sexta-feira, 18 de julho de 2014

HOMILIA DO DOMINGO - 20/07/2014

16º. DOMINGO DO TEMPO COMUM

O joio e o trigo

A parábola do joio e do trigo revela uma profundidade antropológica: o bem o mal coexistem em nosso coração. Não podemos negar isso, nem seria diabólico admitir tal realidade. E mais: não podemos arrancar o mal. Fazemos, portanto, coisas boas e coisas não tão boas, ainda que desejemos dividir a realidade em dois grupos: de um lado os bons (onde nós estamos), de outro lado os maus.

Jesus nos ensina que o trigo cresce com o joio. Ele não deseja arrancar o joio antes do tempo. Nós carregamos o bem e o mal, pois ainda não somos santos, plenos. A plenitude virá por graça, para além desta história. Precisamos aprender a conviver com o mal, sem se conformar com ele. Não podemos ficar frustrados por ainda não sermos perfeitos, pois não chegamos à plenitude do Reino. Precisamos integrar o mal, ou seja, aprender com ele, não dar tanta força para nosso lado sombrio, aceitando o fato de que somos pecadores. A psicologia analítica corrobora com esta linha de pensamento. Este modo de conduzirmos a vida é muito mais humano. Desumano é ficar se culpando por qualquer falha, é tentar, com as próprias forças e com propósitos inúteis, alcançar uma perfeição inatingível.

Outro equívoco seria não compreender que as pessoas carregam o seu joio. Assim, não é justo julgar os que não agem ou pensam como nós ou fazer justiça, condenar todo o mal deste mundo. Apenas Deus pode fazer a justiça, só ele vai separar o joio do trigo no fim dos tempos, isso não cabe a nós.

As parábolas de Jesus nos ensinam a termos uma paciência histórica diante da realidade do já e ainda não. Poderíamos perder a esperança diante dos males do mundo, poderíamos nos revoltar contra Deus diante das injustiças da história. A parábola nos ensina a esperar, pois o Reino de Deus cresce gradativamente. Às vezes não tão gradativamente assim, pois há retrocessos históricos no âmbito global, social e pessoal. O importante é que sejamos fermento na massa, sinais do Reino, cultivadores de boas sementes, ainda que tenhamos sementes estragadas…

São Paulo afirma que o Espírito Santo ora em nós com gemidos inefáveis. Já vimos, no domingo anterior, que o gemido do Espírito é uma ânsia positiva, pois geme a expectativa da plena liberdade dos filhos de Deus e da libertação integral de todo o Universo. É isso que desejamos – um mundo sem males, sem dor, sem lágrimas, sem morte. É isso que o Espírito anseia, mas também nos ensina, ao trabalhar em nosso interior, que isso não vem de uma hora para outra, que ainda não chegou o tempo, que não podemos saciar no agora todos os nossos desejos.

Por isso, São Paulo nos orienta que não sabemos pedir o que convém. Presos em nosso egoísmo, pediríamos milagres e a cura definitiva de todo mal. Mas com o auxílio do Espírito, ansiamos tudo isso na paciência da história, na certeza de que Deus vai nos guiando em cada vitória e em casa derrota da jornada. A oração do Espírito geme para que o Reino venha: Venha a nós o Vosso Reino, enquanto caminhamos neste mundo de ambiguidades, nós que somos povo santo e pecador, nós que em nossa miséria somos dignos, pela misericórdia, de trabalhar para que o Reino seja já, ainda que por antecipação.

Amém!

Pe. Roberto Nentwig

Santuário São José –Curitiba – PR.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

VAMOS SEMEAR?

CABEÇA DE CAPIM

E voltamos a catequese depois das férias!

E nada como inventar atividades diferente pras crianças. Lembrando do Evangelho do Semeador, que tal “semear” algumas sementes e se divertir um pouco com a criançada?

Essa brincadeira lembra quando mundo não era tão tecnológico. De repende apareceram na escola uns bonecos chamados "Cabeça-de-Capim". Fizeram muito sucesso, pela interatividade e iniciação na prática da jardinagem: regar, cuidar e observar os "cabelos" crescerem.

Que tal a gente fazer o Cabeça-de-capim, Boneco-de-alpiste, Cabeça-de-batata, Boneco Ecológico, Peruca-de-alpiste, Boneco Orgânico... ou seja lá o nome que os pequenos quiserem dar? Pode ter certeza que fará o mesmo sucesso nestes tempos tão cheios de “Ipadpratudo”.



Material básico:
- Meia-calça
- Serragem ou areia (de preferência aquela lavada por ser mais grossa)
- Alpiste ou painço
- Cola (pode ser para tecido ou cola quente)
- Para montar a carinha use retalhos de feltro ou de tecido ou de E.V.A.; ou botões; ou lã... ou o que tiver à mão. Crianças apreciam coisas inusitadas.
- Pratinho de plástico ou fundo de garrafa Pet.

- Para facilitar use a ponta de um dos pés da meia, porque já tem a costura. Durante o enchimento, a cabeça do boneco será montada para baixo.
- Misture um punhado de alpiste com a areia ou serragem e coloque dentro da meia até onde você quer que comece a nascer os "cabelos" do boneco.
- Preencha o restante da meia com a areia ou serragem (sem alpiste). Amarre ou costure e corte as sobras (lembrando que a amarração será o pescoço do boneco).
- Modele a cabeça (em forma de bola, batata ou do jeito que achar legal) e faça a carinha. Se preferir, os olhos devem ficar um pouco abaixo da mistura de sementes com serragem. Mas, se quiser fazer um boneco ao estilo Capitão Caverna fica show também.
- Coloque o Cabeça-de-Capim sobre um pratinho ou base de garrafa Pet cortada. Deixe em local arejado e regue o topete do boneco diariamente mas, lembre-se "NÃO DÊ ÁGUA PARA O MOSQUITO DA DENGUE", todos os dias lave o suporte com uma bucha e troque a água.




Pronto! Agora é incentivar as crianças a cuidarem para que suas sementes cresçam!


* E se vocês acharem que fazer o “Cabeça de Capim” dá trabalho demais, tem pra comprar em alguns lugares. Aqui em Londrina tem nos mercadões do Shangri-la e da Harry Prouchet.

Angela Rocha

domingo, 13 de julho de 2014

4º MUTICOM - GUARAPUAVA PR

O poder das redes sociais na divulgação de conteúdo e material catequético será apresentado no 4º Muticom

O tema será apresentado nos Grupos de Trabalhos (GTs) pelo Grupo CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

Angela Rocha, Ilze Iwazendo e Rute de Lima... estaremos lá com certeza!



Uma das maiores dificuldades dos catequistas em ação nas paróquias é, sem dúvida, ter “tempo” para participar de encontros de formação e cursos. A maioria dos catequistas, além de se dedicar à evangelização de crianças, jovens e adultos; têm seu tempo preenchido por atividades pessoais como: família, trabalho, estudo e até, outras pastorais em que atuam na Igreja. Isso faz com que a formação, tão necessária para uma evangelização eficaz, não aconteça por absoluta falta de tempo e espaço ou, acabe sendo feita de maneira fragmentada, o que faz com que muitos agentes desistam da missão pelas enormes dificuldades que são encontradas pelo caminho.
Pensando em resolver parte dessa carência de “tempo” e “espaço” para formação dos catequistas, as catequistas Ângela Rocha, de Londrina (PR) e Claudia Pinheiro, de Bom Jesus de Itabapoana (RJ), acharam uma “fórmula” que tem se mostrado muito eficaz: utilizar a internet e suas várias ferramentas para proporcionar “encontros” de formação.
Esta é uma das experiências que serão apresentadas nos GTs do 4º Muticom, de 1º a 3 de agosto em Guarapuava (PR). As inscrições vão até o dia 15 de julho. (CLIQUE AQUI E GARANTA A SUA PARTICIPAÇÃO)

GT’s - grupos de trabalhos
Têm o objetivo principal de compartilhar e debater experiências e processos de comunicação na igreja. As inscrições para apresentação nos GTs poderão ser feitas através do email caediopuava@gmail.com . Os interessados devem enviar um resumo da experiência. No dia os participantes terão 15 minutos para apresentá-la. O número de apresentações é limitado.

HOMILIA DO DOMINGO

15º Domingo do Tempo Comum

O Semeador saiu a semear

Um semeador saiu a semear… A semeadura da Palavra segue ao longo da história caindo em diversos lugares. Seguindo as ideias do Pe. João Batista Libânio, as terras onde são lançadas a semente são carregadas de experiências:

·         Há a terra onde habitam os pássaros. Estes são, na antiguidade, símbolo do demônio. São enganadores, pois escondem a verdade. Hoje há muitas ideologias, mentiras inventadas pelos donos do poder. Quantas vezes a verdade verdadeira fica à beira do caminho… Vivem-se ilusões que impedem a verdade de ter o seu espaço. Ilusão da riqueza fácil, ilusões dos bens de consumo…
·         Há a terra cheia de pedras e pouco profunda. Quantos corações não têm profundidade. Vive-se facilmente na superficialidade, ou seja, fica-se na periferia, fica-se diante da face, sem perceber a interioridade. É atitude de quem vive apenas das aparências, do que é bonito aos olhos, sem se perceber a beleza interior.
·         Há a terra cheia de espinhos. Os espinhos sufocam a semente. Os espinhos representam o que sufoca. Quando se deixa de lado o amor, a ternura, a virtude, a beleza, não há espaço para a Palavra.

São Paulo, na segunda leitura, fala-nos da paciência diante das tribulações. O mundo está sofrendo dores de parto, aguardando o dia da vida verdadeira, da alegria verdadeira. Quando uma mulher está grávida, espera com dores; mas a alegria posterior, quando ganha um filho, é muito maior. Assim, acontece com a história. Esquecemos facilmente de que o mal, seja moral ou natural, faz parte de nossa realidade existencial, pois este mundo ainda não participa da plenitude do Reino de Deus, sendo a sua imperfeição ainda latente. Nosso mundo caminha para a consumação: então não haverá mais morte, mais choro ou dor. Precisamos, assim, enfrentar cada situação da vida na consciência da efemeridade, da transitoriedade da existência. Também nossos problemas podem estar esperando um fruto. O semeador não desiste diante da imperfeição da colheita, mesmo quando encontra maus semeadores ou estruturas que não favorecem o plantio. O importante é saber que a semente é boa e o dono da colheita é fiel. Este fará abundante colheita no fim dos tempos.

Pe. Roberto Nentwig

Santuário São José – Arquidiocese de Curitiba Pr.

Angelus do dia 13 de julho de 2014.


PAPA FRANCISCO
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 13 de Julho de 2014

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt 13, 1-23) mostra-nos Jesus que prega à margem do lago da Galileia, e dado que é circundado por uma grande multidão, Ele entra numa embarcação, afasta-se um pouco da margem e dali anuncia. Quando fala ao povo, Jesus recorre a muitas parábolas: uma linguagem que todos podem compreender, com imagens tiradas da natureza e das situações da vida diária.

A primeira que Ele narra é uma introdução a todas as parábolas: é aquela do semeador, que sem poupar lança as suas sementes em todos os tipos de terreno. E o verdadeiro protagonista desta parábola é precisamente a semente, que produz mais ou menos frutos, em conformidade com o terreno onde ela caiu. Os primeiros três terrenos são improdutivos: ao longo da estrada a semente é comida pelos pássaros; no terreno pedregoso, os rebentos secam-se imediatamente porque não têm raízes; no meio dos arbustos a semente é sufocada pelos espinhos. O quarto terreno é fértil, e somente ali a semente medra e produz fruto.

Neste caso, Jesus não se limitou a apresentar a parábola; também a explicou aos seus discípulos. A semente que caiu ao longo do caminho indica quantos ouvem o anúncio do Reino de Deus, mas não o acolhem; assim, sobrevém o Maligno e leva-a embora. Com efeito, o Maligno não quer que a semente do Evangelho germine no coração dos homens. Esta é a primeira comparação. A segundo consiste na semente que caiu no meio das pedras: ela representa as pessoas que escutam a palavra de Deus e que a acolhem imediatamente, mas de modo superficial, porque não têm raízes e são inconstantes; e quanto chegam se apresentam as dificuldades e as tribulações, estas pessoas deixam-se abater repentinamente. O terceiro caso é o da semente que caiu entre os arbustos: Jesus explica que se refere às pessoas que ouvem a palavra mas, por causa das preocupações mundanas e da sedução da riqueza, é sufocada. Finalmente, a semente que caiu no terreno fértil representa quantos escutam a palavra, aqueles que a acolhem, cultivam e compreendem, e ela dá fruto. O modelo perfeito desta terra boa é a Virgem Maria.

Hoje esta parábola fala a cada um de nós, como falava aos ouvintes de Jesus há dois mil anos. Ela recorda-nos que nós somos o terreno onde o Senhor lança indefessamente a semente da Palavra e do seu amor. Com que disposições a acolhemos? E podemos levantar a seguinte pergunta: como é o nosso coração? Com qual dos terrenos ele se assemelha: uma estrada, um terreno pedregoso, um arbusto? Depende de nós, tornar-nos um terreno bom ou sem espinhos sem pedregulhos, mas desbravado e cultivado com esmero, a fim de poder produzir bons frutos para nós e para os nossos irmãos.

E far-nos-á bem não esquecer que também nós somos semeadores. Deus lança sementes boas, e também aqui podemos interrogar-nos: que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca? As nossas palavras podem fazer muito bem mas inclusive muito mal; podem curar e podem ferir; podem animar e podem deprimir. Recordai-vos: o que conta não é aquilo que entra, mas o que sai da nossa boca e do nosso coração.

Com o seu exemplo, Nossa Senhora nos ensine a acolher a Palavra, a cultivá-la e a fazê-la frutificar em nós e nos outros!


Apelo
Dirijo a todos vós um apelo urgente a continuar a rezar com insistência pela paz na Terra Santa, à luz dos trágicos acontecimentos destes últimos dias. Ainda conservo na memória a profunda lembrança do encontro que teve lugar no dia 8 de Junho passado, com o Patriarca Bartolomeu, o Presidente Peres e o Presidente Abbas, juntamente com os quais invocamos a dádiva da paz e ouvimos a chamada a interromper a espiral do ódio e da violência. Alguém poderia pensar que este encontro teve lugar em vão. Pelo contrário! A oração ajuda-nos a não nos deixarmos vencer pelo mal, a não nos resignarmos ao predomínio da violência e do ódio sobre o diálogo e a reconciliação. Exorto as partes interessadas e todos aqueles que têm funções de responsabilidade política a níveis local e internacional, a não poupar oração nem esforço algum para fazer cessar toda a hostilidade e alcançar assim a paz desejada, para o bem de todos. E convido todos a unir-vos na oração. Em silêncio, oremos todos juntos. (Prece silenciosa). Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Concedei-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, orientai-nos Vós rumo à paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações, e incuti-nos a coragem de dizer: «Nunca mais a guerra!»; «com a guerra tudo está destruído!». Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para edificar a paz... Tornai-nos disponíveis para ouvir o clamor dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos temores em confiança e as nossas tensões em perdão. Assim seja!



Depois do Angelus

Saúdo-vos todos cordialmente, romanos e peregrinos!
Hoje celebra-se o «Domingo do Mar». Dirijo o meu pensamento aos marítimos, aos pescadores e às suas famílias. Exorto as comunidades cristãs, em especial as costeiras, a fim de que permaneçam atentas e sensíveis em relação àquelas. Convido os capelães e os voluntários do Apostolado do Mar a continuarem o seu trabalho na atenção pastoral a estes irmãos e irmãs. Confio todos, especialmente quantos se encontram em dificuldade e labutam em casa, à salvaguarda maternal de Maria, Estrela do Mar.

Uno-me em oração aos Pastores e aos fiéis que participam na peregrinação da Família, da Rádio Maria em Jasna Góra, Czestochowa. Agradeço-vos as vossas orações, enquanto vos abençoo de coração.

Agora saúdo com grande carinho todos os filhos e filhas espirituais de são Camilo de Lellis, de cuja morte amanhã recordaremos o 400° aniversário. Convido a Família camiliana, no apogeu deste Ano jubilar, a ser sinal do Senhor Jesus que, como bom samaritano, se debruça sobre as feridas do corpo e do espírito da humanidade sofredora, derramando o azeite da consolação e o vinho da esperança. A vós congregados aqui na praça de São Pedro, assim como aos agentes no campo da saúde que prestam serviço nos vossos hospitais e casas de cura, formulo votos a fim de que cresçais cada vez mais no carisma de caridade, alimentado pelo contacto diria com os enfermos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Desejo feliz domingo e bom almoço a todos. Até à vista!

Fonte: Vaticano.
http://w2.vatican.va/content/vatican/pt.html

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O PAPEL DO LÍDER TAMBÉM É APRENDER

 "O verdadeiro líder não tem necessidade de comandar. Contenta-se em apontar o caminho." (Henry Miller)


Estive pensando no papel do líder. No quanto ele deve saber e na bagagem que ele deve ter para liderar ou coordenar uma equipe.

Mas, lendo um texto de um grande mestre, eu vi que, ao contrário do que pode parecer, aquele ou aquela, que está num cargo de liderança, não é quem sabe tudo, mas quem está  disposto a ser sempre um aprendiz. Porque...

“Aprender não é acumular certezas, nem estar fechado em respostas.
Aprender é incorporar a dúvida e estar aberto a múltiplos encontros.
Aprender não é dar por consumada uma busca.
Aprender não é ter ‘aprendido’,  aprender não é nunca um verbo do passado.
Aprender não é um ato findo. Aprender é um exercício constante de renovação.
Aprender é sentir-se humildemente sabedor de seus limites, mas com a coragem de não recuar diante dos desafios.
Aprender é debruçar-se com curiosidade sobre a realidade e reinventá-la com soltura dentro de si.
Aprender é conceder lugar a tudo e a todos e recriar o próprio espaço.
Aprender é reconhecer em si e nos outros, o direito de ser dentro de inevitáveis repetições, porque aprender é caminhar com seus pés um caminho já traçado.
É descobrir de repente uma pequena flor inesperada.
É aprender também novos rumos onde parecia morrer a esperança.
Aprender é construir e reconstruir pacientemente uma obra que não será definitiva porque o humano é transitório.
Aprender não é conquistar nem apoderar-se, mas, peregrinar.
Aprender é estar sempre caminhando, não é reter, mas, comungar.
Tem que ser um ato de amor para não ser um ato vazio.”

*Texto: Refletindo sobre o ato de aprender de Paulo Freire.


Angela Rocha

quarta-feira, 9 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

AS CARACTERÍSTICAS DO EVANGELIZADOR


A cada dia é mais necessário que todos nós respondamos ao chamado de Jesus de ir pelo mundo e evangelizar. A sociedade precisa de apóstolos da nova evangelização de todas as idades, nacionalidades e profissões, precisa de pessoas que manifestem com sua própria vida que o cristianismo é o caminho para a salvação e que pode ser vivido plenamente em todas as realidades terrenas.

Assim, um apóstolo da nova evangelização deve possuir certas características. Ele deve ser:

• Militante: a tarefa de transformar o homem não é fácil. Não há fórmula mágica para isso. O apóstolo da nova evangelização concebe sua vida como um luta constante contra as forças do mal.

• Magnânimo: o apóstolo sabe que foi eleito para coisas grandes e que não tem tempo a perder em mediocridades ou lamentos. Tem um coração grande, em que cabe o mundo inteiro, pois ele está convidado a pregar a todos. Em seu coração cabem todas as necessidades, misérias, dores e alegrias dos homens. Ele sente a Igreja e o mundo como terra fecunda para o seu trabalho. Suas aspirações são grandes, assim como grandes são os seus desejos de luta, sua capacidade de amar e se entregar.

• Tenaz, forte e perseverante: a luta será contínua. A vitória não virá em um dia, nem em uma semana, nem em um ano: ele terá de lutar a vida toda. Por isso, são necessários apóstolos convictos, para que não desistam, para que combatam sem enfraquecer, para que não se deixem vencer pelo medo, a covardia, a falsa prudência ou as queixas.

• Realista: o apóstolo deve construir sobre a rocha, conhecer-se com todas as suas qualidades e limitações, e conhecer o campo onde tem de evangelizar e as dificuldades que vai enfrentar. Deste modo, poderá fazer planos que vão diretamente à raiz dos problemas. O apóstolo não pode viver de sonhos, deve lutar na realidade.

• Eficaz em seu trabalho: o apóstolo da nova evangelização coloca tudo o que está ao seu alcance na tarefa de evangelizar. Não se detém diante de dificuldades e sacrifícios. Busca sempre novos caminhos para alcançar o que lhe foi encomendado.

• Organizado: trabalha de maneira sistemática, de acordo com um programa que ele mesmo traçou. Sabe que sem ordem não pode haver eficácia. Reflete antes de atuar, traça objetivos, analisa dificuldades, traça estratégias, propões soluções, coloca-as em ação e avalia os resultados.

• Atento às oportunidades: sabe que a todo momento se apresentam oportunidades de evangelizar.

• Sobrenatural em suas aspirações: seus critérios não são deste mundo. Por isso, é capaz de empreender obras de envergadura com a confiança de que Deus suprirá suas limitações e lhe concederá a Sua graça. Sabe que o protagonista da missão é Deus e ele é só um instrumento dócil nas mãos de Deus.

Fonte: Catholic.net


domingo, 29 de junho de 2014

DINÂMICA: A ASSERTIVIDADE


Ao longo da nossa experiência do “fazer catequese”, muitas vezes nos deparamos com o que chamamos de turmas “inquietas” onde, normalmente é difícil estabelecer a calma para que possamos falar ou até mesmo fazer uma oração. As crianças e jovens de hoje estão cada vez mais “participantes” do mundo e não querem saber de “escutar” o outro. Querem falar e manifestar suas opiniões... e quase todos ao mesmo tempo!
Nossos pais e avós até chamariam isso de “falta de educação” e “falta de respeito aos mais velhos”, afinal, vimos de uma geração onde crianças e adolescentes, nem sequer escutavam a conversa dos adultos, que dirá participarem. Mas, o mundo mudou e a nova geração está aí com concepções totalmente diferentes. Resta-nos ajudar essa moçada a desenvolver uma característica que, infelizmente, muitos adultos não têm: a ASSERTIVIDADE. Ou seja, saber defender seus pontos de vista respeitando o do outro, em resumo: saber falar e saber ouvir e sempre na hora certa.

DINÂMICA DOS 30 SEGUNDOS

OBJETIVO: Desenvolver a Assertividade*, a capacidade de comunicação e escuta; criatividade; comunicação verbal; administração do tempo; poder de persuasão e influência; estabelecer a calma; proporcionar desafio individual, intelectual e social; crenças e valores.
DURAÇÃO: 30 minutos.

PARTICIPANTES: de 06 a 50.

MATERIAL: Não necessita.

Dividir as pessoas em grupos conforme o número de participantes. Se forem poucos, não é necessária a divisão.

DESENROLAR: Previamente deve-se selecionar um tema a ser discutido pelo grupo. Que poderá se referir a um conteúdo trabalhado ou a qualquer assunto que esteja em discussão no mundo no momento, uma notícia, etc.
Ao iniciar a dinâmica cada participante do grupo terá 30 segundos para falar sobre o tema apresentado e defender seu ponto de vista. Cada participante terá que usar toda sua desenvoltura e comunicação para sua apresentação.
Nenhum participante poderá, de forma alguma, ultrapassar o tempo de 30 segundos ao falar sobre o tema. Os demais participantes deverão ficar em TOTAL silêncio durante a apresentação de cada colega. Qualquer manifestação durante a fala do outro, será penalizada.
Após as apresentações, abrir uma discussão sobre: “Saber falar e saber escutar”.

DICAS PARA A DISCUSSÃO:
·         O que sentimos aos escutar o outro em silêncio sem poder argumentar?
·         Foi possível resumir as ideias de forma objetiva e clara?
·         A discussão de forma organizada foi produtiva? Por que?
·         É possível respeitar a opinião do outro sem ignorá-la?
·         Foram agregados conhecimentos durante a discussão?
·         Alguma argumentação conseguiu mudar a sua opinião sobre o assunto?
·         Como esta dinâmica pode nos ajudar no dia a dia em outras discussões?
·         Como lidamos no dia a dia nas discussões com outras pessoas?

* A Assertividade é a habilidade social de fazer afirmação dos próprios direitos e expressar pensamentos, sentimentos e crenças de maneira direta, clara, honesta e apropriada ao contexto, de modo a não violar o direito das outras pessoas. A postura assertiva é uma virtude, pois se mantém no justo meio-termo entre dois extremos inadequados, um por excesso (agressão), outro por falta (submissão). Ser assertivo é dizer "sim" e "não" quando for preciso. Pessoas com comportamento mais assertivo sentem menos ansiedade, tem maior grau de internalidade, ou seja, capacidade de refletir antes de falar ou agir, e melhor auto-estima. Conviver com pessoas assertivas também aumenta a auto-estima e diminui a agressividade.

Em nossos dias, o termo “assertividade” é muito usado. Talvez, por causa da necessidade imperiosa que temos de colocar em prática seu significado. Assertividade é um estilo de comunicação, aberto às opiniões alheias, dando–lhes a mesma importância que às próprias opiniões. É algo que parte do respeito de alguém para com os demais e até consigo mesmo, estabelecendo com segurança e confiança o que se deseja. A pessoa assertiva aceita que a postura das outras não precisa coincidir com as dela e, de maneira direta, aberta e honesta, evita conflitos.

O que nos anima é que a assertividade não é algo que se herda, mas, que pode ser adquirida e aprendida. Todos nós podemos ter essa qualidade, e isso vai nos ajudar muito nos nossos relacionamentos.

Então, o que precisamos modificar e treinar, a fim de melhorar o trato com as pessoas? Teria Jesus Cristo colocado em prática a assertividade?
Nós, que acompanhamos a vida de Jesus, observamos que todos os Seus atos foram assertivos. Ele não emitia palavras demais, ocupava-Se das necessidades das pessoas e até de pequenos detalhes que pareciam insignificantes. Não fazia discriminação e sabia envolver os que O cercavam em tarefas nas quais podiam se sentir úteis.
Esse conceito também implica empatia e humildade. Sem essas características, é impossível nos preocuparmos com outras pessoas e considerar as opiniões delas. Enquanto viveu na Terra, Jesus também revelou as virtudes da empatia e humildade em todos os Seus atos. Ele, realmente, praticou a assertividade.

Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. (Fl 2, 3-4).

Estes versículos nos aconselham a considerar os outros como a nós mesmos, e também sugere o atual conceito de assertividade. Ser assertivo é expressar nossos pontos de vista respeitando o das outras pessoas.

Jesus se conduziu aqui na terra, de maneira compassiva, amável e cortês. Foi bondoso e misericordioso. Jesus revelava, com cada um que encontrava, sua disposição amável em atendê-los. Com mãos cheias de boa vontade estava sempre pronto para servir aos outros. Manifestava uma paciência que nada conseguia perturbar, e uma veracidade que nunca sacrificou a sua integridade. Ele era firme como a rocha em questões de princípios, mas, sua vida nos revela a graça da abnegada cortesia em escutar o outro.

Angela Rocha


FONTE: Adaptação de Dinâmicas de Grupo.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Catequese do Papa: 25 de junho de 2014


Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje há outro grupo de peregrinos unidos a nós na Sala Paulo VI: trata-se dos peregrinos enfermos, pois com este tempo, entre o calor e a possibilidade de chuva, era mais prudente que eles permanecessem ali. Contudo, estão ligados a nós através de uma tela gigante. E assim estamos unidos na mesma audiência. E hoje todos nós rezaremos especialmente por eles, pelas suas enfermidades. Obrigado!

Na primeira catequese sobre a Igreja, na quarta-feira passada, começamos a partir da iniciativa de Deus, o qual quer formar um povo que leve a sua Bênção a todos os povos da terra. Começa com Abraão e depois, com muita paciência — e Deus tem muita paciência! — prepara este povo na Antiga Aliança até o constituir em Jesus Cristo como sinal e instrumento da união dos homens com Deus e entre si (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Lumen gentium, 1). Hoje, desejamos meditar sobre a importância, para o cristão de pertencer a este povo. Falaremos sobre a pertença à Igreja.
Não vivemos isolados e não somos cristãos a título individual, cada qual por sua própria conta, não, a nossa identidade cristã é pertença! Somos cristãos porque pertencemos à Igreja. É como um sobrenome: se o nome é «sou cristão», o sobrenome é «pertenço à Igreja». É muito bom observar que esta pertença se exprime também no nome que Deus atribui a Si mesmo. Com efeito, respondendo a Moisés, no maravilhoso episódio da «sarça ardente» (cf. Êx 3, 15), Ele define-se a Si mesmo como o Deus dos pais. Não diz: Eu sou o Todo-Poderoso..., não: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob. Deste modo, Ele manifesta-se como o Deus que fez uma aliança com os nossos pais e permanece sempre fiel ao seu pacto, chamando-nos a entrar nesta relação que nos precede. Esta relação de Deus com o seu povo precede-nos a todos, desde aquela época.

Em tal sentido o pensamento dirige-se, em primeiro lugar, com gratidão àqueles que nos precederam e que nos acolheram na Igreja. Ninguém se torna cristão por si só! É claro isto? Ninguém se torna cristão por si só! Os cristãos não se fazem no laboratório. O cristão faz parte de um povo que vem de longe. O cristão pertence a um povo que se chama Igreja, e é esta Igreja que o faz cristão, no dia do Batismo e depois no percurso da catequese, e assim por diante. Mas ninguém se torna cristão por si só! Se cremos, se sabemos rezar, se conhecemos o Senhor, se podemos ouvir a sua Palavra, se O sentimos próximo de nós e se O reconhecemos nos irmãos, é porque outros, antes de nós, viveram a fé e porque depois no-la transmitiram. Nós recebemos a fé dos nossos pais, dos nossos antepassados; foram eles que no-la ensinaram. Se pensarmos bem, quem sabe quantos rostos de entes queridos passam diante dos nossos olhos neste momento! Pode ser o rosto dos nossos pais que pediram o Batismo para nós; o dos nossos avós ou de algum familiar que nos ensinou a fazer o sinal da cruz e a recitar as primeiras orações. Recordo-me sempre do rosto da religiosa que me ensinou o catecismo, vem sempre ao meu pensamento — indubitavelmente, ela está no Céu, porque é uma mulher santa — mas eu recordo-me sempre dela e dou graças a Deus por esta religiosa. Ou então o rosto do pároco, de outro sacerdote, ou de uma religiosa, de um catequista, que nos transmitiu o conteúdo da fé e nos fez crescer como cristãos... Eis, esta é a Igreja: uma grande família na qual somos acolhidos e aprendemos a viver como crentes e discípulos do Senhor Jesus.

Podemos percorrer este caminho não apenas graças a outras pessoas, mas juntamente com outras pessoas. Na Igreja não existe «personalizações», não existem «jogadores livres». Quantas vezes o Papa Bento descreveu a Igreja como um «nós» eclesial! Às vezes ouvimos alguém dizer: «Eu creio em Deus, creio em Jesus, mas não me interesso pela Igreja...». Quantas vezes ouvimos isto? Assim não funciona. Alguns pensam que podem manter uma relação pessoal, direta, imediata com Jesus Cristo, fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais. Como dizia o grande Paulo VI, trata-se de dicotomias absurdas. É verdade que caminhar juntos é algo exigente, e por vezes pode ser cansativo: pode acontecer que algum irmão ou irmã nos cause problemas, ou provoque escândalos... Mas o Senhor confiou a sua mensagem de salvação a pessoas humanas, a todos nós, a testemunhas; e é nos nossos irmãos e nas nossas irmãs, com os seus dotes e os seus limites, que vem ao nosso encontro e se deixa reconhecer. É isto que significa pertencer à Igreja. Recordai-vos bem: ser cristão significa pertença à Igreja. O nome é «cristão» e o sobrenome, «pertença à Igreja».

Caros amigos, peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria Mãe da Igreja, a graça de nunca cair na tentação de pensar que podemos renunciar aos outros, que podemos prescindir da Igreja, que nos podemos salvar sozinhos, que somos cristãos de laboratório. Pelo contrário, não se pode amar a Deus sem amar os irmãos; não se pode amar a Deus fora da Igreja; não se pode viver em comunhão com Deus sem viver na Igreja; não podemos ser bons cristãos, a não ser juntamente com todos aqueles que procuram seguir o Senhor Jesus, como um único povo, um único corpo; é nisto que consiste a Igreja. Obrigado!


Saudações
Dirijo uma cordial saudação à delegação da Bethlehem University, que este ano celebra o quadragésimo aniversário de fundação, com particular reconhecimento pela louvável atividade acadêmica realizada a favor do povo da Palestina.

Cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo particular aos provenientes do Médio Oriente! Estimados amigos, a nossa identidade cristã é pertença à comunidade eclesial! Peçamos ao Senhor que nos faça compreender o verdadeiro sentido desta pertença e que juntos formemos um só povo e um único corpo. Que o Senhor vos abençoe!

Com cordial afeto, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, em especial o grupo brasileiro da Paróquia Nossa Senhora Consolata, de São Manuel, e os fiéis do Santuário de Nossa Senhora do Porto, em Portugal. Irmãos e amigos, estais em boas mãos, estais nas mãos da Virgem Maria. Ela vos proteja da tentação de prescindir dos outros, de pôr a Igreja de lado, de pensar em salvar-vos sozinhos. Rezai por mim! Que Deus vos abençoe!

Saúdo por fim os jovens, os doentes e os recém-casados. Ainda está vivo o eco da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, que celebramos recentemente. Amados jovens, encontrai sempre na Eucaristia o alimento da vossa vida espiritual. Vós, caríssimos doentes — especialmente vós que estais unidos a nós na sala Paulo VI— oferecei o vosso sofrimento e a vossa oração ao Senhor, para que Ele continue a infundir o seu amor no coração dos homens. E vós, queridos recém-casados, aproximai-vos da Eucaristia com fé renovada e, alimentados de Cristo, sede famílias animadas por um testemunho cristão concreto.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Como fazer inculturação na catequese? (3)



A catequese deve ser inculturada – é o que se diz. Mas, o catequista se pergunta: O que é isso, na prática? Em que consiste a inculturação do evangelho?


Não é fácil responder essa questão. Até porque o conceito de cultura é vasto, complexo e dinâmico. Cada um usa a palavra cultura em um sentido. E ainda não ficou muito claro em que sentido a Igreja tem empregado o termo cultura. É só pegar alguns documentos mais recentes da Igreja que vamos encontrar várias referências à cultura, cada vez num sentido diferente.


Às vezes, nos discursos sobre esse assunto, cultura significa simplesmente a tradição, o folclore de povos específicos, seus usos e costumes que a modernidade tende a sufocar. Então, inculturar seria resgatar costumes e tradições, por meio de símbolos. Algo como usar um cocar de índio. Ou cobrir-se com um pano de estampas africanas. Vemos isso em muitas celebrações. Num encontro de catequistas de que certa vez participamos, sempre que se proclamava um texto bíblico na liturgia, o leitor se enrolava num pano colorido, punha a Bíblia numa peneira e estava convencido de fazer inculturação.


Outras vezes, o termo cultura é usado para distinguir estratificações sociais que teriam características próprias. Cultura seria aquilo que diferencia um grupo social de outro. Fala-se então de cultura urbana, cultura rural, cultura das minorias, cultura dos guetos, etc. Nesse caso, o conselho que se dá é que a Igreja aprenda a falar a língua de cada grupo social. Mas, pode-se perguntar: O que seria mesmo essa língua característica? A língua do homem do campo seria diferente da língua da cidade, ainda mais depois da globalização?


Aí entra o conceito de língua. E, às vezes, a Igreja fala de cultura querendo se referir à forma de expressão vocabular de cada grupo, ou seja, ao tipo de português que cada um sabe falar. Cultura seria, então, a gramática, a correção vocabular, as palavras usadas para expressar ideias. Então se diz: É preciso falar a língua do homem do campo. E os líderes começam a usar expressões como: enxada, cerca de arame, bota de borracha, boi; e cantam “Penerei fubá, fubá caiu”. E acham que estão inculturados. E na cidade fala-se de vídeo, fast-food, shopping-center, internet, blog etc. Acontece que parece não haver tanta distinção entre cidade e campo. O homem do campo assiste televisão e tem acesso à internet. A modernidade tem globalizado a cultura. Quando falam para jovens, alguns catequistas começam a usar gírias, a fazer tatuagens, a cantar axé e hip-hop. Para crianças, colocam tudo no diminutivo, transformam Deus em papai do céu, Maria de Nazaré em mãezinha do céu, rezam orações do anjinho da guarda etc. Infantilizam a fé ou transportam-na para o campo da moda que a mídia impõe. Parece que alguns insistem em ressaltar as diferenças que não são a coisa mais importante no momento, esquecendo-se de que cada um desses grupos é capaz da fé madura, no universo cultural ou situação em que se encontra, sem subterfúgios.


Poderíamos citar ainda outros dos muitos conceitos de cultura. Mas parece que o que mais se aproxima do ponto que a Igreja quer atingir é o conceito de cultura como linguagem. Não como língua, mas como linguagem. Há uma grande diferença. Língua é o vocabulário, as palavras, o idioma. No Brasil, todos falamos português. Então, não é o idioma que vai dificultar a compreensão. Linguagem é mais que língua. A linguagem é o conjunto de valores que está na mente das pessoas. Por detrás de cada coisa que se faz ou se fala, existe um universo de valores e crenças que compõem a linguagem de um povo. Esse conjunto é a cultura desse povo. Nesse sentido, inculturar é compreender a motivação mais profunda que está na mente das pessoas, entendendo a mente não tanto como realidade individual, mas como mentalidade ampla e abrangente. Poderíamos quase dizer que cultura é mentalidade. O processo de inculturação exige, pois, que a fé da Igreja encontre uma forma de ser compreendida pela mentalidade do povo. A mentalidade abre umas portas e fecha outras. A Igreja precisa descobrir, no homem chamado pós-moderno, quais são as portas abertas e quais são as portas fechadas. É preciso saber por qual porta a mensagem da fé vai entrar no coração desse novo destinatário da evangelização.


O Estudo da CNBB nº 73 – Catequese para um Mundo em Mudança – resumiu tudo isso, dizendo: “Não se trata de montar um espetáculo bonito, mas de falar ao coração do povo, nas diferentes realidades” (n. 14). Fica apenas a pergunta se, num mundo globalizado, as realidades ainda continuam tão diferentes. A chamada pós-modernidade criou nova mentalidade em todos os seguimentos sociais: pobres, ricos, índios, negros, marginalizados, minorias, homens do campo, da cidade etc. Talvez a cultura seja muito mais o que une esses seguimentos sociais do que o que os separa. E a Igreja, no seu discurso, precisa enfocar coisas que as pessoas queiram ouvir com boa vontade, coisas que respondam aos anseios da pós-modernidade. Esses anseios indicam as portas abertas nos corações das pessoas, por onde a boa-nova de Cristo pode ser acolhida como força para viver.

Já se fala também de inculturação como o processo pelo qual a pessoa se insere na cultura cristã ou na cultura do evangelho. Dessa forma, a pessoa evangelizada é que deve se inculturar, ou seja, absorver os valores do evangelho, como os gregos absorveram a pregação de um judeu – Jesus! – e adotaram os valores cristãos adaptando-os à sua cultura.


Então, não adianta, no processo formativo, vestir roupas africanas e usar cocar de índio, se não falamos ao coração da sociedade e não respondemos aos seus anseios. A inculturação, nesse sentido, requer a ousadia de subverter o discurso oficial e padronizado. Para a catequese, isso é fundamental. É preciso apresentar a boa-nova de Cristo de modo que ela signifique algo importante dentro de nossa cultura. Quando Jesus pregou o evangelho, as pessoas se sentiram profundamente tocadas por sua mensagem. A mensagem de Jesus fez a diferença para aquelas pessoas. Hoje precisamos apresentar esta mesma mensagem, de modo que ela também faça a diferença para as pessoas do nosso tempo.


Isso não significa que vamos nivelar o evangelho a partir das necessidades das pessoas. Mas vamos apresentar a boa-nova como uma força motivadora para os tempos atuais, pois ela é assim. Deus continua querendo falar aos corações das pessoas. Vamos entender a inculturação como o esforço para superar uma linguagem arcaica, muitas vezes baseada no argumento da autoridade, em prol de uma linguagem que deixe transparecer a beleza do evangelho de Cristo. As pessoas continuam tendo sede de Deus. Tanto que se fala da busca pelo sagrado, característica dos nossos tempos. Mas o modo de falar de Deus precisa ser tal que o sagrado seja de fato transmitido pelo nosso discurso. Senão, as pessoas vão procurar o sagrado em outras Igrejas que pregam o evangelho de outra forma.


Solange Maria do Carmo
Mestre em Sagrada Escritura, doutoranda em Catequese pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia-FAJE

domingo, 22 de junho de 2014

Como falar hoje dos sacramentos? (2)


A catequese sacramental é hoje muito criticada. E com razão. Preparar para os sacramentos é muito pouco para uma catequese cristã. Não vamos, porém, pensar que os sacramentos perderam sua importância. Apenas o jeito de falar deles é que precisaria mudar. Ninguém pensa em excluí-los do processo catequético. Mas talvez fosse importante situá-los de forma nova. Essa atualização se faz necessária por causa da mudança que ocorreu na mentalidade do povo.


Desde o Concílio de Trento, os sete sacramentos são aceitos sem nenhum questionamento. E desde criança, a gente já sabia que era preciso ir à missa, comungar, confessar-se. Ninguém pensava em constituir família sem passar pelo sacramento do matrimônio. A crisma era também uma necessidade não questionada. Quando o bispo ia fazer visita pastoral, todo mundo sabia que era preciso crismar. O que se questionava então era mais a história de cada sacramento e sua doutrina. A catequese tentava responder a perguntas como: “O que é tal sacramento? Qual o ensino da Igreja sobre ele? Quais as condições de validade de cada sacramento?”. Era mais um estudo dogmático e canônico dos sacramentos.

Acontece que hoje as pessoas já perderam, na maioria dos casos, o referencial axiológico da vida sacramental, ou seja, perderam-se aqueles valores básicos, antes cultivados em família, que nos faziam encarar os sacramentos como algo que não se questionava. Hoje, a pergunta não é mais “O que é este sacramento?”, mas “Para que serve esse sacramento?”, “Qual o sentido e a utilidade dos sete sacramentos?”, ou “Será que eles realmente significam e realizam algo?”. A catequese se vê, portanto, desafiada a responder questionamentos mais profundos.

Será preciso ajudar as pessoas a assumirem os valores que servem de base para a compreensão e a vivência dos sacramentos. Assim, antes de explicar o que é a eucaristia, será preciso ajudar a pessoa a perceber a presença de Jesus que continua vivo no meio de nós; antes de falar de confissão, será preciso compreender a situação de fraqueza humana, pois não somos tão potentes como podemos pensar; antes de falar de crisma será necessário mostrar as vantagens e o sentido do engajamento do jovem na Igreja e no mundo, a beleza que é pertencer a um povo de fé e nessa comunidade professar a fé, confirmando-a cada dia.

Mais importante que teorizar sobre os sacramentos, é criar a base axiológica que sustenta sua vivência. Desse modo, quando a catequese apresenta Jesus e desperta a admiração por ele e a compreensão do sentido de sua presença viva, está no universo da eucaristia, embora não parta do sacramento. E quando ajuda a descobrir o sentido da pessoa humana com sua força e sua fraqueza, com sua sede de crescer sempre mais, de ser feliz, de superar-se, de perdoar e ser perdoado, a catequese está tratando da confissão, embora não parta do sacramento. E quando fala da beleza da vida em família e da importância da presença de Deus no lar, a catequese está de alguma forma mostrando o valor do matrimônio.

Enfim, para que a catequese prepare a pessoa para a vivência sacramental, não é preciso que haja, no roteiro, de imediato, uma lista com os sete sacramentos para se decorar.

Podemos até saber de cor os sete sacramentos e incentivar os catequizandos a guardar de cor a lista completa dos sacramentos ou dos mandamentos. Mas isso não fará muita diferença e não significará uma compreensão da fé mais profunda, se não ajudarmos os catequizandos a entenderem os valores cristãos celebrados em cada sacramento.

Isso é o que chamamos de mudança de categorias. A nossa observação serve para o ensino de toda a doutrina da Igreja que, sem ser abandonada, precisa ser reformulada. A transmissão da doutrina precisa ser feita, pois é também parte do processo catequético dar as razões da fé. Mas esse aprofundamento na fé da Igreja, traduzida em sua doutrina, surtirá melhor efeito se partir de uma experiência cristã de Deus; se a doutrina fizer sentido na vida de quem busca suas razões. Cabe, pois, à catequese trabalhar a doutrina de modo novo e significativo, de forma mais existencial e afetiva que tanto intelectual e dedutiva, repensando as formulações da fé para a vida das pessoas hoje.

Solange Maria do Carmo
Mestre em Sagrada Escritura e professora da PUC-Minas e do Centro Loyola BH.