizando trouxesse escrito a sua melhor receita de bolo e as guardamos. Essas receitas foram fundamentais para refletirmos sobre o “colocar a mão na massa” e assumir a missão.

Aqui na paróquia, estamos quase encerrando o ano catequético e, as vésperas do dia das mães, nos pareceu uma boa oportunidade para nos reunirmos novamente. Convidamos então, as mães para um encontro.

Iniciamos o encontro de forma bem natural. Fizemos a acolhida. Depois a leitura do Evangelho do próximo domingo (Ascensão do Senhor). Cada mãe leu um versículo. Fizemos a reflexão, tentamos uma partilha.

Depois de encerrado esse momento, propusemos uma atividade diferente: Artesanato.

Preparamos o ambiente com mesas (utilizamos o salão da igreja para esta atividade) e as convidamos para se acomodarem ao redor. Algumas mães ficaram em pânico, outras acharam divertido e tudo foi se ajeitando.

Cada mãe recebeu o seu kit de trabalho: um caderno encapado com tecido, recortes em feltro, agulha, linha, pluma, cola, canetinha. A Regina conduziu toda essa atividade.

A proposta era construir um caderno de receitas, mas, a intenção principal mesmo era interagir mãe com mãe, mãe com filho, catequizando com catequizando, família com catequista. E foi aquela bagunça: filhos e mães tentando fazer algo novo e tentando se ajudar de todas as formas. Foi uma tal de “me passa a cola, a canetinha, a linha…”.

Neste caderno foram coladas todas as receitas de bolo que foram guardadas daquele outro encontro. Eu as digitei e imprimi uma cópia para cada mãe. Criamos daí um tesouro, pois reunimos em um mesmo caderno, um pouco de cada família e um pouco de nós.

Silvana Chavenco Santini
Regina Celia Fregadolli Auada
Paróquia São Jose Operário – Maringá – PR

* O primeiro encontro da Silvana e da Regina foi publicado em 20 de fevereiro de 2018 e pode ser encontrado AQUI .







 Fotos: Silvana e Regina

quinta-feira, 17 de maio de 2018

CHAMADO À SANTIDADE...

O Papa Francisco sobre o chamado à santidade no mundo atual...

Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco indica, entre outros, as características "indispensáveis" para entender o estilo de vida da santidade: "perseverança, paciência e mansidão", "alegria e senso de humor", "audácia e fervor". O caminho da santidade vivido como caminho "em comunidade" e "em constante oração".

Assista...



És daqueles que não se contentam com uma existência medíocre?

O Papa Francisco escreveu-te uma carta de muitas páginas.

É uma mensagem para quem, como tu, vive os riscos, desafios e oportunidades de hoje.

Para quem cria os seus filhos com amor, quem trabalha a fim de trazer o pão para casa,

as pessoas idosas, as pessoas consagradas, quem se prepara para o futuro.

Porque todos somos chamados a ser santos. Tu também, sabias?

O que não significa pensar que és melhor do que os outros porque sabes ou fazes mais.

Nem também o cumprimento cego de regras sem amor.

Mas significa confiar na graça para poder alcançar a santidade.

Jesus mostra-te o caminho. Jesus é o caminho.

Segui-lo, hoje, é andar em contracorrente.

É não ignorar os sofrimentos e as injustiças deste mundo.

É ser audaz, lutador, humilde e ter sentido de humor.


Gaudete et Exsultate - Exortação Papa Francisco: BAIXE AQUI o documento completo.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

QUAL É A SUA MISSÃO E SEU PROPÓSITO?



Desde ontem estou aqui me debatendo com um assunto deveras preocupante: Um amigo me pediu sugestões de formação para que conseguisse tocar numa "ferida" bem aberta nossa: a falta de comprometimento e engajamento de muitos catequistas com a missão. E isso vem de encontro a missão e propósito. Que nada mais são do que o que quero fazer e como vou fazer para chegar onde quero.

E acho que nem preciso me aprofundar muito no que seria isso: o catequista não engajado e não comprometido é aquele que está lá, na catequese. “LÁ” mesmo: na sala. Sair, nem pensar! Está só na hora do encontro e quando muito, na missa do final de semana (fica feio não ir!). Além disso ele está acima da necessidade de formação e de comparecer em reuniões: sabe tudo! E não precisa saber de recado nenhum e nem planejamento nenhum, porque é ele com ele mesmo e só.

Como sei disso? Ora, o que acham do grupo de catequistas que gerimos no Facebook com mais de 3.500 pessoas, todas envolvidas diretamente na catequese, cujos participantes ativos, "ativos" mesmo, que curtem, comentam, aparecem, questionam, discutem... não passam de 200? Toda semana recebemos de 100 a 150 pedidos... E tem gente que faz parte de mais de 200 outros grupos!!! Bom, nem preciso dizer que estes nem são notificados de que precisam preencher um cadastro. É pura e completa perda de tempo e energia. Para estes, os grupos de catequese na internet são "páginas amarelas" onde se busca roteiro de encontro. De preferência descrito em suas minúcias e com molde e desenho até da disposição das cadeiras no encontro.

Enfim... O que será que poderíamos fazer e falar para estes catequistas? Isso se eles fossem numa formação...

Pela minha experiência de palestras por aí eu diria que "falar", palestrar ou discorrer um tema, seja ele qual for; é perder o verbo, o substantivo, o pronome e tudo que diga respeito a linguagem. Quando a pessoa que nos escuta NÃO ESTÁ CONVERTIDA, pode se falar à vontade! Entrará por um ouvido e sairá pelo outro.

COMO??? Tem catequista não convertido?? Isso mesmo gente! Existem as pencas! Não temos “católicos de ocasião” de punhado? Podem acreditar que temos catequistas também! As (os) coordenadoras (es) vão ratificar isso, tenho certeza. Algumas pessoas se engajam numa religião por questões puramente "sociais". A Igreja meio que vira um lugar onde o "pessoal frequenta". E participar de uma pastoral se transformar numa forma de aparecer à sociedade.

É como frequentar um clube. É meio chato não ir ao clube com as amigas ou amigos, não é? Ah! E tem no meu grupo de amigas, algumas que se reúnem toda semana para jogar canastra (buraco, pontinho, tênis, sei lá...). Não posso deixar de participar disso também! E como é um "clube", que frequento socialmente, se aparecer um passeio mais interessante ou uma viagem para o dia do jogo, posso muito bem cancelar o desta semana, não posso?
Nada ver com o encontro semana de catequese, né?

E assim, meus queridos, nos aparecem catequistas às vezes. Cujo entendimento da catequese é esse: um evento social onde compareço porque fica "bem para minha imagem" e não vou se meu "horário do salão" coincide com ele. Estes são os (as) não engajados e não comprometidos.

Devemos excluir de vez estes catequistas? Claro que não! Alguma formação eles (elas) têm, algum preceito católico, mesmo que seja lá no fundo, estas pessoas possuem. Falta "provocar" isso, trazer para fora. Mostrar que há um mundo "novo" a se conhecer. São pessoas para s "evangelizar"!

Vamos a solução! Qual? Vamos fazer INICIAÇÃO CRISTÃ com nossos catequistas não comprometidos. Simples, muito simples! Vamos mostrar que existe uma "pessoa" que está doida para encontrá-la: JESUS! E para trabalhar pela "causa do Reino", é preciso conhecer o "Rei". Como se faz isso? Isso vamos deixar para a próxima...

Se não fosse tão complicado. "Justo quando tenho aniversário da prima do cunhado da minha irmã para ir!?"

E tem outra questão mais grave ainda: Quando são os líderes que não são comprometidos! E por líderes, me refiro aos coordenadores (as) e padres. Aí é complicado. Catequistas engajados e comprometidos veem seus esforços podados antes mesmo de brotar. E o catequista quer fazer e acontecer e são os líderes que não querem nada, são os coordenadores e padres que não animam.

Mas, por que EU não posso liderar? Em minha opinião, qualquer pessoa pode ser um líder. Claro que algumas já nascem com esse dom e essa característica em suas personalidades, mas, isso também pode ser construído. Se eu vejo que alguma coisa pode ser mudada e eu sei como mudar, por que não posso tomar a iniciativa e "provocar" essa mudança? Um líder não precisa estar num “cargo” para ser "líder" e influenciar as pessoas. Uma das características da liderança é saber “convencer”, além de ser, é claro, o que se faz na evangelização.

Em minha trajetória na catequese, já estive em várias paróquias e dioceses. Em algumas, minha capacidade de “convencimento” não foi lá muito bem e confesso que não tive sucesso. Tudo isso porque eu não me contentei em "aceitar" as coisas como elas são quando estão ERRADAS. Eu cobro, eu luto, eu brigo para mudar as coisas... e se não consigo, sigo o conselho que Jesus deu aos seus discípulos quando os mandou sair a evangelizar: Quando não querem mesmo me ouvir, bato o pó das sandálias e parto para outro lugar. Existem muitos lugares que precisam de catequistas, que precisam de evangelizadores. E evangelizar não é "sofrer" e "padecer". Evangelizar é ser feliz. Não abracei esta missão para ser crucificada; Jesus já fez isso por mim, para que eu tivesse liberdade de sair pelo mundo espalhando a sua Palavra. Ninguém aguenta ser catequista e viver eternamente contrariada, triste, frustrada... A gente vai servir para se completar, não para se diminuir. E também não concordo com aquilo de que estou lá "para Jesus"... Eu estou lá para as pessoas! Jesus quer que eu mude AS PESSOAS e se as pessoas não me querem e não me escutam, tem quem me quer e quem vai me escutar, com certeza!

Ângela Rocha
Catequista em Formação



SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO