quarta-feira, 22 de novembro de 2017

COMO LER A BÍBLIA NA CATEQUESE


Um excelente artigo para o catequista ler e compreender melhor a Bíblia na Catequese.

INTRODUÇÃO


A Bíblia retrata o itinerário da fé de um povo, por isso, é nela que buscamos luz e inspiração para todo o processo da evangelização e da catequese, sobretudo quando se trata dos adultos. Mas para trabalhar de forma adequada, faz-se necessária uma sólida formação bíblica tanto do/as catequistas e outras lideranças de base, quanto dos seus formadores. Isto supõe que se conheça e leve à prática, na formação e na catequese, os avanços no campo da hermenêutica bíblica (métodos de abordagens e de interpretações já assumidos e recomendados pelo Magistério). 

A Palavra de Deus, tal como encontramos na Bíblia é o coração da Catequese. A catequese nasce da Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras. Na Igreja a partir do Vaticano II a Bíblia recuperou o lugar que nunca devia ter perdido. 

A fonte na qual a catequese busca a sua mensagem é a Palavra de Deus. A catequese há de haurir sempre o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura (CT 27). A Bíblia ocupa lugar especial: nela, a Igreja reconhece o testemunho autêntico da Revelação divina. É o livro de catequese por excelência; os textos catequéticos lhe servem de complementação” (TM, 24). O Documento de Catequese Renovada recorda que os manuais de catequética não devem substituir a leitura da Bíblia, o livro da catequese por excelência da catequese, mas orientar para ela (CR nº 154; DNC nº 104).


1 DIFICULDADES MAIS FREQÜENTES DOS CATEQUISTAS EM RELAÇÃO À BÍBLIA
O catequista como o fiel ouvinte da Palavra é considerado o ministro da Palavra. Aquele que tem a missão de fazer ressoar a Palavra de Deus em todo lugar. É aquele e aquela que acompanha, que introduz os catequizandos na escuta da Palavra. Neste caminhar do catequista encontram-se algumas dificuldades como:
Falta de preparação

É muito comum entre os catequistas a falta de preparação, experiência e conhecimento das Escrituras. Ele não é um exegeta, um especialista nas ciências Bíblicas. Porém sabe que deve ser um bom leitor e conhecedor das escrituras e procura ser um excelente comunicador da fé. A Bíblia deve ser para o catequista algo como sua casa, sua família. Porém, como fazer para que o catequista cresça na familiaridade com a Bíblia? Como capacitá-los?

Linguagem distinta

Como ouvinte e servidor da palavra, o catequista deve perceber o mistério de Deus revelado na história humana e transmiti-la numa linguagem que fale ao coração humano. Levar os catequizandos a descobrir a proposta da mensagem que a palavra traz para cada um. Percebe-se um distanciamento entre o modo de falar da Bíblia e a maneira como o catequista transmite aos seus catequizandos. O que fazer para entender a linguagem da Bíblia?

Formas de pensar diferentes

A maneira de pensar dos catequistas, homens e mulheres de hoje é muito distinta da forma do pensar que encontramos na Bíblia. Há muitas palavras, símbolos na Bíblia que correspondem a seu tempo, aos povos e culturas da época em que surgiu tal livro e que na maioria das vezes não traz nenhuma mensagem a cultura e a realidade do povo nos seus diversos lugares. Como entender a maneira de pensar que está por traz de um texto?

Ambientes diversos

Percebe-se uma grande dificuldade em descobrir o ambiente em que nasceu o texto. O povo da Bíblia era um povo profundamente religioso, de tal forma que não podia entender nada sem fazer a relação com Deus. O sagrado estava presente em todas as manifestações de sua vida. Sempre estava em relação com o divino, o ambiente campesino ou pastoril. A presença do divino estava em toda parte (Sl 139). Porém hoje os ambientes onde se escuta e transmite a Palavra é muito distinto do ambiente de onde originou tal texto. O que fazer para aproximar o ambiente da Bíblia com o ambiente de hoje? O desafio do catequista e da comunidade catequizadora é o de buscar a atualização e a formação.

Outras dificuldades

Leitura utilitarista. A leitura ao pé da letra (fundamentalista). Muitas vezes acham que a Bíblia é um livro muito difícil de entender e recorrem somente àqueles textos consideram de maior facilidade. Há um grande crescimento da leitura liberalista da Bíblia. Como motivar os catequistas para a leitura adequada da Bíblia?


2 CRITÉRIOS PARA A LEITURA DA BÍBLIA NA CATEQUESE

Crer que Bíblia é a Palavra de Deus e Palavra da vida

  • Esta fé é o ponto de partida para a leitura fiel da Bíblia.
  • É a porta de entrada que faz compreender que a Bíblia é Palavra de Deus, é inspiração de Deus, “ Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra (2 Tm 3, 16-17).
  • A Bíblia é a Palavra de Deus: Por ser Palavra de Deus ela tem autoridade sobre os leitores e ouvintes dela mesma; é regra da nossa fé unida a Tradição; está na raiz da vida da Igreja que nasce e alimenta –se nela; tem uma força especial para realizar o que transmite; comunica o Espírito Santo a quem lê com fé; está na comunidade para que os pastores (Magistério) vivam segundo a palavra. Como recomenda Tiago “ Tornai-vos praticantes da Palavra e não simples ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg 1, 22).
É Palavra de Deus em linguagem humana

  • O Concilio Vaticano II nos recorda que nas Sagradas Escrituras Deus falou de modo humano, através de homens e mulheres. Porque é a única linguagem que os homens e mulheres podem entender. Uma linguagem com todas as possibilidades e limitações. Como afirma a Dei Verbum, “A Bíblia é Palavra de Deus em linguagem humana, pois Deus se revelou bem por dentro de nossas lutas e sofrimentos, alegrias e conquistas, virtudes e pecado (cf DV 2)”.
  • Desde o momento da Criação e Encarnação Deus se fez um como nós para falar em linguagem humana. Para entender a linguagem das Escrituras faz-se necessário entender a linguagem humana: o modo de falar, os costumes, a cultura, ritos...

Deus se revela na Palavra e na Escritura

  • Antes de ser um conjunto de verdades (dogma de fé) a Sagrada Escritura é a manifestação plena da vida, da graça, do amor e da misericórdia de Deus para com seus filhos e filhas.
  • Na Bíblia encontramos a presença amorosa de Deus, que experimentamos com força libertadora na história da humanidade.
  • Sua manifestação se faz a partir de um processo gradativo, tanto no Primeiro como no Segundo Testamento.

Jesus é a chave para compreender a Escritura

  • Jesus é a promessa, cumprimento e plenitude da revelação. Todos os livros das Escrituras nos falam de Jesus Cristo como o centro da promessa anunciada. A comunidade joanina faz esta referencia quando diz: “ Vós perscrutais as Escrituras porque julgais ter nela a vida eterna; ora, são elas que dão testemunho de mim (Jo 5, 39)”.
  • Os cristãos buscam na Bíblia conhecer e seguir uma pessoa chamada de Jesus de Nazaré, o Cristo da nossa fé. O homem nascido de uma mulher (Gl 4, 4-5).
  • Em diversas passagens das Escrituras encontramos a referência de Jesus como o cumprimento da profecia revelada. Isso significa que Jesus é a chave para entender as Sagradas Escrituras. São Jerônimo afirma isto ao dizer que: Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo.

Ter a Bíblia como livro da Comunidade-Igreja

  • Este critério da Igreja-Comunidade tem muito valor. A Bíblia é um livro comunitário. Nasce na comunidade e está dirigido a uma comunidade. O leitor pode até fazer a leitura pessoal, mas o faz como parte integrante de uma comunidade de fé.
  • A tarefa de interpretar a Sagrada Escritura é uma tarefa comunitária e nunca individual. Isto é, o leitor está diante de um texto com uma tarefa comunitária.
  • A Palavra da Bíblia há de ser bem proclamada, lida, celebrada e vivida sempre na comunidade de fé cristã.

Ler a Bíblia aplicando os critérios da fé da Igreja

  • É muito importante reconhecer que os textos e livros da Escritura não são umas séries de pedaços fragmentados, mas sim, um conjunto harmonioso que tem uma unidade literária. Por isso, se entende melhor a Bíblia quando colocamos cada livro, cada capítulo, cada texto e cada versículo dentro do seu conjunto, onde cada detalhe se explica com o todo.
  • Outro critério valioso é levar em conta a Tradição viva da Igreja, ante, durante e depois da escrita. A Escritura é resultado de muitas experiências humanas e de muitas gerações que ao longo do processo foram narrando oralmente, aos poucos colocando por escrito, interpretando, transmitindo e atualizando em cada época.
  • A leitura da Bíblia deverá ser feita sempre dentro do conjunto e integridade da fé professada, para tornarmos mais seguras na fé.

Ler a Bíblia com os olhos da Realidade do povo

  • Primeiro, por os olhos na realidade do povo em que o texto foi escrito: Israel com seus costumes, crenças, organizações, problemas, experiências... Isto ajudará o leitor a entender porque de tal escrito diz tal coisa e desta maneira.
  • Segundo, com os olhos na realidade do povo que lê a Bíblia, pois sua situação é muita parecida com a do povo da Bíblia. Deus segue chamando e esperando, acompanhado e convocando o povo e hoje, os homens e mulheres para encontrar-se com Ele e dar sentido a vida. O Deus da Bíblia e do povo da Bíblia se parecem muito com o Deus de hoje e o povo de hoje.

Ler a Bíblia em ambiente de oração

  • Se a Bíblia deve ser lida com a fé da Igreja, uma das experiências mais harmoniosa é sem dúvida, a oração pessoal, comunitária e litúrgica. Isto quer dizer que, ao ler a Escritura toda nossa vida está envolvida na vida de Deus. Sua Palavra se encontra com nossa palavra para entrar em diálogo. Sua verdade entra em choque com nossas inverdades. Sua misericórdia com nossa dureza de coração. Um método que deu certo e está se espalhando é o Método da leitura Orante da Bíblia.
  • Assim a Sagrada Escritura é como um espelho donde reflete nossa relação e fidelidade a Deus, a nós, ao mundo e a nossa história. Uma boa leitura das Escrituras que começa e termina em oração é a forma mais segura de avançar no caminho da conversão.

Toda leitura e Interpretação das Escrituras devem ser em função da catequese e da Evangelização.

  • Encontrar-se com a Palavra Bíblica é converter-se em testemunho que anuncia com a vida a Boa Notícia de Deus. O corpo leitor no contato com o corpo texto torna-se um corpo que evangeliza e se deixa evangelizar. A ação de Deus na vida pessoal se prolonga como ação Deus na vida da comunidade.
  • O encontro não pode ser de outro modo. Pois como a mulher samaritana (Jo 4), Zaquel (Lc 19, 1-11) e tantos outros exemplos que o encontro com a Palavra se transforma em ação.



3 PRESENÇA DA CATEQUESE NA ESCRITURA E DA ESCRITURA NA CATEQUESE

Afirmar que a Bíblia é fonte por excelência da catequese é reconhecer esta palavra escrita, como Palavra de Deus e da Vida. No princípio diz a Bíblia, que Deus com sua palavra criadora modelou e organizou todas as coisas em seu devido lugar (Gn 1, 1-2).

A Escritura é fonte e princípio da revelação de Deus. A catequese tem a missão de fazer ressoar na vida dos catequizandos a Palavra revelada.

A Escritura, Palavra de Deus e palavra humana, são consideradas, como um manual de catequese uma vez que a catequese foi dando forma a Tradição escrita. Sabe-se, pela Tradição, que a Palavra de Deus (Tradição oral e escrita) é o ponto central da vida da comunidade que, no exílio e, sobretudo, após o exílio, passa a ser lida, relida e atualizada em vista da organização do povo, em resposta ao Deus da Aliança.

O processo de transmissão consistia num núcleo fundamental para a exegese hebraica. Esta Tradição oral, ensinamento foi sendo transmitida de geração em geração. Este processo podemos chamar de catequese. Para a Igreja a Escritura junto com a Tradição viva é norma suprema da fé, fonte principal e anúncio de vida.

Qual a relação entre Bíblia e Catequese:

Origem comum: Nasceram juntas. Hoje podemos dizer que a Bíblia é fonte da catequese, assim como a catequese, de alguma forma foi também fonte da Bíblia. Antes da Bíblia se tornar escrita, foi anunciada, contada, narrada, uma verdadeira catequese na comunidade de Israel e nas comunidades cristãs. Os sábios e hagiógrafos, movidos pelo Espírito Santo (inspiração) e percebendo as necessidades das comunidades, colocaram por escrito os ensinamentos, o plano de Deus para seu povo. Assim, a Bíblia se torna livro escrito inspirado, tornando a fonte da catequese. Hoje é notável esta presença da bíblia na catequese, assim como, a relação recíproca entre as ambas.

Finalidade comum: Tanto a Bíblia como a catequese tem a mesma finalidade. A Bíblia não é um depósito de idéias e nem um livro de doutrinas. É, sobretudo, a manifestação escrita do ato vivo de Deus, que se comunica sem cessar as pessoas. Assim, também a catequese. Antes de ser um conjunto de doutrinas, é a manifestação do amor de Deus sempre presente na vida humana. Transformar, iluminar e comprometer a vida dos que recebem a Palavra é exatamente o que busca tanto a bíblia como a catequese.

Mensagem comum: A mensagem da Bíblia é exatamente o mesmo que a catequese. Tanto para uma como a outra os grandes temas que lhes envolvem são:
 - O Deus vivo, encarnado na história. Tem uma vida de intimidade chamada comunidade de amor (Trindade);
- A pessoa humana, homem e mulher, com seu mistério, sua vocação e sua missão no mundo e na história;
- O mundo, tarefa da pessoa e espaço de sua convivência e responsabilidade. Lugar do estabelecimento das relações fraternas;
- A história, lugar da intervenção gratuita de Deus e da resposta das pessoas;
- A comunidade (Israel, a Igreja), sacramento vivo de Deus, povo santo, família de Deus, povo da palavra;
- O Reino, presença misteriosa, permanente e transformadora de Deus no mundo, na história e no coração humano;
- O seguimento de Jesus, as bem-aventuranças e os valores centrais do Evangelho;
-  O testemunho e compromisso com o serviço dos irmãos;
- O sentido que tem a vida humana;
- A vida da fé, esperança e amor fraterno;
- A necessidade do diálogo com Deus por meio da oração pessoal, comunitária e litúrgica.

Pedagogia comum: a pedagogia é a forma como Deus se relaciona se comunica e liberta as pessoas. Para a catequese não há outra pedagogia que a pedagogia de Deus usada por Jesus para revelar-se aos homens e mulheres de ontem e de hoje. A pedagogia de Deus destaca o valor da pessoa humana em primeiro lugar.



4 COMO LER AS ESCRITURAS NA CATEQUESE

Há muitas formas de ler as Sagradas Escrituras na catequese. Porém, Métodos e procedimentos são caminhos através dos quais podemos ler um texto bíblico e não devem ser absolutizados. O Diretório Nacional de Catequese lembra-se de dois objetivos na leitura da função da Bíblia na catequese:
a) Formar comunidade de fé;
b)  Alimentar a identidade cristã.

 

Critérios metodológicos:


Todos os textos da Bíblia têm um valor próprio e especial e por isso foram conservados ao longo de tanto tempo, e a Tradição os considerou inspirados. É necessário descobrir esses valores presentes nos textos e deixar que eles iluminem nossa vida. O texto requer sempre uma atenção especial. Às vezes é tal a ânsia de se servir dele para expor as próprias idéias, que não se presta atenção ao que ele tem a dizer. Requer empenho para que pequenas dificuldades com o texto não distraiam da mensagem fundamental que a Bíblia traz: o mistério da vida, da história, do Deus sempre imprevisível. Esse critério ajudará na leitura da Bíblia a superar os riscos de uma leitura fundamentalista, isto é, a impossibilidade de perceber as riquezas incontáveis da Palavra de Deus.

O povo ama a Bíblia e gosta de ouvir o que diz a Palavra de Deus na liturgia, em grupos ou na oração pessoal. A Palavra de Deus é exigente, mas traz também estímulo, confiança, alimento para a fé. Ela é fonte de alegria mesmo em momentos difíceis. Os métodos exegéticos possibilitam uma melhor compreensão do texto bíblico. O importante é chegar à meta: ouvir o que Deus quer nos dizer. Ler um texto bíblico é aprofundar o sentido da vida. A própria Bíblia é uma mediação para a sublime revelação divina. Quanto mais experiência de vida e vivência de fé, mais a pessoa penetra a mensagem bíblica. O importante mesmo é o posicionamento do leitor: lemos a Bíblia como a lê a nossa Igreja: na perspectiva doutrinal, moral e evangélico-transformadora... a partir dos desamparados nos quais Deus quer ser servido. A leitura da Bíblia não é mera questão de técnicas: é uma opção de vida, fruto do dom do Espírito (cf 1ª Cor 2, 1-16; Rm 11, 33-36).

Função do Método

1.                  Perceber na comunidade e na sociedade a presença de Deus;
2.                  Buscar compreender o Deus revelado na Bíblia como o Deus da Vida;
3.                  Interpretar a vida à luz da Bíblia;
4.                  Conhecer e viver intensamente o Projeto de Deus.

O método recorre às ciências para compreender o texto bíblico:

Para procurar responder as questões: Quem escreveu o texto? Para quem? Quando? Onde e Como? Método e os subsídios didáticos a serem utilizados na leitura Bíblica e na Catequese estão a serviço da interação fé e vida: aproximação, assimilação e vivência da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja, e a serviço das pessoas para que se encaminhem para a maturidade na fé, sejam ativos na Igreja e evangelizadores eficientes na missão. O uso de um bom método garante a fidelidade ao conteúdo.
  • Leitura Orante da Bíblia / Lectio Divina;
  • Leitura da Bíblia nas comunidades
  • Leitura Libertadora / Popular;
  • Leitura Histórico-Crítica

 

COMO NÃO LER A BÍBLIA NA CATEQUESE?


De forma: Apologética, Utilitarista, Oportunista, Fundamentalista, Intimista, Intelectualista, desencarnada, como horóscopo. A Bíblia deve permear a ação catequética evangelizadora no seu todo, mas ainda assim precisa de um trabalho específico.

Dois blocos de indicações: Impulso ao Serviço de Animação Bíblica e a Bíblia como alma de toda ação evangelizadora:

Serviço de Animação Bíblica

  • Conhecer e articular as forças já existentes;
  • Investir na formação bíblica dos catequistas e de todos os cristãos;
  • Investir na atualização dos presbíteros;
  • Dialogar com os movimentos e pastorais;
  • Difundir e valorizar a prática da leitura orante da Bíblia (Leitura, Meditação, Oração e Contemplação);
  • Valorizar a tradição da Liturgia das Horas;
  • Incentivar círculos bíblicos e/ou grupos de reflexão;
  • Cuidar da composição de cantos;
  • Vivenciar uma eclesiologia de comunhão e participação...

Atividades e atitudes que envolvem a educação para a leitura bíblica na catequese

  • Docilidade ao Espírito, unindo leitura e oração, fé e vida;
  • Sintonia com a Igreja;
  • Preparação cuidadosa das homilias;
  • Valorização do texto bíblico na liturgia (leituras do Lecionário);
  • Divulgação de esquema básico de história bíblica (linha do tempo);
  • Respeito à condição sagrada do texto;
  • Parceria com as Igrejas cristãs para o estudo ecumênico da Bíblia;
  • Respeitar a situação dos destinatários: caminhada processual;
  • Criação, na paróquia, de uma biblioteca popular;
  • Revisão dos textos de catequese;
  • Valor da Bíblia por si mesma e não como mero instrumental para...;
  • Valorização da Bíblia como fonte fundamental da evangelização.
  • A leitura Bíblica deve nos tornar pessoas humanas, fraternas e capazes de construir um mundo melhor. Tornar o leitor capaz de confiar na Palavra como força para transformar vidas, animar esperanças, alimentar a fé e como caminho de realização do Plano de Deus.

Texto organizado por Ir. Maria Aparecida Barboza.
Teóloga e doutora em Sagradas Escrituras pela PUC-RIO.

Outras fontes pesquisadas:

CNBB. Crescer na Leitura da Bíblia. Coleção de Estudos da CNBB, no 86. Paulus,2004.

________. Diretório Nacional de Catequese. Brasília: Edições CNBB, 2006.

_________. Ler a Bíblia com a Igreja. Comentário Didático Popular à Constituição Dogmática Dei Verbum. Coleção Projeto Nacional de Evangelização. Paulus e Paulinas, 2004.

MERLOS, Francisco A. Cómo leer la Bíblia con ojos de Catequista. Editorial Nueva Palabra. México, 2004.


Sagradas Escrituras: Tradução CNBB e Jerusalém.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

ROTEIRO DE ENTREGA DO CREIO – MISSA COM A COMUNIDADE


Este roteiro prioriza a Entrega do Creio como uma ação "da COMUNIDADE", por isso os pergaminhos devem ser entregues por pessoas da assembleia. Nesta entrega são convidados os Pais e padrinhos para, também, receberam o Creio como sinal de renovação de fé e testemunho para os filhos.

- Os catequizandos entram na procissão de entrada com seus pais e sentam-se nos primeiros bancos já reservados.
- Providenciar uma vela para cada catequizando que vai receber o Creio. Usar o Círio ou uma vela grande para acender as velas.
- Uma bandeja com os pergaminhos da oração deve estar posicionada numa mesinha, no presbitério, junto ao Círio Pascal.

COMENTÁRIO INICIAL - (Comentário normal do dia +)

Celebramos hoje, com alegria, a FESTA DO CREIO, momento especial em que os catequizandos da 3ª Etapa vão receber o Creio, professando a sua fé junto à comunidade. Eles trazem com muita fé no coração, os símbolos de mais uma etapa de sua Iniciação Cristã:
- As velas símbolo da Luz que nos ajudou a transmitir a estas crianças o caminho da Fé durante estes (...) anos de catequese.
- O Catecismo da Igreja Católica, depósito da nossa fé, que durante esta caminhada ajudou-os a conhecer melhor a Nossa Igreja.
- Os Pergaminhos do Creio: símbolo da Fé e do Credo. É pelo símbolo da Fé que nos conhecemos como discípulos de Cristo. Onde quer que nos encontremos, ao recitar o mesmo Credo, sentimos que somos irmãos em Cristo.

Cantemos juntos recebendo a equipe da celebração de hoje...

ENTREGA DO CREIO - (APÓS A HOMILIA)

Comentarista:
Nossos catequizandos, ao longo de três anos, receberam toda a instrução necessária para complementar sua iniciação à vida Cristã. A Profissão de Fé resume todo o conhecimento recebido sobre Deus, Pai Misericordioso, Jesus Cristo Salvador, passando pela história do povo de Deus e o nascimento da Igreja.

(À medida que os nomes dos catequizandos forem sendo ditos eles se posicionam no presbitério de frente para a comunidade).

Os catequizandos (nomes) ....................................................... , recebem hoje, pelas mãos da nossa comunidade a ORAÇÃO DO CREIO, o símbolo da nossa fé. Este gesto da entrega, por escrito, do CREIO, significa que eles assumem a responsabilidade de crescer na fé como verdadeiros cristãos. Juntos também, seus pais e mães (padrinhos também podem ser convidados), recebem o Creio como sinal de renovação da sua fé.

Presidente: Senhor Jesus, a tua Luz iluminou os olhos dos cegos. Também nós necessitamos que nos ilumines, que vás adiante com a tua mão para nos proteger dos abismos irreparáveis, ajuda sobretudo estes catequizandos a não te perder de vista. Se eles se afastarem, se de repente se fizer noite nos seus corações, dá-nos ânimo e coragem para o encontrar. Conduz a tua Igreja pelos caminhos do Evangelho para que a ninguém falte um farol, quando vier a treva e a tempestade. E que os nossos catequizando sejam estes verdadeiros faróis na nossa comunidade.

Os catequistas da etapa se aproximam do altar em torno do Círio/vela e acendem suas velas, levando depois para acender as velas daqueles que receberão o Creio. (Se forem muitos vão passando a chama uma para outra).

Enquanto se acende as velas cantar: Deixa a Luz do céu entrar

Comentarista: Professar com fé o Creio é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Mas é também entrar em comunhão com toda a Igreja, que nos transmite a fé. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “Este símbolo é o selo espiritual, é a meditação do nosso coração e a sentinela sempre presente; é, sem dúvida, o tesouro da nossa alma” (CIC 197).

Presidente: Caríssimos catequizandos, escutai as palavras da fé, que encerram grandes mistérios. Recebei-as com sinceridade e guardai-as no coração. Recebam o Símbolo da Fé da nossa Igreja entregue pela nossa comunidade. Aprendam para que possam proclamar junto da comunidade que agora os recebe. Elevemos as nossas velas e professemos a nossa fé.

Creio em Deus Pai Todo poderoso... (O presidente da celebração inicia a oração)

(Os catequizandos, com as velas levantadas, professam o Creio sem ler, “de-coração”).

Comentarista: Dispostos a cumprir aquilo que dissemos, e prometendo sempre ser fiéis ao nosso Deus, nossos catequizandos receberão agora os pergaminhos com o Credo da nossa fé. Pedimos que as pessoas da comunidade, escolhidas para fazer a entrega, aproxime-se do altar e entreguem o Creio a cada um dos catequizandos.

Canto: Eu creio em Deus (Padre Marcelo) ou outra.

No final da entrega o Presidente da celebração estende as mãos sobre os catequizandos e reza:

Presidente: Oremos, irmãos, por todos os que hoje recebem a fé da Igreja, resumida no sagrado Credo, para que Deus, nosso Senhor lhes ilumine o coração e lhes dê o seu amor e se tornem cada vez mais membros vivos do Corpo Místico de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

ORAÇÃO DA ASSEMBLÉIA - (As preces podem ser feitas pelos catequizandos e pais)

A resposta é cantada: CREIO, SENHOR, MAS AUMENTAI A MINHA FÉ. ”

1. Senhor, que a fé da nossa Igreja, plena e sem reservas, penetre, como uma luz, todo o nosso pensamento e ilumine o nosso modo de ver e de julgar todas as coisas.

2. Senhor, que a nossa fé seja livre, fruto de uma adesão pessoal, capaz de aceitar com alegria as renúncias e os deveres que ela exige.

3. Senhor, que a nossa fé esteja certa, sempre cheia de confiança, apesar das provações, certa de uma luz tranquilizadora, que nos dê a paz.

4. Senhor, que a nossa fé seja forte, que não tema as provocações e que resista a todo momento de desânimo.

5. Senhor, que a nossa fé seja alegre, dê paz e alegria ao nosso coração, de maneira que irradiemos a felicidade do teu amor em nós.

6. Senhor, que o Símbolo dos Apóstolos entregue hoje, seja para luz guia para nossas vidas.

Presidente: Senhor, sempre atento aos nossos pedidos, escutei a oração dos Vossos filhos, que agora O Conhecem, dai-lhes também a Fé de ser anunciadores, generosos e persistentes, para que pelo seu serviço vos conheçam, e conhecendo-vos se alegrem e vivam no Vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus cristo...

Ação de Graças (Final do momento ou final da missa)
(Pedir a um catequizando que leia a mensagem)

Sugestão 1:

Mãe, Pai... Estou na Igreja hoje, porque vocês me trouxeram, me apresentaram a Deus no meu batismo, assumiram o compromisso de me guiar na Fé e me ajudaram a encontrar Jesus. Hoje eu frequento a Igreja e rezo o “Creio”, acreditando naquilo que vocês me ensinaram desde o berço. Essa é a maior herança que vocês poderiam ter me dado: A Fé em Deus e a crença de que nada sou sem Jesus comigo. E se professo minha fé hoje, em público, é porque minha família me deu esse tesouro. Obrigado a vocês, Mãe e Pai!

Sugestão 2:

Creio que a vida não é uma aventura para se viver segundo a moda corrente, mas um empenho no plano que Deus tem para cada um: um projeto de amor que transforma a nossa existência. Creio que o que melhor pode acontecer a um Homem é encontrar Jesus Cristo, Deus Encarnado. N’Ele tudo –misérias, pecados, história, esperança, assume nova dimensão e significado. Creio que todo o Homem tem capacidade de renascer para uma vida genuína e digna em qualquer altura da sua vida. Compreendo profundamente que a graça de Deus não só tem poder de me fazer livre, mas até de vencer o mal. Obrigado Senhor por este dia!

OBS. As demais partes da celebração da missa transcorrem no rito normal.


FONTE DE PESQUISA PARA CRIAÇÃO DO ROTEIRO:

RICA - Ritual de iniciação Cristão de Adultos:  Itens 125 a 187.(Adaptado).
DOC 107 - CNBB - Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários.
CELAM - A alegria de iniciar discípulos missionários na mudança de época.

PERGAMINHOS DO CREIO

PROCISSÃO DE ENTRADA
ACENDENDO O CÍRIO

RITO DA LUZ

RITO DA LUZ

PROFESSANDO O CREIO

PRECES



Ângela Rocha

Catequistas em Formação


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO