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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A SEMENTE DA NOVA COMUNIDADE - (João 1, 35-51)

Imagem: Cebi.org.br

Como sempre, os Biblistas do CEBI, nos trazem um excelente estudo sobre o Evangelho deste 2º Domingo do tempo Comum - Ano B.

“Aleluia, aleluia, aleluia.
Encontramos o Messias, Jesus Cristo, de graça e verdade ele é pleno; de sua imensa riqueza graças, sem fim, recebemos” (Jo 1,41.17).

1. SITUANDO

Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia, chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Marcos 1,16-20). O Evangelho de João tem outro jeito de descrever o início da primeira comunidade que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje!

O Quarto Evangelho é uma catequese muito bem feita. Ele não só mostra como se formou a primeira comunidade, mas também, através dos vários títulos de Jesus, descreve a fé desta comunidade, que é modelo para todas as outras comunidades. Assim, ao longo dos seus 21 capítulos, ele vai revelando quem é Jesus. Os títulos, que vão aparecendo durante os encontros e as conversas das pessoas com Jesus, fazem parte desta catequese. Eles ajudam os leitores e as leitoras a descobrirem como e onde Jesus se revela nos encontros do dia-a-dia da vida.

2. COMENTANDO

João 1,35-36 – O testemunho de João Batista a respeito de Jesus

João Batista tinha sido executado por Herodes em torno do ano de 30. Mas até o fim do século I, época em que foi escrito o Quarto Evangelho, a liderança dele continuava muito forte entre os judeus. Por isso, era importante o testemunho de João Batista chamando Jesus de “Cordeiro de Deus”. Este título evocava a memória do êxodo. Na noite da primeira Páscoa, o sangue do Cordeiro Pascal, passado nas portas das casas, tinha sido sinal de libertação para o povo (Êxodo 12,13-14). Para os primeiros, cristãos Jesus é o novo Cordeiro Pascal que liberta o seu povo (1 Coríntios 5,7; 1 Pedro 1,19; Apocalipse 5,6.9).

João 1,37-39 – Dois discípulos de João seguem Jesus

Dois discípulos de João Batista, animados pelo próprio João, foram em busca de Jesus. Jesus responde: “Venham e vejam!” É convivendo com Jesus que eles mesmos devem poder verificar e confirmar se era isto que estavam buscando. O encontro confirmou a busca: “Era isso mesmo!” Os dois nunca esqueceram a hora do encontro: eram 4 horas da tarde! Também hoje, as comunidades devem poder dizer: “Venham e vejam!” É ver e experimentar para poder testemunhar. O apóstolo João escreve na sua primeira carta: “A vida se manifestou. Nós a vimos e dela damos testemunho!” (1 João 1,2).

João 1,40-42 – André apresenta Pedro a Jesus

André descobriu que Jesus é o Messias. Ele gostou tanto do encontro, que partilhou sua experiência com o irmão e deu testemunho: “Encontramos o Messias!” Em seguida, conduziu o irmão até Jesus. Encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus! É assim que a Boa Nova se espalha pelo mundo, até hoje! Conosco pode acontecer o que aconteceu com o irmão de André. No encontro com Jesus, ele teve seu nome mudado de Simão para Cefas (Pedra ou Pedro). Mudança de nome significa mudança de rumo. O encontro com Jesus pode produzir mudanças profundas na vida da gente. Deus queira!

João 1,43-44 – Jesus chama Filipe

No dia seguinte, Jesus voltou para a Galileia. Encontrou Filipe e o chamou: “Segue-me!” O importante do chamado é sempre o mesmo: “seguir Jesus”. Os primeiros cristãos fizeram questão de conservar os nomes dos primeiros discípulos. De alguns conservaram até os apelidos e o nome do lugar de origem. Filipe, André e Pedro eram de Betsaida (João 1,44). Natanael era de Caná (João 22,2). Jesus era de Nazaré (João 1,45). Eram todos lugares bem pequenos, lá na roça do interior da Galileia! Hoje, muitas vezes, esquecemos ou nem conhecemos os nomes das pessoas que estão na origem de nossa comunidade. Lembrar os nomes é uma forma de conservar a identidade.

João 1,45-46 – Filipe leva Natanael a Jesus

Filipe encontra Natanael e fala com ele sobre Jesus: “Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas! É Jesus, o filho de José, de Nazaré!” Mais um título para Jesus! Jesus é aquele para o qual apontava toda a história do Antigo Testamento. Natanael pergunta: “De Nazaré pode vir coisa boa?” Natanael era de Cana, que fica perto de Nazaré. Possivelmente, na pergunta dele transparece a rivalidade que costuma existir entre as pequenas aldeias de uma mesma região. Além disso, conforme o ensinamento oficial dos escribas, o Messias viria de Belém na Judéia. Não podia vir de Nazaré na Galileia (João 7,41-42).  Novamente, de André vem a mesma resposta intrigante: “Venha e veja você mesmo!” Não é impondo mas sim vendo que as pessoas se convencem. Novamente, o mesmo processo: encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus!

João 1,47-51 – A conversa entre Jesus e Natanael

Jesus vê Natanael e diz: “Eis um israelita autêntico, sem falsidade!” E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um “israelita autêntico” se ele não aceitava Jesus como messias? É porque Natanael “estava debaixo da figueira”. A figueira era o símbolo de Israel (cf. Miqueias 4,4; Zacarias 3,10; 1 Reis 5,5). “Estar debaixo da figueira” era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias ideias quando percebe que elas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com os ensinamentos oficiais da época (João 7,41-42.52). Por isso, inicialmente, não aceitava um messias vindo de Nazaré. Mas o encontro com Jesus ajuda-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a gente o imagina ou deseja. Ele reconhece o seu engano, muda de ideia, aceita Jesus como messias e confessa: “Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!” A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem foi fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gênesis 28,10-22).

3. ALARGANDO

 A galeria dos encontros com Jesus no Evangelho de João

No Evangelho de João, são narrados com detalhes muitos encontros com Jesus quer marcam para sempre a vida das pessoas. Os primeiros discípulos nunca mais puderam esquecer aquele momento. Um deles, provavelmente o “discípulo amado” ainda se lembrava da hora em que encontrou Jesus: “Eram 4 horas da tarde!”. O outro, André, chamou o irmão dele, Pedro (João 1,35-51). Nicodemos foi encontrar Jesus de noite. Os dois tiveram uma conversa difícil (João 3,1-13), mas Nicodemos, apesar da crítica de Jesus, ficou amigo. Ele o defendeu numa discussão com os chefes (João 4,14; 7,50-52) e, depois da morte de Jesus, lá estava ele, novamente, com perfumes para a sepultura (João 19,39). João Batista alegrou-se ao ver o crescimento do movimento de Jesus (João 3,22-36). A samaritana encontrou Jesus junto do poço (João 4,1-42) e dentro dela passou a jorrar água viva (João 4,14; 7,37-38). O encontro com o paralítico se deu junto às águas de um santuário popular (Jo 5,1-18). Foi na praça do templo que se deu o encontro com a mulher que ia ser apedrejada. Ela reencontrou a dignidade e a paz (João 8,1-11). O cego encontrou Jesus, que lhe abriu os olhos e se revelou a ele como o Filho do Homem (João 9,1-41). Marta e Maria foram ao encontro de Jesus no caminho e experimentaram a sua força revitalizadora (João 11,17-37).

Estes e outros encontros são como quadros colocados em uma galeria. Eles vão revelando aos olhos atentos de quem os aprecia algo que está por trás dos detalhes, a saber, a identidade de Jesus. Ao mesmo tempo, mostram as características das comunidades que acreditavam em Jesus e davam testemunho da sua presença. São também espelhos, que ajudam a descobrir o que se passa dentro de nós quando nos encontramos com Jesus.

 Os títulos de Jesus

Logo neste primeiro capítulo, as pessoas que vão sendo chamadas professam a sua fé em Jesus através de títulos como: Cordeiro de Deus (João 1,36); Rabi (João 1,38); Messias ou Cristo (João 1,41); “aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas” (João 1,45); Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), Filho de Deus (João 1,49); Rei de Israel (João 1,49); Filho do Homem (João 1,51). São oito títulos em apenas 15 versos! Quando uma pessoa é muito querida, ela recebe um grande número de apelidos. Assim também Jesus no Evangelho de João. Nestes e em tantos outros nomes ou títulos, as comunidades transmitiam o que Jesus significava para elas. Todos estes nomes traduzem o enorme esforço dos primeiros cristãos em querer conhecer Jesus para melhor amá-lo. Mostram ainda a diversidade da busca.

Eis uma lista incompleta de alguns títulos de Jesus que aparecem neste e nos outros capítulos do Evangelho de João. Eles revelam a fé das comunidades do Discípulo Amado. A grande variedade dos títulos revela a diversidade não só da busca, mas também da própria teologia. Não havia uma doutrina única:

1,1 Palavra, Verbo
1,9 Luz
1,14 Filho Único
1,17 Messias ou Cristo
1,29 Cordeiro de Deus
1,34 Eleito de Deus
1,38 Rabi ou Mestre
1,49 Filho de Deus
1,51 Filho do Homem
2,21 Templo
3,2 Vem de Deus
3,29 Esposo
4,9 Judeu
4,26 Messias
4,42 Salvador do Mundo
5,18 Igual a Deus
6,34 Pão da vida
6,41 Pão descido do céu
6.42 Filho de José
6,69 Santo e Deus
7,52 Galileu

8,24 Eu sou (João 8,28.58)

8,48 Samaritano
9,2 Rabi
9,5 Luz do mundo
9,7 Enviado
9,11 Homem Jesus
9,17 Profeta
9,22 Cristo
9,38 Senhor
10,7 Porta das ovelhas
10,11 Bom pastor
10,30 Eu e o Pai somos um
11,25 Ressurreição
12,13 Bendito em nome do Senhor
12,13 Rei de Israel
13,13 Mestre e Senhor
14,6 Caminho, Verdade e Vida
15,1 Videira
18,5 Nazareno
19,5 Homem

Resumindo: Para o Evangelho de João, a fonte da vida consiste em acreditar que Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), é Messias (João 1,41) e Filho de Deus (João 1,49). Foi exatamente para isto que o evangelho foi escrito (João 20,31).

 Mesters, Lopes e Orofino.

FONTE: CEBI - https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-semente-da-nova-comunidade/



quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

E A CATEQUESE, COMO VAI?

 

Vai começar a caminhada catequética de 2021... E a de 2020 a gente mal conseguiu começar.

Já temos tem um "mapa" para seguir?? Temos orientações? Temos ITINERÁRIO CATEQUÉTICO?

O setor ou a diocese já enviou orientações? O pároco já convocou uma reunião com os catequistas (dá pra fazer reunião onilne...)

Vamos lembrar o que é “Catequese”?

“A Catequese é em processo dinâmico e abrangente de educação da fé, um itinerário, e não apenas uma instrução.” (CR 282).

E o que seria afinal esse “Itinerário”?

Numa definição genérica, itinerário é a descrição de um trajeto a ser percorrido.

Por exemplo: uma empresa de ônibus urbanos ao definir o itinerário de determinada linha, indica todos os pontos de parada do ônibus desde o início até o fim da linha. A esta indicação dá-se o nome de itinerário. Já um itinerário de turismo é um pouco mais elaborado: é um artigo que descreve uma rota por vários destinos ou atrações, dando sugestões de onde parar, o quê ver, como preparar-se, etc. Se a gente considerar os destinos como pontos em um mapa, o itinerário descreve uma linha que conecta os pontos.

Agora vamos considerar esta palavra na CATEQUESE:

“Um Itinerário Catequético é um círculo mais ou menos prolongado de encontros que integra uma ou várias temáticas (etapas, módulos, blocos) do mistério dentro do processo. Neste itinerário se inclui os conteúdos, as celebrações litúrgicas, a catequese mistagógica, a integração entre a comunidade e o compromisso apostólico.” (Definição dada no itinerário Catequético da Arquidiocese de Londrina, 2012). Eu acrescentaria aqui ainda a dimensão família.

Isso significa que um itinerário é um PLANEJAMENTO, um mapa, um guia do caminho a ser percorrido. No caso da catequese, ele prevê objetivos a serem atingidos, conteúdos que serão explanados, ações transformadoras que se pretende e as dimensões celebrativas que darão suporte à catequese mistagógica.

Só que, estamos em tempo de isolamento social...

Como fazer a catequese "acontecer"? Ou pelo menos, não "morrer'?

Vamos lembrar um pouquinho das tarefas da catequese:

- Ensinar dos conteúdos de CONHECIMENTO DA FÉ (temas e formação bíblica);

- Integrar a catequese nas celebrações litúrgicas: LITURGIA (missas, entrega de símbolos, retiros, orações, Via sacra...);

- Proporcionar vivência comunitária (família, comunidade, festas, eventos...);

- Incentivar a dimensão missionária, exercer o "mandato" profético do seu batismo (compromisso apostólico).

O PRIMEIRO item acima, até pode ser colocado "a distância", podemos pensar, afinal, conteúdo é mais "teoria", por que não usar dos meios digitais para expor? Mas, aí acontece um porém: onde fica a interação entre os iniciantes, as famílias com a comunidade? Como "entrar" para uma comunidade sem conhecê-la? A Igreja de Jesus Cristo está em todo lugar, mas, tem um Templo, um lugar "físico" onde as pessoas se reúnem.

O que nos leva ao SEGUNDO item: Como celebrar a liturgia, a reunião do povo de Deus, por meios “remotos” ou “online”? A mistagogia da fé, prescinde de simbologia. É preciso aguçar os sentidos: o olhar, a escuta, o cheiro, o tato, o gosto. A celebração da missa é toda simbólica. Uma missa "online" jamais vai substituir a missa presencial. E mais importante de tudo: a EUCARISTIA. Como fazê-la "virtual"?

Agora vamos ao terceiro tópico: VIVÊNCIA COMUNITÁRIA. O "encontro" entre as pessoas sempre foi e será importante para o ser humano: a mímica, o gesto, o olhar, o abraço, o aperto de mão, são necessários. Como não considerar estes aspectos quando se fala de relacionamento humano?

Por fim, o compromisso final da evangelização: engajamento e MISSÃO. "Pois não podemos deixar de falar de tudo quanto vimos e ouvimos!” (At 4, 20). É nosso compromisso cristão evangelizar o outro e levar a Palavra de Salvação a todas as criaturas.

A CATEQUESE, como "processo de ensino da fé", engloba estes e outros aspectos em sua missão. Não há como tornar este processo um evento "tecnológico", mediado por cabos e conexões. Assim como o relacionamento humano, a catequese pode ser "online" na medida em que é complementar, meio de integração, contato; mas, nunca deve usada como meio de comunicação principal.

Agora eu volto a perguntar:

QUAIS ORIENTAÇÕES VOCÊS RECEBERAM DOS SEUS PÁROCOS? SUAS DIOCESES JÁ SE POSICIONARAM?

OS CATEQUISTAS DA BASE ESTÃO SENDO OUVIDOS?

COMO FORAM AS EXPERIÊNCIAS DE 2020?

 

Ângela Rocha

Catequistas em Formação


Comentários recebidos:

1. Arquidiocese de Londrina – Pr, até agora muda e calada como foi praticamente todo o ano passado 

2. Aqui nada de nada. São Miguel Paulista – Sp.

3. Arquidiocese de Mariana - Sp, não deu nenhuma orientação. Com o aumento da covid e preciso esperar um pouco. 

4. Começando as movimentações na minha Paróquia com o apoio de nosso pároco, no entanto aguardando as orientações da Diocese de Jacarezinho – Pr. 

5. Recebemos uma comunicação do nosso assessor da pastoral Catequética – Diocese de Imperatriz - Ma: 
Caros coordenadores e coordenadoras! Hoje pude conversar com Dom Vilsom sobre o retorno da Catequese. A nossa situação no Brasil em relação à pandemia ainda é grave, com um número alto de mortes por dia e os números crescendo em várias regiões. Por isso, e tendo em vista que em breve deve começar a campanha de vacinação, não haverá mudanças no protocolo da Diocese pelo menos até a Páscoa. No final de fevereiro haverá a reunião do clero e nela será discutido sobre isso. A partir deste ano a Crisma retornará a ser celebrada pessoalmente pelo Bispo Diocesano e, portanto, apenas depois da vacinação. Dom Vilson orientou que a Primeira Comunhão seja celebrada também apenas depois da vacinação. Por isso, peço a todas as coordenações paroquiais que não comecem inscrições para a Catequese enquanto não forem dadas as novas orientações sobre a mudança do Protocolo. Permaneçamos unidos na fé! 

6. Na Arquidiocese de Curitiba foi dada orientações em manter a Catequese nas Casas, com os pais, nas comunidades que deram início, que deem continuidade ao processo. Sacramentos a serem realizados com os devidos cuidados e com a quantidade necessária de catequizandos para se manter o distanciamento. Para as comunidades que optaram em parar deverão se organizar da melhor forma em consonância com o Pároco. Catequese online não é catequese, não usar esse meio. Salienta a importância dos Pais nesse processe e dos Catequistas no incentivo. Esse ano ainda, o IAFFE, Instituto de Formação na Fé, irá viabilizar formação remota. Nossa Arquidiocese ainda tem um canal de formação no Youtube e sempre tem oferecido conteúdos referente aos documentos da catequese e da Igreja. Estamos bem amparados na Graça de Deus! 




quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

ESPIRITUALIDADE DA CRIANÇA COM AS PESSOAS DE SUA CONVIVÊNCIA

 Imagem: Pixabay

PARTE I - PRIMEIRA INFÂNCIA

 Texto bíblico: Jr 1, 4-8

Veio a mim a palavra do SENHOR: Antes que te formasse no seio de tua mãe, eu te conheci, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações.” Respondi: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou apenas um menino”. O SENHOR me respondeu: “Não diga: ‘Sou apenas um menino’, pois irás a todos a quem eu te enviar e dirás tudo o que eu mandar dizer. Não tenhas medo deles, pois estou contigo para te livrar . Oráculo do SENHOR.”

(Bíblia CNBB, 3ª edição,2019)

 

Inspirado pelo texto do Livro do Profeta Jeremias, em que Deus o chamou para anunciar os seus oráculos, no contexto de um povo sempre em guerra; e também em muitos outros textos que traz a Sagrada Escritura, falando a respeito de como Deus prepara todos; bem como em Jesus Cristo, que cumpre as promessas de Deus para a salvação; pode-se entender que o despertar da Espiritualidade humana, vem desde o seio materno, ou ainda, bem antes disso, na gravidez, planejada ou não, quando Deus une o homem e a mulher para serem portadores e geradores de vida.  

Quando se inicia uma gestação, a mãe cuidadosa faz todo acompanhamento do pré-natal se preparando para o grande dia do nascimento do filho ou da filha. A partir disso, toda mãe começa a transmitir seus sentimentos e anseios. Mãe e filho(a) estão interligados (as). Tudo que acontece em torno da mãe, afeta o sentimento do filho ou da filha dentro do ventre. A mãe dotada de uma experiência de fé, começa a transmitir a sua religiosidade por meio de orações e dos desejos de que tudo corra bem durante a gestação.

Depois que a criança nasce, ela vai percebendo o mundo ao seu redor, a começar pela sua mãe, depois pelas pessoas entorno. E, à medida que vai crescendo, percebe o ambiente e se deslumbra com tudo: com as árvores, com as flores, com a grama, com a água, com os animais, com os objetos que lhe despertem atenção, enfim, a criança contempla tudo à sua volta.

Também enquanto se desenvolve, a família lhe mostra a comunidade de fé que frequenta. Assim, ela começa a explorar o espaço da celebração, engatinhando, subindo, descendo, batendo palma, olhando fixamente ao altar, pois, tudo lhe chama a atenção. Se os adultos estão olhando fixos ao altar,  a criança também repete o gesto.

A partir do Concílio Vaticano II, começam as orientações catequéticas para as famílias por meio de diversos documentos da Igreja. Elaborou-se em 1992,  um novo Catecismo da Igreja Católica, que é uma exposição da fé católica e da doutrina da Igreja. Trata-se de um documento de referência para o ensino da doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, com o qual pode-se conhecer o que a igreja professa e celebra, vive e reza em seu cotidiano. E assim sucessivamente, outros documentos voltados para a Iniciação à Vida Cristã foram surgindo. Sem adentrar especificamente, na trajetória histórica, mas, trazendo à nossa situação e tempos atuais, a Igreja vem orientando o ensino da fé pela Catequese com Inspiração Catecumenal, que é a Catequese que era realizada no início da Igreja Primitiva, voltado para os adultos.

A partir disso, percebeu-se a necessidade também de se aplicar essa inspiração às crianças e adolescentes. As celebrações de Inspiração Catecumenal despertam nas pessoas experiencias de fé inusitadas, possibilitando que se mergulhe profundamente no mistério de Cristo.

Mas, assim como somos filhos e filhas de Deus de forma integral, o que vivenciamos no seio da família, reflete nos demais ambientes de nossas vidas.  Somos influenciados pelo meio. 

A criança quando entra na catequese, mesmo que seja na Catequese Infantil, normalmente a partir de 5 anos, já vem com uma história de vida e experiências familiares só dela, e conforme vai participando do grupo e das atividades lúdicas, demonstra interesse por figuras, símbolos, gestos, permite-lhe despertar a sua espiritualidade natural, que ela já possui, herdada dos pais e do ambiente ao seu redor, basta incentivá-la.

Como proporcionar à criança pequena, momentos de espiritualidade? Neste período de pandemia, como trabalhar esse tema, trazendo à criança a superação do distanciamento do grupo de convivência?

Sugestões do que pode ser realizado:

·         Em um tapete, sentado ao chão com seus familiares, pode se ler uma história bíblica (não todo o texto bíblico), mas trechos – exemplo: da Criação; do Nascimento do Menino Jesus (de preferência mostrando figuras); realizar uma Narrativa do texto e propor a Ela que feche os olhos e faça um pedido, ou uma oração do jeito da criança;

·         Na possibilidade de espaço externo da casa, brincar ao ar Livre e falar sobre os animais, plantas, flores, nuvens, pássaros, vento... tudo sendo obra do Criador. A criança percebe e compreende segundo a sua maturidade;

·         Rezando o Santo Anjo todas as noites com a criança ou qualquer oração de cunho pessoal. Ensinar à criança que orar é “falar” com Deus;

·         Se for apropriado, e costume da família, educar para o Terço  rezando uma dezena com a criança (O terço todo ela vai aprendendo com o tempo;

·         Conversar sobre Maria, ensinar alguns cantos como:  “Mãezinha do Céu” e outros que a família conhece;

·         Manusear com ela alguns livros de história bíblica, contos, mensagens.

 

 

E mesmo depois que a criança voltar ao contato social da catequese, continuar com as mesmas propostas.

Neste artigo, abordamos os aspectos gerais da criança pequena, nos próximos, serão vistas as demais idades. Para isso, usa-se como referência os livros de Psicopedagogia de Calandro e Ledo (2019), referenciados ao final. A proposta é auxiliar o catequista em sua pedagogia catequética, seja para a catequese familiar, seja para catequese nas comunidades quando a pandemia nos permitir retornar.

 

Catequista: Alessandra Rodrigues França da Silva

Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança-Pinhais/PR

Arquidiocese de Curitiba

 

FONTES DE PESQUISA:

ARQUIDIOCESE DE CURITIBA - COMISSÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA. Formação Básica de Catequistas-subsídio com os principais temas para formação de catequistas. Curitiba: Editora Arquidiocesana, 2008

CALANDRO, Eduardo; LEDO, Jordélio Siles.  Psicopedagogia Catequética: reflexões e vivências para a catequese conforme as idades. Vol.1 – Criança. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2019.

______.  Psicopedagogia Catequética- reflexões e vivências para a catequese conforme as idades. Vol.2 – Adolescentes e jovens, 1ª ed.. São Paulo: Paulus, 2019.

CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DOC 84. 5ª ed. São Paulo: Paulinas, 2007.

PAPA FRANCISCO. Amoris Laetitia: sobre o amor na família. Exortação Apostólica pós-sinodal..  São Paulo: Paulus,2016.