sábado, 22 de julho de 2017

HOMILIA: 16º DOMINGO DO TEMPO COMUM


O JOIO E O TRIGO

A parábola do joio e do trigo revela uma profundidade antropológica: o bem o mal coexistem em nosso coração. Não podemos negar isso, nem seria diabólico admitir tal realidade. E mais: não podemos arrancar o mal. Fazemos, portanto, coisas boas e coisas não tão boas, ainda que desejemos dividir a realidade em dois grupos: de um lado os bons (onde nós estamos), de outro lado os maus.

Jesus nos ensina que o trigo cresce com o joio. Ele não deseja arrancar o joio antes do tempo. Nós carregamos o bem e o mal, pois ainda não somos santos, plenos. A plenitude virá por graça, para além desta história. Precisamos aprender a conviver com o mal, sem se conformar com ele. Não podemos ficar frustrados por ainda não sermos perfeitos, pois não chegamos à plenitude do Reino. Precisamos integrar o mal, ou seja, aprender com ele, não dar tanta força para nosso lado sombrio, aceitando o fato de que somos pecadores. A psicologia analítica corrobora com esta linha de pensamento. Este modo de conduzirmos a vida é muito mais humano. Desumano é ficar se culpando por qualquer falha, é tentar, com as próprias forças e com propósitos inúteis, alcançar uma perfeição inatingível.

Outro equívoco seria não compreender que as pessoas carregam o seu joio. Assim, não é justo julgar os que não agem ou pensam como nós ou fazer justiça, condenar todo o mal deste mundo. Apenas Deus pode fazer a justiça, só ele vai separar o joio do trigo no fim dos tempos, isso não cabe a nós.

As parábolas de Jesus nos ensinam a termos uma paciência histórica diante da realidade do já e ainda não. Poderíamos perder a esperança diante dos males do mundo, poderíamos nos revoltar contra Deus diante das injustiças da história. A parábola nos ensina a esperar, pois o Reino de Deus cresce gradativamente. Às vezes não tão gradativamente assim, pois há retrocessos históricos no âmbito global, social e pessoal. O importante é que sejamos fermento na massa, sinais do Reino, cultivadores de boas sementes, ainda que tenhamos sementes estragadas…

São Paulo afirma que o Espírito Santo ora em nós com gemidos inefáveis. Já vimos, no domingo anterior, que o gemido do Espírito é uma ânsia positiva, pois geme a expectativa da plena liberdade dos filhos de Deus e da libertação integral de todo o Universo. É isso que desejamos – um mundo sem males, sem dor, sem lágrimas, sem morte. É isso que o Espírito anseia, mas também nos ensina, ao trabalhar em nosso interior, que isso não vem de uma hora para outra, que ainda não chegou o tempo, que não podemos saciar no agora todos os nossos desejos.

Por isso, São Paulo nos orienta que não sabemos pedir o que convém. Presos em nosso egoísmo, pediríamos milagres e a cura definitiva de todo mal. Mas com o auxílio do Espírito, ansiamos tudo isso na paciência da história, na certeza de que Deus vai nos guiando em cada vitória e em casa derrota da jornada. A oração do Espírito geme para que o Reino venha: Venha a nós o Vosso Reino, enquanto caminhamos neste mundo de ambiguidades, nós que somos povo santo e pecador, nós que em nossa miséria somos dignos, pela misericórdia, de trabalhar para que o Reino seja já, ainda que por antecipação. Amém!


Pe. Roberto Nentwig

sexta-feira, 14 de julho de 2017

HOMILIA: 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


O SEMEADOR SAIU A SEMEAR

Um semeador saiu a semear… A semeadura da Palavra segue ao longo da história caindo em diversos lugares. Seguindo as ideias do Pe. João Batista Libânio, as terras onde são lançadas a semente são carregadas de experiências:

Há a terra onde habitam os pássaros. Estes são, na antiguidade, símbolo do demônio. São enganadores, pois escondem a verdade. Hoje há muitas ideologias, mentiras inventadas pelos donos do poder. Quantas vezes a verdade verdadeira fica à beira do caminho… Vivem-se ilusões que impedem a verdade de ter o seu espaço. Ilusão da riqueza fácil, ilusões dos bens de consumo…

Há a terra cheia de pedras e pouco profunda. Quantos corações não têm profundidade. Vive-se facilmente na superficialidade, ou seja, fica-se na periferia, fica-se diante da face, sem perceber a interioridade. É atitude de quem vive apenas das aparências, do que é bonito aos olhos, sem se perceber a beleza interior.

Há a terra cheia de espinhos. Os espinhos sufocam a semente. Os espinhos representam o que sufoca. Quando se deixa de lado o amor, a ternura, a virtude, a beleza, não há espaço para a Palavra.

São Paulo, na segunda leitura, fala-nos da paciência diante das tribulações. O mundo está sofrendo dores de parto, aguardando o dia da vida verdadeira, da alegria verdadeira. Quando uma mulher está grávida, espera com dores; mas a alegria posterior, quando ganha um filho, é muito maior. Assim, acontece com a história. Esquecemos facilmente de que o mal, seja moral ou natural, faz parte de nossa realidade existencial, pois este mundo ainda não participa da plenitude do Reino de Deus, sendo a sua imperfeição ainda latente. Nosso mundo caminha para a consumação: então não haverá mais morte, mais choro ou dor.

Precisamos, assim, enfrentar cada situação da vida na consciência da efemeridade, da transitoriedade da existência. Também nossos problemas podem estar esperando um fruto. O semeador não desiste diante da imperfeição da colheita, mesmo quando encontra maus semeadores ou estruturas que não favorecem o plantio. O importante é saber que a semente é boa e o dono da colheita é fiel. Este fará abundante colheita no fim dos tempos.



Pe. Roberto Nentwig

quarta-feira, 12 de julho de 2017

CATEQUISTA NÃO É PROFISSÃO, MAS, VOCAÇÃO!

Ser catequista não é uma profissão, mas uma vocação: é o que afirma o Papa Francisco na mensagem enviada aos participantes do Simpósio  Internacional sobre Catequese, em andamento na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), em Buenos Aires.

No texto, o Pontífice cita um diálogo de São Francisco de Assis com um de seus seguidores, que queria aprender a pregar. O santo lhe diz: Quando visitamos os enfermos, ajudamos as crianças e damos de comer aos pobres já estamos pregando. “Nesta lição, está contida a vocação e a tarefa do catequista”, escreve o Papa.

SER CATEQUISTA

Em primeiro lugar, a catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno desta missão. De fato, “ser” catequista é uma vocação de serviço na Igreja, que se recebeu como dom do Senhor para ser transmitido aos demais. Por isso, o catequista deve constantemente regressar àquele primeiro anúncio ou “kerygma”, que é o dom que transformou a própria vida. Para Francisco, este anúncio deve acompanhar a fé que já está presente na religiosidade do povo.

COM CRISTO
O catequista, acrescentou o Papa, caminha a partir de Cristo e com Ele, não é uma pessoa que parte de suas próprias ideias e gostos, mas se deixa olhar por Ele, porque é este olhar que faz arder o coração. Quanto mais Jesus toma o centro da nossa vida, mais nos impulsiona a sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos faz mais próximos dos outros.

CATEQUESE “MISTAGÓGICA”
O Papa compara este dinamismo do amor com os movimentos cardíacos: sístole e diástole, se concentra para se encontrar com o Senhor e imediatamente se abre para pregar Jesus. O exemplo fez do próprio Jesus, que se retirava para rezar ao Pai e logo saía ao encontro das pessoas sedentas de Deus. Daqui nasce a importância da catequese “mistagógica”, que é o encontro constante com a Palavra e os sacramentos e não algo meramente ocasional.

CRIATIVIDADE
E na hora de pregar, Francisco pede que os catequistas sejam criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar a Cristo. “Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha a sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas Nele.

O Papa conclui agradecendo a todos os catequistas pelo que fazem, mas sobretudo porque caminham com o Povo de Deus. “Eu os encorajo a serem alegres mensageiros, custódios do bem e da beleza que resplandecem na vida fiel do discípulo missionário.”

O Simpósio Internacional sobre Catequese teve início no dia 11 de julho e prossegue até o dia 14. O encontro tem como tema "Bem-aventurados os que creem”, e entre os conferencistas estão o Arcebispo  Luis Francisco Ladaria sj, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Mons. José Ruiz Arenas, Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. 


RADIOVATIVANA.VA

terça-feira, 11 de julho de 2017

CONTO MEU ENCONTRO: VIVÊNCIA LITÚRGICA

“CONTO MEU ENCONTRO” de hoje é uma partilha da catequista Elenir Melo de Mossoró-RN, comunidade Areias – Governador


    DINÂMICA: ENTENDENDO OS TEMPOS LITURGICOS

Preparamos todo o ambiente antecipadamente
Conversamos  sobre o início do ano litúrgico que começa no Natal. A medida que íamos falando sobre cada tempo, a cor característica e os símbolos que podemos identificar  em cada tempo





Fomos viajando pelo ano litúrgico revendo cores e símbolos e, a medida que caminhávamos foram acontecendo testemunhos de novas descobertas e envolvimento na compreensão da nossa Liturgia da Missa. 





Fizemos a comparação com os cartõezinhos distribuídos no início do encontro e entendemos que é um Ciclo que não se acaba. A liturgia é uma continuidade. 


Foi MARAVILHOSO ver pessoas analfabetas compreendendo a Liturgia Eucarística
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

HOMILIA: 14º DOMINGO DO TEMPO COMUM


                          VINDE A MIM, TODOS OS CANSADOS E OPRIMIDOS...
Todos, alguns mais outros menos, experimentamos o cansaço nas nossas vidas, com as suas diversas formas.
Onde está a fonte do nosso descanso e da nossa paz? Deus nos responde hoje com as leituras. Caminho para o descanso interior da alma é recorrer a Cristo com humildade (primeira leitura e evangelho). Caminho que nos destrói a paz é a desordem egoísta (segunda leitura).
Em primeiro lugar, vejamos os diferentes cansaços que sofremos todos. Está o cansaço físico, que é próprio do nosso desgaste por causa do trabalho manual, profissional e ministerial: o operário se cansa, a dona de casa se cansa fazendo a faxina doméstica, o professor se cansa dando as suas aulas, o médico e o enfermeiro no hospital se cansam, o empresário e o sacerdote, o comunicador e o esportista a mesma coisa. Existe também o cansaço psicológico e afetivo, provocado pelas pessoas que vivem ao nosso redor, talvez na nossa própria casa, e que não estão de acordo conosco, que não compartilham a mesma fé e amor, que são hostis e indiferentes conosco; este cansaço nos enfraquece e gasta as nossas energias. Está também o cansaço espiritual, permitido por Deus para provar a nossa fé, esperança e caridade; quantas vezes sentimos o cansaço na fé e na esperança. Existe, finalmente, o cansaço moral de quem leva nas costas a sua consciência pesada e não consegue esquecer as suas culpas e pecados.
Em segundo lugar, o que fazemos com os nossos cansaços? Deus nos dirá que recorramos ao seu Filho Jesus que hoje lhe disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e fatigados pela carga e eu lhes darei descanso”. Espera-o na Eucaristia para fortalecer as suas forças espirituais. Espera na confissão para repor as suas forças quebradas. Espera na leitura dos santos evangelhos para animá-lo e consolá-lo. São Paulo lhe dirá hoje na segunda leitura: “Não vivais conforme a desordem egoísta, porém conforme o Espirito”, isto é, vivamos uma vida honesta e honrada seguindo os dez mandamentos. O profeta Zacarias também tem um conselho para a nossa paz e descanso interior: “Vive na humildade”, pois não existe vício que possa destruir mais a paz que a soberba. Se fôssemos um pouco mais simples, não amantes de grandezas, se tivéssemos “olhos de criança” e um coração mais humilde, então teríamos maior harmonia interior, uma paz mais serena nas nossas relações com os demais, uma sabedoria mais profunda e uma fé mais estimulante e ativa. Seriamos mais felizes e encontraríamos paz e descanso em Jesus Cristo.
Finalmente, Deus hoje também nos compromete a ajudar os nossos irmãos, a ser cireneus, porque muitos deles sofrem cansaços mais duros do que os nossos. Dê tempo e diálogo a esses que estão esquecidos e desamparados no cansaço da alma e do coração. Aproxime-se deles para ajudá-los a levar esse fardo pesado, como faz Cristo conosco. E, sobretudo, não ponhas nas costas dos outros os seus sacos de desgostos e reclamações, as suas rebeldias e raivas. Pelo contrario, coloque as suas costas para que os outros coloquem sobre elas as suas penas e as suas dores.
Para refletir: Quais são os meus cansaços? O que faço diante dos meus cansaços? Ajudo os meus irmãos a aliviar aos seus cansaços ou os afundo mais ainda? Medite esta frase de são Gregório Magno sobre o evangelho de hoje: “É um jugo áspero e uma dura escravidão estar submetido às coisas temporais, ambicionar as coisas terrenais, reter as que morrem; querer estar sempre naquilo que é instável, desejar o que é passageiro, e não querer passar com o que passa. Porque uma vez que elas desaparecem, apesar dos nossos desejos todas estas coisas que pela ansiedade de possui-las afligiam a nossa alma, atormentam-nos depois pelo medo de perdê-las”.

ZENIT.ORG

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO