sexta-feira, 20 de julho de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A IMPORTÂNCIA DO RECOLHIMENTO


                  HOMILIA DO 16° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

“Vindes sozinhos para descansar um pouco.” (Mc 6,31). Jesus e seus discípulos têm uma vida agitada e precisam de momentos de afastamento, de solidão.


Jesus convida seus discípulos para relatarem a sua missão (cf. Mc 6,30). A primeira lição de Jesus, portanto, é a importância da avaliação. Quando paramos como grupo, comunidade ou individualmente, podemos enxergar de um modo mais ponderado como está a nossa missão de cristãos, discípulos missionários. Quando realizada com os irmãos, esta avaliação ganha força, pois a comunidade é sempre um critério para que encontremos o melhor caminho.


Em um segundo momento, Jesus nos ensina a importância do recolhimento. O mundo moderno é o mundo da agitação, da vida ocupada. Facilmente vivemos em função do nosso trabalho, de nossas obrigações. É geralmente uma corrida que ofusca o verdadeiro tesouro da vida e, não raras vezes, é uma busca pelo ter, pelo sucesso profissional, pelo dinheiro. Nossa corrida nem sempre é missionária, e mesmo a fadiga missionária, não dispensa o descanso merecido.


Como está o nosso descanso? O nosso lazer? Como aproveitamos o nosso tempo livre? O descanso tem uma dimensão espiritual: Jesus se retirava para rezar, para se encontrar com o Pai e não perder o foco da missão. Esta lição foi ensinada na prática aos discípulos. Reservar tempo para o Senhor nasce de Um hábito; é preciso estar alerta, pois facilmente esse tempo fica em segundo plano.


A Igreja nos convida a valorizar o domingo como dia de descanso, de encontro familiar, de reunião comunitária, de celebração da Páscoa do Senhor: “Entende-se, assim, a grande importância do preceito dominical de ‘viver segundo o domingo’, com uma necessidade interior do cristão, da família cristã, da comunidade paroquial. Sem uma participação ativa na Celebração Eucarística dominical e nas festas de preceito não existirá um discípulo missionário maduro. Cada grande reforma na Igreja está vinculada ao redescobrimento da fé na Eucaristia. Por causa disso, é importante promover a ‘pastoral do domingo’ e dar a ela ‘prioridade nos programas pastorais’ para um novo impulso na evangelização do povo de Deus no continente latino-americano”.


 Jesus é o Bom Pastor, o verdadeiro Pastor prometido no Antigo Testamento (Jr 23, 5-6). As ovelhas vão atrás de Jesus, pois precisam de uma palavra, de um alento, da água viva que só Ele oferece. Hoje, do mesmo modo, o mundo é um rebanho sedento, deseja uma vida de sentido, mas nem sempre encontra a Palavra do Pastor. Existe uma multidão correndo atrás de Jesus, e talvez nem saiba disso. Somos também essas ovelhas perdidas? Somos pastores que podem apontar o verdadeiro Pastor? Todos nós somos ovelhas e pastores ao mesmo tempo.


A Santa Missa é uma ocasião para escutar os ensinamentos de Jesus (cf. Mc 6, 34b), de contar que estamos fazendo (cf. 6,30). Na Eucaristia nos encontramos com Aquele que nos alimenta com o pão, que prepara a mesa, que faz o nosso cálice transbordar (cf. Sl 22). A Eucaristia é o alimento das ovelhas; é o nosso encontro pessoal com o verdadeiro Pastor.


Pe Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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quinta-feira, 19 de julho de 2018

INQUIETAÇÕES DO CATEQUISTA...



Estava aqui pensando no que dizer à inquietação de tantos catequistas. 

Sim, estamos inquietos com relação ao futuro da catequese em nossas comunidades. 

Mas, é bom que sejamos inquietos. O evangelizador precisa se inquietar e não aceitar as coisas exatamente como elas são. Agora, o que não podemos deixar acontecer, é que essa inquietação mate nosso espírito de luta e nos deixe prostrados simplesmente recebendo - ou não recebendo, dependendo do caso - as coisas como vêm, prontas e acabadas.
Mas, vamos às “inquietações”:

Como prover recursos financeiros para a catequese?
Por que temos tantas reclamações das (os) catequistas?

Isso falando a respeito do quase abandono de algumas paróquias com relação às necessidades da catequese, desde recursos materiais até a formação de seus agentes.

Para começar, quero colocar aqui uma frase para nos inspirar:

“Não é possível derramar mais água numa taça já cheia; assim também Deus não pode verter as suas graças numa alma cheia de distrações e frivolidades”.
(São Maximiliano Maria Kolbe)

Pois é, não se coloca nada numa taça já cheia, ou seja, ninguém aprende se acha que já sabe e ninguém procura o que acha que não precisa.

Quem sabe nossos padres e lideranças não estejam, então, com a alma cheia de distrações e frivolidades? E aqui quero lembrar a vocês que um padre é, antes de tudo (não deveria, mas, é), o administrador paroquial. Tanto no quesito pastoral quanto administrativo/financeiro. Afinal uma paróquia é uma “empresa”, com CNPJ e tudo.

Evidentemente, ele poderia contratar um profissional para isso, mas, a nossa Igreja ianda está longe de pensar em trabalhar fora do voluntariado. E voltemos àquela questão da “taça cheia”: Muitos acham que o mandato vocacional proporciona sabedoria infinita e recorrem ao Espírito Santo (que não fez graduação nenhuma em finanças!), para prover o que lhe falta em especialização e conhecimentos administrativos. Muitos padres não conseguem administrar as finanças de uma paróquia e esta acaba sendo mantida com dificuldade pelo coração caridoso dos seus fiéis. Aliás, esta também é uma das reclamações de muitos dos nossos catequistas, que usam seus próprios recursos para conseguir fazer uma catequese mais elaborada. Isso quando eles mesmos é que tem que comprar Bíblias e manuais de catequese para seus catequizandos.

Enfim, aqui alguns diriam que só nos resta rezar. Rezar para que nossos líderes, por algum milagre dos céus, tomem consciência de que, sem os leigos, principalmente os catequistas, não haverá mais paróquia para administrar se as coisas continuarem assim.

E aqui eu recorro a mais uma frase de São Maximiliano:

“O fruto do nosso apostolado depende da oração. Se falamos de oração, não se deve entender que seja preciso ocupar muitas horas em estar de joelhos e em oração, mas que sejam feitos atos internos...”.

“Atos internos”. O que nosso venerável santo quis dizer com isso? Acho que se lembrarmos que o ato mais nobre da vida dele foi se oferecer para morrer no lugar de um pai de família num campo de concentração nazista, não precisamos pensar muito na resposta.
Mas, aí está uma coisa que a gente não se põe muito a pensar... No quanto as orações têm o poder de nos mudar “internamente”. Ao nos confessarmos fracos e impotentes, e pedirmos ajuda a Deus, estamos, inconscientemente, ajudando a nós mesmos. A despertar o “Espírito Santo” que existe dentro de nós. De nada adianta nos pormos a rezar sem dar uma “ajudinha” a esse Espírito Santo. Não recebemos dele sete dons? Onde estão quando precisamos?

E essa “ajudinha” é justamente pensar no que afinal se pode fazer para que nossa catequese fique melhor. Claro que é difícil mudar alguma coisa quando coordenações e párocos estão apáticos e desmotivados ou sequer acreditam na catequese. Mas, mudanças podem ser “operadas” nas pequenas coisas que “nós” fazemos!

E que “pequenas coisas” são essas que podemos fazer?

Primeiro, independente de saber se o padre ou o coordenador conhece o Diretório (DNC) e os documentos da catequese, preciso “EU” mesma (o) conhecê-los. “Ah, mas não posso por em prática nada do que diz lá! ”. Quem disse que não?

Se eu sei qual é a metodologia de Jesus, o que é interação fé e vida, o método ver-julgar-agir; por que não posso colocá-los em prática? O “como” se catequiza é uma das formas mais eficientes de se conseguir catequizar. Posso não estar influenciando as gerações que me precedem, e a minha já esteja um tanto perdida, mas, com certeza, influencio aquelas que virão. Ninguém é mais o mesmo depois que “experimenta” Jesus de verdade. Depois do “encontro” com Ele!

Só que quando não temos as “armas do poder” é preciso um pouco de paciência. Se não sou nada na paróquia, pelos menos em termos de influência com o pároco ou coordenação, o negócio é mudar NO espaço em que me é permitido. E este espaço se chama “catequese”, aquela de verdade, que faço quando consigo ecoar a Palavra de Deus entre os meus catequizandos. É claro que preciso seguir as “normas” e as “regras” da pastoral. Não posso fugir delas. Tenho que trabalhar com elas a meu favor, por mais que não concorde com elas.

E quais são mesmo as reclamações? Não temos apoio.... Não temos espaço.... Não temos recursos.... Não temos material... Não temos preparo.... Não temos orientações.... Não temos....

Difícil para um (a) coordenador (a) resolver tudo isso, não é? Isso quando o problema não é ter coordenação!

E achar solução para todos estes “não temos”, não é assim tão complicado. Tanto é que a catequese acontece, apesar de todos estes problemas. Mas, a que custo? E não estou aqui falando do “custo financeiro... Falo do custo de perdermos pessoas que acabam desanimando e, sem motivação, acabam deixando a catequese. Que já é, por sua própria natureza educacional, bem exigente.

E parece que a solução para a falta de recursos na catequese, tem sido resolvida, muitas e muitas vezes, pelos próprios catequistas. Que se desdobram, além dos encontros, em inúmeras atividades de arrecadação de fundos e outros serviços: jantares, barracas, rifas, venda de salgados, feira de usados, etc.; faxina e manutenção das salas e por aí vai; usam o próprio dinheiro para comprar o que basicamente se necessita: papel, Bíblias, manuais, recursos didáticos, etc. E tem também os casos em que a paróquia conta com uma equipe de catequistas que tem dinheiro sobrando e não se incomode de sustenta-la...

Bom, não sou contra nada disso, desde que:


- O dízimo e os recursos arrecadados com as doações dos fieis não estejam, única e exclusivamente, sendo usados na manutenção do templo, em construções de “embelezamento” e na manutenção dos gastos da paróquia;

- A paróquia ou comunidade seja mesmo carente, esteja localizada numa região de população igualmente carente e cujo dízimo, realmente, não sustente as atividades pastorais;

- Os catequistas estejam tirando recursos do próprio bolso para a compra dos materiais necessários à evangelização.

Agora, se a paróquia tem e utiliza todos os seus recursos na manutenção de pessoal e manutenção física da paróquia, aí tem alguma coisa errada! Má administração, só para começar, depois falta de conscientização das lideranças e falta de visão de futuro para a nossa Igreja. Quem é que sentará nos lindo bancos e belos templos, se não houver mais católicos, se não evangelizarmos mais? Se a catequese deixar de existir, o que a substituirá?

O que podemos começar fazendo, é conhecer a realidade da nossa comunidade, saber se há recursos, onde estão sendo utilizados e se podemos ajudar a melhorar as coisas. Os bons párocos com lideranças conscientes (que os ajudam e não incomodam!), costumam ser transparentes e não escondem nada. Priorizam a evangelização e estão dispostos sempre a apoiar a catequese e as demais pastorais. Penso que não custa perguntar e dar uma olhadinha nas prestações de contas da paróquia. Ela deve sempre estar disponível aos fiéis da comunidade que desejarem vê-la. Somos a “comunidade”.

Esta é apenas uma das “coisinhas” que a gente pode fazer. E continuar se inquietando sempre. Colocar nossa inquietação para fora. Inquietar-se é bom. Mas, é melhor ainda quando nos anima a mudar, a fazer pequenas coisas que podem ser tornar grandes na vida das pessoas que estão ali, ao nosso redor e sob a nossa responsabilidade.

E para finalizar, lembremos de uma frase que eu nem sei de quem é:

Palavras sensibilizam, exemplos arrastam...


Ângela Rocha
Catequistas em Formação

* De repente a gente compra um "inquieteco" (fidget spinner ou hand spin), quem sabe? Sei lá?  Rsrsrsrsrs...



terça-feira, 17 de julho de 2018

ROTEIRO DE ENCONTRO COM CRISMANDOS: ABRAÇO



Mesmo tema, uma versão diferente de encontro!

Tema: ABRAÇO (Por favor, me toque!)

Interlocutores (Catequizandos): Crismandos.

Duração: 90 minutos.

Local/ambientação: Sala de catequese, flores, bíblia, crucifixo, velas.

Objetivos: Explorar o poder do toque, o respeito, amor ao próximo e diferenças de idade, raça, gostos, etc.

Recursos/material: Texto, letra da música, Bíblia, velas, flores, cartaz, poema, etc... Musica “Dentro de um abraço” - Jota Quest.

Motivação:
DINÂMICA - JOGO DO TOQUE
Objetivo: Permitir maior interação e contato entre os adolescentes para descontração.
Duração: 15 minutos
Material: Sala ampla, aparelho de som.
Desenvolvimento:
1. O facilitador solicitará que o grupo fique no centro da sala, à vontade.
2. Os participantes circularão, dançarão, respondendo ao código do facilitador, como: pé com pé, braço com braço, etc.

Palavra: Mateus 8,1-3.

Refletir sobre o “toque de Jesus”... O poder amoroso, inclusivo e “curador” do toque de Jesus. De quantas pessoas ele mudou e continua mudando a vida? Não seremos nós as “mãos” Dele? Não cabe a nós darmos estes abraços “curativos” às pessoas que nos cercam?

Oração: Orações espontâneas, tocando os amigos (abraços, beijos, apertos de mão carinhosos). Valorizar o outro, tocar o outro com abraços, aperto de mão, usando muito o toque. (Vale lembrar do respeito que está faltando para com o corpo do outro).

Compromisso:
Esta semana abraçar 5 pessoas por dia. Lembrar do valor do abraço (Texto em anexo).
Que os crismandos levem para sua vida o que viram e sentiram no encontro. Para que despertem a consciência de que algo precisa ser feito sobre o bom relacionamento e que gere mudanças na vida de cada um. É um convite para amar e tocar mais e ir em busca do outro e de Deus.
Despedir-se com um caloroso abraço!
Avaliação: No próximo encontro veremos quem deu os abraços, quem aproximou do outro, quem ligou, mandou mensagens carinhosas, quem sentiu a presença do outro dentro de um abraço.

ANEXOS:
1. POEMA:
POR FAVOR, ME TOQUE!

Se sou seu bebê,
Por favor, me toque.
Preciso de seu afago de uma maneira que talvez nunca saiba.
Não se limite a me banhar, trocar minha fralda e me alimentar, mas me embale estreitado, beije meu rosto e acaricie meu corpo.
Seu carinho gentil, confortador, transmite segurança e amor.
Se sou sua criança,
Por favor, me toque.
Ainda que eu resista e até o rejeite, insista, descubra um jeito de atender minha necessidade.
Seu abraço de boa noite ajuda a adoçar meus sonhos.
Seu carinho de dia me diz o que você sente de verdade.
Se sou seu adolescente,
Por favor, me toque.
Não pense que eu, por estar quase crescido, já não precise saber que você ainda se importa.
Necessito de seus braços carinhosos, preciso de uma voz terna.
Quando a vida fica difícil, a criança em mim volta a precisar.
Se sou seu amigo,
Por favor, me toque.
Nada como um abraço afetuoso para eu saber que você se importa.
Um gesto de carinho quando estou deprimido me garante que sou amado, e me reafirma que não estou só. Seu gesto de conforto talvez seja o único que eu consiga.
Se sou seu parceiro,
Por favor, me toque.
Talvez você pense que sua paixão basta, mas só seus braços detêm meus temores.
Preciso de seu toque terno e confortador, para me lembrar de que sou amado apenas porque eu sou eu.
Se sou seu filho adulto,
Por favor, me toque.
Embora eu possa até ter minha própria família para abraçar,
Ainda preciso dos braços do pai ou da mãe quando me machuco.
Se sou seu pai idoso,
Por favor, me toque.
Do jeito que me tocaram quando eu era bem pequeno.
Segure minha mão, sente-se perto de mim, dê-me força e aqueça meu corpo com sua proximidade.
Minha pele, ainda que muito enrugada, adora ser afagada.
Não tenha medo, apenas me toque...

(Phyllis K. Davis).

2. MÚSICA: Dentro de Um Abraço - Jota Quest
O melhor lugar do mundo
É dentro de um abraço
Pro mais velho ou pro mais novo
Pra alguém apaixonado, alguém medroso

O melhor lugar do mundo
É dentro de um abraço
Pro solitário ou pro carente
Dentro de um abraço é sempre quente

Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra

No silêncio que se faz
O amor diz compromisso
Oh baby, baby
Dentro de um abraço tudo mais já está dito

O melhor lugar do mundo
É aqui, é dentro de um abraço
E por aqui não mais se ouve o tique-taque dos relógios
Se faltar a luz fica tudo ainda melhor
O rosto contra o peito, dois corpos num amasso
Os corações batendo juntos em descompasso

Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra

Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço se encontra

Na chegada ou na partida
Raio de sol ou noite fria
Na tristeza ou na alegria
(Na tristeza ou na alegria)

Tudo que a gente sofre
(Na chegada ou na partida)
Num abraço se dissolve
(Raio de sol ou noite fria)
Tudo que se espera ou sonha
(Na tristeza ou na alegria)
Num abraço a gente encontra

Tudo que a gente sofre
(Na chegada ou na partida)
Num abraço se dissolve
(Raio de sol ou noite fria)
Tudo que se espera ou sonha
(Na tristeza ou na alegria)
Num abraço a gente encontra.

3. Para o Catequista:

TEXTO: A importância e o valor de um abraço para o ser humano

Muito se fala sobre o abraço, sobre a importância desse gesto para o ser humano. Um abraço de 20 segundos por exemplo: para se ter uma ideia do seu valor, é o suficiente para liberar o hormônio oxitocina, também conhecido pelo “hormônio do amor”.  Esse hormônio é liberado na hora do parto pela mãe, como forma de estreitar mais o seu vínculo entre ela e o bebê. Vínculo esse importantíssimo para a formação psíquica do bebê.

Mas para nós seres humanos o abraço e o contato com o outro é tão importante, sendo ele assunto de estudos de muitos pesquisadores. De acordo com o médico vienense Paul Shilder (1981), influenciados pelos conceitos da psicanálise e filosofia, “já considerava a pele humana como uma roupagem contínua e flexível que nos envolve por completo (…) como o corpo é todo recoberto pela pele, entramos em contato com o meio externo através dela, a pele é assim o maior mediador entre o ser e o mundo”. Além dessa parte fisiológica do abraço, que envolve as percepções do contato da pele, o abraço nos remete psiquicamente a proteção e ao aconchego lá do início de nossas vidas, quando o abraço, o colo o contato físico da mãe com o bebê foi fundamental para a sua constituição como pessoa.

Há alguns momentos e encontros que um simples abraço consegue responder por um longo tempo de ausência, por recuperar um tempo perdido, por pedir um perdão e por perdoar, por celebrar uma festividade, bem como dar um conforto para uma determinada pessoa em um momento mais difícil de suas vidas.

Abraço de amigo, de pai, de mãe, de irmão, de namorado, de marido, de mulher, de filho, de criança, enfim abraços de pessoas.  Clarice Lispector já dizia que “a gente descobre a importância de um abraço, quando precisa de um”.

A grande vantagem de um abraço é que ele só precisa da disposição de quem o oferece e da humildade de quem o recebe. Aqui não existe custo x benefício, aqui podemos mudar as regras e ser benefício x benefício. A gratificação e os ganhos em todos os sentidos são para os dois, tanto para aquele que oferece como para aquele que o recebe.  Quando estiver naquela situação em que você pensa: Não sei nem o que dizer e nem o que falar. Se realmente não sabe, não diga e nem fale. Simplesmente, ofereça o seu abraço, que certamente ele dirá tudo e mais um pouco por você.

Com um abraço especial.
(Autor Desconhecido)

Sugestões para reflexão:
1. Sensação captada pelo contato com o outro.
2. Pessoas que sentem dificuldade de proximidade com os outros.
3. Houve sentimentos agradáveis durante o contato com diversos participantes?

Resultado esperado: Proporcionar o contato entre os adolescentes, de forma agradável e sem preconceitos.




Colaboração: Elano Luís – Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Luz – MG.


ROTEIRO DE ENCONTRO DE PAIS E CATEQUIZANDOS: POR FAVOR, ME TOQUE!


Roteiro desenvolvido para Encontro/retiro com Pais e Catequizandos.

“Por favor, me toque! ”

Objetivo: Maior aproximação entre pais e filhos.

Duração: 1h20

Ambientação: Salão ou sala grande que acomode a todos. Usar imagem da Sagrada Família, deixar o ambiente acolhedor: velas, flores. Use a criatividade.
* Providenciar cópia do poema para as famílias.

Acolhida: Catequistas acolhem os pais dando boas-vindas.
Oração: Vinde Espírito Santo.

MOTIVAÇÃO:

Palavra: "Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará”. (Êxodo 20,12).

Reflexão: Explicação da palavra, falando sobre o amor dos pais para com os filhos. O porquê de todos estarem ali. O motivo é se aproximar mais dos seus filhos.

Dinâmica tema: Por favor me toque!

O dirigente pede para que os pais façam um círculo por fora e os Catequizandos no lado de dentro na frente dos pais. Coloca-se uma música instrumental, Catequizandos anda para direita e país para esquerda, devagar, calmamente. Enquanto isso falamos sobre o toque.

A experiência de tocar, de afagar, de sentir, de se aproximar, numa sociedade que a juventude está tão distante dos seus pais, com seus celulares, com a tecnologia que está afastando as famílias.

Se eu sou um bebê por favor me toque, eu preciso do seu afago de maneira que talvez nunca saiba; Pai, Mãe não se limitem a me banhar, trocar a minha fralda, mas, me embale, beije o meu rosto, o seu carinho gentil e confortador me transmite segurança e amor.

Pais lembrem-se agora, de quando esses catequizandos eram bebês, voltem à época em que eram pequenos, todo aquele primeiro cuidado, talvez aquela falta de experiência, aquela ansiedade, medo; mas, também aquele amor que os unia. Quando bebês essa experiência do toque é mais vívida.

Quando você chegar perto do seu filho, pode parar junto dele.

Se eu sou uma criança por favor me toque, ainda que eu resista e até rejeite, insista; descubra um jeito de atender a minha necessidade. O seu abraço de boa noite ajuda a adoçar os meus sonhos. O seu carinho de dia me diz o que você sente de verdade.

Agora que você está perto do seu filho (a), essa é a primeira experiência:

Que as crianças se voltem para os pais e segurem as suas mãos; e que os pais e filhos se olhem, suas mãos juntas, pensem no significado que isso tem. Se vocês a muito tempo não se tocavam, não andam mais de mãos dadas, se ele não precisa mais do seu toque para atravessar a rua, que agora esse toque tenha significado de novo.
Se eu sou seu adolescente por favor me toque, não pense que eu por quase estar crescido já não preciso saber que você se importa. Eu necessito de seus braços carinhosos, de uma voz terna, quando a vida fica difícil, a criança em mim volta a precisar.

Então agora vocês pais, faça uma experiência que a muito tempo não fazem: que você toque o rosto do seu filho, olhe como ele está hoje... faça de olhos fechados e veja uma nova forma de sentir o rosto dele... como se você pudesse, só com o toque, saber o seu formato... orelha, nariz, boca, queixo, cabelos...

Agora você filho, faça essa experiência com seus pais. Toque o rosto deles, acaricie, sinta que já tem aquela ruga, a barba, cabelo que eles não gostam que desarrume. A importância desse toque infelizmente não teremos para sempre. Vai chegar o dia que esse toque fará muita falta. E você vai lembrar desse dia.

Se eu sou seu amigo por favor me toque! Nada como um abraço afetuoso, um gesto de carinho quando estou deprimido, me garante que sou amado, me reafirma que não estou só.

Os jovens chegam numa idade onde, às vezes, começam a sentir vergonha dos pais, não vergonha do que são. Mas de serem um pouco caretas, ultrapassados.... Permitam-se agora ter o toque do abraço, um abraço de verdade, onde os corações se encontram, não só os braços, encoste sua cabeça no peito do seu pai ou sua mãe sinta seu calor.

Se eu sou seu pai, por favor me toque. Do jeito que me tocava quando era pequeno, toque minha mão, dê me forças.... Faça-me sentir que precisa de mim.

Diga agora para o seu pai/mãe o quanto o ama; se quiser chorar, pedir perdão, perdoar, esse é o momento...

Para encerrar nossa dinâmica, deixo um pedido: Que este toque continue todos os dias, sem que seja preciso o pedido de “Por favor, me toque...”  Que ele venha de dentro, seja natural e espontâneo entre vocês. Que parta de um ou de outro, mas, que ele ACONTEÇA!

Encerramento: Pai nosso, Ave Maria...

Música: Abençoa senhor as famílias

Final: Servir lanche, café ou chá com biscoitos...

Avaliação: Durante a confraternização do final, busquem os catequistas, colher depoimentos sobre a dinâmica: o que os pais sentiram, como vivenciaram a dinâmica? Num próximo encontro, busquem as impressões dos catequizandos. Se o relacionamento deles com os pais mudou, se estão praticando os abraços, beijos, os “eu te amo”...





Colaboração: Deusa Queiroz – Paróquia São José – Catanduva SP.





POEMA:

POR FAVOR, ME TOQUE!

Se sou seu bebê,Por favor, me toque.
Preciso de seu afago de uma maneira que talvez nunca saiba.
Não se limite a me banhar, trocar minha fralda e me alimentar, mas me embale estreitado, beije meu rosto e acaricie meu corpo.
Seu carinho gentil, confortador, transmite segurança e amor.
Se sou sua criança, Por favor, me toque.
Ainda que eu resista e até o rejeite, insista, descubra um jeito de atender minha necessidade.
Seu abraço de boa noite ajuda a adoçar meus sonhos.
Seu carinho de dia me diz o que você sente de verdade.
Se sou seu adolescente, Por favor, me toque.
Não pense que eu, por estar quase crescido, já não precise saber que você ainda se importa.
Necessito de seus braços carinhosos, preciso de uma voz terna.
Quando a vida fica difícil, a criança em mim volta a precisar.
Se sou seu amigo, Por favor, me toque.
Nada como um abraço afetuoso para eu saber que você se importa.
Um gesto de carinho quando estou deprimido me garante que sou amado, e me reafirma que não estou só. Seu gesto de conforto talvez seja o único que eu consiga.
Se sou seu parceiro, Por favor, me toque.
Talvez você pense que sua paixão basta, mas só seus braços detêm meus temores.
Preciso de seu toque terno e confortador, para me lembrar de que sou amado apenas porque eu sou eu.
Se sou seu filho adulto, Por favor, me toque.
Embora eu possa até ter minha própria família para abraçar,
Ainda preciso dos braços do pai ou da mãe quando me machuco.
Se sou seu pai idoso, Por favor, me toque.
Do jeito que me tocaram quando eu era bem pequeno.
Segure minha mão, sente-se perto de mim, dê-me força e aqueça meu corpo com sua proximidade.
Minha pele, ainda que muito enrugada, adora ser afagada.
Não tenha medo, apenas me toque...

(Phyllis K. Davis).

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO