domingo, 19 de maio de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: AVANÇA PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS



               HOMILIA DO 5° DOMINGO DA PÁSCOA – ANO C         

Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). Jesus nos revela o mandamento novo: a referência do amor do Pai. A máxima que ordena o amor ao próximo (“amar o próximo como a ti mesmo”) é do Antigo Testamento. A lei de Jesus é amar como Ele amou.


O amor de Jesus é gratuidade. O amor depende de um desprendimento, de um sair de si mesmo, de uma entrega, Jesus se ofereceu por nós, sem olhar nossos merecimentos, se buscar a própria realização, mas o bem de todos, chamado pelo evangelho de ágape, não suprime a dimensão do eros, ou seja, sua dimensão corpórea, material, afetiva. Na verdade, todo eros é positivo, desde que seja integrado ao ágape. O Cristianismo não sufoca o eros. Jesus mesmo nos mostrou isso com um amor real, um amor concreto. O amor de Jesus o fazia abraçar, beijar, acolher, enxugar lágrimas...


Se os israelitas esperavam a glória de Deus manifestada em fenômenos extraordinários, fenômenos da natureza que causam medo, espanto, Jesus vem manifestar a glória em si mesmo: “Agora foi glorificado o filho do homem” (Jo 13, 31). Jesus de Nazaré manifesta a glória do Pai, gradativamente, até dar a própria vida. Nós amamos quando manifestamos o amor nos momentos concretos da vida. Existe amor na doação de uma mãe, no serviço de um líder de pastoral, no consolo dispensado por aquele que é tocado pela compaixão diante do sofrimento alheio, nos casais que se doam mutuamente, no perdão. Nós seremos reconhecidos como discípulos de Jesus pelo amor.


Amar é uma porta aberta ao sofrimento. Amar implica em estar aberto até às ingratidões, porque se ama pessoas concretas. Amar implica em perseverança diante das durezas da vida, dos desafios, dos fracassos. Aqui fazemos eco à exortação de Paulo e Barnabé à comunidade: “E preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14, 22). Jesus, ao morrer, não foi masoquista, mas fez de sua cruz uma oferta de amor..O sofrimento, porém não é sem sentido, desde que ele seja um caminho para construir a Nova Jerusalém. Cada lágrima, cada cruz, cada dor e a própria morte ganham sentido quando miramos a eternidade – “o novo Céu e a nova Terra” (Ap 21, 1).


Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes” (Ap 21,4). O Senhor não apenas dá  sentido a dor que é fruto da entrega, mas acolhe todo sofrimento humano, seja ele qual for. Mesmo as  tristezas mais incompreensíveis como a morte de uma pessoa jovem, um câncer repentino... Ele seca  as  lágrimas e nos consola com a esperança de um mundo onde a tristeza já não há.
Que as lágrimas de amor se transformem na alegria da abundância que nos espera, no mundo novo que começa já, aqui e agora – o Reino dado por aquele que venceu a morte e ressuscitou dos mortos.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


sexta-feira, 10 de maio de 2019

O PAPA CATEQUISTA


Durante a celebração da missa na Igreja do Sagrado Coração de Rakovsky, 245 crianças receberam a Primeira Comunhão e justamente a elas foi dedicada a homilia do Pontífice.

A missa com as crianças que recebiam a primeira eucaristia em Rakovsky representa um fato excepcional na história das viagens do Papa Francisco. Embora tivesse sido programada de outro modo, o Papa decidiu no último instante distribuir pessoalmente a Eucaristia sob as duas espécies às 245 crianças vindas de três dioceses da Bulgária. Foi a maior liturgia de Primeiras Comunhões celebrada pelo Papa e fazendo assim Francisco quebra a regra de seu pontificado, pois normalmente limita-se a comunicar os diáconos no altar, mas não distribui a Eucaristia aos fiéis a não ser em raríssimas ocasiões. Praticamente todas as crianças búlgaras que receberam a Primeira Comunhão neste ano, a receberam do Bispo de Roma.

Há momentos nos quais o Papa fica mais a vontade, um deles é quando pode ser pastor e celebrar os sacramentos para o povo de Deus. Nos passos de um outro Papa pastor, São Pio X, que decidiu abaixar a idade para a Primeira Comunhão com intenção de doar o quanto antes a graça sacramental a cada pequeno cristão. O único requisito era que tivesse condições de distinguir a diferença entre o Pão eucarístico e o pão que consumimos nas nossas mesas diariamente. Uma abertura que confiava de modo particular na ação da graça, e, portanto na ação de Deus através do sacramento, mais do que na preparação dos comungantes. Um olhar de confiança que algumas vezes corre o risco de ser esquecido.

Em junho de 2016, ao receber um grupo de crianças com deficiências, o Papa dissera: “Quando, há muitos anos — há cem ou mais — o Papa Pio X disse que se devia dar a comunhão às crianças, muitos se escandalizaram. ‘Mas aquela criança não compreende, é diversa, não entende bem...’. ‘Deem a comunhão às crianças’, disse o Papa, e transformou uma diversidade em igualdade, porque ele sabia que a criança compreende de outra forma.

Na igreja de Rakovsky o Papa estava feliz, a igreja estava inundada pelo sol e no final da missa uma chuva de pétalas brancas e amarelas caiu sobre todos. E mais uma vez, fora da programação, o Papa conversou com as crianças para explicar-lhes qual é a nossa carteira de identidade: “Deus é nosso Pai, Jesus é nosso Irmão, a Igreja é nossa família, nós somos irmãos, a nossa lei é o amor. E o nosso “sobrenome” é “Cristãos”.



segunda-feira, 6 de maio de 2019

DICA DA SEMANA! "FALE-ME DE AMOR"

Fale-me de amor
 
Michel Quoist

Ambiente misterioso e atraente; o fascinante caminhar de um jovem. Magníficos textos poéticos, que poderão ser destacados de seu contexto, para serem lidos por ocasião de vigília ou celebração, fazem deste trabalho original uma obra notável. Ela fará com que muitos jovens e adultos reflitam, dando-lhes ou devolvendo-lhes o prazer de amar. Este livro não é exposição sistemática, nem livro de receitas para ter sucesso no amor. Tampouco é história oferecida como exemplo. É coletânea de textos de reflexão e de meditação sobre o amor... Sem dúvida, essa meditação é apresentada como estória: um jovem visita regularmente um Sábio, que o guia, pouco a pouco, na descoberta do amor. Mas essa estória é apenas um meio para introduzir na meditação.

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Editora Paulus

Um ótimo presente para as mães e, com certeza, para os catequistas!