quinta-feira, 19 de outubro de 2017

LEIGOS PODEM USAR ÓLEO BENTO???

SIM! Podemos fazer uso de Óleo Bento!
Vale acrescentar que não estamos falando do “óleo crismal”, litúrgico, portanto, seu uso é “legal”, conforme o Código de Direito canônico, pois ele é considerado como “Sacramental”.

"1 Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! 2 É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes; 3 como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre."

(Salmo 133)


Quando falei do meu "Kit catequista", algumas pessoas se espantaram e se surpreenderam por eu ter citado o "óleo bento" que costumo carregar. Alguns até acharam um "sacrilégio" eu ter óleo para ungir meus catequizandos... E fazer essa unção!

Mas, não é nada disso! Não carrego comigo nenhum dos "Santos óleos" reservados para os sacramentos. O óleo que levo é um "sacramental". E, como catequista posso ungir com óleo aqueles que precisam. Você vai entender melhor ao ler as explicações do texto.

Primeiro vamos ao que diz o Canôn da Igreja (Código de Direito Canônico):

Cân. 1166 — Sacramentais são sinais sagrados, pelos quais, de algum modo à imitação dos sacramentos, se significam efeitos sobretudo espirituais, que se obtêm por impetração da Igreja. 

Cân 1167 — (...) 
§ l. Somente a Sé Apostólica pode estabelecer novos sacramentais ou interpretar autenticamente os já existentes, abolir ou alterar neles alguma coisa. 
§ 2. Na realização ou administração dos sacramentais observem-se cuidadosamente as fórmulas aprovadas pela autoridade da Igreja. 

Cân. 1168 — Ministro dos sacramentais é o clérigo munido do devido poder; alguns sacramentais, segundo as normas dos livros litúrgicos e a juízo do Ordinário do lugar, podem também ser administrados por leigos, dotados das qualidades devidas. 

Agora vamos às citações da Liturgia do Ritual Romano que fala sobre as bênçãos, item 14 e 18:


14. Este modo pastoral de considerar as bênçãos está em sintonia com as palavras do Concílio Ecumênico Vaticano II: "A liturgia dos sacramentos e dos sacramentais faz com que, para os fiéis que os celebram nas devidas disposições, quase todos os atos da vida sejam santificados pela graça divina que emana do Mistério Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual todos os sacramentos e sacramentais recebem o seu poder, e faz também com que o uso honesto de quase todas as coisas materiais possa ordenar-se à santificação do homem e ao louvor de Deus". Assim, com as celebrações das bênçãos, os homens dispõem-se para receber o fruto superior dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida. 

18. (...)Também os outros Leigos, homens e mulheres, em virtude do sacerdócio comum de que foram dotados no Batismo e na Confirmação - ou pelo próprio cargo (como os pais em relação aos filhos), ou porque exercem um ministério extraordinário ou outras funções peculiares na Igreja, como os religiosos ou os catequistas em alguns lugares - a juízo do Ordinário do lugar, quando é reconhecida a sua devida formação pastoral e a sua prudência no exercício do próprio cargo, podem celebrar algumas bênçãos, com os ritos e fórmulas para eles previstos, como se indica em cada uma das bênçãos. 

(...)
IV. BÊNÇÃOS DAS CRIANÇAS PRELIMINARES

135. Pode haver circunstâncias pastorais em que se reze a Deus pelas crianças já batizadas, p.ex., quando os pais pedem para elas a bênção do sacerdote, quando se celebram algumas festas para as crianças, quando se inaugura o ano escolar e noutras circunstâncias. Esta celebração, portanto, deve adaptar-se às circunstâncias de cada caso.

136. As celebrações que aqui se apresentam podem ser utilizadas por um sacerdote ou um diácono, ou também por um leigo, principalmente pelo catequista ou aquele a quem está confiada a educação das crianças, o qual seguirá os ritos e textos previstos para os leigos.

(E o Ritual apresenta a seguir a fórmula da bênção, que leitura usar, etc.)

Colocamos abaixo cópia das páginas 85 e 86 do livro A cura pelos Sacramentos” de Dário Betancourt, onde o autor traz explicações detalhados a respeito do uso do “óleo bento” como sacramental.


A Unção como Sacramento

Muitos sarserdotes Católicos não perceberam ainda que existe uma benção especial para o óleo, que não é nenhum sacramento, mas trata-se de uma benção para azeite que se faz precisamente para o uso diário da cura, e que as pessoas podem até levar consigo para casa e usar para orar umas pelas outras. Da mesma forma que a água Benta, que é para uso diário, lembra-nos a água do batismo, assim também esse óleo, um sacramental, lembra-nos o sacramento da Unção. Observe-se que na oração de benção se fala daqueles que vão usar esse óleo, e se assume que eles serão outras pessoas além do sacerdote que os benze.

Nós, os católicos, poderíamos recuperar o costume de orar pelos doentes, redescobrindo alguns dos meios que existe a nosso alcance meios similares que foram descobertos através do estudo profundo da epístola de Tiago e outros textos que fazem referência a curas. Tudo o que nós católicos precisamos é de uma sólida instrução nessa matéria: que os sacerdptes aprendam a respeito dessa oração do antigo Ritual Romano, que podem utilizar para depois instruir melhor e com uma doutrina sadia, os seculares. Sobre a maneira de usar o óleo e como orar pelos membros de suas famílias, amigos, vizinhos de modo bastante simples.

Exsitem muitas outras bençãos nas quais são bentos objetos para fins de cura e que procedem de Ordens e Congregações religiosas. Nos atos dos Apóstolos, lemos que, por intermédio de São Paulo, Deus operava milagres pouco comuns, de uma maneira que bastava, por exemplo, que sobre os enfermos se aplicassem lenços e aventais que houvessem tocado seu corpo, e se afastavam deles as doenças, e os espiritos maus saíam (At 19, 11-12).

Sobre esse óleo o Pe. Marcos Paraday, comenta: “Além dos três óleos que a igreja reserva para a celebração dos sacramentos (Santo Crisma, Óleo dos Catecumenatos e Óleo dos doentes), a igreja também reconhece o emprego do óleo bento para o uso de todos os cristãos”. O papa Inocêncio I escreveu não apenas os sacerdotes, mas todos os cristãos podem usar esse óleo para unção, quando eles ou membros do seu lar tendem necessidade disso” (Cartas, 25,8).

Podemos usar esse óleo dessa forma porque a igreja vê o óleo bento, assim como outros objetos bentos (como a água benta) “como extensões e Irradiações dos sacramentos” (ritual Romano p.387). Nesse sentido, assim como a água benta pode ser usada para a fé batismal em relação a Jesus, o óleo bento pode ser usado para renovar as unções recebidas nos sacramentos.

A Benção do óleo para a cura está reservada ao bispo ou ao sacerdote. Seu uso como sacramental entende-se indistintamente ao bispo, sacerdote, religiosos, religiosas e aos leigos. A benção desse azeite encontra-se no Ritual Romano, Título VIII, Cap. XIX.

BENÇÃO DO ÓLEO
- Nosso Auxilio está no nome do Senhor.
- Que fez o céu e a terra.

Óleo, criação de Deus, expulso para fora de ti o demônio, por Deus Pai Todo poderoso, que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm. Que o poder do adversário, as legiões do Diabo e todos os ataques e maquinações de Satanás sejam dispersos e levados para longe desta criatura óleo. Que ele traga a saúde à alma de todos os que o usam, em nome de Deus Pai Todo-poderoso, de Nosso Senhor Jesus Cristo seu Filho e do Espirito Santo, O advogado, assim como no Amor do mesmo Jesus Cristo. Nosso Senhor, que há de vir a julgar os vivos e os mortos e o mundo pelo fogo.

- Senhor, escuta a nossa oração.
- E chegue a ti o nosso clamor.
- O Senhor esteja contigo.
- Ele está no meio de nós.

(BETANCOURT, Dário. A cura pelos Sacramentos. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002. Pg 85-86.)

* (Agradecimento especial à Cláudia Pinheiro que me enviou as páginas do livro para eu copiar).


O "óleo bento" que utilizo no meu "Kit" é azeite de oliva perfumado com alguma essência. Coloco em pequenos vidrinhos  e peço ao padre para abençoar. Como o óleo bento é poderoso para "cura" e também era usado como "proteção nas batalhas", faço uma unção em forma de cruz na testa ou na palma da mão das crianças e jovens quando estes estão aflitos por algum motivo, com medo ou com alguma pequena dor. Também uso como "bênção de envio" em algumas celebrações catequéticas.

Os ingredientes para o óleo da unção, segundo a Bíblia:


Êxodo 30, 22-32

"22 Disse mais o SENHOR a Moisés: 23 Tu, pois, toma das mais excelentes especiarias: de mirra fluida quinhentos siclos, de cinamomo odoroso a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, e de cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos, 24 e de cássia quinhentos siclos, segundo o siclo do santuário, e de azeite de oliveira um him. 25 Disto farás o óleo sagrado para a unção, o perfume composto segundo a arte do perfumista; este será o óleo sagrado da unção.".

O total dos ingredientes para o óleo da unção, são cinco.
Cinco (5 representa a graça de Deus) ingredientes com óleo (frutos do Espírito –Gálatas
5, 22-23) da santa unção (ingredientes para a unidade).

Ingredientes para o óleo da unção:


* Mirra fluida = 500 siclos (6 kilos).
* Cinamomo (canela) odoroso = a metade, a saber 250 siclos (3 kilos).
* Cálamo (cana) aromático = 250 siclos (3 kilos).
* Cássia = 500 siclos (6 kilos).

* Azeite de oliveira = 1 him (4 litros).

Cada um destes ingredientes e suas porções (6 = o homem e suas limitações; 3 = divindade, Deus; 4 = o que é criado tem total dependência do Criador), têm um significado especial, o principal  deles é o azeite de oliva, símbolo da unidade:


Prensa para azeitonas em Cafarnaum
Em muitos lugares em Israel se pode observar as antigas prensas de azeitona. Uma pedra pesada era utilizada para exprimir as azeitonas e extrair seu azeite. O azeite extraído corria por um pequeno canal, caindo em um recipiente onde era recolhido e armazenado.

Uma azeitona é "uma só" antes de passar pela prensa. Ao passar já não é uma azeitona mas sim óleo misturado com muitas outras azeitonas. A unidade rompe (através da prensa de Deus), nosso individualismo levando-nos a ser um com nossos irmãos. Assim como a azeitona que se transforma em azeite (óleo), pela "prensa", nos transformamos de pessoas "individuais" para pessoas que vivem em união e cheias da unção do Espírito Santo.

Mirra: Renuncia e morte de si mesmo para obter e viver a unidade.
Canela: Valorizar a unidade por ser difícil de encontrar. É um presente entre os nobres.
Cálamo: Nossa vontade é triturada para então exalar a fragrância da unidade, trazendo restauração.
Cássia: Flexibilidade, humilhação, pedir perdão, desenvolvimento natural da comunhão.
Todos esses quatros ingredientes + azeite = unidade.

Mas, para simplificar mais nossa vida, hoje encontramos nas casas de perfumes e essências, pequenos vidrinhos com essências já em óleo - que não precisam ser exatamente estas - para misturarmos ao azeite de oliva e criarmos nosso "óleo bento". 


Ângela Rocha

Catequista

FONTES DE PESQUISA:

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus. 2002.
BETANCOURT, Dário. A cura pelos Sacramentos. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002. Pg 85-86.
Código de Direito Canônico. 10ª ed. São Paulo: Loyola, 1997.
Missal Romano. 9ª edição, São Paulo: Paulus, 2004.

Comentários Bíblicos - Norman Champlin.
Números na Bíblia - James Strong.


                         

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

CATEQUESE DO PAPA: MANTER A ESPERANÇA E A FÉ!

            PERANTE O ENIGMA DA MORTE MANTER A ESPERANÇA  E A FÉ
Na catequese desta quarta-feira na Praça de São Pedro, o Papa Francisco estabeleceu uma relação entre a esperança cristã e a realidade da morte que - disse – a civilização moderna tende cada vez mais a cancelar. Assim, nos encontramos despreparados, sem um ”alfabeto” adequado para dizer palavras com sentido em volta do mistério da morte. No entanto, os primeiros sinais de civilização humana passaram precisamente por este enigma.

“Poderíamos dizer que o homem nasceu com os culto dos mortos." Diversas civilizações olharam com coragem para esta realidade incontestável que obrigava o homem a viver por algo de absoluto – afirmou Francisco citando o salmo 90 que diz “Ensina-nos a contar os dias e a termos um coração sábio”. Palavras – continuou o Papa – que nos chama a um são realismo, pondo de lado o delírio da onipotência. 

O que somos nós? – perguntou Francisco, que respondeu com as palavras do salmo 88: “quase nada”, a vida passa como um sopro, e a morte põe a nu a nossa vida e nos mostra que os nossos atos de orgulho, de ira, de ódio não eram senão vaidade, pura vaidade. E nos damos conta, com amargura, de não ter amado suficientemente, de não ter procurado o que era essencial. Por outro lado, vemos o que de realmente bom semeamos: os afetos pelos quais nos sacrificamos e que agora nos asseguram a mão. E Bergoglio continuou:

“Jesus iluminou o mistério da nossa morte. Com o seu comportamento nos autoriza a nos sentirmos tristes quando um ente querido morre. Ele se sentiu profundamente perturbado perante o túmulo do amigo Lázaro e desatou a chorar. Nesta atitude, sentimos Jesus muito próximo, nosso irmão. Ele chorou pelo seu amigo Lázaro” .

E Jesus rezou ao Pai, fonte de vida e ordenou que Lázaro saísse do túmulo. A esperança cristã – explicou o Papa – apoia-se nesta atitude que Jesus assumiu perante a morte humana. Embora a morte esteja presente na criação é, contudo, como que uma ferida que deturpa o projeto do amor de Deus, e o Salvador quer curar essa ferida.

O Papa falou ainda de outros episódios bíblicos em que, perante a doença e a morte, as pessoas se dirigem a Jesus para que ponha remédio a isso. E Ele sugere que não se tenha medo, mas sim a manter viva a chama da fé. E diz “Eu sou a ressurreição e a vida, quem acredita em mim, mesmo que morra viverá; quem vive e acredita em mim, não morrerá em eterno”. Acreditas nisso?– interpelou o Papa, frisando que toda a nossa existência se joga nisto, entre o lado da fé e precipício do medo. E lançou mais uma pergunta: “Nós aqui nesta Praça, acreditamos nisto?” 

A esta pergunta Francisco respondeu que perante a morte somos todos pequenos e indefesos, mas - disse - será uma graça se naquele momento tivermos no coração a chama da fé. E tal Jesus como fez com a filha de Jairo a quem disse “Talita Kum” (menina, levanta-te), também dirá a cada um de nós: “levanta-te, ressurge!”

E Francisco lançou um convite aos participantes na audiência: “Eu vos convido, agora, a fechar os olhos e a pensar naquele momento: da nossa morte. Cada um de nós pense na própria morte, e imagine aquele momento que virá, quando Jesus nos tomará a mão e nos dirá: “vem, vem comigo, levanta-te”. Ali acabará a esperança e será a realidade, a realidade da vida. Pensai bem: o próprio Jesus virá a cada um de nós e nos tomará as mãos, com a sua ternura, a sua doçura, o seu amor. E cada um repita no seu coração as palavras de Jesus: “levanta-te, vem. Levanta-te, vem. Levanta-te, ressurge!”.

Esta é a nossa esperança perante a morte. Para quem acredita é uma porta que se abre de par em par. Para quem dúvida é um raio de luz que passa por um buraquinho que não se fechou completamente. Mas para todos será uma graça, quando essa luz, do encontro com Jesus, nos iluminar – concluiu o Papa.

No final da sua reflexão bíblica, o Papa lançou este apelo relativo à Somália: “Desejo exprimir a minha dor pelo massacre acontecido há alguns dias atrás em Mogadiscio, na Somália, que causou mais de trezentos mortos, entre os quais algumas crianças. Este ato terrorista merece a mais firme deploração, também porque se perpetua sobre uma população já muito provada. Rezo pelos defuntos e pelos feridos, para os seus familiares e por todo o povo da Somália. Imploro a conversão dos violentos e encorajo quantos, com enormes dificuldades, trabalham pela paz naquela terra martirizada .”

A catequese do Papa foi resumida em diversas línguas para os grupos presentes a quem saudou. Eis a tradução da sua saudação aos peregrinos de língua portuguesa: “Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, com destaque para os diversos grupos vindos do Brasil, em particular os fiéis da arquidiocese de Natal com o seu Pastor e os da arquidiocese de Londrina, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus, como os Protomártires do Brasil. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja”.


FONTE: radiovaticana.va

KIT BÁSICO DO CATEQUISTA


KIT CATEQUISTA 

Igual caixinha de "primeiros socorros", todo catequista deve ter em sua "malinha":

- Uma Bíblia;
- Um cruz;
- Uma vela;
- Um vasinho de flor;
- Um vidrinho de água benta;
- Um vidrinho de óleo bento;
- Uma toalha branca;
- Pequenas toalhinhas com as cores do tempo litúrgico;
- E sempre que possível, balinhas em quantidade suficiente para o número de catequizandos.


Ah! Vocês acham que estou brincando, né? 


Não... isso se chama "mistagogia", aguçar os sentidos para "sentir" aquilo que é sagrado: Poder olhar e tocar a Palavra, ver o símbolo da nossa fé (cruz), sentir o calor da luz da vela, a beleza das flores, o toque da água e do óleo, as cores que despertam os sentidos, o doce da alegria...

Ângela Rocha

CATEQUISTA, QUE DEUS TE ABENÇOE...

Catequista, que Deus te abençoe...

Que Deus te abençoe com o desconforto: contra as respostas fáceis, as meias verdades, as relações superficiais, para que você seja capaz de ir fundo dentro do seu coração, em busca da verdade que só o amor oferece.
Que Deus te abençoe com raiva: frente a injustiça, a opressão e a exploração das pessoas, para que você seja capaz de trabalhar pela liberdade, justiça, paz, com ardor e energia.

Que Deus te abençoe com lágrimas: para que você possa vertê-las por aqueles que sofrem dor, rejeição, fome e guerra. Para que você seja capaz de estender a sua mão e reconfortá-los, e converter as suas dores em alegria.

E que Deus te abençoe com loucura o suficiente: para acreditar que você pode fazer a diferença neste mundo e fazer o que os outros proclamam ser impossível!

Amém.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

COMO OS DISPOSITIVOS MÓVEIS PODEM AUXILIAR NO PROCESSO DE FORMAÇÃO CRISTÃ DAS CRIANÇAS?


Hoje, os dispositivos móveis (celular, tablet, etc.), fazem parte da vida das crianças desde muito cedo. E é uma parte muito “importante” da vida delas, funciona não só como meio de comunicação, mas, como entretenimento, cuidado dos pais (vigilância e segurança), meio de adquirir conhecimento, registrar fatos e eventos, meio de fazer amigos e “estar” com estes amigos. É uma forma de interagir com o “mundo” como nunca se viu antes. E isso torna possível hoje, conhecer mais de si próprio e do outro pelo simples fato de que a rede nos dá outra perspectiva sobre o tempo e o espaço. Pode-se estar em qualquer lugar, a qualquer hora. Ao contrário do que se pensa, as relações estabelecidas por meios digitais não substituem as do mundo real, e sim, as complementam.

Com relação à educação religiosa, hoje existem aplicativos de jogos, vídeos, sites, blogs, músicas, enfim; direcionados à formação cristã. Pode-se acessar a Bíblia pelo celular, a missa, liturgia, orações; pode-se usar navegadores de busca para assuntos da catequese, de religião e conhecimento bíblico e, sobretudo, pode-se ter relações de amizade e companheirismo por meio das redes sociais e de “grupos” com as pessoas que também estão na Igreja. Além disso, internet nos proporciona um conhecimento e um acesso à informação que pode ser partilhado na catequese: quando temos uma dúvida, não conhecemos um assunto ou queremos “comprovar” uma informação, vivenciar fatos e notícias: podemos pesquisar na rede, visitar sites e comparar informações. O catequista deve ser um mediador desse conhecimento e dessa informação.

Não só os pais, mas, os próprios catequistas precisam direcionar a criança a estabelecer uma “relação saudável” com seu dispositivo móvel.

Com relação às crianças mais novas, o uso do celular é mais restrito já que, quem o possui, normalmente não tem acesso às redes sociais (ou não deveria ter). Os pequenos podem assistir vídeos com historinhas e parábolas, joguinhos e se, os pais assim o permitirem (e controlarem) usar as redes sociais como contato com os amigos. Mas, veja bem, estes “contatos” precisam ser supervisionados sempre.
Mas, com os adolescentes a conversa é outra! O celular e as redes sociais são uma extensão da vida deles. É necessário interagir com o “mundo” deles: Conhecer jogos, aplicativos, músicas, ídolos e redes sociais que eles acessam e gostam, antes de fazer qualquer crítica ou proibição.

Assim, o catequista deve aproveitar justamente isso: a “sociabilidade” do celular e o contato mais estreito com adolescentes e jovens. Ter os catequizandos em seus “contatos” e como “amigos” nas redes é imprescindível. O contato via “whatsapp” por exemplo, é um excelente meio de se fazer um “pós” encontro e até mesmo um “extra” encontro, conversar sobre o que se viu e de que forma isso se aplica na vida cotidiana. Criar grupos para discussão, além dos tradicionais recados, é uma forma de interagir e praticar o “fé-vida”, objetivo também da catequese.

Evidentemente que cuidados precisam ter tomados. Com relação à presença das crianças nas redes, nos deparamos com duas realidades preocupantes: a imaturidade das crianças que não sabem que o que fazem na internet tem consequências na realidade física; e pais que não dão a devida importância ao mundo digital. Acham que é algo passageiro, da “moda”: não é! A internet veio para ficar e tornar-se cada vez mais uma interconexão com a realidade. As crianças precisam ser educadas para os perigos da rede: pessoas mal-intencionadas, o perigo do vício e a “fuga” daquilo que é preciso viver de modo “real” e físico. Pais precisam ter consciência de que, assim como no mundo “real” em que vivemos, eles precisam cuidar dos filhos no mundo digital também e, não raras vezes, trazê-los “de volta” ao mundo mais real, físico, ao cotidiano: alimentar-se, praticar atividades físicas, conversar “olho no olho”, brincar, se encontrar com os amigos (fisicamente), dar um abraço, um aperto de mão.


O que os pais (e os catequistas!) devem fazer, é não ficar alheios ao que os filhos fazem na internet. É preciso compartilhar conhecimento e informação e isso pode ser feito de forma diversificada: fotos no Instagram, vídeos, torpedos, mensagens formato Twitter, Facebook, Whatsapp, etc. A presença dos pais deve ser oportuna e segura. Sem imposição, mas, educando para o bem e para o que é bom, formando consciência crítica nos jovens. Pais precisam ser “contato” dos filhos nas redes sociais! Precisam ser “amigos” digitais dos filhos. Precisam estar à frente dos filhos nas questões tecnológicas, participando, se informando e vivendo junto com os filhos a experiência de “estar conectado à Internet”; e os filhos precisam ter limites e serem exaustivamente informados dos riscos e dos problemas que acontecem nesse mundo “paralelo”, o mundo digital. Assim com o no mundo “real”, existem perigos enormes no mundo digital.

Os catequistas precisam, assim como os pais, estar “antenados” nesse mundo midiático que está aí. Não dá para ficar alheio e “proibir” o uso do celular nos encontros. Guardar o celular em determinados momentos, precisa ser uma escolha e não uma imposição. O catequista precisa saber do que crianças, adolescentes e jovens gostam e o que fazem na rede. Não é preciso ser um “expert” em tecnologia, mas, é preciso, no mínimo ter um celular com acesso à rede... rsrsrsr. Pode-se integrar os temas dos encontros aos meios digitais: fazer pequenos vídeos, incentivar o uso dos buscadores para pesquisa, aplicativos religiosos: Bíblia, liturgia, oração, etc. Criar grupos no Facebook, Whatsapp, etc.
Outra coisa que o catequista precisa - de forma urgente eu diria – é se tornar um “catequista na rede”. Ser um exemplo para catequizandos e suas famílias, dar testemunho de sua missão, ser uma referência a seus contatos e a todas as pessoas que possa atingir com suas publicações. O catequista não pode ser “um” na Igreja e “outro” nas redes sociais. E precisa pensar também que o “mundo” digital, é um mundo para se catequizar e evangelizar. E não é só fazendo citações bíblicas ou publicando o Evangelho do dia, que se faz isso. É “vivendo” tudo que um cristão deve viver: tendo discernimento em seus comentários, publicando fotos do que faz e do que acredita, evitando compartilhar publicações pejorativas e de baixo nível, “sendo” o mesmo catequista que é na sala da catequese: um profeta do anúncio e da denúncia, mas, sem ferir a ninguém.

O que todos nós, que de alguma forma somos educadores - sejam catequistas, pais ou professores - precisamos nos dar conta é que, a rede não é um simples "instrumento" de comunicação que se pode usar. Ela evoluiu para o que podemos chamar de “mundo” paralelo, um espaço onde muitas pessoas habitam, um ambiente cultural que determina estilos de pensamento e cria novos territórios e novas formas de educação. E dessa forma precisamos buscar novas formas de estimular conhecimento e estreitar relações. Precisamos “habitar” esse mundo e também organizá-lo. Não é, portanto, um ambiente separado da vida “real”, mas, ao contrário, está sempre mais integrado e conectado com aquilo que vivemos na nossa vida cotidiana. Os jovens mostram que se pode viver perfeitamente estas duas realidades: física e digital. Precisamos aprender com eles. Precisamos aprender a ser missionários, solidários e evangelizadores, também, nos meios digitais.

Ângela Rocha
Catequista e Administradora do Grupo "Catequistas em Formação".

 “Os católicos precisam ser "cidadãos digitais”, construtivos ao usar a internet, que é um ‘dom de Deus’, para manifestar a solidariedade. A Internet pode oferecer mais possibilidades de reencontro e de solidariedade entre todos, o que é uma coisa boa. A Igreja deve empenhar-se para levar ao homem ferido, pela via digital, o óleo e o vinho: Que a nossa comunicação seja um óleo perfumado para a dor e um bom vinho para a alegria! ”


(Papa Francisco – 23/01/2014)

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO