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sexta-feira, 22 de março de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: SOMOS CONVIDADOS A PRODUZIR BONS FRUTOS



                       HOMILIA DO 3° DOMINGO DA QUARESMA – ANO C
Na sarça ardente Moisés fez a experiência que marcou toda a sua vida e missão. Ardia o coração de Deus ao ver o clamor e o sofrimento do seu povo; o mesmo Deus chamou Moisés para falar em seu nome e libertar o povo. O Deus que se revelou a Moisés era ainda um Deus que não se podia tocar, que exigia reverência, mas que já se revelou como Aquele que caminha com seu povo, Aquele que se interessa pela história dos seus: “Eu sou o Deus de teus pais...” (Ex 3,6). Precisamos perceber que Deus se interessa por nós e quer a nossa libertação, que Ele nos convida a cada um de nós para seguirmos os seus passos. Deus não fica assistindo o sofrimento, Ele se interessa por seus filhos e vem em seu auxílio para libertá-los. Mas ele precisa de pessoas de carne e osso que aceitem o convite Dele para cooperar nessa libertação. Precisamos ser impregnados pelo mesmo fogo que abrasou o coração de Moisés, fazendo-o entusiasmado pela causa de Javé.

No Evangelho, vemos que os judeus consideravam as catástrofes como castigos de Deus e a proteção um mérito por serem fiéis observantes da lei. Jesus mostra que não basta ser judeu, que ninguém tem nada garantido: todos precisam de conversão. Do mesmo modo, nós poderíamos nos considerar católicos fiéis, observantes da lei, o grupinho dos escolhidos. Como o Povo eleito, corremos o risco da infidelidade. Como aqueles que escutam a palavra de Jesus, precisamos, de conversão, para não perecermos todos do mesmo modo. Além disso, devemos cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação entre pecado e castigo: os males não são castigos, e todos nós somos passíveis do sofrimento. Aliás, muito dos males são frutos de nossas próprias escolhas. Somos também responsáveis pelo bem o pelo mal que rodeia nossa vida, provavelmente os primeiros responsáveis.

Na segunda parte do Evangelho temos a parábola da figueira que não produzia frutos. Aqui é interessante observar que o pecado da figueira não foi ter feito algo de ruim, mas de não ter feito nada de bom. A figueira infrutífera, tornou-se passível, imóvel. Corremos o risco de querer uma garantia, uma tranquilidade de consciência que me faz dizer a mim mesmo: “eu estou bem com Deus, não prejudico a ninguém, cumpro minhas obrigações.” Entretanto, Deus espera mais de nós. Não basta sermos cristãos aparentemente certinhos, cristãos de preceito, de um ritualismo vazio; precisamos produzir frutos. Conversão não significa focar no pecado, mas no bem que devemos realizar. Cada um de nós é convidado a produzir bons frutos - isso significa conversão! O que podemos produzir nesta Quaresma?

Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios.

Deus, na sua bondade, é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas Ele não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei e outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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sexta-feira, 2 de março de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS É O NOVO TEMPLO



                       HOMILIA DO 3º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B

“Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna! Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos” (Sl 18).O Salmo nos ajuda a entender o sentido da lei de Deus – ela existe como caminho de felicidade, como luz para guiar nossos passos. Bem diferente é o legalismo, que propõe a religião como um seguimento de ritos e de leis externas. Neste caso, a lei é como um peso que deve ser carregado, algo mito duro, configurando-se mais um caminho para evitar a condenação do que um caminho para encontrar a vida.


Deus deu uma lei no Sinai. Os dez mandamentos são as leis que organizam as nossas inclinações naturais, que podemos chamar de lei natural, escrita no coração de cada pessoa. Esta lei deve ser acolhida como uma graça, um dom e não um fardo. Esse dom deve ser vivido na alegria, na certeza que nos conduz à felicidade. A Lei vem para nos alegrar o coração. Não seguimos uma religião de pode ou não pode. , mas uma religião que liberta, que traz a vida, que orienta para eternidade. Nossa vida pode ser um inferno ou um céu, a escolha cabe a nós. A vivência da lei  não é apenas uma questão de futuro escatológico, mas de busca da felicidade no presente e no cotidiano de nossas vidas.


Qual é a opção da sua vida? O critério está no decálogo – amar ao Deus e ao próximo. No que você gasta seu tempo? Seu dinheiro? Sua vida? Quais são os sonhos da sua vida? O que mais deseja? Pergunte a si mesmo e veja se está de acordo com o projeto de Deus. A Quaresma é uma oportunidade para avaliar projeto de Deus. A Quaresma é uma oportunidade para avaliar a vida e convertê-la a partir de dentro, a partir do espírito da lei.


Para saber se estamos no caminho certo, se nossa religião é interesseira ou se é libertadora, devemos avaliar se nosso culto é autêntico. Jesus denuncia uma religião em função de si mesma, uma religião em função do lucro: os sacerdotes ganhavam muito dinheiro com a venda de animais para o culto. Nosso culto deve ser verdadeiro. Uma religião em função do lucro não é verdadeira. Uma religião em função do meu egoísmo ou de espera demasiada em curas e milagres, como denuncia São Paulo na segunda leitura, não é verdadeira. Jesus desconfiou da fé daqueles que viram seus prodígios. Uma religião de obrigações também deve ser revista. O que está em jogo não é meu eu, mas as opções da minha vida, transformadas pela adesão em Cristo – configuradas a partir do Cristo Crucificado e Ressuscitado, como prega São Paulo.


Qual é a religião que Jesus quer? Ele deseja que encontremos Nele a resposta. Ele é o Templo, ou seja, Ele é o caminho que nos leva a Deus, não as pedras das instituições. O nosso encontro pessoal com o Senhor se dá Nele, seguindo a Ele, vivendo o que Ele viveu. Assim poderemos vivenciar as palavras pronunciadas para a Samaritana diante do Poço de Jacó: “Os verdadeiros adoradores adorarão em Espírito e Verdade e são esses os adoradores que o Pai deseja” (Jo 4, 23).


Pe Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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