terça-feira, 30 de setembro de 2014

A BIBLIA E SEUS SENTIMENTOS (CARINHAS)

Uma excelente maneira de fazer com que as crianças valorizem e cuidem da sua Bíblia na catequese.
Utilizamos este recurso no nosso WORKSHOP DA BÍBLIA, realizado dia 27 de setembro em comemoração ao MÊS DA BÍBLIA.
Foram utilizadas caixas de cereal encapadas com papel colorset preto e os desenhos foram pintados, mas, podem ser feitos com colagem também.





SOU A BÍBLIA FELIZ!
Meu dono me quer muito bem e todos os dias me lê, as minhas páginas estão um pouquinho usadas mas, bem cuidadas. Ele me carrega com orgulho.









SOU A BÍBLIA TRISTE...
Eu estou triste porque minha dona me guarda em uma gaveta trancada e quando vai para a catequese esquece de me levar. Como sou triste e infeliz.









SOU A BÍBLIA SUJA
Eu estou toda suja assim porque minha dona me deixa na estante aberta pegando poeira ou então me joga no chão.










SOU A BÍBLIA RASGADA
Minha dona me joga por cima da mesa, me derruba no chão, coloca outros livros pesados em cima de mim e ainda deixa sua irmãzinha me pendurar pela capa. Sou um saco de pancada.









SOU A BÍBLIA ESQUECIDA
Sou esquecida na catequese quase sempre. Fico de mão em mão até que meu dono me acha. Mas não tem jeito logo depois me esquece de novo e fico lá até a zeladora me encontrar.

domingo, 28 de setembro de 2014

NÃO TEMOS O DIREITO DE ESCONDER O CUSTO DO DISCIPULADO!


O PACTO DE LAUSANNE: VOCÊ JÁ OUVIU FALAR?

O Pacto de Lausanne é um documento produzido durante o Congresso Internacional de Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, Suíça, de 16 a 25 de julho de 1974, com a presença de 2.700 participantes, representando mais de 150 países.

E, segundo este pacto: Não temos o direito de esconder o custo do discipulado!
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e creem.

Mas, a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus.

Ao fazermos o convite do Evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo a negarem a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade.

Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

Logo, o “custo” do discipulado, é o seguimento! Não evangelizamos, de fato, se não houver seguimento posterior e para toda a vida, à Igreja de Jesus Cristo!


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

EVANGELIZAÇÃO NUM “GOLE” SÓ...

Já há algum tempo venho estudando, lendo, me informando e me interessando por tudo que diz respeito à Iniciação á Vida Cristã. Que na verdade não se trata de nenhuma novidade, e sim, de uma proposta de fazer renascer o modelo catecumenal de catequese em nossa Igreja. Isso começando pelas propostas do Concílio vaticano II que já tem mais de 50 anos.

Fiz inúmeras formações, li praticamente tudo que foi editado a respeito. Assisti palestras de Pe. Lima, Ir. Nery, Pe. Lelo e minha pós-graduação em catequética foi praticamente baseada na iniciação à vida cristã. Se precisar até dou palestras sobre o assunto. 

Só que nenhum deles contou como é que vamos fazer o "milagre" de transformar a realidade dando catequese a partir de um anúncio que ninguém fez...

E os inúmeros catequistas que se deparam com a “novidade”, que até já é um tanto velha, ainda estão se perguntando afinal, o que a Igreja quer que eles façam para uma catequese de verdadeira "Iniciação à Vida Cristã". ???

Apesar de muitos manuais e livros publicados, ninguém ainda apresentou um modelo satisfatório para a dita cuja Iniciação. Eu mesma respondo sempre que as mudanças são de "postura", ou seja, de comportamento, de foco, de "jeito" e que é preciso que toda a paróquia mude, não só a catequese. Começa pelo clero, vai ao CPP, às lideranças pastorais e depois por uma reformulação total da paróquia no que diz respeito à todas as pastorais. Simples? Complicadíssimo!

Mas, e como é que a gente muda esse "jeito"? E várias respostas já foram dadas: Primeiro que precisamos ser "pró-ativos", depois que precisamos inserir a família na catequese, valorizar o jovem e, até mesmo, promover uma iniciação com os próprios catequistas.

A grande verdade de tudo isso é que estamos fazendo tudo pelo avesso.

Primeiro estamos começando com as crianças quando deveríamos priorizar os adultos. Depois que estamos esquecendo a importante fase do querigma onde, anunciado, Jesus se torna experiência de encontro e sede de se conhecer mais sobre Ele e sua Igreja. E fazemos catequese como se todos já estivessem convertidos. E lá, quando nossos jovens estão prestes a receber o sacramento da Crisma, é que a gente vai se preocupar se eles vão mesmo praticar os seguimento à Igreja de Jesus. E eu nem preciso dizer que a maioria, se isso fosse uma “prova”, não passaria.

Vejam só os retiros que se fazem, próximos à Crisma. Se a gente analisar bem, deixamos para fazer o “querigma”, o "primeiro" anúncio, quando os jovens estão saindo da catequese. Primeiro a gente fica cinco, seis anos, enchendo a cabecinha dos jovens de conteúdo, depois num fim de semana “milagroso”, queremos que eles assumam uma vida de seguimento pastoral junto com tudo mais que eles precisam assumir na adolescência.

Então, prestes a fazer o Crisma, prepara-se grandes encontros e retiros. E queremos que, de uma vez só, eles sintam tudo que não sentiram nos anos todos de catequese. Por mais que estes jovens se sintam tocados nestes momentos de oração e encontro, eles vão pra casa depois de um final de semana de intensa oração e reflexão e se deparam com uma grande realidade: SUA FAMÍLIA NUNCA RECEBEU ANÚNCIO algum! Seus colegas de escola, seus professores e todas as pessoas com quem eles convivem, simplesmente não foram "tocados". E aquela grande “vontade” de mudar o mundo, vai morrendo, morrendo... O mundo parece que não quer ser mudado! Por que o esforço então?

E a gente há de convir que é uma baita duma responsabilidade, essa de ser um discípulo missionário, para se colocar sobre os ombros de um jovem ou adolescente que já tem um monte de coisa para se preocupar: É o corpo que muda, os relacionamentos que mudam, os sentimentos que mudam, as responsabilidades que vem e as decisões que precisam ser tomadas... Eles simplesmente não dão conta!

E eu fico aqui me perguntando: Por que é que estes encontros não são feitos com os PAIS, primeiramente? E eu nem estou falando exatamente dos pais que tem filhos na catequese. Estou falando de todo “tipo” de pais, até quem tem ainda planos de um dia ter filhos.
Quando vamos entender que a "Iniciação à Vida Cristã" precisa é ser posta para adultos? Quando é que a gente vai admitir que precisamos virar catequistas de adultos (e dos bons!) para começar a transformar alguma coisa?

Aliás, quando é que nossa Igreja vai parar de colocar nas costas da catequese de crianças e jovens todas as mudanças propostas por ela? Todo mundo sabe que 99% dos nossos catequizandos são crianças "obrigadas" por pais sacramentalistas a frequentar a catequese. Muitos pais acabam levando os filhos à catequese por tradição de família, ou pior, medo de ir "para o inferno", e a razão mais básica: estar em dia com as obrigações "sociais". É essa a visão dos pais. E os filhos acabam indo pra ceder à pressão ou para ganhar algum tipo de recompensa...

Se for feita uma análise nua e crua, são estes os catequizandos que precisamos ter! Pais que não entenderam o “espírito da coisa”. Adultos ainda não convertidos!

Lembro que quando tinha 16 anos participei de um encontro de jovens, nos moldes dos encontros promovidos pelo Cursilho da Cristandade. Nossa! passei um final de semana inesquecível. Saí de lá simplesmente "embotada" de todos os sentimentos nobres que se possa imaginar, disposta mesmo a fazer da minha vida uma verdadeira cruzada evangélica. Meus propósitos devem ter durado uma semana no máximo. A realidade me tragou com cruz e tudo...

E só voltei de fato à Igreja para batizar meu primeiro filho. Claro que hoje sou religiosa e bastante envolvida na Igreja, mas, posso garantir que não foi porque participei de um retiro na adolescência. Na verdade eu me aproximei de Deus porque "precisei" dele.

E quantos de nós, "católicos", fazemos isso? Quantos só voltam a Igreja por uma necessidade "extrema"? Pior ainda, quantos que não admitem que precisam Dele? Que escolhem qualquer caminho porque não sabem o certo? Porque nunca foram a uma catequese de verdade?

E, PELO AMOR DE DEUS, não me entendam mal achando que estou criticando os retiros de Crisma. Muito pelo contrário, acho uma atitude muito louvável promover este tipo de encontro. Talvez seja nossa ÚLTIMA chance de colocar alguma coisa na cabecinha desses jovens. Só sinto que isso não seja feito sempre, com a família, com grupos de adultos, a qualquer momento... Crianças e jovens não decidem o destino da sociedade. Adultos sim.

Ângela Rocha

Catequista

sábado, 20 de setembro de 2014

VIDA INTERIOR NA INTERATIVIDADE - 6º DESAFIO

SEXTO e último DESAFIO DA EVANGELIZAÇÃO NA ERA DIGITAL:

Aqui temos uma preocupação que gira em torno DA VIDA INTERIOR E DA INTERATIVIDADE.
É importante observar que não se trata de desprezar uma realidade e deter-se na outra. Parece a primeira vista que não dá para expor nossa vida interior num ambiente interativo, no entanto, os jovens de hoje tem uma grande capacidade para a experiência espiritual por meio da interatividade. 
“Se eles não interagem, eles não fazem a experiência”. Se o jovem não consegue expor aos outros suas experiências, ela não é comunicação, não existe para ele. O que pode ser vivido , pode ser "dividido".
Se você tem uma vida pobre, sua comunicação será pobre. Se você tem uma vida rica, sua comunicação será rica. Se você faz uma experiência da graça, então a comunicação será forte.”
São afirmações que o Pe. Antonio Spadaro faz a respeito do jovem, afirmando a relação entre a vida interior e a interatividade, muito presente nos nativos digitais.
Para algumas pessoas, parece impossível viver a espiritualidade num espaço interativo. A primeira vista nossa vida interior é expressa na intimidade. Será?

Agora vamos pensar como catequistas...
Não está aí uma grande oportunidade para compartilharmos nossa "vida interior", nossas experiências e aprendizados com os jovens nas redes sociais? E não podemos fazer isso também nos encontros presenciais com eles?

DISCUSSÃO DO GRUPO
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Anette Alberti Verdade.Não sei se entendi bem. Neste últimos dois sábados de agosto senti que minha catequese com os jovens do Crisma foi a melhor que já tive nestes anos. Pois falei da minha pessoa, de como tinha sido comigo (em relação ao tema do encontro), abri espaço e quando percebi, nosso encontro estava super descontraído, todos conversavam, riam e contaram até mesmo coisas pessoais.O que confesso a todos que me surpreendeu e me deixou até mesmo triste. Mas valeu a pena.

Ângela Rocha Bingo! É isso aí Anette Alberti, o verdadeiro "encontro"! Muita gente não entende o que é o verdadeiro "testemunho"... Acham que testemunhar é viver uma vida "santa" ou então dar uma "palestra" sobre sua conversão e santidade. Isso inibe as pessoas. E se elas não conseguirem ser tão "santas" como você? E se elas falharem? Ao darmos nosso testemunho de vida ele precisa ser muito mais de fracassos do que de sucessos, as pessoas precisam sentir em nós experiências "verdadeiras", experiências que nos fizeram o que somos. O catequista quando só mostra a "pose" de "educador da fé", aquele que tudo sabe e não erra, não está interagindo com ninguém. Mas, se ele "desce" do pedestal e mostra que já foi tão confuso, tão perdido quanto seu interlocutor, ele começa verdadeiramente a mostrar sua vida interior, aquilo que o fez ter fé e viver essa fé... com erros, com acertos, com tristeza, com alegria...

Zenaide Pereira Precisamos exercitar nossa espiritualidade para podermos expandi-la, transmitindo com empenho evangélico.

Maria Angela Guenka Olá amigas! realmente testemunharmos para eles nossas experiências boas e outras não tão boas, nos aproximam deles. Tive uma experiência marcante com nosso grupo. Eles foram crismados agora em julho e vimos trabalhando com eles para que nos ajudassem a formar um grupo de jovens que há anos estava parado em nossa paróquia e não é que eles toparam e estão levando a frente! Senti que uma das causas foi o grande drama que minha família passou, não sei se partilhei com vocês. Sofremos um atentado em nossa casa, um psicopata disparou seis tiros através do portão de nossa residência matando meu marido, ferindo um de nossos filhos e minha nora. Este acontecimento abalou toda nossa comunidade e a repercussão tem sido sentida através de uma união muito grande na comunidade e meus jovens mudaram de forma impressionante. Isto foi no dia oito de julho, dia de Pentecostes. E sabem o nome que eles escolheram para o grupo? Foi JUPES Jovens Unidos pelo Espírito Santo. E de lá para cá eles estão cada vez mais unidos. Pediram-me para montar um encontro de jovens, para chamar mais jovens, hoje vamos nos reunir para organizar os primeiros passos. E assim aos poucos e com o apoio de todos estamos superando a dor da perda e colhendo alegrias. Rezem por nós, pois, o golpe foi duro. Beijos e desculpem-me se me alonguei. Até mais turma linda do meu coração.

Ângela Rocha Veja só Maria Angela Guenka, que mesmo a dor pode trazer algo de bom. Tenho certeza que a morte do Eduardo, mesmo de forma tão trágica, serviu para que a comunidade abrisse os olhos para a grande necessidade que a sociedade tem de pessoas que pensem no próximo. Os jovens podem mudar o mundo, podem fazer dele um lugar sem violência. E você duvida que ele está lá no céu olhando por vocês? Eu não!

Maria Angela Guenka Com certeza, Ângela. Nós trabalhamos 40 anos juntos pela juventude e família. Eu sei que ele lá do céu me acompanha. Busco minha força na eucaristia e conto com o grande apoio de meus filhos, netos e as orações de vocês meus amigos e amigas.

Givanilda Coelho Amo trabalhar com a juventude, sempre que posso participo dos encontros, congressos e eventos da PJ. Participando é que vejo o quanto eles gostam que nós mais velhos (jovens há mais tempo) que eles, valorizemos seus trabalhos na Igreja e os apoiemos, assim como gostam de conhecer o nosso testemunho de caminhada, nossas experiências e como ainda podemos aprender com eles, fora, que é gratificante demais ver esta juventude evangelizando e sendo protagonistas.




Nossa homenagem a querida Maria Ângela Guenka e ao Eduardo Guenka, catequistas de Sorocaba -SP. Quarenta anos de dedicação aos jovens e as famílias! Eduardo, fisicamente, não está mais entre nós, mas deixou um legado que jamais vamos esquecer.

Grupo Catequistas em FormaçãoParte inferior do formulário


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DA IDEIA PARA A NARRAÇÃO...

Num dos meus encontros do mês de agosto, falávamos sobre vocação. Isso porque uma das meninas me perguntou porque o padre não podia casar e eu era casada e tinha quatro filhos. Isso despertou a conversa e eu fui contar a eles como comecei a ser catequista.

E falei do meu primeiro ano, onde, só com a cara e a coragem, enfrentei uma turma de 1º ano da Eucaristia. Eram 12 os meus catequizandos, assim como os discípulos. Essas "coincidências" que só mesmo Deus consegue permitir.

E entre meus catequizandos havia uma turminha difícil de controlar. Mas, eram só "crianças" querendo ser crianças. Eu me consolava porque tinha uns 2 ou 3 "anjinhos" também. Mas, um deles me tirava do sério sempre. Era incontrolável e sua energia parecia que não ia acabar nunca. E ele quase me fez desistir. Passados seis meses eu vivia pensando em criar uma desculpa fenomenal para convencer a coordenadora a me tirar daquele "pesadelo". Eu simplesmente não consegui mais nem olhar pra cara do menino! Tinha uma vontade louca de lhe dar umas palmadas e dar uns gritos em todo encontro.

Foi quando, numa caminhada pra casa com ele, (meu "pequeno pesadelo" ainda ia pro mesmo lado que eu), que Jesus me deu, enfim, os motivos para ter me colocado naquilo tudo:
- Tia, sabe qual é meu dia preferido da semana?
- Não.
- Quarta-feira. Porque tem catequese.
- É mesmo? O que você faz nos outros dias?
- Fico em casa sozinho, tem a diarista, mas, ela não conversa comigo. Você conversa.

E o meu "menino-problema" foi o "porrete" que Jesus usou pra me acertar. Como eu podia ter raiva e não gostar de uma criança que fazia de tudo só pra "falar comigo"?

Contei então às minhas crianças da catequese de hoje, 2014, como foi entender aquela criança há nove anos atrás. Que todo “barulho” que ele fazia, o trabalho que ele me dava era, simplesmente, para ter uma atenção que ele não tinha em casa. Que o amor que recebi dele foi o motivo que me fez ser catequista e "estar" catequista até hoje.

E no último encontro, batendo papo com as crianças elas me contavam dos seus colegas de escola, dos peraltas, dos irrequietos, daqueles que não deixavam ninguém em paz...

Então a Gabi, parando no meio da história do menino da sala dela que infernizava a professora, me veio com essa:
- Deve ser, Tia Angela, igual aquele menino que você contou pra nós, não deve ter ninguém para dar atenção pra ele em casa...

E a gente pensa que o que falamos não dá resultado, que entra por um ouvido e sai pelo outro...


Ângela Rocha