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domingo, 1 de dezembro de 2024

PALAVRAS CHAVES DO ADVENTO

 Um texto maravilhoso de D. Orlando Brandes, que é sempre bom recordar!

1. Tempo. Trata-se de um tempo litúrgico, mas, que se refere ao tempo histórico, a promessa e a preparação da vinda do Messias, o rei da sabedoria, da retidão, da justiça. Em nosso tempo há sinais de Deus. O que Deus está dizendo para nós hoje? No hoje, no agora, no instante que vivemos construímos a história e recebemos a graça da salvação.

 

2. Esperança. O Advento é carregado de esperança, porque as espadas se transformarão em arados, as lanças em foices, o deserto em fonte, a estepe em jardim, o luto em festa. O leopardo e o cabrito, o bezerro e o leão, a vaca e o urso, a criança e a cobra, o menino e a serpente estarão juntos. Um não fará mal ao outro.

 

3. Vigilância. Estar atentos, antenados, conectados com Deus é necessário, porque ele vem no Natal, no fim dos tempos e no cotidiano. Ele vem curar a ferida, libertar das cadeias, trazer a salvação. A vinda, a chegada de Deus deve ser bem preparada. Estai preparados, alertou Jesus.

 

4. Justiça e direito. Estes são o fundamento do reino do Messias. Os olhos dos cegos se abrirão, o coxo andará, o mudo falará, o fraco terá vigor, justiça e paz habitarão na terra. Os pobres rejubilarão. Os humildes se alegrarão. O prepotente, o malfeitor, o trapaceiro, cairão. As mãos enfraquecidas se fortalecerão. Os joelhos fracos se firmarão. Os deprimidos criarão ânimo. O orgulhoso lamberá o chão, mas, o pobre caminhará sobre os escombros.

 

5. Deserto. No deserto há silêncio, meditação e ao mesmo tempo se ouve a voz e o grito dos profetas. Silêncio e profecia são inseparáveis. O grito que vem do deserto consiste em endireitar os caminhos tortuosos, abrir as portas ao Deus que vem, abandonar orgias, bebedeiras, brigas, rivalidades. Entrar em oração para alcançar a conversão, e assim viver na alegria e na paz. Escutar a Palavra e permitir que ela transforme nossas vidas.

 

6. Preparação. Preparai os corações para a chegada do Senhor. Despertai, porque a noite vai avançando e o dia vem. A melhor preparação é uma boa confissão que nos santifica. Despertai, abandonai as trevas, andai na luz. Ficai atentos, pois, revestido de nossa fragilidade Jesus nasceu em Belém, mas, revestido de sua gloria ele virá uma segunda vez. Que ele nos encontre em oração e na prática do amor fraterno. Estes são conselhos e admoestações próprias do Advento.

 

7. Genealogia. Surgirá uma planta, uma flor da descendência de Davi. A genealogia culmina com a gravidez de Maria, por obra do Espírito Santo. Até a esterilidade é vencida. Sansão, João Batista, nascem de pais estéreis. Deus fecunda nossa esterilidade espiritual e psicológica. O Advento nos convida a valorizar a vida, a gravidez, a respeitar o embrião. Na terra deve germinar a justiça e o louvor. Lembremos de nossa genealogia, nossa historia cuja origem é o amor de Deus.

 

8. Caminho. Endireitar os caminhos tortuosos, andar na estrada e na direção certa, não se perder pelo caminho, saber retornar à direção correta, alcançar o alvo, ter bússola que nos guia, é um apelo da espiritualidade do Advento. Aplainar a estrada, nivelar os vales, baixar os montes é necessário porque somos como feno, como a flor do campo que seca, murcha e morre. O que permanece é a Palavra de Deus que indica Jesus como caminho, verdade, vida. A mão de Deus nos conduz pelo caminho, que ele mesmo dispôs para nós.

 

9. Vinda. Deus vem e por isso desce, chega, visita-nos, faz moradia entre nós, mora dentro de nós. Fazemos no Advento a experiência do encontro, da presença, do diálogo, da amizade, da proximidade de Deus. Somos também convidados a sair de nós mesmos, estar em constante êxodo na direção dos irmãos e das periferias, como visitadores e peregrinos.

 

10. Novena. Participemos das novenas de preparação para o Natal. Transformemos nossas ruas, edifícios, condomínios em uma família. A novena nos evangeliza e oportuniza encontros e novas amizades. Sentiremos a alegria da comunhão, da participação, da convivência. A novena pode transformar-se numa nova comunidade, num grupo bíblico de reflexão. Deixemo-nos cativar pela esperança do profeta Isaias, pelo chamado à conversão de João Batista, pela resposta de fé de Maria, pelo Menino que vai nascer, pelo silêncio e obediência de José, que são os personagens centrais do Advento.

 

Não sejamos escravos nem vitimas da correria, do stress, do mercado, do consumismo. A novena nos oferece reflexão, paz, confraternização, partilha da vida. Seja nosso grupo de novena o presépio vivo de Jesus. Nosso foco é o Menino Jesus nosso Salvador, não Papai Noel, o sedutor.

 

Preparemos em nossas casas um presépio cristão, o qual simboliza amor de Deus, de reconciliação entre Deus, o homem, os anjos e a natureza. Que escola de fé e de amor é o presépio. Ali, aprendemos todas as ciências. Ali está o primeiro altar de Jesus, pobre, humilde, humano.

 

    Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 07 de dezembro de 2013.








 

domingo, 5 de dezembro de 2021

OS SÍMBOLOS DO ADVENTO: A SEGUNDA SEMANA

 


Os dias passam rápido e a guirlanda fica mais iluminada. Agora, duas velas estão acesas. Continua nossa jornada à espera e em preparação para o Natal. O tempo também é marcado por outro símbolo que se tornou muito difundido: o calendário do Advento.

Neste domingo, início da segunda semana do Advento, acendemos junto com a primeira também a segunda vela. Ainda de cor roxa, segundo a liturgia para este tempo, é chamada Belém, local do nascimento de Jesus.

A vela de Belém

A cidade se estende por duas colinas e fica a 8 quilômetros ao sul de Jerusalém. Também na antiguidade - e especialmente durante o Império Romano - não era de grande importância, embora mencionada várias vezes no Antigo Testamento, porque Davi e sua descendência ali nasceram.

Nada é por acaso. O Senhor escolhe as periferias do mundo para nascer entre os mais humildes e os mais pobres. Também a origem do nome não é por acaso: o topônimo Belém em hebraico significa casa do pão, enquanto em árabe corresponde a casa da carne. Significados diversos que convergem no mesmo sentido: com a transubstanciação, o pão eucarístico torna-se carne de Cristo.

Seguindo a estrela

A grande estrela surge no horizonte e seu brilho se destaca com força no céu, marcando o caminho para Belém, um lugar que nos atrai a si como um ímã de amor. Tudo em volta fala de paz. Se a liturgia da semana passada se abria com a invocação "Vem, Senhor", que alude à esperança daquilo que os profetas predisseram, agora diz que o Senhor está próximo:  "Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas (...),  todas as pessoas verão a salvação de Deus".

A segunda vela da coroa do Advento também é um "chamado universal à salvação". Nesta semana, a esperança se concretiza e se torna uma promessa.

 

"Purificar", verbo-chave do Advento

Como disse o Papa Francisco, o Advento é um tempo de passado, presente e futuro. A unidade de um tempo tridimensional onde a memória da vinda de Cristo é uma oportunidade de renovação da fé.

Trata-se de "purificar a memória do passado, a memória do que aconteceu naquele dia de Natal", diz Francisco, falando da primeira dimensão, mas também de purificar a expectativa e a esperança.

A segunda dimensão diz respeito ao tempo futuro, serve para nos preparar para o momento definitivo com o Senhor, quando nos encontrarmos face a face com Ele.

E o Papa nos fala ainda de uma terceira dimensão, aquela que fala do presente, da vigilância purificadora, sabendo o que acontece no coração quando o Senhor vem e bate à porta.

Vigilância e oração são duas palavras do Advento, porque o Senhor veio na história em Belém e virá, no final dos tempos e também no fim da vida de cada um de nós” (cf. Meditação matinal na capela de Santa Marta, 3 de dezembro de 2018).

O calendário do Advento

Em relação às origens da Coroa do Advento, também o calendário do Advento é uma tradição moderna, mais ainda, a bem da verdade. Também de origem alemã e protestante, é uma criação do editor Gerhard Lang de 1908. Era uma tabela com janelas para marcar os dias que podiam ser abertas, revelando desenhos de Natal. Mas uma espécie de calendário rudimentar já existia há pelo menos cinquenta anos e era chamado de "relógio de Natal".

O calendário revela o caráter familiar e íntimo do Natal, a impaciência das crianças que não entendiam o conceito de tempo. No início eram sinais feitos com giz colorido, depois árvores nas quais se penduravam fitas, bandeiras e estrelas com os versículos da Bíblia escritos nelas. Com o tempo, os calendários ficaram cada vez mais refinados e coloridos e dentro das janelas há doces - principalmente chocolates - quando não surpresas mais preciosas.

O calendário fez tanto sucesso que também foi impresso em Braille. Ainda antes, foi mencionado pelo escritor Thomas Mann em seu romance The Buddenbrooks, publicado em 1901, em um momento, portanto, anterior à versão impressa de Lang. Tratava-se de um calendário caseiro que o jovem Johann Hanno folheava todas as manhãs com o “coração na boca”, "seguindo a aproximação daquele tempo incomparável".

 

Maria Milvia Morciano - Cidade do Vaticano

FONTE: VATICAN NEWS

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

COROA DO ADVENTO: QUE VELA ACENDER PRIMEIRO?

Que tal fazer uma "catequese" com as famílias falando da "Coroa do Advento?

A Coroa do Advento é o símbolo das quatro semanas do Tempo do Advento.  Ela é feita de forma circular, numa bandeja ou prato, (ou então num pedestal preparado para isso), coberta de ramos verdes (ou o chamado ''festão'') na qual se colocam quatro velas: verde, roxa, vermelha e branca. E cada uma delas é acesa nos seu tempo: verde no 1º domingo do advento, roxa no 2º domingo, vermelha no 3º domingo e branca no 4º domingo.

Exposta nas igrejas nas quatro semanas que precedem o Natal, ela é colocada geralmente próxima ao presépio ou do ambão da Palavra, ou num lugar de destaque no templo. Simboliza a alegria da espera do Senhor que está para vir, o  advento de Jesus. 

A coroa de advento é feita com ramos verdes, geralmente envolvida por uma fita vermelha e nela 4 velas são afixadas. Ela simboliza a preparação das pessoas para receber o Natal. 

O círculo da coroa: simboliza a nova aliança de Deus com a humanidade. Os ramos verdes da coroa significam a esperança, essa mesma esperança que leva a perseverança, uma entrega total da vida a Deus. A fita vermelha: representa o testemunho e o amor de Deus que nos envolve por completo, um amor forte e infinito.

As 4 velas são uma para cada domingo que antecede ao dia 25 de dezembro. As velas da coroa são acesas (a cada domingo mais uma), para iluminar a Vigília do Advento, a preparação para vinda do menino Jesus.

Fazendo o encontro

Por meio das redes sociais combine um "encontro" com as famílias para falar deste tempo tão importante que é o Advento. Prepare uma pequena fala sobre o "Tempos Litúrgicos", lembrando a todos que o Advento é o 1º Tempo do Ano Litúrgico e começa logo depois do Domingo de Cristo Rei do Universo, normalmente, no final de novembro. Use um "gráfico" para mostrar como se distribui os "tempos" ao longo do Ano. Para maiores informações Clique Aqui.

Prepare o material: festão verde, fita vermelha, quatro velas grandes coloridas: verde, roxa, vermelha, branca, enfeites como folhas douradas, pequenas pinhas, etc., um prato ou bandeja redonda para colocar a coroa.

* Se não conseguir as velas coloridas, use brancas com fitas amarradas com as cores litúrgicas.

Explique aos seus catequizandos e pais o significado da Coroa do Advento. Aqui em nosso blog temos algumas publicações que podem ajudar a enriquecer este conteúdo: Tudo sobre o Advento.

Fazendo a Coroa do Advento em família:

Alguns modelos utilizados pelos catequistas e pelas famílias:

Simples e bonito:


- Prato descartável
- Festão
- Forma descartável de docinho de festa
- Velas (dividida ao meio)
- Fitilho paro o lacinho
- Cola quente
Acender uma vela em cada domingo do advento, junto com a família e fazer a leitura do evangelho.

Coroa do Advento feita com as "maõs das crianças:

Uma atividade interessante para se fazer: Desenhar as mãos dos catequizados num papel cartão/colorset verde e recortar, formar uma coroa imitando as folhas (que significa vida). Confeccionar a coroa emendando as mãozinhas, enfeitar com flores e fitas vermelhas e no centro colocar pequenas velinhas, vermelhas ou com as cores litúrgicas da Coroa do Advento.





ORAÇÃO DO ADVENTO: para rezar enquanto se acende cada vela...


Outros  modelos de Coroa do Advento:











FONTE: 

Acervo Catequistas em Formação e imagens Google.

BECKHÄUSER, Frei Alberto. Coroa de Advento: História, simbolismo e celebrações, Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. 

Segue abaixo roteiro que pode ser adaptado aos tempos de pandemia pelas redes sociais ou plataformas de encontros/reuniões:

ROTEIRO DE ENCONTRO – TEMPO DO ADVENTO

O ideal é promover este encontro na 1ª Semana do Advento e continuar a acender as velas enquanto houver encontros de catequese. Peça aos catequizandos que acompanhem as missas dos domingos do Advento durante o mês de dezembro e vejam as velas sendo acendidas. 

AMBIENTE: Bíblia, imagem de Jesus menino; Cartaz ou folder do Ano Litúrgico; Papel dupla face (color set/papel cartão) verde, tesoura, lápis, cola, quatro velas: (vermelha, verde, rosa e branca), flores para enfeitar, fita vermelha;

- Confeccionar um cartão/marca página com a Oração do Advento.

ENCONTRO 

- Iniciar o encontro conversando com os catequizandos sobre o Tempo Litúrgico mostrando o cartaz/folder com a figura e pedindo a eles que identifiquem em que tempo estamos agora. Faça-os acompanhar a trajetória do ano.

- Em seguida pergunte a eles se sabem o significado da palavra ADVENTO.

- Use exemplos de “anúncio”, como por exemplo de um filme que está para ser lançado. As produtoras normalmente criam cartazes e trailers para anunciar o filme e provocar interesse nas pessoas em assistir. (Pode-se usar exemplo de algum filme que esteja sendo bem esperado o lançamento). Comentar sobre a expectativa que isso gera, a vontade de que aconteça logo e como isso nos causa alegria.

- Fazer agora a analogia com o anúncio do nascimento do Salvador. Volte àquele tempo em que era grande a espera por aquele que viria a salvar a humanidade. Volte ao contexto da época e explique porque as pessoas esperavam o messias.

 Leitura Bíblica: Isaías 9, 1-6.

Depois da leitura bíblica, lembre da “grande luz” anunciada pelo Profeta Isaías e fale sobre a COROA DO ADVENTO, usando as informações do texto base e outras que você conheça. 

Texto base: O que significa a Coroa do Advento?

O advento é o tempo litúrgico que antecede o Natal. São quatro semanas nas quais somos convidados a esperar Jesus que vem. Por isso é um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor. Neste tempo montamos a COROA DO ADVENTO.

A vela sempre teve um significado especial para o homem, sobretudo porque antes de ser descoberta a eletricidade ela era a vitória contra a escuridão da noite. À luz das velas São Jerônimo traduzia a Bíblia do grego e do hebraico para o latim, nas grutas escuras de Belém onde Jesus nasceu. Em casa, a noite, quando falta a energia, todos correm atrás de uma vela e de um fósforo, ainda hoje.

Antes da era cristã os pagãos celebravam em Roma a festa do deus Sol Invencível (Dies solis invicti) no  solstício de inverno, em 25 de dezembro. A Igreja sabiamente começou a celebrar o Natal de Jesus neste dia, para mostrar que Cristo é o verdadeiro Deus, o verdadeiro Sol, que traz nos seus raios a salvação. É a festa da luz que é o Cristo: “Eu Sou a Luz do mundo” (Jo 12, 8). No Natal desceu a nós a verdadeira Luz “que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1, 9).

Na chama da vela estão presentes as forças da natureza e da vida. Cada vela marca um ano de nossa vida no bolo de aniversário. Para nós cristãos simbolizam a fé, o amor e  o trabalho realizado em prol do Reino de Deus. Velas são vidas que se imolam na liturgia do amor a Deus e ao próximo. Tudo isso foi levado para a liturgia do Advento. Com ramos de pinheiro uma coroa com quatro velas prepara os corações para a chegada do Deus Menino.

Nessas quatro semanas somos convidados a esperar Jesus que vem. É um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor. Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Nas duas últimas, a Igreja nos faz lembrar a espera dos Profetas e de Maria pelo nascimento de Jesus.

A Coroa é o primeiro anúncio do Natal. O verde é o sinal de esperança e vida, enfeitada com uma fita vermelha que simboliza o amor de Deus que se manifesta de maneira suprema no nascimento do Filho de Deus humanado. A branca significa a paz que o Menino Deus veio trazer; a roxa clara (ou rosa) significa a alegria de sua chegada.

A Coroa é composta de quatro velas nos seus cantos presas aos ramos formando um círculo. O círculo não tem começo e nem fim, é símbolo da eternidade de Deus e do reinado eterno do Cristo. A cada domingo acende-se uma delas.

Tudo isso para nos lembrar o que anunciou o Profeta:

“Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor”. (Is 11,1-2)

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos. Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã. Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas; porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.  Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos” (Is 9,1-6).

DINÂMICA: COROA DO ADVENTO - feito com as "mãos" das crianças.

- Convide os catequizandos a fazer uma “coroa do advento” com suas “próprias mãos”.

- Desenhar as mãos dos catequizados num papel cartão/colorset (dupla face) verde e recortar, depois de recortadas as mãozinhas, cole umas nas outras formando um círculo. - Formar uma coroa imitando as folhas (que significa vida). Enfeitar com flores e fitas vermelhas e no centro colocar pequenas velinhas, vermelhas ou com as cores litúrgicas da Coroa do Advento.

MOMENTO DE ORAÇÃO:

 - Acenda a primeira vela da Coroa.

(Pode-se cantar com as crianças um canto ou mantra apropriado).

 - Convide-os a ler e refletir o Evangelho do 1º Domingo do Advento: Mc 13, 33-37.

ENCERRAMENTO:

- Sugira aos catequizandos que pesquisem na internet sobre a Coroa do Advento e os vários modelos e incentivem seus pais a fazer uma coroa também. Pode ser com as mãos dos membros da família ou com qualquer modelo disponível.

- Entregue os cartões com a Oração do advento, encerrando o encontro com a oração.

Ângela Rocha - Catequistas em Formação.

 

 


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É SEMPRE TEMPO DE ADVENTO!


Esperar não é sonhar: é o meio de transformar o sonho em realidade. Felizes os que têm a coragem de sonhar, os que estão  dispostos a pagar seu preço, para que o sonho ganhe corpo  na história dos homens!  (Cardeal Suenens)
tique-20Quando falamos em Advento certamente pensamos mais no período antes do Natal, pensamos mais na vinda, no Advento do Senhor. Os autores espirituais falam de três vindas:  a primeira  na pobreza de Belém, a segunda no fim dos tempos e a terceira, discreta, em nosso dia a dia. Sabemos que sempre é tempo de vigilância, de ter velas acesas nas mãos esperando a chegada do Senhor e a irrupção do cortejo do esposo que chega para a festa da intimidade.
tique-20Desnecessário ficar repetindo que vivemos na agitação, na superficialidade. Disto temos plena consciência. Isso nos incomoda. Com atividades febris, correria, tarefas urgentes ou inventadas, nossas horas parecem curtas e mal começamos a percorrer o mês de janeiro temos a impressão de que o tempo escapa de nossas mãos. Não temos tempo.  Há solicitações e urgências. Temos tanto que fazer que o tempo nos falta.
 tique-20Tudo se precipita. Não temos mais tempo de visitar o coração. Nossa vida é como essa mania de comida rápida, sempre rápida (fast food). Será que esperamos? O que esperamos? Na verdade não temos tempo de ver crescer nossos amores, nossas crianças, nossas competências, simplesmente nossa vida.  Repetimos ideias.  Somos sonâmbulos no trânsito, no trabalho, no metrô, na família.  Um autor assim se exprime: “Vivemos o tempo da recusa do tempo; os mostradores de nossos relógios  não têm mais os ponteiros  que iam pulando de segundo em segundo, na direção da hora seguinte.  Acabou-se o  tempo  em que o tempo era um espaço a ser percorrido. Por medo do futuro e esquecimento do passado  fomos nos tornando  zelosos turiferários da religião do instante” (Bertrand  Révillion, Revista Panorama  (Paris),   2002, p. 3). Religião do instante… como isso é verdade.
tique-20Faz muito bem viver o tempo do Advento. Reencontrar as passagens de Isaías, ver o Batista apontando para aquele que vem, estar perto de Maria grávida de Deus. Há qualquer coisa de novo no ar. Vamos, pois, nos revestindo de esperança.
tique-20O futuro não nasce inopinadamente. Ele é resultado de fecundações lentas  que deixamos germinar no ventre da  Natal nada mais é do que um fabuloso dom feito ao homem: o tempo longe de ser uma prisão que acorrenta e  que leva ao nada, é chance de vida. Natal que dizer que Deus se fez tempo, nasceu no tempo, que a eternidade está no tempo.
tique-20Celebrar o Advento é ousar viver o tempo das lentas maturações, reaprender a caminhar lentamente, passo a passo, para nossa mais densa e profunda humanidade.  É quebrar essa cadeia frenética do tempo vazio demais  porque cheio de  coisas sem valor, é fazer em si, em seu mistério de homem, lugar para a chegada do Inesperado.
tique-20Viver o Advento é dizer a todos os desesperados que a terra tem um amanhã desde que deixemos esse futuro nascer. E o futuro é sempre esse Deus que vem. Ele, o Inesperado, vem.
tique-20… “Os satisfeitos não buscam nada realmente novo.  Não trabalham para mudar o mundo.  Não lhes interessa um futuro melhor. Não se revoltam diante das injustiças,  dos absurdos do mundo presente. Na realidade, este mundo é para eles o céu ao qual se candidatariam para sempre. Podem permitir-se ao luxo de não esperar nada melhor.  Como é tentador adaptar-se sempre  à situação,  instalar-nos confortavelmente em nosso pequeno mundo. Mas não esqueçamos:  somente aqueles que fecham os olhos e os ouvidos, somente aqueles que se tornaram insensíveis, podem sentir-se à vontade num mundo como este( R.A.Alves)  (Pagola,  Lucas, p 337).
tique-20Até o fim da vida, o homem está sob o regime do Advento: “O ‘agora’ eterno  já está em teu interior, esse ‘agora’ que ninguém pode encurtar, nem para atrás, nem para frente e que já começou a arrumar em ti o buquê de todos os instantes terrenos. Até o dia em que ouvirás: “Entra na alegria de teu Senhor” (Mt 25,21), estarás no regime do Advento. Deus, no momento, não espera de ti uma alegria exuberante, porque são pesadas as correntes que te prendem no tempo, mesmo que elas tenham começado a cair.  A única coisa que te é pedida é de alimentar esta alegria humilde e discreta da fé  que vive na ardorosa espera do mundo que está para vir, tão firme que faz com as coisas que caem sob nossos sentidos  não constituem a totalidade da realidade; a alegria humilde do presidiário  ainda encarcerado mas que sabe que está  para ser libertado”  (Karl Rahner).
FONTE: http://www.franciscanos.org.br/ 

domingo, 10 de dezembro de 2017

CONHECENDO O TEMPO DO ADVENTO


Alegrai-vos! Alegremo-nos! O Senhor está perto! Está próximo o Natal; está próxima a Vinda do Senhor!

Introdução

A palavra “advento” quer dizer “que está para vir”. O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor.

O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Origem

Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter espiritual, com jejum e abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.

Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.

Teologia do Advento

O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15). O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação, mas, cuja consumação se cumprirá no “dia do Senhor”, no final dos tempos.

O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.

A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a “perder” a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

Espiritualidade do advento


A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.

Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo, mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é “Marana tha”! Vem Senhor Jesus!

O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.

O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que “preparemos o caminho do Senhor” nas nossas próprias vidas, “lutando até o sangue” contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.

No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n’Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.

As Figuras do Advento:

PROFETA ISAIAS: É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 – 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados. As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.

JOÃO BATISTA: É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, “mais que um profeta”, “o maior entre os que nasceram de mulher”, o mensageiro que veio diante d’Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 – 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s). A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-Lo como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo. João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

MARIA: Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se “preparou” para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de “Faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc. Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.

JOSÉ: Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de “Filho de Davi”. José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.







A Celebração do Advento

O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.

As vestes litúrgicas (casula, estola, etc.) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois, o Senhor está perto. (Fl 4, 4).

SÍMBOLOS DO ADVENTO

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento.

Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no presbitério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível.

A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo.

A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.

Fontes:
- Província Franciscana da Imaculada Conceição – São Paulo:
- BECKHÄUSER, Frei Alberto, Coroa de Advento – história, simbolismo e celebrações, Ed. Vozes, 2006.