terça-feira, 23 de agosto de 2016

UMA PALAVRA AO CATEQUISTA...

Tela: Catequista Maria da Penha Antunes - Sorocaba- SP
Estamos festejando, neste último domingo de agosto, o Dia do Catequista, perdoem-me, mas vou mudar o termo para “Dia DA Catequista”. Afinal a grande maioria é de mulheres. Mas somos hoje, acredito, quase um milhão, entre homens e mulheres, leigos e religiosos, catequistas no Brasil.

Imaginem um contingente desses trabalhando em prol da evangelização na Igreja Católica, absolutamente de graça. Porque não há dinheiro que pague a abnegação e a dedicação dessas pessoas. São atendidas crianças, jovens, adultos, excluídos, marginalizados, pessoas com necessidades especiais, pais em busca de batismo para os filhos, noivos em preparação ao matrimônio e muitos outros grupos. E essas pessoas se dedicam. Como se dedicam! E não é só um encontro de uma ou duas horas por semana. É tempo na preparação desses encontros, na preparação de material, dinâmicas, organização das celebrações e muitas outras atividades.

Sem contar que estamos vivendo um tempo muito angustiante em nossa Igreja: Já não vivemos mais numa era de Cristandade onde as crianças já nascem num ambiente voltado à religiosidade. Infelizmente a catequese em nossa igreja já não é mais um processo de Iniciação à vida cristã. Ela é apenas um meio de se chegar aos sacramentos, que estão também com um conceito de “evento social” que nos preocupa sobremaneira. Não é, definitivamente, o que a catequese, em seu conceito mais primordial, prega.

Tem havido um esforço enorme por parte das diretrizes de nossa Igreja para mudar isso. Catequistas e catequetas têm se dedicado a estudos e a elaboração de itinerários que contemplem uma verdadeira Iniciação a vida cristã. Já não podemos nos dedicar quase que exclusivamente a crianças e jovens. A catequese hoje, exige que se trabalhe o adulto “catequizado”, que muitas vezes recebeu todos os sacramentos, mas não foi evangelizado.

Muita luta e muita esperança marcam esse Dia do Catequista. Que Deus nos abençoe a todos e que a Vocação Catequética continue sendo um dos profetismos mais fortes em nossa Igreja. Feliz DIA DO CATEQUISTA!

Ângela Rocha

Catequista

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

QUEM SABE O QUE É "DNC - DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE"?

 

DNC - DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE
Documento 84 da CNBB, aprovado pela 43ª Assembleia Geral da CNBB,
em agosto de 2005 e publicado em 2006.

Bom gente, realmente existem "n" situações. Desde o desconhecimento completo do DNC - Diretório nacional de catequese, até o descaso mesmo pelo que está escrito nele. O que temos que ter em mente é que é um documento criado pela Igreja para nos ajudar, dar um direcionamento à catequese, ou seja, aí está o QUE FAZER, já o "COMO FAZER" cabe muito mais às dioceses e as próprias paróquias que precisam colocar em prática o que está escrito nele.
Só que precisamos pensar também que, em cada Diocese, o Bispo é "soberano" em seu território, é ele quem deve tomar a iniciativa de colocar a catequese como prioridade em sua Igreja local e tomar as primeiras medidas para que o DNC seja colocado em prática. Infelizmente nem todos o fazem, seja por falta de recursos ou mesmo por questões de se ter outras prioridades na diocese.


Enquanto isso, para tristeza nossa, vamos deixando passar excelentes oportunidades de evangelização porque achamos que "nós" não podemos fazer nada a respeito. Eu não penso assim. Naquilo que nos cabe, ou seja, buscar nossa formação, conhecimento, engajamento e, sobretudo, RESPONSABILIDADE, é perfeitamente possível correr atrás, mesmo porque, a tecnologia está aí pra nos ajudar.

Ah, a paróquia e a diocese não dão formação? Pois hoje temos informação a um toque dos nossos dedos. Sites, blogs oferecem os documentos da Igreja para download, informações, sugestões, práticas, experiências... Basta a boa vontade de procurar. Nosso grupo “Catequistas em Formação” é um exemplo disso, catequistas que se encontram para trocar experiências. Claro que precisamos tomar cuidado na internet, porque nem tudo é o que parece ser, mas, de maneira geral existem mais coisa boa que ruim.

Se temos que "investir" nisso? Claro que sim, nosso tempo e muitas vezes nosso dinheiro, porque o que vamos adquirir vai ficar em primeiro lugar PARA NÓS, depois é que vai para os outros. Muitas comunidades não tem condições de proporcionar formação ou material aos seus agentes de pastoral.

Aqui atrás de mim eu tenho uma "biblioteca" bem grande com muitos documentos, livros, apostilas, manuais que fui adquirindo ao longo do tempo, e com muita “renúncia” a outras coisinhas, posso garantir. No meu computador eu tenho mais de 3.000 arquivos sobre catequese. Tenho orgulho de dizer que em 10 anos eu nunca faltei a uma formação que fosse oferecida pela minha paróquia ou diocese. Já cheguei a viajar mais de 500 quilômetros para terminar uma pós-graduação em catequética. É isso que fez e faz a minha formação. Vontade de aprender e de multiplicar isso aos outros.

Isso porque quando aceitei o CHAMADO para ser CATEQUISTA eu realmente ACEITEI como VOCAÇÃO. E aceitar um chamado vocacional é isso. PREPARAR-SE para uma missão e, assim como os padres e freiras, renunciar a muita coisa do mundo: festas, viagens, famílias às vezes, diversão, casa... Creio que um dos maiores problemas nossos hoje está nisso, muitos catequistas não são realmente vocacionados e tratam a catequese como um passatempo ou uma espécie de palco para exercer suas vaidades. E não estou falando só de catequistas de base, falo de coordenações, de equipes diocesanas, nacionais e por aí vai.

Enfim, o Documento está aí: O Diretório Nacional de Catequese – DNC, não é uma “invenção” dos bispos do Brasil, ele é uma adaptação local do DIRETÓRIO GERAL DE CATEQUESE – DGC, da Santa Sé, com as nossas realidades locais. Uma ajuda inestimável para que façamos ACONTECER a evangelização. Nós todos agora o conhecemos, o temos “em mãos”, vamos ler e MULTIPLICAR em nossa comunidade o que diz nele. Cobrar – cobrar sim! – que nosso pároco o conheça também. Mas, ter paciência e discernimento para compreender que nem tudo é “pra já”, algumas mudanças demoram a acontecer. Mas, para ACONTECER, elas precisam começar de alguma forma, em algum lugar. Que tal se as mudanças começarem em nós mesmos?


Ângela Rocha
Catequistas em Formação


Nenhuma editora está nos pagando pra fazer “propaganda” deste livro. Mas, digo a vocês: COMPREM, LEIAM, LEIAM DE NOVO, COM CARINHO, COM ATENÇÃO. Vocês vão ver quanta coisa SURPREENDENTE pode existir na nossa catequese, quanta coisa pode ser "cobrada" dos nossos coordenadores, padres e equipes diocesanas. Este documento é NACIONAL, fruto do mesmo documento que a santa Sé publicou em 1997 para reger a catequese na Igreja católica. Todo catequista que se preze PRECISA conhecê-lo, tê-lo impresso e LER sempre que necessário! Tem na internet pra baixar em PDF, em word, tem aqui no blog, mas, tenham o seu livro impresso, é ótimo pra consulta, pra levar na bolsa, pra usar em formações, no seu dia a dia de catequista! No site custa R$ 10,50, mas tem em qualquer livraria católica, das Edições CNBB, da Paulus, da Paulinas... 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

COMO ELE DIZ “ALHOS” E NÓS OUVIMOS “BUGALHOS”!

 (Lc 13, 22-30)

O coração da mensagem de Jesus era o Reino de Deus, e nós continuamos a achar que o que está em causa é a “salvação”. Jesus anuncia com uma transparência extraordinária a Ação de Deus que vem para tomar conta do mundo, e nós ainda pensamos que Jesus nos anda a dizer o que nós havemos de fazer para que Deus tome conta de nós.

Jesus proclama o Reino de Deus como atividade de Deus, e vezes demais encontramos quem ainda não tenha descoberto um Deus Vivo e Ativo no mundo. O grande apelo de Jesus é para Entrarmos neste Reinado de Deus, e há quem não queira mais do que “entrar no céu”.

A Conversão que Jesus propõe é uma Rendição ao Poder de Deus que se manifesta em Jesus e emana da sua vida. Espírito Santo é a maneira como chamamos a este Poder de Deus e Difusão Pascal.  Render-se ao Espírito Santo e consentir na Vontade de Deus, libertando-se dos poderes deste mundo e sendo curado das vontades malignas que nos influenciavam, eis a Conversão ao Reino de Deus. Mas, há quem só queira “salvar a alma”, sem ter que mudar de vida nem trocar de Dono. Quem até queira “converter-se de pecados”, mas sem “converter-se ao Reino de Deus”.

Jesus aparece no mundo como Conspiração de Deus. Assim começa e se estende o Reinado de Deus entre nós, como Conspiração iniciada por aquele Galileu… Porque Deus vem para o que é Seu, mas os Seus não lhe querem devolver. Ser de Jesus é entrar nesta movimentação jesuânica de boicote a um mundo que impôs as suas leis à força. Entrar no Reino de Deus é tomar parte da Conspiração Divina para mudar o mundo de mãos, entregando-o, livre, ao cuidado do único Senhor que sabe o que fazer com ele e conosco.

A Esperança máxima dos que são do Movimento de Jesus é que o Reino de Deus Venha e se Cumpra, que apareçam Novos Céus e Nova Terra, mas, continua a repetir-se por aí a lenga-lenda religiosa que põe a sua máxima esperança em “ir para o céu”. 

A maneira como Evangelho está contado é simples e direta! Jesus está a anunciar o Reino de Deus. O “você está aqui”, agora, está a apontar para o centro do capítulo 13 do evangelho de Lucas. Jesus pergunta-se a si mesmo, em voz alta, como quem mostra o que o ocupa por todos os lados: “Como havemos de anunciar o Reino de Deus? Com que parábolas havemos de o dizer?” É o verso 18. E Jesus lembra-se do grão de mostarda… Depois, no verso 20, continua: “Que imagens hei de usar para anunciar o Reino de Deus?”, e usa a do fermento que leveda no meio da massa.

A cena seguinte é esta que apanhamos em flagrante no evangelho de hoje: “Senhor, os que se salvam são poucos?”. É o verso 23. Que mudança de tom… Jesus não responde “sim”. Nem “não”. Nem “poucos” ou “muitos”. Nem encolheu os ombros. Jesus virou outra vez a agulha para o que quer que nós ouçamos, e usou mais uma imagem para nos desafiar a entrar no Reino de Deus (desta vez, a porta estreita) e contou mais uma parábola sobre entrar e ficar fora, em que Deus é o Dono da Casa. E termina, a “la Jesus”: “virão pessoas de todas as partes, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul para tomarem parte no Reino de Deus!”

É um mundo ao contrário! É uma terra do avesso! “Uns quantos últimos serão primeiros, e uns quantos primeiros serão últimos”. Enquanto não despertarmos diante destas mudanças de agulha, estamos a dormir o sono abúlico da religião.

As imagens de Jesus mexem comigo. Aquela do Dono da Casa não nos reconhecer, até dói só de ouvir. Não quero que me aconteça. Morreria naquela porta, de tristeza. Tomar parte no Reino de Deus não é pertencer exteriormente a um grupo ou fazer ritualmente algumas atividades. Claramente, o que está em causa é ser amigo do Dono da Casa, conhecê-lo e estar-lhe perto. Ser próximo dele, porque sem proximidade não se constrói intimidade. Quero que Ele, o Senhor e Dono da Casa, me conheça, me reconheça, se lembre de me ter por perto.

O diálogo que Jesus põe na boca daqueles da parábola, é tão certeiro como de costume: “Nós comemos contigo, bebemos contigo, ensinaste entre nós”. Comida, bebida e palavra: não é isto a nossa Eucaristia? Comer o Pão, beber o Vinho e escutar a Palavra.

“Então não Te lembras da quantidade de vezes que fomos à missa?!” E, lá de dentro, uma voz diz “Não vos conheço!” àqueles que ficaram de fora…  “Esforcem-se por entrar”. Este é o desafio. Não se entra na Conspiração Divina “sem querer” ou por acaso. É um convite que nos é feito de maneira velada, uma insinuação interior que o Espírito faz ao nosso espírito, uma orientação de vida que começa a atrair-nos, primeiro, e a assustar-nos, depois, e a atrair-nos ainda mais, e a perdoar-nos muito, entretanto…

Esforcem-se por entrar. É a tal Conversão ao Reino de Deus, que implica rendição, consentimento, decisão e seguimento.

E, tendo apanhado a força deste mandato ao esforço deste convite à Entrada, podemos parar na imagem da porta que é estreita. Como sempre, o que importa não é o tamanho. Estreita, aqui, não quer dizer “pequena” nem “para poucos”. Quer dizer que não se acerta nela sem querer ou por sorte. Não basta ir com a multidão, porque a multidão não vai até lá. Não basta deixar-se levar pela confortável maior parte, porque só a abnegação do Resto Fiel sabe o caminho de porta tão especial.

Se a passagem é estreita, quer dizer que é preciso focar! Focar bem, orientar-se direito. Não é tudo igual, não vale tudo o mesmo e não está tudo bem. Se a passagem é estreita, é preciso procurá-la, discerni-la, orientar-se para ela, dirigir-se em função dessa nesga que leva à Vida! Porque é larguíssimo o caminho para lado nenhum. É vastíssimo o território onde não se sai do lugar. Mas é pela brecha da Conversão que a gente se enche de esperanças, como quem dá a volta e se aponta para nascer outra vez.

Pe. Rui Santiago, cssr.
Plano B: https://www.facebook.com/homilias.rui.santiago.cssr/


Em tempo: Você sabe o que é "bugalhos"?

Ao ouvir esta expressão a gente entende que não se deve fazer confusão entre uma coisa e outra. Mas, afinal, o que são "bugalhos"? E por que alguém iria confundir com alhos? Uma ida ao dicionário nos faz raciocinar e entender a questão. Diz o Aurélio que bugalho é "galha arredondada ou coroada de tubérculos que se forma nos carvalhos". Diz ainda que bugalho é “o globo ocular”.  Então, no popular, bugalhos são bolotas existentes no carvalho, mais ou menos redondas, como os alhos. Daí a possibilidade de alguém confundi-los. Sobre a relação como globo ocular‚ é porque também é semelhante ao bugalho, mais ou menos redondo e com nódulos. Por isso, chama-se de "esbugalhados", os olhos bem abertos, como bugalhos. 



HOMILIA DO DOMINGO - LIÇÃO DE HUMILDADE


Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: “Amigo, passa mais para cima.” Lc 14, 10
O evangelho deste domingo toca um tema muito delicado e ao mesmo tempo essencial na vida cristã: a humildade. Cristo é para todos nós o exemplo supremo de humildade, pois sendo Deus, não teve problema em se rebaixar e se fazer um de nós (e ainda mais em uma família pobre) assumindo toda a nossa condição e até mesmo aceitando ser considerado e condenado como criminoso.

Por isso, o abaixar-se é a direção indicada para todos nós que queremos ser seus seguidores. Aproveitar o ser cristão como um modo de se promover é um grande equívoco. Jesus nos empurra para os últimos lugares. Ele nos oferece seu lugar de servidor, de quem está disposto a lavar os pés dos demais com prazer.

Uma vez mais nos encontramos com o Senhor que nos propõe uma atitude não natural em nós. Se seguimos nossa natureza, preferimos estar no primeiro lugar ou sermos servidos pelos demais. Cada um de nós sempre se sente muito importante e deseja que todos reconheçam isto. É assim que nascem muitas decepções. Quantas pessoas ficam tristes e amarguradas porque não se sentem valorizadas, apreciadas e reconhecidas em suas capacidades, ou nível, ou títulos...

Sem dúvidas, acredito que seja muito mais importante fazer algumas distinções. Ao menos por três motivos uma pessoa pode ocupar o último lugar: porque lhe deram um lugar mais adiante, ou porque vencida pela timidez não teve a coragem de se colocar mais à frente, ainda que o desejasse muito, ou porque por opção se escolheu aquele lugar. Quanto ao primeiro caso, em que o último lugar vem designado por motivos externos, este não há algum valor evangélico, ao contrário, pode ser motivo de vergonha. Quanto ao segundo, é muito importante não confundir a virtude da humildade com a timidez. Existem pessoas que sempre se metem no último lugar ou se escondem porque são tímidas, mas em seu interior desejariam ser diferentes, convivem com uma amargura e ficam destilando veneno contra os demais. Certamente este último lugar tampouco tem um valor evangélico, de fato, não é uma atitude cristã, apesar do gesto ser o mesmo, as motivações são totalmente distintas...
Para que uma pessoa possa tranquilamente se colocar no último lugar, ela necessita estar muito segura de si mesma. Necessita ser verdadeiramente dona de si. (Como Cristo, pois para ele não foi um problema se fazer o último). Uma pessoa insegura, ao contrário, dificilmente conseguirá se colocar espontaneamente atrás dos demais. Isto será para ela uma violência demasiadamente forte. Terá medo de ser esquecida, ou de ser depreciada. Fazer a opção de se colocar no último lugar, e vier com paz e serenidade esta posição, exige com certeza uma boa auto;estima.

Mas de onde pode vir a nossa segurança? Penso que quando nos sentimos verdadeiramente amados por Deus, nos sentimos seguros. Insisto em te dizer “nos sentimos amados”, mas não basta saber que Deus nos ama, é necessário ter experimentado este amor, reconhecendo-o sem limites e incondicional. É este sentir-se importante para Deus, precioso a seus olhos, destinatário de sua confiança, que nos liberta de buscar os primeiros lugares.

Diante dos demais, sentir que o Senhor de todas as coisas tem um olhar carinhoso para nós nos faz relativisar qualquer desprezo por parte dos homens. Quando sentimos esta segurança, sabemos que este último lugar é passageiro, não é para sempre. Sabemos que a qualquer momento o Senhor, dono da festa, nos dirá; Amigo, vem mais para frente. Portanto, colocar-se no último lugar é uma viva expressão de nossa fé em Deus, Senhor da história, que exalta os humildes e derruba os soberbos.

Senhor, faz-me sentir profundamente o teu amor. Cura minhas inseguranças. Dá-me a graça de ter uma profunda confiança em ti, a fim que eu saiba que não necessito promover-me, porque és tu quem me promoverá se tenho a coragem de me abaixar. Convence meu coração de que eu não necessito defender-me, porque tu és o meu defensor.
 
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

CORRENTES DE ORAÇÃO: MUITA CALMA NESSA HORA!

“Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus”(Mt 18, 19).

Jesus, nesta passagem do Evangelho, nos declara a importância de nos unirmos em oração para pedir a graça do Pai – mas não estabelece condições estritas e muito menos ameaças quanto ao modo de fazermos isto. Quem quiser unir-se a uma intenção de oração pode fazer a prece que preferir, na hora e no lugar que desejar, sozinho ou acompanhado.

Mas é importante distinguir o seguinte: uma coisa é unir-se em oração por uma intenção concreta e real, mesmo quando as pessoas participantes da oração não se conhecem; outra coisa bem diferente é aderir às chamadas “correntes de oração”, que hoje, graças à internet, não apenas se difundem profusamente como ainda “ameaçam” com certos castigos àqueles não as seguirem à risca.

A Igreja não admite que a oração seja instrumentalizada e reduzida a essa espécie de “chantagem psicológica”. É por isso que essas “correntes de oração” merecem clara censura.

Em primeiro lugar, porque elas “prometem desgraça” a quem não as fizer, ou a quem as interromper temporária ou definitivamente, ou a quem não as repassar. Além disto, procuram sustentar tais ameaças citando falsos exemplos ou testemunhos de pessoas que supostamente as romperam e sofreram punições. Quem promove essas correntes em nome de Deus é um falso profeta: ninguém pode ameaçar ninguém em nome de Deus.

Em segundo lugar, essas correntes enganam o próximo, já que obrigam as pessoas a fazerem mau uso da oração, desvirtuando-a ou banalizando-a. Este é, no fundo, o verdadeiro objetivo desse tipo de “cadeia de oração”.

Vincular desgraça ou prêmio a uma determinada corrente de oração é contrário aos ensinamentos da Igreja. Nem prêmio nem condenação decorrem de se participar ou deixar de participar de uma “corrente”. Trata-se de mera superstição: atribui-se à simples materialidade dessas supostas orações uma eficácia que elas não têm.

O catecismo nos lembra que atribuir eficácia à materialidade de orações ou de sinais sacramentais, prescindindo das disposições interiores exigidas, é cair em superstição (cf. núm. 2111). E toda superstição desvia de Deus a nossa confiança e a transfere para práticas ridículas, o que acaba se tornando uma ofensa contra Deus: são formas, no fim das contas, de se desconfiar d’Ele.

A superstição contraria o primeiro mandamento da lei de Deus e é um sinal claro de ausência de fé verdadeira. Por isso, não só comete falta quem envia e difunde essas correntes de oração, mas também quem acredita nelas.

Esse tipo de superstição envolve uma série considerável de erros:
  • As correntes se valem de uma suposta necessidade alheia para forçar os participantes a buscarem benefício pessoal.
  • Apresentam receitas ou fórmulas mágicas para se conseguir resultados em detrimento da fé.
  • Fazem ameaças a quem não realiza certas práticas, o que envolve uma atitude de medo de Deus e confiança em homens que pretendem falar em nome d’Ele.
  • Difundem preces e imagens com erros teológicos, o que é grave porque leva as pessoas de fé pouco sólida a cultivarem uma imagem cada vez mais equivocada de Deus.
  • Fomentam a frustração com Deus quando Ele não “cumpre” o que se esperava que cumprisse.
  • “Motivam” os outros a propagar uma suposta oração a fim de conseguir resultados fáceis, rápidos e interesseiros, sem levarem em conta a verdadeira vontade de Deus.

Outro problema, que não é de caráter religioso, mas nem por isso é irrelevante, é que essas correntes, quando encaminhadas por e-mail, ainda servem com frequência para captar informações pessoais ou espalhar vírus informáticos.

A verdadeira motivação da oração deve ser o amor. Ora-se de verdade quando se ora por autêntico amor a Deus e aos irmãos e irmãs; quando se ora sem esquecer que a oração deve acomodar-se à vontade de Deus e não “pressionar” Deus para se Ele se acomode àquilo que desejamos (ou exigimos). A oração é para nos colocarmos nas mãos de Deus, para confiarmos ao Seu Coração amoroso a nossa vida, “como bebês nos braços da mãe” (cf. Sal 131, 2). Não podemos manipular Deus. Ele não se pauta pela vontade humana nem é um dispensador de milagres a nosso bel-prazer.

Confiar em Deus é reconhecê-lo como Pai e saber que o triunfo está garantido, mas não ao estilo dos homens ou segundo as lógicas humanas. Confiar em Deus é ter a certeza de que a cruz não é o fim do caminho. Confiar em Deus é saber que, mesmo quando as coisas não saem do jeito que gostaríamos, Ele nunca nos desampara, pois sabe o porquê de cada experiência que nos permite viver. Confiar em Deus é saber que somos amados por Ele. A autêntica oração, portanto, é um ato de confiança em Deus, pedindo-lhe como filhos, mas deixando que Ele decida como Pai.

As “correntes de oração” que fogem a essa relação filial com Deus merecem somente uma resposta: não! E ninguém deve sentir-se mal por ignorá-las tal como elas merecem.

Pe. Henry Vargas Holguín – Aleteia Team


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO