segunda-feira, 22 de maio de 2017

SHEMÁ - ROTEIRO PARA ENCONTRO


"Shemá (ouve), ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh. Portanto, amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda tua alma e com toda a tua força. Que estas palavras que hoje te ordeno estejam em teu coração! Tu as inculcarás aos teus filhos e delas falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tu as atarás também à tua mão como um sinal, e serão como um frontal entre os teus olhos; tu as escreverás nos umbrais da tua casa e nas tuas portas." 
Deuteronômio 4-9 (Bíblia de Jerusalém)

Deuteronômio significa “Segunda Lei” em grego. O nome em hebraico é Debarim, plural de Dabar (palavra), e significa “Estas são as palavras”. Essa passagem do livro é fundamental na fé judaica.
Nela encontramos a essência da catequese pela exortação “Shemá” (escuta) onde: Deus é o único Deus e devemos amá-lo de todo coração, com toda a nossa alma e com toda nossa força. É preciso transmitir essa fé aos nossos filhos e aos filhos de nossos filhos. O amor de Deus deve estar em todos os nossos momentos. Sentado em casa (em família), na vida social (andando pelo caminho), no repouso (deitado) e na atividade (de pé). O amor deve ainda penetrar em todas as nossas ações (mãos) e intenções (olhos), tanto na vida particular (batentes da casa) como nos vários setores da sociedade (portas da cidade).
Depois de uma aula no curso bíblico, curiosamente me debrucei sobre o Deuteronômio, quinto livro do Pentateuco. E ali percebi que as tradições da nossa Igreja, herdadas do povo de Israel, são o patrimônio vivo de um passado distante, e que estas tradições dão a esse povo um sentimento de unidade, lembram de seus antepassados e são o sustentáculo da sua fé. Muito mais de que uma "lei", o Deuteronômio é um livro "histórico", mas, não devemos só focar na lei e sim da história viva de um povo e suas tradições. Orgulha-me, mesmo não sendo judia, ter herdado um pouco da vivência de fé deste povo. Essa passagem constitui a profissão de fé central do monoteísmo judaico e assim, também, da nossa fé. Precisamos transmitir às nossas crianças o valor desta tradição. Dessa forma, estaremos lembrando do 1º Mandamento e também reforçando a importância de uma "profissão de fé" (para nós o "Credo Apostólico") na nossa vida, que nos guie e oriente.

A FÉ JUDAICA

O povo judeu reza o Shemá, duas vezes ao dia, de manhã e ao anoitecer. E é costume cobrir os olhos com a mão direita para maior concentração.



Antes que os bebês judeus comecem a balbuciar suas primeiras palavras, logo ao nascer, já são introduzidos os valores judaicos fundamentais em suas vidas. Logo ao acordar recita-se o "Shemá". Ao estarem quase adormecidos, ainda despertos, bem alimentados, banhados e confortavelmente embrulhados em seus pijaminhas quase a ponto de serem depositados em seu berço, cobre-se seus olhos e recita-se novamente o "Shemá". A afirmação, "Ouve Israel…" que os acompanharão para sempre.

Assim o "Shemá" faz parte das primeiras palavras a serem repetidas pelas crianças, e acompanha cada judeu ao longo de sua jornada. É uma afirmação de fé e confiança em um Deus único e verdadeiro a quem se deve todas as bênçãos recebidas, desde o momento do despertar, até o deitar, bem como nos momentos finais de suas vidas.

NOSSO ENCONTRO
E assim pensando, usei essa passagem do "Shemá" para lembrar aos meus catequizandos do 3º ano, o quanto as tradições da nossa Igreja são ricas. O quanto devemos da nossa herança a um povo de crença um pouco diversa da nossa, mas, que é a raiz da nossa religião, pois Jesus era judeu. É um encontro para se falar de "profissão de fé" e também do respeito que devemos a todos as pessoas que, às vezes, não comungam da mesma Igreja que nós, mas, mesmo assim tem o mesmo Deus, Único e protetor. 
E além do trecho da Bíblia e toda história por trás dele, trouxe a eles um canto. E lá fomos nós aprender o ritmo e a letra em hebraico:

♫Shemá Yisrael Ado-nai Elohêinu Ado-nai Echad 

(Escuta ó Israel, o Senhor é nosso Deus, Um é o senhor)

Um pouco embaraçadas a princípio por não saber a pronúncia correta, eles acabaram por achar a tarefa interessante e, ao final do encontro, todos já tinham decorado a pequena estrofe. A ponto de, num encontro em casa de uma das famílias, nos apresentarmos cantando a toda á família.

Então... Shemá! Escuta e vai anunciar!

Ângela Rocha 
Catequista

ESCUTE EM:

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domingo, 21 de maio de 2017

“CLIC CATEQUESE”: Catequese em retrato...

Retratos da semana na catequese pelo Brasil...


                MISSA À NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E PRIMEIRA EUCARISTIA



                    Rita Melo -Paróquia Santa Isabel Rainha - Vila Santa Isabel – SP


   CATEQUIZANDAS HOMENAGEANDO AS DIVERSAS  NOSSAS SENHORAS
                                                         Rosane Jader Alves



                                      CURSO DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

                                                      Rogério Bellini



                             MISSA E HOMENAGEM ÀS MÃES DA CATEQUESE


                             Denise Martneli - Paróquia Nossa Senhora de Fátima
                                          Barro Vermelho, São Gonçalo – RJ



                          HOMENAGEM ÀS MÃES E AO CENTENÁRIO DE FÁTIMA


                      Suzana Lossurdo - Santuário de Nossa Senhora Aparecida
                                                        Barra Bonita-SP.



                                          COMEMORAÇÃO AO DIA DAS MÃES
                           Lucineide Santos - Paróquia São Pedro Macarani - BA



                                HOMENAGEM À NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

                                     Inês Ferreira - São Benedito - Americana/SP



                                              CRISMA - JOVENS CATEQUISTAS


                       Liolívio Gomes Moreira - Paróquia de São Miguel Arcanjo  
                                                       Guaratinguetá - SP




                                    CATEQUIZANDOS PRIMEIRA EUCARISTIA

                       Fátima Guedes - Comunidade São Marcelino Champagnat



            
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

POLÍTICA: COMO TRATAR ESTE ASSUNTO NA CATEQUESE?

A gente fala de política na catequese? Numa resposta bem “saudável” para todos, eu diria que ultimamente não se deveria falar de política em lugar algum, se quisermos manter a paz do ambiente. Não da política brasileira, pelo menos. No entanto, a realidade que estamos vivendo, pede nosso envolvimento, pois trata-se da preservação da nossa sociedade. 

O assunto está aí nos telejornais, jornais, revistas e nas redes sociais. E esta última é preocupante do ponto de vista de que nossas crianças e jovens tem amplo acesso às mídias digitais, e estão tomando conhecimento de “como” os adultos (incluindo seus pais e catequistas) estão tratando o assunto. E, sinto dizer, alguns “adultos” estão falando do assunto com total imaturidade. Estão expondo seus pontos de vista de forma parcial, sem uma análise crítica dos fatos e – gravemente – externando discursos preconceituosos e carregados de ódio.

E como entrar nesse assunto em nossos encontros? Ou devemos ignorar totalmente o que vem acontecendo no Brasil e tratar exclusivamente dos nossos roteiros temáticos usuais? Mas, se formos por este caminho, onde fica a “interação fé e vida” que deve perpassar a nossa prática catequética?

Na catequese dos pequenos, até podemos “deixar pra lá”, já que eles não têm muito acesso aos meios de comunicação digital (ainda gosto de pensar assim!). Mas, eles têm acesso às conversas dos pais, dos grupos familiares, etc. Então, se perguntas surgem, é bom estar preparado para responde-las.

Já na catequese dos adolescentes e jovens, este é um assunto que deve ser tratado. Eles estão aí, com amplo acesso a tudo que acontece no mundo. Às vezes pode até parecer que política não seja do interesse deles, mas, ela faz parte da sociedade em que eles vivem e afeta suas vidas.

Então como tratar de um assunto tão delicado como a política, nos dias de hoje?

Primeiro que o assunto não deveria ser “delicado”. Só o está sendo por conta das defesas “apaixonadas” de alguns e das críticas ferrenhas de outros. A “delicadeza” da coisa se mostra quando citamos “nomes” de políticos e partidos. É como torcer para um time de futebol no Brasil. O meu é bom e o seu não presta! E episódios de violência em estádios e ruas têm sido frequentes. Parece que perdemos a capacidade de defender um ponto de vista sem nos distanciarmos da civilidade. E futebol, religião e política; acabam sendo temas polêmicos causando desavenças irreconciliáveis até.

Ao tocarmos em um assunto tão polêmico com nossos adolescentes e jovens, muito provavelmente, vamos esbarrar em opiniões bem eloquentes e preconcebidas, herdadas de seus pais. E vão se repetir, sim, discursos de ódio e preconceito. É justamente aí que entra o nosso papel de propagadores da fé e crença no projeto de Jesus Cristo: uma sociedade justa, fraterna, onde as pessoas convivam com suas diferenças, sem usarem a discriminação e a violência. Uma sociedade de amor e respeito ao próximo.

Neste caso, compete ao catequista promover o diálogo, mediando as discussões de forma a enaltecer justamente isso: como estamos tratando o assunto? Com nossos valores cristãos ou como qualquer outra pessoa que não conhece Jesus? Está havendo “diálogo” ou “briga de foice no escuro”*?

Iluminar o encontro

Para “iluminar” nosso encontro é bom escolher uma passagem bíblica que nos leve a refletir basicamente sobre o que vem acontecendo na política brasileira: os vários julgamentos deste ou daquele político por crimes de corrupção e outros termos jurídicos como: lavagem de dinheiro, desvio de verbas, compra de votos e outros.

Julgar nada mais é do que olhar os fatos para a apurar o que é certo e errado. Não é errado julgar para entender se uma ação é certa ou errada. Mas quando entendemos que algo é errado, temos a responsabilidade de não fazer aquilo. Assim como não podemos julgar usando de nossas próprias “leis”. Ou condenando-as antes de saber se realmente são culpados.

Precisamos ter cuidado com julgamentos. Muitas vezes julgamos de maneira injusta, olhando as aparências ou sem tentar entender direito. Não devemos condenar as pessoas, sem misericórdia. Assim como Deus nos perdoou, nós também devemos perdoar os outros.
A Bíblia traz várias passagens sobre o “Julgar” e “não Julgar”:

“Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos". (João 7,24)

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. (Mateus 7, 1-5).

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. (1João 4,1).
Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está agindo como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo? (Tiago 4, 11-12).

Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando você mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas. Sabemos que o juízo de Deus contra os que praticam tais coisas é conforme a verdade. Assim, quando você, um simples homem, os julga, mas pratica as mesmas coisas, pensa que escapará do juízo de Deus? (Romanos 2, 1-3).

A passagem de Mateus 7, 1-5, é o texto principal para nortear o encontro. É um trecho do “Sermão da Montanha”, ensinamentos deixados por Jesus para que as pessoas alcancem as Bem Aventuranças e assim tenham o “Reino dos Céus”.

Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Com certeza a leitura e reflexão destes textos bíblicos trarão o “tom” ao encontro. Sim, é preciso “julgar”, mas, julgar de forma coerente e justa, sem perseguir esse ou aquele e sem precipitação.

Olhar a realidade

Nossos adolescentes precisam ser convidados a “olhar” a realidade, primeiro com os olhos da fé, com amor e misericórdia, acreditando que por mais que existam culpados, estes precisam ser julgados e condenados, primeiro pela própria justiça dos homens; e depois, pela justiça de Deus. Praticar a intolerância e o pré-julgamento não são práticas cristãs.

