quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

BATISMO DE CRIANÇAS EM IDADE DE CATEQUESE


Não é incomum, termos crianças inscritas na catequese que chamamos de “Eucaristia”, que ainda não receberam o batismo. Seja pela conversão tardia do pais ou abandono temporário da fé, seja por outro motivo. Consideremos aqui, que esta é, sem dúvida, uma oportunidade para convidar a família para o Catecumenato de Adultos, mesmo que os responsáveis/pais já tenham recebido todos os sacramentos da iniciação.

Como tratar a iniciação destas crianças e a que tempo deve ser o batismo destas crianças, é uma dúvida comum dos catequistas.

Observemos que, normalmente, cada diocese tem orientações para a sua Igreja Particular, a respeito dos sacramentos, que devem ser observadas. Estas orientações ou fazem parte dos Diretórios Litúrgicos, sacramentais ou catequéticos. Abaixo citamos as orientações da Arquidiocese de Curitiba que comumente, coincide com as de outras dioceses. Mas, antes de estabelecer normas no seu Diretório ou itinerário paroquial, é bom buscar as informações e orientações do Bispo de sua diocese.

O Diretório Arquidiocesano de Curitiba orienta o seguinte em seu Art. 41:

“Uma criança não batizada, que tenha idade suficiente para ser catequizada, só pode ser aceita para o batismo depois de pelo menos um ano de catequese. Com a devida preparação para este sacramento”.

Ainda no Art. 41, parágrafo único: (...) completados os 7 anos, desde que tenha uso da razão, a criança não deve ser batizada segundo o ritual para o batismo de crianças. (“Criança” nesse caso, é a pessoa que ainda não atingiu os sete anos, idade da razão segundo orientações do CIC  Cân 97 e 99).

Ou seja, os ritos do batismo são os do catecumenato (RICA), onde há um capítulo com orientações para o batismo de crianças em idade de catequese.

Apesar desta disponibilidade do Diretório Arquidiocesano, em se batizar as crianças com pelo menos 01 ano de catequese, vemos que, com apenas um ano elas ainda não estão preparadas para receber o sacramento. E é bom observar também que os pais, nestes casos, precisam de uma “iniciação à vida cristã” também.

Ao se prever o Batismo de crianças em idade de catequese, que cada comunidade/paróquia busque antes as orientações do seu Bispo, adequando da melhor forma possível, o sacramento ao processo de iniciação a vida cristã destas crianças e suas famílias.

Observe que a orientação na Arquidiocese de Curitiba de “no mínimo um ano de catequese”, nos dá a liberdade de colocar o sacramento conforme a evolução e amadurecimento da criança. Observamos assim, que o “ideal” é que o batismo das crianças na catequese, seja feito na 3ª Etapa, próxima ou junto da primeira eucaristia, onde já se nota uma maturidade maior por parte das crianças e também os pais, que já caminharam com as crianças nas 3 etapas da iniciação, não só acompanhando os filhos à Igreja como participando da catequese familiar.

Como se dá a catequese sobre o Batismo nas várias etapas:

- Na 1ª Etapa, o subsídio “Crescer em Comunhão” prevê um encontro sobre o Batismo de Jesus*, mas, sem conversar sobre o Rito e sem fazer preparação alguma. Como atividade pede-se que as crianças perguntem aos pais sobre o dia do batismo e comparem com o dia do nascimento civil (aqui trabalhamos a “identidade deles, quem eles são), perguntado aos pais para que serve os dois documentos. Não há aqui nenhum aprofundamento com objetivo de “batizar” as crianças não batizadas, mas, deve ser considerada como uma oportunidade para despertar os pais a respeito do batismo e também inserir o tema na catequese familiar. Começa aí a conscientização da importância do sacramento do batismo e a preparação (iniciação) dos pais das crianças não batizadas.

* Aqui a (o) catequista deve ter o cuidado de não gerar constrangimento ou expectativas nas crianças não batizadas. Elas não podem se sentir preteridas junto aos demais e sim, especiais porque vão participar ativamente do rito e ter os amigos junto com elas. Interessante é que se faça uma “pesquisa” antecipada antes de preparar o encontro. É um tempo de graça para todos e como tal deve ser considerado. Reforçando o que pede nossa Igreja:  que a catequese seja “iniciação à vida cristã” e não um curso preparatório para o sacramento.

- Nosso itinerário catequético e o subsídio Crescer em Comunhão, preveem a “catequese dos sacramentos” na 3ª etapa, onde se trabalha nos encontros, os sacramentos da Iniciação: focando o batismo, seus ritos e suas consequências, a Confirmação e a Eucaristia, agora como sinais da graça.

O ideal é que os pais participem dos encontros de batismo, também nesta fase. Aqui há mais maturidade da criança também com relação ao ensino dos conteúdos da fé.

OBS. O Diretório Arquidiocesano pede em seu Art. 34: que pais e padrinhos devem participar de encontros antes do batismo, preparados pela equipe da Pastoral do Batismo. E que esta preparação tenha inspiração catecumenal.

Os sacramentos como parte do processo de Iniciação à Vida Cristã:

A orientação da nossa Igreja, atualmente, é que se se utilize o processo catecumenal de Iniciação à Vida Cristã na catequese, e uma das observações que o Documento 107 da CNBB, recentemente publicado, faz, é que se busque a volta da “unidade” dos sacramentos, separados quando a Igreja começou a batizar os recém-nascidos. Ou seja, é uma oportunidade para que nossas crianças tenham a unidade dos dois sacramentos batismo e eucaristia, feitos, preferencialmente no tempo pascal.

Observemos que ao se batizar uma criança assim que ela comece a catequese, na 1ª etapa, ela ainda não está preparada para este sacramento, e ela tem condições de sê-lo ao longo da catequese junto com as demais crianças. Sem contar a maturidade cristã que ela vai adquirindo e o fato de que seus pais tem a “catequese familiar” também.

O rito do batismo das crianças da catequese se reveste de um momento único, tanta na vida da criança a ser batizada, quando na vida dos seus companheiros de turma, que podem acompanhar e ajudar o catecúmeno (não batizado) neste processo.

INSTRUÇÕES do RICA – Ritual de Iniciação Cristã – Cap. V – Rito de iniciação de crianças em idade de catequese

307. A iniciação dessas crianças supõe tanto a conversão e seu amadurecimento progressivo de acordo com a idade com o auxílio da educação necessária a essa idade. Deve, pois, ser adaptada ao itinerário espiritual dos candidatos, isto é, ao seu crescimento na fé, como à formação catequética que vão recebendo. Por isso, como a dos adultos, a iniciação deve prolongar-se, se for necessário, por vários anos, antes de se aproximarem dos sacramentos, distribuindo-se por diversos degraus e tempos com seus ritos próprios.

310. No que se refere ao tempo das celebrações, é para desejar que, na medida do possível, o último tempo da preparação coincida com o Tempo da Quaresma e que os sacramentos sejam celebrados na Vigília pascal. Mas antes de as crianças serem admitidas aos sacramentos nas festas pascais, tenha-se em conta se elas estão nas devidas condições e se o tempo para a celebração desses sacramentos está de acordo com o grau da instrução catequética que tiveram. Com efeito, procure-se, tanto quanto possível, que os candidatos se aproximem dos sacramentos da iniciação na mesma altura em que os seus companheiros já batizados são admitidos à Confirmação e à Eucaristia.

Aqui vemos, portanto, que o ideal é que se procure batizar as crianças em idade de catequese, quando estas se encontrem preparadas para receber também, a Eucaristia. Que se pese se a Vigília Pascal é o Tempo ideal, conforme os costumes da comunidade. Caso não seja, que a data do batismo dessas crianças seja marcada em outra oportunidade.

Importante é que se procure observar os aspectos referente à Iniciação à Vida Cristã, tanto das crianças, quanto dos pais ou responsáveis, sem atropelo, de forma que o sacramento do batismo seja acompanhado com a dignidade que ele merece.

Ângela Rocha

FONTES:

Crescer em Comunhão. Volume 1. Petrópolis: Vozes, 2014.
Crescer em Comunhão. Volume 3. Petrópolis: Vozes, 2014.
Diretório Arquidiocesano de Iniciação à Vida Cristã. Curitiba: Editora Arquidiocesana, 2013.
CNBB. Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários – Documento 107. Brasília: Edições CNBB, 2017.
RICA – Ritual de Iniciação de Adultos. Sagrada Congregação para o culto divino. São Paulo: Paulinas, 2003.


Conheça mais sobre o BATISMO em:


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A LEITURA ORANTE APLICADA AO ENCONTRO: UMA PROPOSTA

Neste artigo: sugestão de dinâmica para leitura orante no encontro catequético, orientação sobre os passos da leitura orante, cartão para impressão. Praticamente, uma "aula" sobre Leitura Orante" nos encontros de catequese.

A gente escuta muito que “catequese não é escola”. Realmente não é! Mas, nem por isso podemos prescindir de uma certa “metodologia de ensino”. Na verdade, fórmulas e métodos para que o “anúncio” da palavra chegue aos corações e intelecto dos nossos catequizandos. E para isso precisamos de CRIATIVIDADE!

Outro dia eu vi esta imagem:

É um recurso utilizado por professores nas aulas de português. Não sei exatamente como é a dinâmica na aula, mas, achei bem interessante. E fiquei pensando que, tal como nas aulas de português, temos “textos”, “frases” e “palavras” nas leituras bíblicas de nossos encontros. E a forma com que as caixas foram dispostas me fez lembrar os “degraus” da Leitura Orante.

Assim como temos “degraus” a subir no método da leitura orante, podemos também, da mesma forma, fazer o inverso, “subir” até o texto bíblico, partindo de simples palavras, que constroem frases, que constroem VIDA (Escrituras), que é ao que o Evangelho nos remete: viver a vida conforme os ensinamentos de Jesus Cristo.

E a cabeça começou a pensar a mil...

ROTEIRO DO ENCONTRO:

1 - Use 3 caixas de sapato, encape com papel colorido e com a ajuda dos rolos internos de papel toalha, também encapados; monte a estrutura mostrada na foto, em cima de um papelão encapado. Decore cada uma das caixas como na figura.

2 - Reproduza o texto bíblico que vai ser trabalhado no encontro (ou imprima a indicação do texto a ser procurado na Bíblia em número suficiente para todos);
3 - Providencie papel para todos;

4 - Coloque na caixa de cima (“Textos), ou o texto bíblico a ser trabalhado ou um texto que ilustre com uma história ou reflexão a leitura bíblica. Também pode colocar somente a indicação do texto a ser lido. Ex.: Lucas 15, 11-32. (Cfe. orientação 2);

5 – Escolhida a forma de divulgar o texto, vamos ao 1º DEGRAU da “leitura orante”, conforme indicação no texto abaixo;

6 – Ainda com o método da “leitura orante” (2º DEGRAU), peça que seus interlocutores (catequizandos), destaquem uma frase que lhe chamou a atenção no texto. As frases devem ser escritas no papel e colocadas na caixa correspondente;

7 – Promova a discussão a respeito do que cada um destacou. Depois de cada um se manifestar, a frase ou frases escolhidas, devem ser colocadas na caixa correspondente (*);

8 – Depois de feita a “meditação” e a “reflexão”, leve-os ao 3º DEGRAU da leitura orante, incentivando a “oração” silenciosa de cada um;

9 – Chegando ao 4º DEGRAU: Tente fazê-los trazer o texto e as frases destacadas, para a sua realidade. Como as palavras ditas podem ser colocadas nos dias de hoje, de maneira a nos transformar em discípulos missionários de Jesus Cristo.

10 – E da nossa leitura orante, resultam PALAVRAS. Peça que cada um, coloque numa palavra, os sentimentos que teve ao fazer a leitura, tentar compreender o texto, meditar, orar, colocar o texto em sua vida. Esta palavra deve ser colocada na caixa correspondente.

11 - Finalize o momento com preces espontâneas. Deixe as “palavras” deste encontro na caixa, para serem utilizados no próximo encontro, ou no final de uma etapa ou tempo. (**)

12 - Antes de iniciar as leituras, no encontro seguinte, faça com que cada um, pegue uma PALAVRA aleatória da caixa. E pense nela aplicada ao “seu” sentimento naquele momento. Corresponde? Sim? Não? Por que? O que foi discutido? Que mensagens ficaram guardadas no coração?

13 - Caso faça a opção de deixar as palavras irem se acumulando até o final de uma etapa, assunto ou fase, peça que olhem as “palavras” que estão ali e tentem lembrar a que se referiam, quais leituras foram feitas, que mensagens se tirou delas, etc.

Objetivos:

(*) Destacar frases do texto, faz com que se memorize mais facilmente as leituras, que elas fiquem gravadas na memória e no coração;
(**) Deixar as “palavras” para encontros seguintes, ajudam a fazer memória do que foi lido e meditado.

OBS: Esta dinâmica pode ser usada em qualquer encontro, mas, veja a idade e a capacidade de interpretação de seus catequizandos. Sugere-se utilizar com adolescentes na catequese de crisma ou na última etapa da Eucaristia.

TEXTO DE APOIO:

A LEITURA ORANTE DA PALAVRA NA PRÁTICA


O método da “Leitura Orante” ou “Lectio Divina”, foi criada pelo monge Guigo II, no século XII e sugere a ideia de uma escada que nos ajuda a subir até Deus. É preciso um pouco de “abstração” e capacidade de se entregar à leitura e a meditação. A seguir, os quatro degraus que somos convidados a subir. 

1º DEGRAU – LEITURA O QUE O TEXTO NOS DIZ?

1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto significaria na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto. Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?
4. Nesse degrau, pode ajudar um subsídio que faça compreender melhor o contexto e o sentido do texto.

2º DEGRAU – MEDITAÇÃO O QUE DEUS QUER NOS DIZER COM ESSE TEXTO?

1. Destaque os versículos mais fortes para você (sem tentar interpretá-los, sendo fiel às palavras do texto).
2. Atualize o texto, comparando a situação da época com a situação atual. Procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua, a nossa vida cristã.

3º DEGRAU – ORAÇÃO O QUE ESSE TEXTO ME FAZ DIZER A DEUS?

1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual somos convidados a falar com Deus, através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa de Ávila). É necessário silêncio...  

4º DEGRAU – CONTEMPLAÇÃO CONTEMPLAR É VER A VIDA COM OS OLHOS DA FÉ.

Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas, como seguir Jesus, a partir desse texto? Para “fazer” antes é preciso “ser”, transformar-se, dando resultado a um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.

- Encerrar o encontro com um salmo que represente o que foi lido;
- Agradecer a trindade Santa a experiência na oração;
- Rezar um pai Nosso.

Buscai na leitura, encontrareis pela Meditação. Batei à porta da Oração, vós encontrareis na Contemplação”. (Guido II).

Ângela Rocha

LOGO ABAIXO, uma orientação mais “didática”, criada por D. Antônio Peruzzo, arcebispo de Curitiba, com os passos da leitura Orante. Estas orientações estão numa linguagem que favorece a interação com crianças e adolescentes e podem ser aplicadas à dinâmica das caixas sugerida acima.


PASSOS DA LEITURA ORANTE DA PALAVRA

Por D. Antonio Peruzzo – Arcebispo de Curitiba PR


1 – Pacificação interior/consciência do corpo:
Relaxamento de 5 a 7 minutos.

2 – Perdoar ou pedir perdão a Deus:
Caso eu não consiga, pelas minhas próprias forças, assumir disposições pessoais ao perdão, então a súplica é que venha o Senhor Deus, perdoar em mim. Se eu não consigo, Ele consegue perdoar.

3 – Invocação ao Espírito Santo:
Oração pessoal, direta. Pedir ao Espírito Santo que ilumine a mente, os afetos, a vontade. Tudo para compreender bem a Palavra por Ele inspirada.

4 – Ler atentamente, lentamente, o texto escolhido do Evangelho:
Ler várias vezes. Fixar-se nas palavras ou frases de maior ressonância.

5 – Imaginar o cenário da leitura do Evangelho:
Ambiente, pessoas, fisionomias, disposições interiores, reações.

6 – Inserir-se no cenário, tornando-se um dos protagonistas:
Identificar minha história pessoal, meus problemas, meus pecados, minhas belas experiências, com aquelas dos personagens do texto. Ex. Minhas “lepras”, minhas “paralisias”, minhas “cegueiras”.

7 – Aplicar a si mesmo as palavras pronunciadas por Jesus:
As palavras valem para mim: sua ordem, seu pedido, sua recomendação, sua exigência. Mas, especialmente, sua amizade, sua pessoa.

8 – Minhas palavras de adesão / propósito:
Que não sejam palavras marcadas por interesses subjetivos de natureza egocêntrica. Mas, fundamentalmente, palavras de adesão e de seguimento.

* * * *

ANEXOS:

Aqui, os mesmos passos da leitura orante, são adaptados aos "passos" de um encontro:

Proposta de Iniciação à Vida Cristã à luz da Leitura Orante – Diocese de Joinville –SC.

CARTÃO PARA IMPRESSÃO:

Frente:
Verso:

O QUE SIGNIFICA EVANGELIZAR?

Nos tempos atuais tão marcados pelo marketing, começamos a duvidar daqueles que nos prometem algo de bom. Neste contexto, o verbo “evangelizar” do Novo Testamento pode trazer-nos algum receio. Temos vergonha de propor a nossa a fé a outra pessoa, como se estivéssemos tentando vender algo. E estamos tão preocupados em respeitar os outros que não queremos dar a impressão de que tentamos impor as nossas ideias ou convencê-los, especialmente quando se trata de uma questão tão íntima como a da confiança em Deus.

Mas será que sabemos realmente o que o Novo Testamento quer dizer com “evangelizar”?

Em grego, o verbo é utilizado para resumir a expressão “anunciar boas notícias”: alguém que é evangelizado é, basicamente, alguém a quem “foi dado a conhecer”. Pode ser usado para anunciar um nascimento, um armistício ou um novo líder. Não tem, por si só, um significado religioso. No entanto, e apesar de ser quase um lugar-comum, foi esta a palavra escolhida pelos cristãos para descrever o aspecto mais precioso da sua fé: o anúncio da ressurreição de Cristo. O que é interessante é que, gradualmente, a palavra perdeu o seu complemento. Não se dizia “dar a conhecer a alguém a ressurreição de Cristo”, mas, simplesmente, “evangelizar alguém”. Além de ser para poupar tempo, o desaparecimento do complemento tem também um significado mais profundo.

Para os cristãos, proclamar a Boa Nova da ressurreição de Cristo não é falar de uma doutrina que deve ser decorada ou de qualquer aspecto sapiencial para ser meditado. Acima de qualquer outra coisa, evangelizar significa ser testemunha de uma transformação que ocorre dentro do ser humano: pela ressurreição de Cristo já se iniciou a nossa própria ressurreição. Ao mostrar um respeito infinito por todos aqueles que encontrou (visível nas curas que encontramos nos Evangelhos), ao assumir o lugar mais baixo para que, desse modo, ninguém pudesse estar abaixo dele (é o significado do seu batismo), Jesus Cristo devolveu valor e dignidade a cada pessoa. Mais do que isso, Jesus esteve conosco na morte para que nós possamos estar perto dele na sua comunhão com o Pai. Com esta “admirável permuta de dons” (liturgia da Páscoa), descobrimos que somos plenamente aceites em Deus, plenamente acolhidos por ele, tal como somos. Os cristãos dos primeiros séculos resumiram tudo isto dizendo: “Deus tornou-se homem para que o homem se pudesse tornar Deus! ”

Evangelizar não significa, portanto, em primeiro lugar, falar de Jesus a alguém, mas, a um nível muito mais profundo, fazer com que essa pessoa perceba o valor que tem para Deus. Evangelizar é comunicar estas palavras de Deus que surgem cinco séculos antes de Cristo: “És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te” (Isaías 43,4). Desde a manhã de Páscoa, sabemos que Deus não hesitou em dar-nos tudo, para que nunca nos esqueçamos do nosso valor.

Podemos “evangelizar” alguém ao mesmo tempo que respeitamos a sua liberdade?

Fazer com que as pessoas percebam o seu valor para Deus não é uma opção. São Paulo chega mesmo ao ponto de dizer “Ai de mim, se eu não evangelizar! ” (1 Coríntios 9,16). Para São Paulo, a evangelização surge como a consequência direta da sua ligação a Cristo. Pela sua ressurreição, Cristo une-nos a Deus de um modo inseparável. Mais ninguém pode se sentir excluído desta união. E, ao mesmo tempo, a humanidade já não se encontra fragmentada: desde a ressurreição, pertencemos uns aos outros.

No entanto, a questão mantém-se: como podemos anunciar essa Boa Nova a quem não conhece nada de Deus e parece nada esperar de Deus?

Primeiro de tudo, pela nossa própria ligação a Cristo. São Paulo disse: “Vós vos revestiste de Cristo” (Gálatas 3,27). A evangelização apela a que comecemos por nós próprios. É, sobretudo, com a nossa vida, e não com palavras, que damos testemunho da realidade da ressurreição: “Assim posso conhecer a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos” (Filipenses 3,10-11). É pela nossa certeza, pela nossa alegria serena em saber que somos amados por toda a eternidade, que Cristo se torna credível aos olhos daqueles que não o conhecem.

Porém, há situações em que as palavras são necessárias. São Pedro diz isso muito bem: “Estai sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir” (1 Pedro 3,15). É claro que falar de um amor íntimo requer muita sensibilidade e, por vezes, é difícil encontrar as palavras corretas, especialmente em situações em que a fé é fortemente posta em questão. Jesus tinha consciência disso e disse aos seus discípulos: “Quando vos levarem (…) às autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, pois o Espírito Santo vos ensinará, no momento próprio, o que deveis dizer” (Lucas 12,11-12).

Porque Cristo se revestiu da nossa humanidade e nós nos revestimos de Cristo, nunca deveríamos ter medo de não saber como falar. A vocação cristã de acolher todos sem discriminação, em detrimento de escolher apenas aqueles que amamos, tem em si uma generosidade que é tocante e, mais do que isso, que cobre o outro com a vida de Cristo. Enquanto servos, partilhamos o nosso manto com aqueles a quem servimos, à semelhança do próprio Cristo que, quando lavou os pés dos seus discípulos, “tirou o manto” (João 13,4). É, acima de tudo, a gratuidade dos nossos atos que falará por nós e que dará autenticidade às palavras que proferimos.


FONTE: https://www.taize.fr/pt_article4935.html


"Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência"
(1Pedro, 3, 15-16)


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

SOBRE A "PERMANÊNCIA" DOS NOSSOS ADOLESCENTES E JOVENS NA IGREJA...


E não é de hoje que ouço falar nisso como um "problema" quase que geral das nossas comunidades.

É certo que a grande maioria dos adolescentes "debanda" da Igreja após o sacramento da Crisma. E isso acontece pelo simples fato de que a evangelização destes, não está completa. E nem poderia estar pelo fato de que eles ainda são muito jovens e ainda não tem maturidade para pensar ou se envolver no "seguimento" que a Igreja pede. Nem mesmo um adulto está preparado para viver o "vem e segue-me", que dirá uma criança!

Mesmo em dioceses onde os bispos colocaram a catequese de crisma um pouco mais tarde, aos 15, 16 anos; vemos que a adesão não é completa e muito menos leva a um seguimento 100%. Esporádico e tardio, muitas vezes.

Onde vemos iniciativas bem-sucedidas de grupos de jovens e adolescentes, percebemos que, muitas vezes, ela depende de lideranças comprometidas, que se esforçam para que os grupos perseverem... Mas, estas lideranças "crescem", deixam de ser adolescentes e jovens e passam a ser adultos um dia. Se não há uma preocupação para que outros jovens substituam estas lideranças, os grupos "morrem".

Outra coisa que se pode perceber, é que os crismandos que aderem a estes grupos são, na verdade, filhos de famílias que estão na Igreja: ministros, catequistas, agentes de pastoral, paroquianos fiéis. Ou seja, há um suporte familiar e uma certa "tradição" por trás disso. Sem o apoio da família, a cumplicidade de amigos com as mesmas afinidades, os jovens acabam procurando outras atividades mais ao "gosto" do mundo secularizado.

O que não podemos fazer é nos achar "fracassados" se nossos adolescentes simplesmente somem da Igreja. A evangelização não é só "responsabilidade" do catequista. Ela precisa de vários fatores conjuntos: Um anúncio e uma pré-evangelização dada pela família ou grupo onde vivem; um apoio irrestrito de lideranças eclesiais e; a oportunidade de "serviço" para que o seguimento a Cristo aconteça.

Em nossa falácia de "sumiram após o sacramento", muitas vezes não pensamos que para "ficar", é necessário ter um "aonde". E esse lugar, não é em grupos e pastorais que trabalham exclusivamente em seus "quadrados", não é em grupos formados por "panelinhas" sem abertura para o novo, para aquele que chega e nem sempre faz parte da "gangue".

Não considero difícil fazer com que um adolescente permanecer na Igreja. Difícil é fazer dele um adulto "comprometido" com a sua fé, uma pessoa de fé "madura", que não balance ao sabor de ventos contrários.

Ângela Rocha



REFLEXÃO PARA O 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO B


TODO DIA É DIA, TODA HORA É HORA…

Frei Gustavo Medella

O Senhor vive chamando…  Esta é a constatação que perpassa os textos bíblicos da Liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum. Na leitura do Livro de Samuel (1Sm 3,3b-10.19), o chamado é de viva voz, atinge a audição e vem na madrugada, quando o menino Samuel se encontra no estado entre vigília e sono. Meio entorpecido, por duas vezes atribui o chamamento a Eli. Este, mais experiente na caminhada de fé, orienta Samuel a abrir ainda mais os ouvidos para perceber que quem o chama é o próprio Deus. O texto também nos reforça a convicção de que o Senhor é insistente em seu chamado e nos dá a consciência de que, entorpecidos pelas preocupações do dia a dia, pela falta de fé e também condicionados pelo medo ou pelo egoísmo, nem sempre conseguimos discernir com clareza como e para que somos chamados. O episódio ilustra que, para bem ouvirmos o apelo do Senhor em sua essência, podemos –  e devemos – contar com a ajuda e o discernimento uns dos outros.

A bela oração do Salmo (Sl 39(40)) apresenta a boa disposição de quem aprende na vida a atender o convite de Deus: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor”. O prazer, força que mobiliza, e às vezes escraviza o ser humano, quando direcionado à fidelidade ao projeto divino, é fonte de alegria e realização.

No Evangelho (Jo 1,35-42), o apelo de Jesus é ao olhar: “Vinde e vede”. O convite do “Cordeiro”, lançado aos dois discípulos de João, mobilizou-os decisivamente. No entardecer da vida, diferentemente de Samuel (chamado de madrugada, quando ainda menino), estes dois homens que aderem ao projeto de Cristo vêm nos mostrar que, qualquer que seja o horário do dia (no caso deles, às quatro da tarde), ou a fase da vida (eles já eram adultos), o Senhor nos chama a permanecer com Ele e pacientemente espera de nós uma resposta de adesão.


FONTE: www.franciscanos.org

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