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domingo, 29 de dezembro de 2024

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

Foto: Presépio Vaticano - Vatican News

SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ

Esta festa tem o intuito de apresentar a Sagrada Família de Nazaré como "verdadeiro modelo de vida", no qual as nossas famílias possam se inspirar e encontrar ajuda e conforto.

A festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José é celebrada no domingo após o Natal. Esta festa desenvolveu-se a partir do século XIX, no Canadá e, depois, em toda a Igreja, a partir de 1920. No início, era celebrada no domingo após a Epifania. Esta festa tem o intuito de apresentar a Sagrada Família de Nazaré como "verdadeiro modelo de vida" (Coleta), no qual as nossas famílias possam se inspirar e encontrar ajuda e conforto.

Texto:  (Lc 2,41-52)

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para a Festa da Páscoa. Tendo ele completado doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. No final dos dias da festa, enquanto voltavam, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais percebessem. Achando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, caminharam por um dia. Depois, ao sentirem a sua falta, começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Visto que não o encontravam, voltaram a Jerusalém para procurá-lo. Após três dias, encontraram-no no Templo, sentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam ficavam maravilhados pela sua sabedoria e respostas. Quando seus pais o viram, ficaram atônitos; e sua mãe disse-lhe: “Meu filho, por que nos fizeste isto? Teu pai e eu estávamos aflitos à tua procura”. Respondeu-lhes ele: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”. Mas, eles não compreenderam o que lhes estava dizendo. Depois, desceu com eles para Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, idade e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,41-52).

Dom divino

O primeiro aspecto desta festa, que emerge dos textos bíblicos, é que o Menino é um dom de Deus: é que lemos na primeira leitura, que narra o nascimento do profeta Samuel, a partir da resposta que Jesus dá a seus pais no Templo.

Mal-entendido

“Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”. Na sua explicação: “Teu pai e eu estávamos aflitos à tua procura”, Maria se referia ao seu pai José, mas, na sua resposta, Jesus alude a Deus, seu Pai. Seus pais, porém, "não entenderam”, embora soubessem que seu filho era um "dom de Deus". No fundo, somente a Cruz revela, em toda a sua plenitude, quem realmente era Jesus, o Filho de Deus.

O caminho de fé de Maria

A resposta de Jesus não foi fácil para a Virgem Maria, tanto que o evangelista esclarece: “Sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração”. Ela não as descarta da memória e do coração, mas sabia que tinha que esperar para entender. Este é o caminho da fé, onde a dúvida não detém a esperança, mas se abre à expectativa.

José e Maria, pais de Jesus

Como os pais de hoje, José e Maria também tiveram dificuldade de compreender as palavras e as escolhas do Filho Jesus: os pais de hoje podem aprender deles a tomar consciência de que, acima de tudo, se tratava de um filho, que devia crescer e, certamente, corresponder às muitas expectativas, dos pais, amigos, colegas... No entanto, há uma expectativa bem mais importante, fundamental e básica: a de Deus, Pai e Criador. Diante desta expectativa, que se torna uma “chamada” no coração de cada um de nós, a atitude mais adequada é a oração, “guardar no coração”, para que tudo possa se revelar em tempos e modos oportunos.

O Espírito Santo fala às famílias de hoje

O Espírito Santo continua, ainda hoje, a guiar "todos os povos", "todos os casais", "todos os pais". Porém, temos que ouvir o que o Espírito nos fala. Se o Filho de Deus vem ao nosso encontro, através de um Menino, e se o nosso olhar de fé pode captar esta presença, então temos que lembrar que as coisas do dia a dia tem sua importância; os encontros cotidianos nunca são inúteis ou puras coincidências. Por isso, é preciso manter nosso olhar de fé, dentro e ao nosso redor, pois podemos encontrar ou rejeitar a presença de Deus em todos os lugares, porque tudo é um sinal, para quem acredita.

Evangelho da Família

Viver o Evangelho da família, sobretudo hoje, não é fácil: somos criticados ou atacados porque defendemos a vida, desde o seio materno. No entanto, o Evangelho nos mostra o caminho, talvez exigente, para vivermos uma vida digna, em nível pessoal e familiar, mas fascinante e totalizante: um caminho que, ainda hoje, merece confiança e crédito, sob o exemplo e intercessão da Família de Nazaré. Em toda família há momentos de felicidade e tristeza, de tranquilidade e dificuldades. Esta é a vida. Viver o "Evangelho da família" não nos dispensa de passar por dificuldades e tensões, momentos de alegre fortaleza e de triste fragilidade. As famílias feridas e marcadas pela fragilidade, fracassos, dificuldades... podem reviver, se souberem haurir da fonte do Evangelho; assim, poderão encontrar novas possibilidades para recomeçar.

 

FONTE: Vatican News -  https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-12/sagrada-familia-nazare.html



sábado, 28 de dezembro de 2024

AS OITAVAS DO NATAL: FELIZ NATAL!

 Vocês sabem que não é errado desejar “Feliz Natal” depois do dia 25 de dezembro? Pois é, para a Igreja Católica, celebramos o Natal por mais OITO dias. São as “Oitavas do Natal”!

POR QUE NAS OITAVAS TODOS OS DIAS SÃO NATAL?

Infelizmente, a maioria dos católicos não sabe a importância das Oitavas de Natal, bem como da Oitava da Páscoa. Essas duas solenidades litúrgicas são as mais importantes do Ano litúrgico, pois marcam o Nascimento e a Ressurreição de Jesus, sendo assim, a Igreja prolonga as suas celebrações por oito dias.

Mas qual seria a sua intenção? Com o propósito de que esse “tempo especial de graças”, que significa a Páscoa e o Natal, estenda-se por oito dias e o povo de Deus possa “beber mais copiosamente” e por mais tempo as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre elas suas bênçãos copiosas.

Mas só poderá se beneficiar dessas graças abundantes e especiais aqueles que têm sede, que conhecem, que acreditam e que pedem. É uma lei de Deus: quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.

Celebração dos santos nas Oitavas

As mesmas graças e bênçãos do Natal se estendem até o final da Oitava. Neste período, a Igreja acrescenta a celebração de alguns santos. No dia 26 de dezembro, por exemplo, a memória do grande Santo Estevão, o primeiro mártir do cristianismo, para que, com sua intercessão, as graças do Natal sejam ainda mais copiosas sobre nós.

Depois, temos a memória dos santos inocentes, os quais Herodes mandou matar. Eles intercedem por nós com seu sangue inocente. Também São João evangelista, o “discípulo que Jesus amava”, e outros santos.

No meio da Oitava, no domingo após o Natal, a Igreja nos faz olhar e meditar na Sagrada Família de Nazaré. É hora de dizer como a música: “Jesus, Maria e José, nossa família vossa é!”. É o momento de fazer um longo silêncio diante do Presépio e aprender as grandes lições dessa Família através da qual o Salvador quis entrar em nossa história.

(Felipe Aquino – Blog Canção Nova).

OITAVAS DO NATAL

É importante resgatar a dimensão Pascal do Natal. O presépio, as encenações, os gestos e os cânticos do Natal e da epifania devem nos ajudar a celebrar a “passagem” solidária de Deus na pobreza da gruta, na manifestação Jesus aos povos, em Belém, e na manifestação a seu povo, no Jordão. Os ofícios de vigília, com o simbolismo da luz, retomam, de modo especial, o clarão da vigília pascal: lembram o nascimento e a manifestação do Senhor Jesus qual luz a iluminar os que andavam nas trevas. O Rito da aspersão, especialmente na festa do batismo, expressa o nosso mergulho na divindade do Cristo, do mesmo modo como ele mergulhou em nossa humanidade.

A prática da celebração das oitavas pode ter tido suas origens na celebração de oito dias da Festa dos Tabernáculos e da Dedicação do Templo do Antigo Testamento. Porém, o número “oito” também pode ser uma referência à ressurreição, que na igreja antiga era geralmente chamada de “oitavo dia”.

Por esta razão, antigas fontes batismais e tumbas cristãs tinham a forma de octógonos. A prática das oitavas foi introduzida pela primeira vez por Constantino I, por conta da festa de dedicação das basílicas de Jerusalém e Tiro, que duraram oito dias. Depois disso, festas litúrgicas anuais passaram a ser observadas na forma de oitavas. As primeiras foram a Páscoa, o Pentecostes e, no oriente, a Epifania. Isto ocorreu no século IV d.C. e indicava a reserva de um período para os conversos terem um alegre retiro.

O desenvolvimento das oitavas ocorreu vagarosamente. Do século IV até o VII d.C., os cristãos observaram as oitavas com uma celebração no oitavo dia, com poucas liturgias durante os dias intermediários. O Natal foi a próxima festa a receber uma oitava. Já pelo século VIII d.C., Roma tinha desenvolvido oitavas não somente para Páscoa, Pentecostes e Natal, mas também para a Epifania e as festas de dedicação de igrejas individuais. Do século VII d.C. em diante, as festas dos santos também passaram a ter oitavas (uma festa no oitavo dia e não uma festa de oito dias), sendo as mais antigas as festas de São Pedro e São Paulo, São Lourenço e Santa Inês. A partir do século XII d.C., o costume passou a ser a observância dos oito dias intermediários, além do oitavo. Durante a Idade Média, as oitavas para diversas outras festas e dias santos eram celebradas de acordo com a diocese ou a ordem religiosa.

Fonte: Mons. Carlos - http://encontrocomcristo.com.br/oitava-do-natal/


CELEBREMOS!



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

CATEQUESE E LITURGIA... SEMPRE!

Imagem: Vatican News.
OLÁ PESSOAL!

Pois é... surge aqui uma questão que a catequese vem tratando há tempos: até onde se pode ir em nome da "renovação"?

A catequese nunca "casou" de fato com a liturgia. Lembro dos meus primeiros anos como catequista "amadora". Ah, como eu detestava o pessoal da liturgia. Eles "barravam" quase tudo que eu fazia. Nada era "litúrgico"! 

Mas, foi só eu aprofundar meus estudos em liturgia (tinha uma disciplina na Escola catequética), que vi as besteiras que eu queria fazer em nome de uma catequese "criativa" e antenada com a criançada. 

Os catequistas, via de regra, acham a liturgia sem atrativo para a criança, mas, esquecem que, de fato, a liturgia não é mesmo "a praia" para as crianças. Até por isso, na antiguidade, as crianças só vinham a acompanhar toda a missa, depois que recebiam todos os sacramentos da iniciação. 

Vejo que muitos catequistas ainda hoje, pensam na liturgia da missa como um "teatro" e o presbitério, "palco" para chamar a atenção das crianças da catequese. Acontece que não é esse o foco da catequese. 

Segundo o Diretório para a Catequese (2020), uma das atividades da catequese é INICIAR À CLEEBRAÇÃO DO MISTÉRIO: 

"81. (...)catequese também tem a missão de ajudar na compreensão e na experiência das celebrações litúrgicas. Por meio dessa atividade, a catequese ajuda a compreender a importância da liturgia na vida da Igreja, inicia à consciência dos sacramentos e à vida sacramental (...)"

82. A catequese também educa a atitudes que as celebrações da Igreja exigem: alegria pelo caráter festivo das celebrações, o sentido comunitário, a escuta atenta da Palavra de Deus, a oração confiante, o louvor e a ação de graças e a sensibilidade aos símbolos e sinais. (...)". 

Ou seja, a celebração da missa não é um "oba-oba" onde se procura chamar atenção a todo custo. As crianças precisam ser, aos poucos, direcionadas à celebrar junto com a comunidade. Aliás, a própria comunidade precisa desta direção também. Os ritos e as celebração de fé da nossa Igreja são milenares, tem seu fator cultural e histórico também. 

Um "solução", acredito eu, é começar a "educar" os pais (família) para as celebrações litúrgicas, visto que muitos o fazem mais por "obrigação" do que exatamente por alegria do encontro dominical. Quando os pais, primeiros exemplos dos filhos, entenderem e valorizarem a liturgia, vão amá-la. E quando se ama, se dá exemplo e testemunho. 

Ângela Rocha - Formadora




sexta-feira, 21 de agosto de 2020

SANTAS REPETIÇÕES


Nunca, em nossa geração fez tanto sentido as palavras "repetidas" no rito da missa diante do contexto social que vivemos, em meio à crise humanitária causada pela pandemia e agravada pela crise política do Brasil. As poucas pessoas que podem frequentar uma Igreja compartilham da emoção que sentem ao entrar, ao participar e ao sair de uma Santa Missa. 

O antes, o agora e o depois de fato está sendo experimentado pelos fiéis. Ansiamos pelo dia de poder participar, muitos precisam até mesmo de um "passe" ou "senha" para garantir a entrada. Se preparam, anseiam pelo encontro com o Senhor. 

Sim, agora podemos dizer que temos um encontro com Ele. Sentem-se privilegiados.

Durante a celebração, cada palavra começa a fazer sentido. Todos os cantos parecem escrever a realidade cruel e de sacrifícios que temos vivido com a pandemia. Nos recorda constantemente, o quanto somos pequenos e indefesos. Lutamos contra um inimigo invisível e desconhecido. Entendemos que pedimos muito pouco ou quase nada, pelos dons do Espírito Santo, principalmente inteligência e ciência. Incentivamos nossos filhos na frente de modernos jogos e vídeos de Youtube e esquecemos de motivá-los aos estudos que realmente importam.

Percebemos quantos inocentes e heróis sacrificam suas vidas pelo próximo. Quantos gestos de amor se vêm em hospitais e entre familiares. Quantos pedidos de perdão e quantos perdões foram dados. Medo, ansiedade! Quantas cruzes estamos presenciando. Quantos “Cireneus” disponíveis em ajudar a carregar cruzes. Quantas vitórias.  Quantas injustiças causadas pelo desvio de atenção dos poderes públicos. Quantas ressurreições. Milagres!

O ato penitencial, antes era despercebido. Não tínhamos noção de que ali deveríamos implorar pela misericórdia de Deus diante de nossas falhas diárias, para que Deus pudesse amenizar as consequências dos pecados que cometemos. Agora, o "piedade Senhor", seja rezado ou cantado, tem poder místico, pois o pronunciamos com força, com fé e com tom de súplica. Oferecemos na pronúncia dessas palavras, cada pessoa, cada cidade e cada país que sofre com a pandemia. Imploramos que o Senhor tenha piedade e aprimore o dom da ciência para descobrir a cura para o mal que nos abate. Repetimos três vezes "Piedade Senhor" e agora entendemos que é pouca repetição.

Após implorar piedade, o rito nos ensina a glorificar a Deus: "Glória a Deus nos céus e na terra paz aos homens...". Paz aos homens é só o que nosso coração pede nesse momento. Paz essa que só Deus ensina a conquistar. E Ele ensina por meio das leituras da Palavra. Quanta riqueza há na Bíblia. Há também histórias e verdades. É tão rico que se tornou o livro mais lido no mundo todo. E quem além de ler o pratica, encontrou aí o segredo da paz.

Há também as preces da assembleia ou a chamada de preces comunitárias. Nesse momento percebemos a importância de ser um conjunto, de unir-se na fé. Uma Igreja precisa de pessoas unidas que praticam a mesma fé. Ressalto aqui a importância de praticar a fé e não apenas pronunciar a fé (isso inclui principalmente, perdoar e suportar uns aos outros). Sabemos que a comunidade fundada por Cristo, só chegou até nós porque viviam unidos em oração, num constante pentecoste. Todos na mesma prece! E agora consideramos que são poucas as preces descritas no rito. Precisamos aumentar para caber todas as nossas preocupações pessoais, financeiras e com quem amamos.

O rito da missa é tão sábio que antes das preces devemos professar a nossa fé por meio do Creio. Precisamos compreender o que cremos, colocar nossa fé ali para poder então acreditar no que pediremos em nome dessa fé.

Na Liturgia Eucarística percebe-se o quanto é preciosa a mística. Ocorre uma junção entre céus e terra. Ocorre o ápice do sacrifício eucarístico. Ali é possível visualizar todas as pessoas que foram infectadas e que infelizmente não resistiram. São pais, mães, avós, filhos, netos, profissionais, enfim, eram o amor de alguém. Seres humanos. Então oramos para que estejam recebendo o céu como prêmio. Oramos pelas almas e não pelo que eram ou fizeram. Oramos para que encontrem a paz. 

Oramos por toda Igreja. Oramos pelos sacrifícios que ocorrem todo dia. Para que a injustiça enfraqueça.  Imploramos para que Deus não olhe nossos pecados, mas sim a fé que anima a Igreja. Oramos para que Deus tenha piedade e mesmo na nossa indignidade ele faça morada em nós. Oramos para que o Senhor veja nossa humilde e imperfeita fé. Nosso pensamento sobe aos céus e nosso joelho se dobra. Sentimos a força dessa fé. Nos inundamos com amor e saímos dali restaurados e cheio de esperança. Ganhamos força e o desejo de retornar. 

Recebemos o Jesus por meio da Eucaristia na comunhão física ou espiritual. Ele se digna a entrar em nossa morada, tão pecadora e imperfeita. Agora compreendemos que estar com Jesus é a nossa única alternativa. Ciência dos homens neste momento tem auxiliado e orientado, mas não curado. Então resta ao ser humano se apegar com o divino.

Recebemos Jesus no mais íntimo de nosso ser e clamamos que Ele visite cada célula de nosso corpo e seja nossa proteção. Que Ele esteja em nós. Assim, como se diz no rito missal: "O Senhor esteja conosco. Ele está no meio de nós".

Tem "pesado" cada palavra pronunciada na Missa. Os olhos da fé estão se abrindo. E agora é possível compreender que realmente Deus consegue tirar proveito até dos maus acontecimentos das nossas vidas.

Repetições são feitas por mais de dois mil anos conforme foi repassado pelo modelo Apostólico da Igreja Católica. Hoje podemos entender que elas são necessárias quando repetidas na angústia da alma ou na profundeza do amor pelo Deus Criador. Senhor, tenha piedade de seus filhos, Senhor tenha piedade de nós, Piedade Senhor!

 Catequista Sandra Fretta Gomes Malagi

Paróquia Sant’Ana- Laranjeiras do Sul-PR


 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

A SACRAMENTALIDADE DA LITURGIA

 

Foto: Lucas Rocha

Buyst, Ione. Alguém me tocou!  in: Revista de Liturgia, no 176, p. 4-9; (adaptações: Dom Edmar Peron).

 

Podemos nos tocar uns aos outros com a mão, com o olhar, a voz, a aproximação de todo o corpo, ou também através de um instrumento ou objeto... O que é tocado em mim, quando alguém me toca, ou quando eu toco alguém? Tocando a mão de alguém ou ferindo-a, tocamos ou ferimos a pessoa mesma. Sem o toque não há relação; sem o toque o encontro não é possível.

Tocar Deus (!?)

No evangelho, uma mulher, sofrendo de hemorragia havia muitos anos, toca a roupa de Jesus, na esperança de se curar. Ela fica livre de sua doença. Jesus percebe a força que saíra dele e pergunta: Quem me tocou? (Mt 9,20-22). Podemos acrescentar uma outra pergunta: quem a mulher tocou quando tocou em Jesus? Para a tradição cristã, a força que habita Jesus não é apenas uma força psíquica, mas a força do próprio Espírito Santo. Jesus é reconhecido, na fé, como o Emanuel, Filho de Deus, Verbo feito carne. Por isso Jesus diz: Quem me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai em mim. (Jo 14,9-10) e a primeira carta de João explicita: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida – porque a Vida manifestou-se – o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. (1Jo 1,1-4).

A Vida se manifestou, se deu a conhecer, ver, ouvir, apalpar. Ver Jesus, ouvi-lo, tocá-lo..., é ver, ouvir, tocar Deus! Para se comunicar com a pessoa humana, salvá-la e propor-lhe a possibilidade de uma vida de intimidade, de comunhão, Deus teve que se tornar audível, visível, palpável, isto é, ao alcance de nossos ouvidos, de nossos olhos, de nossas mãos! Deus teve que nos tocar e se deixar tocar em Jesus.

Uma nova maneira de se pensar a liturgia.

A imagem do “toque” nos ajuda a compreender a sacramentalidade da liturgia. De fato, antes do Concílio, o termo “sacramento” era usado unicamente para se referir aos sete (batismo, confirmação, eucaristia,...). Mas o Concílio mudou radicalmente esta maneira de ver. Fala da Igreja como sacramento e apresenta toda a liturgia, e não apenas os sete sacramentos, como uma ação sacramental, uma ação de Deus que vem salvar seu povo. Eis o sentido de “sacramentalidade” da liturgia (ainda que este termo não apareça no documento).

Liturgia situada na história da salvação.

Na SC, principalmente nos 5-8, a liturgia, assim como a Igreja, é situada na longa história da salvação, cujo ponto culminante e central é Jesus Cristo: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O tempo antes de Cristo é apresentado como preparação e o tempo depois dele é o tempo da Igreja, que decorre do mistério revelado em Cristo e encaminha-se à plena realização do Reino.

É importante notar também a relação que existe entre as palavras “mistério” e “sacramento”; no texto latino-africano da Bíblia, a palavra grega «mysterion» é quase sempre traduzida por «sacramentum». E nas cartas aos Efésios e aos Colossenses os dois termos são usados indistintamente, ou seja, o sentido originário da palavra “sacramento” é... o mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo. Este mistério é celebrado na liturgia, através de sinais sagrados, sensíveis e eficazes, para dele podermos participar.

Hoje usa-se as duas palavras, mistério e sacramento, também para designar a liturgia em seu conjunto e em seus detalhes, como por exemplo, o sal usado no batismo, os funerais, a consagração das igrejas...

A estrutura sacramental na economia da salvação.

O grande estudioso da liturgia, Vagaggini, diz que existente uma “íntima e indissolúvel conexão” na ordem atual da salvação entre Cristo, a Igreja e a Liturgia: Cristo age na Igreja e através dela, a Igreja age principalmente na liturgia e através dela. Esta relação se apresenta como uma «estrutura sacramental», ou seja, uma “realidade visível e sensível que, de algum modo, contém e comunica aos que estão bem dispostos uma realidade invisível, sagrada e divina da ordem da salvação, (...) manifestada a quem tem fé e escondida a quem não a tem. Tal é a estrutura de Cristo, tal a estrutura da Igreja, tal a estrutura da Liturgia”.

Cristo é o sacramento primordial; a Igreja é o sacramento geral; a Liturgia é o sacramento mais restrito, particularmente nos sete sacramentos, que é seu núcleo central, e mais especificamente na eucaristia, que é o sacramento por excelência.

Relacionando com a imagem do toque, podemos dizer que na pessoa de Jesus, Deus “tocou” nossa humanidade para salvá-la, para realizar o encontro, a comunhão. Hoje, o Cristo Ressuscitado continua nos “tocando” em seu Corpo, que é a Igreja, e nos Mistérios celebrados, nas ações simbólico-sacramentais realizadas nela, por Ele: a liturgia.

Assim, a SC lembra a estrutura humano-divina da pessoa de Cristo e de sua obra: “Deus enviou seu Filho, Verbo feito carne, ungido pelo Espírito Santo. (...) Sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi o instrumento de nossa salvação...”.

Depois apresenta a Igreja como sacramento nascido de Cristo: “do lado do Cristo, dormindo na cruz, nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja” (SC 5). Também ela é humana e divina, sendo que “o humano se ordena ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação e o presente à cidade futura” (SC 2); é a ação invisível do Espírito, servindo-se de meios humanos e visíveis.

Em seguida, fala da liturgia: é um conjunto de sinais sensíveis através dos quais Cristo continua sua obra de salvação de toda a humanidade e de glorificação de Deus, unindo a si a sua Igreja para levar avante esta obra. “Disto se segue que toda a celebração litúrgica (...) é uma obra sagrada por excelência, cuja eficácia nenhuma outra ação da Igreja iguala...” (SC 7).

Assim, na SC “a ‘sacramentalidade’ de toda a liturgia é salientada com grande ênfase”, e o complexo de sinais sensíveis – através dos quais Cristo age na liturgia – não se refere somente ao culto prestado por nós a Deus (glorificação), mas também à santificação que Deus realiza em nós (santificação).

Sinais sensíveis, significativos e eficazes no encontro do Ressuscitado com o seu povo.

São três as afirmações da SC 7 a respeito dos sinais com os quais se realiza a liturgia.

1) São sinais sensíveis, ou seja, atingem nossa sensibilidade a partir da corporeidade. São coisas que podemos ver ou ouvir, apalpar, cheirar, degustar...: pão e vinho, água, óleo, incenso, velas acesas..., espaço para celebrar, altar, estante da Palavra..., mãos se tocando, ungindo, pessoas reunidas, se cumprimentando, abraçando, cantando, atuando em conjunto... Daí a necessidade de se cuidar da maneira de celebrar, de cultivar a a das ações litúrgicas (Cf. SC 47), e também da verdade destes sinais: pão de verdade, comunhão do pão consagrado naquela missa e não do pão de missa anterior, guardado no sacrário (SC 55), vinho para todos (SC 55), água para o batismo em abundância... A música é parte integrante e necessária, intimamente ligada à ação litúrgica (SC 112-121). Da arte sacra, das vestes litúrgicas e dos objetos pertencentes ao culto divino se pede que sejam “dignos, decentes e belos, sinais e símbolos das coisas do alto” (SC 122).

2) Os sinais sensíveis foram escolhidos por Cristo e pela Igreja para significar as coisas divinas invisíveis (SC 33). São sinais simbólicos, sacramentais: sinais sensíveis que remetem à realidade invisível, ao mistério de nossa fé, ao «Mistério Pascal» de Jesus Cristo. São “sacramentos da fé”; não somente a supõem, mas também a alimentam, fortalecem e exprimem (SC 59). Para que possam ser reconhecidos como tais, requerem conhecimento das coisas da fé, aprofundados através de mais abundante leitura das sagradas Escrituras, da restauração da homilia que anuncia o mistério de Cristo, da catequese litúrgica... (SC 24;35;51-52). É necessário que os participantes “acompanhem com a mente as palavras, participem consciente, ativa e frutuosamente” (SC 11).

Daí ao menos três exigências pastorais:

a) as ações sagradas devem “resplandecer de nobre simplicidade, sejam transparentes por sua brevidade... acomodadas à compreensão dos fiéis e, em geral, não careçam de muitas explicações” (SC 34; 59);

b) o povo e o clero precisam de formação litúrgica (SC 15-19);

c) as ações litúrgicas “exprimam mais claramente as coisas santas que elas significam” (SC 21). Também as exigências da adaptação à cultura de cada povo celebrante entram nesta mesma perspectiva (SC 36 a 40; 54; 63).

3) Esses sinais sensíveis, escolhidos para significar as coisas da fé, são eficazes, pois realizam o que significam. “Assim, pelo batismo as pessoas são inseridas no mistério pascal de Cristo; com ele, mortas; com ele, sepultadas; com ele, ressuscitadas... Da mesma forma, toda vez que comem a ceia do Senhor, anunciam-lhe a morte até que venha...” (SC 6).

A eficácia dos sinais sensíveis na liturgia vem do fato de se tratar de ações do Cristo com seu Espírito, presente, não somente no pão e no vinho eucarísticos, mas igualmente no ministro que preside, na palavra anunciada, nos sacramentos, na assembleia reunida que ora e canta... (SC 7): “Eu te encontro nos teus mistérios” (S. Ambrósio); “O que era visível em nosso Redentor passou para os mistérios” (S. Leão Magno). Assim: é nas ações litúrgicas que vemos, ouvimos, percebemos Cristo Crucificado/Ressuscitado vindo ao nosso encontro, atuando, salvando, instaurando o Reino de Deus.

No entanto, não basta celebrar. Espera-se que aquilo que é vivido sacramentalmente, ritualmente, na celebração, tenha continuidade na vida diária, no testemunho no meio do mundo: “saciados pelos sacramentos pascais, sejam concordes na piedade, conservem em suas vidas o que receberam pela fé, sejam estimulados para a Caridade imperiosa de Cristo” (SC 10). Mais: “devemos sempre trazer em nosso corpo a morte de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nossa carne mortal” (SC 11), ou seja, a memória da morte-ressurreição de Jesus celebrada na liturgia deve se ‘encarnar’ em nossa vida; a oferta de nossa vida, juntamente com a de Jesus na celebração eucarística, se prolongue em nosso cotidiano a tal ponto que sejamos feitos “eterna dádiva sua” (SC 12). Celebração litúrgica, vida espiritual e comportamento ético não são coisas estanques, separadas.

 



quarta-feira, 24 de abril de 2019

EXAGEROS DE CRIATIVIDADE NA LITURGIA


"A Liturgia já tem uma dinâmica própria e já possuem seus símbolos próprios e profundos. O símbolo deveria falar por si só. O símbolo que precisa ser muito explicado, deixa de ser símbolo!"

No Sábado Santo, vivemos a Grande Vigília Pascal, também conhecida como a Mãe de todas as Vigílias. Cada momento da liturgia da grande vigília, que é essencialmente batismal desde os primeiros séculos, nos leva a esta experiência de uma nova criação. Da criação do mundo, descrita no Livro do Gênesis, à noite de Páscoa com o batizado dos catecúmenos, com renovação das promessas do Batismo. Começamos falando do Sábado Santo, apenas para exemplificar a riqueza da Liturgia e o esmero de seu preparo.

“A Liturgia é o lugar onde tudo isto se torna mais visível, mais sensível. É um lugar decisivo para o encontro, para a alegria do encontro com Jesus Cristo. O pão, o vinho, a água, o azeite, a nossa própria presença, as palavras, os gestos, todos os ritos, os símbolos que usamos na liturgia, devem nos remeter sempre para o invisível. A liturgia, no fundo, tem este grande desafio: fazer ver  o invisível, e até de ver a própria palavra. A liturgia tem esta força de tornar possível o impossível.”

Dom José Manuel Cordeiro - Bispo de Bragança-Miranda (Portugal).

Os símbolos na liturgia, além do que são próprios do ato litúrgico, precisam ser utilizados com moderação e ponderação, não de maneira exaustiva e intransigente. Na busca de tornar a liturgia mais viva e mais participativa, se buscou demasiadamente inventar tantos símbolos, fazer acréscimos de para-liturgias que, ao invés de ajudarem, trazem mais confusão ou distorções, descentralizando-se do verdadeiro sentido do mistério pascal, da mesa do sacrifício eucarístico e da riqueza da liturgia como tal.

Parece que a liturgia por si só não fala nada, porque não a entendemos, e aí temos que completá-la com acréscimos demasiados, empanturrando a liturgia de elementos desnecessários. Transformamos, por vezes, a celebração dominical, do Tempo Comum, numa esticada missa que nunca acaba. 

Na liturgia, parece que o critério do menos, é ainda o melhor. Colocamos, por exemplo, 10 símbolos diversos na procissão do ofertório, quando não os colocamos igualmente já na procissão de entrada. E quando queremos dar destaque a tudo, nada fica, porque tudo se torna extremamente acentuado ou deturpado. A Liturgia já tem uma dinâmica própria e já possuem seus símbolos próprios e profundos.

O símbolo deveria falar por si só. O símbolo que precisa ser muito explicado deixa de ser símbolo. Não precisamos reinventar uma nova liturgia. Parece que a moda é uma criatividade exacerbada, desfocada da essência do mistério à custa de inovações, que ao invés de enriquecer, tantas vezes empobrecem o sentido mais profundo da ação sagrada.

É como a SC aponta: “Os próprios sinais sensíveis que a liturgia usa para simbolizar as realidades divinas invisíveis foram escolhidos por Cristo ou pela Igreja” (SC, 33). Porque encher de outros tantos elementos outros? Não significa que não possa havê-los, mas que levem ao foco principal e não sejam dispersivos.

A ação de graças, outrossim, em muitas comunidades é sinônimo de apresentação teatral ou homenagens diversas, desfocando do verdadeiro da centralidade da refeição sagrada. Tantas vezes acontece uma indigestão litúrgica frente a tantos outros aspectos e novidades, que se quer trazer presentes, na boa intenção de melhor celebrar.

Outras vezes, encompridamos demasiadamente a Liturgia da Palavra e acabamos atropelando a liturgia eucarística, porque o tempo da primeira parte extrapolou. Enfim, há aqui muitas coisas que poderíamos elencar como avanços ou retrocessos, de acordo com a visão dos liturgistas. Sabemos que a liturgia não pode ser inventada de acordo com nosso jeito, nosso gosto, nossa cara, mas adaptada de acordo com as permissões e prescrições que se nos permitem pelas normas orientadas pela Santa Sé, por meio da Congregação para o Culto e os Sacramentos.

Padre Gerson Schmidt.

FONTE: www.vaticannews.va   

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Por todos...
os que vão viver esta quarta feira em cinzas, cobertos delas, com elas na boca e no suor.
Por todos...
os que habitam terras queimadas e destruídas, onde o pó não se acumula nas louças mas, na alma.
Por todos... 
os que foram roubados a ponto de a vida toda que interessa lhes caber num saco de pano que se põe ao ombro. 
Por todos ... 
os que terraplanamos diariamente por interesses financeiros ou por pura maldade. 
Por todos ... 
os que em toda a história foram queimados, vivos, como castigo ou exorcismo de diabos que estavam, afinal, no coração de quem ditava as sentenças. 
Por todos ... 
os que ainda hoje, de outras maneiras, tantas, queimamos, como fósforos de uso rápido e secundário. 
Por todos ... 
os que se sentem a viver abaixo do chão, tapados até aos olhos, com o pó a tomar-lhes conta do corpo e a transformá-los em nada, em chão apenas, que pisamos sem darmos conta. 
Por todos ... 
os que sentem as mãos cheias de nada, lugares vazios, gastos, como a lareira depois de arder a lenha toda, naquele silêncio cada vez mais gelado de coisa abandonada. 
Por todos... 
os que perderam o fogo da alegria e da esperança, e se desencantam como uma braseira mortiça em fim de serão, mais cinza que brasa. 
Por todos...
os que não precisam celebrar conosco a quarta feira de cinzas para estarem cobertos delas, queremos pelo menos pedir ao Bom Deus de todos nós que esmigalhe a dureza do nosso coração. Que se torne cinza também a pedra que deixamos crescer dentro de nós e nos insensibiliza, nos blinda à dor dos outros. Os outros que, afinal, são como nós!

Amém! 

(Pe. Rui Santiago Cssr)

Que nosso coração se sensibilize à dor do outro, que essa dor, também seja a nossa!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É SEMPRE TEMPO DE ADVENTO!


Esperar não é sonhar: é o meio de transformar o sonho em realidade. Felizes os que têm a coragem de sonhar, os que estão  dispostos a pagar seu preço, para que o sonho ganhe corpo  na história dos homens!  (Cardeal Suenens)
tique-20Quando falamos em Advento certamente pensamos mais no período antes do Natal, pensamos mais na vinda, no Advento do Senhor. Os autores espirituais falam de três vindas:  a primeira  na pobreza de Belém, a segunda no fim dos tempos e a terceira, discreta, em nosso dia a dia. Sabemos que sempre é tempo de vigilância, de ter velas acesas nas mãos esperando a chegada do Senhor e a irrupção do cortejo do esposo que chega para a festa da intimidade.
tique-20Desnecessário ficar repetindo que vivemos na agitação, na superficialidade. Disto temos plena consciência. Isso nos incomoda. Com atividades febris, correria, tarefas urgentes ou inventadas, nossas horas parecem curtas e mal começamos a percorrer o mês de janeiro temos a impressão de que o tempo escapa de nossas mãos. Não temos tempo.  Há solicitações e urgências. Temos tanto que fazer que o tempo nos falta.
 tique-20Tudo se precipita. Não temos mais tempo de visitar o coração. Nossa vida é como essa mania de comida rápida, sempre rápida (fast food). Será que esperamos? O que esperamos? Na verdade não temos tempo de ver crescer nossos amores, nossas crianças, nossas competências, simplesmente nossa vida.  Repetimos ideias.  Somos sonâmbulos no trânsito, no trabalho, no metrô, na família.  Um autor assim se exprime: “Vivemos o tempo da recusa do tempo; os mostradores de nossos relógios  não têm mais os ponteiros  que iam pulando de segundo em segundo, na direção da hora seguinte.  Acabou-se o  tempo  em que o tempo era um espaço a ser percorrido. Por medo do futuro e esquecimento do passado  fomos nos tornando  zelosos turiferários da religião do instante” (Bertrand  Révillion, Revista Panorama  (Paris),   2002, p. 3). Religião do instante… como isso é verdade.
tique-20Faz muito bem viver o tempo do Advento. Reencontrar as passagens de Isaías, ver o Batista apontando para aquele que vem, estar perto de Maria grávida de Deus. Há qualquer coisa de novo no ar. Vamos, pois, nos revestindo de esperança.
tique-20O futuro não nasce inopinadamente. Ele é resultado de fecundações lentas  que deixamos germinar no ventre da  Natal nada mais é do que um fabuloso dom feito ao homem: o tempo longe de ser uma prisão que acorrenta e  que leva ao nada, é chance de vida. Natal que dizer que Deus se fez tempo, nasceu no tempo, que a eternidade está no tempo.
tique-20Celebrar o Advento é ousar viver o tempo das lentas maturações, reaprender a caminhar lentamente, passo a passo, para nossa mais densa e profunda humanidade.  É quebrar essa cadeia frenética do tempo vazio demais  porque cheio de  coisas sem valor, é fazer em si, em seu mistério de homem, lugar para a chegada do Inesperado.
tique-20Viver o Advento é dizer a todos os desesperados que a terra tem um amanhã desde que deixemos esse futuro nascer. E o futuro é sempre esse Deus que vem. Ele, o Inesperado, vem.
tique-20… “Os satisfeitos não buscam nada realmente novo.  Não trabalham para mudar o mundo.  Não lhes interessa um futuro melhor. Não se revoltam diante das injustiças,  dos absurdos do mundo presente. Na realidade, este mundo é para eles o céu ao qual se candidatariam para sempre. Podem permitir-se ao luxo de não esperar nada melhor.  Como é tentador adaptar-se sempre  à situação,  instalar-nos confortavelmente em nosso pequeno mundo. Mas não esqueçamos:  somente aqueles que fecham os olhos e os ouvidos, somente aqueles que se tornaram insensíveis, podem sentir-se à vontade num mundo como este( R.A.Alves)  (Pagola,  Lucas, p 337).
tique-20Até o fim da vida, o homem está sob o regime do Advento: “O ‘agora’ eterno  já está em teu interior, esse ‘agora’ que ninguém pode encurtar, nem para atrás, nem para frente e que já começou a arrumar em ti o buquê de todos os instantes terrenos. Até o dia em que ouvirás: “Entra na alegria de teu Senhor” (Mt 25,21), estarás no regime do Advento. Deus, no momento, não espera de ti uma alegria exuberante, porque são pesadas as correntes que te prendem no tempo, mesmo que elas tenham começado a cair.  A única coisa que te é pedida é de alimentar esta alegria humilde e discreta da fé  que vive na ardorosa espera do mundo que está para vir, tão firme que faz com as coisas que caem sob nossos sentidos  não constituem a totalidade da realidade; a alegria humilde do presidiário  ainda encarcerado mas que sabe que está  para ser libertado”  (Karl Rahner).
FONTE: http://www.franciscanos.org.br/ 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ÁLBUM CATEQUÉTICO LITÚRGICO 2017/2018


O Álbum Catequético-Litúrgico 2017/2018 (Ano B), já está disponível para venda, voltado para todos os catequistas, catequizandos, pais e lideranças paroquiais de qualquer diocese do Brasil.

A proposta do álbum é auxiliar na integração entre família, catequese e liturgia através de atividades de reflexão e partilha do Evangelho de cada domingo. A partir de exercícios e brincadeiras entre pais ou responsáveis e filhos, o subsídio possibilita a criação de um rito semanal familiar.


O Álbum acompanha ilustrações, dinâmicas, jogos, um álbum de figurinhas e um Calendário Litúrgico para pendurar na parede. No calendário, é possível colar um par de pés a cada Santa Missa em que o catequizando participar e, assim, acompanhar sua participação ao longo de todo o ano.

O material pode ser adquirido através da Editora Arquidiocesana de Curitiba:
Pelo e-mail: sac@arquidiocesecwb.org.br, 
Pelo telefone: (41) 2105-6325 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ESPECIAL: GOTAS DE LITURGIA

Numa das muitas navegações pela internet e sites sobre religião, encontrei esta "pérola" de formação litúrgica que são as "Gotas de Liturgia". Não tenha pressa e nem preguiça de acompanhar os artigos! São uma excelente fonte de formação para o catequista.


De maneira clara, condensada, o site fransciscanos.org.br apresenta o Especial “Gotas de Liturgia”, uma noção básica do rico sentido da Liturgia e dos significados dos termos litúrgicos, dos sinais usados, das vestes e objetos litúrgicos, das cores, do rito litúrgico, do Tempo Litúrgico, da oração dos Salmos. Em 51 artigos, foram distribuídos pequenos textos para a reflexão de ninguém menos do que o mestre em Teologia da Liturgia no Brasil: Frei Alberto Beckhäuser.

No primeiro texto, Frei Alberto pergunta: “Liturgia é igual a ritos?”. Segundo Frei Alberto, a liturgia “celebrada é a obra da salvação e do culto de Cristo prestado ao Pai tornada presente e atual através de sinais sensíveis e significativos da própria ação sacerdotal de Cristo. Estes sinais sensíveis e significativos da ação salvadora e do verdadeiro culto prestado por Cristo ao Pai, formam os ritos. Os ritos são, pois, a expressão significativa da obra da salvação e da glorificação da qual os que celebram participam”.

Os artigos iniciais tratam da Liturgia em geral, sua natureza, sua expressão ritual, etc. Depois, Frei Alberto escreve sobre a Santa Missa, da abertura até o envio. 
Acompanhe no site, no menu, ao lado direito, os artigos. 

CLIQUE EM:

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/ 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O CÍRIO PASCAL: ORIGEM E TRADIÇÃO

Círio Pascal – Vigília Pascal – Paróquia São Jorge – Curitiba PR

O Círio Pascal é a grande vela acesa que simboliza o Senhor Ressuscitado. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal, que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado. A palavra “círio” vem do latim “cereus”, de cera, o produto do labor das abelhas.

O uso do círio pascal é anterior ao século VI.  O rito de acender o círio pascal nasceu de um costume diário dos cristãos. Sem eletricidade, o ato de acender a luminária, ao cair da noite, se tornara um rito familiar, que trazia alegria e segurança. O círio pascal representa Jesus que é a luz que ilumina a noite da humanidade.

No século VIII, era costume que a igreja permanecesse no escuro depois de terminada a celebração vespertina da Quinta-Feira da Paixão, até o Sábado. Não eram permitidas luzes de velas na igreja na Sexta-Feira da Paixão. Para conservar uma chama do fogo, uma lamparina permanecia guardada acesa num outro lugar que não fosse a igreja. A luz era trazida de volta para dentro da igreja no Sábado da Paixão à noite. Essa luz possibilitava a leitura dos textos bíblicos para a comunidade.

Somente mais tarde se tem notícia a respeito do costume de se fazer uma fogueira no Sábado da Paixão. Do fogo da lenha, pega-se o Fogo Novo que iluminará o novo tempo, o tempo pascal. O fogo é o símbolo do Espírito Santo. Ele é a força vital da Igreja.

O Círio Pascal é aceso na vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz. Ele é preparado na primeira parte da Vigília e aceso no Rito do Fogo Novo.

Bênção do Fogo Novo e acendimento do Círio

O Círio é aceso, no Fogo Novo, pelo diácono. A seguir, o diácono apresenta o círio para a comunidade, dizendo: A luz de Cristo, segue então uma procissão até o recinto da celebração. O círio vai na frente, levado pelo diácono, e a comunidade segue logo atrás. O recinto da celebração está totalmente no escuro. Antes de entrar nele, todos acendem suas velas no círio pascal.
  
O Círio Pascal é, desde os primeiros séculos, um dos símbolos mais expressivos da vigília, por isso ele traz uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.



As cinco chagas de Cristo:

1. A coroa de espinhos
2. O prego da mão direita
3. O prego da mão esquerda
4. O prego dos pés, e
5. O corte feito no lado direito do seu peito.


O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes.

Uma vez concluído o Tempo Pascal, o Círio é dignamente conservado no batistério ou sacristia. Depois o Círio Pascal é usado durante os batismos e as exéquias, ou seja, no princípio e ao término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna. Na liturgia do batismo, a vela batismal é acesa no círio, antes de ser entregue aos recém batizados (ou pais e padrinhos). Também se acende o Círio nas celebrações dos Sacramentos da Eucaristia e Crisma, para renovação das promessas do batismo.

Círio Pascal - Encontro catequético com as Famílias

Não é usual que se use o Círio Pascal fora da Igreja, e antigamente, nem se permitiam réplicas dele. Hoje no entanto, em alguns momentos ele é usado para encontros e são feitas réplicas para a catequese nas pastorais e para que as famílias tenham em casa a lembrança do Cristo-Luz.

Equipe Catequistas em Formação
Fonte: Diversas.

A Preparação do Círio


Depois da bênção do Fogo Novo, um acólito ou um dos ministros apresenta o Círio Pascal ao celebrante, o qual, grava ou fixa no círio uma cruz; depois grava a letra grega Alfa por cima da cruz e a letra grega Ómega por debaixo e, entre os braços da cruz, grava os quatro algarismos do ano corrente. Enquanto grava estes símbolos, diz:

1. Cristo, ontem e hoje
Grava a haste vertical da cruz.
2. Princípio e fim
Grava a haste horizontal da cruz.
3. Alfa
Grava o Alfa por cima da haste vertical.
4. e Ómega.
Grava o Ómega por debaixo da haste vertical.
5. A Ele pertence o tempo
Grava no ângulo superior esquerdo o primeiro algarismo do ano corrente.
6. e a eternidade.
Grava no ângulo superior direito o segundo algarismo do ano corrente.
7. A Ele a glória e o poder
Grava no ângulo inferior esquerdo o terceiro algarismo do ano corrente.
8. para sempre. Amém.
Grava no ângulo inferior direito o quarto algarismo do ano corrente.

Depois de ter gravado a cruz e os outros símbolos, o sacerdote coloca no círio cinco grãos de incenso, em forma de cruz, dizendo:

1. Pelas Suas chagas                                                   1
2. santas e gloriosas,
3. nos proteja                                                    4         2       5
4. e nos guarde
5. Cristo Senhor. Amém.                                             3

O sacerdote acende no Fogo Novo o círio pascal, dizendo:
A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito.

Estes elementos podem ser utilizados, no todo ou em parte, conforme as circunstâncias pastorais do ambiente e do lugar. Entretanto, as Conferências Episcopais também podem determinar outras formas mais adaptadas à realidade das comunidades. Quando, por justas razões, não se acende o fogo, a bênção do fogo será adaptada convenientemente às circunstâncias.

Procissão:

MoniçãoAceso o círio pascal, sinal de Jesus, vamos acompanhá-lo em procissão, aclamando-O como luz de todos os povos.
O diácono, ou, na falta dele, o sacerdote, toma o círio pascal e, levantando-o, canta sozinho:
V. A luz de Cristo.      (Lumen Christi)
R. Graças a Deus.     (Deo gratias)

Dirigem-se todos para a igreja, indo à frente o diácono com o círio pascal. Se for usado o incenso, o turiferário, com o turíbulo aceso, vai à frente do diácono.

À porta da igreja, o diácono para e, levantando o círio, canta pela segunda vez:
V. A luz de Cristo.      (Lumen Christi)
R. Graças a Deus.     (Deo gratias)

Acendem então as velas do lume do círio pascal. A procissão continua; e, ao chegar junto do altar, o diácono, voltado para o povo, canta pela terceira vez:
V. A luz de Cristo.      (Lumen Christi)
R. Graças a Deus.     (Deo gratias)

E acendem-se as luzes da igreja (mas não as velas do altar: cf. n. 31).

(Roteiro Homilético da Vigília pascal: http://www.presbiteros.com.br )