Depois vem a questão de que, ao se olhar esta realidade, a princípio, parecer não haver políticos honestos e que toda a máquina de administração pública está envolvida em corrupção. Este é um problema sério. Perdemos totalmente a confiança no outro. E esse “outro”, são as corporações privadas, empresários, representantes da sociedade, e não só as pessoas que, democraticamente, deveriam nos representar e que nos “traem” em nossa confiança sem o menor remorso. E não há uma só direção ou ideologia política que está “podre” em nosso cesto de maças. São várias, esquerda, direita, centro... enfim. Tem sido assustador olhar o horizonte do Brasil. E a perplexidade ante as informações que recebemos é o tom da hora.

E cuidado ao colocar estas “informações” no seu encontro! Infelizmente os principais veículos de comunicação em nosso país, não conseguem a devida “isenção” e imparcialidade ao comunicar a informação.  Leia vários jornais, assista vários canais, olhe vários sites na internet e escolha aquele que tenha o melhor discernimento sobre tudo que está acontecendo. Fuja da citação de “nomes” deste ou daquele e não faça “julgamento” de nenhuma pessoa.

Como agir?

Precisamos dar aos nossos jovens ESPERANÇA. Esperança num futuro onde a justiça prevaleça, onde os homens encontrem solução para seus problemas sociais e que possamos discutir política sem nos agredirmos.

E essa esperança passa sobretudo por ELES: nossos pequenos, nossas crianças, nossos adolescentes e jovens; que estão aí assistindo toda essa derrocada da nossa política. Sem dúvida é uma grande responsabilidade, mas, nosso FUTURO democrático depende deles, de suas ações, de suas crenças e valores e de sua vontade de AGIR.

Hoje, o jovem pode votar aos 16 anos. E em 2019, alguns dos nossos catequizandos já vão votar e alguns até já estão votando. Que estas “lições” que estamos tendo hoje, pela nossa irresponsabilidade nas urnas, seja uma lição que o jovem aprenda, para não repetir nossos erros.

Sem dúvida, a oração também é importante. Precisamos rezar pelo destino do nosso povo, rezar para que a justiça dos justos prevaleça, para que nossa população tenha paciência, saiba enfrentar estes tumultos com o coração contrito, mas, que prevaleça a paz entre nós.

O catequista aqui, deve ser a última pessoa a fomentar discórdia, a promover discurso de ódio em suas páginas na rede social. Que a justiça seja feita, mas, somos também responsáveis pela disseminação do amor, da paz, da compreensão e da misericórdia. Não esqueçamos disso.

Concluindo...


Religião e política, podem e devem caminhar juntas. Elas só se desencontram quando a intolerância religiosa se choca contra o estado democrático. Pode parecer a princípio que elas são “sal” e “açúcar”. Mas, vale lembrar que ambos são necessários em várias receitas.

O cidadão não está dissociado do cristão. Quando saímos do âmbito teórico espiritual da religião, percebemos que ambas: política e religião, em suas funções e serviços, tem papéis sociais semelhantes na prática. Muitos são os projetos sociais criados por instituições religiosas, que colaboram diretamente com o Estado, beneficiando de forma efetiva a muitas comunidades em todo país, onde nota-se a política caminhando junto com a religião.

Nos últimos tempos em nosso país, as palavras política ou político têm recebido forte conotação pejorativa, especialmente em virtude da corrupção generalizada, escândalos nos governos e má administração do dinheiro público, (como vimos nesta semana em grau elevadíssimo). Neste cenário, escutamos muita gente dizer que não gosta de política. No meio cristão, muitas pessoas acreditam ser completamente desnecessário o envolvimento com as questões públicas (como se fosse possível), o que tem fortalecido esse conceito de que política e religião não se misturam. Contudo, necessário é compreender que a participação política é uma necessidade vital de todos os indivíduos, inclusive cristãos. E, ainda mais, pelos VALORES que temos intrínsecos.



Fonte: IBGE 2010

A população brasileira é majoritariamente cristã (87%) em sua diversidade religiosa, (estatística IBGE 2010) logo, é natural que hajam representantes políticos religiosos. Dissociar isso é perigoso.


Ângela Rocha
Catequista


* O termo “Briga de foice” é usado para caracterizar uma briga em que, usando-se essa ferramenta a esmo (no escuro), qualquer um que esteja por perto poderá ser decepado, independentemente de ser o alvo ou não.

HOMILIA: 6º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO A


                              O ESPÍRITO PERMANECE DENTRO DE VÓS!

O Evangelho de hoje é um discurso de despedida. Jesus prepara os discípulos para a sua ausência. Contudo, explica que da sua ausência decorre uma presença, realizada pela ação do defensor – o Paráclito. Aproximando-se da partida do Cristo na ascensão, somos convidados por Jesus a crer que Ele continua presente pela comunidade, fazendo-nos amar, orientado nossa vida para a verdade.

evangelista João utiliza o termo Paráclito, que significa defensor. Jesus sabia que os discípulos teriam que se defender do mundo. O mundo do mal e do pecado, aquilo que se opõe ao Reino, continua exigindo dos cristãos uma defesa. Pedro apóstolo nos convida a darmos “razões de nossa esperança”. Podemos falar de como nossa fé é razoável: razões de credibilidade de Jesus, de sua existência histórica, da coerência de sua mensagem… Porém, o mais importante é a razão do testemunho. O amor, fruto do Espírito, torna nossa fé credível. Os catecismos e encíclicas geram controvérsias, enquanto que a unanimidade nos vem pelos testemunhos de pessoas que se doam pelo próximo, que lutam pela justiça, que geram esperança no rosto de quem perdeu as razões mais elementares da vida.


“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.” (Jo 14,18). O Espírito nos retira da orfandade, portanto é uma mãe que nos acalenta e que cuida de nós. No momento derradeiro de nossa morte estaremos, de algum modo, órfãos de todas as seguranças deste mundo. Neste momento, somente a presença de Deus será o nosso alento. Mas, bem antes disso, podemos cultivar esta presença que não permite que vivamos vazios a procura de qualquer espécie de consolo. Lembremos que o Paráclito também é chamado de consolador.


O Espírito “permanece dentro de vós” (Jo 14,17). A presença do Espírito é sentida em nossa interioridade. Não é algo que vem de fora, mas uma presença viva que está aqui dentro de nós. Em linguagem mais afetiva, que mora em nosso coração. Não precisamos ir muito longe para encontra a Deus. Basta que voltemos os nossos olhos para o interior de nós mesmos. Lá encontraremos uma presença viva, uma voz que orienta, uma força que nos impulsiona pra frente. É o Espírito Santo!
Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba-PR

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CATEQUESE DO PAPA

CADA HOMEM É UMA HISTÓRIA DE AMOR QUE DEUS ESCREVE PARA NÓS


Nesta quarta-feira, 17 de Maio, o Papa Francisco teve, como habitualmente, a sua audiência geral na Praça de São Pedro, repleta de fiéis de várias partes do mundo. Ainda na órbita do mistério pascal – como disse – Francisco continuou a sua catequese sobre a esperança cristã. E hoje falou de Maria Madalena, Apóstola da esperança.

O Papa partiu da passagem bíblica do evangelista João que narra a conversa de Jesus com Madalena em frente do túmulo vazio. “Disse Jesus: “Mulher, porque choras? Quem é que procuras”. Ela pensando que se tratava do guarda do jardim disse-lhe: “Senhor, se o levaste embora, diz-me onde é que o puseste e eu vou busca-lo”. Jesus disse-lhe: Maria!” Maria Madalena virou-se e lhe disse em hebraico: “Rabbuni” que significa: “Mestre!”.

O Papa descreveu a seguir o contexto que levou as mulheres ao túmulo de Jesus para completar o rito fúnebre que não tinha sido terminado no dia anterior por ser sábado. E a primeira a chegar é Maria Madalena. Ela encontra o túmulo vazio e a primeira coisa que pensa é que alguém roubou o corpo de Jesus. O seu primeiro anuncio aos apóstolos é, portanto, de roubo, não de ressurreição. Mas, cabeçuda como era - disse o Papa - não se convencia disso e volta outra vez ao túmulo duplamente triste: pela morte de Cristo e pelo inexplicável desaparecimento do seu corpo. E com esta preocupação e tristeza não se dá conta de que o homem que está ali perto não é o guarda do jardim, mas sim Jesus. É só quando Jesus a chama pelo seu próprio nome é que ela se dá conta de que Cristo ressuscitou.

O Papa sublinha a beleza deste primeiro encontro do Ressuscitado de forma pessoal, alguém que nos chama por nome, que conhece os nossas aflições e anseios. Isto para dizer que em volta de Jesus havia muitas pessoas que procuravam Deus, mas que é antes de mais Deus que se preocupa da nossa vida.

“Cada ser humano é uma história de amor que Deus escreve sobre a Terra. Ele chama cada um de nós pelo próprio nome: conhece-nos por nome, olha para nós, nos espera, nos perdoa, é paciente conosco. É verdade, ou não é verdade? Cada um de nós tem esta experiência
Os evangelhos – continuou o Papa – descrevem a felicidade de Maria Madalena ao sentir-se chamada pelo próprio nome, pois a ressurreição de Jesus não é uma alegria dada com conta-gotas: é algo que envolve profundamente. E isto é belo! – exclamou o Papa Bergoglio fazendo notar que Jesus não se adapta ao mundo, é um sonhador, sonha transformá-lo e fá-lo com o mistério da Ressurreição.

O Papa explica ainda que a vontade de Maria Madalena era abraçar o Senhor, mas Jesus tinha pressa de ir para o Pai celeste e, assim, Maria que antes de encontrar Jesus estava sob o domínio do maligno, torna-se agora a apóstola da nova e maior esperança do mundo.
E o Papa concluiu invocando a intercessão de Maria Madalena para que nos ajude a viver nós também esta experiência:

Na hora do pranto, na hora do abandono, escutar Jesus Ressuscitado que nos chama por nome, e com o coração cheio de alegria ir anunciar: “Vi o Senhor!”. Mudei de vida porque vi o Senhor. Agora sou diferente de antes, sou uma outra pessoa. Mudei porque vi o Senhor. Esta é a nossa força e esta é a nossa esperança.”

Como sempre, depois da reflexão teológico-pastoral, o Papa dirigiu-se em italiano aos peregrinos em diversas línguas, saudando-os, saudações precedidas duma síntese da sua catequese nessas línguas: a saber: francês, inglês, espanhol, alemão, polaco, árabe e português.

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os brasileiros vindos da Bahia, de Fortaleza e Brasília. Queridos amigos, o Senhor sempre está ao nosso lado, mesmo nos momentos mais escuros da nossa vida. Deixemo-nos iluminar pela presença do Senhor Ressuscitado e nos tornemos suas testemunhas no mundo. Que Deus vos abençoe”.

A finalizar, o Papa saudou de forma especial os jovens, doentes e recém-casados presentes na Praça. Hoje – disse – “celebramos a memória litúrgica de São Pasqual Bylon, padroeiro das Associações Eucarísticas. O seu amor pela Eucaristia vos indique, caros jovens, a importância da fé na presença real de Jesus. O Pão eucarístico vos ajude, caros doentes, a enfrentar com serenidade a provação e seja o nutrimento para vós, caros jovens esposos, no crescimento humano e espiritual da vossa nova família” 


RADIOVATICANA.VA

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO